quinta-feira, 26 de abril de 2018

25 de Abril, a Blogosfera e 25 de Novembro

1.25 de Abril 2018
À semelhança de anos anteriores, comemorei esta data histórica ao almoçar no restaurante da Associação 25 de Abril, da qual sou sócio desde a sua criação, com alguns camaradas e amigos, tendo depois, de cravo ao peito, descido a Avenida da Liberdade.
Este ano, infelizmente, não tive qualquer oportunidade de provar/beber um vinho de 1974, mas recordo aqui:
.Porta dos Cavaleiros Reserva Colheita Seleccionada 1974 branco, mencionado em "25 de Abril, sempre!", crónica publicada em 17/4/2014;
.Barros Colheita 1974, referido em "Novo Formato+ (21ª sessão) : um grande Colheita para comemorar Abril", crónica publicada em 30/4/2015.

2.Blogosfera
É com grande satisfação da minha parte que menciono aqui 2 crónicas publicadas no dia 25 de Abril, que podem ser lidas através dos links que tenho para aqueles blogues:
."Barros Colheita 1974", publicada pelo João Pedro Carvalho no "Copo de 3";
."44 do 25", publicada pelo tuguinho e pelo kroniketas, os diletantes revolucionários, em "Novas Krónicas Viníkolas".

3.25 de Novembro 1975
Não, não é um contraponto ao 25 de Abril. Refere-se ao livro "O 25 de Novembro e os media estatizados - Uma história por contar", lançado em finais do ano passado, da autoria do jornalista Ribeiro Cardoso que, em determinada altura, esclarece ao que vem, para que não haja dúvidas: "(...) Ao cair do pano daquele dia (obviamente o 25/11/1975), na execução de uma estratégia muito antes gizada por sectores político-militares, 152 trabalhadores da comunicação social estatizada de Lisboa foram afastados impiedosa e ilegalmente.(...)".São histórias de vida de alguns dos jornalistas injustiçados.
Este é um livro de leitura obrigatória.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Uma achega sobre o BOCA

O blogue Marca de Homem, da autoria do meu filho Bruno, publicou um artigo sobre o vinho BOCA que merece ser visto. Vamos a isto, então!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Jantar Osvaldo Amado

O último jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em que estive presente, foi com o Osvaldo Amado, enólogo galardoado pela Revista de Vinhos (a antiga),  responsável há uma série de anos pelos vinhos da Global Wines (ex Dão Sul) e um senhor do vinho que eu muito prezo.
O evento decorreu no restaurante Refúgio (em Algés), dos mesmos donos do Frade dos Mares. É um espaço acolhedor e situado numa zona sossegada, mas nada vocacionado para este tipo de eventos. A comida tinha qualidade e vinha muito bem apresentada, os copos eram bons, mas o serviço de vinhos foi um desastre (troca de vinhos, esquecerem-se de servir alguns dos vinhos a todos os participantes,...). O ritmo foi bom até quase ao final, mas depois travou, com a sobremesa a ser servida já era Sábado...
Foram apresentados os seguintes néctares, a maioria esmagadora do Dão:
.Espumante Qtª de Cabriz Bruto 2013 em garrafa magnum - foi a bebida de boas vindas e cumpriu a sua missão, acompanhando uns tantos canapés.
.Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado 2014 - fresco, presença de citrinos e maçãs, notas florais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Harmonizou com uma deliciosa dourada com arroz de bibalves.
.Paço dos Cunhas Vinha do Contador 2014 (garrafa nº 2925/4472) - mais mineral que o anterior, fruta cítrica, belíssima acidez, volume médio e final de boca longo. Fino e elegante. Nota 17.
Acompanhou coelho com puré de ervilhas.
.Casa de Santar Vinha dos Amores Touriga Nacional 2011 - aroma intenso, ainda com fruta vermelha, notas florais e especiadas, acidez equilibrada, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Um belíssimo Touriga de um ano excepcional. Boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Vinha do Contador Grande Júri 2011 (garrafa nº 1853/5200) * - com base nas castas Touriga Nacional, Aragonez e Alfrocheiro, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; submetido a um júri nacional e internacional obteve 95,3 pontos, ficando com direito a constar no rótulo a menção Grande Júri; nariz contido, ainda muito frutado, acidez q.b., taninos redondos, alguma complexidade, estruturado e final de boca persistente. A beber nos próximos 4/5 anos. Relação preço/qualidade desfavorável (custa praticamente 4 vezes mais que o Touriga). Nota 18.
Estes 2 tintos maridaram com rabo de boi e puré de batata.
.Encontro 1 2013 (Bairrada) - presença de citrinos e fruta madura, acidez no ponto, notas amanteigadas, complexidade, volume e final de boca notáveis para um branco. Nota 17,5+.
Acompanhou uma tábua de queijos. A  ligação perfeita!
.Outono de Santar Colheita Tardia 2012 - com base na casta Encruzado; notas de mel e passas, alguma acidez e gordura, bem estruturado e final de boca médio. Nota 16,5+.
Acompanhou leite creme de ouriço (confesso que não percebi esta do ouriço!).
* Este vinho não estava previsto ser provado neste jantar mas, por simpatia do Osvaldo Amado, algumas das 1000 garrafas que ficaram em Portugal vieram para a nossa mesa.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Um trio maravilha (2ª parte) : Prado e Enoteca de Belém

2.Prado (Tv. Pedras Negras,2 à Sé)
Este espaço é, seguramente, uma das grandes novidades em Lisboa. A criatividade do António Galapito, um jovem de 27 anos e ex braço direito do Nuno Mendes, chefe estrelado em Londres, é deveras surpreendente e é obrigatório conhecê-lo, mesmo aqueles que não sejam adeptos da cozinha de autor.
O Prado apresenta mesas despojadas, guardanapos de pano, cadeiras desconfortáveis, bons copos e armários térmicos para controlo de temperaturas. Na mesa pão de trigo barbela, fornecido pela Gleba, a padaria da moda (R. Prior do Crato), uma mais valia.
A ementa é curta, dela constando 9 pratos para partilhar, em doses um tanto reduzidas, e 3 individuais.
Escolhemos, para partilhar:
.berbigão, acelgas, coentros e pão frito
.tártaro de arouquesa e couve galega grelhada
.cavala, salsa e levístico
.tainha do mar, nabiças e nabos
.gelado de cogumelos, dulse e caramelo
Aposta ganha, estava tudo de 5 estrelas, fosse a apresentação, fossem os sabores.
Quanto à componente vínica, inventariei, entre vinhos nacionais e estrangeiros, 3 espumantes (1 a copo), 15 brancos (5) e 14 tintos (6).
Mas, para variar, optei pela belíssima cerveja artesanal Avenida Blonde Ale, da cervejeira Dois Corvos.
Serviço simpático, mas algo desatento.
Resumindo e concluindo, recomendo e tenciono voltar.

3.Enoteca de Belém
A Enoteca dispensa apresentações e continua com uma equipa de 5 estrelas na sala e uma cozinha de qualidade. Em Novembro 2017 foi considerada, pela Revista de Vinhos, o Restaurante com Melhor Serviço de Vinhos do Ano.
Recentemente, tive a oportunidade de comer:
.amuse bouche (tártaro de atum)
.bisque
.corvina braseada com arroz de berbigão
.crumble de abóbora
A conselho do escanção Nelson Guerreiro, tive a ocasião de provar o surpreendente branco Anselmo Mendes Beira Interior 2014 - com base na casta Síria em vinhas velhas, estagiou em barricas de carvalho francês; alguma oxidação nobre, acidez equilibrada, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca assinalável. Gastronómico e cheio de personalidade. Uma grande surpresa. Nota 17,5+.
A voltar, sempre! 

terça-feira, 17 de abril de 2018

Um trio maravilha (1ª parte) : Lugar Marcado

Esta e a próxima crónica são dedicadas a 3 espaços de restauração que me cativaram, dos quais um é a confirmação (Enoteca de Belém) e os outros dois (Prado e Lugar Marcado) surpresas apaixonantes.
Começo pelo
1.Lugar Marcado (Rua do Regedor,7 ao Largo do Caldas)
Este espaço, restaurante e garrafeira cuja proprietária, gestora e chefe de sala, é a Fátima Rodrigues (ex-sócia do Descobre) já aqui citada, é pequeno (apenas 25 lugares), muito confortável, bem decorado e não aderiu a modas, pois todas as mesas têm direito a toalhas e guardanapos de pano, o que é de louvar.
O conceito deste novo espaço tem alguma coisa a haver com o Descobre, nomeadamente quanto ao menú e à garrafeira disponível a clientes e a não clientes (mas no Lugar Marcado os preços são sempre os mesmos, quer se consuma a garrafa na altura ou se leve para casa).
Os copos são Schott, com a marca dos 15cl bem visível, e os vinhos são servidos à temperatura correcta, pois o restaurante dispõe de armários térmicos, uma mais valia. Mas nem tudo é perfeito, pois a lista dos vinhos a copo (2 espumantes, 5 brancos, 3 tintos, 2 rosés, 10 fortificados e 2 cervejas artesanais) é omissa quanto a anos de colheita. Um aspecto a corrigir.
Nas comidas é possível escolher entre 7 tábuas, 20 petiscos, 6 peixes, 5 carnes, 8 sobremesas, 11 acompanhamentos e 3 pratos vegetarianos, uma oferta mais que suficiente.
Escolhi empadinhas, berbigão à Bolhão Pato, petisco de alheira com maçã caramelizada, polvo marinado e gelado de alfarroba, tudo de grande qualidade e em doses generosas para partilhar.
Quanto a vinhos optei pelo Qtª Stº António Encruzado 2014 (4,50 € o copo) - nariz intenso, fresco e mineral, presença de citrinos e maçãs, acidez no ponto e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Resumindo e concluindo, foi uma bela jornada. Recomendo e tenciono voltar.
A 2ª parte desta crónica será dedicada ao Prado (novidade) e à Enoteca de Belém (confirmação).



quinta-feira, 12 de abril de 2018

Grupo dos 6 (9ª sessão) : fortificados raros e nunca vistos

Mais uma sessão deste grupo de enófilos da linha dura (embora desfalcado de um dos seus elementos) que decorreu no Magano, com a qualidade gastronómica e um serviço de vinhos que já nos habituaram, tendo-se batido com 2 brancos, 2 tintos e 2 fortificados.
Desfilaram:
.Villa Oliveira Vinha do Províncio 2012 (garrafa nº 798/1238, levada pelo Frederico) - estagiou 9 meses em barricas, tendo sido lançado em Outubro 2015; simultaneamente fresco e untuoso, bela acidez, grande complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Ainda longe da reforma. Nota 18.
.Sidecar 2016 (garrafa nº 1434/1700, levada pelo J.Rosa) - Prémio Excelência 2017 da Revista de Vinhos; presença de citrinos e algum vegetal, acidez contida, volume e final de boca médios. Apagou-se ao lado do anterior. Com má relação preço/qualidade, precisa de tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e uma belíssima barriga de atum braseada com grelos.
.Qtª Leda 2009 (levado pelo João) - com base nas castas T. Nacional (50 %), T. Franca (40 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 1 ano em barricas de carvalho (50 % novas); nariz discreto, ainda com alguma fruta vermelha, acidez equilibrada, algum especiado, taninos presentes civilizados, algum volume e final de boca extenso. a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Ferreirinha Reserva Especial 2009 (levado por mim) - aroma discreto, ainda com fruta, acidez fabulosa, especiado e complexo, taninos evidentes, grande estrutura e final de boca muito persistente.
A meio caminho entre a potência e a "finesse". A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos maridaram com um  saboroso arroz de pombo bravo.
.Krohn Vintage 1931 (levado pelo Adelino) - nariz contido, frutos secos, notas de iodo e caril, acidez no ponto, fresco e complexo, taninos suaves, estrutura e final de boca interminável. Uma raridade com um perfil muito próximo de um tawny velho. Nota 18,5+.
.Artur Barros e Sousa Malvasia da Fajã 1934 (também levado pelo Adelino) - aromático, presença de frutos secos, citrinos, iodo e caril, vinagrinho e taninos evidentes, algum volume e final de boca muito persistente. Uma raridade, ainda longe da reforma. Nota 19.
Estes 2 fortificados harmonizaram com bolo de chocolate, sericaia e tarte de amêndoa.
Foi uma grande e irrepetível sessão, com 1 surpreendente branco ( o outro desiludiu), 2 tintos de respeito e 2 fortificados raros e (quase) nunca vistos!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Gourmet Experience (III) : o Atlántico de Pepe Solla e o Poke do Kiko

1.Atlántico
O chefe galego Pepe Solla, já agraciado pelo Guia Michelin pelo seu restaurante em Pontevedra, abriu um espaço no 7º piso do Corte Inglês, essencialmente dedicado ao peixe.
Na curtíssima ementa constam apenas 3 pratos "desde o mar até à mesa" e 2 "somos mais que o mar",  todos a preços altos, tendo eu optado por uma deslumbrante "merluza de Celeiro", o topo de gama da pescada a nivel mundial.
Quanto a vinhos, 8 brancos e 7 tintos a copo, mas sem indicação dos anos de colheita.
Escolhi o Dão Alvaro de Castro 2016 (4,50 €) - fresco, presença de citrinos, notas florais, acidez no ponto, volume e final de boca médios, ligou bem com a pescada. Nota 16.
Mesas despojadas, mas com o talher protegido dentro do guardanapo de papel, e serviço desatento.
A sobremesa foi um pampilho, comprado no balcão do Alcôa.

2.Poke
A moda do Poke veio do Havai e o chefe Kiko Martins já a adoptou.
A oferta não é muito alargada, mas entre uma dezena destes pratos, escolhi o Poke puro à base de atum, algas, sésamo e abacate. Uma explosão de sabores!
Quanto à componente vínica inventariei 1 espumante (também a copo), 1 champanhe, 8 brancos (1 a copo), 2 rosés, 4 tintos (1), 1 Porto e 1 Moscatel (estes fortificados a copo). A oferta a copo, como se constata, é demasiado curta.
Optei pelo branco A Cevicharia 2017 (uma parceria com a Qtª Monte d' Oiro, 4,80 €) - muito aromático, fresco e mineral, cítrico, fino e elegante, volume e final de boca médios. Ligou bem com o prato. Nota 16.
Fiquei ao balcão, onde se pode acompanhar o que se passa na cozinha.
Mesas despojadas, vinhos tintos à temperatura ambiente e serviço desatento.
Quanto à sobremesa, voltei ao Alcôa e marchou um belíssimo pastel de nata.

Resumindo e concluindo, boas apostas gastronómicas, preços altos e serviços desatentos.

domingo, 8 de abril de 2018

À volta da casta Fernão Pires (2ª parte) : o almoço

...continuando:

3.O almoço
O repasto decorreu na Taberna Ó Balcão, no centro de Santarém, com o Rodrigo Castelo, chefe e proprietário deste espaço, a harmonizar as suas iguarias com os vinhos servidos, todos com base na casta Fernão Pires, a rainha da festa.ça
Desfilaram:
.Companhia das Lezírias Tyto Alba 2016 (terroir Charneca) - com um pouco de Arinto; presença de citrinos, acidez e algum vegetal, volume e final de boca médios. Nota 15,5.
Acompanhou tábuas de queijos e enchidos e, ainda, 3 surpreendentes e deliciosos petiscos (coscorão do rio até ao mar, croquete de toiro bravo e bucha de capado).
.João Barbosa Ninfa Maria Gomes 2016 (terroir Bairro; não entendo a lógica deste produtor, ao colocar no rótulo o nome bairradino da Fernão Pires) - aromático, fresco e mineral, acidez equilibrada, notas vegetais, algum volume e final de boca curto. Nota 16.
Servido com achegã (peixe demasiado neutro) e uma fabulosa açorda de ovas de barbo, o vinho passou por baixo.
.Casal Branco Falcoaria Fernão Pires Vinhas Velhas 2016 (terroir Charneca) - vencedor do último Concurso de Vinhos do Tejo; aroma complexo, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez no ponto, notas amanteigadas, estruturado e final de boca persistente. Nota 17,5.
Aguentou-se com acém de toiro maturado, puré de inhame e legumes grelhados.
.Qtª da Alorna Abafado 5 Anos - fresco, simples e agradável, cumpriu a sua função. Nota 16.
.Qtª da Lagoalva Abafado 1964 - muito mais complexo, gordo, alguma acidez e boa estrutura. Uma raridade. Nota 17,5
Estes vinhos finais foram servidos com algumas sobremesas da casa.
De louvar:
.a criatividade do chefe e o facto de ter vindo às mesas
.os copos Riedel para todos os vinhos (que também foram utilizados na prova didáctica, o que, por lapso, não referi na 1ª parte da crónica)
De criticar:
.os vinhos chegaram sempre atrasados à mesa, já os pratos lá estavam, quando deveria ser ao contrário. Um aspecto a corrigir.

4.O senhor Fernão Pires
Achei curioso recordar o que o saudoso José António Salvador (JAS) escreveu no seu livro "16 Castas Portuguesas", edição do Jornal de Notícias em 2005. Para cada uma das 16 castas seleccionadas, o autor nomeou um enólogo representativo e um vinho da sua autoria, tendo escolhido para a casta Fernão Pires o actual presidente do IVV, Frederico Falcão (FF) de seu nome, na altura enólogo na Companhia das Lezírias. O vinho seleccionado foi o Companhia das Lezírias Fernão Pires 2003, considerado pelo JAS uma obra-prima.
Entre outras perguntas e respostas, destaco esta:
"JAS - Considera a casta Fernão Pires de nível qualitativo semelhante à Alvarinho, Encruzado ou Arinto?
FF - Sem duvida. Considero a Fernão Pires uma grande casta e uma das que tem mais potencial entre as castas brancas nacionais. Estou convencido que o Ribatejo já aprendeu a trabalhar esta casta devidamente e surgem já no mercado grandes vinhos de Fernão Pires. Respeite-se a casta e a sua acidez natural e vamos confirmar que é uma casta de grande potencial vinícola.".

5.Conclusões
A CVR Tejo está de parabéns ao organizar, com o apoio da Joana Pratas, este didáctico evento à volta da casta Fernão Pires.
A prova das amostras pode ter sido cansativa, mas foi largamente compensada com a prova de alguns vinhos mais antigos (e foi pena que não tivessem sido mais), que comprovaram que a Fernão Pires, se bem tratada, pode proporciar-nos brancos apaixonantes, como foi o caso do 5ª de Mahler 2000 e do Falcoaria 1994.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Próximos eventos : Peixe em Lisboa, Vinho à Mesa e Enophilo Wine Fest

1.Peixe em Lisboa
Organizada pela ATL (Associação do Turismo de Lisboa, cuja face mais visível é o Duarte Calvão) a 11ª edição deste evento arranca hoje às 18h no Pavilhão Carlos Lopes, estende-se até ao dia 15, sempre com início às 12h, e conta com os seguintes espaços de restauração e chefes:
.Ribamar (Helder Chagas)
.Ibo
.Loco (Alexandre Silva)
.Paulo Morais
.Kiko Martins
.Arola by Penha Longa
.Varanda - Ritz Four Seasons
.Taberna Fina (André Magalhães)
.O Mariscador (Rodrigo Castelo)
.Casa do Bacalhau (João Bandeira)

2.Vinho à Mesa
O último livro da Maria João Almeida, "Vinho à Mesa. Treze Chefes, Treze Regiões, 265 Vinhos" vai ser apresentado dia 12 de Abril, também no Pavilhão Carlos Lopes, pelo gastrónomo Duarte Calvão (blogue Mesa Marcada) e pelo enólogo Frederico Falcão (presidente do IVV).

3.Enophilo Wine Fest
Com organização do Luís Gradíssimo (blogue Avinhar), irá decorrer no Salão Nobre do Hotel Ritz a 4ª edição deste evento que contará com 3 Provas Especiais e prova livre de cerca de 200 vinhos de 40 produtores.

terça-feira, 3 de abril de 2018

À volta da casta Fernão Pires (1ª parte : a prova didáctica)

1.Introdução
A convite da CVR Tejo, um grupo de enófilos participou numa interessantíssima prova didáctica sobre a casta Fernão Pires (Maria Gomes, na Bairrada). Tendo como pano de fundo uma vista espectacular do Tejo, fomos recebidos pelo presidente da CVR (Luís de Castro) e pelo director geral (João Silvestre) que explicou a casta e respectivos "terroirs", onde ela se desenvolve, ou seja, o Bairro a norte do rio (mais apropriado a tintos), a Charneca a sul e o Campo/Lezíria do Tejo, entalado entre ambos, onde a Fernão Pires melhor se revela. Se bem tratada, produz vinhos longevos e de grande personalidade.
As principais revistas especializadas (Vinho Grandes Escolhas, Revista de Vinhos, Escanção e Paixão pelo Vinho), alguma imprensa generalista (Público, Sábado, Observador e Correio da Manhã) e a blogosfera (Avinhar, Comer Beber Lazer, Gastrossexual, Joli e este enófilo militante) estiveram presentes.
2. A prova
Com orientação dos enólogos Martta Simões (Qtª Alorna) e Diogo Campilho (Qtª Lagoalva) desfilaram uma série de vinhos base representativos da casta Fernão Pires, oriundos dos diversos "terroirs", saídos das cubas e cujo destino final, ou como mono-casta ou para lote, ainda não está definido.A prova foi algo penosa para o meu palato dado que, na maior parte, os vinhos ainda não estavam feitos.
Mas a situação alterou-se quando passámos a provar brancos da casta Fernão Pires já com alguma idade, como foi o caso do Qtª S.João Baptista 2003 (oxidado, mas com uma boa acidez a suportá-lo), do surpreendente e original Terra Larga 5ª de Mahler 2000 (já aqui referido em "Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões", crónica publicada em 1/2/2018), do Casal Branco Falcoaria 1994 (ainda do tempo do João Portugal Ramos, cheio de saúde e personalidade) e do Caves Dom Teodósio Garrafeira Particular 1983 (este em agonia lenta).
Para fechar esta 1ª parte, provaram-se os colheitas tardias Qtª Alorna 2012, Bridão 2016 e Falcoaria 2014, o mais entusiasmante.
continua...

domingo, 1 de abril de 2018

O que se passou aqui há 8 anos (Março 2010)?

Podemos encontar em meios de comunicação social uma coluna de efemérides, recordando notícias de há 10 ou 100 anos. Aqui vai ser diferente, nem 100 nem 10, apenas 8 anos.
Foi em Março de 2010 que passámos (eu e o meu sócio e amigo de longa data, Oliveira Azevedo, mais conhecido pelo Juca),para outras mãos, a loja/garrafeira Coisas do Arco do Vinho (CAV). Mas não me desliguei destas coisas do vinho, pois em 19 de Março estava a publicar a minha 1ª crónica neste blogue.
No final de cada mês mencionarei o que mais interessante, na minha óptica, aconteceu no enófilo militante há 8 anos atrás. Hoje é o dia dedicado às crónicas publicadas no decorrer de Março 2010.
Entre as 13 crónicas publicadas, seleccionei estas:
."Núcleo Duro", em 19/3
Foi a 52ª prova cega em que participei com este grupo de 7 amigos, criado pelo Rui Massa (blogue Pingas no Copo) e Jorge Sousa. Os restantes participantes eram o Juca, João Quintela (um dos donos da Néctar das Avenidas), Paula Costa, Pedro Brandão e eu.
Entre outros vinhos, foram provados 6 tintos 2004 do Douro, tendo eu eleito vencedor o Abandonado, logo seguido pelo Pintas e o BOCA (um CARM, cujo lote foi criado pelo Juca e por mim, em Almendra).
."Almoço no Q.B.", em 22/3
Esta crónica sobre este restaurante na Beloura, mereceu um comentário do João Paulo Martins.
."O Anti-Jantar", em 25/3
Aconteceu no Faz Figura, com vinhos da Herdade de Cadouços. entretanto desaparecida. Aconteceu tudo ao contrário do que deve ser um jantar vínico.
."Grupo de prova dos 3", em 30/3
Foi a 1ª sessão deste grupo de prova (Juca , João Quintela e eu) que decorreu no restaurante Nariz de Vinho Tinto, na Rua do Conde, entretanto encerrado.
Os vinhos eram da minha garrafeira, os Scala Coeli 2008 branco e 2007 tinto e, ainda, o Blandy Malvasia 1990.
Este grupo ainda funciona e já vai na 58ª sessão.
."Prova dos 3+4", em 30/3
Foi um almoço, no restaurante As Colunas (na Venda Nova), com um grupo mais alargado, pois aos já mencionados 3 juntaram-se mais 4 antigos amigos e clientes das CAV (Paula Costa, Raul Matos, Carlos Borges e Rui Rodrigues).
Entre outros, foram provados às cegas os Aalto 2004, 2005 e 2006 (este, de longe, o melhor), saídos da garrafeira do João. Marchou, ainda, um Blandy Bual 1948!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Vinhos em família (LXXXVII) : brancos em alta

Mais uns tantos vinhos provados em família (3 brancos e 1 tinto), com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2014 (13 % vol.) - 90 pontos na Wine Spectator; ligeira oxidação nobre, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e final de boca extenso. Boa evolução, elegância e complexidade. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5).
.Primus 2014 (13,5 % vol.) - 92 pontos no Parker; com base em vinhas velhas, maioritariamente Encruzado; fresco e mineral, cítrico, boa acidez, alguma gordura e complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª do Alqueve Tradicional 2013 (13 % vol.) - produzido por Pinhal da Torre, Alpiarça; com base na casta Fernão Pires; nariz discreto, presença de citrinos e fruta de caroço, acidez no ponto, volume e final de boca médios. Um branco de outono/inverno com uma relação preço/qualidade imbatível. Nota 16.
.Chocapalha Vinha Mãe 2011 (14,5 %) - com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Syrah (30 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês; aroma vibrante, ainda com muita fruta vermelha, alguma acidez e notas de lagar, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Elegante. Nota 17,5.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Revisitando o Crôa pela enésima vez

O Crôa é o meu restaurante preferido na Praia Grande e arredores (Praia das Maçãs e etc). Porque está bem localizado, tem sempre peixe fresco, os preços são acessíveis e porque sim.
Dele já falei em "Curtas (VII)" e "Curtas XXXVIII", crónicas publicadas em 7/5/2013 e 18/9/2014, respectivamente.
Desta vez comemos ameijoas à Bolhão Pato, dourada grelhada com batatas e legumes e, ainda, a belíssima tarte de maçã com gelado. Tudo no ponto.
Na componente vínica é que é o desastre. A  lista é curta, os anos de colheita estão omissos e os copos que estão na mesa uma desgraça. A pedido, vieram copos aceitáveis.
Para compensar, fomos atendidos por um empregado que fez um serviço de 5 estrelas, o que não é habitual num espaço de restauração como este.
Optei por uma garrafa de Catarina 2016 - com base nas castas Fernão Pires, Chardonnay e Arinto; presença de citrinos e fruta madura, acidez nos mínimos, algum verniz e madeira discreta, notas amanteigadas, volume médio e final curto. Gastronómico. Nota 16. O vinho foi dado a provar.
Tem uma boa relação preço/qualidade e é uma boa defesa na restauração. Esta garrafa custou-me 10 € e levei para casa a metade que sobrou.

sábado, 24 de março de 2018

Champanheria do Largo (Av. Liberdade) : uma sombra do passado

Passados 4 anos voltei à Champanheria do Largo (ver "Borbulhas na Champanheria do Largo", crónica publicada em 20/2/2014) e saí de lá com uma grande frustação. É, de facto, uma sombra do passado.
Chegámos mais ou menos em cima das 13 h. A sala estava praticamente vazia, com a clientela, à base de turistas, a ocupar a esplanada exterior. Pedimos 2 pratos emblemáticos, a meia desfeita de bacalhau e os lombinhos de porco ibérico. Afinal nem um nem o outro! Já acabaram, foi a desculpa esfarrapada da empregada. Como é possível não haver bacalhau, património gastronómico nacional?!
Plano B:
.creme de caldo verde (saboroso, mas nada tem a haver com o tradicional)
.da memória portuguesa, os torricados (mexilhão, bacalhau e sardinha, altamente escabechados e sabendo todos ao mesmo, também nada têm a haver com os tradicionais).
Para piorar as coisas, o serviço foi excessivamemte demorado.
Quanto à componente vínica e segundo informação retirada da plataforma Zomato:
.13 champanhes (2 a copo), 8 espumantes (3), 9 brancos (9), 12 tintos (9), 2 Porto (2) e 2 Moscatéis (2), oferta a copo mais do que suficiente
.os brancos verdes estão separados dos outros brancos, um erro
.lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos
Resumindo e concluindo, a Champanheria de hoje está apenas vocacionada para o turismo e não respeita os clientes nacionais, nem sequer a nossa gastronomia.
Cartão vermelho!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Gourmet Experience (II) : o Balcão do Henrique Sá Pessoa

Voltei ao piso 7 do Corte Inglês para continuar a minha descoberta deste novo Mercado da Ribeira para ricos. Desta vez, passada a euforia inicial, o ambiente era de calmia, sem qualquer confusão.
Neste Balcão paga-se primeiro, escolhe-se mesa dentro ou fora deste espaço de restauração e espera-se. Mesmo que se esteja fora, como foi o meu caso, a comida e bebida vêm ter connosco.
A ementa, curtíssima (3 crús, 3 legumes, 3 peixes, 3 carnes e 3 sobremesas), está bem visivel num placard por cima do balcão onde cobram a refeição.
Esperei apenas cerca de 10 minutos por um belo lombo de bacalhau confitado com grão e puré do mesmo, servido numa dose avantajada.
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 5 brancos, 4 tintos, 1 rosé, 1 Porto e 1 Moscatel, todos a copo, com os preços a variar entre 3 e os 6 €.
Optei pelo Qtª Penedo Encruzado 2016 (4,50 €) - fresco e mineral, presença de citrinos, acidez q.b., algum amanteigado, volume e final de boca. Muito equilibrado, é uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo aceitável. Reparei que a temperatura dos tintos estava controlada, uma mais valia.
Gostei da experiência mas, com uma lista tão curta, não dá para visitar este Balcão muitas vezes.
A finalisar esta visita, bebi o café acompanhado com um brigadeiro no balcão da Godiva.

terça-feira, 20 de março de 2018

Novo Formato+ (30ª sessão) : uma justa homenagem a 4 produtores que já nos deixaram

O último encontro deste grupo de enófilos militantes decorreu "chez" Paula/João, tendo a Paula ficado com a responsabilidade dos tachos (ficou muito bem na fotografia) e o João no serviço dos vinhos que escolheu criteriosamente. Decidiu, em boa hora, homenagear 4 grandes senhores do vinho, entretanto já desaparecidos: José Mendonça (Qtª dos Cozinheiros, lamentavelmente declarada insolvente em 2010), António Carvalho (Casal Figueira; faleceu ainda nas vindimas daquele ano), Francisco Colaço do Rosário (Herdade do Esporão e Fundação Eugénio Almeida) e Calheiros Cruz.
Como curiosidade, nalguns dos vinhos provados, acrescentei um palpite ou outro da crítica especializada na época em que os vinhos foram lançados, nomeadamente quanto à sua evolução. Por vezes acertaram, por vezes falharam com estrondo.
Todos provados às cegas, desfilaram:
.Tio Pepe Palomino Fino Gonzalez Byass - um extra dry que serviu de bebida de boas vindas.
Acompanhou frutos secos.
.Qtª Cozinheiros 1999 (12,5 % vol.) - com base nas castas Maria Gomes e Bical; cor dourada, nariz muito afirmativo, fruta madura, oxidação nobre, notas apetroladas, boa acidez, alguma gordura e volume e final de boca longo. Grande surpresa de um vinho branco com quase 20 anos. Nota 17,5+.
O António José Salvador (JAS), no seu Roteiro dos Vinhos Portugueses 2003, não acreditou nele atribuindo-lhe apenas 1 estrela (em 5), enquanto que o João Paulo Martins (JPM) o pontuou com 5/6 (máximo 8), no seu guia Vinhos de Portugal 2002, referindo a sua boa acidez e necessidade de mais tempo.
.Casal Figueira António 2009 (12,5 % vol.) - com base na casta Vital em vinhas velhas situadas nas faldas da Serra de Montejunto; nariz discreto, ligeira oxidação, bela acidez, mas volume apagado e final curto. Nota 16,5.
O JPM no guia Vinhos de Portugal 2011 vaticinou que podia ser bebido e guardado, classificando-o com 16,5.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 Rueda (13 % vol.) - provado em Agosto 2017, mantenho o que afirmei na crónica "Sem Dúvida revisitado" e mantenho a nota de 18.
Estes 3 brancos maridaram com uma saborosíssima sopa do mar.
.Esporão 1987 (12 % vol.) - apresenta-se com um rótulo pintado pelo Cargaleiro; nariz afirmativo, aromas e sabores terciários, acidez presente, especiado, volume médio e final de boca muito persistente. Complexo, fino, fresco e elegante. Um tinto alentejano com mais de 30 anos, é obra! Nota 18,5.
O chamado Guia da Comporta (o primeiro a publicar-se em Portugal) já referia, curiosamente, a cor granada acastanhado e o aroma e sabor a velho, atribuindo-lhe 6 copos (máximo 7).
O JAS, no seu Roteiro 1993, referiu que este tinto, "de um ano para o outro, evoluiu de forma inesperada", classificando-o com 3/4 estrelas (máximo 5).
.Calheiros Cruz Grande Escolha 1997 (13 % vol.) - nariz discreto, alguma fruta e notas vegetais, acidez equilibrada, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Nota 17.
O JPM no seu Guia 2000 considerou-o um vinho de guarda e "um enorme tinto em perspectiva", o que não se confirmou, classificando-o com 7 (em 8).
.Aalto 2014 (15 % vol.) - com base na casta Tinto Fino, estagiuou 16 meses em barrica; aroma intenso, ainda com muita fruta, acidez no ponto, especiado com a pimenta a impor-se, volume e final de boca assinaláveis. Nota 18 (noutra situação, também 18).
Estes 3 tintos harmonizaram com um misto de carnes no forno (codorniz, frango do campo, coelho e teclado), com migas de batatas e bróculos.
.Madeira Meio Seco Reserva Velha do IVM - nariz exuberante, frutos secos, iodo, caril, vinagrinho, notas salgadas, algum volume e final interminável. Uma complexa raridade. Nota 18,5+.
Acompanhou queijadas de Sintra e peros assados.
Grande e memorável sessão. Obrigado Paula! Obrigado João!

quinta-feira, 15 de março de 2018

Como estamos de brancos (e tintos, já agora)? O que dizem as revistas especializadas. (2ª parte)

continuando...
Não disse na 1ª parte desta crónica (no ponto 2.Metodologia), mas vou dizer agora:
.Parte nas notas atribuídas em ambas as revistas foram dadas individualmente pelo respectivo provador, mas uma parte significativa teve como base os resultados dos painéis da GE (Douro de Excelência, em Novembro, e Tintos do Alentejo, em Dezembro) e da RV (Tintos de Excelência, em Novembro).
.Nas provas verticais, apenas considerei os vinhos de colheitas deste século, ficando de fora os das últimas décadas do século anterior.
.Tive alguma dificuldade na inventariação dos vinhos seleccionados pela RV, uma vez que o mesmo vinho aparecia mais de uma vez ao longo da revista (a título de exemplo, o Pera Manca 2013 apareceu 3 vezes no mesmo número!).
4.TINTOS
4.1 - GE
Foram eleitos 58 vinhos, o que corresponde a 56,9 % do total dos 102 vinhos seleccionados (brancos e tintos), classificados com:
.19 - 9 (Poeira 44 Barricas 2014, Qtª da Leda 2015, Qtª Nova Nossa Srª do Carmo Grande Reserva 2015, Qtª Monte Xisto 2015, Qtª da Boavista Vinha Ujo 2014, Esporão Private Selection 2012, Herdade do Rocim Clay Aged 2015, Júlio J. Bastos Alicante Bouschet Grande Reserva 2014 e Pera Manca 2013).
.18,5 - 16
.18 - 33
Por Região:
.Douro - 32 (55,2 % do total de tintos seleccionados)
.Dão - 5 e Bairrada/Beiras - 5 (17,2 % em conjunto)
.Alentejo - 13 (22,4 %)
.Outras (Lisboa, Tejo e Setúbal) - 3
Por colheita:
.2015 - 22
.2014 - 16
.2013 - 8
.2012 - 3
.2011 - 6
.outras anteriores - 3
4.2 - RV
Foram eleitos 52 vinhos, o que corresponde a 86,7 % do total dos 60 vinhos seleccionados (brancos e tintos), classificados com:
.19 - 4 (Mouchão Tonel 3-4 2011, Qtª da Boavista Vinha do Oratório 2014 e Qtª Gaivosa 2005 e 2011)
.18,5 - 13
.18 - 35
Por Região:
.Douro - 36 (69,2 % do total de tintos seleccionados)
.Dão - 2 e Bairrada/Beiras - 4 (11,5 % em conjunto)
.Alentejo - 8 (15,4 %)
.Outras - 2
Por colheita:
.2015 - 20
.2014 - 10
.2013 - 10
.2012 - 2
.2011 - 3
.outras anteriores - 7
5.Conclusões
.Quanto aos tintos eleitos, o Douro fez o pleno, alcançando o 1º lugar em ambas as revistas, não havendo grandes diferenças no respeitante às restantes Regiões.
.Quanto aos brancos, a diferença é abismal e preocupante. Razões para tal disparidade?
Das duas, uma:
.ou a bitola dos críticos da GE está deveras inflaccionada (e, também a minha*)
.ou os brancos de qualidade (e cada vez há mais) passaram ao lado dos críticos da RV

Caros seguidores do enófilo militante, quem quer dar um palpite?

* nos mesmos 3 meses, elegi 16 brancos provados por mim (8 com 18 pontos, 5 com 17,5+ e 3 com 17,5)



quarta-feira, 14 de março de 2018

Próximos eventos vínicos (continuação)

4.Setembro a Vida Inteira
Com ante-estreia marcada para hoje na Cinemateca, estreia-se àmanhã dia 15, nalgumas salas do país (em Lisboa, no cinema City de Alvalade) o referido filme documentário sobre o mundo do vinho, realizado pela Ana Sofia Fonseca, autora do livro "Barca Velha - Histórias de um Vinho".
Mais informações em www.setembroavidainteira.pt.

5.Gala Tejo 2018
Organizada pela CVR Tejo em parceria com a Confraria Enófila de Nossa Senhora do Tejo, realiza-se no dia 24 de Março, pelas 19 h, no Hotel dos Templários, em Tomar, a Gala Tejo que inclui  distribuição de prémios e jantar.
Mais informações em www.confrariadotejo.pt. 

terça-feira, 13 de março de 2018

Como estamos de brancos (e tintos, já agora)? O que dizem as revistas especializadas. (1ª parte)

1.Introdução
A partir das minhas paixões vínicas, os brancos de outono/inverno e os tintos do Douro (deixo os fortificados para outra oportunidade), pareceu-me interessante analisar a posição da crítica especializada, a VINHO Grandes Escolhas (GE) e a Revista de Vinhos - A Essência do Vinho (RV).
A minha paixão pelos tintos do Douro é desde que entrei neste mundo dos vinhos, primeiro como mero consumidor, depois como um dos responsáveis pela loja Coisas do Arco do Vinho e agora como bloguista.
O meu gosto pelos brancos mais consistentes, os chamados brancos de outono/inverno é mais recente, pois acompanhou a subida de qualidade destes vinhos nos últimos anos. Dá-me mesmo muito prazer beber um branco com este perfil, de preferência já com alguma idade. Foi o caso do 5ª de Mahler 2000 e do Vértice Grande Reserva 2009, já aqui referidos recentemente, e do Qtª dos Cozinheiros 1999, a referir proximamente, já não falando dos grandes Soalheiro Reserva 2007 e Branco Especial da Qtª dos Carvalhais e, ainda, dos inesquecíveis Porta dos Cavaleiros 1974 e 1979.
2.Metodologia
Para perceber a posição das revistas especializadas, a GE e a RV, não falando apenas por intuição, meti-me ao trabalho e consultei as publicações de ambas, referentes aos meses de Novembro e Dezembro 2017 e, ainda, as de Janeiro 2018.
Quanto aos brancos, contabilizei os vinhos com notas de 17,5 a 19, e quanto aos tintos os que obtiveram valores entre 18 e 19.
3.BRANCOS
3.1 - GE
Foram eleitos 44 vinhos, o que corresponde a 43,1 % do total dos 102 vinhos seleccionados (brancos e tintos), classificados com:
.19 - 2 (Anselmo Mendes Alvarinho Parcela Única 2015 e Qtª Carvalhais Branco Especial)
.18,5 - 6 (Pai Abel 2015, Coche by Niepoort 2015, Anselmo Mendes Alvarinho Curtimenta 2015, Kompassus Private Seleccion 2014, Encontro 1 2013 e Quanta Terra 2011)
.18 - 15
.17,5 - 21
Por Região:
.Vinhos Verdes - 6 (13,6 % do total de brancos seleccionados)
.Douro - 16 (36,4 %)
.Dão - 6 e Bairrada/Beiras - 6 (27,3 % em conjunto)
.Alentejo - 5 (11,4 %)
.Outras (Lisboa, Tejo e Setúbal) - 5
Por colheita:
.2016 - 13
.2015 - 20
.2014 - 4
.2013 - 2
.outras anteriores - 5
3.2 - RV
Foram eleitos apenas 8 vinhos, a que corresponde 13,3 % dos 60 vinhos seleccionados, classificados com:
.18 - 1
.17,5 - 7
Por Região:
.Vinhos Verdes - 1
.Douro - 2
.Bairrada/Beiras - 1
.Alentejo - 2
.Outras - 2
Por colheita:
.2016 - 2
.2015 - 3
.2014 - 2
.outras anteriores - 1
continua...

sábado, 10 de março de 2018

Vinhos em família (LXXXVI) : um conjunto muito equilibrado

Mais uma série de vinhos provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega:
.Poeira 2014 branco - 93 pontos na Wine Spectator que o considerou o melhor branco português da colheita de 2014; com base na casta Alvarinho, estagiou 8 meses em madeira e mais 12 na garrafa; presença de citrinos, melão e fruta cozida, boa acidez, notas amanteigadas e alguma oxidação, volume e final de boca apreciáveis. Gastronómico. Nota 17,5.
.Blog 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah, estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês (novas e usadas); nariz discreto, ainda com muita fruta preta, acidez no ponto, notas especiadas, taninos algo rugosos, algum volume e final de boca. Concentrado e guloso. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Evel XXI Centenário 2011 (garrafa nº 1112/2800) - lançado para comemorar os 100 anos da marca Evel; com base em vinhas velhas e, também, nas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aromático, presença de fruta vermelha, acidez equilibrada, notas especiadas, algum volume e final de boca persistente. Fresco  e elegante. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 17,5+.
.Messias 30 Anos (engarrafado em 2016) - com base nas castas T. Nacional, T. Franca, T. Barroca, T. Roriz e T. Cão; cristalino, nariz afirmativo, presença de frutos secos e tangerina, notas especiadas, algum brandy, acidez q.b., algum volume e final de boca extenso. Nota 18.

terça-feira, 6 de março de 2018

Jantar Quinta Monte d' Oiro

A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico. Desta vez vez decorreu na Casa da Dízima, já nossa conhecida pela boa gastronomia e serviço de 5 estrelas, debaixo da batuta do Pedro Batista. Por parte do produtor compareceu o Francisco Bento dos Santos*, engenheiro biólogo e a sua face mais visível, que apresentou os seguintes vinhos:
.Lybra 2016 branco - fresco e mineral, cumpriu bem a sua missão de vinho de boas vindas.
Servido ainda com os participantes de pé, acompanhou uma série de canapés.
.Aurius 2002 - com base nas castas Syrah, Tinta Roriz e Petit Verdot, estagiou 16 a 18 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma e sabores terciários, fruta ténue, fresco e elegante, taninos domesticados, volume e final médios. Apesar de se ter portado bem, já passou o seu momento. Nota 17.
Ligou bem com bombons crocantes de farinheira de porco preto, com grelos e batata doce.
.Têmpera 2004 - com base na casta Tinta Roriz, estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês; também com aromas e sabores terciários, fresco e equilibrado na acidez, taninos ainda presentes, alguma complexidade, volume e final de boca médios. A consumir já. Nota 17+.
Harmonizou com codorniz recheada de cepes e foie gras com puré de castanha.
.Qtª Monte d´Oiro Reserva 2013 - com base maioritariamente na casta Syrah, estagiou em barricas de carvalho francês; aroma intenso, muita fruta vermelha, acidez equilibrada, notas especiadas, fresco e elegante, taninos presentes, volume considerável e final de boca persistente. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Excelente casamento com lombinhos de borrego com puré de favinhas.
.Madrigal Viognier 2016 (servido num magnífico decantador Riedel) - aromático, presença de citrinos e fruta madura, alguma acidez e volume e final de boca médio. Falta-lhe complexidade, mas precisa de tempo para se mostar.Melhor daqui a 2/3 anos. É um branco de outono/inverno e deveras gastronómico. Nota 16,5.
Servido com um dueto de queijos (Azeitão e Fornos de Algodres), passou por baixo.
Copos Schott, temperaturas correctas e serviço profissional com os vinhos a chegarem à mesa antes dos pratos.
* O site da Qtª Monte d' Oiro precisa de ser urgentemente actualizado, pois o nome do Francisco ainda não consta, nem sequer os vinhos. Não faz sentido.

domingo, 4 de março de 2018

Próximos eventos vínicos

1.BAIRRADA@LX (2ª edição)
Dia 10/3, das 15 às 23 h, no Estúdio Time Out (1º andar do Mercado da Ribeira) com provas de vinhos e petiscos da Bairrada.
Mais informações em www.bairradalx.info.

2.Vinhos em cena
De 23 a 26/3 no Teatro Tivoli com provas, conferências e workshops.
Mais informações em www.teatrotivolibbva.pt.

3.Paixão pelo Vinho Awards & Wine Party
Dia 24/3 no espaço Beatus, em Marvila, com provas, conversas com enólogos e entrega de prémios 2017.
Mais informações em www.facebook.com/events.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Grupo dos 6 (8ª sessão) : quando um TOP 10 é o elo mais fraco...

Este grupo de enófilos da linha dura reuniu, uma vez mais, no restaurante Magano e bateu-se com 8 vinhos (2 brancos, 3 tintos de 2011, 1 Madeira, 1 Porto Vintage e 1 Porto 40 Anos). Foi uma sessão gastro-enófila excepcional, considerando que o elo mais fraco foi o branco Procura 2015, agraciado com 91 pontos na Wine Spectator e recentemente incluído no TOP 10 da Revista de Vinhos.
Desfilaram:
.Blandy Sercial 1975 (engarrafado em 2015, com o nº 447/988 e trazido pelo Frederico) - 91 pontos no Parker; presença  de frutos secos, notas de caril e brandy, especiado, vinagrinho equilibrado, taninos evidentes, algum volume e final de boca muito longo. Nota 18,5.
Acompanhou amêndoas torradas e serviu de pretexto para comemorarmos o 1º aniversário deste grupo.
.Vértice Grande Reserva 2009 (levado por mim) - com base nas castas Viosinho e Gouveio, estagiou 15 meses em barricas de carvalho; fruta madura e algum citrino, oxidação nobre, acidez presente, volume e final de boca apreciáveis. Complexo e gastronómico, uma grande surpresa. Nota 18.
.Procura 2015 (também levado por mim) - com base em vinhas velhas situadas na Serra São Mamede, estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; fresco e algo mineral, presença de citrinos e maçãs, boa acidez, volume e final de boca médios. Pode ser bebido a solo. Nota 17.
Estes 2 brancos maridaram com um sável frito e açorda de ovas do mesmo. A harmonização com o Vértice foi perfeita, já o Procura teve alguma dificuldade em aguentar este prato.
.Qtª da Leda (levado pelo Juca) - 95 pontos no Parker e 91 na Wine Spectator; com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinta Roriz (15 %), estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; ainda com fruta vermelha, nítida frescura, acidez equilibrada, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Talentus Grande Escolha (levado pelo João) - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; ainda com muita fruta e acidez q.b., taninos de veludo, algum especiado, boa estrutura e final de boca persistente. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18.
.Qtª Crasto Maria Teresa (levado pelo J.Rosa) - 97 pontos no Parker e 96 na Wine Spectator; com base em vinha centenária, estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês e americano; ainda com alguma fruta, belíssima acidez, especiado, taninos impressionantes mas civilizados, notável volume e final interminável. Complexo e longevo. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 19.
Estes 3 tintos acompanharam um cozido de grão.
.Cockburns Vintage 1963 (levado pelo Adelino) - perfil próximo de um tawny velho, presença de frutos secos, acidez no ponto, taninos evidentes, algum volume e e final muito longo. Nota 18.
Acompanhou uma tábua de queijos.
.Taylor's 40 Anos (engarrafado em 1971 e também levado pelo Adelino) - frutos secos, brandy e caril, algum vinagrinho, volume e final de boca notáveis. Grande complexidade e perfil próximo de um Madeira velho. Nota 19.
Acompanhou a tradicional tarte de amêndoas.
Gastronomia em alta e serviço de vinhos de 5 estrelas (não é por acaso que os personagens do vinho procuram este espaço; lá estava o Jorge Moreira e os responsáveis da Decante).
Para termos a cereja no topo do bolo, só falta a vontade do dono em acabar com a possibilidade de se fumar no interior do restaurante. Os enófilos agradecem!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Curtas (XCVII) : Sabores d' Itàlia, Sandeman e enoturismo na Bairrada

1.Sabores d' Itália
Em visita recente, confirmei aquilo que já sabia e não me canso de afirmar: é desafiante dar um pulo às Caldas da Rainha e conhecer ou revisitar um espaço de restauração, onde tudo está na perfeição (o ambiente, a simpatia dos donos, a gastronomia, o serviço, a garrafeira, os copos, etc).
Desta vez provei uma original entrada de queijo de cabra gratinado com pera rocha e deliciei-me com o risotto de sapateira e a sopa de amoras, prato e sobremesa que não me canso de comer.
Para acompanhar um copo do branco Areias Gordas 2015 (12 % vol.), um curioso lote de Sémillon e Alvarinho de um irreverente produtor/enólogo de Salvaterra de Magos, Tomaz Vieira da Cruz (esse mesmo, do branco 5ª de Mahler, já aqui elogiado). Nota 17.
2.Sandeman
Este espaço já tinha sido referido em "The Sandeman Chiado : a Sogrape em Lisboa", crónica publicada em 21/6/2016.
Sobre a parte gastronómica só tenho a dizer bem. Nesta última visita comi arroz cremoso de peixe e camarão (o prato) e tiramisú (a sobremesa), de inegável qualidade.
Quanto à componente vínica é que "a porca torce o rabo", pois a carta é omissa quanto a anos de colheita, a oferta a copo é curta e o serviço francamente desajustado a um espaço com ligações à Sogrape. O copo solicitado, tinto Papafigos, já vinha servido! Só a pedido é que a garrafa veio à mesa. Por outro lado, o preço cobrado (4 €) é uma exorbitância.
Mais, na lista constam 2 cervejas artesanais, mas nenhuma tinha stock! Mais ainda, o emblemático pastel de nata, também constante no cardápio, também estava a zeros!
Cartão amarelo à Sandeman!
3.Enoturismo na Bairrada
A próxima viagem da Tryvel é à Bairrada. Com a companhia da Maria João Almeida e do Rui Nobre, teremos a ocasião de visitar a Qtª do Encontro, as Caves Aliança, as Caves São João, a Qtª das Bageiras, as Caves do Buçaco e o Museu do Vinho na Anadia. Almoços ou jantares no Rei dos Leitões, Mugasa, Casa Vital, Hotel Palace Buçaco e Restaurante Dori. Alojamento no Hotel Curia Palace.
Imperdível!

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Herdade das Servas (HS) : as novidades apresentaram-se no Quorum

A convite dos produtores da HS, Luis e Carlos Serrano Mira, participei numa apresentação de novidades, com direito a prova comentada e almoço no restaurante Quorum, recentemente aberto em Lisboa (Rua do Alecrim,30B), onde pontifica o Rui Silvestre, chefe estrelado vindo do Bon Bon (Carvoeiro, Algarve) e o Sérgio Antunes, escanção com nome reconhecido.
As novidades, 2 novas referências (um surpreendente Colheita Tardia e um Licoroso dispensável) e 2 novas colheitas (Reserva branco 2016 e Vinhas Velhas tinto 2014) foram apresentadas pelo Luis Mira e pelo novo enólogo da casa, Ricardo Constantino de seu nome, vindo da Qtª Monte d' Oiro. Fico na dúvida quanto ao licoroso, enquanto novidade, pois já tinha referenciado um generoso quando da visita à HS em Janeiro de 2011.
É de toda a justiça elogiar a postura deste produtor, por um  lado, com a garrafeira Coisas do Arco Vinho, com a qual estabeleceu uma frutuosa parceria no passado e, por outro lado, o seu louvável relacionamento com a blogosfera.
Dos contactos com a HS, tenho dado conhecimento público neste blogue, não sendo demais voltar a divulgá-lo:
."A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 22/1/2011
."A Herdade das Servas (continuação)", em 23/1/2011
."Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas", em 16/11/2013
."Herdade das Servas revisitada", em 21/10/2014
."Jantar de Vinhos Herdade das Servas : a qualidade em duplicado (vinhos e comida)", em 26/11/2015
Quanto às novidades da HS e sua harmonização com a comida, as minhas impressões:
.Colheita Tardia (12,5 % vol.) - com base na casta Sémillon (100 %) das colheitas de 2014 (maioritária) e 2015, estagiou 18 meses em cubas de inox; aromático, presença de mel e passas, notas florais, bela acidez. Muito equilibrado entre a frescura e a gordura. Volume e final de boca notáveis. Boa surpresa! Nota 18.
Acompanhou um estufado de língua de vaca com foie gras. Não gostei da ligação.
.Reserva 2016 branco (13,5 % vol.) - com base nas castas Arinto (50 %), Alvarinho e Verdelho (25 % de cada), estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e 3 na garrafa; aroma discreto, fruta cítrica, acidez equilibrada, notas glicerinadas e amanteigadas, madeira ainda presente mas bem integrada; volume e final de boca assinaláveis. Muito equilibrado, com um perfil de outono/inverno, vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5.
Harmonizou com uma canja de bacalhau e ovo. Também aguentava um prato mais puxado, como peixe no forno, por exemplo.
.Vinhas Velhas 2014 (15,5 % vol.) - com base nas castas Alicante Bouschet (45 %), Trincadeira, Touriga Nacional (25% de cada) e Petit Verdot (5 %) em vinhas com mais de 50 anos, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e americano e mais 12 meses em garrafa; nariz contido, alguma fruta e acidez, notas especiadas e de tosta, taninos presentes mas civilizados, volume e final médios. Embora prejudicado por ter sido servido a uma temperatura acima do recomendável, esperava mais deste vinho. Nota 17+.
Maridou com um peito de pato que ligou francamente melhor com o branco. Para este tinto, faltou um assado de porco ou borrego.
.Licoroso - com base nas castas Alicante Bouschet (60 %), Trincadeira e Aragonês (20 % de cada), estagiou 24 meses em barricas usadas de carvalho francês e americano, 1 meses em inox e mais 6 em garrafa; aroma contido, alguma fruta preta e acidez, taninos discretos, volume e final de boca médios. perfil próximo de um Porto Ruby. Prejudicado por ter sido servido a uma temperatura muito acima do recomendável (o copo também não ajudou). Melhorou quando foi refrescado. Nota 16.
Acompanhou um souflé de chocolate com frutos vermelhos.
O que falta dizer:
.participantes à base da crítica especializada e generalista e, ainda, da blogosfera
.organização impecável  da Joana Pratas, uma vez mais
.bons copos Schott
.mesas demasiado despojadas, uma moda recente na restauração que pode acarretar problemas de higiene (cuidado com a ASAE!).

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Colheita de 2008 : o painel da VINHO e as minhas provas

A VINHO Grandes Escolhas publicou, no seu último número, os resultados de uma "Grande Prova", sob o título "Os belos tintos de 2008", à semelhança do que fez com as colheitas anteriores (na altura, na pele da Revista de Vinhos), com a finalidade de se saber como andam estes vinhos 10 anos depois. Mas, ao contrário das provas anteriores, desta vez foi omissa quanto aos vinhos pedidos e não enviados pelos produtores. Ficámos apenas a saber que foram provados 26 vinhos e que foram pontuados com 17 a 19 valores.
Consultados os meus registos dos 2 últimos anos, encontrei apenas 9 vinhos (algumas referências com mais de 1 garrafa) que constam no painel da VINHO e 12 que não foram provados.
Respeitando a ordem dos resultados do painel, passo a indicar as notas atribuídas por mim, a maioria em provas cegas, mas também algumas com o rótulo à vista.
Com 19 na VINHO:
.Barca Velha - 19/19 (as minhas notas)
.Qtª Vale Meão - 17,5+
Com 18,5:
.Qtª Bageiras - 16,5 (problema com a minha garrafa?)
Com 18:
.Pintas - 17,5+
.Qtª Noval - 18,5+/18,5+
.Qtª Vallado Reserva - 18,5/17,5
Com 17,5:
.Calda Bordaleza - 18/17,5+
.Hexagon - 17,5
Com 17:
.Qtª da Gaivosa - 17,5
Vinhos provados por mim, mas omissos no painel da VINHO (por pontuação, da mais alta para a menos) :
.Legado - 19/18,5+
.Antónia Adelaide Ferreira - 18,5+/18,5
.Três Bagos Grande Escolha - 18,5
.Qtª Vallado Touriga Nacional - 18,5
.Leo d' Honor - 18/17,5
.DODA - 18
.Monte dos Cabaços Reserva - 18
.Qtª da Leda - 18
.Charme - 18/17
.Solar dos Lobos Grande Escolha - 17,5+
.Casa de Saima Garrafeira - 17,5
.Qtª Cidrô Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon - 17,5
Foi pena que a VINHO só tivesse provado 1 vinho de cada produtor, tendo deixado de fora o Legado (um dos grandes vinhos portugueses, ao nível do Barca Velha), Antónia Adelaide Ferreira e até o Qtª da Leda ou outros vinhos de referência, como é o caso do Três Bagos Grande Escolha.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Gourmet Experience (I) : a Tasca Chic do José Avillez

Pouco tempo após a abertura do Gourmet Experience (no piso 7 do Corte Inglês) visitei um dos restaurantes do chefe José Avillez, a Tasca Chic, onde tive uma experiência traumatizante, ao esperar quase 1 hora pelo prato que tinha pedido. Parte do problema parece estar resolvido pois, numa revisita recente, verifiquei que na ementa constava uma "Fast Chic", lista com apenas 3 pratos de saída rápida.
Com receio de repetir a má experiência anterior, optei por um dos pratos da "Fast Chic", a pluma de porco com migas e farinheira, uma carne saborosa com acompanhamento banal.
A Tasca Chic também aderiu à moda das mesas despojadas, embora os guardanapos sejam de pano, uma contradição. O espaço está bem organizado e o pessoal, maioritariamente feminino, impecavelmente fardado. Serviço eficiente e despachado. Preços altos, a condizerem com a fama do chefe. Sala cheia, mesmo antes das 13 horas, com bicha (continuo a utilizar este tradicional termo, em vez do politicamente correcto "fila") para entrar.
Quanto à componente vínica, uma vez que a carta vem em suporte electrónico, não consegui fazer o inventário da praxe.
Optei por um copo de Qtª Nova Reserva Terroir Blend 2015 - muita fruta e juventude, acidez no ponto, taninos evidentes, algum volume e final de boca, mas falta-lhe complexidade. Gastronómico, cumpriu bem a sua função. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e a uma temperatura correcta.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Vinhos em família (LXXXV) : um belo LH e 3 tintos 2011

Mais uns tantos vinhos provados em família ou com amigos, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Desta vez, não houve desilusões.
E eles foram:
.Grandjó Late Harvest 2013 - com base na casta Semillon (a Boal do Douro), plantada na Qtª Casal da Granja (RCV); nariz intenso, presença de citrinos, com a tangerina a dominar, belíssima acidez e gordura q.b., volume e final de boca assinaláveis. Complexo, é a minha referência em Portugal deste tipo de vinhos. Embora possa ser bebido no início da refeição com foie gras, prefiro-o com uma boa sobremesa. Nota 18.
.Quanta Terra Grande Reserva 2011 - 92 pontos na Wine Advocate (Robert Parker) e na Wine Enthusiast; com base nas castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; ainda com muita fruta, notas terrosas e de esteva, acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Austero e consistente. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5+.
.Quinta do Mouro 2011 - com base nas castas Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, estagiou 14 meses em carvalho francês e português; muita fruta preta presente, acidez equilibrada, taninos em evidência, muito concentrado com um bom final de boca. Muito gastronómico, precisa de um prato de substância. A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5.
.Nunes Barata Grande Reserva 2011 - com base nas castas Syrah, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional em vinhas situadas em Cabeção, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, presença de fruta preta, notas florais, acidez no ponto, especiado, volume e final de boca apreciáveis. Potente e elegante, está a evoluir muito bem. Lamentavelmente, passou ao lado da crítica especializada. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 18,5 (noutra situação 18).

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Chutnify, Latitude e Marisco na Praça

A crónica de hoje é dedicada a 3 restaurantes:
.Chutnify, entre o Príncipe Real e a Praça das Flores, neste momento o restaurante de cozinha indiana da moda
.Latitude, uma boa surpresa no Cais do Sodré
.Marisco na Praça, com uma grande oferta de marisco e peixe, no mercado de Cascais
Curiosamente apenas bebi vinho (a copo) no Latitude, enquanto nos outros dois fui para a cerveja artesanal (Musa) ou próximo disso (1927). Mais vale beber uma boa artesanal do que um vinho a copo banal.
1.Chutnify (Travessa da Palmeira,46)
Mesas despojadas, guardanapos de papel, serviço eficiente e simpático, mas algo demorado, e gastronomia de qualidade. Convém marcar ou aparecer cedo, pois enche rapidamente. Coisas da moda.
Da ementa, genuinamente indiana, escolhi:
.Tandoo paneer tikke (espetada de queijo no forno)
.Parsnip samosa (chamuça recheada de cheróvia e batata)
.Ghee roast dosa (crepe indiano e chutney de coco)
.Caril konju roast (caril de camarão marinado com piripiri e limão)
.Pistachio kulfi (gelado indiano de pistachio com fruta da época)
Quanto à componente vínica, a lista é curta mas inclui o ano de colheita de todos os vinhos (uma vergonha para os restaurantes que não o fazem).
Optei pela cerveja artesanal Musa born in the IPA, uma delícia.
2.Latitude 38 (Travessa do Carvalho)
Pequena dimensão, mesas mais ou menos aparelhadas, guardanapos de papel e bons copos, mas música demasiado alta.
O dono, Stephane Le Goueff de seu nome, é o homem da sala e único, dinâmico e de uma simpatia contagiante, enquanto que a sua mulher, além de imperar na cozinha, ainda consegue ir às mesas e dialogar com os clientes.
Comi um caril de camarão e um bolo húmido de batata doce, tudo com qualidade.
Quanto à componente vínica inventariei 1 espumante, 9 brancos (2 a copo), 12 tintos (1), 1 rosé (1), 7 Portos e 3 Moscatéis (os fortificados todos a copo).
Escolhi o Roquevale Reserva 2014, um branco a copo (4,50 €) - com base nas castas Fernão Pires, Roupeiro e Arinto; fruta madura, boa acidez, notas amanteigadas, algum volume e muito gastronómico. Uma boa surpresa que não conhecia. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade super generosa.
3.Marisco na Praça
Bem dimensionado e algo desconfortável no tempo frio, pode ser muito barulhento quando cheio.
À entrada, uma banca bem fornecida de peixe e, sobretudo, marisco. Tudo fresquíssimo, ou não estivéssemos na Praça de Cascais.
Ementa boa para partilhar. Na última visita escolhemos lingueirão ligeiramente grelhado, ameijoas à Bulhão Pato, salada de polvo e croquetes de carne, tudo fresquíssimo e bem confeccionado. A terminar, uma saborosíssima "blatter-tarte".
Optámos, uma vez mais, pela cerveja artesanal, agora a 1927 da Super Bock, largamente publicitada pelo chefe José Avillez. Para partilhar vieram a Munich Dunkel e a Bavaria Weiss (3,20 € cada), sendo a primeira claramente superior, para o meu gosto.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Curtas (XCVI) : as castas estrangeiras, a lampreia e um evento vínico

1.A Fugas e as castas estrangeiras
Na última Fugas pode ler-se um artigo do jornalista Pedro Garcias, com o qual me identifico em muitas das opiniões que emite, intitulado "Para onde vais tu, Portugal do vinho?", onde critica a utilização por parte de alguns (muitos) produtores de castas estrangeiras, em desfavor das nacionais.
Totalmente de acordo. Se em Portugal existem largas dezenas de castas indígenas, algumas das quais ao nível das melhores do mundo, para quê macaquear os vinhos estrangeiros (aqui abro uma excepção para a Alicante Bouschet, completamente aportuguesada)?
Confesso que sou completamente "chauvinista" quanto a castas e rejeito, a título de exemplo, qualquer vinho português elaborado a partir da casta Cabernet Sauvignon.
Aplaudo os produtores que apostaram a 100 % nas castas nacionais e critico aqueles que se refugiaram nas estrangeiras.
2.A lampreia
Os militantes e indefectíveis da lampreia, têm agora em Lisboa 2 hipóteses de matarem saudades da dita, a troco de 35 €:
.Casa do Minho (Rua Professor Orlando Ribeiro, 3D a Telheiras)
No dia 25 deste mês (13h) processa-se o tradicional almoço anual de lampreia, cujo prato principal é arroz de lampreia do Rio Minho, acompanhado por vinho verde de Vila Nova de Cerveira.
Marcações 967723103 ou 217584742 (Casa do Minho) e 917726515 (Paulo Duque).
.Varanda de Lisboa (Hotel Mundial)
A decorrer desde 6 de Fevereiro até 18 de Março, podendo escolher-se entre arroz de lampreia à moda de Monção, arroz à Bordalesa ou sável de escabeche, acompanhados de vinho da casa (suponho que verde tinto).
Mais informações em www.hotel-mundial.pt.
3.simplesmente... Vinho 2018
Este evento, de cuja organização o nome mais visível é o do João Roseira (Qtª do Infantado), decorrerá no Cais Novo (Rua de Monchique,120 por cima do Museu do Vinho do Porto e não muito longe da Alfândega do Porto), nos dias 23 e 24 de Fevereiro, entre as 16 e as 21h30, ficando as manhãs reservadas para os profissionais.
Estarão presentes cerca de 100 produtores, a maioria nacionais e alguns de Espanha.
No dia 23, pelas 22h, haverá um jantar vínico no Typographia Progresso do chefe Luis Américo.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Comemorar os 50 anos (versão 2018)

À semelhança dos anos anteriores, fiz um levantamento da oferta de fortificados de 1968, com incidência nas garrafeiras da Baixa de Lisboa.
Para quem quiser comemorar o 50º aniversário de qualquer acontecimento, seja nascimento, casamento, divórcio ou qualquer outro pretexto, tem o trabalho facilitado. Inventariei 19 referências, um pouco menos que a oferta relacionada com o ano de 1967 (25).
É só escolher, entre estes:
1.Garrafeira Nacional (4 Colheita e 2 Madeira)
.Dalva Colheita - 179 €
.Krohn Colheita - 378
.Niepoort Colheita - 239
.Noval Colheita - 260
.Blandy Sercial - 312,90
.D' Oliveiras Bual - 210
2.Casa Macário (5 Colheita e 1 Madeira)
.Dalva Colheita - 250
.Kopke Colheita - 215
.Krohn Colheita - 324
.Niepoort Colheita - 290
.Noval Colheita - 270
.D' Oliveiras Bual - 210
3.Manuel Tavares (2 Colheita e 1 Vintage)
.Kronh Colheita - 310
.Noval Colheita - 292
.Taylor's Vintage - 720
4.Napoleão (1 Colheita e 1 Madeira)
.Messias Colheita - 199,95
.D' Oliveiras Bual - 219,95
5.Mercado Praça da Figueira (1 Colheita)
.Messias Colheita - 169
6.Manteigaria Silva (1 Colheita)
.Krohn Colheita - 360
De sublinhar:
.a Garrafeira Nacional e a Casa Macário continuam a ser as grandes referências para compras de vinhos fortificados mais antigos
.há consideráveis discrepâncias nos preços praticados
.o Solar do Vinho do Porto, que deveria ser uma montra de tudo o que se relacione com este fortificado, mais uma vez não tinha qualquer referência do ano em causa.
Comemoremos, então, a qualquer coisa, pois oferta não falta!
E, para o ano, cá estaremos de volta com os fortificados de 1969.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Vinhos em família (LXXXIV) : surpresas e desilusões

Mais uns tantos vinhos provados sossegadamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Somnium 2014 branco (12 % vol.) - com base em vinhas velhas, produzidas 2700 garrafas; alguma fruta cozida e acidez, notas florais e amanteigadas, volume médio e final curto. Gastronómico. Endeusado pela crítica especializada e não só, não me apaixonou (mea culpa...). Nota 17.
.5ª de Mahler 2000 branco (12,5 % vol.) - surpreendente V. R. Ribatejano (na altura, agora seria Tejo) com base na casta Fernão Peres de vinhas em Salva Terra de Magos; cor ainda límpida e brilhante, alguma oxidação nobre, fruta cozida, notas balsâmicas e glicerinadas, belíssima acidez, algum volume e final persistente. Muito original e cheio de personalidade, foi paixão ao primeiro trago. Excepcional relação preço/qualidade. Nota 17,5+.
.Qtª Cidrô Cabernet/Touriga Nacional 2007 - estagiou 18 meses em barricas novas; nariz contido, ainda com alguma fruta e acidez, notas especiadas, algum vegetal, taninos presentes, volume e final de boca médios. Ainda longe da reforma. Nota 17,5.
.Kopke Colheita 1989 (engarrafado em 2017) - ainda com muita fruta cítrica, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e final de boca. Com quase 30 anos em casco, parece mais um 10/20 anos, faltando-lhe complexidade. Desiludiu. Nota 17.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Grupo dos 6 (7ª sessão) : bons tintos de 2008 e 2 fortificados excepcionais

Este grupo de enófilos voltou ao Magano, desta vez na sua máxima força, confirmando-se a boa aposta neste espaço de restauração (gastronomia alentejana de qualidade e serviço de vinhos impecável).
Desfilaram:
.Vallegre Grande Reserva 2015 branco (simpática oferta da casa) - com base em vinhas velhas, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; presença de citrinos, fresco e mineral, belíssima acidez, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa que pode ser bebido a solo. Nota 17,5.
Acompanhou uma série de petiscos.
.Qtª Bageiras Garrafeira 2015 branco em garrafa magnum (nº 32/144, levada pelo João) - com base nas castas Maria Gomes e Bical; fruta presente, acidez equilibrada, notas amanteigadas, mais volumoso e final de boca persistente. Gastronómico e cheio de personalidade. Nota 18.
Maridou com um prato de lulas e batatas no forno.
.Qtª do Noval 2008 (levada por mim) - nariz exuberante, ainda com fruta, acidez q.b., especiado, notas fumadas, taninos evidentes, grande estrutura e final de boca longo. Muito complexo, o Douro no seu melhor. A beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5+.
.Qtª da Gaivosa 2008 (levada pelo Frederico) - nariz discreto, frescura e acidez, notas de lagar, taninos suaves, algum volume e final de boca seco e curto. A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5.
.Antónia Adelaide Ferreira 2008 (levada pelo J.Rosa) - com base parcial em vinhas velhas, estagiou 2 anos em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, alguma acidez, notas especiadas, taninos presentes mas civilizados, alguma complexidade, bom volume e final de boca ligeiramente adocicado. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Estes 3 tintos harmonizaram com umas perdizes de caça estufadas, pão frito e grelos salteados.
.Bastardinho 20 Anos (levada pelo Adelino) - garrafa 0,75 com 60/70 anos; nariz contido, citrinos e frutos secos, especiado, acidez equilibrada, notas de iodo, taninos presentes, volume considerável e final de boca muito longo. Uma raridade que, se bebido às cegas, poderia passar por um Madeira de excepção. Nota 19.
.FEM Verdelho Muito Velho (levada pelo Juca) - cor cristalina, presença de frutos secos, notas de caril e brandy, vinagrinho equilibrado, taninos vigorosos, volume notável e final de boca interminável. Uma grande complexidade e a Madeira no seu melhor! Nota 19,5.
Estes 2 fortificados acompanharam queijadas de requeijão e tarte de amêndoa.
Uma grande sessão, dificilmente repetível. Obrigado a todos!

domingo, 28 de janeiro de 2018

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

2017 : na hora do balanço (V) - os principais eventos (2ª parte)

continuando...
4.Provas de Vinhos
.Grandes Escolhas - Vinhos e Sabores (organizado na FIL pela revista VINHO, na sequência dos EVS no Pavilhão dos Congressos, foi um dos principais eventos do ano; os restantes vêm por ordem cronológica)
.Garcias (prova de vinhos deste distribuidor no Hotel Ritz)
.Adega Cooperativa da Vidigueira (prova de vinhos deste produtor e almoço no Espelho de Água)
.José Maria da Fonseca (apresentação e prova de novidades no By the Wine, orientada pelo Domingos Soares Franco)
.Vinhos Mont' Alegre (prova no Hotel Sheraton, orientada pelo produtor/enólogo Francisco Gonçalves)
.Real Companhia Velha (apresentação de novidades no Le Consulat, pelo enólogo Jorge Moreira)
.Qtª Nova Nossa Senhora do Carmo (vertical dos Grande Reserva, orientada pelo enólogo Jorge Alves)
.Vinhos do Alentejo e Decante Vinhos (prova alargada de vinhos alentejanos no CCB e prova de novidades do distribuidor Decante no Hotel Dom Pedro)
5.Enoturismo, com a Maria João Almeida e a Tryvel
5.1.no Douro
.Quinta da Ervamoira (provas e almoço com o João Nicolau Almeida)
.DOC (jantar)
.Qtª Vallado e Qtª Nossa Srª Carmo (provas no Vallado e provas e almoço na N.Srª Carmo)
.Castas e Pratos (jantar)
.Quinta do Portal (provas e almoço com o Paulo Coutinho)
5.2.no Minho
.Casa da Calçada (almoço)
.Quinta da Lixa e Hotel Monverde (provas e jantar)
.Quinta da Aveleda e Restaurante Ferrugem (provas e almoço)
.Quinta do Ameal e Restaurante Cozinha Velha (provas com o Pedro Araujo e jantar)
.Palácio da Brejoeira e Qtª do Prazo (provas e almoço)
A próxima crónica será dedicada ao TOP 10 das crónicas mais lidas.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

2017 : na hora do balanço (V) - os principais eventos (1ª parte)

A crónica dedicada aos principais eventos em que tomei parte no decorrer do ano passado, e foram muitos, será desdobrada em 2 partes, sendo hoje a primeira. Cada um dos eventos seleccionados terá um link para a respectiva crónica, para satisfazer os mais curiosos.
1.Porto Extravaganza : os Garrafeiras da Niepoort, evento único organizado pelo Paulo Cruz e com a presença do Dirk Niepoort (no Palácio Seteais)
2.Os 25 anos do projecto João Portugal Ramos (JPR), com a presença da equipa do JPR e da sua família (no Palácio da Cidadela de Cascais)
3.Eventos vínicos organizados pela Garrafeira Néctar das Avenidas:
.Qtª Vale D. Maria, com a Francisca van Zeller (no Real Palácio)
.Olho no Pé, com o Tiago Sampaio (no Sem Dúvida)
.Tiago Cabaço, com oTiago Cabaço (no Lisboète)
.Campolargo, com o Carlos Campolargo (na Casa do Bacalhau)
.Qtª do Noval, com a Rute Monteiro (no Via Graça)
.Qtª dos Roques/Qtª das Maias, com o Luis Lourenço (no Real Palácio)
.Bairradão em Lisboa, com 30 produtores do Dão e Bairrada (no Real Palácio)
.Paulo Laureano, com o Paulo Laureano (no Via Graça)
.Jorge Moreira, com o Jorge Moreira (na Casa do Bacalhau)


sábado, 20 de janeiro de 2018

Curtas (XCV) : EHTL, Peixe na Avenida e Descobre

1.EHTL
A Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, com sede na Rua Saraiva de Carvalho,41 vai organizar de 24 a 26 deste mês, a sua 4ª edição do "Wine and Flavours Film Festival", com o apoio do Turismo de Lisboa e do IVDP. Entre outras actividades, destaque para 3 almoços ("Douro Vinhateiro", "Rabelo do Douro" e "Baco vs Dioniso" a 15 € cada) e 2 jantares ("7 Pratos Mortais" e "Puro Douro" a 30 €), que contam com a presença de alguns chefes prestigiados, entre os quais João Sá e Nuno Diniz.
2.Peixe na Avenida
Em visita recente, fui conhecer o restaurante Peixe na Avenida (Rua Conceição da Glória,2-6), à frente do qual está a chefe Luisa Fernandes, recentemente chegada de Nova Iorque. A aposta forte é no peixe e marisco, para fazer justiça ao nome, sendo de referir o menu executivo ao almoço, onde se paga 14 € por uma refeição completa (couver, entrada, prato, sobremesa, bebida e café).
O Peixe na Avenida  é um espaço acolhedor, com boa gastronomia e serviço de mesa profissional.
Bebemos o Morgado de Stª Catherina Reserva 2015, um dos meus preferidos na restauração, com uma boa harmonia entre a frescura e o amanteigado. É gastronómico e tem um preço aceitável. Nota 17,5.
3.Descobre
Comecei o ano bem, pois fiz a minha primeira refeição no Descobre (Rua Bartolomeu Dias,67), espaço que fez parte do meu TOP 10 espaços de restauração. Ali tudo me agrada, seja o ambiente, a ementa muito original e de qualidade, o serviço e a garrafeira. Aliás também funciona como loja, podendo-se comprar qualquer um dos vinhos expostos.
A voltar, sempre!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Algo vai mal no reino do Vinho do Porto

1.IVDP
Por coincidência ou não, no espaço de 1 semana, 2 conhecidos críticos referiram-se em termos nada abonatórios ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP).
O primeiro foi o Pedro Garcias (PG), na crónica "Cuidem das vinhas velhas e contratem os donos do Licor Beirão para o Porto", publicada na Fugas de 30 de Dezembro, onde, a propósito de uma bem conseguida campanha publicitária da iniciativa da empresa J. Carranca Redondo, proprietária do licor acima referido, contrapunha o imobilismo do IVDP.
A certa altura chegou mesmo a afirmar "(...) acabe-se com o IVDP (...). Qualquer coisa será melhor que um instituto caduco, conservador e subserviente (...)".
Uma semana depois foi o João Paulo Martins (JPM) que na revista E do Expresso, na sua coluna habitual, publicava a crónica "O sonho que eu tive". Em tom irónico ou mesmo jocoso, escreveu "(...) Sonhei, por exemplo, que o Douro estava muito mudado, quer nas pessoas quer nas práticas com um IVDP activo e dinâmico (...)".
2.AEVP
Por coincidência ou não, quase em simultâneo com as crónicas do PG e do JPM, a Associação das Empresas do Vinho do Porto, publicava um anúncio de página inteira no DN de 29 de Dezembro (e possivelmente noutros meios de comunicação social), no âmbito de uma louvável e meritória campanha "Seja responsável. Beba com moderação".
Só que grande parte deste cartaz é ocupada com uma figura masculina que abraça parcialmente o chamado copo Siza Vieira (cálice oficial Vinho do Porto Álvaro Siza), não tendo sequer a preocupação de o segurar pela haste. O trabalho de concepção do Siza Vieira, ao desenhar um entalhe no pé do copo, não serviu para nada.
Este cartaz, em termos pedagógicos, está chumbado. Por mim e espero, pelos enófilos em geral! 


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

2017 : na hora do balanço (IV) - TOP 10 espaços de restauração

Retomando o balanço de 2017, a crónica de hoje é dedicada à selecção dos espaços de restauração que frequentei no decorrer do ano transacto, tendo em conta a gastronomia, o ambiente, o serviço em geral e, fundamentalmente, a componente vínica (carta de vinhos, preços, oferta a copo, temperaturas, qualidade dos copos e o serviço específico de vinhos). Deixei de lado alguns restaurantes, alguns badalados, onde comi muito bem, mas cuja componente vínica não estava à altura da gastronómica.
Não sendo fácil hierarquisar os restaurantes seleccionados, optei pela ordem alfabética. E eles são:
.Casa do Bacalhau/Via Graça, em Lisboa (**)
.Casa da Calçada, em Amarante (*)
.Casa da Dízima, em Paço d'Arcos
.Descobre, em Lisboa
.DOC, na Folgosa do Douro (*)
.Enoteca de Belém, em Lisboa (**)
.Magano, em Lisboa (*)
.Mercearia Gadanha, em Estremoz (*)
.Sabores d'Itália, nas Caldas da Rainha (**)
.Sem Dúvida, em Lisboa (*)
Os espaços de restauração assinalados com * entram neste TOP pela 1ª vez, enquanto que os assinalados com ** foram seleccionados todos os anos sem interrupção, desde 2010.
Aproveito para acrescentar a minha votação para o blogue Mesa Marcada (Duarte Calvão e Miguel Pires), de cujo júri (o painel de 2017 contou com 153 votantes) faço parte desde 2011.
Entre parêntesis coloco em que lugar ficaram na classificação do painel.
1.Sabores d'Itália (56º)
2.Casa da Dízima (101º) *
3.Via Graça (115º) *
4.Descobre (73º)
5.Sem Dúvida (134º) *
6.Enoteca de Belém (150º) *
7.Casa da Calçada (25º)
8.Lumni (47º)
9.DOC (85º)
10.Mercearia Gadanha (84º)
Os restaurantes assinalados com * apenas tiveram o meu voto, uma injustiça!
Parte considerável do júri concentrou a sua votação nos espaços de restauração mais óbvios (os estrelados e/ou badalados).
Considero que deveria haver uma categoria para os restaurantes menos badalados e mais acessíveis (30/40 €),  com as componentes gastronómica e vínica de muita qualidade, possibilitando-lhes um merecido lugar ao sol. Foi o que propus aos organizadores mas, até agora, sem êxito.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

2017 : na hora do balanço (III) - TOP 10 Fortificados

Após o balanço dos brancos e tintos, hoje é o momento dedicado aos vinhos fortificados (Porto, Madeira e Moscatel). A ordem, dentro de cada patamar classificativo, é alfabética. E eles são:
.Borges Malvasia 1907, com 19,5
.Artur Barros e Sousa Verdelho Reserva Velho, com 19
.Blandy's Bual 1920 , também com 19
.Blandy's Verdelho 1977, idem
.Niepoort Garrafeira 1931 e 1933, idem
.Blandy,s Cercial 1968, com 18,5+
.Cossart Gordon Terrantez 1977, também com 18,5+
.Artur Barros e Sousa Sercial 1976, com 18,5+
.Blandy's Bual 1957, com 18,5
.Niepoort Garrafeira 1940 e 1948, também com 18,5
Não foram incluidos por já constarem em TOPs 10 anteriores os Madeira Borges Malvasia 40 Anos (nota 19), Artur Barros e Sousa Moscatel 1963 (18,5) e Blandy's Bual 1977 (19) e, ainda, os Colheita Dalva 1985 (18,5) e Krohn 1976 (18,5). Também não foram seleccionados para o TOP 10, por estarem fora dos circuitos comerciais, o Torre Bela 1860 (19) e o FMA Bual 1964 (19).
De salientar:
.O peso dos Vinhos Madeira, com 13 referências num total de 19 (68 %)
.A presença da Madeira Wine com 6 vinhos seleccionados, logo seguida da Niepoort com 4 Garrafeiras
.A casta Bual, com o maior nº de referências nos vinhos Madeira
.A ausência de Porto Vintage e de Moscatel nesta selecção.
A próxima crónica será dedicada aos espaços de restauração do ano, com especial incidência no serviço de vinhos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

2017 : na hora do balanço (II) - TOP 10 Tintos

A crónica de hoje, continuando o balanço de 2017, é dedicada aos tintos provados/bebidos no decorrer do ano passado melhor classificados. Para cada patamar com a mesma nota, a ordem é alfabética. E eles são:
.Qtª Crasto Vinha da Ponte 2004 (Douro), com 19+
.Legado 2011 (Douro), com 19
.Qtª Crasto Maria Teresa 2007 (Douro), também com 19
.Aalto PS 2011 (Ribera del Duero), com 18,5+ (a mesma nota dos restantes vinhos seleccionados)
.Ferreira Reserva Especial 2009 (Douro)
.Passagem Reserva 2009 (Douro)
.Pintas 2011 (Douro)
.Poeira 2014 (Douro)
.Qtª Noval 2008 (Douro)
.Qtª Vale Meão 2008 (Douro)
Não foram incluidos por já constarem em TOPs de anos anteriores, com 19 o Barca Velha 2008 (Douro), com 18,5+ o Pai Abel 2011 (Bairrada) e com 18,5 o Ferreira Reserva Especial 2007 (Douro) e o Grandes Quintas Vinhas do Cerval 2011 (Douro).
Embora fora do TOP, também merecem uma referência especial os tintos classificados com 18,5: Canameira Grande Reserva 2011 (Douro), CARM CM 2007 (Douro), Comendador Delfim Ferreira 2011 (Douro), Kopke Vinhas Velhas 2010 (Douro), Passagem Grande Reserva 2009 (Douro), Qtª Crasto Vinhas Velhas 2009 (Douro), Qtª Falorca Garrafeira 2007 (Dão), Qtª Leda 1999 (Douro), Qtª Monte d' Oiro Reserva 2012 (Lisboa), Qtª Nova N. Srª Carmo Grande Reserva 2005 (Douro), Qtª Noval 2007 (Douro), Qtª Pellada Baga 2005 (Dão), Qtª Pellada Carrocel 2011 (Dão), Qtª Vale Meão 2011 (Douro) e Três Bagos Grande Escolha 2008 (Douro).
De salientar:
.No TOP 10, o Douro (e sua expansão para Espanha) tem o exclusivo (isto tem a haver com o meu gosto e, se calhar, com a formatação do meu palato)
.No conjunto de todos os vinhos seleccionados, o Douro continua em vantagem, com 80 % dos tintos referidos
.O produtor melhor posicionado é a Sogrape (Barca Velha, Legado e Reserva Especial), tal como no balanço de 2016
.O ano de colheita "vencedor" é 2011, com 30 % do total
.O facto de o Passagem Reserva 2009 ter ultrapassado o Grande Reserva do mesmo ano (de facto, esta incoerência pode ter a haver com o momento em que foram provados, seja pelo tipo de prova ou pela comida que os acompanhou).
A próxima crónica será dedicada aos vinhos fortificados (Porto, Madeira e Moscatel).



domingo, 7 de janeiro de 2018

Rescaldo das Festas 2017/2018

Este tempo festivo (Natal e Ano Novo), em termos enogastronómicos, desenrolou-se em 4 momentos, cujos participantes não foram sempre os mesmos. O elo comum foi a minha presença e da minha companheira. Quanto a vinhos, limito-me a anunciá-los e a atribuir-lhes uma nota.
1º momento (Consoada em Tavira)
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2014 (17), com chamuças (compradas no restaurante Alvalade, na Mimosa) e bacalhau "verde"
.Qtª Crasto Vinhas Velhas 2011 (18), com borrego no forno
.Bacalhôa Moscatel Roxo 5 Anos, com mexidos e arroz doce
2º momento (almoço de Natal, em casa)
.Antónia Adelaide Ferreira 2009 (18,5) e Pintas 2009 (18), com couves à dom prior
.Krohn Colheita 1987 (17), com pão de rala
3º momento (jantar de 31/12)
.Somnium 2014 (17), com entradas e petiscos diversos comprados no mercado do CCB
.Grandjó Late Harvest 2013 (18), com pão de rala e, também, a acompanhar as 12 badaladas na passagem do ano
4º momento (almoço de Ano Novo no Descobre*)
.Qtª Carvalhais Encruzado 2016 ** (17,5), com pica de cogumelos e gema de ovo e, ainda, caril de camarão e sorbet de tangerina
*um grande almoço num original restaurante, a começar bem o ano
**a começar o ano a beber um belo branco do Dão (esta é para o Rui Miguel, do Pingas no Copo)

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

2017 : na hora do balanço (I) - TOP 10 Brancos

Esta é a 1ª crónica, de uma série delas, dedicada ao balanço vínico do ano transacto, contemplando os brancos que mais gostei. Os vinhos seleccionados foram provados/bebidos ao longo do ano, no âmbito dos grupos a que pertenço (Grupo dos 3, Novo Formato+, Grupo dos Madeiras e Grupo dos 6), em família ou com amigos, jantares vínicos e em espaços de restauração. Ficaram de fora os brancos provados em painéis formais (1º concurso Vinho Grandes Escolhas, ex-Escolha da Imprensa) e em provas alargadas, de pé e sem grandes condições para tomar notas, como foi o caso da Garcias (Hotel Ritz), José Maria da Fonseca (By the Wine), Adega Cooperativa da Vidigueira (Espelho d'Água), Mont'Alegre (Sheraton), Bairradão (Hotel Real Palácio), Real Companhia Velha (Le Consulat), Qtª Nova N. Srª do Carmo (Sheraton?), Vinhos do Alentejo (CCB) e Decante Vinhos (Hotel Ritz). Esta metodologia também se aplicará aos tintos e fortificados, a referir em próximas crónicas.
O TOP brancos está organizado por ordem alfabética, para os vinhos com a mesma nota (os 8 primeiros com 18 e os 2 restantes com 17,5+). E eles são:
.Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2012  (V. Verdes)
.Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho 2014 (V. Verdes)
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2015 (Lisboa)
.Lacrau Garrafeira 2011 (Douro)
.Maçanita Os Canivéis 2015 (Douro)
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2014 (Douro)
.Soalheiro Alvarinho 2011 (V. Verdes)
.Terrenus Vinha da Serra 2014 (Alentejo)
.Adega Mãe 221 2015 (V.Verdes/Lisboa)
.Marquês Marialva Grande Reserva 2013 (Bairrada)
Não estão, mas podiam estar (tiveram a mesma nota que os 2 últimos) o Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho 2013 (V. Verdes), Conceito 2013 (Douro), Grandjó Late Harvest 2012 (Douro), Kompassus Reserva 2013 (Bairrada), Portal do Fidalgo Alvarinho 2011 (V. Verdes), Qtª do Ameal Escolha 2015 (V. Verdes), Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2012 e 2015 (V. Verdes).
Também não foram incluídos alguns brancos que já constaram em TOPs de anos anteriores, como é o caso do Primus 2013 (Dão), Soalheiro Alvarinho Reserva 2014, Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2010 e 2011 (V. Verdes).
É de salientar:
.A região Vinhos Verdes e a casta Alvarinho, com praticamente 50 % dos vinhos seleccionados
.A consistência das marcas Soalheiro e Anselmo Mendes
.A presença confortável do Douro
.A quase ausência dos brancos do Dão, uma injustiça (mea culpa)
.A inclusão de marcas fora dos radares da crítica (Casa das Gaeiras, Olho no Pé e Marquês Marialva).
A próxima crónica será dedicada aos vinhos tintos.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Almoço com vinhos fortificados (27ª sessão) : a fechar em glória o 2017

Neste último evento do ano 2017, o chamado Grupo dos Madeiras, na sua máxima força, reuniu na sala privada da Enoteca de Belém. Foi o nosso almoço de Natal. Desta vez, os tachos estiveram à responsabilidade do Rui Marques, braço direito do Ricardo, ficando a orientação do repasto e o serviço de vinhos a cargo do Nelson, uma vez mais. Correu tudo muito bem (gastronomia, copos, temperaturas, ritmo,...), com o desempenho de ambos a merecer nota alta.
A bebida de boas vindas, a acompanhar frutos secos, foi um espumante Loridos, simpática oferta da Enoteca, a cumprir bem a sua missão.
Com os participantes já sentados, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2013 magnum (trazida pelo Modesto) - nariz exuberante, fresco e mineral, presença de citrinos, acidez q.b., algum amanteigado, volume e final de boca assinaláveis. Elegante e equilibrado, pode ser bebido a solo. Nota 18.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2010 (também pelo Modesto) - nariz discreto, alguma evolução e acidez, notas amanteigadas, grande estrutura, mas final de boca médio. Muito gastronómico. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos acompanharam pão e azeite Esporão Virgem Extra, ambos belíssimos e uma surpreendente cavala braseada em cama de legumes e puré de milho.
.Qtª Ribeirinho Baga Pé Franco 2005 (garrafa nº602/1400 levada pelo Juca) - ainda com alguma fruta, acidez evidente, um toque metálico, especiado, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca muito longo. Elegante e complexo. Nota 18,5+.
.Qtª Vallado Adelaide 2005 (garrafa nº727/2000 levada pelo João) - com base em vinhas velhas; nariz contido, alguma fruta e acidez, taninos presentes, especiado, volume e final de boca consideráveis. Concentrado e complexo. Nota 18,5.
Estes 2 tintos harmonizaram bem com um polvo à lagareiro.
.Qtª Carvalhais Único 2009 (garrafa nº2539 levada por mim) - com base maioritariamente na casta Touriga Nacional; aroma intenso, ainda com fruta, notas florais, acidez equilibrada, taninos civilizados, volume e final de boca consideráveis. Elegante e harmonioso. Nota 18,5.
.Four C 2009 (levado pelo J.Rosa) - nariz intenso, agressivo na boca, volume e final de boca intensos, mas muito desequilibrado. Foi o elo mais fraco. Nota 16,5.
Estes 2 tintos casaram com umas belíssimas bochechas de porco preto, puré de batata doce e ervilhas.
.Bastardinho de Azeitão JMF 1927 (da garrafeira do Adelino, tal como os restantes fortificados) - límpido e cristalino na cor, presença de citrinos e frutos secos, acidez equilibrada, taninos presentes, volume e final de boca consideráveis. Impressionante! Nota 18,5+.
.Adega do Torreão Bastardo 1927 - presença de frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho algo excessivo, sabor a garrafa pronunciado, algum volume e final de boca interminável. Controverso, suscitou paixões e desamores. Uma raridade! Nota 17,5.
Estes 2 fortificados de 1927 acompanharam um papo de anjo e fruta laminada.
.Justino's Terrantez Old Reserve - fortificado com algumas dezenas de anos; presença de frutos secos, citrinos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, taninos evidentes, volume e final de boca consistentes. Muito complexo e equilibrado. Outra raridade! Nota 19.
Acompanhou uma tábua de queijos.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes, com algumas raridades que se bebem uma vez na vida (obrigado, Adelino!).