quinta-feira, 27 de abril de 2017

Boas notícias : 25 de Abril, Quando Portugal Ardeu, Barca Velha e OliStori

1.25 de Abril
A boa notícia é que o espírito de Abril ainda está vivo e não se esgotou na geração que o viveu. Milhares de pessoas manifestaram-se em Lisboa, com alegria e militância. Mais, parte considerável dos manifestantes era jóvem, o que sinceramente me surpreendeu.
Depois de ter almoçado na Associação 25 de Abril, também me incorporei na manifestação onde encontrei amigos que já não via há algum tempo.
A outra boa notícia é que os militares de Abril voltaram ao Parlamento, do qual se tinham afastado por motivos óbvios.
E para o ano, há mais. 25 de Abril, sempre!
2.Quando Portugal Ardeu
É o título de um oportuno livro da autoria de Miguel Carvalho, jornalista de investigação no semanário Visão, editado nas vésperas do 25 de Abril pela Oficina do Livro. Como sub-título lê-se "Histórias e segredos da violência política no pós-25 de Abril", tendo como pano de fundo a rede bombista e os contra-revolucionários do MDLP. Para a geração que viveu estes tempos é importante recordar e, para as gerações mais novas é importante conhecer.
É, portanto, uma boa notícia. Já o li num fôlego e recomendo-o.
2.Barca Velha 2008
Outra boa notícia: o Barca Velha 2008 acabou de obter 100 pontos, atribuídos pela revista norte americana Wine Enthusiast, a nota mais alta desde sempre conseguida por um vinho português não fortificado. Parabens à Sogrape e à sua equipa de enologia, encabeçada pelo Luis Sottomayor.
Já tive a ocasião de provar este portentoso vinho e dele dei notícia na crónica "Vinhos em família : Barca Velha e outros", publicada em 7/3/2017, onde referi "(...) será talvez o melhor Barca Velha de sempre (...). Nota 19". Mas, pelos vistos, fui somítico na nota dada.
3.OliStori
Mais uma boa notícia: abriu recentemente a OliStori (Rua da Madalena,137), uma loja que apostou fortemente nos azeites portugueses de referência. Em parte, a respectiva selecção de azeites, inspira-se no livro "Os melhores 100 Azeites de Portugal" do jornalista Edgardo Pacheco (editora Lua de Papel), que recomendo vivamente.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (IV) : Qtª do Vallado e Qtª Nova N. Srª do Carmo

...continuando:
1.Qtª do Vallado
Tive muita pena que o Francisco Ferreira, um dos mediáticos Douro Boys, não pudesse ter aparecido para lhe dar um grande abraço e recordar os bons velhos tempos das Coisas do Arco do Vinho (CAV). Eu já estive aqui por diversas vezes, mas é sempre um prazer voltar.
Fomos recebidos pela Joana Gomes, uma enóloga responsável pelo enoturismo da Qtª do Vallado, que nos conduziu e guiou, com o maior dos profissionalismos e simpatia, pela adega nova e sala das barricas. Também tivemos oportunidade de provar os seguintes vinhos:
.2016 branco (correcto, mas sem impressionar)
.2015 tinto (idem)
.Touriga Nacional 2014 (estruturado e complexo, volume e final de boca apreciáveis)
.Reserva 2014 (com base em vinhas velhas, grande complexidade, mas a precisar de tempo para se harmonizar)
.Tawny 10 Anos (com um bom potencial, parecendo ter mais uns anitos, está ao nível do R P provado na véspera)
2.Qtª Nova
Já a conhecia na versão antiga onde, a convite do casal Fátima Burmester e António Pimenta, passei um fim de semana com a minha mulher. A Qtª Nova, agora pertença da família Amorim, foi ampliada e modernizada.
Em representação da Luisa Amorim fomos recebidos pela Paula Sousa, responsável pelo enoturismo,  já minha conhecida dos tempos das CAV, que nos conduziu directamente para o restaurante (o Conceitus Winery, cujo chefe estava presente e dá pelo nome de Rui Frutuoso).
Durante o repasto e apresentados pela Paula Sousa, desfilaram:
.Qtª Nova 2014 tinto - aromas primários, muita fruta vermelha, alguma acidez, taninos presentes, volume e final médios. Nota 16.
Não gostei da ligação com o belíssimo caldo verde, tosta de broa e chouriço.
.Grainha Reserva 2015 branco - com base nas castas tradicionais do Douro a que se juntou a Fernão Pires, estagiou 15 meses em barrica - presença de citrinos e fruta cozida, alguma acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca agradáveis. Nota 16,5+.
Maridou bem com um saboroso carpaccio de polvo (também ligaria com o caldo verde, em minha opinião).
.Qtª Nova Grande Reserva 2013 (previamente decantado) - com base em vinhas velhas e Touriga Nacional, estagiou 18 meses em barrica; aroma envolvente, frutado, complexo e especiado, acidez equilibrada, taninos presentes, volume e final de boca notáveis. Grande potencial de evolução, melhor daqui a 6/7 anos. Nota 18.
Harmonizou com um naco de vitela, batata a murro e legumes salteados. Pena que alguma carne, embora saborosa, tivesse demasiado al dente.
.Qtª Nova LBV 2012 - nariz contido, muita fruta, taninos ainda por domar, final doce. Nota 16.
Não ligou muito bem com a sobremesa (crocante de leite de creme com gelado de nata). Harmonizaria melhor com uma sobremesa à base de chocolate.
O serviço foi eficiente e esclarecido, com os vinhos a chegarem à mesa antes dos pratos.
Depois do almoço, a Paula Sousa, muito profissional e o braço direito da Luisa Amorim, mas também simpática e divertida, conduziu-nos numa visita à adega e sala das barricas. No final ainda tivemos a oportunidade de provar 3 vinhos (Pomares 2015 branco, Qtª Nova Reserva 2014 e Grainha Reserva 2014).
continua...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

No rescaldo do peixe em Lisboa 2017

Este ano o Peixe em Lisboa sofreu várias alterações, umas para melhor e outras para pior.
Em primeiro lugar, a localização. Saíu do Pátio da Galé, em pleno Terreiro do Paço, onde era fácil de chegar, para se espraiar no renovado Pavilhão Carlos Lopes, onde quem leve carro não é nada fácil estacioná-lo. Tinha, de facto, mais lugares sentados, mas eu gostei francamente das edições anteriores.
Em segundo lugar, a parceria com os meus amigos da José Maria da Fonseca terminou. Em sua substituição, um balcão de vinhos da Região de Lisboa que possibilitava, a copo, o consumo de 2 espumantes, 21 brancos (3 eram colheitas tardias), 8 rosés, 12 tintos (lamentavelmente todos à temperatura ambiente), 3 licorosos e 2 aguardentes. Preços de 2 a 8 €. Apesar desta maior oferta, eu preferia a modalidade vinhos da JMF.
Em terceiro lugar, o sistema de pagamento. Acabou o antigo sistema de senhas e à entrada cada participante recebia um cartão tipo MB que ia acumulando as despesas feitas, a pagar à saída. Muito mais prático, embora perigoso pois passei a gastar algo mais.
Dos 10 restaurantes presentes, experimentei 6 no total das duas visitas:
.Boi-Cavalo - lingueirão, miso, beterraba e trigo sarraceno (curioso, nada mais do que isso)
.Sá Pessoa - polvo assado, molho romesco e alcaparras (muito saboroso, talvez o melhor prato provado)
.Kiko Martins - mini sandes de choco e camarão (uma delícia)
.Bertílio Gomes - carapau curado, muxama, framboesas e caldo de tomate (interessante)
.Paulo Morais - terrina de foie gras com peixes curados (saboroso, mas servido demasiado frio)
.Ibo - croquetes de sapateira com maionese de lima (não sabia à dita sapateira, uma pena)
Alguns dos chefes responsáveis estavam presentes, nomeadamente o Sá Pessoa, o Paulo Morais, o Bertílio Gomes e o João Pedrosa (do Ibo), o que é de louvar.
Bebi, no primeiro dia, uma deliciosa cerveja 1927 Munich Dunkel (2 €) e, no segundo, um copo de branco Qtª Chocapalha Arinto 2015, fresco e mineral (6 €, algo exagerado).
Uma curiosidade: este ano não houve borlas no café que era, novamente, Nexpresso.
Resumindo e concluindo, o meu voto é para que o Peixe em Lisboa regresse ao Terreiro do Paço. Tenho dito!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (III) : o DOC

continuando:
Este imperdível restaurante em Folgosa do Douro, praticamente em cima do rio, já era meu conhecido. A minha estreia em 2007 foi algo frustante, mas a revisita em 2011 apagou a má impressão inicial, tendo-o considerado "uma referência não só no Douro, como no resto do país e vale todos os euros da conta", em crónica publicada em 16/7/2011 com o título "Rescaldo da ida ao Douro (I) : o DOC...".
Calhou agora ter ficado numa mesa com vista para um ecran de televisão ligado à cozinha, podendo acompanhar o que por lá se fazia e que não era pouco. Contei 11 empregados em diversas tarefas à volta dos tachos e somando-os aos 9 que estavam na sala, davam a inacreditável soma de 20, debaixo da batuta da Cristina Canelas, mulher do chefe, muito dinâmica, eficiente e simpática. O Rui Paula não estava, mas entrou em directo via skype e falou com algumas pessoas. Mais:
.O Doc tem um espaço climatizado para vinhos, com capacidade para 2000 garrafas. Uau!
.As empregadas que punham os talheres na mesa, faziam-no de luva branca. Afinal não é só na Mesa de Lemos...
.Os vinhos chegavam à mesa sempre antes de a comida, em bons copos Scohtt e um serviço de 5 estrelas.
.A ementa impressa com o menu do grupo era muito pormenorizada, incluindo não só o que íamos comer, mas também os vinhos que iam ser servidos, com a indicação dos respectivos produtores, enólogos, castas e teor alcoólico. Uma mais valia.
Quanto a comeres e beberes, desfilaram:
.Espumante Terras do Demo que desempenhou bem o papel de vinho de boas vindasa e acompanhou um carpaccio de vitela com gelado de chili e quejo parmesão.
.Mapa 2015 branco - fresco e mineral, com alguma acidez, mas notas muito vegetais e um final amargo desagradável. Nota 15,5.
Harmonizou com um robalo, arroz selvagem e legumes salteados.
.Mapa Reserva 2014 tinto - aroma intenso, frutado, acidez equilibrada, notas de esteva, taninos civilizados, alguma rusticidade, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Maridou com cachaço de porco, puré de aipo e espargos.
Antes da sobremesa foi servido um limpa palato muito refrescante.
.Rozés Infanta Isabel 10 Anos - ainda com fruta preta, mas já com notas de frutos secos e brandy, alguma acidez e taninos, final de boca médio e doce. Nota 16,5
Fez companhia a um crepe de leite creme crocante e frutas exóticas.
Resumindo e concluindo, este jantar no DOC foi um dos pontos mais altos da nossa viagem. A gastronomia e o serviço foram de grande qualidade, mas foi pena que os vinhos servidos não estivessem à altura dos acontecimentos. Mas não se pode ter tudo...
continua...

sábado, 15 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (II) : Quinta da Ervamoira

...continuando:
Na primeira jornada fizemos uma directa de Lisboa à Quinta da Ervamoira, um sonho que José António Rosas, na altura administrador da Ramos Pinto, conseguiu tornar realidade, após um esforço hercúleo que começou em Lisboa e acabou no Douro Superior. É uma das quintas mais emblemáticas do Douro e quem nunca lá foi,não conhece verdadeiramente aquela Região!
O grupo foi recebido pelo João Nicolau de Almeida, sobrinho do José Rosas e um grande senhor no mundo do vinho, que nos obsequiou com um Porto Branco (o Adriano White Reserve) e orientou uma prova antes do almoço, tendo apresentado o Adriano Reserva e os R P 10, 20 e 30 Anos, em "crescendum" de qualidade.
O almoço, que começou já passava das 14h30 (um ponto a rever em próximas visitas), desenrolou-se junto ao Museu e debaixo do grande alpendre que já nos albergara quando ali estive com o grupo de amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho.
Na mesa, uma ementa impressa com a indicação do menú regional que constava de um creme de cenoura, uma feijoada à transmontana, óptima para recuperar energias, e um gelado de figo a fechar.
Acompanharam:
.Duas Quintas 2014 - nariz contido, muita fruta vermelha, alguma acidez e rusticidade, volume e final médios. Servido em copo Riedel e gastronómico, casou bem com a feijoada. Nota 16,5.
.R P 10 Anos - já com pouca fruta, frutos secos a imporem-se, notas de maracujá e algum brandy, taninos evidentes, volume e final de boca médios. Nota 16,5+.
No final do repasto e após a oferta de uma garrafa de Duas Quintas Reserva 2014 a cada um de nós, com o rótulo personalizado pela Tryvel, a Ana Filipa Correia conduziu uma visita ao imperdível Museu que, segundo o folheto que nos foi distribuído, inclui " (...) peças da época da ocupação romana e da Idade Média (...) e alguma garrafas históricas da Ramos Pinto (...)".
Curiosamente, reencontrámos (a minha mulher e eu) a Sónia Teixeira que nos guiou na nossa primeira visita à Quinta da Ervamoira, ainda no século XX! Ela é uma mulher tipo 3 em 1, pois é motorista, guia e serve à mesa, além de muito simpática.
Esta primeira etapa foi, para mim, o ponto mais alto da viagem ao Douro. Agradeço ao Rui e à Maria João, a oportunidade de voltar a revisitá-la!
Antes do jantar, tivemos ainda a oportunidade de assistir, na Quinta da Roeda (Croft), à abertura a fogo de uma garrafa de Porto Vintage 2002, que também tivemos a ocasião de provar. É sempre um espectáculo!
Continua...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (I) : mais outra grande jornada

Depois de ter participado numa viagem ao Dão, a qual deu origem a 6 crónicas neste blogue, sendo a primeira "Enoturismo no Dão (I) : uma jornada inesquecível", publicada em 8/10/2016, seguiu-se-lhe uma grande jornada no Douro, passando ao lado de uma visita ao Alentejo, cujas datas (nos primeiros dias de Dezembro) não eram nada aliciantes.
Mais uma vez, os responsáveis foram o Rui Nobre, o promotor destas viagens, e a Maria João Almeida, a animadora no terreno. Estão, ainda, previstas até ao final do ano viagens aos Açores, Rioja, Tokaji, Mendoza e Toscania. Mais informações em tryvel.pt/trywine.
Voltando ao Douro, visitámos a Quinta da Erva Moira (talvez o momento mais alto da viagem e onde almoçámos), a Quinta da Roeda (apenas para assistirmos a uma demonstração de abertura a fogo de uma garrafa de Porto Vintage), Quinta do Vallado, Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo (onde almoçámos) e Quinta do Portal (onde almoçámos). Jantámos no DOC (outro momento muito alto da jornada) e no Castas e Pratos (o menos conseguido), tendo ficado alojados 2 noites no magnífico Hotel Vintage House.
O balanço da viagem foi altamente positivo, apenas alertando para o facto de em próximas edições ser revista a utilização de um autocarro nada apropriado a transitar nas estradas do Douro, que obrigou o motorista, aliás de 5 estrelas, a fazer manobras em excesso.
Se não me enganei no inventário, provámos no decorrer desta viagem 12 vinhos (2 brancos, 3 tintos e 7 Portos) e bebemos às refeições mais 19 vinhos (4 brancos, 7 tintos e 8 Portos), num total de 31 néctares. É obra!
À semelhança do enoturismo no Dão, a Tryvel distribuíu uma pequena brochura a cada um dos participantes, que incluía o programa, informação sobre o alojamento, consehos úteis e uma história resumida de cada local visitado. Remeto para o livro "Guia do Enoturismo em Portugal" da Maria João Almeida, o desenvolvimento das histórias de cada produtor.
Em próximas crónicas, que poderão não ser consecutivas, desenvolverei a visita a cada um dos locais citados.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Grupo dos 6 : tintos de 2008 e 1 Fonseca 1997

Este novo grupo de partilha de bons néctares, constituído à volta de um Bual 1920 (ver crónica "Almoço com Bual 1920 e outras pingas de eleição" publicada em 14/2/2017) voltou a juntar-se à volta de outras boas pingas (2 brancos surpresa, 3 tintos de 2008 e 1 Fonseca Vintage 1997) que se portaram muito bem. O repasto foi no Comendador Silva, descoberto há pouco tempo (ver crónica "Grupo dos 3 (...)" publicada em 26/3/2017) e que merece todos os elogios, embora peque por ter 2 televisores ligados, embora sem som. Não havia necessidade...
Mas vamos aos beberes e comeres que os acompanharam. E eles foram:
.Lacrau Garrafeira 2011 (levado pelo Frederico) - com base em vinhas velhas; aroma intenso, presença de citrinos e fruta cozida, ligeira oxidação, acidez equilibrada e notas amanteigadas, madeira bm casada, volume e final de boca notáveis. Um branco surpreendente, lançado há pouco tempo. Nota 18.
.Vinha dos Amores Encruzado 2014 (levado pelo João) - veio ocupar o lugar dos Condes e Condessas de Santar, marca descontinuada; muito aromático com citrinos bem presentes, fresco e mineral, acidez acentuada, elegante e harmonioso, estrutura e final de boca médios. Nota 17,5.
Estes brancos acompanharam pastéis de bacalhau, croquetes de alheira e uma belíssima sopa de peixe e marisco.
.Leo d´Honor 2008 (levado pelo Juca) - 100 % da casta Castelão; nariz contido, boa acidez, notas químicas, especiado, taninos civilizados, algum volume e final longo. Uma boa surpresa e a Castelão no seu melhor. Nota 18.
.Qtª Vale Meão 2008 (levado pelo J.Rosa) - com base nas castas Touriga Nacional (55 %) e Touriga Franca (30 %) e outras (15 %); cor muito viva, ainda frutado, acidez equilibrada, taninos muito presentes mas civilizados, grande volume e final de boca extensíssimo. O Douro no seu melhor. Nota 18,5+.
.Três Bagos Grande Escolha 2008 (levado por mim) - aromas terciários, belíssima acidez, taninos de veludo, especiado e complexo, muito elegante e harmonioso, volume e final de boca equilibrados. Nota 18,5.
Estes tintos harmonizaram com um bacalhau com puré de grão e grelos e, ainda, com um naco da vazia com puré de batata.
.Fonseca Vintage 1997 (levado pelo Adelino) - ainda muito frutado e jóvem, alguma doçura, taninos presentes e bem comportados, volume acentuado e final de boca persistente. Há que esperar por ele mais uns anitos. Nota 18.
Acompanhou pão de ló de chocolate.
Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes.

domingo, 9 de abril de 2017

Curtas (LXXXVI) : os Imperdíveis e 2 novos espaços

1.Imperdíveis
Já aqui referi, por diversas vezes, este interessante e imperdível programa do Porto Canal, focado no mundo do vinho. No entanto, como no melhor pano pode cair uma nódoa, este novo formato não é excepção. A parte do programa dedicada a uma prova cega de vinhos não tem qualquer lógica e não faz nenhum sentido ao comparar o que não é comparável. Num dos últimos episódios que vi, a prova cega dedicada a vinhos da Madeira até 30 € metia no mesmo saco:
.Cossart Gordon Bual 2005
.Henriques & Henriques Single Harvest 1997
.Barbeito Single Harvest Tinta Negra 2004
.Blandy's Single Harvest Malmsey 2006
.Borges Malmsey 1998
Castas e anos de colheita diferentes, tudo ao molho. Francamente! Ó senhores dos Imperdíveis, corrijam lá esse disparate!
2.Nova
É um novo espaço, misto de loja e bar, que se situa em pleno Chiado (R. Nova do Almada,20). O seu mentor é o Pedro Caixado, ligado ao nascimento do nosso (do Juca e meu) projecto Coisas do Arco do Vinho, pois foi ele, como criativo e design de profissão, que concebeu o feliz, inconfundível e emblemático logotipo. Desejo-lhe muitos anos de vida.
3.Wine District
Pertencente à Quinta de São Sebastião e também localizado no Chiado (R. Ivens,44), é um imenso e impressionante espaço de "wine e tapas", bem equipado com uma série de armários térmicos, que se espalha por loja, bar e esplanada interior. Embora abra à hora do almoço, não tem cozinha, o que é algo contraditório, esgotando-se nos queijos, enchidos e conservas, mais apropriados para finais de tarde. A ver vamos...

sábado, 8 de abril de 2017

Expressões da Nossa Terra : um curioso e original espaço 3 em 1

Este curioso e original espaço de restauração tipo 3 em 1 (restaurante & petisqueira/ garrafeira & wine bar/ mercearia & charcutaria) fica bem perto do Comendador Silva, mas do outro lado da rua (R. Latino Coelho, 63A). Edita bimestralmente uma pequena brochura (8 páginas) inspirada no tradicional almanaque Borda d' Água, com uma série de informações e a ementa dos jantares e dos almoços de Sábado.
Durante a semana, nos almoços de 2ª a 6ª feira a ementa é fixa e custa 10 €, com direito a couvert, sopa, prato e bebida. Uma pechincha! Quando lá fui tive direito a um creme de favas, coentrada de pampo (escolhido entre 3 pratos) e um copo de vinho.
Quanto a vinhos, a lista não é nada óbvia e apresenta preços muito sensatos. Inventariei 2 champanhes, 5 espumantes (1 a copo), 39 brancos (3), 50 tintos (6) e 6 fortificados (Porto, Madeira e Moscatel, todos a copo). Mas, lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos. Uma pena...
Bebi o Torres de Estremoz 2016 - enologia do Tiago Cabaço; nariz austero, alguma fruta, notas vegetais intensas, acidez nos mínimos, magro de corpo e final de boca amargo. Abaixo do expectável. Nota 14. A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e servida uma quantidade generosa num bom copo.
Como mais valia, a existência de armários térmicos para os tintos. Serviço simpático, eficiente e muito despachado. Recomendo uma visita ao WC, onde se pode ver/ler uma das paredes completamente forrada com páginas da Revista de Vinhos.
Tenciono voltar.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Vinhos em família (LXXVIII)

Mais 4 vinhos provados em família com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Hexagon 2008 (oferta da Confraria do Periquita, da qual faço parte) - o nome deve-se ao facto de serem 6 gerações da família Soares Franco e 6 castas (Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão e Tannat); nariz discreto, notas florais, acidez no ponto, ainda com alguma fruta, levemente especiado, taninos civilizados, madeira bem casada, volume e final de boca médios. Elegante e no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
.PAPE 2011 - com base, em parte, na Touriga Nacional; nariz contido, fresco e floral, bela acidez, acentuado volume de boca e final persistente. Melhor 24 horas depois. A consumir dentro de 7/8 anos. Nota 18.
.Comendador Delfim Ferreira (Qtª dos Frades) 2011 (garrafa nº 1410/2700); enologia de Anselmo Mendes; com base em vinhas velhas e com pisa a pé; ainda com fruta, acidez equilibrada, notas de esteva, especiado, volume e final de boca notáveis. Complexo e harmonioso. Uma boa surpresa que ainda não conhecia. Nota 18,5.
.Cossart Gordon Terrantez 1977 (engarrafado em 2004) - aroma intenso e complexo, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, brandy e caril, taninos presentes, volume considerável e final de boca muito longo. A Madeira no seu melhor! Nota 18,5+.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Novo formato+ (26ª sessão) : nota alta para os tintos Douro 2007 e um Madeira excepcional

Esta última jornada foi da minha responsabilidade, com 8 vinhos da minha garrafeira (1 generoso dos Açores, 2 brancos de 2015, 4 tintos de 2007 e 1 Madeira). O repasto de correu na sala nova da Enoteca de Belém, onde a comida vinda da cozinha foi ali empratada, tendo o Ricardo dirigido as operações. Tirando a torta servida como uma das sobremesas, todos os pratos atingiram um patamar alto. Na sala, o Ângelo encarregou-se de tratar dos vinhos, provados (à excepção do primeiro) todos às cegas, depois de previamente decantados. Serviço de 5 estrelas.
Para cada prato, foram postos em confronto 2 vinhos. Desfilaram:
.Czar Superior 2009, com a indicação de meio doce no rótulo (o que não é verdade, pois este vinho do Pico é meio seco e óptimo como aperitivo) - com base nas castas Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantez do Pico; frutos secos, notas de iodo, caril e brandy, sugere alguma semelhanças com um Madeira, mas sem o seu típico vinagrinho. Foi a bebida de boas vindas. Nota 17.
Acompanhou frutos secos.
.Redoma Reserva 2015 - presença de citrinos e fruta cozida, alguma acidez e mineralidade, volume e final de boca médios. Esperava mais. Nota 17.
.Conceito 2015 - complexidade aromática, notas cítricas e vegetais, acidez equilibrada, alguma gordura, volume e final de boca. Venceu claramente o confronto. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos maridaram com uma canja de bacalhau e couve cozinhada em molho de ostras.
.Qtª do Vesúvio - aroma afirmativo, ainda com fruta, acidez no ponto, notas especiadas, taninos civilizados, volume apreciável e final longo. Elegante e harmonioso. Nota 18.
.Qtª do Noval - nariz mais discreto, ainda com fruta, acidez equilibrada, taninos de veludo, especiado, algum volume e final de boca persistente. Mais envolvente e complexo que o anterior. Nota 18,5.
Estes 2 tintos, ainda longe da reforma, harmonizaram com um saboroso polvo no forno com arroz cremoso.
.Ferreirinha Reserva Especial - aroma intenso, muita fruta vermelha, alguma acidez e complexidade, fresco e floral, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Em forma mais ainda alguns anos. Nota 18,5.
.Qtª do Crasto Maria Teresa - aromas terciários, ainda com alguma fruta  acidez, complexo e especiado, com predominância de pimenta, presença de taninos mas não agressivos, volume notável e extenso final de boca. Longevo e um dos grandes vinhos do Douro! Nota 19.
Estes 2 tintos casaram bem com lombinhos de porco ibérico.
.Borges Malvasia +40 Anos (garrafa nº 827/1000) - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, caril e brandy, taninos evidentes, grande volume e final interminável com alguma doçura. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Acompanhou uma torta com doce de ovos, tábua de queijos e fruta laminada.
Foi mais uma grande sessão de convívio, com grandes vinhos, boa gastronomia e serviço, como a Enoteca de Belém nos tem habituado.
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