terça-feira, 27 de junho de 2017

Grupo dos 6 (3ª sessão) : tintos de 2009, um branco de eleição e um Madeira de excelência

Este grupo, já formalmente apresentado na crónica "Almoço com Bual 1920 e outras pingas de eleição", publicada em 14/2/2017, temporáriamente reduzido a 5, reuniu-se no restaurante Comendador Silva para apreciar 2 brancos de referência, 2 tintos de 2009 e o sublime Blandy Bual 1977.
Desfilaram:
.Marquês de Almeida Grande Reserva 2015 (levado pelo Juca) - um Beira Interior produzido pela CARM, com base nas castas Síria (45 %), Fonte Cal (30 %) e Arinto (25 %), fermentou em barricas de carvalho francês, seguido de "batonnage" durante 8 meses: cor dourada, presença de citrinos, fruta madura, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca considerável. Uma boa surpresa. Nota 17,5.
.Terrenus Vinha da Serra 2014 (levado por mim) - com base nas castas Arinto, Fernão Pires, Bical, Roupeiro, Malvasia e Tamarez, em vinhas velhas situadas na Serra de São Mamede, a 750 metros de altitude, fermentou em cubas de cimento e estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; Prémio Excelência 2016 atribuído pela antiga RV; mais fresco e mineral que o anterior, bela acidez, alguma gordura, elegante e sofisticado, volume e final de boca notáveis. Uma das 1000 garrafas produzidas e ainda longe da reforma. Um grande branco! Nota 18.
Estes 2 brancos acompanharam sopa de peixe e marisco e, ainda, massa folhada com pica pau de novilho.
Paço dos Cunhas Vinha do Contador (levado pelo Frederico) - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com muita fruta, fresco, algo especiado, taninos imponentes, volume e final de boca assinaláveis, ainda cheio de juventude, pode beber-se nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Villa Oliveira (levado pelo João) - nariz austero, alguma fruta, notas terciárias, algum volume e final de boca; mais evoluído que o anterior, está no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Estes 2 tintos maridaram com massa fresca com gambas (este prato teria ligado melhor com os brancos) e magret de pato (boa ligação).
.Blandy Bual 1977 (levado pelo J.Rosa) - engarrafado em 2007; frutos secos, vinagrinho bem presente, notas de iodo e caril, volume assinalável e final de boca interminável. Complexo, elegante e sofisticado. Nota 19.
Bom serviço de vinhos, copos e temperaturas à altura. Pena é que continuem com os televisores ligados, embora sem som. Não trazem nenhum valor acrescentado. Só por teimosia dos responsáveis.

sábado, 24 de junho de 2017

O Bairradão em Lisboa 2017

Esta 3ª edição do Bairradão em Lisboa, por mim anunciada em "Eventos a não perder", crónica publicada em 11/5/2017, decorreu, mais uma vez, no Hotel Real Palácio, tendo sido organizada pela Garrafeira Néctar das Avenidas.
Do trabalho hercúleo dos seus responsáveis (João e Sara Quintela), coadjuvados por alguns familiares, mantenho os elogios feitos em "Bairrada em Lisboa" e "Bairrada em Lisboa (2ª edição)", crónicas publicadas em 28/5/2015 e 7/6/2016, respectivamente.
Na edição de 2017, os cerca de 30 produtores do Dão e da Bairrada espalharam-se por diversas salas, sem grandes atropelos, tendo funcionado bem a logística do hotel, no que se refere a copos.
Dos 39 vinhos provados, 29 eram brancos, não tendo ficado muito espaço para os tintos.
Nos brancos, destaco em 1º lugar o Alvaro de Castro Encruzado Reserva 2015 e o Villa Oliveira Encruzado 2014, seguidos pelos Qtª da Falorca Encruzado Reserva 2016, Casa de Saima Reserva 1995, ainda cheio de saúde, Campolargo Verdelho 2012, Qtª do Perdigão Encruzado 2015, Pai Abel 2014, Casa de Santar Reserva 2015 e o surpreendente Marquês de Marialva Grande Arinto Reserva 2013 (engarrafado em 2016). Posso afirmar que a Encruzado, a melhor casta branca portuguesa, a par da Alvarinho, claro, esteve ao nível dos seus inegáveis pergaminhos!
Quanto a tintos, o meu destaque vai para o Qtª da Falorca Garrafeira 2011, um vinhão, logo seguido dos Vinha dos Amores Touriga Nacional 2011, Qtª da Pellada 2012 e Encontro Baga 2011. De registar a prestação dos tintos de 2011, a grande colheita desta década.
Comparando as 2 regiões, as minhas preferências foram para o Dão, com 8 eleitos, ficando a Bairrada com os outros 5.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Curtas (LXXXVIII) : Palácio da Brejoeira, restaurantes de referência e provas de vinhos

1.Palácio da Brejoeira
O programa "Visita Guiada" da Paula Moura Pinheiro, que passou na RTP2 na passada 2ªfeira, dia 19, foi dedicado ao Palácio da Brejoeira. Embora não centrado no vinho, considero imperdível este programa que ainda pode ser visto até Domingo.
2.Restaurantes imperdíveis
No rescaldo das minhas férias, tive a ocasião de conhecer uma série de restaurantes de Norte a Sul.
Recomendo vivamente 3, não só pela gastronomia, mas também pela componente vínica, uma aposta forte de todos. E eles são:
.Dom Sesnando, em Penela, onde comi a chanfana de cabra da minha vida
.Basilii, o restaurante do Torre de Palma Wine Hotel, entre Monforte e Vaiamonte, onde provei uns pezinhos de coentrada de subir aos céus
.Mercearia Gadanha*, mesmo no centro de Estremoz, onde degustei um delicioso arroz de coelho bravo e uns croquetes de borrego de 5 estrelas
*o blogue Joli Wine & Food, para o qual tenho um link, publicou uma crónica desenvolvida sobre este restaurante.
3.ViniPortugal
A loja de Lisboa, situada em pleno Terreiro do Paço, completamente remodelada, é um atraente espaço onde se pode provar mas também comprar vinhos.
Possui 4 armários Enomatic, cada um com 8 vinhos à prova, com temperaturas reguladas (9º para brancos, 16º para tintos e 14º para fortificados), o que é de louvar. Só não entendo porque colocaram o Tinta Grossa do Paulo Laureano junto aos brancos. Mistérios...
Quando lá passei, com um calor abrasador no exterior, o ar condicionado estava avariado, o que não fará muito bem à saúde dos vinhos.
Também notei algumas lacunas na região de Bucelas. Por exemplo, o emblemático Morgado de Stª Catherina foi olvidado, o que não se entende.
4.Adegga Wine Market Summer
Vai decorrer no dia 1 de Julho, entre as 14 e as 21h no Lisbon Marriott Hotel, sendo possivel provar e comprar vinhos dos cerca de 60 produtores presentes.
5.Vinho ao Vivo
Com organização de os Goliardos, é possivel provar vinhos na esplanada do espaço de restauração À Margem (em Belém, junto ao Tejo). Este evento decorrerá nos dias 30 de Junho e 1 de Julho.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Jantar Qtª Roques/Qtª Maias

Foi mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que escolheu o restaurante do Real Palácio Hotel, já nosso conhecido de outros eventos. Desta vez, o tema foi a degustação de vinhos Qtª dos Roques e Qtª das Maias, alguns dos quais já com perto de 20 anos.
Uma oportuna sessão pedagógica, exemplarmente orientada pelo produtor Luis Lourenço, vindo directamente do aeroporto, coadjuvado pelo seu filho. Será interessante recordar outro jantar com o mesmo produtor, ocorrido no restaurante Assinatura, cuja crónica "Jantar Qtª Roques/Qtª Maias", foi publicada em 17/10/2012.
Voltando ao mais recente, desfilaram:
.Qtª das Maias Malvasia Fina 2002 - cor carregada, notas de oxidação (muito visíveis em algumas garrafas, mas noutras não), fruta cozida, nuances florais e apetroladas, algo chato na boca, algum volume e final de boca curto. Uma curiosidade, não aconselhável beber sem comida. Nota 15,5.
Acompanhou pastéis de bacalhau, bolinhas de vitela wrap de frango.
.Qtª das Maias 1999 (em magnum) - nariz austero, aromas terciários, acidez muito viva, algo especiado, elegante e cheio de saúde, volume e final de boca médios. De notar que as garrafas servidas mostraram diferenças acentuadas. Nota 17.
Fez companhia a um risotto de cogumelos.
.Qtª dos Roques Alfrocheiro 1999 (previamente decantado) - aroma mais exuberante, ainda com fruta, acidez equilibrada, fresco e muito elegante, volume e final de boca médios. Nota 17,5.
.Qtª dos Roques Tinto Cão 1999 - nariz contido, acidez no ponto, notas vegetais e algo herbáceas, volume e final de boca médios. Desequilibrado, ficou aquém do esperado. Nota 15,5.
Estes 2 tintos maridaram com uma coxa de pato confitada.
.Qtª das Maias Verdelho 2001 - aroma intenso, fruta madura, notas florais, ligeiramente oxidado, boa acidez, fresco e complexo, algum volume e final de boca longo. Ainda longe da reforma, foi o vinho mais surpreendente. Nota 17,5.
Casou bem com um folhado de chévre com compota de maçã e nozes.
Embora o ano de 1999 não tivesse sido de eleição, esta prova foi muito pedagógica, pois estivemos em presença de tintos com quase 20 anos. Constatou-se haver diferenças acentuadas de garrafa para garrafa e foi pena que os empregados tivessem misturado garrafas diferentes num mesmo copo.

domingo, 18 de junho de 2017

A 1927 e a Cervejaria Liberdade

Em boa verdade foi a cerveja 1927 que me levou a conhecer a Cervejaria Liberdade, o novo espaço do Hotel Tivoli que veio substituir a Brasserie Flo, encerrada pelos novos proprietários. Eu explico: uma das Time Out, que costumo comprar, trazia um cupão que dava direito ao consumo de 1 cerveja 1927, num dos espaços aderentes. E foi assim que escolhi a Cervejaria Liberdade.
À minha volta só executivos topo de gama, alguns comendo grandes mariscadas a preços estratoesféricos. Na sala uma boa dúzia de empregados, entre chefes, sub-chefes e alguns (poucos) soldados rasos.
O único "proleta" era eu, limitando-me a comer um creme de marisco, aliás excelente, diga-se com toda a justiça, a que se seguiu um prego dito do lombo, que mais me pareceu uma agradável bifana.
Quanto a vinhos, a lista pareceu-me sem grandes rasgos, preços altos e anos de colheita omissos, o que considero indesculpável num hotel.
Inventariei 4 espumantes (2 a copo), 9 champanhes (1), 34 brancos (4), 4 rosés (1), 26 tintos (3), 4 Portos (4), 2 Madeiras (2) e 2 Moscatéis (2). Quem elaborou a carta, deve ter um estranho modo de ver o país vinícola, ao agrupar a região Lisboa com a Bairrada, o Douro com o Dão e o Alentejo com o Tejo. Coisas!
Fiz aparentemente figura de rico, mas apenas gastei 20 €. Se todos os clientes fossem como eu, a Cervejaria Liberdade já teria ido à falência...

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O blogue vai de férias

O blogue vai de férias e o computador também.
Ficam por publicar as crónicas:
.Cervejaria Liberdade
.Jantar Qtª Roques/Qtª Maias
.Bairradão
.Paralelo 45
.Vinhos Mont' Alegre
.Grupo dos 6
Boas pingas e até ao meu regresso...

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Curtas (LXXXVII) : Fátima, Clara e Noélia

1.O espumante do "milagre"
A C V Bairrada, em parceria com a Associação Rota da Bairrada, lançou recentemente o espumante "1917-2017 Centenário das Aparições de Fátima" (1917 garrafas produzidas), numa clara jogada oportunística, aproveitando a onda do centenário.
Nem a própria Igreja se tem referido a aparições, ficando-se muito sensatamente pelas visões. Mas a CVB é que sabe. Enfim...
2.A Cozinha da Clara
Abriu há bem pouco tempo a Cozinha da Clara, o restaurante da Quinta de La Rosa, uma homenagem da Sophia Bergqvist, proprietária e gestora da quinta, à sua avó Claire.
Resta acrescentar que a carta de vinhos foi desenhada pelo Jorge Moreira, o enólogo da casa.
Desejo os maiores êxitos a esta equipa e ao seu projecto.
Pela minha parte, já estou a salivar...
3.As contradições da Noélia
Em 18/6/2016 publiquei uma crónica sobre o restaurante da Noélia intitulada "Noélia : gastronomia 5 - serviço 1". Um ano depois a situação mantém-se, o que é de lamentar.
Voltei a provar o inexcedível salmorejo com muxama, seguindo-se pataniscas de polvo e a torta de alfarroba. Tudo 5 estrelas!
Optei por um copo de Qtª de Chocapalha Arinto 2015, muito fresco e mineral, que já vinha servido.
Numa das paredes está afixado um quadro com o diploma "Serviço de Qualidade Vinho a Copo 2014" (!?).
Sem mais comentários...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Grupo dos 3 (57ª sessão) : M.O.B. e Terrantez 20 Anos em forma

Esta última sessão foi da responsabilidade do Juca que levou 4 vinhos da sua garrafeira (1 branco, 2 tintos e 1 Madeira) e escolheu o restaurante Via 14 Comeres & Vinhos (Via do Oriente,14 Parque das Nações). Neste espaço, gerido por Luis Soares que também é o proprietário e responsável pela cozinha, come-se muito bem e paga-se pouco, mas para se ter algum sossego não se pode abancar antes das 14 h, pois a sala é muito pequena e ruidosa. Mesas despojadas com toalhetes e guardanapos de papel. Apesar de terem posto também o acento tónico nos vinhos, a qualidade dos copos, demasiado grossos, não acompanha esta aposta. Uma pena...
Mas vamos aos beberes e comeres. Desfilaram:
.Couquinho Superior 2015 - enologia de João Brito e Cunha; com base nas castas Viosinho e Rabigato; presença de citrinos, algum vegetal, acidez equilibrada, notas amanteigadas, volume e final médios. Nota 16,5.
Gastronómico, acompanhou bem queijo fresco, empadas e bacalhau à Braz.
.Aquae Flaviae Reserva 2012 (Trás-os-Montes) - enologia de Francisco Baptista; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz; notas vegetais excessivas, alguma acidez, taninos rugosos e agressivos, volume e final médios. Desequilibrado, desiludiu completamente. Nota 14,5.
Conflituou com o prato de bacalhau.
.M.O.B. 2012 - produzido e engarrafado na Qtª do Corujão, com enologia dos novos proprietários Jorge Moreira (M), Francisco Olazabal (O) e Jorge Serôdio Borges (B); com base nas castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga; muito frutado, boa acidez, algo especiado, taninos presentes mas civilizados, bom volume e final de boca longo. Teor alcoólico baixo (12,5 % vol.). Elegante, harmonioso e gastronómico. Nota 18.
Harmonizou com uma excelente vitela assada de cortar à colher, com batata assada e grelos.
.Blandy Terrantez 20 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, iodo bem presente, vinagrinho, notas de brandy, volume médio e final de boca muito longo, Nota 18.
Casou bem com leite de creme queimado.
Mais uma boa sessão, com comeres e vinho à altura, com excepção do Aquae Flaviae, um erro de casting. Obrigado, Juca!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Provar vinhos com a José Maria da Fonseca

A convite da Sofia Soares Franco, representante da 7ª geração da José Maria da Fonseca (JMF), estive recentemente no By the Wine, o espaço de restauração da JMF, numa apresentação e prova de novidades, orientada pelo Domingos Soares Franco, vice-presidente e responsável  pela enologia da JMF.
Foram apresentados/provados 9 vinhos da colheita de 2016 (6 brancos e 3 rosés), em condições que não seriam as ideais, pois, para além do ruído de fundo provocado pelos clientes da casa, estava de pé com um copo na mão e a caneta na outra (nestas situações faz-me sempre falta mais uma mão...).
Dos vinhos provados, aquele que mais me surpreendeu, pela positiva, foi o rosé Qtª de Camarate 2016 (com base nas castas Touriga Nacional (72 %) e Cabernet Sauvignon (28 %); austero, mas elegante e com alguma complexidade, fruta e acidez presentes; gastronómico, precisa de comida por perto). Nota 16,5+.
Seguiram-se (em linguagem telegráfica):
.DSF Verdelho (fresco, elegante e sofisticado). 16,5.
.Qtª Camarate Seco (com base nas castas Alvarinho e Verdelho; fresco e mineral, com notas tropicais e alguma complexidade). 16.
.DSF Moscatel Roxo rosé (fresco, muito floral, com notas apetroladas). 16.
.Avis Rara (com base nas castas Moscatel de Setúbal e Fernão Pires; uma agradável surpresa adocicada). 15,5+.
.Qtª Camarate Doce (com base nas castas Alvarinho e Loureiro; fresco com alguma untuosidade). 15,5.
.BSE, Periquita branco e Periquita rosé (vinhos de gama de entrada, todos simples e agradáveis). 15.
No final da prova foram servidas aos participantes, a maioria representantes da blogosfera, umas apetecíveis tábuas com queijos e enchidos de grande qualidade (vale a pena referir, mais uma vez, que a By the Wine tem o melhor prego de Lisboa).
Oferecida, ainda, uma embalagem com 2 garrafas. O meu obrigado, na parte que me toca, à JMF.
Finalmente, é justo dizer que a logística da By the Wine foi inexcedível, ao disponibilizar 1 copo para cada 1 dos vinhos provados. Um caso raro, não sendo necessário avinhar os copos.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Provar vinhos com a Adega Cooperativa da Vidigueira

1.Introdução
Por convite da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba & Alvito (ACV), tive a oportunidade de provar uma série de vinhos VDG (1 espumante e 7 brancos) e, ainda, 2 tintos e 1 licoroso, a maioria posta no mercado muito recentemente. A prova, seguida de almoço, decorreu no restaurante Espelho de Água, bem junto ao Tejo.
A ACV fez-se representar por uns tantos elementos da direcção e não só, tendo a prova sido orientada pelo enólogo da casa, Luis Leão de seu nome, já meu conhecido dos tempos da Herdade do Pinheiro, onde ele ainda colabora. Segundo percebi, de cada um dos monocastas apresentados foram produzidas 3333 garrafas, ao preço recomendado de venda ao público entre os 7 e os 8 €.
Quanto aos participantes, percebi que a blogosfera estava representada, bem como alguma imprensa especializada e generalista. Lamentavelmente, foi-me prometido que me enviariam a respectiva listagem, sem que o tivessem feito até esta data. Mas já me habituei a promessas não cumpridas.
Uma nota simpática: aos participantes foi-lhes oferecida 1 garrafa de Vidigueira Antão Vaz, acompanhada por uma manga e um saca-rolhas. Os meus agradecimentos.
2.A prova dos primeiros vinhos
Foram provados os primeiros VDG (1 espumante e 3 brancos) na varanda exterior ao restaurante, sem um mínimo de condições, debaixo de um calor insuportável que nem os chapéus de sol conseguiram amenizar. Era deveras complicado segurar o copo numa mão, a caneta e o caderno na outra, já não falando na necessidade de uma mão extra para pegar nos canapés que iam passando.
O espumante, fresco e com notas de pão cozido, era da colheita de 2015 e funcionou bem como bebida de boas vindas.
Seguiram-se os monocastas brancos de 2016, a saber: Vermentino (uma casta italiana, com uma desagradável componente vegetal que não traz nenhum valor acrescentado, antes pelo contário; nota 14,5), Verdelho (o branco vencedor deste primeiro confronto, muito equilibrado entre a fruta e a acidez, notas amanteigadas e um perfil deveras gastronómico; 16,5+) e Viognier (fresco com um toque tropical; 16).
3.O almoço e prova dos restantes vinhos
Com a entrada (salada de verduras e queijo fresco) foram provados:
.Antão Vaz - notas tropicais, fruta madura e algum vegetal, boa acidez, volume consistente e alguma persistência; gastronómico, ficaria melhor com o prato de peixe. Nota 16,5+.
.Alvarinho - presença de citrinos e fruta tropical, notas vegetais, volume e final de boca médios; também não traz nenhum valor acrescentado ao Alentejo, pois esta casta perde muito, se retirada do seu berço. Nota 15.
Com o prato de peixe (lombo de bacalhau com crosta de azeitona preta):
.Chardonnay - fruta madura, notas tropicais e amanteigadas, volume e final de boca apreciáveis. Gastronómico, ligou bem com o lombo de bacalhau. Nota 16,5.
.Arinto - presença de citrinos e notas vegetais, bela acidez, sofisticado e longevo, vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Não ligou com o bacalhau, iria melhor com a salada. Nota 16,5+.
Com o prato de carne (entrecôte com esmagada de batata):
.Grande Escolha 2014 - com base nas castas Trincadeira e Alicante Bouschet, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano; aroma intenso, muita fruta vermelha, bela acidez, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca. Muito harmonioso, tem uma relação preço (7,50)/qualidade excepcional. Foi o vinho que mais me encantou. Nota 17,5.
.Reserva 2015 - com base na casta Syrah, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, muita fruta vermelha, acidez bem equilibrada, volume e final de boca médios, precisa de mais algum tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 tintos chegaram à mesa quentes, o que é indesculpável. Alertado o enólogo, as garrafas foram rapidamente refrigeradas. Não havia necessidade...
Com a sobremesa (creme de queijo e natas com compota de goiaba):
.Licoroso 2013 - com base nas castas Trincadeira e Tinta Grossa; presença de fruta preta, taninos redondos, doçura apreciável, volume e final médios. Nota 15,5.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Pigmeu : uma original e agradável "porcaria"

Movido pela curiosidade fui conhecer o Pigmeu (Rua 4 de Infantaria, 68), um original espaço de restauração, exclusivamente dedicado ao porco, cuja ementa contempla 9 petiscos da estação, 4 sandes, 5 acompanhamentos e 4 de garfo e faca.
Nesta minha 1ª visita fiquei-me pelos petiscos, tendo escolhido "tibornas de porco com tomate", "croquetes de bochecha de porco bísaro" e "rabinhos de porco com molho agridoce". Tudo provado e aprovado.
A contrastar, a componente vínica é fraca. Sem lista de vinhos, referiram-me 2 ou 3 a copo, estando os tintos à temperatura ambiente. Uma desgraça!
Optei, então, pela cerveja artesanal "Lx Beer", modalidade "Rye Ipa" (uma das quatro existentes), a portar-se muito bem. Um desabafo: cada vez gosto mais das artesanais e menos das industriais.
Sempre que possível, marco o restaurante  através da plataforma The Fork. Assim vou acumulando pontos e, ao fim de 10 reservas, fico com um crédito de 10 € para descontar num dos diversos restaurantes aderentes.
Foi o caso do Pigmeu, onde constatei à chegada, agradavelmente surpreendido, ter a mesa marcada com o meu nome numa ardósia onde se podia ler "de tudo um porco...". A boa disposição e sentido de humor abunda por ali, podendo ler-se numa das paredes "Porco em construção".
Falta dizer que as mesas se limitam a toalhete e guardanapo de papel e a música, embora a meu gosto, estava demasiado alta. Quanto ao serviço, considero-o rápido, prestável e deveras simpático.
Aconselho o Pigmeu e tenciono voltar.

sábado, 20 de maio de 2017

Jantar Qtª do Noval

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, cabendo o protagonismo à Qtª do Noval, aqui representada pela Rute Monteiro, directora de marketing e comercial, relações públicas, enfim um pouco de tudo. Já era minha conhecida dos tempos das Coisas do Arco do Vinho e ficou-me registado na memória a forma como nos recebeu na Qtª do Noval quando a visitámos com um grupo de clientes e amigos. Também esteve presente o Nuno Quina, distribuidor da marca, também meu conhecido, e que nos acompanhou (a mim e á minha mulher) numa visita memorável àquela quinta. Momentos inesquecíveis!
Voltando a este evento, que teve lugar no Via Graça, após termos sido recebidos por um Porto Branco Extra Dry, a funcionar muito bem como bebida de boas vindas, desfilaram:
.Cedro do Noval 2015 branco - com base nas castas Gouveio e Viosinho; fresco e mineral, presença de citrinos, notas vegetais e florais, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio. Nota 16,5.
.Cedro do Noval 2013 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Syrah; nariz discreto, alguma fruta vermelha e acidez, taninos presentes ainda por domesticar, algum volume e final de boca assinalável. Nota 16,5+.
Estes 2 vinhos acompanharam uma massada de cogumelos selvagens com garoupa cozinhada em baixa temperatura, muito saborosa mas com massa a mais para o meu gosto. Preferível a ligação com o branco.
.Qtª do Noval 2008 - aroma intenso, ainda com fruta, acidez no ponto, especiado, taninos intensos mas civilizados, grande volume e final de boca persistente. Complexo e sofisticado, ainda em forma mais 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
.Qtª do Noval 2014 - com base maioritariamente na casta Touriga Nacional, a que se juntaram a Touriga Franca e Tinto Cão, estagiou cerca de 18 meses em cascos de carvalho francês; nariz algo contido, muita fruta vermelha e preta, acidez equilibrada, taninos presentes e redondos, volume e final de boca consideráveis. Ainda em construção, é melhor esperar por ele 5 a 7 anos, mas não estou crente que atinja o nível do 2008. Nota 17,5.
Estes tintos harmonizaram bem com um saboroso raspado de cabrito assado com chalotas e batatas.
.Qtª do Noval Colheita 2003 (engarrafado em 2017) - ainda com a cor muito carregada, notas de frutos secos, ginja e mel, volume médio, mas final de boca interminável. Nota 17,5+.
Servido com doce de amêndoa e ovos com espuma de canela.
.Qtª do Noval Vintage 2003 - incrivelmente jóvem, taninos bem presentes mas civilizados, doçura equilibrada, volume médio e final de boca persistente. Há que esperar por ele 10 a 12 anos. Nota 17,5 (provisória).
Acompanhou um queijo de Serpa.
Foi uma pena que estes 2 fortificados não tivessem sido servidos em simultâneo. Teria sido mais didáctico, para os participantes perceberem bem as suas diferenças.
Foi um grande jantar, embora se tivesse arrastado para o dia seguinte, com vinhos de qualidade apreciável (destaque para o Qtª do Noval 2008), bem acompanhados pelos pratos do João Bandeira e o serviço profissional a que nos habituaram.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Eatfish : uma experiência para esquecer

Motivado pelos elogios que fui lendo na Time Out e em comentários em algumas plataformas ligadas à restauração, fui conhecer este espaço situado na zona do Cais Sodré (Tv. São Paulo,11). Mais valia não ter ido, face à experiência desastrosa.
Senão, vejamos:
.música excessivamente alta
.mesas completamente despojadas com tampos de pedra, embora com guardanapo de pano (uma contradição)
.lista de vinhos reduzida, apenas com 2 vinhos brancos e tintos a copo, sem qualquer referência a anos de colheita
.os copos já vêm servidos, tendo-me sido mostrada a garrafa só depois de a ter solicitado
.o peixe está reduzido a 3 variedades (salmão, atum e corvina) que podem vir para a mesa nas versões carpaccio (nome incorrecto, fatiado é que seria certo), tártaro e ceviche (há também lombos dos mesmos peixes)
.serviço pouco atento
Escolhi meias doses de carpaccio de corvina (que só provei, depois de ter devolvido o fatiado de atum que não pedi) e tártaro de atum. O atum em qualidade e quantidade é aceitável, mas a corvina uma fraude, pois vem para a mesa uma quantidade irrisória.
Para acompanhar, optei por um copo do branco Vale da Poupa Moscatel Galego 2016 (4,90 €, um exagero) - aroma intenso, fresco, presença de citrinos, notas vegetais, boa acidez, volume médio. Gastronómico, harmonizou bem com a comida. Nota 16,5.
O vinho já vinha servido, como acima referi, em bom copo aferido a 15 cl. Só que o nível do líquido estava abaixo da marca. Foi distração ou é sempre assim? Indesculpável, em qualquer dos casos!
Concluindo, Eatfish nunca mais!

terça-feira, 16 de maio de 2017

Confronto de revistas de vinhos e a Fugas

1.Confronto de revistas de vinhos
Aí estão à venda a nova Revista de Vinhos (Revista de Vinhos - Essência do Vinho), saída em Abril, e a antiga (VINHO - Grandes Escolhas), acabada de chegar com o nº de Maio.
Enquanto que a nova RV tem 130 páginas, das quais 34 são de publicidade (26 % do total), a Vinho já vai nas 208, das quais 78 contêm publicidade (37,5 %). É bom para elas, mas cansativo para o leitor.
Uma curiosidade: se viradas ao contrário são rigorosamente iguais, pois em ambas as contracapas se encontra a mesma publicidade das Caves da Murganheira (bem com deus e com o diabo?).
A nova RV dedicou algumas páginas ao Dirk Niepoort, Bruno Prats, Murganheira/Raposeira e Bacalhôa (Moscatéis), enquanto que a Vinho se centrou no Esporão, Douro e suas sub-regiões, castas portuguesas no mundo, Bacalhôa (Enoturismo), Rosés e Porto Extravaganza (a nova RV, no nº de Maio, apenas se referiu a uma das 3 jornadas).
Quanto a painéis de prova, a nova RV ficou-se pelos vinhos de supermercado, ao passo que a VINHO se dedicou aos vinhos tintos até aos 10 €.
Mas a grande diferença, na minha óptica, centra-se nos leques de provadores no que diz respeito às Escolhas do Mês (nova RV) e aos Vinhos do Mês (VINHO). Enquanto que esta última conta com um sólido e prestigiado painel (Luis Lopes, João Paulo Martins, João Afonso e Nuno Garcia), a nova RV, perdido o Rui Falcão para outros voos, fica-se por uns tantos pouco ou nada conhecidos, dos quais ressalvo o Manuel Moreira, com provas dadas como escanção.
É claro, para mim, o resultado do confronto : VINHO - Grandes Escolhas,1 - Revista de Vinhos - Essência do Vinho,0. Ao apostar claramente na VINHO declaro-me insuspeito, até porque no passado tive algumas divergências com a antiga Revista de Vinhos e alguns dos seus colaboradores. Mas, apesar de tudo, é a minha gente!
Aguardo com expectativa os próximos encontros de Vinhos e Sabores, a terem lugar no Pavilhão de Congressos (nova RV em Novembro, curiosamente no espaço habitual da antiga RV) e na FIL (VINHO em Outubro). Por qual se decidirão os produtores? Ou vão a todas? A ver vamos...
2.A Fugas : uma pedrada no charco
Leio na última Fugas de 13 de Maio, um corajoso e desassombrado artigo do jornalista Pedro Garcias, crítico e também produtor de vinhos (Mapa, cujo Vinha dos Pais 2013 considero um dos grandes brancos portugueses), onde afirma, a propósito do Adega Mãe Terroir 2013 branco, classificado na nova RV com 14,5, depois de lhe terem sido atribuidos 18 valores na antiga RV e 91 pontos na Fugas, que esta disparidade tem a haver "(...) com o facto de o director da Revista de Vinhos (a nova, entenda-se) estar incompatibilizado com Anselmo Mendes, um dos dois enólogos que fazem o vinho.(...) Este caso é muito mais que uma guerrinha pessoal, pois sabe-se que o novo director da Revista de Vinhos avocou o poder de modificar as notas finais dos seus provadores (...)".
Assino por baixo e dou o meu apoio incondicional ao Pedro Garcias!

sábado, 13 de maio de 2017

Tapiscando...

Fui conhecer o tão badalado Tapisco (Rua D. Pedro V, 81), uma aposta do chefe Sá Pessoa nos petiscos e tapas ibéricas. A ementa contempla 12 Tapiscos, 5 Ovos, 5 Brasas e 5 Tachinhos, a preços nada meigos.
As mesas e os lugares ao balcão, onde me sentei com vista para a cozinha aberta, encontram-se despojados, apenas com toalhetes de papel onde se pode ler a ementa e guardanapos de pano, uma contradição. Ao todo, na sala e na cozinha, estavam 15 empregados, o que denota uma louvável preocupação com o serviço do cliente.
Quanto à componente vínica, inventariei na lista portuguesa 3 espumantes (1 a copo), 16 brancos (3), 18 tintos (4), 1 rosé (1), 4 Portos e 1 Madeira, enquanto que na espanhola constam 2 cavas (1), 6 brancos (1), 8 tintos (1), 1 rosé (1) e 5 Jerez, uma oferta mais que suficiente. Lamentavelmente os anos de colheita estavam omissos.
Optei por um copo do branco Nieva Verdejo 2014 - nariz austero, presença de citrinos e fruta madura, alguma acidez, gordura, volume e final de boca. Nota 16,5+.
Muito gastronómico, acompanhou bem a "Esqueixada de Bacalao" (com o bacalhau cru, tipo ceviche) e "La Bomba de Lisboa" (2 avantajados croquetes ligeiramente picantes, com puré de batata).
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num belo copo Riedel (modelo Bordeaux) e servido em quantidade generosa.
Serviço rápido, eficiente e simpático.
Apesar das contradições apontadas, recomendo e tenciono voltar, até porque fiquei vidrado numa fabulosa posta de bacalhau Riberalves, que passou por mim enquanto eu comia.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Eventos a não perder

1.Festival do Vinho do Douro Superior (6ª edição)
Realiza-se no Centro de Exposições de Vila Nova de Foz Côa, de 19 a 21 de Maio, com o apoio da respectiva Câmara e coordenação da nova revista Vinho - Grandes Escolhas. Incluirá:
.Concurso de Vinhos do Douro Superior
.Mostra de Vinhos (69 produtores) e de Sabores (9 produtores)
.Provas Comentadas (vinhos brancos, tintos e Porto e, ainda, azeites)
A inauguração oficial será no dia 19, pelas 18 h.
2.Bairradão (4ª edição)
Organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, este evento terá lugar no Hotel Real Palácio no dia 27 de Maio. das 15 às 20 h, estando já confirmadas as presenças dos seguintes produtores:
.Bairrada (Adega de Cantanhede, Campolargo, Casa de Saima, Caves São Domingos, Caves São João, Qtª das Bageiras, Qtª do Encontro, Qtª do Valdoeiro e Sidónio de Sousa)
.Dão (Caminhos Cruzados, Casa da Passarella, Casa de Santar, Qtª de Cabriz, Qtª do Carvalhão Torto, Qtª do Cerrado, Qtª da Falorca, Qtª da Pellada, Qtª do Penedo, Qtª do Perdigão, Qtª da Ponte Pedrinha, Qtª dos Roques, São Matias, Vinha de Reis e Vinícola de Nelas).
Prevista, ainda, uma Prova Especial de vinhos Qtª Poço do lobo.
3.Hello Summer Wine Party
Organizada pela revista Paixão pelo Vinho, esta festa vínica decorrerá nos jardins do Lisbon Marriott Hotel, no dia 9 de Junho das 17 às 23 h, contando com 50 produtores e 3 provas especiais.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Vinhos em família (LXXIX) : um grande branco e um tinto de referência

Mais 5 vinhos (3 brancos, 1 tinto e 1 Madeira) provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Qtª do Síbio 2015 (Real Companhia Velha) - com base em vinhas velhas, presença de citrinos e fruta cozida, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Gastronómico pede entradas fortes ou comida de tacho. Nota 16,5.
.Mirabilis Grande Reserva 2015 (Qtª Nova N. Srª do Carmo) - fresco e mineral, notas de fruta madura, acidez equilibrada, alguma complexidade, volume e final médios. Esperava mais. Nota 16,5+.
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2015 - com base na casta Vital em vinhas velhas; nariz contido, presença de citrinos, melão e fruta cozida, excelente acidez, notas fumadas e amanteigadas, algum volume e final de boca. Complexo e cheio de personalidade. Um grande branco que pode ser guardado ainda alguns anos. Nota 18.
De referir que o João Paulo Martins lhe dedicou uma página na revista E do Expresso. Este vinho está na mesma linha da colheita 2013, que incluí no meu TOP 10 de brancos 2014 e referi na crónica "Grupo dos 3 : (...) 1 branco surpreendente", publicada em 27/1/2015.
.CARM CM 2007 (garrafa nº 2252/4658) - com base nas castas Touriga Nacional (predominante), Touriga Franca e Tinta Roriz, vinificou em lagares com pisa a pé e estagiou 18 meses em barrica e 30 em garrafa; ainda com alguma fruta vermelha, aromas terciários, boa acidez, notas especiadas, complexidade, taninos presentes, corpo envolvente e final de boca extenso. Nota 18,5.
.Borges Malvasia 15 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, casca de laranja, ligeira acidez, notas discretas de caril e brandy, algum caramelo, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Boa relação preço/qualidade. Nota 17,5.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Jantar Campolargo

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, o 67º segundo percebi. O repasto decorreu na Casa do Bacalhau, que já nos habituou a uma boa gastronomia e a um serviço de 5 estrelas, com temperaturas controladas, bons copos e os vinhos a chegarem à mesa antes da comida. Esteve presente o produtor Carlos Campolargo, já nosso conhecido dos tempos das CAV. Estivemos a relembrar o nosso primeiro encontro, que se traduziu numa prova dos seus vinhos no restaurante conhecido por "Orelhas", no qual participou o saudoso David Lopes Ramos.
Depois da bebida de boas vindas, o espumante Campolargo 2013, com base nas castas Bical, Arinto e Cerceal, já sentados em mesas rectangulares para 10 pessoas, uma inovação que nos permitiu falar todos uns com os outros, desfilaram:
.Espumante Clarete 2013 - com base nas castas Baga e Alvarelhão, mas que não me convenceu.
Acompanhou pastéis e pataniscas de bacalhau (estas venceram a prova organizada no âmbito do Peixe em Lisboa, a cujo júri presidiu o gastrónomo Virgilio Gomes).
.Campolargo Bical Barrica 2015 - nariz discreto, fresco e mineral, notas vegetais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Maridou bem com meia desfeita de bacalhau.
.Campolargo Vinha das Cerejas 2013 tinto - uma incursão do Campolargo no Dão, com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Alfrocheiro (20 %) e Tinta Roriz (20 %); alguma fruta vermelha, notas florais, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e final algo persistente. Nota 17.
Acompanhou o pernil de porco com batata assada.
.Diga? 2009 (em magnum) - com base na casta Petit Verdot; muita fruta ainda presente, acidez no ponto, notas especiadas, taninos evidentes mas não agressivos, algum volume e acentuado final de boca. Complexo, sofisticado e ainda longe da reforma. Nota 18.
Casou com barriga de leitão confitado com puré de batata.
.Campolargo 2009 (apresentado como branco velho surpresa) - aromas terciários, notas florais, ligeira oxidação, acidez presente, volume e final de boca médios. Um branco gastronómico que evoluiu muito bem. Nota 17.
Acompanhou queijo curado com compota de abóbora.
Resumindo e concluindo, este jantar, no que se refere à componente vínica, ficou abaixo das minhas expectativas. Esperava mais.
A fechar, os meus parabéns ao João Bandeira pelo prémio das melhores pataniscas de Lisboa!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Enoturismo no Douro (VI) : Quinta do Portal

...continuando:
Após uma visita à aldeia histórica de Provesende, classificada em 2001 como "aldeia vinhateira do Douro", seguimos para a Qtª do Portal onde fomos recebidos pelo Paulo Coutinho, responsável pela enologia que, com um discurso muito pedagógico, nos fez uma visita guiada aos vários pisos da nova adega desenhada pelo Siza Vieira. No decorrer da visita, tivemos a ocasião de provar:
.Portal Moscatel Galego 2016 (fresco, mineral, notas florais e acídulo)
.Portal Moscatel do Douro Reserva 2004 (muito fresco, presença de citrinos e doçura contida)
.Portal LBV 2011 (93 pontos no Parker, está tudo dito).
Seguimos para o restaurante Quinta do Portal, aberto ao público em 2014 e já recomendado na publicação Boa Cama Boa Mesa onde, no terraço com vistas para a vinha, provámos o Portal Tónico, uma refrescante bebida à base de Moscatel a que se adiciona lima, hortelã e água tónica, acompanhada por algumas tapas.
Foi uma boa introdução ao almoço que se lhe seguiu, com uma ementa escrita e preparada pelo jovem chefe Milton Ferreira. Desfilaram:
.Portal 2015 branco - aroma fino, presença de citrinos, notas vegetais e acídulas, volume e final de boca discretos. Nota 15,5.
Acompanhou bem o creme de ervilhas.
.Portal Grande Reserva 2009 - ainda com nariz intenso e muita fruta vermelha, alguma acidez e frescura, notas especiadas, taninos domados, algum volume e final de boca persistente. Nota 17,5.
É importante dizer que a colheita seguinte (2011) obteve o prémio "Melhor Vinho do Ano", no Concurso Vinhos Portugal 2016.
Harmonizou muito bem com o polvo assado com migas.
.Portal 10 Anos - nariz discreto, frutos secos, casca de laranja, alguma acidez e complexidade para a idade. Nota 16,5.
Maridou com arroz doce.
No final do repasto, pudémos contemplar uma enorme tela de 2 * 3,5 metros, da autoria do pintor belga Daniel Hompesh, radicado na Póvoa de Varzim e recentemente falecido. Tem o sugestivo título "La fête à Bachus dans le Douro".
A terminar esta bela jornada, o responsável pelo enoturismo, Januário de seu nome, guiou-nos pela Casa das Pipas, o pequeno mas simpático hotel da Qtª do Portal, altamente recomendável.
Com esta crónica dou por terminado o relato desta viagem ao Douro, fazendo votos para que a Tryvel  e a Maria João Almeida organizem mais com outras quintas.

sábado, 29 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (V) : Castas e Pratos

...continuando:
O jantar no 2º dia desta jornada de enoturismo aconteceu no restaurante Castas e Pratos, situado na Régua, já meu conhecido de outras jornadas, tendo-o referido nas crónicas "Rescaldo da ida ao Douro : a Régua e os Douro Boys" e "Rescaldo da ida ao Douro : e os outros", publicadas em 29/9/2015 e 16/7/2011, respectivamente.
 Castas e Pratos é, de facto, uma referência no Douro mas, diga-se desde já, é completamente diferente comer-se em grupo ou isolado. No caso presente, alguns dos participantes ficaram desconfortavelmente sentados em grandes maples e muito afastados da mesa. Quanto ao serviço de vinhos, nem sempre os ditos chegaram à mesa antes dos pratos, nem as temperaturas das garrafas de tinto eram as mais correctas. Neste aspecto e noutros, o Castas e Pratos ficou muito aquém do DOC.
Quanto aos beberes e comeres, desfilaram:
.Dona Matilde 2015 branco - presença de citrinos, notas vegetais e amargas, alguma acidez, volume e final de boca discretos. Nota 15,5.
Não ligou muito bem com uma bola de alheira recheada com queijo da Serra (seria mesmo?) e cogumelos.
.Andreza Reserva 2014 tinto - aroma intenso, muita fruta vermelha e preta, alguma acidez, notas especiadas, taninos presentes civilizados, rusticidade, volume médio e final de boca algo persistente. Prejudicado por ter sido servido acima da temperatura recomendável. Nota 16.
Harmonizou com um prato de bacalhau em crosta de amêndoa, puré de grão e couve roxa.
.Croft Tawny - simples e correcto, cumpriu bem a sua função, tendo sido servido à temperatura correcta. Nota 15,5.
Acompanhou creme queimado com gelado.
Uma nota simpática: nas mesas estava um dos azeites CARM, para quem quisesse molhar o pão.
continua...


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Boas notícias : 25 de Abril, Quando Portugal Ardeu, Barca Velha e OliStori

1.25 de Abril
A boa notícia é que o espírito de Abril ainda está vivo e não se esgotou na geração que o viveu. Milhares de pessoas manifestaram-se em Lisboa, com alegria e militância. Mais, parte considerável dos manifestantes era jóvem, o que sinceramente me surpreendeu.
Depois de ter almoçado na Associação 25 de Abril, também me incorporei na manifestação onde encontrei amigos que já não via há algum tempo.
A outra boa notícia é que os militares de Abril voltaram ao Parlamento, do qual se tinham afastado por motivos óbvios.
E para o ano, há mais. 25 de Abril, sempre!
2.Quando Portugal Ardeu
É o título de um oportuno livro da autoria de Miguel Carvalho, jornalista de investigação no semanário Visão, editado nas vésperas do 25 de Abril pela Oficina do Livro. Como sub-título lê-se "Histórias e segredos da violência política no pós-25 de Abril", tendo como pano de fundo a rede bombista e os contra-revolucionários do MDLP. Para a geração que viveu estes tempos é importante recordar e, para as gerações mais novas é importante conhecer.
É, portanto, uma boa notícia. Já o li num fôlego e recomendo-o.
2.Barca Velha 2008
Outra boa notícia: o Barca Velha 2008 acabou de obter 100 pontos, atribuídos pela revista norte americana Wine Enthusiast, a nota mais alta desde sempre conseguida por um vinho português não fortificado. Parabens à Sogrape e à sua equipa de enologia, encabeçada pelo Luis Sottomayor.
Já tive a ocasião de provar este portentoso vinho e dele dei notícia na crónica "Vinhos em família : Barca Velha e outros", publicada em 7/3/2017, onde referi "(...) será talvez o melhor Barca Velha de sempre (...). Nota 19". Mas, pelos vistos, fui somítico na nota dada.
3.OliStori
Mais uma boa notícia: abriu recentemente a OliStori (Rua da Madalena,137), uma loja que apostou fortemente nos azeites portugueses de referência. Em parte, a respectiva selecção de azeites, inspira-se no livro "Os melhores 100 Azeites de Portugal" do jornalista Edgardo Pacheco (editora Lua de Papel), que recomendo vivamente.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (IV) : Qtª do Vallado e Qtª Nova N. Srª do Carmo

...continuando:
1.Qtª do Vallado
Tive muita pena que o Francisco Ferreira, um dos mediáticos Douro Boys, não pudesse ter aparecido para lhe dar um grande abraço e recordar os bons velhos tempos das Coisas do Arco do Vinho (CAV). Eu já estive aqui por diversas vezes, mas é sempre um prazer voltar.
Fomos recebidos pela Joana Gomes, uma enóloga responsável pelo enoturismo da Qtª do Vallado, que nos conduziu e guiou, com o maior dos profissionalismos e simpatia, pela adega nova e sala das barricas. Também tivemos oportunidade de provar os seguintes vinhos:
.2016 branco (correcto, mas sem impressionar)
.2015 tinto (idem)
.Touriga Nacional 2014 (estruturado e complexo, volume e final de boca apreciáveis)
.Reserva 2014 (com base em vinhas velhas, grande complexidade, mas a precisar de tempo para se harmonizar)
.Tawny 10 Anos (com um bom potencial, parecendo ter mais uns anitos, está ao nível do R P provado na véspera)
2.Qtª Nova
Já a conhecia na versão antiga onde, a convite do casal Fátima Burmester e António Pimenta, passei um fim de semana com a minha mulher. A Qtª Nova, agora pertença da família Amorim, foi ampliada e modernizada.
Em representação da Luisa Amorim fomos recebidos pela Paula Sousa, responsável pelo enoturismo,  já minha conhecida dos tempos das CAV, que nos conduziu directamente para o restaurante (o Conceitus Winery, cujo chefe estava presente e dá pelo nome de Rui Frutuoso).
Durante o repasto e apresentados pela Paula Sousa, desfilaram:
.Qtª Nova 2014 tinto - aromas primários, muita fruta vermelha, alguma acidez, taninos presentes, volume e final médios. Nota 16.
Não gostei da ligação com o belíssimo caldo verde, tosta de broa e chouriço.
.Grainha Reserva 2015 branco - com base nas castas tradicionais do Douro a que se juntou a Fernão Pires, estagiou 15 meses em barrica - presença de citrinos e fruta cozida, alguma acidez e notas amanteigadas, volume e final de boca agradáveis. Nota 16,5+.
Maridou bem com um saboroso carpaccio de polvo (também ligaria com o caldo verde, em minha opinião).
.Qtª Nova Grande Reserva 2013 (previamente decantado) - com base em vinhas velhas e Touriga Nacional, estagiou 18 meses em barrica; aroma envolvente, frutado, complexo e especiado, acidez equilibrada, taninos presentes, volume e final de boca notáveis. Grande potencial de evolução, melhor daqui a 6/7 anos. Nota 18.
Harmonizou com um naco de vitela, batata a murro e legumes salteados. Pena que alguma carne, embora saborosa, tivesse demasiado al dente.
.Qtª Nova LBV 2012 - nariz contido, muita fruta, taninos ainda por domar, final doce. Nota 16.
Não ligou muito bem com a sobremesa (crocante de leite de creme com gelado de nata). Harmonizaria melhor com uma sobremesa à base de chocolate.
O serviço foi eficiente e esclarecido, com os vinhos a chegarem à mesa antes dos pratos.
Depois do almoço, a Paula Sousa, muito profissional e o braço direito da Luisa Amorim, mas também simpática e divertida, conduziu-nos numa visita à adega e sala das barricas. No final ainda tivemos a oportunidade de provar 3 vinhos (Pomares 2015 branco, Qtª Nova Reserva 2014 e Grainha Reserva 2014).
continua...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

No rescaldo do peixe em Lisboa 2017

Este ano o Peixe em Lisboa sofreu várias alterações, umas para melhor e outras para pior.
Em primeiro lugar, a localização. Saíu do Pátio da Galé, em pleno Terreiro do Paço, onde era fácil de chegar, para se espraiar no renovado Pavilhão Carlos Lopes, onde quem leve carro não é nada fácil estacioná-lo. Tinha, de facto, mais lugares sentados, mas eu gostei francamente das edições anteriores.
Em segundo lugar, a parceria com os meus amigos da José Maria da Fonseca terminou. Em sua substituição, um balcão de vinhos da Região de Lisboa que possibilitava, a copo, o consumo de 2 espumantes, 21 brancos (3 eram colheitas tardias), 8 rosés, 12 tintos (lamentavelmente todos à temperatura ambiente), 3 licorosos e 2 aguardentes. Preços de 2 a 8 €. Apesar desta maior oferta, eu preferia a modalidade vinhos da JMF.
Em terceiro lugar, o sistema de pagamento. Acabou o antigo sistema de senhas e à entrada cada participante recebia um cartão tipo MB que ia acumulando as despesas feitas, a pagar à saída. Muito mais prático, embora perigoso pois passei a gastar algo mais.
Dos 10 restaurantes presentes, experimentei 6 no total das duas visitas:
.Boi-Cavalo - lingueirão, miso, beterraba e trigo sarraceno (curioso, nada mais do que isso)
.Sá Pessoa - polvo assado, molho romesco e alcaparras (muito saboroso, talvez o melhor prato provado)
.Kiko Martins - mini sandes de choco e camarão (uma delícia)
.Bertílio Gomes - carapau curado, muxama, framboesas e caldo de tomate (interessante)
.Paulo Morais - terrina de foie gras com peixes curados (saboroso, mas servido demasiado frio)
.Ibo - croquetes de sapateira com maionese de lima (não sabia à dita sapateira, uma pena)
Alguns dos chefes responsáveis estavam presentes, nomeadamente o Sá Pessoa, o Paulo Morais, o Bertílio Gomes e o João Pedrosa (do Ibo), o que é de louvar.
Bebi, no primeiro dia, uma deliciosa cerveja 1927 Munich Dunkel (2 €) e, no segundo, um copo de branco Qtª Chocapalha Arinto 2015, fresco e mineral (6 €, algo exagerado).
Uma curiosidade: este ano não houve borlas no café que era, novamente, Nexpresso.
Resumindo e concluindo, o meu voto é para que o Peixe em Lisboa regresse ao Terreiro do Paço. Tenho dito!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (III) : o DOC

continuando:
Este imperdível restaurante em Folgosa do Douro, praticamente em cima do rio, já era meu conhecido. A minha estreia em 2007 foi algo frustante, mas a revisita em 2011 apagou a má impressão inicial, tendo-o considerado "uma referência não só no Douro, como no resto do país e vale todos os euros da conta", em crónica publicada em 16/7/2011 com o título "Rescaldo da ida ao Douro (I) : o DOC...".
Calhou agora ter ficado numa mesa com vista para um ecran de televisão ligado à cozinha, podendo acompanhar o que por lá se fazia e que não era pouco. Contei 11 empregados em diversas tarefas à volta dos tachos e somando-os aos 9 que estavam na sala, davam a inacreditável soma de 20, debaixo da batuta da Cristina Canelas, mulher do chefe, muito dinâmica, eficiente e simpática. O Rui Paula não estava, mas entrou em directo via skype e falou com algumas pessoas. Mais:
.O Doc tem um espaço climatizado para vinhos, com capacidade para 2000 garrafas. Uau!
.As empregadas que punham os talheres na mesa, faziam-no de luva branca. Afinal não é só na Mesa de Lemos...
.Os vinhos chegavam à mesa sempre antes de a comida, em bons copos Scohtt e um serviço de 5 estrelas.
.A ementa impressa com o menu do grupo era muito pormenorizada, incluindo não só o que íamos comer, mas também os vinhos que iam ser servidos, com a indicação dos respectivos produtores, enólogos, castas e teor alcoólico. Uma mais valia.
Quanto a comeres e beberes, desfilaram:
.Espumante Terras do Demo que desempenhou bem o papel de vinho de boas vindasa e acompanhou um carpaccio de vitela com gelado de chili e quejo parmesão.
.Mapa 2015 branco - fresco e mineral, com alguma acidez, mas notas muito vegetais e um final amargo desagradável. Nota 15,5.
Harmonizou com um robalo, arroz selvagem e legumes salteados.
.Mapa Reserva 2014 tinto - aroma intenso, frutado, acidez equilibrada, notas de esteva, taninos civilizados, alguma rusticidade, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
Maridou com cachaço de porco, puré de aipo e espargos.
Antes da sobremesa foi servido um limpa palato muito refrescante.
.Rozés Infanta Isabel 10 Anos - ainda com fruta preta, mas já com notas de frutos secos e brandy, alguma acidez e taninos, final de boca médio e doce. Nota 16,5
Fez companhia a um crepe de leite creme crocante e frutas exóticas.
Resumindo e concluindo, este jantar no DOC foi um dos pontos mais altos da nossa viagem. A gastronomia e o serviço foram de grande qualidade, mas foi pena que os vinhos servidos não estivessem à altura dos acontecimentos. Mas não se pode ter tudo...
continua...

sábado, 15 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (II) : Quinta da Ervamoira

...continuando:
Na primeira jornada fizemos uma directa de Lisboa à Quinta da Ervamoira, um sonho que José António Rosas, na altura administrador da Ramos Pinto, conseguiu tornar realidade, após um esforço hercúleo que começou em Lisboa e acabou no Douro Superior. É uma das quintas mais emblemáticas do Douro e quem nunca lá foi,não conhece verdadeiramente aquela Região!
O grupo foi recebido pelo João Nicolau de Almeida, sobrinho do José Rosas e um grande senhor no mundo do vinho, que nos obsequiou com um Porto Branco (o Adriano White Reserve) e orientou uma prova antes do almoço, tendo apresentado o Adriano Reserva e os R P 10, 20 e 30 Anos, em "crescendum" de qualidade.
O almoço, que começou já passava das 14h30 (um ponto a rever em próximas visitas), desenrolou-se junto ao Museu e debaixo do grande alpendre que já nos albergara quando ali estive com o grupo de amigos e clientes das Coisas do Arco do Vinho.
Na mesa, uma ementa impressa com a indicação do menú regional que constava de um creme de cenoura, uma feijoada à transmontana, óptima para recuperar energias, e um gelado de figo a fechar.
Acompanharam:
.Duas Quintas 2014 - nariz contido, muita fruta vermelha, alguma acidez e rusticidade, volume e final médios. Servido em copo Riedel e gastronómico, casou bem com a feijoada. Nota 16,5.
.R P 10 Anos - já com pouca fruta, frutos secos a imporem-se, notas de maracujá e algum brandy, taninos evidentes, volume e final de boca médios. Nota 16,5+.
No final do repasto e após a oferta de uma garrafa de Duas Quintas Reserva 2014 a cada um de nós, com o rótulo personalizado pela Tryvel, a Ana Filipa Correia conduziu uma visita ao imperdível Museu que, segundo o folheto que nos foi distribuído, inclui " (...) peças da época da ocupação romana e da Idade Média (...) e alguma garrafas históricas da Ramos Pinto (...)".
Curiosamente, reencontrámos (a minha mulher e eu) a Sónia Teixeira que nos guiou na nossa primeira visita à Quinta da Ervamoira, ainda no século XX! Ela é uma mulher tipo 3 em 1, pois é motorista, guia e serve à mesa, além de muito simpática.
Esta primeira etapa foi, para mim, o ponto mais alto da viagem ao Douro. Agradeço ao Rui e à Maria João, a oportunidade de voltar a revisitá-la!
Antes do jantar, tivemos ainda a oportunidade de assistir, na Quinta da Roeda (Croft), à abertura a fogo de uma garrafa de Porto Vintage 2002, que também tivemos a ocasião de provar. É sempre um espectáculo!
Continua...

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Enoturismo no Douro (I) : mais outra grande jornada

Depois de ter participado numa viagem ao Dão, a qual deu origem a 6 crónicas neste blogue, sendo a primeira "Enoturismo no Dão (I) : uma jornada inesquecível", publicada em 8/10/2016, seguiu-se-lhe uma grande jornada no Douro, passando ao lado de uma visita ao Alentejo, cujas datas (nos primeiros dias de Dezembro) não eram nada aliciantes.
Mais uma vez, os responsáveis foram o Rui Nobre, o promotor destas viagens, e a Maria João Almeida, a animadora no terreno. Estão, ainda, previstas até ao final do ano viagens aos Açores, Rioja, Tokaji, Mendoza e Toscania. Mais informações em tryvel.pt/trywine.
Voltando ao Douro, visitámos a Quinta da Erva Moira (talvez o momento mais alto da viagem e onde almoçámos), a Quinta da Roeda (apenas para assistirmos a uma demonstração de abertura a fogo de uma garrafa de Porto Vintage), Quinta do Vallado, Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo (onde almoçámos) e Quinta do Portal (onde almoçámos). Jantámos no DOC (outro momento muito alto da jornada) e no Castas e Pratos (o menos conseguido), tendo ficado alojados 2 noites no magnífico Hotel Vintage House.
O balanço da viagem foi altamente positivo, apenas alertando para o facto de em próximas edições ser revista a utilização de um autocarro nada apropriado a transitar nas estradas do Douro, que obrigou o motorista, aliás de 5 estrelas, a fazer manobras em excesso.
Se não me enganei no inventário, provámos no decorrer desta viagem 12 vinhos (2 brancos, 3 tintos e 7 Portos) e bebemos às refeições mais 19 vinhos (4 brancos, 7 tintos e 8 Portos), num total de 31 néctares. É obra!
À semelhança do enoturismo no Dão, a Tryvel distribuíu uma pequena brochura a cada um dos participantes, que incluía o programa, informação sobre o alojamento, consehos úteis e uma história resumida de cada local visitado. Remeto para o livro "Guia do Enoturismo em Portugal" da Maria João Almeida, o desenvolvimento das histórias de cada produtor.
Em próximas crónicas, que poderão não ser consecutivas, desenvolverei a visita a cada um dos locais citados.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Grupo dos 6 : tintos de 2008 e 1 Fonseca 1997

Este novo grupo de partilha de bons néctares, constituído à volta de um Bual 1920 (ver crónica "Almoço com Bual 1920 e outras pingas de eleição" publicada em 14/2/2017) voltou a juntar-se à volta de outras boas pingas (2 brancos surpresa, 3 tintos de 2008 e 1 Fonseca Vintage 1997) que se portaram muito bem. O repasto foi no Comendador Silva, descoberto há pouco tempo (ver crónica "Grupo dos 3 (...)" publicada em 26/3/2017) e que merece todos os elogios, embora peque por ter 2 televisores ligados, embora sem som. Não havia necessidade...
Mas vamos aos beberes e comeres que os acompanharam. E eles foram:
.Lacrau Garrafeira 2011 (levado pelo Frederico) - com base em vinhas velhas; aroma intenso, presença de citrinos e fruta cozida, ligeira oxidação, acidez equilibrada e notas amanteigadas, madeira bm casada, volume e final de boca notáveis. Um branco surpreendente, lançado há pouco tempo. Nota 18.
.Vinha dos Amores Encruzado 2014 (levado pelo João) - veio ocupar o lugar dos Condes e Condessas de Santar, marca descontinuada; muito aromático com citrinos bem presentes, fresco e mineral, acidez acentuada, elegante e harmonioso, estrutura e final de boca médios. Nota 17,5.
Estes brancos acompanharam pastéis de bacalhau, croquetes de alheira e uma belíssima sopa de peixe e marisco.
.Leo d´Honor 2008 (levado pelo Juca) - 100 % da casta Castelão; nariz contido, boa acidez, notas químicas, especiado, taninos civilizados, algum volume e final longo. Uma boa surpresa e a Castelão no seu melhor. Nota 18.
.Qtª Vale Meão 2008 (levado pelo J.Rosa) - com base nas castas Touriga Nacional (55 %) e Touriga Franca (30 %) e outras (15 %); cor muito viva, ainda frutado, acidez equilibrada, taninos muito presentes mas civilizados, grande volume e final de boca extensíssimo. O Douro no seu melhor. Nota 18,5+.
.Três Bagos Grande Escolha 2008 (levado por mim) - aromas terciários, belíssima acidez, taninos de veludo, especiado e complexo, muito elegante e harmonioso, volume e final de boca equilibrados. Nota 18,5.
Estes tintos harmonizaram com um bacalhau com puré de grão e grelos e, ainda, com um naco da vazia com puré de batata.
.Fonseca Vintage 1997 (levado pelo Adelino) - ainda muito frutado e jóvem, alguma doçura, taninos presentes e bem comportados, volume acentuado e final de boca persistente. Há que esperar por ele mais uns anitos. Nota 18.
Acompanhou pão de ló de chocolate.
Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes.

domingo, 9 de abril de 2017

Curtas (LXXXVI) : os Imperdíveis e 2 novos espaços

1.Imperdíveis
Já aqui referi, por diversas vezes, este interessante e imperdível programa do Porto Canal, focado no mundo do vinho. No entanto, como no melhor pano pode cair uma nódoa, este novo formato não é excepção. A parte do programa dedicada a uma prova cega de vinhos não tem qualquer lógica e não faz nenhum sentido ao comparar o que não é comparável. Num dos últimos episódios que vi, a prova cega dedicada a vinhos da Madeira até 30 € metia no mesmo saco:
.Cossart Gordon Bual 2005
.Henriques & Henriques Single Harvest 1997
.Barbeito Single Harvest Tinta Negra 2004
.Blandy's Single Harvest Malmsey 2006
.Borges Malmsey 1998
Castas e anos de colheita diferentes, tudo ao molho. Francamente! Ó senhores dos Imperdíveis, corrijam lá esse disparate!
2.Nova
É um novo espaço, misto de loja e bar, que se situa em pleno Chiado (R. Nova do Almada,20). O seu mentor é o Pedro Caixado, ligado ao nascimento do nosso (do Juca e meu) projecto Coisas do Arco do Vinho, pois foi ele, como criativo e design de profissão, que concebeu o feliz, inconfundível e emblemático logotipo. Desejo-lhe muitos anos de vida.
3.Wine District
Pertencente à Quinta de São Sebastião e também localizado no Chiado (R. Ivens,44), é um imenso e impressionante espaço de "wine e tapas", bem equipado com uma série de armários térmicos, que se espalha por loja, bar e esplanada interior. Embora abra à hora do almoço, não tem cozinha, o que é algo contraditório, esgotando-se nos queijos, enchidos e conservas, mais apropriados para finais de tarde. A ver vamos...

sábado, 8 de abril de 2017

Expressões da Nossa Terra : um curioso e original espaço 3 em 1

Este curioso e original espaço de restauração tipo 3 em 1 (restaurante & petisqueira/ garrafeira & wine bar/ mercearia & charcutaria) fica bem perto do Comendador Silva, mas do outro lado da rua (R. Latino Coelho, 63A). Edita bimestralmente uma pequena brochura (8 páginas) inspirada no tradicional almanaque Borda d' Água, com uma série de informações e a ementa dos jantares e dos almoços de Sábado.
Durante a semana, nos almoços de 2ª a 6ª feira a ementa é fixa e custa 10 €, com direito a couvert, sopa, prato e bebida. Uma pechincha! Quando lá fui tive direito a um creme de favas, coentrada de pampo (escolhido entre 3 pratos) e um copo de vinho.
Quanto a vinhos, a lista não é nada óbvia e apresenta preços muito sensatos. Inventariei 2 champanhes, 5 espumantes (1 a copo), 39 brancos (3), 50 tintos (6) e 6 fortificados (Porto, Madeira e Moscatel, todos a copo). Mas, lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos. Uma pena...
Bebi o Torres de Estremoz 2016 - enologia do Tiago Cabaço; nariz austero, alguma fruta, notas vegetais intensas, acidez nos mínimos, magro de corpo e final de boca amargo. Abaixo do expectável. Nota 14. A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar e servida uma quantidade generosa num bom copo.
Como mais valia, a existência de armários térmicos para os tintos. Serviço simpático, eficiente e muito despachado. Recomendo uma visita ao WC, onde se pode ver/ler uma das paredes completamente forrada com páginas da Revista de Vinhos.
Tenciono voltar.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Vinhos em família (LXXVIII)

Mais 4 vinhos provados em família com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Hexagon 2008 (oferta da Confraria do Periquita, da qual faço parte) - o nome deve-se ao facto de serem 6 gerações da família Soares Franco e 6 castas (Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Trincadeira, Tinto Cão e Tannat); nariz discreto, notas florais, acidez no ponto, ainda com alguma fruta, levemente especiado, taninos civilizados, madeira bem casada, volume e final de boca médios. Elegante e no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
.PAPE 2011 - com base, em parte, na Touriga Nacional; nariz contido, fresco e floral, bela acidez, acentuado volume de boca e final persistente. Melhor 24 horas depois. A consumir dentro de 7/8 anos. Nota 18.
.Comendador Delfim Ferreira (Qtª dos Frades) 2011 (garrafa nº 1410/2700); enologia de Anselmo Mendes; com base em vinhas velhas e com pisa a pé; ainda com fruta, acidez equilibrada, notas de esteva, especiado, volume e final de boca notáveis. Complexo e harmonioso. Uma boa surpresa que ainda não conhecia. Nota 18,5.
.Cossart Gordon Terrantez 1977 (engarrafado em 2004) - aroma intenso e complexo, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, brandy e caril, taninos presentes, volume considerável e final de boca muito longo. A Madeira no seu melhor! Nota 18,5+.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Novo formato+ (26ª sessão) : nota alta para os tintos Douro 2007 e um Madeira excepcional

Esta última jornada foi da minha responsabilidade, com 8 vinhos da minha garrafeira (1 generoso dos Açores, 2 brancos de 2015, 4 tintos de 2007 e 1 Madeira). O repasto de correu na sala nova da Enoteca de Belém, onde a comida vinda da cozinha foi ali empratada, tendo o Ricardo dirigido as operações. Tirando a torta servida como uma das sobremesas, todos os pratos atingiram um patamar alto. Na sala, o Ângelo encarregou-se de tratar dos vinhos, provados (à excepção do primeiro) todos às cegas, depois de previamente decantados. Serviço de 5 estrelas.
Para cada prato, foram postos em confronto 2 vinhos. Desfilaram:
.Czar Superior 2009, com a indicação de meio doce no rótulo (o que não é verdade, pois este vinho do Pico é meio seco e óptimo como aperitivo) - com base nas castas Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantez do Pico; frutos secos, notas de iodo, caril e brandy, sugere alguma semelhanças com um Madeira, mas sem o seu típico vinagrinho. Foi a bebida de boas vindas. Nota 17.
Acompanhou frutos secos.
.Redoma Reserva 2015 - presença de citrinos e fruta cozida, alguma acidez e mineralidade, volume e final de boca médios. Esperava mais. Nota 17.
.Conceito 2015 - complexidade aromática, notas cítricas e vegetais, acidez equilibrada, alguma gordura, volume e final de boca. Venceu claramente o confronto. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos maridaram com uma canja de bacalhau e couve cozinhada em molho de ostras.
.Qtª do Vesúvio - aroma afirmativo, ainda com fruta, acidez no ponto, notas especiadas, taninos civilizados, volume apreciável e final longo. Elegante e harmonioso. Nota 18.
.Qtª do Noval - nariz mais discreto, ainda com fruta, acidez equilibrada, taninos de veludo, especiado, algum volume e final de boca persistente. Mais envolvente e complexo que o anterior. Nota 18,5.
Estes 2 tintos, ainda longe da reforma, harmonizaram com um saboroso polvo no forno com arroz cremoso.
.Ferreirinha Reserva Especial - aroma intenso, muita fruta vermelha, alguma acidez e complexidade, fresco e floral, algo especiado, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Em forma mais ainda alguns anos. Nota 18,5.
.Qtª do Crasto Maria Teresa - aromas terciários, ainda com alguma fruta  acidez, complexo e especiado, com predominância de pimenta, presença de taninos mas não agressivos, volume notável e extenso final de boca. Longevo e um dos grandes vinhos do Douro! Nota 19.
Estes 2 tintos casaram bem com lombinhos de porco ibérico.
.Borges Malvasia +40 Anos (garrafa nº 827/1000) - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, caril e brandy, taninos evidentes, grande volume e final interminável com alguma doçura. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Acompanhou uma torta com doce de ovos, tábua de queijos e fruta laminada.
Foi mais uma grande sessão de convívio, com grandes vinhos, boa gastronomia e serviço, como a Enoteca de Belém nos tem habituado.
.

terça-feira, 28 de março de 2017

Jantar Tiago Cabaço

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez com vinhos do produtor/enólogo Tiago Cabaço que estava presente e os apresentou aos participantes. O repasto teve lugar no Lisboète, um dos espaços de restauração da minha preferência, com o chefe Walter Blazevic inspiradíssimo.
Na sala, a Mariana Monte que fazia anos nessa data, o que provocou que o final do jantar tivesse deslizado para o dia seguinte. Não fora isso, o ritmo de serviço teria sido o adequado. De resto, os vinhos, com excepção do último tinto, foram chegando à mesa antes da comida.
Quanto aos beberes e comeres, desfilaram:
..Com Premium 2016 - com base na casta Antão Vaz; presença de citrinos, notas vegetais, acidez no ponto, correcto e descomprometido, não fica na memória. Nota 15.
Acompanhou mousse de tamboril com legumes.
.Tiago Cabaço Encruzado 2015 - aroma intenso, fresco e frutado, acidez equlibrada, notas amanteigadas, volume e final de boca médios, gastronómico. Uma casta improvável no Alentejo, mas que se portou muito bem. Nota 16,5+.
Maridou com um excelente aveludado de bacalhau.
.Tiago Cabaço Vinhas Velhas 2015 branco - nariz austero, fruta madura, alguma acidez e gordura, volume e final de boca adocicado. Muito gastronómico. Nota 16,5.
Harmonizou bem com uma trilogia de peixe.
.Tiago Cabaço Alicante Bouschet 2013 - aromático, muita fruta preta e vermelha, excelente acidez, notas especiadas, taninos evidentes, volume e final de boca médios. Pede um prato de forno. Foi o tinto que mais me impressionou. Nota 17,5+.
Passou por cima do folhado de cogumelos.
.Blog 2012 (Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah) em garrafa de 5 litros e Blog 2012 (Alicante Bouschet e Syrah) - nariz intenso, acidez equilibrada, taninos dóceis, volume e final de boca médios, distinguindo-se o primeiro pela presença de notas mais florais que lhe dá a Touriga. Nota 17,5 (para ambos).
Acompanharam um saboroso pato (mas demasiado al dente) com puré de batata.
.BD Open Minds branco doce - uma curiosidade pouco interessante. Prova-se e esquece-se de imediato. Não havia necessidade...
Em conclusão, mais um evento interessante, com algumas boas surpresas, um chefe à altura e a dona de parabens.

domingo, 26 de março de 2017

Grupo dos 3 (56ª sessão) : um Alvarinho de respeito e um tinto surpreendente

Esta última sessão foi da responsabilidade do João Quintela que trouxe 2 brancos, 1 tinto e 1 late harvest e escolheu o Comendador Silva (Rua Latino Coelho,50A), um restaurante aberto em finais do ano passado e que eu ainda não conhecia. É um espaço acolhedor, com as mesas bem aparelhadas, guardanapos de pano e bons copos. Mas, no entanto, no melhor pano pode cair uma nódoa. Neste caso são as duas televisões ligadas, embora sem som. Não havia necessidade...
A gastronomia, a cargo do chefe Napoleão Valente, e o serviço de sala com o Vitor Pereira estiveram à altura dos acontecimentos. Recomendo vivamente este espaço e tenciono voltar.
Quanto aos beberes e comeres, desfilaram:
.Portal do Fidalgo Alvarinho 2011 - aroma intenso, presença de citrinos, belíssima acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Este Alvarinho evoluiu muito bem e ainda está longe da reforma. Nota 17,5+.
Harmonizou bem com codorniz de escabeche e alheira de caça.
.Qtª do Sobreiró de Cima Reserva 2013 - nariz austero, fresco e mineral, boa acidez, volume e final de boca médios. Gastronómico. Nota 17.
Acompanhou um imperdível Arroz do Mar.
.Canameira Grande Reserva 2011 - aroma complexo, ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado, taninos vigorosos, volume assinalável e final de boca muito longo. Complexo e harmonioso. Melhor daqui a 7/8 anos.Uma grande surpresa! Nota 18,5.
Casou bem com uma jardineira de coelho.
.Lenz Mozer Late Harvest 2005 - notas de tangerina e casca de laranja, acidez e doçura equilibradas, alguma gordura, volume e final de boca consideráveis. Nota 17,5.
Acompanhado por uma sobremesa com sericaia, citrinos e canela.
Mais uma boa sessão com os vinhos e gastronomia à altura, num espaço de restauração de qualidade.
Obrigado João!

quinta-feira, 23 de março de 2017

Porto Extravaganza:os Garrafeiras da Niepoort (II)

2.O jantar
O título desta crónica pode enganar, pois neste jantar em que participei no 1º dia do Porto Extravaganza os Garrafeiras ficaram de fora. Nesta segunda parte do evento que decorreu no restaurante do Palácio de Seteais, tivemos a oportunidade de provar/beber 7 vinhos da Niepoort (1 rosé, 1 branco, 3 tintos e 2 fortificados) devidamente apresentados pelo Dirk que também participou no jantar.
De um modo geral a comida ficou abaixo das expectativas, o serviço cumpriu, as temperaturas dos vinhos eram mais ou menos as correctas, mas os copos Zalto (uma marca para mim desconhecida) tiveram que ser avinhados para acudir às necessidades. Cada vez que pegava num copo, ficava com o credo na boca, pois tinham um pé extremamente fino que se podia partir em qualquer momento.
O que bebemos e comemos? Ei-los:
.Redoma 2016 rosé - aroma intenso, notas apetroladas, alguma acidez e final de boca amargo. Nota 15.
Acompanhou camarão, mexilhão e lula em caldo de Bulhão Pato.
.Conciso 2015 (Dão) branco - com base nas castas Bical, Encruzado e Malvasia Fina; presença de citrinos, fruta cozida, fresco e mineral, acidez pronunciada, madeira bem casada, elegante e equilibrado, volume e final de boca assinaláveis. Longevo e gastronómico. Nota 17,5.
.Conciso 2012 (Dão) tinto - fresco com acidez demasiado presente, notas de caruma e resina, taninos rugosos, volume médio e final de boca persistente. Desequilibrado. Nota 15,5.
Estes 2 vinhos do Dão fizeram companhia a um pregado com carolino de mexilhão e tinta de choco, mas enquanto o branco harmonizou, o tinto conflituou.
.Charme 2014 - muito fresco, elegante e sofisticado, , acidez no ponto, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Prejudicado por ter chegado à mesa gelado (!?). Nota 17,5.
.Batuta 2013 - nariz intenso, muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos vigorosos, mas elegante e harmonioso, volume e final de boca apreciáveis. Nota 18.
Estes tintos casaram bem com um magret de pato.
Quase a fechar, foram servidos uma amostra do Vintage 2015, cheio de fruta e taninos, anunciando um bom futuro e, ainda, o Colheita 1974.
Acompanharam um "feulletine" de chocolate.
No fim do repasto, foi servida com o café a Aguardente Vínica Velha que já não provei.
Como conclusão, o jantar ficou uns furos abaixo da prova dos 10 Garrafeiras da Niepoort, que chegou a um inesquecível patamar de excelência.

terça-feira, 21 de março de 2017

Porto Extravaganza : os Garrafeiras da Niepoort (I)

1.A prova
Começo por dizer que neste 1º dia do Porto Extravaganza, dedicado aos Garrafeiras da Niepoort e que decorreu no Palácio de Seteais (Sintra), participei numa prova irrepetível que só acontece uma vez na vida!
Superiormente organizada pelo Paulo Cruz, o dono do Bar do Binho em Sintra, teve como primeiro anfitrião o Dirk Niepoort, o grande embaixador dos vinhos portugueses e animador dos Douro Boys.
O Dirk, coadjuvado pelo José Nogueira, seu adegueiro e reputado alquimista, apresentou 10 Porto Garrafeira do mais recente (1977) ao mais antigo (1931).
Foi um momento de veneração e partilha daqueles impressionantes néctares, não dando ocasião para poder escrever as minhas impressões sobre cada um deles. Limitei-me a pontuá-los, mas, para mim, ficou claro que os últimos 5 estão num patamar superior em relação aos 5 primeiros, que vieram com uma temperatura acima do desejável. No entanto o Dirk afirmou-me que os mais recentes chegariam ao nível dos outros. Era só uma questão de tempo. Poderá ser, mas já cá não estarei para confirmar.
Em relação aos Garrafeira e para quem não saiba, a brochura editada pela Niepoort refere "A segunda geração da família, no final do século XIX, teve a feliz ideia de adquirir a uma vidreira alemã de Oldenburg cerca de 4000 garrafões (demijohns). Eduard Marius van der Niepoort, avô de Dirk, deu destino aos demijohns e engarrafou os melhores vinhos da vindima de 1931, tendo assim criado o Garrafeira Niepoort." Acrescente-se que o Garrafeira permanece alguns anos em pipas antes de envelhecer cerca de 30 anos nos referidos garrafões de vidro, o que lhe dá um perfil muito particular e único.
Para memória futura, os Garrafeira provados foram:
.1977 (dos primeiros 5, achei este o mais promissor; nota 18)
.1976 (nota 17+)
.1974 (o menos interessante; nota 17)
.1952 (17,5+)
.1950 (17,5)
.1948 (18,5)
.1940 (18,5)
.1938 (18)
.1933 (19)
.1931 (19)
A terminar, dois apontamentos:
.1º - um dos amigos com quem fui, no final da prova fez uma oportuna e justa intervenção, elogiando o trabalho desenvolvido pelo Paulo Cruz, a condução da prova por parte do Dirk e do José Nogueira e, ainda, lembrando o papel desempenhado pelo saudoso José António Salvador na divulgação do Vinho do Porto e outros fortificados (Madeira e Moscatéis);
.2º - A SIC passou uma peça no jornal da noite de Domingo, dedicada ao Porto Extravaganza, que ainda pode ser vista.
A próxima crónica será dedicada ao jantar.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Lisboa Restaurant Week (II) : almoço no Varanda de Lisboa

Voltei a aproveitar a plataforma The Fork, para almoçar no restaurante do Hotel Mundial por 19 + 1 €, com direito ao couver (o Varanda de Lisboa deve ter sido o único espaço de restauração a oferecer o couver, o que se aplaude), entrada (a escolher entre duas), prato (idem) e sobremesa (a escolher no carrinho entre diversas).
Escolhi o folhado de queijo de cabra, bochecha de bísaro à bordalesa e uma salada de frutas tropical. Gostei francamente da bochecha e não tanto do folhado.
Quanto a vinhos, a respectiva carta peca pela omissão dos anos de colheita e por separar os brancos da Região de Vinhos Verdes dos restantes, erros que lamentavelmente são comuns à maioria dos restaurantes que conheço. Mais, os tintos estavam à temperatura ambiente.
Optei por uma garrafa (éramos 4 à mesa) do tinto Quinta da Invejosa Reserva 2011 (Palmela), para mim um ilustre desconhecido - 100 % Castelão, estagiou 12 meses em pipas de carvalho; ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado com a pimenta a impor-se, taninos civilizados, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, mas rapidamente metida num vaso com água e gelo para o pôr à temperatura correcta.
Bons copos Schott e boa prestação do enólogo do hotel.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Vinhos sem Fronteiras : mais um evento a não perder

É já no dia 25 de Março (Sábado), das 15 às 22 h, que a Garrafeira Néctar das Avenidas arranca com a 1ª edição deste evento, numa das salas do Hotel Real Palácio, onde costuma decorrer o Bairradão de boa memória. A entrada é livre, só sendo necessário adquirir o copo de prova (2 €).
Estão confirmados 8 produtores de Espanha (José Pariente, Viñedos de Nieva, Bodegas Aalto, Artadi, Martué, Bodegas Maurodos, Descendientes J. Palacios e Gramona), 9 de França (Domaine Févre, Domaine du Pegau, Chateau Haute Sarpe, Gonet-Médeville, Domaine du Bel Air,  Domaine Barmés-Buecher, Trimbach, Domaine Mikael Bouges e Chateau Minuty), 3 de Itália (Pio Cesare, Rocca Delle Macie e Borgo Molino) e, ainda, representantes da China, Líbano e Síria.
Mais informações em www.garrafeiranectardasavenidas.com.

terça-feira, 14 de março de 2017

Lisboa Restaurant Week (I) : almoço no Nobre

Após marcação através da plataforma The Fork*, por 19 + 1€ (para causas sociais), com direito a sopa/entrada, prato e sobremesa, pude almoçar no Nobre (ao Campo Pequeno), local muito frequentado por gente fina.
Escolhi a clássica sopa de santola (servida na casca), espetada de garoupa e manga com arroz malandrinho de lima e coentros e, ainda, mousse de chocolate branco com iogurte grego, gelado de framboesa e lascas de abacaxi. No final da refeição, simpática oferta de mini pastéis de nata. Tudo a um apreciável nível de qualidade e um serviço eficiente, mas muito distante.
Quanto a vinhos, a lista é pujante e com uma razoável oferta a copo. No entanto, tinha muitas faltas e era omissa quanto a anos de colheita, o que se lamenta.
Optei por um copo do Prova Régia Reserva 2014 (4,50 €) - presença de citrinos e fruta cozida, notas amanteigadas, acidez no ponto, ligeira oxidação, algum volume e final de boca. Gastronómico, ligou muito bem com a sopa e o prato. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo Schott.
Também reparei na existência de armários térmicos para controlo de temperatura dos tintos, uma mais valia.
Contrastando com os empregados correctamente ataviados, o gerente (que depois percebi ser o filho dos patrões) parecia um sem abrigo! Francamente...
* por cada reserva, acumulam-se pontos (100 de cada vez); aos 1000, tem-se direito a um desconto de 10 €, em restaurantes aderentes.

domingo, 12 de março de 2017

Próximos eventos : Peixe em Lisboa e Vinhos em Cena

1.Peixe em Lisboa
Mais uma edição deste evento anual, organizado pela ATL (Associação do Turismo de Lisboa), que decorrerá desta vez no Pavilhão Carlos Lopes, de 30 de Março a 9 de Abril. Estarão presentes os restaurantes/chefes Alma (Sá Pessoa), Arola do Penha Longa, Boi-Cavalo (Hugo Brito), Chapitô à Mesa (Bertílio Gomes), Ibo, O Talho (Kiko Martins), Rabo d' Pêxe (Paulo Morais), Ribamar (Helder Chagas), Ritz Four Seasons e Taberna da Rua das Flores (André Magalhães).
Mais informações em www.peixemlisboa.com.
2.Vinhos em Cena
Evento organizado pela UAU Espectáculos que decorrerá no Teatro Tivoli BBVA, de 23 a 26 de Março. Esta 1ª edição contará com mais de 40 produtores e, ainda, 2 workshops e 1 jantar.
Mais informações em www.uau.pt.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Tempo de revisitas : Santa Clara dos Cogumelos, Great Tastings e Bagos Chiado

1.Santa Clara dos Cogumelos
Este agradável espaço de restauração já foi aqui referido por diversas vezes, sendo a última em "Curtas (LXIX) : matar saudades...", crónica publicada em 13/12/2015.
Entre 6 Petiscos, 2 Sopas, 6 Pratos e 2 Sobremesas, todos com base em cogumelos, escolhi o petisco Ménage à Quatro (polenta, cogumelos, queijo e cebola confitada), o prato Risotto Santa Clara (porcini, trombetas, alecrim e nozes) e a sobremesa Tentações de Santa Clara.
Desta vez não fui para o vinho a copo, tendo optado pela saborosa cerveja artesanal Dois Corvos.
Como mais valia, este espaço tem agora armários térmicos para controlo de temperaturas, mas o serviço de vinhos deixa muito a desejar.
2.Great Tastings
Já o referi em "The Fork Fest (I) : restaurante Great Tastings", crónica pubicada em 19/11/2016.
Revisitei-o para testar o menu de almoço que custa 12,50 €, com direito a sopa, prato (à escolha entre 4 ou 5), sobremesa, bebida e café. Um bom preço para uma refeição completa.
Comi sopa de legumes, massada de bacalhau e sericaia com canela, menu este que acompanhei com um copo do tinto Lua Cheia em Vinhas Velhas 2014 - aromas primários, muita fruta vermelha, alguma acidez, volume e final de boca médios. Correcto e agradável, mas sem impressionar. Nota 16,5.
Por simpatia do dono, foi-me dado a provar, com a sobremesa, o Dona Maria Late Harvest 2011, correcto e simples, mas muito discreto. Nota 15,5.
3.Bagos Chiado
Também já aqui referido por diversas vezes, sendo a última em "Bagos Chiado : revisão da matéria", crónica publicada em 1/12/2016.
Optei pelo menú de 12 €, com direito à entrada (asas de frango crocantes com salada de arroz e puré de amendiom) e prato (arroz de camarão com hortelã), devidamente acompanhados por um copo do branco Vinha de Reis 2014, já mencionado e classificado numa das crónicas anteriores.
A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. Bons copos Schott, mas o serviço a baixar de qualidade. Nota-se a falta da Ana, uma profissional de 5 estrelas, que abandonou o projecto no final de 2016. Uma pena!
Quanto à lista de vinhos, com tudo datado, verifiquei que já foi corrigido o meu reparo quanto à separação dos verdes brancos dos outros. Só lhes fica bem!

terça-feira, 7 de março de 2017

Vinhos em família (LXXIX) : Barca Velha e outros

Mais uns tantos néctares provados em família e com amigos, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Correspondendo todos às minhas expectativas, foram:
.Pêra-Manca 2013 branco - com base nas castas Antâo Vaz e Arinto, estagiou 12 meses nas borras finas e 6 meses em garrafa; presença de citrinos e fruta madura, notas abaunilhadas, acidez equilibrada, boca envolvente e muito gastronómico. Precisa de comida por perto... Nota 17,5.
.Barca Velha 2008 (garrafa nº 4935/18150) - aroma fino, ainda com muita fruta vermelha, notas florais e balsâmicas, acidez no ponto, especiado, taninos de veludo, notável estrutura e final de boca longo. Harmonioso, elegante e sofisticado, será talvez o melhor Barca Velha de sempre. Em forma mais 10/12 anos. Nota 19 (noutra situação, também 19).
.Qtª Vale Meão 2008 - aromas terciários, alguma fruta, acidez equilibrada, especiado, notas de tabaco e chocolate, taninos civilizados, algum volume e final de boca persistente. Está no ponto óptimo de consumo, mas pode ser bebido nos próximos 4/5 anos (noutra 17,5+).
.Moscatel de Setúbal 25 Anos (engarrafado em 1973) - frutos secos, casca de laranja, notas de brandy e mel, doçura compensada por uma bela acidez, volume e final de boca assinaláveis. Uma raridade! Nota 18.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Provar vinhos com a Garcias

A convite da Garcias, tive a oportunidade de participar no evento "Vinhos e Amigos" que decorreu no Hotel Ritz, onde foram apresentados os novos produtos das marcas nacionais e estrangeiras representadas por este distribuidor. A sala era ampla e tinha boas condições para se andar ali de copo na mão.
Provei 25 vinhos (11 brancos, 8 tintos e 6 fortificados), uma reduzida quantidade do que por lá se encontrava.
Destes néctares, ficaram-me na memória, os brancos CV 2015, Cheda Reserva 2015 (grande surpresa!), seguidos do Mapa Vinha dos Pais 2015 (não fez esquecer o excepcional 2013) e do Fonte do Ouro Dão Nobre 2015 (de tão badalado, acabou por ser uma relativa desilusão).
Quanto aos tintos, destaque para o Fonte do Ouro Grande Reserva 2014, seguido do Qtª São Sebastião Reserva 2013 (mais outra grande surpresa!), CV 2014, Mapa Reserva Especial 2014 e Paulo Laureano Inventum 2014. Provei, ainda, o Valbuena 5º 2011 e o Pintia 2011, mas não deu para formar uma opinião, pois a quantidade posta no copo era ridiculamente ínfima. Assim, não!
A fechar as provas em beleza, foi a vez dos Madeiras da Henriques & Henriques, a começar por um excepcional Terrantez 20 Anos, seguido por um surpreendente Tinta Negra 50 Anos e os belíssimos Verdelho 20 Anos e Bual 20 Anos.
Foi um evento deveras agradável e mais fora se não tivesse contado com um saxofonista, metido a martelo, que por vezes dificultava o diálogo com os responsáveis pelos vinhos em prova. Não havia necessidade...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Delidelux : mais um espaço de restauração

A Delidelux abriu um 2º espaço (R. Alexandre Herculano,15A), cujo subtítulo é "Mercearia Charcutaria Cafetaria". Mas, em boa verdade, à semelhança do Descobre, é um restaurante com uma componente de garrafeira e produtos gourmet (chás, conservas, compotas,...) ou uma garrafeira com uma componente de restauração.
Este novo espaço não é muito confortável, com as mesas ao longo do corredor e em duas salas minúsculas. As mesas estão despojadas, nada tendo em cima do tampo de pedra, mas com guardanapos de pano. Uma contradição!
A mais valia poderá ser no tempo mais quente, ao usufruir-se da esplanada no exterior.
O menú disponibiliza 10 saladas, 4 tártaros, 5 pratos e 4 sobremesas, tudo para o caro.
Quanto a vinhos, a sua componente de garrafeira permite uma escolha ampla, cobrando a Delidelux 5,50 € por garrafa escolhida. Também se pode optar por vinho a copo, estando disponíveis 2 espumantes, 1 champanhe, 6 brancos, 4 tintos, 1 rosé, 5 Portos e 2 Moscatéis, mas lamentavelmente nenhum está datado, o que é uma discrepância. Óh senhores da Delidelux, corrijam lá isso!
Bebi um copo do branco Lua Cheia em Vinhas Velhas 2015 (4 €) - fresco e frutado, presença de citrinos e maçã verde, acidez no ponto, algum volume e final de boca agradável. Uma boa surpresa. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott e em boa quantidade. A temperatura dos tintos está controlada, graças à presença de armários térmicos.
O vinho acompanhou um saboroso caril de gambas e sapateira.
Uma agradável nota final: quando do pagamento da conta, oferecem um talão de desconto no valor de 2 €, que pode ( e deve, digo eu) ser aproveitado em compras no local.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Próximos eventos a não perder : Portugal Restaurant Week e Mercado Gourmet Campo Pequeno

1.Portugal Restaurant Week
Começou no dia 23 para clientes Millennium, mas democratiza-se no período de 2 a 12 de Março com cerca de 60 restaurantes aderentes na Grande Lisboa (Lisboa, Cascais e Sintra).
Por 20 € pode comer-se em restaurantes caros, com direito a entrada, prato e sobremesa, ficando de fora as bebidas. Reserva obrigatória no site do The Fork, a entidade organizadora.
Mais informações em www.fork.pt.
2.Mercado Gourmet no Campo Pequeno
Decorrerá de 3 a 5 de Março, na Praça de Touros, custando 2 € cada entrada, dedutíveis em compras num dos 160 expositores (vinhos, cervejas artesanais, azeites, queijos, charcutaria e outros produtos de mercearia fina).
Mais informações em www.campopequeno.com.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vinhos em família (LXXVIII) : 3 tintos 2011 e 1 Colheita

Mais 4 vinhos (3 tintos de 2011 e 1 Colheita de 1997) provados em casa e com os rótulos à vista, todos a portarem-se bem. E eles foram:
.Foz Torto Vinhas Velhas - nariz contido, alguma fruta vermelha, notas de esteva, acidez no ponto, especiado, taninos domesticados, volume médio e final de boca longo. Resultado de uma parceria de dois Tavares da Silva, o Abílio (produtor) e a Sandra (enóloga) que, curiosamente, nada são um ao outro. Beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17.
.Telhas - com base nas castas Syrah e Viognier, estagiou 24 meses em barrica; aromático, ainda com fruta, notas de lagar e pimenta, acidez equilibrada, taninos firmes e civilizados, algum volume e final de boca. Complexo e uma grande surpresa vinda do Alentejo. No ponto óptimo de consumo. Nota 18.
.Mouchão (95 pontos no Parker) - com base na casta Alicante Bouschet, estagiou 24 meses em carvalho português e 36 meses em garrafa; alguma fruta, aromas terciários, notas de lagar, acidez q.b., taninos vigorosos, volume e final de boca assinaláveis. A meio caminho entre a frescura e a potência, evoluirá bem nos próximos 4/5 anos. Nota 18.
.Qtª do Crasto Colheita 1997 (engarrafada em 2016) - com base em vinhas velhas, envelheceu cerca de 18 anos em pipos de carvalho nacional de 550 litros; muita fruta vermelha, aromas terciários, frutos secos, a meio caminho entre um 10 anos e um 20, alguma complexidade, acidez e volume, final de boca persistente. Nota 17+.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Jantar Olho no Pé

Mais um jantar vínico em que participei, organizado pela Néctar das Avenidas. Desta vez foi no restaurante Sem Dúvida e com a presença do Tiago Sampaio, produtor e enólogo dos vinhos Olho no Pé. Na sua intervenção inicial, apraz-me registar uma referência muito simpática aos fundadores da extinta loja Coisas do Arco do Vinho (o Juca e eu) e aos seus primeiros contactos que teve connosco.
O Sem Dúvida é um espaço de restauração muito simpático, onde se come bem e se usufrui de um serviço impecável, estando o dono, Sérgio de seu nome, sempre presente.
Os vinhos foram chegando à mesa sempre antes da comida e num ritmo de aplaudir. Os copos eram Ridel e Schott, uma mais valia. O único senão, foi o facto de haver em simultâneo clientes do restaurante que, apesar da separação física, fizeram muito ruído.
Mas vamos ao mais importante, os vinhos:
.Uivo Rabigato 2015 (o único que não adotou o nome Olho no Pé) - aroma discreto, fruta cítrica, fresco e equilibrado, acidez no ponto, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Boa relação preço/qualidade. Nota 16,5.
Acompanhou empadinhas de aves.
.Olho no Pé Pinot Noir Reserva 2011- estagiou 30 meses em barrica; aberto na cor, fruta "light", fresco e elegante, taninos de veludo, volume e final de boca discretos. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17.
Casou mal com aumônière (não haverá um termo em português?) de alheira e grelos.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2014 branco - com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio,  em vinhas com mais de 80 anos, estagiou 12 meses em barricas; aroma intenso e complexo, fruta madura, acidez equlibrada, alguma gordura, madeira bem casada, volume e final de boca notáveis. Gastronómico e com uma excelente relação preço/qualidade. Nota 18.
Casou bem com uma saborosa tranche de garoupa e arroz de lingueirão, demasiado "al dente". Também aguentava o prato anterior.
.Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2011 tinto - vinificado em lagar com pisa a pé, estagiou 40 meses em barricas usadas; fruta vermelha, fresco e elegante, especiado, notas de chocolate e café, taninos sofisticados, algum volume e final de boca longo. Mais um vinho com uma excelente relação preço/qualidade. Em forma mais 5/6 anos. Nota 18.
Harmonizou com cachaço de porco e batata recheada.
.Olho no Pé Colheita Tardia 2012 - estagiou 30 meses em barrica; casca de laranja e tangerina, notas de mel, alguma acidez e gordura, volume notável e muito equilibrado. Nota 17,5.
Ligou bem com carpaccio de ananás com gelado de limão.
De registar com muito agrado o equilibrio da componente vínica com 2 brancos, 2 tintos e 1 colheita tardia, todos com teor alcoólico e preço contidos.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Curtas (LXXXV) : o enólogo do ano, a Essência do Vinho e o mercado do CCB

1.O enólogo do ano
Finalmente, fez-se justiça!
A Revista de Vinhos acabou por atribuir ao Jorge Serôdio Borges o prémio especial de enólogo do ano 2016. Sobre este "esquecimento" já me tinha pronunciado em "Revista de Vinhos : 15 anos de prémios" e "Rescaldo dos prémios 2011 da Revista de Vinhos", crónicas publicadas em 28/1/2013 e 12/2/2012, respectivamente.
Mais vale tarde que nunca...
2.A Essência do Vinho
Vai decorrer no Palácio da Bolsa no Porto, de 23 a 26 de Fevereiro, mais uma edição deste evento vínico organizado pela revista Wine que contará com a presença de 350 produtores. Para além das provas habituais abertas ao público participante, estão previstas 3 provas comentadas.
3.O mercado do CCB
Já aqui referido em "Curtas (LI) : livros, mercados, (...)" e "Curtas (LX) : O Mercado do CCB (...)", crónicas publicadas em 17/2/2015 e 9/6/2015, continua a realizar-se no 1º domingo de cada mês. É lá que me abasteço e recomendo as seguintes bancas, algumas das quais mencionadas nas crónicas acima indicadas:
.Doces da Paulinha (coelho vilão, conserva de cogumelos e chutney de cebola)
.Susana Cavaco  (paté de fígado e chutneys)
.Portney (chutneys diversos)
.Serra da Estrela (queijos e biscoitos)
.Bolos & Bolachas (farinha torrada e biscoitos)
.Tudo à porta (azeite e enchidos)
.Tradições do campo (azeitonas, alheiras e outros enchidos)
.Mother bio (frescos, empadas e queijos)
.Manjericos no quintal (produtos da terra)
.Guli (chamussas)
.Sr. Mel Cavalheiro (meles)
Boas compras!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Jantar Qtª Vale D.Maria

Mais um evento organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas em que participei. Este jantar vínico decorreu no restaurante do Real Palácio e teve a participação da Francisca van Zeller, filha do Cristiano e que deu a cara pelo produtor.
Diga-se já que achei a oferta vínica algo desequilibrada, com a quase omnipresença dos tintos (4) e 1 fortificado. Fez mesmo muita falta um branco para acompanhar os canapés, pois o tinto Rufo 2014 não conseguiu casar com os ditos. Foi mais um divórcio...
Seguiram-se:
.Qtª Vale D.Maria Três VVV Valley 2014 - aroma intenso, muito frutado, alguma acidez, ligeiramente especiado, taninos suaves, volume e final de boca médios. Boa relação preço/qualidade. Nota 17+.
Não ligou com um estaladiço de queijo de cabra em cama de rúcula e mel.
.Qtª Vale D.Maria 2014 - nariz positivo, muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, taninos intensos mas civilizados, algum volume e final de boca longo. Este vinho sempre me deu muito prazer bebê-lo e tenho registado a boa prestação das colheitas 1997, 1998, 2000, 2001 (a mais bebida), 2002, 2003, 2004, 2005 (talvez a melhor), 2006, 2007, 2010 e 2011 (também muito boa). Nota 18.
Harmonizou bem com vitela branca grelhada com risotto de portobello.
.Qtª Vale D.Maria Vinha da Francisca 2014 - neste momento muito semelhante ao vinho anterior, não se justificando a diferença abismal de preços. Passados uns dias, o João disse-me que o voltou a provar 24 horas depois e que tinha evoluido muito bem. Acredito, mas de qualquer modo estes 2 tintos ainda estão demasiado jovens para serem devidamente apreciados. Nota 18.
Bebido a solo.
.Qtª Vale D.Maria Vintage 2014 - muita fruta, muita doçura, taninos de veludo. Mais próximo de um bom LBV. Nota 16,5.
Ligou bem com um brownie de chocolate e sorbet de cereja.
O jantar decorreu com bom ritmo, os copos eram bons, o serviço esforçado, mas os primeiros 2 vinhos foram servidos a uma temperatura acima do desejável.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Almoço com Bual 1920 e outras pingas de eleição

Em boa hora o Frederico Oom, cliente da Garrafeira Néctar das Avenidas, decidiu partilhar com um grupo de enófilos militantes uma garrafa de Madeira Blandy's Bual 1920, um fortificado badalado nas principais revistas especializadas de todo o mundo.
O João Quintela assumiu a organização do evento, escolheu o Via Graça para o repasto, combinou as harmonizações com o João Bandeira (prestigiado chefe e proprietário deste espaço e da Casa do Bacalhau) e fez os convites.
Cada um dos sortudos trouxe consigo uma garrafa de um vinho de referência, a saber:
.Terrantez do Pico by António Maçanita 2015 (garrafa nº 1084/1413, levada pelo Adelino de Sousa) - frutado, fresco e mineral, notas florais, elegante e sofisticado. Pode ser bebido ainda por alguns anos. Nota 17,5.
Acompanhou croquetes e pasteis de bacalhau.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2011 (magnum trazida pelo João Quintela) - belíssima cor, aromas terciários, fruta madura, notas amanteigadas, alguma oxidação, acidez fabulosa, volume notável e final de boca adocicado. No ponto óptimo de consumo, já não vale a pena guardar mais. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5/17,5/18).
Maridagem perfeita com sável frito e açorda de ovas do mesmo.
.Qtª da Falorca Garrafeira 2007 (da garrafeira do Juca) - aroma intenso, notas florais, elegante e fresco, especiado, notas de chocolate, taninos de veludo, volume apreciável e final de boca persistente. Ainda muito longe da reforma, pode ser bebido daqui por 8/10 anos. Nota 18,5.
Perfeito com um excelente robalo da costa no pão, também acompanhado pelo alvarinho anterior.
.CV-Curriculum Vitae 2007 (levado por mim) - aroma intenso, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final de boca; álcool excessivo (15,5 %). A beber nos próximos 2/3 anos. Nota 18 (noutras 18/18,5/18/18).
.Robustus 2007 (trazido pelo José Rosa) - aroma complexo, ainda com fruta, acidez nos mínimos, taninos "light", volume e final de boca médios. Pouco robusto, está no ponto para ser bebido. Nota 17,5 (noutra 18).
Estes 2 tintos maridaram com bochechas de vitela e risotto de cogumelos, que não apreciei devidamente, pois já estava mais que almoçado.
.Blandy Bual 1920 (sem data de engarrafamento) - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, taninos evidentes, vilume notável e final de boca interminável, ficando o aroma a pairar na sala uns tempos. Nota 19 (noutras 19,5/19,5/19/19,5).
Fez-lhe companhia uma sobremesa de leite creme e gelado de café.
Grande sessão, com boa gastronomia, vinhos de excepção, um serviço à altura e vistas de cortar a respiração. Obrigado Frederico! Obrigado João!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Lampreia e Sável no Hotel Mundial

Ao receber um convite do Hotel Mundial, veio-me à memória a minha participação em diversos jantares vínicos ali ocorridos, organizados pela Revista de Vinhos em colaboração com o Manolo Carrera, um grande profissional e um verdadeiro apaixonado pela gastronomia lisboeta. Não conseguia resistir à petisqueira alfacinha, enchendo o prato por diversas vezes.
Recentemente o Hotel Mundial convidou algumas pessoas* para um almoço de apresentação do evento da Lampreia e do Sável, presente na ementa do restaurante até 12 de Março.
Por 34 €, tem-se direito a entrada, prato, sobremesa e bebidas (vinho verde branco e tinto, água e café). Nas entradas, a opção é entre a sopa do dia ou as ovas de sável em polme de coentros e maionese de laranja, enquanto que o prato principal pode ser escolhido entre 2 referências de lampreia (à bordalesa ou à moda de Monção) e 2 de sável (frito com escabeche de presunto ou dourado com açorda de frutos do mar).
No almoço de apresentação, foram servidas as ovas de sável (francamente agradáveis), o sável dourado com açorda (que não me convenceu, pois o polme não fez falta nenhuma e a açorda não tinha as tradicionais ovas) e a lampreia à bordalesa (saborosíssima). À atenção dos militantes da dita lampreia!
Em copos Schott, foram servidos os vinhos (branco e tinto) de um produtor particular de Monção.
O branco, já da colheita de 2016, com base nas castas Alvarinho e Trajadura, apresentou-se muito fresco e frutado, com a acidez e gás natural muito equilibrados, elegante e com um final de boca ligeiramente adocicado. Nota 16,5.
Quanto ao tinto, embora tivesse uma acidez não demasiado pronunciada, exibia o tradicional gás, o que não é a minha praia. Simpaticamente o director geral do hotel, presente no almoço onde estavam mais 4 pessoas ligadas ao Mundial, mandou abrir uma garrafa do tinto Lupucinus Reserva 2013 (Douro) que se aguentou com a lampreia. Apresentou aromas primários intensos, fruta vermelha, alguma acidez, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Nota 17.
Numa das pontas da sala, junto à janela, pode ver-se uma placa com os nomes do José Saramago e da Pilar del Rio e a data do seu primeiro encontro, a 14 de Junho (embora não conste, o ano foi 1979), que aconteceu no bar São Jorge. Segundo me explicaram, eles ficavam sempre na mesma mesa, que se situava muito próximo do local onde agora se encontra a placa comemorativa. Entre outras coisas, o Hotel Mundial respira história...
No final do almoço, tive a oportunidade de visitar a cave, onde repousam algumas relíquias (vinhos velhíssimos, alguns Madeira e Vintage de referência e, ainda a indispensável presença da colheita de 1965 de Barca Velha, entre outras).
* Vicente Themudo de Castro (crítico de gastronomia e vinhos no Oje, responsável pela área de vinhos do grupo Albatroz e antigo cliente das Coisas do Arco do Vinho), Vitor Carriço (Turismo de Liboa), João Pedro Rato e Patricia Serrado (Mutante Magazine) e eu próprio (o único representante da blogosfera).