quinta-feira, 29 de março de 2018

Vinhos em família (LXXXVII) : brancos em alta

Mais uns tantos vinhos provados em família (3 brancos e 1 tinto), com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 (13 % vol.) - 90 pontos na Wine Spectator; ligeira oxidação nobre, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca extenso. Boa evolução, elegância e complexidade. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5).
.Primus 2014 (13,5 % vol.) - 92 pontos no Parker; com base em vinhas velhas, maioritariamente Encruzado; fresco e mineral, cítrico, boa acidez, alguma gordura e complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª do Alqueve Tradicional 2013 (13 % vol.) - produzido por Pinhal da Torre, Alpiarça; com base na casta Fernão Pires; nariz discreto, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez no ponto, volume e final de boca médios. Um branco de outono/inverno com uma relação preço/qualidade imbatível. Nota 16.
.Chocapalha Vinha Mãe 2011 (14,5 %) - com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Syrah (30 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês; aroma vibrante, ainda com muita fruta vermelha, alguma acidez e notas de lagar, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Elegante. Nota 17,5.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Revisitando o Crôa pela enésima vez

O Crôa é o meu restaurante preferido na Praia Grande e arredores (Praia das Maçãs e etc). Porque está bem localizado, tem sempre peixe fresco, os preços são acessíveis e porque sim.
Dele já falei em "Curtas (VII)" e "Curtas XXXVIII", crónicas publicadas em 7/5/2013 e 18/9/2014, respectivamente.
Desta vez comemos ameijoas à Bolhão Pato, dourada grelhada com batatas e legumes e, ainda, a belíssima tarte de maçã com gelado. Tudo no ponto.
Na componente vínica é que é o desastre. A  lista é curta, os anos de colheita estão omissos e os copos que estão na mesa uma desgraça. A pedido, vieram copos aceitáveis.
Para compensar, fomos atendidos por um empregado que fez um serviço de 5 estrelas, o que não é habitual num espaço de restauração como este.
Optei por uma garrafa de Catarina 2016 - com base nas castas Fernão Pires, Chardonnay e Arinto; presença de citrinos e fruta madura, acidez nos mínimos, algum verniz e madeira discreta, notas amanteigadas, volume médio e final curto. Gastronómico. Nota 16. O vinho foi dado a provar.
Tem uma boa relação preço/qualidade e é uma boa defesa na restauração. Esta garrafa custou-me 10 € e levei para casa a metade que sobrou.

sábado, 24 de março de 2018

Champanheria do Largo (Av. Liberdade) : uma sombra do passado

Passados 4 anos voltei à Champanheria do Largo (ver "Borbulhas na Champanheria do Largo", crónica publicada em 20/2/2014) e saí de lá com uma grande frustação. É, de facto, uma sombra do passado.
Chegámos mais ou menos em cima das 13 h. A sala estava praticamente vazia, com a clientela, à base de turistas, a ocupar a esplanada exterior. Pedimos 2 pratos emblemáticos, a meia desfeita de bacalhau e os lombinhos de porco ibérico. Afinal nem um nem o outro! Já acabaram, foi a desculpa esfarrapada da empregada. Como é possível não haver bacalhau, património gastronómico nacional?!
Plano B:
.creme de caldo verde (saboroso, mas nada tem a haver com o tradicional)
.da memória portuguesa, os torricados (mexilhão, bacalhau e sardinha, altamente escabechados e sabendo todos ao mesmo, também nada têm a haver com os tradicionais).
Para piorar as coisas, o serviço foi excessivamemte demorado.
Quanto à componente vínica e segundo informação retirada da plataforma Zomato:
.13 champanhes (2 a copo), 8 espumantes (3), 9 brancos (9), 12 tintos (9), 2 Porto (2) e 2 Moscatéis (2), oferta a copo mais do que suficiente
.os brancos verdes estão separados dos outros brancos, um erro
.lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos
Resumindo e concluindo, a Champanheria de hoje está apenas vocacionada para o turismo e não respeita os clientes nacionais, nem sequer a nossa gastronomia.
Cartão vermelho!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Gourmet Experience (II) : o Balcão do Henrique Sá Pessoa

Voltei ao piso 7 do Corte Inglês para continuar a minha descoberta deste novo Mercado da Ribeira para ricos. Desta vez, passada a euforia inicial, o ambiente era de calmia, sem qualquer confusão.
Neste Balcão paga-se primeiro, escolhe-se mesa dentro ou fora deste espaço de restauração e espera-se. Mesmo que se esteja fora, como foi o meu caso, a comida e bebida vêm ter connosco.
A ementa, curtíssima (3 crús, 3 legumes, 3 peixes, 3 carnes e 3 sobremesas), está bem visivel num placard por cima do balcão onde cobram a refeição.
Esperei apenas cerca de 10 minutos por um belo lombo de bacalhau confitado com grão e puré do mesmo, servido numa dose avantajada.
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 5 brancos, 4 tintos, 1 rosé, 1 Porto e 1 Moscatel, todos a copo, com os preços a variar entre 3 e os 6 €.
Optei pelo Qtª Penedo Encruzado 2016 (4,50 €) - fresco e mineral, presença de citrinos, acidez q.b., algum amanteigado, volume e final de boca. Muito equilibrado, é uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo aceitável. Reparei que a temperatura dos tintos estava controlada, uma mais valia.
Gostei da experiência mas, com uma lista tão curta, não dá para visitar este Balcão muitas vezes.
A finalisar esta visita, bebi o café acompanhado com um brigadeiro no balcão da Godiva.

terça-feira, 20 de março de 2018

Novo Formato+ (30ª sessão) : uma justa homenagem a 4 produtores que já nos deixaram

O último encontro deste grupo de enófilos militantes decorreu "chez" Paula/João, tendo a Paula ficado com a responsabilidade dos tachos (ficou muito bem na fotografia) e o João no serviço dos vinhos que escolheu criteriosamente. Decidiu, em boa hora, homenagear 4 grandes senhores do vinho, entretanto já desaparecidos: José Mendonça (Qtª dos Cozinheiros, lamentavelmente declarada insolvente em 2010), António Carvalho (Casal Figueira; faleceu ainda nas vindimas daquele ano), Francisco Colaço do Rosário (Herdade do Esporão e Fundação Eugénio Almeida) e Calheiros Cruz.
Como curiosidade, nalguns dos vinhos provados, acrescentei um palpite ou outro da crítica especializada na época em que os vinhos foram lançados, nomeadamente quanto à sua evolução. Por vezes acertaram, por vezes falharam com estrondo.
Todos provados às cegas, desfilaram:
.Tio Pepe Palomino Fino Gonzalez Byass - um extra dry que serviu de bebida de boas vindas.
Acompanhou frutos secos.
.Qtª Cozinheiros 1999 (12,5 % vol.) - com base nas castas Maria Gomes e Bical; cor dourada, nariz muito afirmativo, fruta madura, oxidação nobre, notas apetroladas, boa acidez, alguma gordura e volume e final de boca longo. Grande surpresa de um vinho branco com quase 20 anos. Nota 17,5+.
O António José Salvador (JAS), no seu Roteiro dos Vinhos Portugueses 2003, não acreditou nele atribuindo-lhe apenas 1 estrela (em 5), enquanto que o João Paulo Martins (JPM) o pontuou com 5/6 (máximo 8), no seu guia Vinhos de Portugal 2002, referindo a sua boa acidez e necessidade de mais tempo.
.Casal Figueira António 2009 (12,5 % vol.) - com base na casta Vital em vinhas velhas situadas nas faldas da Serra de Montejunto; nariz discreto, ligeira oxidação, bela acidez, mas volume apagado e final curto. Nota 16,5.
O JPM no guia Vinhos de Portugal 2011 vaticinou que podia ser bebido e guardado, classificando-o com 16,5.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 Rueda (13 % vol.) - provado em Agosto 2017, mantenho o que afirmei na crónica "Sem Dúvida revisitado" e mantenho a nota de 18.
Estes 3 brancos maridaram com uma saborosíssima sopa do mar.
.Esporão 1987 (12 % vol.) - apresenta-se com um rótulo pintado pelo Cargaleiro; nariz afirmativo, aromas e sabores terciários, acidez presente, especiado, volume médio e final de boca muito persistente. Complexo, fino, fresco e elegante. Um tinto alentejano com mais de 30 anos, é obra! Nota 18,5.
O chamado Guia da Comporta (o primeiro a publicar-se em Portugal) já referia, curiosamente, a cor granada acastanhado e o aroma e sabor a velho, atribuindo-lhe 6 copos (máximo 7).
O JAS, no seu Roteiro 1993, referiu que este tinto, "de um ano para o outro, evoluiu de forma inesperada", classificando-o com 3/4 estrelas (máximo 5).
.Calheiros Cruz Grande Escolha 1997 (13 % vol.) - nariz discreto, alguma fruta e notas vegetais, acidez equilibrada, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Nota 17.
O JPM no seu Guia 2000 considerou-o um vinho de guarda e "um enorme tinto em perspectiva", o que não se confirmou, classificando-o com 7 (em 8).
.Aalto 2014 (15 % vol.) - com base na casta Tinto Fino, estagiuou 16 meses em barrica; aroma intenso, ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado com a pimenta a impor-se, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18 (noutra situação, também 18).
Estes 3 tintos harmonizaram com um misto de carnes no forno (codorniz, frango do campo, coelho e teclado), com migas de batatas e bróculos.
.Madeira Meio Seco Reserva Velha do IVM - nariz exuberante, frutos secos, iodo, caril, vinagrinho, notas salgadas, algum volume e final interminável. Uma complexa raridade. Nota 18,5+.
Acompanhou queijadas de Sintra e peros assados.
Grande e memorável sessão. Obrigado Paula! Obrigado João!

quinta-feira, 15 de março de 2018

Como estamos de brancos (e tintos, já agora)? O que dizem as revistas especializadas. (2ª parte)

continuando...
Não disse na 1ª parte desta crónica (no ponto 2.Metodologia), mas vou dizer agora:
.Parte nas notas atribuídas em ambas as revistas foram dadas individualmente pelo respectivo provador, mas uma parte significativa teve como base os resultados dos painéis da GE (Douro de Excelência, em Novembro, e Tintos do Alentejo, em Dezembro) e da RV (Tintos de Excelência, em Novembro).
.Nas provas verticais, apenas considerei os vinhos de colheitas deste século, ficando de fora os das últimas décadas do século anterior.
.Tive alguma dificuldade na inventariação dos vinhos seleccionados pela RV, uma vez que o mesmo vinho aparecia mais de uma vez ao longo da revista (a título de exemplo, o Pera Manca 2013 apareceu 3 vezes no mesmo número!).
4.TINTOS
4.1 - GE
Foram eleitos 58 vinhos, o que corresponde a 56,9 % do total dos 102 vinhos seleccionados (brancos e tintos), classificados com:
.19 - 9 (Poeira 44 Barricas 2014, Qtª da Leda 2015, Qtª Nova Nossa Srª do Carmo Grande Reserva 2015, Qtª Monte Xisto 2015, Qtª da Boavista Vinha Ujo 2014, Esporão Private Selection 2012, Herdade do Rocim Clay Aged 2015, Júlio J. Bastos Alicante Bouschet Grande Reserva 2014 e Pera Manca 2013).
.18,5 - 16
.18 - 33
Por Região:
.Douro - 32 (55,2 % do total de tintos seleccionados)
.Dão - 5 e Bairrada/Beiras - 5 (17,2 % em conjunto)
.Alentejo - 13 (22,4 %)
.Outras (Lisboa, Tejo e Setúbal) - 3
Por colheita:
.2015 - 22
.2014 - 16
.2013 - 8
.2012 - 3
.2011 - 6
.outras anteriores - 3
4.2 - RV
Foram eleitos 52 vinhos, o que corresponde a 86,7 % do total dos 60 vinhos seleccionados (brancos e tintos), classificados com:
.19 - 4 (Mouchão Tonel 3-4 2011, Qtª da Boavista Vinha do Oratório 2014 e Qtª Gaivosa 2005 e 2011)
.18,5 - 13
.18 - 35
Por Região:
.Douro - 36 (69,2 % do total de tintos seleccionados)
.Dão - 2 e Bairrada/Beiras - 4 (11,5 % em conjunto)
.Alentejo - 8 (15,4 %)
.Outras - 2
Por colheita:
.2015 - 20
.2014 - 10
.2013 - 10
.2012 - 2
.2011 - 3
.outras anteriores - 7
5.Conclusões
.Quanto aos tintos eleitos, o Douro fez o pleno, alcançando o 1º lugar em ambas as revistas, não havendo grandes diferenças no respeitante às restantes Regiões.
.Quanto aos brancos, a diferença é abismal e preocupante. Razões para tal disparidade?
Das duas, uma:
.ou a bitola dos críticos da GE está deveras inflaccionada (e, também a minha*)
.ou os brancos de qualidade (e cada vez há mais) passaram ao lado dos críticos da RV

Caros seguidores do enófilo militante, quem quer dar um palpite?

* nos mesmos 3 meses, elegi 16 brancos provados por mim (8 com 18 pontos, 5 com 17,5+ e 3 com 17,5)



quarta-feira, 14 de março de 2018

Próximos eventos vínicos (continuação)

4.Setembro a Vida Inteira
Com ante-estreia marcada para hoje na Cinemateca, estreia-se àmanhã dia 15, nalgumas salas do país (em Lisboa, no cinema City de Alvalade) o referido filme documentário sobre o mundo do vinho, realizado pela Ana Sofia Fonseca, autora do livro "Barca Velha - Histórias de um Vinho".
Mais informações em www.setembroavidainteira.pt.

5.Gala Tejo 2018
Organizada pela CVR Tejo em parceria com a Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo, realiza-se no dia 24 de Março, pelas 19 h, no Hotel dos Templários, em Tomar, a Gala Tejo que inclui  distribuição de prémios e jantar.
Mais informações em www.confrariadotejo.pt. 

terça-feira, 13 de março de 2018

Como estamos de brancos (e tintos, já agora)? O que dizem as revistas especializadas. (1ª parte)

1.Introdução
A partir das minhas paixões vínicas, os brancos de outono/inverno e os tintos do Douro (deixo os fortificados para outra oportunidade), pareceu-me interessante analisar a posição da crítica especializada, a VINHO Grandes Escolhas (GE) e a Revista de Vinhos - A Essência do Vinho (RV).
A minha paixão pelos tintos do Douro é desde que entrei neste mundo dos vinhos, primeiro como mero consumidor, depois como um dos responsáveis pela loja Coisas do Arco do Vinho e agora como bloguista.
O meu gosto pelos brancos mais consistentes, os chamados brancos de outono/inverno é mais recente, pois acompanhou a subida de qualidade destes vinhos nos últimos anos. Dá-me mesmo muito prazer beber um branco com este perfil, de preferência já com alguma idade. Foi o caso do 5ª de Mahler 2000 e do Vértice Grande Reserva 2009, já aqui referidos recentemente, e do Qtª dos Cozinheiros 1999, a referir proximamente, já não falando dos grandes Soalheiro Reserva 2007 e Branco Especial da Qtª dos Carvalhais e, ainda, dos inesquecíveis Porta dos Cavaleiros 1974 e 1979.
2.Metodologia
Para perceber a posição das revistas especializadas, a GE e a RV, não falando apenas por intuição, meti-me ao trabalho e consultei as publicações de ambas, referentes aos meses de Novembro e Dezembro 2017 e, ainda, as de Janeiro 2018.
Quanto aos brancos, contabilizei os vinhos com notas de 17,5 a 19, e quanto aos tintos os que obtiveram valores entre 18 e 19.
3.BRANCOS
3.1 - GE
Foram eleitos 44 vinhos, o que corresponde a 43,1 % do total dos 102 vinhos seleccionados (brancos e tintos), classificados com:
.19 - 2 (Anselmo Mendes Alvarinho Parcela Única 2015 e Qtª Carvalhais Branco Especial)
.18,5 - 6 (Pai Abel 2015, Coche by Niepoort 2015, Anselmo Mendes Alvarinho Curtimenta 2015, Kompassus Private Seleccion 2014, Encontro 1 2013 e Quanta Terra 2011)
.18 - 15
.17,5 - 21
Por Região:
.Vinhos Verdes - 6 (13,6 % do total de brancos seleccionados)
.Douro - 16 (36,4 %)
.Dão - 6 e Bairrada/Beiras - 6 (27,3 % em conjunto)
.Alentejo - 5 (11,4 %)
.Outras (Lisboa, Tejo e Setúbal) - 5
Por colheita:
.2016 - 13
.2015 - 20
.2014 - 4
.2013 - 2
.outras anteriores - 5
3.2 - RV
Foram eleitos apenas 8 vinhos, a que corresponde 13,3 % dos 60 vinhos seleccionados, classificados com:
.18 - 1
.17,5 - 7
Por Região:
.Vinhos Verdes - 1
.Douro - 2
.Bairrada/Beiras - 1
.Alentejo - 2
.Outras - 2
Por colheita:
.2016 - 2
.2015 - 3
.2014 - 2
.outras anteriores - 1
continua...

sábado, 10 de março de 2018

Vinhos em família (LXXXVI) : um conjunto muito equilibrado

Mais uma série de vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega:
.Poeira 2014 branco - 93 pontos na Wine Spectator que o considerou o melhor branco português da colheita de 2014; com base na casta Alvarinho, estagiou 8 meses em madeira e mais 12 na garrafa; presença de citrinos, melão e fruta cozida, boa acidez, notas amanteigadas e alguma oxidação, volume e final de boca apreciáveis. Gastronómico. Nota 17,5.
.Blog 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah, estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês (novas e usadas); nariz discreto, ainda com muita fruta preta, acidez no ponto, notas especiadas, taninos algo rugosos, algum volume e final de boca. Concentrado e guloso. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Evel XXI Centenário 2011 (garrafa nº 1112/2800) - lançado para comemorar os 100 anos da marca Evel; com base em vinhas velhas e, também, nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aromático, presença de fruta vermelha, acidez equilibrada, notas especiadas, algum volume e final de boca persistente. Fresco  e elegante. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17,5+.
.Messias 30 Anos (engarrafado em 2016) - com base nas castas T. Nacional, T. Franca, T. Barroca, T. Roriz e T. Cão; cristalino, nariz afirmativo, presença de frutos secos e tangerina, notas especiadas, algum brandy, acidez q.b., algum volume e final de boca extenso. Nota 18.

terça-feira, 6 de março de 2018

Jantar Quinta Monte d' Oiro

A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico. Desta vez vez decorreu na Casa da Dízima, já nossa conhecida pela boa gastronomia e serviço de 5 estrelas, debaixo da batuta do Pedro Batista. Por parte do produtor compareceu o Francisco Bento dos Santos*, engenheiro biólogo e a sua face mais visível, que apresentou os seguintes vinhos:
.Lybra 2016 branco - fresco e mineral, cumpriu bem a sua missão de vinho de boas vindas.
Servido ainda com os participantes de pé, acompanhou uma série de canapés.
.Aurius 2002 - com base nas castas Syrah, Tinta Roriz e Petit Verdot, estagiou 16 a 18 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma e sabores terciários, fruta ténue, fresco e elegante, taninos domesticados, volume e final médios. Apesar de se ter portado bem, já passou o seu momento. Nota 17.
Ligou bem com bombons crocantes de farinheira de porco preto, com grelos e batata doce.
.Têmpera 2004 - com base na casta Tinta Roriz, estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês; também com aromas e sabores terciários, fresco e equilibrado na acidez, taninos ainda presentes, alguma complexidade, volume e final de boca médios. A consumir já. Nota 17+.
Harmonizou com codorniz recheada de cepes e foie gras com puré de castanha.
.Qtª Monte d´Oiro Reserva 2013 - com base maioritariamente na casta Syrah, estagiou em barricas de carvalho francês; aroma intenso, muita fruta vermelha, acidez equilibrada, notas especiadas, fresco e elegante, taninos presentes, volume considerável e final de boca persistente. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Excelente casamento com lombinhos de borrego com puré de favinhas.
.Madrigal Viognier 2016 (servido num magnífico decantador Riedel) - aromático, presença de citrinos e fruta madura, alguma acidez e volume e final de boca médio. Falta-lhe complexidade, mas precisa de tempo para se mostar.Melhor daqui a 2/3 anos. É um branco de outono/inverno e deveras gastronómico. Nota 16,5.
Servido com um dueto de queijos (Azeitão e Fornos de Algodres), passou por baixo.
Copos Schott, temperaturas correctas e serviço profissional com os vinhos a chegarem à mesa antes dos pratos.
* O site da Qtª Monte d' Oiro precisa de ser urgentemente actualizado, pois o nome do Francisco ainda não consta, nem sequer os vinhos. Não faz sentido.

domingo, 4 de março de 2018

Próximos eventos vínicos

1.BAIRRADA@LX (2ª edição)
Dia 10/3, das 15 às 23 h, no Estúdio Time Out (1º andar do Mercado da Ribeira) com provas de vinhos e petiscos da Bairrada.
Mais informações em www.bairradalx.info.

2.Vinhos em cena
De 23 a 26/3 no Teatro Tivoli com provas, conferências e workshops.
Mais informações em www.teatrotivolibbva.pt.

3.Paixão pelo Vinho Awards & Wine Party
Dia 24/3 no espaço Beatus, em Marvila, com provas, conversas com enólogos e entrega de prémios 2017.
Mais informações em www.facebook.com/events.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Grupo dos 6 (8ª sessão) : quando um TOP 10 é o elo mais fraco...

Este grupo de enófilos da linha dura reuniu, uma vez mais, no restaurante Magano e bateu-se com 8 vinhos (2 brancos, 3 tintos de 2011, 1 Madeira, 1 Porto Vintage e 1 Porto 40 Anos). Foi uma sessão gastro-enófila excepcional, considerando que o elo mais fraco foi o branco Procura 2015, agraciado com 91 pontos na Wine Spectator e recentemente incluído no TOP 10 da Revista de Vinhos.
Desfilaram:
.Blandy Sercial 1975 (engarrafado em 2015, com o nº 447/988 e trazido pelo Frederico) - 91 pontos no Parker; presença  de frutos secos, notas de caril e brandy, especiado, vinagrinho equilibrado, taninos evidentes, algum volume e final de boca muito longo. Nota 18,5.
Acompanhou amêndoas torradas e serviu de pretexto para comemorarmos o 1º aniversário deste grupo.
.Vértice Grande Reserva 2009 (levado por mim) - com base nas castas Viosinho e Gouveio, estagiou 15 meses em barricas de carvalho; fruta madura e algum citrino, oxidação nobre, acidez presente, volume e final de boca apreciáveis. Complexo e gastronómico, uma grande surpresa. Nota 18.
.Procura 2015 (também levado por mim) - com base em vinhas velhas situadas na Serra São Mamede, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; fresco e algo mineral, presença de citrinos e maçãs, boa acidez, volume e final de boca médios. Pode ser bebido a solo. Nota 17.
Estes 2 brancos maridaram com um sável frito e açorda de ovas do mesmo. A harmonização com o Vértice foi perfeita, já o Procura teve alguma dificuldade em aguentar este prato.
.Qtª da Leda (levado pelo Juca) - 95 pontos no Parker e 91 na Wine Spectator; com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinta Roriz (15 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; ainda com fruta vermelha, nítida frescura, acidez equilibrada, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Talentus Grande Escolha (levado pelo João) - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; ainda com muita fruta e acidez q.b., taninos de veludo, algum especiado, boa estrutura e final de boca persistente. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18.
.Qtª Crasto Maria Teresa (levado pelo J.Rosa) - 97 pontos no Parker e 96 na Wine Spectator; com base em vinha centenária, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês e americano; ainda com alguma fruta, belíssima acidez, especiado, taninos impressionantes mas civilizados, notável volume e final interminável. Complexo e longevo. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 19.
Estes 3 tintos acompanharam um cozido de grão.
.Cockburns Vintage 1963 (levado pelo Adelino) - perfil próximo de um tawny velho, presença de frutos secos, acidez no ponto, taninos evidentes, algum volume e e final muito longo. Nota 18.
Acompanhou uma tábua de queijos.
.Taylor's 40 Anos (engarrafado em 1971 e também levado pelo Adelino) - frutos secos, brandy e caril, algum vinagrinho, volume e final de boca notáveis. Grande complexidade e perfil próximo de um Madeira velho. Nota 19.
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoas.
Gastronomia em alta e serviço de vinhos de 5 estrelas (não é por acaso que os personagens do vinho procuram este espaço; lá estava o Jorge Moreira e os responsáveis da Decante).
Para termos a cereja no topo do bolo, só falta a vontade do dono em acabar com a possibilidade de se fumar no interior do restaurante. Os enófilos agradecem!