domingo, 31 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (aditamento)

Na minha última crónica sobre o Francisco Albuquerque (FA), onde inventariei as ocasiões em que esteve presente em Lisboa, para apresentar vinhos da Madeira Wine, não cheguei a referir a que decorreu em 24 de Novembro no Hotel Porto Bay Liberdade. Neste evento também esteve o Chris Blandy que teve uma referência elogiosa ao Adelino de Sousa, enófilo madeirense que esteve na origem do nosso grupo de prova de vinhos fortificados.
O FA apresentou 3 Vinhos Madeira Blandy's (1 Colheita e 2 Frasqueiras), recentemente lançados no mercado, a saber:
.Verdelho 2000 - estagiou 16 anos em "canteiro"; muito fresco, salinidade evidente, frutos secos, notas de caril e iodo, algum vinagrinho, volume médio e final de boca longo. Nota 17,5.
.Sercial Vintage 1968 - muito complexo, presença de frutos secos e vinagrinho, notas de iodo, caril e brandy, taninos evidentes, volume considerável e final de boca seco e muito longo. Impressionante! Nota 18,5+.
.Bual Vintage 1957 - complexo e equilibrado, frutos secos, vinagrinho, notas especiadas e balsâmicas, taninos de veludo, volumoso e final de boca muito persistente. Perfeito! Nota 18,5.
Foi mais uma grande sessão, orientada pelo Francisco Albuquerque e com a presença do Chris Blandy.
Esta foi a 1230ª crónica e a última do ano. Ficam por publicar, em 2018:
.Almoço com Vinhos Fortificados (27ª sessão)
.Descobre, Peixe na Avenida e Chutify (curtas)
.O cartaz publicitário da AEVP (curtas)
.Rescaldo das festas 2017/2018

sábado, 30 de dezembro de 2017

Corte Inglês : uma grande aposta enogastronómica

O Corte Inglês apostou forte numa nova área situada no piso 7, que se estende ao longo de 5000 metros quadrados (mais 1000 na esplanada exterior!).
Ali pode encontrar a garrafeira (o Club del Goumet, que veio lá de baixo) que agora ocupa todo o espaço central do 7º piso. Neste momento, deve ser o maior espaço em Portugal na sua componente garrafeira/loja gourmet e com a maior oferta em vinhos de qualidade e produtos de mercearia fina. Tudo boas notícias. A má, é que também os preços estão em consonância.
À semelhança da Time Out, no Mercado da Ribeira, também o Corte Inglês convidou alguns chefes de nomeada para abrirem ali novas antenas dos seus projectos. E eles são:
.José Avillez - Tasca Chic e Jacaré
.Henrique Sá Pessoa - Balcão
.Kiko Martins - O Poke
.Roberto Ruiz - Cascabel (cozinha mexicana)
.Pepe Solla - Atlântico (cozinha galega)
.Aitor Ansorena - Imanol (cozinha basca)
Não entendo porque não convidaram mais um chefe prestigiado (e temos mais uns tantos), em vez de terem dado 2 espaços ao José Avillez. Ele não precisa!
Para além destes espaços gourmet, também se pode usufruir do Wine Bar (vinhos a copo) e de The G Bar (outras bebidas a copo) e dos produtos das marcas de referência (com balcão próprio) Alcôa (doçaria), Godiva (chocolates), Landeau (chocolates), Nannarella (gelados artesanais), La Gondola (conservas), Dammann (chás) e Cigar World (charutos).
Este novo projecto do Corte Inglês, comparado com o Mercado da Ribeira, é mais ambicioso, elitista e, por enquanto, está livre da invasão turística. Mas, por outro lado, prevejo que o acesso ao 7º piso possa ser um inferno, pois o Corte Inglês só dispõe de 2 elevadores para tal.
Logo que possa, irei testar o funcionamento dos novos balcões gastronómicos, tal como fiz no Mercado da Ribeira. Ver para crer.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O regresso ao Magano : o Douro no seu melhor

Tive a oportunidade de regressar ao Magano, a convite de 2 amigos que fazem parte do Grupo dos 6. Os vinhos eram apenas dois (1 branco e 1 tinto em magnum), mas estiveram num patamar de excelência. E eles foram:
.Maçanita Os Canivéis 2015 (garrafa nº 479/866 levada por mim) - produzido pelos irmãos e enólogos Joana e António Maçanita, com base em vinhas velhas (mais de 60 anos) a 600 metros de altitude, tendo estagiado 9 meses em barricas novas; muita fruta, notas florais, acidez notável, um toque de verniz, notas amanteigadas, volume e final de boca assinaláveis. Uma raridade dificil de encontrar. Complexo e gastronómico. Nota 18.
Acompanhou mini empadas, salada de polvo e torresmos.
Voltou a ser bebido no final da refeição, com queijadas de requeijão.
.Qtª da Leda 1999 em magnum (levada pelo João Quintela e Frederico Oom) - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou 12 a 18 meses em barricas novas de carvalho francês; aromas e sabores terciários, alguma fruta e notas vegetais, acidez no ponto e especiado, taninos civilizados, bom volume e final de boca persistente. Fresco, equilibrado e elegante, ainda longe da reforma. Nota 18,5.
Harmonizou com um excelente cabrito no forno, arroz de miúdos e grelos.
No final do repasto, o dono ainda teve a amabilidade de nos dar a provar um surpreedente Vinho Velho do Douro 1965 (Garrafeira Particular do engº José Montenegro Teixeira Leal) - muito complexo, taninos poderosos e final interminável. Servido em balão, comporta-se como um (bom) conhaque.
Acompanhou uma tarte de amêndoa.
Grande sessão, com a gastronomia e o serviço de vinhos à altura dos acontecimentos.
Resta acrescentar que numa das paredes do Magano, está um quadro com um poema da Florbela Espanca (O Meu Alentejo) e uma aguarela, pintada em 2010 pelo arquitecto que transformou o espaço (lamentavelmente escapou-me o seu nome).

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

CR 7 Corner : um golo e outros tantos perdidos

O CR 7 Corner é um simpático espaço de restauração junto à recepção do hotel Pestana CR 7 (Rua do Comércio,54), uma parceria entre o grupo Pestana e o nosso Cristiano Ronaldo.
Fui experimentar o almoço executivo, disponível de 2ª a 6ª feira. Por 11,50 € tem-se direito a comer o couver, sopa/entrada, prato principal, sobremesa, água aromatizada e café, um muito bom preço para um restaurante de hotel. Comi creme de grão com espinafres, polvo assado com batata doce e cappuccino de pastel de nata, tudo com qualidade acima da média.
Mesas despojadas, na onda da moda mas nada higiénico e, em contradição, guardanapos de pano. Serviço simpático, mas demorado e com algumas falhas. Os empregados são, em simultâneo, recepcionistas, bagageiros e responsáveis pelo serviço das mesas, uma espécie de 3 em 1, dando prioridade aos hóspedes do hotel.
Quanto a vinhos, inventariei 1 espumante (era  Gancia, francamente...), 3 champanhes, 8 brancos (os verdes estão à parte), 6 tintos (à temperatura ambiente) e 2 rosés, todos (exceptuando os champanhes) a copo. Lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos.
Na carta do bar constam, ainda, 8 vinhos do Porto, 1 Madeira e 12 cervejas. Esqueceram-se dos Moscatéis, no entanto.
Uma agradável experiência, com um golo do Ronaldo, mas alguns remates ao lado!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (II)

...continuando:
Nesta 2ª parte, procurarei inventariar as ocasiões em que o Francisco Albuquerque (FA) esteve presente na apresentação de vinhos da Madeira Wine, nas quais participei e referi oportunamente neste mesmo blogue. Ficam por relatar mais umas tantas em que não estive (por exemplo, na Garrafeira Nacional e no restaurante Via Graça) ou que nem sequer tive conhecimento.
Ei-las:
."Jantar no Corte Inglês", crónica publicada em 9/5/2010, onde o FA pôs à prova os Blandy's Malvasia 1992 e o grande Bual 1948.
."O Francisco não merecia isto!", em 15/7/2010, onde se fala de uma apresentação de 5 Colheitas e 3 Frasqueiras (Bual 1980,Terrantez 1976 e Bual 1968), seguida de jantar. Este evento foi organizado pelo Rui Lourenço Pereira (Qtª Wine Guide) e decorreu no restaurante do Clube dos Jornalistas.
."Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreendidos", em 12/7/2011, onde se refere um jantar na Commenda (na altura o restaurante de referência do CCB) comemorativo dos 200 anos da Blandy, contando também com a presença do Chis Blandy. Este evento contou com a presença de 60 participantes da Tertúlia Madeirense e 40 antigos amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho, tendo o Adelino de Sousa, ao pertencer simultaneamente aos 2 grupos, sido o grande impulsionador.
No decorrer do mesmo o FA apresentou 13 (treze!) vinhos Madeira, dos quais 5 eram 40 Anos (Cercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malvasia). Foram ainda servidos 6 Frasqueiras, o que incluiu o Bual 1920, a jóia da coroa da Madeira Wine. Bingo!
A equipa da Maria João Almeida, que também esteve presente neste irrepetível evento, entrevistou o FA, o Chris e o Adelino.
."Um jantar com o Francisco Albuquerque", em 22/5/2014, onde se refere um jantar que decorreu no Real Palácio, desta vez com a presença de uma série de responsáveis por pontos de venda e representantes de órgãos da imprensa especializada (Revista de Vinhos e Wine Passion) e generalista. Foram apresentados alguns colheitas de 1998, mas a estrela da noite foi o lançamento nacional do Blany's Frasqueira Malvasia 1988.
."Curtas (LVIII) : as novidades da Blandy (...)", em 5/5/2015, onde se fala numa apresentação de vinhos Madeira no Hotel Porto Bay Liberdade, mais uma vez com o FA.
."A Madeira em Lisboa", em 8/12/2015, onde se refere uma nova apresentação no Porto Bay, que contou também com a presença do Chris Blady, tendo o FA apresentado 1 Colheita e 5 Frasqueiras, com destaque para o fabuloso Terrantez 1977.
."Vinhos da Madeira em Lisboa : Barbeito, Blandy's e Borges", em 10/11/2016. Este evento, um dos acontecimentos do ano 2016, foi organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas (João e Sara Quintela) e decorreu na sala nova do restaurante Casa do Bacalhau, totalmente lotada. Para além da presença do FA que apresentou 4 vinhos Madeira, também estiveram o Ricardo Diogo (Barbeito) e o Ivo Couto (Borges) com mais outros tantos.
Resta dizer que o grupo de prova de vinhos Madeira, do qual faço parte, já participou em 27 almoços ou jantares, onde em todos eles se provam/bebem néctares daquela ilha.
Mas, por  ter sido muito especial, realço o jantar na Casa da Dízima, por iniciativa do Adelino e com a presença do FA, onde também participaram, como nossos convidados, a Sandra Tavares da Silva e o Jorge Serôdio Borges. Este evento deu origem à crónica "678 anos de vinhos fortificados (...)", publicada em 15/12/2015.
A lista vai longa, mas creio que chega para confirmar que o Francisco Albuquerque teria merecido ser referido pelo Pedro Garcias no artigo da Fugas citado na 1ª parte desta crónica.
 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Francisco Albuquerque : injustiçado uma vez mais (I)

O Francisco Albuquerque, reputado enólogo da Madeira Wine, foi injustiçado mais uma vez. A primeira tem a haver com o facto de o seu valor ser reconhecido lá fora (foi nomeado o melhor enólogo do mundo por mais de uma vez), enquanto por cá tardaram em lhe fazer justiça.
Para memória futura, recordo algumas das crónicas que publiquei na altura, nomeadamente "Francisco Albuquerque mais uma vez injustiçado" em 21/2/2011, "Blandy e Francisco Albuquerque : os incompreedidos", em 12/7/2011 e "Rescaldo dos Prémios 2011 da Revista de Vinhos", em 12/2/2012.
Vem isto a propósito de um artigo de opinião do Pedro Garcias, publicado há cerca de 2 meses (21/10) na Fugas, referindo-se ao vinho da Madeira "(...) nos últimos anos, este vinho fortificado tem vindo a ser descoberto pelos portugueses, graças, acima de tudo, a uma pessoa: Ricardo Diogo, da casa Barbeito. (...) popularizando-o, sobretudo, entre os enófilos e as novas gerações de enólogos. (...)".
Não tenho nada contra o Ricardo Diogo, mas acho de uma grande injustiça o Pedro Garcias não ter mencionado o Francisco Albuquerque, para mim e para o meu grupo de militantes dos vinhos da Madeira (à cabeça dos quais está o Adelino de Sousa, advogado madeirense radicado em Lisboa, grande conhecedor destes vinhos e já elogiado publicamente pelo Chris Blandy, CEO da Madeira Wine), o grande difusor dos néctares de excelência da Madeira Wine.
Esclareça-se que também nada tenho contra o Pedro Garcias, crítico de vinhos na Fugas e produtor no Douro (considero o seu branco Mapa Vinha dos Pais, um dos melhores que se fazem por cá), antes pelo contrário. Já me referi a ele, abonatoriamente, por mais de uma vez, nomeadamente nas crónicas "Pedro Garcias, um crítico emergente", em 22/8/2010, "Vinhos Fortificados : as minhas preferências", em 16/6/2012, e "Confronto de revistas de vinhos e a Fugas"), em 16/5/2017 (no ponto 2."A Fugas : uma pedrada no charco").
Em próxima crónica, procurarei inventariar as diversas acções de divulgação, em Lisboa (naturalmente não serão todas, pois de algumas não tive conhecimento), por parte do Francisco Albuquerque.
continua...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Pesqueiro 25 : sim, mas...

Perante tantos elogios ao Pesqueiro 25 (R. Nova do Carvalho,15-1º andar, ao Cais Sodré), não resisti à curiosidade e, recentemente, fui visitá-lo. Como não sou um grande amante de marisco, mostrei, ao empregado que me atendeu, interesse no menú de almoço do qual tive conhecimento através da net. Qual foi o meu espanto ao dizer-me que desconhecia tal facto, pois nem sequer constava na ementa. Foi um dos sócios, que se apercebeu da conversa, que me ajudou. De facto, existe mesmo um menú de almoço a 15,25 €, com direito a sopa de legumes, prego de atum, bebida "soft" e café. De lamentar que não conste da lista, nem os empregados saibam de tal coisa. Mistérios insondáveis do Pesqueiro 25...
Este espaço fica no 1º andar de um hotel, embora independente na sua gestão por parte dos sócios, dos quais faz parte o chefe João Mendes, responsável pelos tachos e fogões, que muito simpaticamente foi à minha mesa e falou comigo mais de uma vez. Mesas despojadas, como está na moda, louça e guardanapos personalizados, a contrastar. Ambiente pesado, com a predominância do negro (teto, cadeiras, algumas mesas e paredes). Como mais valia, no tempo frio, no dia em que fui estavam a inaugurar a lareira.
Em abono da verdade, tudo o que comi, tanto a sopa de legumes como o prego de atum dos Açores em bolo do caco, sucolento e avantajado, estavam muito bons. O prego, neste momento, deve ser o melhor que se pode encontrar em Lisboa.
A carta de vinhos precisa de levar uma grande volta. Os anos de colheita e os fortificados não constam, os vinhos "verdes" estão àparte e a copo só o vinho da casa. Inventariei 4 espumantes, 4 champanhes, 19 brancos (3 são colheita tardia), 8 tintos e 4 rosés. Cervejas, só as industriais, o que é uma pena num espaço que aposta forte na mariscaria.
Bebi um copo do Papa Figos 2016 - com muita fruta e a irreverência da idade, alguma acidez, taninos dóceis, algum volume e final de boca curto. Simples e correcto, é para beber novo. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo adequado e a uma temperatura aceitável.
No final, muito simpaticamente e para compensar os deslizes iniciais, não me cobraram o copo de vinho.
Pazes feitas!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Novo Formato+ (29ª sessão) : Madeira, Alvarinho, Dão e Douro em grande

Esta última jornada foi da minha responsabilidade, tendo partilhado 8 vinhos da minha garrafeira (2 brancos de 2014, 2 tintos de 2009, 2 tintos de 2011 e 2 fortificados) com este grupo de enófilos amigos (desfalcado de um casal por motivo de doença). O repasto decorreu na sala privada da Enoteca de Belém, tendo o serviço de vinhos ficado a cargo do Nelson, escanção com provas dadas e nosso conhecido desde os tempos de A Commenda, o antigo restaurante do CCB. Com excepção dos fortificados, os restantes 6 vinhos foram provados às cegas, depois de decantados. Copos Riedel e Schott. Serviço de 5 estrelas!
O responsável pelos tachos foi o chefe Ricardo, tendo a comida, que harmonizou com os vinhos, sido empratada pelos seus ajudantes na própria sala.
Desfilaram:
.Blandy's Verdelho 1977 (engarrafado em 2004) - presença de frutos secos e casca de laranja, notas de iodo, brandy e caril, vinagrinho intenso mas não agressivo, volume considerável e final de boca muito longo. Fino, elegante e complexo. Um grande Madeira. Nota 19. 
Este vinho fortificado foi servido no início como bebida de boas vindas, acompanhado com frutos secos e, no final do repasto, com cajú crocante da "Bolos & Bolachas", comprado horas antes no imperdível mercado do CCB (1º Domingo de cada mês e, agora, também no dia 17 de Dezembro).
.Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho - 93 pontos no Parker e Ouro nos prémios 2017 da antiga Revista de Vinhos; estagiou 9 meses em barricas novas de carvalho francês; cítrico, fresco e mineral, notas florais, boa acidez, volume e final de boca médios. Muito elegante, pode ser bebido a solo. Uma semana depois da garrafa aberta, o vinho evoluiu muito bem. Nota 18.
.Soalheiro Reserva Alvarinho - mais exuberante e evoluido, acidez equilibrada, notas amanteigadas, mais volumoso e com final de boca mais comprido. Muito gastronómico, precisa de comida por perto. Nota 18.
Um empate técnico entre estes 2 brancos, com perfis diametralmente opostos.
Acompanharam um belíssimo atum lascado em cama de legumes.
.Qtª Falorca Noblesse Oblige (garrafa nº 2902/3733) - 94 pontos no Parker; com base na casta Touriga Nacional, 25 % estagiou em barricas novas durante 20 meses; aroma intenso, frutado, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. Elegante e equilibrado. Nota 18.
.Qtª Pellada Carrocel Late Realesed - 95 pontos no Parker, 92 na Wine Spectator e 18,5 na antiga Wine; com base na casta Touriga Nacional (100 %), foi engarrafado apenas em Janeiro 2015; nariz muito presente, acidez vibrante, ainda com muita fruta e notas florais, taninos de veludo, volume e final de boca impressionantes. Nota 18,5.
Estes 2 tintos do Dão, casaram com um bom bacalhau à lagareiro, embora demasiado "light".
.Passagem Grande Reserva (garrafa nº 879) - 95 pontos no Parker e o melhor do ano 2016 na antiga Wine; com base nas castas Touriga Franca (45 %), Touriga Nacional (40 %) e Tinto Cão (15 %); ainda com muita fruta preta, acidez no ponto, especiado, volume consideràvel e final muito persistente. Fresco e elegante. Nota 18,5.
.Ferreirinha Reserva Especial - acabado de chegar ao mercado (comprei-o ao Clube 1500 da Sogrape); com base nas castas Touriga Franca (45%), Touriga Nacional (30 %), Tinta Roriz (15 %) e Tinto Cão (10 %); ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos impressionantes mas não agressivos, grande volume e final de boca muito longo. Complexo, com um cheirinho a Barca Velha. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos harmonizaram muito bem com uma presa de porco ibérico.
.Taylor's Edição Limitada do 325º Aniversário - é um blend de tawnies de 10, 20, 30 e 40 anos, lançado numa garrafa recriada a partir de um original dos finais do século XVII; frutos secos, alguma fruta vermelha, acidez nos mínimos, taninos civilizados, algum volume e final de boca. A pouca  complexidade pressupõe que a percentagem de 10 anos será maioritária. Alguma desilusão. Nota 17.
Acompanhou um excelente crumble de maçã, queijos (Manchego e São Jorge cura de 6 meses) e fruta laminada.
Foi mais uma grande sessão de convívio, embora prejudicada com as ausências referidas, vinhos de eleição, gastronomia e serviço, por parte da Enoteca, à altura dos acontecimentos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Curtas (XCIV) : Casa de Pasto e Cervejaria Nunes, dois espaços recomendáveis

1.Casa de Pasto
Ainda não tinha ido a este espaço com a nova equipa, cujo responsável pelos pratos é o chefe Hugo Castro, vindo do Tabik. Sobre a anterior, já me tinha manifestado em "Almoço na Casa de Pasto" e no ponto 2 (Casa de Pasto revisitada) de "Curtas (XXVI)", crónicas publicadas em 4/2 e 25/3/2014.
Em visita recente, tive a oportunidade de saborear:
.rissóis de berbigão à Bolhão Pato (massa demasiado grossa) e sonhos de línguas de bacalhau (no ponto)
.mão de borrego solta à Avó Sãozinha (uma grande e saborosa dose para 2 pessoas, que ainda sobrou para um jantar em casa)
.doce da casa (divinal)
Optei por beber um dos vinhos a copo (oferta reduzida), o tinto Pedra Cancela 2015, muito fresco e frutado, com taninos civilizados, volume e final de boca médios, harmonizou com o borrego. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servido em quantidade generosa.
A voltar, seguramente.
2.Cervejaria Marisqueira Nunes
Este espaço fica a 2 passos da minha casa, já lá fui "n" vezes, mas nunca publiquei nada no blogue, uma falha minha, sem qualquer dúvida. Vou hoje redimir-me.
A Nunes é considerada, sem qualquer exagero, uma das mais conceituadas cervejarias de Lisboa, senão a melhor. Além da mariscada, também se pode comer um bom peixe. O serviço é muito profissional e a maior parte dos empregados está lá desde a inauguração, o que quer dizer alguma coisa.
Nesta última visita provei um belíssimo casco de sapateira e uns saborosos polvinhos à lagareiro, acompanhados por uma cerveja bohemia.
Quanto a vinhos a aposta é forte, com uma lista pujante, em suporte electronico, onde não faltam os néctares mais badalados.
Recomendo, sem sombra de dúvida.
Mais informações em nunesmarisqueira.pt.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Grupo dos 6 (6ª sessão) : aposta forte na colheita de 2011 e num Madeira ABS

Nesta última sessão, este grupo de enófilos militantes fez agulha para o restaurante Magano (R. Tomás da Anunciação) que eu não conhecia (uma falha no meu curriculo). O Magano pratica uma cozinha alentejana de qualidade e tem uma especial atenção para o serviço de vinhos (espaço garrafeira climatizado, carta de vinhos alargada e criteriosa e bons copos). Apoiou-nos o proprietário e simultaneamente chefe de sala, Marco Luis de seu nome.
Foi uma grande sessão, com uma selecção de vinhos de semear invejas. E eles foram:
.Champagne Les Bermonts Marguet Grand Cru 2012 (oferta do Frederico) - com base na casta Chardonnay (100 %) fez o degorgement apenas em Maio 2017; bolha fina, mas com excesso de gás e espuma, não fez a minha felicidade. A culpa é minha, pois não aprecio este estilo.
Acompanhou uma série de saborosas tapas (salada de polvo, cogumelos recheados, empadas, peixinhos da horta, carapaus fritos, presunto e torresmos).
.Soalheiro Alvarinho 2011 magnum (levado pelo João) - nariz exuberante, muito fresco e cítrico, ligeira evolução a não denunciar a idade, acidezquilibrada, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca apreciável. Muito longe da reforma. A casta Alvarinho no seu melhor. Nota 18.
Harmonizou com uma sopa de tomate com garoupa e ovos escalfados.
.Qtª Vale Meão 2011 (levado pelo Frederico) - pontuado com 97 em 100 pela Wine Spectator; nariz discreto, ainda com fruta vermelha, acidez no ponto, notas vegetais e especiadas, taninos presentes, volume evidente e final de boca persistente. A beber nos próximos 8/9 anos. Nota 18,5.
.Pintas 2011 (levado por mim) - pontuado com 98 em 100 pela Wine Spectator; aroma contido, fresco, ainda com fruta, boa acidez, notas especiadas, taninos civilizados, bem estruturado e final de boca muito longo. Complexo e longevo, a beber nos próximos 10/12 anos. Nota 18,5+.
.Legado 2011 (levado pelo J.Rosa) - não foi a votos na Wine Spectator, que eu saiba; nariz mais exuberante, fruta presente, acidez muito equilibrada, notas especiadas, taninos de veludo, volumoso e final de boca apreciável. Perfeito e deveras impressionante, neste momento. Embora com um estilo algo diferente, não fica a perder com o Barca Velha. A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 19.
Estes 3 tintos de eleição casaram bem com uma costela mendinha com grelos.
.Artur Barros e Sousa Sercial 1976 (levado pelo Adelino) - engarrafado em 2006; frutos secos, notas de iodo e brandy, vinagrinho, taninos dóceis, algum volume e final de boca comprido. Genuino e típico Madeira. Nota 18,5.
Muito seco, não ligou bem com as queijadas de requeijão, mas foi perfeito com uma tarte de amêndoa e nougat.
Esclareça-se que este vinho não estava previsto entrar no final do repasto, mas sim depois da sopa para pôr o palato a zeros.
Foi uma grande e inesquecível sessão. Só foi pena que o Juca, outro enófilo deste grupo, não tivesse podido participar (ele traria um Madeira FEM Muito Velho para a sobremesa).

sábado, 2 de dezembro de 2017

Vinhos em família (LXXXIII) : 4 tintos de 2011

Mais uns tantos vinhos, agora todos tintos e da famosa colheita de 2011, provados com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Não houve desilusões, nem grandes paixões, mas com o Qtª Crasto Vinhas Velhas a impor-se.
E eles foram:
.J de José de Sousa - com base nas castas Grand Noir, Touriga Franca e Touriga Nacional, fermentou em ânforas de barro e estagiou 14 meses em meias pipas de carvalho francês; ainda com muita fruta, notas de lagar, algo especiado, acidez no ponto, taninos presentes, volume e final de boca assinaláveis. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Qtª Crasto Vinhas Velhas - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; ainda com frutos vermelhos presentes mas já com aromas e sabores terciários, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos domesticados, algum volume e final de boca bem persistente. É um vinho que, de ano para ano, mantém um padrão de qualidade sempre elevado. Um valor seguro e longe da reforma, pode ser bebido nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
.Canameira Grande Reserva (garrafa nº 898/3000) -  muita fruta presente, fresco e elegante, notas especiadas e esteva, alguma acidez e volume e final de boca médio. É um tinto do Douro Superior pouco conhecido, mas com uma boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas - estagiou 40 meses em barricas; alguma fruta preta e vermelha, notas vegetais, acidez discreta, , taninos civilizados, algum volume e final de boca. Sóbrio, fresco e elegante. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 17.