terça-feira, 17 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (II) : Casa da Calçada

Neste primeiro dia, após algumas horas de viagem num incómodo autocarro, que seria substituido no dia seguinte, poisámos no Largo do Paço, o restaurante da Qtª da Calçada, com direito a uma estrela Michelin, onde na cozinha pontifica o chefe Tiago Bonito, com provas dadas no Lisboeta (restaurante da Pousada de Lisboa).
Fomos recebidos na acolhedora esplanada do hotel e obsequiados com uma bebida de boas vindas que, no meu caso, foi o espumante Qtª da Calçada Bruto servido em flute Riedel.
Já na magnífica e requintada sala do restaurante, tivemos direito a um almoço de excelência que foi, para mim, o ponto mais alto desta incursão no Minho. Na mesa, no lugar de cada um, estava um folheto com a  ementa do repasto, embora sem referência aos vinhos que iriamos beber.
O enólogo responsável pelos vinhos da Qtª da Calçada é o João Maria Cabral de Almeida, de cujo portefólio provámos/bebemos o Loureiro/Alvarinho 2016 - muito fresco, cítrico e acídulo, elegante e harmonioso, volume e final de boca médios (nota 16,5).
Gastronómico, harmonizou bem com as belíssimas tapas iniciais (ravioli com ostra e sapateira, chip de batata recheada e outra que já não recordo) e uma saborosa entrada de carpaccio de polvo, pimento fumado, azeitona e terrincho.
Seguiu-se o tinto Terras do Grifo 2013 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão e Sousão; aroma intenso, muita fruta preta, acidez equilibrada, notas especiadas, volume e final de boca assinaláveis (nota 17). Lamentavelmente, a temperatura estava acima do recomendável, mas veio de imediato uma 2ª garrafa com a temperatura correcta.
Acompanhou um excelente borrego de leite, cenoura, açafrão e molho do assado.
Quanto à sobremesa, foi-nos servida castanha assada, jeropiga (em gelado) e erva doce. Bingo!
De louvar, ainda, os seguintes aspectos altamente positivos:
.copos Riedel na mesa
.os vinhos chegaram à mesa antes da comida
.os pratos, além da muita qualidade, estavam muito bem apresentados
.serviço profissional, com destaque para o escanção (só faltou mesmo as luvas brancas...)
.garrafeira climatizada com capacidade para mais de 1000 garrafas!
.no final do repasto, o chefe e a equipa da cozinha (uma dúzia, bem contada) vieram à sala
Em Amarante ainda tive a ocasião de visitar o Museu Municipal Amadeu Sousa Cardoso e a imperdível Garrafeira Casa da Villa (R. 31 de Janeiro,43), com um excelente portefólio e preços amigáveis.

domingo, 15 de outubro de 2017

Enoturismo no Minho (I) : Introdução

Esta incursão na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, vem na sequência das viagens ao Dão (1ª crónica, publicada em 8/10/2016, de uma série "Enoturismo no Dão") e ao Douro (1ª crónica, publicada em 14/4/2017, de uma série "Enoturismo no Douro"), todas elas organizadas pela agência cultural Tryvel. Mais uma vez, os responsáveis por mais uma inesquecível jornada foram a dupla Rui Nobre (o promotor destas viagens enoturísticas) e a Maria João Almeida (jornalista, crítica de vinhos, autora do livro "Guia do Enoturismo em Portugal" e a animadora no terreno). Remeto para o livro da Maria João, cuja 2ª edição já está no mercado e que recomendo, o desenvolvimento das histórias de cada produtor e demais informações úteis.
A Tryvel tem ainda previstas viagens à Bairrada e à Madeira. Estejamos atentos. Mais informações em tryvel.pt/trywine.
Num fim de semana alargado (sábado, domingo e 2ª feira) tivemos a oportunidade de visitar a Qtª da Lixa, a Qtª da Aveleda, a Qtª do Ameal e o imperdível Palácio da Brejoeira. Almoços no Largo do Paço (Hotel Casa da Calçada, em Amarante), Ferrugem (Portela de V.N.Famalicão) e Qtª do Prazo (Valença). Jantares no Hotel Monverde (onde ficámos na 1ª noite) e em A Cozinha Velha (Ponte de Lima), tendo o grupo ficado no Hotel InLima (na 2ª noite).
Provámos, no decorrer desta viagem 13 vinhos brancos e bebemos às refeições mais 14 brancos e 2 tintos. No total 29 vinhos. É obra!
Foi uma espécie de ditadura dos brancos desta região, pois dos tintos (salvo raríssimas excepções) não reza a história.
Em próximas crónicas, que poderão não ser consecutivas, desenvolverei as minhas impressões sobre os locais citados.
continua...

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Qtª Nova Nossa Sra do Carmo : 10 anos de Grande Reserva

Tive, recentemente, a oportunidade de participar numa prova vertical, organizada pela Qtª Nova Nossa Sra do Carmo, cujas faces visíveis eram a Luisa Amorim (a produtora), a Paula Sousa (o braço direito) e o Jorge Alves (o enólogo, sócio do Celso Pereira no projecto Quanta Terra e meu conhecido desde os tempos das Coisas do Arco do Vinho). Também colaborou, no apoio logístico, o Giscard Muller (escanção, braço direito do Manuel Moreira em diversos projectos).
O universo da grande maioria dos participantes era o da restauração, não tendo vislumbrado qualquer elemento ligado à comunicação social ou à blogosfera.
Havia 2 mesas com vinhos do produtor à prova (Qtª Nova, Mirabilis, Grainha, Pomares, Porto Vintage e Porto LBV) e, ainda, uma mesa com enchidos (Ibéricos Montellano) e outra com queijos (Casa Matias).
Mas, o mais importante neste evento foi a prova vertical dos Grande Reserva, tendo-se destacado, para o meu gosto, o 2005 (fino e elegante, balsâmico e especiado, aromas e sabores terciários, volume e final de boca assinaláveis) a merecer-me a nota 18,5. Um tinto perfeito e no ponto óptimo para ser bebido. Logo a seguir o 2011 (grande potencial, taninos evidentes mas civilizados, uma bela estrutura e final de boca, a pedir mais uns anos de garrafa), nota 18+.  A completar o trio dos meus eleitos, o 2015 (exuberante, com muita fruta, taninoso e volumoso, ainda a dar os seus primeiros passos), nota 18.
Noutro plano o 2007 (17,5+), 2008 (17,5), 2012 (17+) e 2013 (17). E, finalmente, as desilusões: 2006 e 2009, nota 16,5.
Em conclusão, uma prova vertical bem organizada, a mostrar bem o potencial da maioria dos Grande Reserva. É pena que o 2005 e o 2011 já não se encontrem no mercado.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Curtas (XCII) : TheFork Fest, o Guia do JPM e os comentários anónimos

1.TheFork Fest
À semelhança do ano passado, a plataforma TheFork organiza este evento gastronómico que possibilita fazer uma refeição num bom restaurante por metade do preço. São 50 % de desconto em toda a carta, excepto as bebidas.
Enquanto que a 1ª semana (11 a 17 deste mês) é exclusiva dos clientes do Millennium, a semana oficial (18 a 29) estará aberta a todo o mundo.
Mais informações, nomeadamente os restaurantes aderentes, em www.thefork.pt.
2.O Guia do João Paulo Martins  (JPM)
Já está no mercado a 23ª edição de "Vinhos de Portugal 2018", um guia incontornável que passou a publicar-se de 2 em 2 anos. Refere o autor que este guia está muito mais magro, mas mesmo assim tem 582 páginas!
Estive presente no lançamento do livro, muito animado por sinal, onde tive a ocasião de rever alguns produtores e enólogos, que estimei no decurso dos 16 anos e meio da saudosa Coisas do Arco do Vinho, como foi o caso do Carlos Campolargo, Domingos Soares Franco, Jorge Serôdio Borges, Manuel Vieira, Maria Emília Campos, Nuno Cancella de Abreu, Sérgio Nuno, Susana Esteban e Tomás Roquete.
Foram servidas tapas e provados alguns dos vinhos premiados pelo JPM.
3.Comentários anónimos no blogue
Tenho deixado passar alguns comentários anónimos a crónicas por mim publicadas, mas vou deixar de o fazer. Comentário anónimo será devidamente rejeitado.
Isto vem a propósito da crónica "Aditamento a "O Vinho que Lisboa tem"", publicada em 25/8/2017, onde alguém referiu ter saído uma 2ª edição do livro que teria acrescentado algumas garrafeiras omissas na 1ª edição. Contactado o editor, este referiu que apenas existe uma edição. Temos, assim, um anónimo mentiroso!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"Vinho" azul : no melhor pano cai a nódoa!

A polémica criada à volta desta bebida aromatizada à base de vinho, nasceu em Espanha com o lançamento do Gik, uma bebida doce e azul, cuja equipa era composta por jóvens sem qualquer tradição no vinho  e sem experiências anteriores. Já neste ano, a Gik foi multada pelo Ministério da Agricultura de Espanha, por comercializar "vinho" azul, produto não autorizado pelas leis de nuestros hermanos, tendo sido obrigada a mudar os rótulos e a composição daquela bebida.
Por cá, com 2 anos de atraso, um produtor português, a Bacalhôa, foi atrás da polémica e lançou o Casal Mendes Blue, podendo ler-se no respectiva página "A marca Casal Mendes nasce em Portugal na sequência do sucesso do vinho verde e rosé na restauração portuguesa. Agora, em 2016 decidimos inovar e apresentar uma variante moderna e irreverente - Casal Mendes Blue". Mais um tiro no pé do Comendador e um cartão amarelo!
Mais grave, o IVV deu protecção a este negócio, disponibilizando o respectivo selo, que apenas deveria legalizar e proteger o vinho, o que não é o caso, pois se trata apenas de uma bebida aromatizada à base de vinho, com um final adocicado, inspirada na aventura espanhola. Cartão vermelho!
De lamentar, ainda, que uma loja prestigiada, como é a Garrafeira Nacional, o tenha incluído no seu portefólio, alinhando na onda da irreverência. Cartão amarelo!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os 25 anos do projecto João Portugal Ramos (JPR) - 2ª parte

continuando...
3.O início da comemoração
As comemoração dos 25 anos do projecto JPR desenrolaram-se no magnífico Palácio da Cidadela de Cascais, visitável mediante inscrição no Museu da Presidência da República. Uma visita imperdível!
Participaram cerca de 140 pessoas, parte considerável ligada ao universo JPR incluindo a respectiva família, mas também a comunicação social especializada e generalista e, ainda, representantes da blogosfera.
A concentração dos convidados fez-se na esplanada exterior do Palácio, com uma vista espectacular para a baía de Cascais, mas prejudicada por um frio de rachar que se fez sentir naquele final de tarde. Para aquecer os corpos e as almas foi servido o espumante Alvarinho Reserva 2014 Bruto, fresco e elegante, acompanhado pela belíssima voz da Diana Castro apoiada pelo Luis Roquete.
Foi o momento de convívio quente e frio, após o qual os participantes passaram para o local onde se ia jantar.
Já com as pessoas nas mesas, foi projectado um vídeo comemorativo da efeméride. Seguiram-se as intervenções do anfitrião e do ministro da economia.
4.O jantar
O repasto foi servido pela empresa "As Olguinhas" (Teresa e Luisa Roquete), sendo de aplaudir o facto de os vinhos terem sido decantados previamente, servidos com temperaturas controladas e em copos Riedel. Um luxo!
O JPR pregou-nos uma partida, pois no menú não constavam os nomes dos vinhos, tendo sido servidos às cegas, o que originou alguns palpites errados e discrepâncias nas avaliações de cada um. Foi o próprio JPR que, no final do repasto, fez as respectivas descodificações.
O vinho branco era o Vila Santa Reserva 2016, com base nas castas Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc e fermentação parcial em barricas novas de carvalho francês, apresentou-se muito fresco e mineral, harmonizando muito bem com uma entrada de ceviche de robalo e manga. O perfil apresentado não me pareceu nada alentejano e baralhou-me as contas.
Foi com a maior das surpresas que fiquei a saber que o vinho tinto era o Marquês de Borba Reserva 2011, pois não me passou pela cabeça que pudesse ser da colheita de 2011, tal a juventude apresentada. Até comentei aos meus parceiros de mesa que era pedofilia pura estar a beber aquele vinho e que se deveria esperar mais 5 ou 6 anos. Mais um vinho a baralhar-me as contas. Com base nas castas Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, estagiou 12 meses em meias pipas de carvalho francês. Apresentou-se com os taninos algo violentos, um grande volume e final de boca longo. Com uma boa acidez, especiado e complexo, é um vinho claramente de guarda e mereceu um dos Prémios de Excelência atribuídos pela Revista de Vinhos (a antiga). Quem diz que os tintos alentejanos são para beber novos? Este,não!
Passou um pouco por cima do prato, um lombo de vaca "au poivre" com batata e espargos gratinados.
Seguiu-se-lhe  o Vinho do Porto que era o Duorum Vintage 2007. Também este achei que era pedofilia bebê-lo nesta altura, pois pareceu-me bastante mais novo. Com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca eTinta Roriz, apresenta-se com muita fruta preta, muito estruturado e com grande longevidade. Também é melhor esperar por ele mais 10 a 12 anos.
Não casou muito bem com a sobremesa, uma pinha de avelã. Um bolo à base de chocolate ligaria muito melhor.
5.O que faltou dizer
5.1.Quando fui responsável pela coluna "Viagens no Reino de Baco" no extinto vespertino A Capital, a minha 2ª crónica, publicada em 8/8/1998, foi dedicada ao JPR e intitulada "João Portugal Ramos : os vinhos de autor" e começava assim "Dificilmente este nome deixará indiferente o leitor. O engº João Ramos é,seguramente, o enólogo responsável pelo maior número de vinhos de qualidade que se produzem no nosso país, de Norte a Sul.(...)".
5.2.Contaram-me há anos que, quando foi produzida a 1ª edição do Anima pela Herdade Portocarro, o JPR às cegas, não conhecendo o vinho em prova, identificou de imediato a casta San Giovese. Bingo!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Os 25 anos do projecto João Portugal Ramos (JPR) - 1ª parte

1.Eu e o JPR
Ao longo da minha vida de enófilo, primeiro como um dos responsáveis pela loja Coisas do Arco do Vinho (CAV) e, posteriormente, como autor deste blogue, cruzei-me por diversas vezes com o JPR. Ele esteve presente em diversos eventos, provas e jantares vínicos organizados pelas CAV, com os seus conceituados néctares, sendo de destacar as apresentações nacionais do Conde de Vimioso Reserva 2000 (a sua 1ª edição), Marquês de Borba Reserva 1999 e Qtª Foz de Arouce Vinhas Velhas 2003.
Também me ficou na memória uma sessão memorável na sua casa, onde fomos (eu, o meu sócio e respectivas companheiras) recebidos pelos anfitriões (a Tété, sua esposa e ele próprio) e presenteados com um almoço de perdizes (provenientes das suas caçadas) deliciosamente confeccionadas, regadas com alguns dos seus vinhos de eleição.
O JPR, para além de prestigiado enólogo, com provas dadas no Alentejo (Marquês de Borba, Vila Santa, monocastas, etc), Ribatejo (Conde de Vimioso) e Beiras (Qtª Foz de Arouce), é um apaixonado pela caça e um grande conversador, detentor de vasto repertório de histórias e anedotas.
Já na minha actual fase de bloguista, publiquei as crónicas:
."João Portugal Ramos e a Blogosfera", em 3/6/2012, onde destaquei alguns dos vinhos bebidos durante o almoço: os brancos Vila Santa Reserva 2008 (nota 17,5+) e 2009 (nota 17,5) e os tintos Marquês de Borba Reserva 1997 (nota 18) e 2000 (nota 18,5).
."Os vinhos do João e os vinhos do José", em 2/5/2013, um jantar com a presença do JPR e do seu amigo e sócio José Maria Soares Franco, durante o qual foram apresentados vários vinhos tintos de topo e, ainda, o seu 1º Alvarinho, um sonho antigo.
2.O mistério da magnum João Portugal Ramos 25 Anos
No final do jantar comemorativo dos 25 anos do projecto JPR, do qual me referirei em próxima crónica, foi oferecida aos participantes uma garrafa magnum, numa discreta mas bonita embalagem.
No interior da embalagem pode ler-se:
"(...) Passaram-se 25 anos, e sem poder resumir o projecto de uma vida numa garrafa, reuni neste vinho comemorativo a soma daquilo que duas das mais emblemáticas regiões do nosso país - o Alentejo e o Douro - nos podem oferecer.
(...) Acredito que a paixão de criar vinhos já nasceu comigo e que tenho a felicidade de fazer aquilo que gosto, mas o maior privilégio continua a ser o de poder partilhar consigo esta paixão em cada vinho que faço."
Assinado, João Portugal Ramos.
Obrigado JPR, pela oferta!
Mas, nisto de vinhos gosto de saber o que vou beber. Para além da indicação que este vinho era constituído por lotes do Alentejo e Douro, a garrafa não me diz mais nada, nem no rótulo nem no contra-rótulo.
Qual o ano de colheita? Em parcelas do Alentejo e do Douro teve origem? Quais as castas? Onde estagiou? Quanto tempo? Tudo isto para perceber quando devo abrir esta garrafa.
Curiosamente, pondo as minhas legítimas interrogações à empresa, não consegui obter qualquer resposta concreta. Mistérios insondáveis da magnum João Portugal ramos 25 Anos!
continua...

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Café de São Bento no Mercado da Ribeira

Já ando há mais de 3 anos a blogar sobre o Mercado da Ribeira, suas bancas e seus chefes. Senão, vejamos:
.08/06/2014 - Marlene Vieira
.01/07/2014 - Vitor Claro
.16/08/2014 - Henrique Sá Pessoa
.28/09/2014 - Alexandre Silva
.23/10/2014 - Miguel Castro e Silva
.12/12/2014 - Sea Me
.31/01/2015 - Cozinha da Felicidade
.24/02/2015 - Monte Mar
.21/05/2015 - Miguel Laffan
.03/03/2016 - O Prego da Peixaria
.26/05/2016 - Pap' Açorda
.12/07/2016 - Academia Time Out
.19/07/2016 - Balcão da Esquina
.15/01/2017 - Time Out Bar
.11/07/2017 - Surf & Turf
Chegou agora a vez do Café de São Bento (o melhor bife de Lisboa, segundo a Time Out), com lugares ao balcão e situado na ala esquerda do mercado, sem aquela confusão do bloco central, ocupado, quase em exclusivo, pelos turistas que se apaixonaram por Lisboa.
Tudo o que comi estava francamente delicioso:
.Camarões Al Ajillo (com um molho fabuloso)
.Prego Mediterrânico em pão chapata (embora, erradamente, lhe chamem baguete): bife do lombo grelhado, pesto de manjericão, rúcula, tomate seco e lascas de parmesão
Comi-o médio/mal passado e considero-o ao nível do prego servido no By the Wine, o melhor de Lisboa, segundo a minha bitola.
Tencionava acompanhá-lo com uma cerveja artesanal, inexistente neste balcão. Aconselharam-me a ir à banca da cerveja, o que fiz. Só que teria que a beber em copo de plástico! Francamente...
É claro que não aceitei e optei por beber um copo do branco Três Bagos 2016 (2,90 €) - fresco e cítrico, notas vegetais, simples mas agradável, volume e final de boca médio/curto. Nota 15.
A garrafa foi-me mostrada, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade bem generosa.
Serviço atencioso e eficiente. Uma boa surpresa este balcão.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Melhor blogue do ano (2017) : o enófilo militante no Top 10 pela 6ª vez consecutiva

Estão a ser publicados os nomeados para os Prémios W 2017, louvável iniciativa do crítico (entre outras profissões) Aníbal Coutinho, que contempla 31 categorias, sendo a lista dos blogues eleitos a seguinte (por ordem alfabética, ficando entre parêntesis o nº de presenças e assinalando com * os estreantes):
.Clube de Vinhos Portugueses (3)
.Comer Beber Lazer (4)
.Contra Rótulo (2)
.Drinked In *
.Enófilo Militante (6)
.Grão Duque Sambrasense (2)
.Os Vinhos (6)
.O Vinho em Folha (2)
.Pingas no Copo (5)
.Vinho Porto Vintage *
De registar:
.continua a haver 2 totalistas no Top 10 de 2012 a 2017: Os Vinhos (Pedro Barata) e Enófilo Militante (eu próprio)
.os vencedores dos anos anteriores não foram incluidos, estando alguns em actividade (Copo de 3, Bebes.Comes e Avinhar) e outros parados (E Tudo o Vinho Levou e Air Diogo num Copo)
.a injusta não inclusão do blogue Joli.
Pela minha parte fico satisfeito e honrado por ter sido incluído, pela 6ª vez consecutiva, na lista dos nomeados. Um incentivo para continuar!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Almoço com Vinhos Fortificados (26ª sessão) : o regresso a Porto Covo

Passados 2 anos (ver crónica "Almoço com Vinhos Fortificados (19ª sessão) ...", publicada em 28/7/2015) este grupo de enófilos militantes, também conhecido pelo Grupo dos Madeiras, voltou a Porto Covo, "chez" Natalina (nos tachos)/Modesto (nos vinhos, todos da sua garrafeira).
A bebida de boas vindas foi o espumante Qtª Poço do Lobo 2013, muito polivalente, pois tanto pode ser servido a solo, como a acompanhar comida. Neste caso, foi acompanhado por alguns aperitivos e tapas (frutos secos, melão com presunto, cogumelos recheados, chamuças,...). Fresco e com algum volume esteve à  altura das ciscunstâncias.
Já com o grupo instalado à mesa, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015 (em magnum) - nariz exuberante, presença de citrinos, fresco e complexo, bela acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca persistente. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
Harmonizou com a já tradicional sopa de garoupa e ameijoas.
.Qtª Monte d' Oiro Reserva 2012 - aromático, ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca notável. Elegante e complexo. Um grande vinho que ainda irá crescer nos próximos 4/5 anos. Óptimo para acompanhar pratos de forno. Nota 18,5.
.Incógnito 2001 - cor desmaiada, aromas terciários, belíssima acidez, taninos ainda presentes mas civilizados, volume e final de boca médios. Fino e elegante. Pede pratos não muito fortes. Na fase descendente, mas uma boa surpresa para um vinho alentejano com mais de 15 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos maridaram com uma saborosa lebre com grão (ainda foi aberta uma garrafa de Qtª Mouro Rótulo Dourado 2007, mas que não cheguei a provar).
.Qtª Crasto Vinha da Ponte 2004 - com base em vinhas velhas com mais de 90 anos, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; aromas terciários, fruta preta ainda presente, acidez no ponto, especiado, taninos ainda presentes, volume assinalável e final de boca interminável. Um monstro de complexidade. No ponto óptimo de consumo, mas ainda em forma mais 6/7 anos. Nota 19+ (noutras situações 16,5/17/18/18,5+; tem vindo sempre a crescer e bebe-lo jóvem é pura pedofilia).
Foi acompanhado por uma tábua de queijos.
.FMA Bual 1964 - notas de frutos secos, iodo, brandy e caril, vinagrinho presente, grande volume e final de boca. Complexidade e sofisticação. A Madeira no seu melhor. Nota 19 (esta foi a 19ª garrafa por mim provada e a 5ª a merecer esta nota).
Acompanhou uma tarte de maçã e salada de frutas tropical.
Grande sessão de convívio, comeres e beberes (mais uma). Obrigado Natalina! Obrigado Modesto!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Taberna Criativa : uma surpresa em Sintra

Este espaço de restauração, com pouco mais de 1 ano, situa-se em Sintra (Av. Heliodoro Salgado,26) e tem como proprietário e responsável pelos tachos o chefe Vitor Rocha (ex-Hotel Costa da Caparica, Eleven, Panorama e Monte Rei Golf).
No menú, apenas disponível ao jantar constam 6 petiscos criativos/entradas, 5 pratos principais e 5 sobremesas. Para quem não tiver problemas de orçamento, pode desfrutar o Menú Degustação (48 €).
Ao almoço apenas o Menú Executivo (12 €), com direito a couver, sopa/entrada, prato, sobremesa, bebida e café, um bom preço considerando a qualidade da comida, o espaço e a presença do chefe.
Comi creme de ervilhas com presunto crocante, bacalhau fresco com brás de legumes e bolo de bolacha.
Quando o chefe foi à nossa mesa, o que é de aplaudir, manifestei-lhe a minha frustação em não poder provar a sobremesa "Tributo ao pastel de nata com gelado de caramelo e nuances de canela", da qual me tinham tecido os maiores elogios. Como resposta, percebi que só estaria disponível ao jantar.
Mas o chefe fez-nos a grande surpresa de nos servir com o café, já depois de comida a sobremesa do menú, o tal tributo ao pastel de nata, simplesmente divinal.
Louve-se a sua atitude. É assim que se conquistam os clientes!
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 1 champanhe, 25 brancos (2 eram colheita tardia), 20 tintos, 3 rosés e 6 Porto. Lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos na carta que contém algumas incorrecções.
O vinho do menú era Castelo d' Alba Reserva, tendo optado pelo branco da colheita 2016, agradável mas sem grandes rasgos. A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo aceitável.
Cozinha semi aberta, ambiente acolhedor e serviço profissional e simpático.
Uma grande surpresa em Sintra, a repetir com toda a certeza. Recomendo!

domingo, 10 de setembro de 2017

Curtas (XCI) : Qtª La Rosa, enólogos/enófilos e Vinhos do Alentejo

1.Qtª La Rosa no Boa Cama Boa Mesa
O apontamento semanal do Boa Cama Boa Mesa (SIC Notícias, 6ª feira 9h45) foi dedicado à Qtª La Rosa nas suas vertentes alojamento, restaurante e adega, incluindo uma entrevista à produtora Sophia Bergqvist.
Este programa ainda pode ser visto até à próxima 5ª feira.
2.Enólogos e enófilos: a confusão da Time Out
Pode ler-se na última Time Out (página 35, patrocinada pela Uber), a propósito do Chafariz do Vinho, "(...) O milagre da transformação da água em vinho deu-se em 1998, e a ideia partiu da Câmara Municipal de Lisboa e da EPAL, que desafiaram um grupo de enólogos a ocupar o chafariz.".
Afinal os enólogos eram enófilos (o João Paulo Martins e associados)! A confusão entre enólogos e enófilos só pode ser por ignorância (da Time Out? da Uber?). Podiam ter feito o trabalho de casa...
A propósito, eu estive na cerimónia de posse (na qualidade de responsável pela área dos vinhos da saudosa Coisas do Arco do Vinho, a convite do João Paulo Martins, tendo levado para o efeito um Porto Branco da Churchill, muito balado na altura), presidida pelo João Soares, o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
3.Vinhos do Alentejo
Já foi anunciada o próximo evento "Vinhos do Alentejo", que irá decorrer, uma vez mais no CCB, nos dias 13 (das 16 às 21h) e 14 de Outubro (das 15 às 21h). A não perder.
Mais informações em www.vinhosdoalentejo.pt.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Infame : uma mais valia no Intendente

O Infame é o nome do restaurante do 1908 Lisboa Hotel, situado no Intendente, um local mal frequentado no passado, mas que agora está na moda. Pratica uma cozinha de fusão imaginativa e de qualidade, debaixo da batuta do chefe Nuno Bandeira de Lima, num espaço moderno e acolhedor. Mesas mais ou menos despojadas, mas com os irritantes guardanapos de papel.
Para além da lista, ao almoço está disponível um menú executivo (12,50 €) com direito a entrada, prato, sobremesa, bebida e café. Optei pela apelativa lista, tendo degustado o bife tártaro como entrada e o Sol Nascente (bacalhau com xerém de camarão, algas e ovas tobiko) como prato principal. Pratos de grande qualidade e primorosamente apresentados.
Quanto à componente vínica inventariei 3 espumantes (1 a copo), 5 champanhes, 34 brancos (5), 40 tintos (2) e 9 rosés (1). E, ainda, 11 fortificados (8 Portos, 1 Madeira e 2 Moscatéis), todos a copo.
Boas escolhas de um modo geral, mas sem os anos de colheita e com alguns preços demenciais. Os brancos da Região Vinhos Verdes estavam separados dos restantes, um erro comum à maioria dos restaurantes. Mais: na carta de vinhos aparece um 1908 Vintage mas, quando vi a garrafa, afinal estava-se na presença de um 20 Anos! Por simpatia do empregado, provei este Porto tawny cujo perfil apontava para um simples 10 Anos. Ignorância ou oportunismo?
Bebi uma Musa IPA, uma belíssima cerveja artesanal, uma bebida que "descobri" há pouco tempo, mas que me tem apaixonado.
Serviço eficiente e super simpático.
Recomendo e tenciono voltar, fazendo votos para que as imprecisões e inverdades da lista de vinhos sejam corrigidas.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vinhos em família (LXXXI) : lugar aos brancos

Mais 4 vinhos brancos provados descontraidamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Kompassus Reserva 2013 (13 % vol.) - valeu 18 na antiga RV; enologia de Anselmo Mendes, com base nas castas Arinto e Bical, estagiou em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, muito fresco e frutado, acidez fabulosa, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Grande surpresa e excepcional relação qualidade/preço. Nota 17,5+.
.Qtª Bageiras Garrafeira 2014 (13,5 % vol.) - a antiga RV atribui-lhe 17,5 valores; garrafa nº 310/3115, com base nas castas Maria Gomes e Bical; alguma fruta, componente floral a impor-se, fresco, mas com notas gordas, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
.Qtª Ameal Loreiro 2015 (11,5 %) - 94 pontos no Parker!; com base nas castas Loureiro (90 %) e Arinto (10 %); nariz exuberante, muito fresco e cítrico, acidez equilibrada (sem os excessos da maioria dos vinhos verdes), elegante e harmonioso, volume e final de boca médios. Um belo branco que, por acaso, é da Região Vinhos Verdes. Nota 17.
.Casal Santa Maria Malvasia 2015 (12 % vol.) - com base na casta Malvasia (100 %) em chão rijo de Colares ( no contra-rótulo afirma-se que as uvas eram provenientes da "exploração vitivinícola mais ocidental da Europa, perto do Cabo da Roca"); aromático, muito fresco, cítrico e mineral, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio. Nota 17.

sábado, 2 de setembro de 2017

Casta 85 : uma surpresa em Alenquer

O "85" tem a haver com a data de nascimento do chefe João Simões (Bica do Sapato, Ritz, Altis Belém e Bistrô 100 Maneiras), responsável pelos tachos e um dos donos deste agradável espaço. A cozinha é aberta, as mesas despojadas e os guardanapos de pano.
A aposta gastronómica é na cozinha tradicional, mas com um toque moderno, apresentando 18 petiscos, 5 canjas e cremes, 7 entradas, 7 pratos de peixe, 6 pratos de carne e umas tantas sobremesas.
Em recente visita escolhi 2 petiscos (salada caldosa de duas orelhas de porco e camarão salteado com alho, coentros e limão) e a canja de bacalhau com ovo escalfado, torricado e poejo. A terminar, a tarte de limão merengado com sorvete e macarron de limão, hortelã e lima. Tudo com muita qualidade, bem apresentado e em doses generosas.
Quanto à componente vínica, inventariei 5 espumantes, 3 champanhes, 1 cava, 62 brancos (dos quais 17 da Região Lisboa), 58 tintos (dos quais 14 da Região Lisboa), 6 rosés e, ainda, 9 colheitas tardias, 16 vinhos estrangeiros, 3 Madeiras e 2 Moscatéis (não encontrei nenhum Porto, o que é estranho), na generalidade datados. Os verdes estão separados dos restantes brancos, um erro usual na restauração.
É uma oferta, à partida, de louvar. Mas, no entanto e lamentavelmente, as falhas (não assinaladas na carta) são mais que muitas, o que é indesculpável, pois algumas são de vinhos de produtores mesmo ali ao pé.
Por outro lado, não apostaram no vinho a copo. Nas visitas que fiz, optei por mandar vir uma garrafa e levar as sobras para casa.
Nesta última escolhi o Qtª Lagar Novo Viognier Reserva 2015 (na carta ainda constava o 2013) - estagiou 9 meses em barrica, que ainda está muito presente; pouco frutado, acidez equilibrada, notas balsâmicas e amanteigadas, algum volume e final de boca adocicado. Gastronómico, a precisar de comida por perto. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em bom copo. Serviço eficiente e simpático.
Em conclusão, uma boa surpresa em Alenquer, com o chefe João Simões inspiradíssimo. Pena é que a componente vínica não esteja, ainda, à altura.
Uma curiosidade final: uma das paredes do WC masculino está forrada, de cima a baixo, com rolhas das garrafas, enquanto que no WC feminino são botões. Desigualdade de género?

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Novo Formato+ (sessão especial) : brancos e tintos de 2011 e 1 Moscatel da Madeira

Esta sessão especial deste grupo de enófilos militantes não estava agendada mas, por iniciativa do João Quintela, que levou as entradas e o caril de frango, realizou-se "chez" Lena/Juca, em São Francisco da Serra. Foi uma espécie de assalto, mas bem intencionado.
Com excepção da bebida de boas vindas, os restantes vinhos (2 brancos levados pelo João, 2 tintos levados por mim e, ainda, um Moscatel da Madeira levado pelo José Rosa) foram da responsabilidade dos "convidados". Desfilaram:
.Espumante Qtª Poço do Lobo Baga 2014, o vinho de boas vindas que cumpriu bem a sua missão.
Acompanhou enchidos e requeijão.
.Soalheiro Alvarinho 2011 - ligeira oxidação, fruta madura, notas de melão, boa acidez, alguma complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Cheio de saúde, ainda aguenta mais 2/3 anos. Nota 17,5.
.Portal do Fidalgo Alvarinho 2011 - citrinos mais evidentes, acidez q.b., menos complexo que o anterior, volume e final de boca médios. No ponto para ser consumido. Nota 16,5.
Estes 2 brancos maridaram com crepes recheados e massa folhada.
.Legado 2011 - nariz exuberante, muito frutado, fresco e elegante, acidez no ponto, notas especiadas, taninos civilizados, volume considerável e final muito longo. Muito fino e harmonioso, em forma mais 8/9 anos. Um dos grandes vinhos portugueses de nível internacional. Levava-o para a tal ilha deserta. Nota 19.
.Aalto PS 2011 - com base em vinha velhas, estagiou 22 meses em barricas novas de carvalho francês; também muito exuberante, mais floral e especiado, acidez equilibrada, taninos bem comportados, volume e final de boca assinaláveis. Conjunto harmonioso. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18,5+.
Estes 2 tintos harmonizaram com a carilada.
Artur Barros e Sousa Moscatel 1963 - aroma complexo e exuberante, presença de mel e frutos secos, algum iodo, notas amanteigadas, acidez q.b., grande volume e final persistente. Mais Madeira que Moscatel. Nota 18,5.
Acompanhou pastéis de nata.
Mais uma grande jornada de convívio, bons comeres e beberes em alta.
Obrigado João pela iniciativa!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Aditamento a "O Vinho que Lisboa tem"

Para quem não conheça o livro, a autora seleccionou as seguintes 10 garrafeiras:
.Estado d' Alma
.Garrafeira de Santos
.Garrafeira Imperial
.Mercearia do Vinho
.Manuel Tavares
.Garrafeira Nacional
.Napoleão
.Garrafeira da Sé
.Garrafeira Campo de Ourique
.Wines 9297

terça-feira, 22 de agosto de 2017

O Vinho que Lisboa tem : prós e contras

1.Introdução
Tomei conhecimento, ao ler a última revista VINHO Grandes Escolhas que lhe dedica uma página, da saída do livro"O Vinho que Lisboa tem", elaborado pela jornalista Ana Cristina Marques e editado pela Caminho das Palavras.
Pode ler-se na contra-capa que "Este guia pretende levar o leitor a conhecer as quintas produtoras de vinho, com valência de enoturismo, na Região de Lisboa, mas também os wine bars onde se serve vinho a copo e os petiscos tradicionais chegam à mesa. Ao todo, estão contempladas 16 quintas, 26 wine bars e ainda 10 garrafeiras".
2.Prós
É uma obra meritória que veio ocupar um espaço ainda não preenchido.
Na 1ª parte, para cada uma das quintas inventariadas, foi elaborada uma ficha onde consta uma pequena história e informação indispensável para quem as queira visitar (contactos, horários, preços,...).
Na 2ª parte, a autora pretendeu ser exaustiva, mas ficaram de fora, pelo menos 2 wine bars:
.Lisbon Winery (no Bairro Alto) que faz parte dos nomeados para os Prémios W 2017, a atribuir pelo crítico Aníbal Coutinho, na categoria "Melhor Bar de Vinho".
.Nova Wine Bar (no Chiado) com boas classificações nas plataformas internacionais Zomato e Tripadvisor.
3.Contras
É na 3ª e última parte, dedicada às garrafeiras de Lisboa, que a autora não fez o trabalho de casa, ao inventariar apenas 10 garrafeiras, quando há pelo menos 30, algumas delas tão ou mais merecedoras que as indicadas.
Mais, se esta selecção da autora pretende ser um Top 10, há 2 ou 3 que não merecem tal honroso lugar, em minha opinião.
Caso a autora esteja a pensar numa 2ª edição, passo a inventariar as garrafeiras olvidadas:
.Néctar das Avenidas (na Luis Bivar), talvez a garrafeira de Lisboa que melhor trata o vinho e a única que organiza regularmente jantares vinicos, visitas a produtores e o evento Bairradão. Indesculpável esta omissão!
.Empor Spirits & Wine (na Castilho), outra garrafeira que periodicamente organiza provas de vinhos
.Delidelux (em Santa Apolónia e Alexandre Herculano), mais uma a organizar sessões vínicas
.Loja Gourmet do El Corte Inglês, uma referência
.Casa Macário ( na Baixa), um clássico
.Mercado da Praça da Figueira (na Baixa), com uma boa oferta de fortificados
.Vinhos de Selecção (na Baixa)
.Dom Pedro (na Baixa)
.Sister's Gourmet (na Baixa)
.Garrafeira de Lisboa (no campo Pequeno), ainda recentemente objecto de reportagem na revista VINHO Grandes Escolhas
.Charcutaria Moy (no Principe Real)
.Garrafeira Internacional (no príncipe Real)
.Garrafeira São João (em Benfica)
.Garrafeira da Luz (na Estrada da Luz)
.Wine Company (na Barão de Sabrosa)
.Living Wine (na Avenida de Roma)
.Wine Guest (em Belém)
.Portugal Wine Room (em Alvalade)
.Agrovinhos (em Alcântara)
.La Pétillante (em Campo de Ourique)
E, ainda mais:
.Quando refere que a Estado d'Alma tem 3 lojas, não menciona a do CCB que veio a ocupar o espaço da mediática Coisas do Arco do Vinho
.Também não identifica as restantes lojas da Garrafeira Nacional e do Napoleão
.Quando explica como se deve guardar um vinho fortificado em casa, afirmando que devem estar em pé, esqueceu-se de esclarecer que isto não se aplica aos vinhos que evoluem na garrafa, como é o caso do Porto Vintage e até de LBVs.
Finalmente, um apelo aos seguidores deste blogue: a lista das garrafeiras poderá estar incompleta. Querem acrescentar mais alguma?

sábado, 19 de agosto de 2017

Sem Dúvida revisitado

O Sem Dúvida, já aqui referido várias vezes, é um dos restaurantes de Lisboa que mais aprecio. Boa comida, embora sem arriscar, carta de vinhos à altura (240 referências), com mais de 60 a copo, e serviço profissional e simpático, sob a batuta do Sérgio, o responsável pelo espaço.
Recentemente tive a ocasião de o revisitar na companhia de 2 amigos. Bebemos e comemos:
.Frei João 1995 branco (em meia garrafa) - aromas terciários, alguma oxidação, bela acidez, algum volume e final de boca. Para um branco com mais de 20 anos não se pode exigir mais. Nota 17.
Acompanhou umas tapas diversas.
.Blanco Nieva Pie Franco Verdejo 2015 (Rueda) - com base em vinhas velhas com mais de 100 anos; muito frutado com notas florais, acidez equilibrada e notas amanteigadas, algum volume e final longo. Uma boa surpresa, este branco cheio de personalidade e com uma relação preço/qualidade imbatível. Nota 18.
Maridou bem com um arroz de conquilhas.
.Qtª Monte d' Oiro Syrah Reserva 2000 - aroma muito fino, notas florais, bela acidez, equilibrado e elegante, algum volume e final de boca. No ponto para ser bebido. Nota 18.
Harmonizou com um prato de secretos, lagartos, grelos e batatas a murro.
.Krohn Colheita 1976 (já referido na última crónica "Vinhos em família")
Acompanhou uma saborosa tarte de amêndoa.



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Curtas (XC) :Foodies, Travel, La Rosa IPA e novos eventos

1.Foodies by Imperdíveis
O Imperdíveis do Porto Canal lançou há pouco tempo o "Foodies", programa exclusivamente dedicado à restauração. Os 3 críticos gastronómicos deste canal visitam regularmente restaurantes, uns mais badalados e outros fora do nosso radar. Em cada programa, com cerca de 15 minutos, são apresentados e criticados 3 restaurantes, sendo quase sempre 1 em Lisboa, 1 no Porto e o terceiro no norte do país. Os pratos vão sendo degustados e comentados, sendo no final atribuída ao restaurante uma nota. Pena é que a componente vínica não seja abordada. Mas vale a pena ver.
Este Foodies  passa em vários dias e horas, sendo mais prático pô-lo a gravar.
2.Enoturismo by Travel
Depois desta agência cultural ter organizado visitas enoturísticas ao Dão, Alentejo, Douro, Açores e Rioja, anunciou recentemente uma ida à Região Demarcada dos Vinhos Verdes, prevista para o fim de semana de 7 a 9 de Outubro.
Esta viagem incluirá a Casa da Calçada, Hotel Monverde (Qtª da Lixa), Qtª da Aveleda, Restaurante Ferrugem, Qtª do Ameal, Hotel Inlima, Palácio da Brejoeira e Qtª do Prazo. Imperdível!
Mais informações em tryvel.pt/tour/vinho-verde.
3.La Rosa IPA
La Rosa IPA é o nome da primeira cerveja artesanal elaborada por um produtor de vinho, a Qtª de La Rosa pois claro. O enólogo Jorge Moreira passou a acrescentar ao seu CV o título de cervejeiro!
Esta cerveja é um exclusivo da casa, sendo vendida na respectiva loja e podendo ser provada na Cozinha da Clara, o restaurante da quinta.
4.Bairrada Vinhos & Sabores
Previsto para 8 a 10 de Setembro no Velódramo Nacional em Sangalhos, este evento é promovido Comissão Vitivinícola da Bairrada, Município da Anadia e Turismo do Centro.
A organização estará a cargo da revista "Vinho grandes escolhas" e contará com Provas Comentadas e Jantares Temáticos.
5.Bye bye Summer Wine Party
Irá decorrer dia 8 de Setembro no jardim do Marriott Hotel. Organizado pela revista Paixão pelo Vinho, contará com cerca de 300 referências em prova, entre vinhos e cervejas artesanais, e incluirá 3 Provas Especiais.

domingo, 13 de agosto de 2017

Provar vinhos com a Real Companhia Velha (RCV)

Há cerca de 1 mês tive a oportunidade de participar na apresentação e prova de alguns vinhos da RCV, concretamente da Qtª de Cidrô, que teve lugar no espaço "Le Consulat" (Pç Luis de Camões,22 - 1º andar) e que contou com Pedro Silva Reis (o produtor), Jorge Moreira (o enólogo) e Rui Soares (o viticultor), uma equipa de luxo.
O grupo de participantes foi desdobrado em 2 turnos (16h e 18h), tendo-me calhado o primeiro. Como éramos poucos, a logística da prova correu muito bem, devido ao facto de estarmos sentados à mesa, o que é muito mais fácil se comparado com a prova em pé, situação em que faz sempre falta mais uma mão para pegar no copo, na caneta, no caderno, etc. Mais, os copos eram Riedel, uma mais valia.
Orientada pelo Jorge Moreira, a prova contemplou (por ordem cronológica):
.Alvarinho 2016 - fresco e floral, notas vegetais, acidez alta e perfil duriense muito contido. Nota 16.
.Sauvignon 2016 - fresco, presença de citrinos e espargos, acidez equilibrada, fino e persistente. Nota 16.
.Chardonnay 2016 - mais intenso que os anteriores, mantendo a componente vegetal, volume de boca considerável. Nota 17.
.Rosé 2016 - com base em castas nacionais, nariz preso, algo frutado, notas de alcatrão, gastronómico. Nota 15.
.Pinot Noir 2014 - aberto de cor, muito fino e elegante, fruta vermelha ainda presente, taninos suaves, volume e final de boca médios. Nota 16,5+.
.Touriga Nacional 2015 - nariz intenso, muito frutado, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Foi o vinho da prova. Nota 18.
.Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 - ainda com a cor muito carregada e muita fruta, toque vegetal pronunciado, acidez equilibrada, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
.Gewurztraminer 2016 - aroma intenso, muito floral, fresco e elegante, acidez q.b., subtis notas amanteigadas, final de boca persistente. Original e algo surpreendente. Nota 17,5.
Uma boa prova, mas que me deixa uma dúvida. Com tantas castas tradicionais no Douro, porque é que a RCV não aposta nelas? Dos 4 brancos apresentados, só um se baseou numa casta nacional que, ainda por cima, nada tem a haver com a região.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Pastel de bacalhau com queijo da Serra : oportunismo e ignorância

Há cerca de 2 anos assistiu-se a uma grande polémica na blogosfera, na sequência de uma declaração da gastrónoma Maria de Lourdes Modesto (MLM), grande defensora da cozinha tradicional portuguesa e com obra temática publicada. A polémica estalou após o blogue Mesa Marcada ter dado eco à indignação da MLM ao referir-se ao controverso pastel de bacalhau com queijo da Serra como  "(...) Duas das mais queridas e conseguidas espeficidades da nossa gastronomia numa pornográfica e ridícula figura (...)". Daqui resultou um incontrolável incêndio nas chamadas redes sociais, uns defendendo e outros atacando, quase sempre com um gritante déficite de argumentação.
Recentemente a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, "inventora" desta improvável e gritante ligação, acrescentou um terceiro elemento, o Vinho Madeira (servido em cálice de vidro acrílico, segundo me pareceu). Mas o que é que este fortificado tem a haver com o pastel de bacalhau? Que eu saiba, nada!
Só que se esqueceram de dar um mínimo de formação ao pessoal da linha da frente que atende o público. À minha questão "qual a idade deste vinho?", obtive como resposta que era de 1870! Perante o meu pasmo e mostrada a garrafa, percebi que o ano 1870 fora o da criação da Justino's como empresa familiar. Só então é que foram "lá dentro" perguntar, tendo-me sido dito que, afinal, o Vinho Madeira servido com o pastel de bacalhau e queijo da Serra, não era de facto do século XIX tendo apenas 3 anos de idade.
Mais, nos cartazes que estão expostos com fotografias de Vinho Madeira, aparecem garrafas antigas, uma referente a Malvasia 1904 e outra a Bual 1957, lançando a confusão nos clientes menos informados.  
Oportunismo e ignorância, pois!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Vinhos em família (LXXX) : 4 brancos e 1 Krohn Colheita

Mais uns tantos vinhos provados tranquilamente em família com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
Qtª de Baixo Gonçalves Faria 2013 (garrafa nº 493/2006) - é um Vinho Regional Beira Atlântico, com base nas castas Bical e Maria Gomes em vinhas velhas; engarrafado em Junho 2015 com a chancela da Niepoort; muito fresco e mineral, presença de citrinos e algum floral, acidez muito pronunciada a pronunciar uma longa vida, volume e final de boca médios. Baixo teor alcoólico (10,5 % vol.). Nota 16,5+.
.Olho no Pé Vinhas Velhas Reserva 2014 - com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio em vinhas velhas, estagiou 12 meses nas borras finas; presença de citrinos e alguma fruta cozida, acidez equilibrada, notas vegetais e algum amanteigado, final de boca médio. Nota 16,5+.
.Morgado Stª Catherina Reserva 2015 - com base na casta Arinto (100 %) em vinhas velhas, estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e alguma fruta madura, acidez no ponto, madeira bem casada, algum volume e final de boca médio. Teor alcoólico 14 % vol. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5.
.Qtª Monte d' Oiro Madrigal Viognier 2013 - 90 pontos na Wine Enthusiast; ligeira oxidação, presença de citrinos, notas de melão e fruta cozida, alguma acidez, notas balsâmicas, volumoso e gastronómico. Teor alcoólico 14 % vol. Nota 17+.
.Krohn Colheita 1976 (engarrafado em 1996) - presença de frutos secos, notas iodadas, algum floral, acidez equilibrada, volume notável e final de boca longo. Complexo, elegante e harmonioso. Mais um Krohn Colheita em grande estilo! Nota 18,5.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Novo Formato+ (27ª sessão) : um banquete em S.Francisco da Serra

Esta última sessão deste grupo denominado Novo Formato duplicou o nº de participantes, pois reuniu à mesa 16 pessoas em vez das 8 habituais. O repasto decorreu em S. Francisco da Serra, "chez" Lena/Juca, sendo a gastronomia e os vinhos da sua responsabilidade. Diga-se, desde já, que o Juca estava inspirado e que tudo o que saiu das suas mãos estava 5 estrelas. Promovo-o a "chefe"!
Quanto aos vinhos (1 espumante, 1 branco, 3 tintos, 1 Moscatel e 2 Madeiras), desta vez provados com os rótulos à vista, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Bruto 2015 - foi o vinho de boas vindas e cumpriu bem a sua função, acompanhando frutos secos, charcutaria, ovos de codorniz, tapas de queijo com tomate seco, etc...
.Soalheiro Alvarinho 2015 magnum - aroma intenso, frutado e algo tropical, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca.Gastronómico. Nota 17.
Maridou com uma saborosa sopa rica de peixe.
.Borges Verdelho 20 Anos - serviu para limpar o palato.
.Diga? 2009 magnum - com base na casta Petit Verdot; ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos presentes mas não agressivos, algum volume e acentuado final de boca. Ainda longe da reforma. Nota 17,5+.
Harmonizou com o tradicional rabo de boi com puré de batata. Belíssimo! Como é possivel não gostar deste prato?
.Aalto 2014 magnum - aroma afirmativo, muito frutado, acidez no ponto, taninos afirmativos mas civilizados, algum volume e final de boca; ainda demasiado jóvem, mas com grande potencial, precisa de uma meia dúzia de anos para se complexizar. Nota 18 (provisória).
.Pintas 2011 magnum - o vinho tinto português mais classificado na Wine Spectator (98 pontos); aroma fino, ainda com fruta vermelha e com nuances terciárias, acidez equilibrada, mas com um desagradável toque químico; taninos vigorosos, volumoso e final de boca longo; ainda pode esperar mais 7/8 anos. Nota 18 (também provisória).
Acompanhou uma tábua de queijos, com destaque para o Terrincho Velho.
.Moscatel Roxo 20 Anos José Maria da Fonseca (engarrafado em 1983) - presença de frutos secos e mel, notas iodadas, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca muito doce. Nota 17,5.
Servido com uma série de doces e salada de frutas.
.Artur Barros e Sousa Verdelho Reserva Velha (engarrafado em 2007) - notas iodadas bem presentes, frutos secos, vinagrinho, taninos firmes, bom volume e final de boca interminável. Fino, elegante, harmonioso e complexo. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Foi uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. Os anfitriões esmeraram-se. Obrigado Lena! Obrigado Juca!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lumni : o novo poiso do chefe Miguel Castro e Silva

O conceituado chefe Miguel Castro e Silva que trocou a Invicta pela Capital, fechou o Castro Flores (onde se instalou o Bem Haja, vindo da Rua de Campolide) e instalou-se no 5º piso do Hotel The Lumiares (R. Diário de Notícias, 142), onde gere o "Lumni restaurante & bar".
O restaurante desdobra-se numa aconchegada sala interior (onde se pode ver a cozinha, semi-aberta) e numa alargada esplanada com vistas para a cidade. Este espaço permite uma série de escolhas, desde o serviço à lista, até a um menú de degustação de 7 pratos (55 €). Mas o mais interessante, pareceu-me o menú de almoço com as suas 3 modalidades, todas ela incluindo o couvert e água:
.20 € - entrada/sopa + prato
.24 € - entrada/sopa + prato + sobremesa
.28 € - sopa + entrada + prato + sobremesa
A escolha incide entre 6 entradas/sopas, 6 pratos e 4 sobremesas, tendo eu optado por comer a sopa rica do mar (belíssima) e, ainda, lulas e camarão com puré de batata (tudo saboroso, mas com as lulas demasiado al dente).
Mesas despojadas, mas guardanapos de pano, bons copos Schott e armários térmicos para controlo de temperaturas.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes (1 a copo), 1 champanhe, 24* brancos (3), 27 tintos (4), 2 rosés (1) e 9 fortificados (7 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel, todos a copo).
* 1 era colheita tardia
Escolhi o branco Qtª Ventozelo Viosinho 2014 - fresco e mineral, um toque vegetal, acidez equilibrada, notas amanteigadas, volume e final médios. Gastronómico, acompanhou bem toda a refeição. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, mas em quantidade nada generosa.
Serviço profissional e simpático.
Em conclusão, recomendo e tenciono voltar.


sábado, 22 de julho de 2017

O blogue vai de férias

Mais uma semana, a última até ao final do ano, sem computador.
Ficam por publicar as crónicas:
.Vinhos em família (LXXX)
.Lumni, o novo poiso do Miguel Castro e Silva
.As recentes novidades da Qtª de Cidrô
.Novo Formato (27ª sessão)
Boas pingas e até ao meu regresso.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Curtas (LXXXIX) : maldades francesas, as conservas do Público e a garrafeira do José Casais

1.Maldades francesas (I)
Em férias recentes passadas no sul de França (entre Marselha e Nice), tive a ocasião de constatar como os franceses tratam mal os seus visitantes. Nos diversos jantares em hotéis de 4 estrelas, os copos postos na mesa eram francamente maus, os vinhos imbebíveis (não só pela má qualidade, como também pela temperatura a que eram servidos) e os talheres não eram trocados (aqueles que eram utilizados na entrada tinham que ficar para o prato principal!). Em boa verdade, o único local onde trocaram os talheres foi num hotel de 3 estrelas. Uma honrosa excepção.
2.Maldades francesas (II)
No filme francês "Duas Mulheres, um Encontro", ainda em cartaz e realizado por Martin Provost em 2017, as protagonistas (uma delas a Catherine Déneuve) beberam um Porto em flutes! Francamente, ninguém em França sabe aconselhar devidamente os responsáveis pelo filme? E nenhuma entidade portuguesa se insurgiu?
Curiosamente, um dia após ter visto este filme, visionei em casa o clássico "Morangos Silvestres", realizado pelo mestre Ingmar Bergman em 1957, onde também aparece uma cena em que se bebe Porto. Só que aqui houve o cuidado de o servir em cálices. Isto na Suécia 60 anos antes!
3.As conservas do Público
Com a periocidade semanal e sempre à  quinta feira , o Público está a vender (3,20 €) uma colecção de 14 conservas*, intitulada "Mar Português conservas de chef". Por exemplo, a receita da conserva que saiu hoje, "Biqueirão com lima e gengibre", é da chefe Marlene Vieira.
A produção é da fábrica A Poveira (Póvoa de Varzim) e o azeite virgem extra da Casa Anadia.
* também podem ser adquiridas nalgumas lojas Continente.
4.A garrafeira do José Casais
Abriu em 2016 a Garrafeira de Lisboa (Av. Sacadura Cabral,45A), nas antigas instalações da Vinalda.
O seu proprietário é o José Casais, o antigo patrão daquela distribuidora.
É um bonito e impressionante espaço onde se podem encontrar algumas (muitas) raridades vínicas que podem fazer as delícias de alguns coleccionadores, embora seja algo arriscado apostar nestas "velharias", a par de algumas novidades (poucas).
Este fabuloso espaço está um pouco desaproveitado e é pena não terem pensado num wine bar, pois boas condições não faltam.


terça-feira, 18 de julho de 2017

Soberba by Igor Martinho : um dia para esquecer

Embalado pela crítica gastronómica e pelo prestígio do Igor Martinho, chefe cozinheiro do ano em 2009, rumei ao Soberba arrastando comigo a minha companheira e um casal de amigos que gostam de comer e beber com qualidade. A respectiva reserva, que incluia um desconto de 30 % (bebidas à parte), foi feita através da plataforma The Fork.
Em má hora o fiz, pois correu quase tudo mal.
A carta normal não estava disponível, ficando a clientela "obrigada" a comer o menú do dia. Fiquei sem saber exactamente porquê, pois 2 dos empregados deram-me razões diferentes. A minha vontade foi zarpar dali, mas já passava das 13h30 e não tinha qualquer alternativa ali próximo. Mais, o menú de almoço poderia ter algumas propostas interessantes, entre os diversos pratos da autoria do chefe. Mas não. Salmão, frango, carapaus (a entrada também era com carapaus!) e bifanas eram as apostas do Soberba. Francamente, encontro melhor em qualquer tasca de Lisboa e arredores!
O restaurante está pessimamente localizado, a sala é ampla, mas ruidosa e com a música de fundo demasiado alta. Mesas bem aparelhadas, mas com guardanapos de papel, uma contradição.
Quanto à componente vínica, a lista é interessante e com alguma originalidade e preços decentes, os copos são bons e têm armários térmicos para controlo de temperaturas. Serviço eficiente e simpático.
Escolhemos o branco Olho no Pé Grande Reserva Vinhas Velhas 2011, um vinho que gosto particularmente. Azar, o vinho estava demasiado oxidado e imbebível. Veio uma 2ª garrafa, também ela oxidada, mas nos limites do bebível. Para não levantar mais problemas, foi aceite embora com alguma relutância. Sugeri ao empregado que retirassem o vinho da lista e pedissem ao produtor que o trocasse por outra colheita. Consultado hoje o site do Soberba, o vinho em causa ainda lá consta. Francamente...
Finalmente, a factura que veio para a mesa era muito confusa, pois aparecia um desconto que, só em casa, percebi que era falso, pois o preço do menú foi ampliado (dos 12,90 € da tabela, passaram para mais de 16 €). Feita a reclamação ao The Fork, acabei de ser compensado através da minha conta de cliente assíduo. Uma sentença salomónica!
Enquanto me lembrar do sucedido, Soberba by Igor Martinho nunca mais!

sábado, 15 de julho de 2017

Grupo dos 6 (4ª sessão) : Alvarinho, tintos de 2010 e 1 Madeira de excepção

Ainda desfalcado de um dos seus fundadores, este grupo de enófilos militantes reuniu na Casa da Dízima, restaurante de Paço d' Arcos muito badalado em diversas plataformas gastronómicas e nalguns blogues, incluindo o presente. Come-se muito bem por aqui e não é de mais elogiar o seu serviço de vinhos. O gerente deste espaço não estava (Pedro Batista que só apareceu no final para cumprimentar o grupo), mas a equipa, com o Carlos à cabeça, funcionou muito bem.
Quanto aos vinhos, levámos 1 branco em garrafa magnum, 3 tintos de 2010 e 1 fortificado. E eles foram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2010 (levado pelo João Quintela) - bonita cor, ligeira oxidação, aromas terciários, algum floral, notas amanteigadas, acidez equilibrada, volumoso e final de boca persistente. Original e pleno de personalidade. Nota 18.
Acompanhou muito bem as duas entradas (vieiras com tártaro de atum e risotto de caranguejo real).
.Qtª do Mouro Rótulo Dourado (levado pelo Frederico Oom) - nariz contido, sabores terciários com predominância de especiarias, acidez no ponto, taninos civilizados, algum volume e final de boca longo. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 18.
.Qtª Manoella Vinhas Velhas (levado pelo José Rosa) - aromas discretos, alguma fruta e especiarias, acidez q.b., taninos presentes, algum volume e final de boca. Prejudicado por um ligeiro toque de rolha. Acabou por desiludir. Nota 17.
.Kopke Vinhas Velhas (levado por mim) - enologia de Ricardo Macedo; com base nas castas Touriga Nacional e Sousão, estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, ainda com fruta, boa acidez, notas especiadas, taninos bem presentes, volume e final de boca assinaláveis. Elegante e sofisticado, ainda está longe da reforma, podendo ser bebido ainda nos próximos 6/7 anos. Um grande Douro, mas ainda longe da ribalta. Nota 18,5.
Estes 3 tintos acompanharam bochecha confitada com puré de favas.
.FMA Bual 1964 (levado pelo Juca) - frutos secos, notas de iodo e caril, vinagrinho bem presente, algum volume e final de boca interminável. Elegante e sofisticado. Um belo Madeira e um grande vinho em qualquer parte do mundo. Nota 19.
Acompanhou um creme queimado.
Grande sessão!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Surf & Turf : mais um chefe no Mercado da Ribeira

O chefe Kiko Martins (O Talho, A Cevicheria e O Asiático) abriu, já há alguns meses, o Surf & Turf no Mercado da Ribeira. Este novo espaço situa-se no corredor lateral, com bancos ao balcão, fora da grande confusão da zona central, apresentando alguns dos pratos emblemáticos dos seus restaurantes. A ementa é curta (4 pratos frios, 4 quentes e 2 sobremesas), mas o pessoal é mais do que suficiente (contei 8 empregados). Serviço eficiente e simpático.
Em recente visita, deliciei-me com o risotto do mar de quinoa e croquetes de cachaço, uma adaptação de um  prato que já conhecia da Cevicheria e referido em "Cevichando em Lisboa", crónica publicada em 24/5/2015.
Quanto a vinhos inventariei 1 espumante (1 a copo), 1 champanhe, 2 brancos (1), 2 tintos (1) e 1 rosé. Lista curta e sem qualquer ano de colheita, o que é de lamentar.
Optei pelo branco A Cevicheria 2015, um vinho de Lisboa resultante de uma parceria do Kiko com o produtor Bento dos Santos - aromático, muito frutado e fresco, presença de citrinos e notas de melão, algum volume e final de boca. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade generosa.
Os tintos estavam uns à temperatura ambiente e outros com a temperatura controlada. Confesso que não percebi o critério.
Como sobremesa, marchou uma saborosa queijada na banca "Recordações de Sintra", uma novidade no Mercado.
No WC, a cena repete-se: urinóis entupidos, torneira em falta e secadores de mãos avariados.
Ó senhores da Time Out, tenham atenção a estas situações. Não é só facturar!

domingo, 2 de julho de 2017

O Blogue vai de férias

Mais uma semanita sem computador. Ficam por publicar as crónicas:
.Surf & Turf no Mercado da Ribeira
.Grupo dos 6 (4ª sessão)
.Soberba by Igor Martinho
.Vinhos em família (LXXX)
Boas pingas e até ao meu regresso.

sábado, 1 de julho de 2017

Paralelo 45 : uma aposta vínica falhada

Tinha muita curiosidade em conhecer este Paralelo 45 (R. Castilho, 27B), cujo sub-título é Wine Lounge & Delicatessen, aberto em finais de 2016 e já altamente badalado numa série de revistas, sites e comentários de embevecidos clientes.
A aposta nos vinhos é fortíssima, a começar pelo nome. Paralelo 45 significa a linha de latitude ideal para a plantação de vinhas. Tem uma boa selecção de vinhos portugueses, mas também alguns franceses, italianos e de outros países.
Inventariei 4 espumantes (2 a copo), 3 champanhes (1), 1 Prosecco (1), 26 brancos (8), 32 tintos (9), 4 rosés (3) e 9 fortificados (5 Porto e 4 Madeira, mas zero Moscatéis), oferta mais que suficiente.
No entanto tem 2 falhanços incompreensíveis e lamentáveis, para quem aposta nos vinhos.
1º falhanço: os anos de colheita estão omissos.
2º falhanço: os tintos estão à temperatura ambiente.
Em relação a este último, o empregado ainda tentou dar-me a volta, dizendo que as temperaturas eram aceitáveis. Para provar a sua afirmação foi buscar um termómetro eléctrico, mas que não funcionou por falta de pilhas! Acabou por ser o 3º falhanço.
Este espaço tem, pelo menos à hora do almoço, um menú com direito a entrada ou sopa, prato, bebida e café, a troco de 14 €.
O vinho a copo foi o Vinha da Foz 2015 - fresco e mineral, acídulo, volume e final médios. Nota 15,5. Optei pelo branco, pois o tinto estava quente.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo razoável.
A sala está bem decorada e o espaço é requintado, embora com toalhetes e guardanapos de papel, uma contradição. O serviço, eficiente e simpático, está reduzido aos mínimos, com uma empregada sénior atrás de um balcão e um único empregado (muito jóvem e inexperiente) na sala. Em caso de eventual enchente, deve ser o caos.
Faço votos para que os falhanços apontados sejam corrigidos, pois o espaço merece-o.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Provar vinhos Mont'Alegre

Há cerca de 1 mês tive a oportunidade de provar vinhos Mont'Alegre, numa sessão orientada pelo produtor e simultaneamente o enólogo deste projecto transmontano, Francisco Gonçalves de seu nome, que decorreu no Panorama Bar, localizado no 26º andar do Hotel Sheraton.
Os vinhos Mont'Alegre têm tido origem em uvas compradas a produtores da região e situadas a mais de 650 metros de altitude. No futuro, o produtor passará a ter vinha própria que será a mais alta de Portugal, qualquer coisa como 1025 metros!
Foram provados 3 brancos, 3 tintos e 1 clarete:
.Clássico 2016 branco - com base nas castas Rabigato, Bical e Gouveio; fresco e mineral, presença de citrinos, acidez no ponto, volume e final médios. Nota 15,5+.
.Vinhas Velhas 2016 branco - com base em vinhas velhas com mais de 40 anos; fresco, fruta cozida, notas amanteigadas, boa acidez, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
.Reserva 2015 branco - fresco e mineral, presença de citrinos, boa acidez, fino e elegante, volume e final médios. mais complexo que os anteriores. Nota 16,5+.
.Clássico 2015 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Amarela; fruta vermelha, alguma acidez e frescura, taninos suaves, volume e final de boca médios. Nota 16.
.Vinhas Velhas 2015 tinto - alguma fruta, acidez e complexidade, taninos redondos, algum volume e final de boca. Nota 16,5+.
.Reserva 2014 tinto - ainda com muita fruta, alguma acidez e complexidade, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca longo. Nota 17.
.Clarete 2016 - com base em 90 % de castas tintas e 10 % de brancas; nariz neutro, presença de morangos, algo chato na boca. Destoa do conjunto. Nota 14,5.
De salientar que, de um modo geral, estes Mont'Alegre se mostraram frescos e elegantes, com um teor alcoólico civilizado, um estilo de acordo com as actuais tendências de mercado.
Boa logística (copos, temperaturas e serviço).

terça-feira, 27 de junho de 2017

Grupo dos 6 (3ª sessão) : tintos de 2009, um branco de eleição e um Madeira de excelência

Este grupo, já formalmente apresentado na crónica "Almoço com Bual 1920 e outras pingas de eleição", publicada em 14/2/2017, temporáriamente reduzido a 5, reuniu-se no restaurante Comendador Silva para apreciar 2 brancos de referência, 2 tintos de 2009 e o sublime Blandy Bual 1977.
Desfilaram:
.Marquês de Almeida Grande Reserva 2015 (levado pelo Juca) - um Beira Interior produzido pela CARM, com base nas castas Síria (45 %), Fonte Cal (30 %) e Arinto (25 %), fermentou em barricas de carvalho francês, seguido de "batonnage" durante 8 meses: cor dourada, presença de citrinos, fruta madura, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca considerável. Uma boa surpresa. Nota 17,5.
.Terrenus Vinha da Serra 2014 (levado por mim) - com base nas castas Arinto, Fernão Pires, Bical, Roupeiro, Malvasia e Tamarez, em vinhas velhas situadas na Serra de São Mamede, a 750 metros de altitude, fermentou em cubas de cimento e estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; Prémio Excelência 2016 atribuído pela antiga RV; mais fresco e mineral que o anterior, bela acidez, alguma gordura, elegante e sofisticado, volume e final de boca notáveis. Uma das 1000 garrafas produzidas e ainda longe da reforma. Um grande branco! Nota 18.
Estes 2 brancos acompanharam sopa de peixe e marisco e, ainda, massa folhada com pica pau de novilho.
Paço dos Cunhas Vinha do Contador (levado pelo Frederico) - estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz intenso, ainda com muita fruta, fresco, algo especiado, taninos imponentes, volume e final de boca assinaláveis, ainda cheio de juventude, pode beber-se nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Villa Oliveira (levado pelo João) - nariz austero, alguma fruta, notas terciárias, algum volume e final de boca; mais evoluído que o anterior, está no ponto óptimo de consumo. Nota 17,5.
Estes 2 tintos maridaram com massa fresca com gambas (este prato teria ligado melhor com os brancos) e magret de pato (boa ligação).
.Blandy Bual 1977 (levado pelo J.Rosa) - engarrafado em 2007; frutos secos, vinagrinho bem presente, notas de iodo e caril, volume assinalável e final de boca interminável. Complexo, elegante e sofisticado. Nota 19.
Bom serviço de vinhos, copos e temperaturas à altura. Pena é que continuem com os televisores ligados, embora sem som. Não trazem nenhum valor acrescentado. Só por teimosia dos responsáveis.

sábado, 24 de junho de 2017

O Bairradão em Lisboa 2017

Esta 3ª edição do Bairradão em Lisboa, por mim anunciada em "Eventos a não perder", crónica publicada em 11/5/2017, decorreu, mais uma vez, no Hotel Real Palácio, tendo sido organizada pela Garrafeira Néctar das Avenidas.
Do trabalho hercúleo dos seus responsáveis (João e Sara Quintela), coadjuvados por alguns familiares, mantenho os elogios feitos em "Bairrada em Lisboa" e "Bairrada em Lisboa (2ª edição)", crónicas publicadas em 28/5/2015 e 7/6/2016, respectivamente.
Na edição de 2017, os cerca de 30 produtores do Dão e da Bairrada espalharam-se por diversas salas, sem grandes atropelos, tendo funcionado bem a logística do hotel, no que se refere a copos.
Dos 39 vinhos provados, 29 eram brancos, não tendo ficado muito espaço para os tintos.
Nos brancos, destaco em 1º lugar o Alvaro de Castro Encruzado Reserva 2015 e o Villa Oliveira Encruzado 2014, seguidos pelos Qtª da Falorca Encruzado Reserva 2016, Casa de Saima Reserva 1995, ainda cheio de saúde, Campolargo Verdelho 2012, Qtª do Perdigão Encruzado 2015, Pai Abel 2014, Casa de Santar Reserva 2015 e o surpreendente Marquês de Marialva Grande Arinto Reserva 2013 (engarrafado em 2016). Posso afirmar que a Encruzado, a melhor casta branca portuguesa, a par da Alvarinho, claro, esteve ao nível dos seus inegáveis pergaminhos!
Quanto a tintos, o meu destaque vai para o Qtª da Falorca Garrafeira 2011, um vinhão, logo seguido dos Vinha dos Amores Touriga Nacional 2011, Qtª da Pellada 2012 e Encontro Baga 2011. De registar a prestação dos tintos de 2011, a grande colheita desta década.
Comparando as 2 regiões, as minhas preferências foram para o Dão, com 8 eleitos, ficando a Bairrada com os outros 5.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Curtas (LXXXVIII) : Palácio da Brejoeira, restaurantes de referência e provas de vinhos

1.Palácio da Brejoeira
O programa "Visita Guiada" da Paula Moura Pinheiro, que passou na RTP2 na passada 2ªfeira, dia 19, foi dedicado ao Palácio da Brejoeira. Embora não centrado no vinho, considero imperdível este programa que ainda pode ser visto até Domingo.
2.Restaurantes imperdíveis
No rescaldo das minhas férias, tive a ocasião de conhecer uma série de restaurantes de Norte a Sul.
Recomendo vivamente 3, não só pela gastronomia, mas também pela componente vínica, uma aposta forte de todos. E eles são:
.Dom Sesnando, em Penela, onde comi a chanfana de cabra da minha vida
.Basilii, o restaurante do Torre de Palma Wine Hotel, entre Monforte e Vaiamonte, onde provei uns pezinhos de coentrada de subir aos céus
.Mercearia Gadanha*, mesmo no centro de Estremoz, onde degustei um delicioso arroz de coelho bravo e uns croquetes de borrego de 5 estrelas
*o blogue Joli Wine & Food, para o qual tenho um link, publicou uma crónica desenvolvida sobre este restaurante.
3.ViniPortugal
A loja de Lisboa, situada em pleno Terreiro do Paço, completamente remodelada, é um atraente espaço onde se pode provar mas também comprar vinhos.
Possui 4 armários Enomatic, cada um com 8 vinhos à prova, com temperaturas reguladas (9º para brancos, 16º para tintos e 14º para fortificados), o que é de louvar. Só não entendo porque colocaram o Tinta Grossa do Paulo Laureano junto aos brancos. Mistérios...
Quando lá passei, com um calor abrasador no exterior, o ar condicionado estava avariado, o que não fará muito bem à saúde dos vinhos.
Também notei algumas lacunas na região de Bucelas. Por exemplo, o emblemático Morgado de Stª Catherina foi olvidado, o que não se entende.
4.Adegga Wine Market Summer
Vai decorrer no dia 1 de Julho, entre as 14 e as 21h no Lisbon Marriott Hotel, sendo possivel provar e comprar vinhos dos cerca de 60 produtores presentes.
5.Vinho ao Vivo
Com organização de os Goliardos, é possivel provar vinhos na esplanada do espaço de restauração À Margem (em Belém, junto ao Tejo). Este evento decorrerá nos dias 30 de Junho e 1 de Julho.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Jantar Qtª Roques/Qtª Maias

Foi mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que escolheu o restaurante do Real Palácio Hotel, já nosso conhecido de outros eventos. Desta vez, o tema foi a degustação de vinhos Qtª dos Roques e Qtª das Maias, alguns dos quais já com perto de 20 anos.
Uma oportuna sessão pedagógica, exemplarmente orientada pelo produtor Luis Lourenço, vindo directamente do aeroporto, coadjuvado pelo seu filho. Será interessante recordar outro jantar com o mesmo produtor, ocorrido no restaurante Assinatura, cuja crónica "Jantar Qtª Roques/Qtª Maias", foi publicada em 17/10/2012.
Voltando ao mais recente, desfilaram:
.Qtª das Maias Malvasia Fina 2002 - cor carregada, notas de oxidação (muito visíveis em algumas garrafas, mas noutras não), fruta cozida, nuances florais e apetroladas, algo chato na boca, algum volume e final de boca curto. Uma curiosidade, não aconselhável beber sem comida. Nota 15,5.
Acompanhou pastéis de bacalhau, bolinhas de vitela wrap de frango.
.Qtª das Maias 1999 (em magnum) - nariz austero, aromas terciários, acidez muito viva, algo especiado, elegante e cheio de saúde, volume e final de boca médios. De notar que as garrafas servidas mostraram diferenças acentuadas. Nota 17.
Fez companhia a um risotto de cogumelos.
.Qtª dos Roques Alfrocheiro 1999 (previamente decantado) - aroma mais exuberante, ainda com fruta, acidez equilibrada, fresco e muito elegante, volume e final de boca médios. Nota 17,5.
.Qtª dos Roques Tinto Cão 1999 - nariz contido, acidez no ponto, notas vegetais e algo herbáceas, volume e final de boca médios. Desequilibrado, ficou aquém do esperado. Nota 15,5.
Estes 2 tintos maridaram com uma coxa de pato confitada.
.Qtª das Maias Verdelho 2001 - aroma intenso, fruta madura, notas florais, ligeiramente oxidado, boa acidez, fresco e complexo, algum volume e final de boca longo. Ainda longe da reforma, foi o vinho mais surpreendente. Nota 17,5.
Casou bem com um folhado de chévre com compota de maçã e nozes.
Embora o ano de 1999 não tivesse sido de eleição, esta prova foi muito pedagógica, pois estivemos em presença de tintos com quase 20 anos. Constatou-se haver diferenças acentuadas de garrafa para garrafa e foi pena que os empregados tivessem misturado garrafas diferentes num mesmo copo.

domingo, 18 de junho de 2017

A 1927 e a Cervejaria Liberdade

Em boa verdade foi a cerveja 1927 que me levou a conhecer a Cervejaria Liberdade, o novo espaço do Hotel Tivoli que veio substituir a Brasserie Flo, encerrada pelos novos proprietários. Eu explico: uma das Time Out, que costumo comprar, trazia um cupão que dava direito ao consumo de 1 cerveja 1927, num dos espaços aderentes. E foi assim que escolhi a Cervejaria Liberdade.
À minha volta só executivos topo de gama, alguns comendo grandes mariscadas a preços estratoesféricos. Na sala uma boa dúzia de empregados, entre chefes, sub-chefes e alguns (poucos) soldados rasos.
O único "proleta" era eu, limitando-me a comer um creme de marisco, aliás excelente, diga-se com toda a justiça, a que se seguiu um prego dito do lombo, que mais me pareceu uma agradável bifana.
Quanto a vinhos, a lista pareceu-me sem grandes rasgos, preços altos e anos de colheita omissos, o que considero indesculpável num hotel.
Inventariei 4 espumantes (2 a copo), 9 champanhes (1), 34 brancos (4), 4 rosés (1), 26 tintos (3), 4 Portos (4), 2 Madeiras (2) e 2 Moscatéis (2). Quem elaborou a carta, deve ter um estranho modo de ver o país vinícola, ao agrupar a região Lisboa com a Bairrada, o Douro com o Dão e o Alentejo com o Tejo. Coisas!
Fiz aparentemente figura de rico, mas apenas gastei 20 €. Se todos os clientes fossem como eu, a Cervejaria Liberdade já teria ido à falência...

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O blogue vai de férias

O blogue vai de férias e o computador também.
Ficam por publicar as crónicas:
.Cervejaria Liberdade
.Jantar Qtª Roques/Qtª Maias
.Bairradão
.Paralelo 45
.Vinhos Mont' Alegre
.Grupo dos 6
Boas pingas e até ao meu regresso...

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Curtas (LXXXVII) : Fátima, Clara e Noélia

1.O espumante do "milagre"
A C V Bairrada, em parceria com a Associação Rota da Bairrada, lançou recentemente o espumante "1917-2017 Centenário das Aparições de Fátima" (1917 garrafas produzidas), numa clara jogada oportunística, aproveitando a onda do centenário.
Nem a própria Igreja se tem referido a aparições, ficando-se muito sensatamente pelas visões. Mas a CVB é que sabe. Enfim...
2.A Cozinha da Clara
Abriu há bem pouco tempo a Cozinha da Clara, o restaurante da Quinta de La Rosa, uma homenagem da Sophia Bergqvist, proprietária e gestora da quinta, à sua avó Claire.
Resta acrescentar que a carta de vinhos foi desenhada pelo Jorge Moreira, o enólogo da casa.
Desejo os maiores êxitos a esta equipa e ao seu projecto.
Pela minha parte, já estou a salivar...
3.As contradições da Noélia
Em 18/6/2016 publiquei uma crónica sobre o restaurante da Noélia intitulada "Noélia : gastronomia 5 - serviço 1". Um ano depois a situação mantém-se, o que é de lamentar.
Voltei a provar o inexcedível salmorejo com muxama, seguindo-se pataniscas de polvo e a torta de alfarroba. Tudo 5 estrelas!
Optei por um copo de Qtª de Chocapalha Arinto 2015, muito fresco e mineral, que já vinha servido.
Numa das paredes está afixado um quadro com o diploma "Serviço de Qualidade Vinho a Copo 2014" (!?).
Sem mais comentários...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Grupo dos 3 (57ª sessão) : M.O.B. e Terrantez 20 Anos em forma

Esta última sessão foi da responsabilidade do Juca que levou 4 vinhos da sua garrafeira (1 branco, 2 tintos e 1 Madeira) e escolheu o restaurante Via 14 Comeres & Vinhos (Via do Oriente,14 Parque das Nações). Neste espaço, gerido por Luis Soares que também é o proprietário e responsável pela cozinha, come-se muito bem e paga-se pouco, mas para se ter algum sossego não se pode abancar antes das 14 h, pois a sala é muito pequena e ruidosa. Mesas despojadas com toalhetes e guardanapos de papel. Apesar de terem posto também o acento tónico nos vinhos, a qualidade dos copos, demasiado grossos, não acompanha esta aposta. Uma pena...
Mas vamos aos beberes e comeres. Desfilaram:
.Couquinho Superior 2015 - enologia de João Brito e Cunha; com base nas castas Viosinho e Rabigato; presença de citrinos, algum vegetal, acidez equilibrada, notas amanteigadas, volume e final médios. Nota 16,5.
Gastronómico, acompanhou bem queijo fresco, empadas e bacalhau à Braz.
.Aquae Flaviae Reserva 2012 (Trás-os-Montes) - enologia de Francisco Baptista; com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz; notas vegetais excessivas, alguma acidez, taninos rugosos e agressivos, volume e final médios. Desequilibrado, desiludiu completamente. Nota 14,5.
Conflituou com o prato de bacalhau.
.M.O.B. 2012 - produzido e engarrafado na Qtª do Corujão, com enologia dos novos proprietários Jorge Moreira (M), Francisco Olazabal (O) e Jorge Serôdio Borges (B); com base nas castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Baga; muito frutado, boa acidez, algo especiado, taninos presentes mas civilizados, bom volume e final de boca longo. Teor alcoólico baixo (12,5 % vol.). Elegante, harmonioso e gastronómico. Nota 18.
Harmonizou com uma excelente vitela assada de cortar à colher, com batata assada e grelos.
.Blandy Terrantez 20 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, iodo bem presente, vinagrinho, notas de brandy, volume médio e final de boca muito longo, Nota 18.
Casou bem com leite de creme queimado.
Mais uma boa sessão, com comeres e vinho à altura, com excepção do Aquae Flaviae, um erro de casting. Obrigado, Juca!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Provar vinhos com a José Maria da Fonseca

A convite da Sofia Soares Franco, representante da 7ª geração da José Maria da Fonseca (JMF), estive recentemente no By the Wine, o espaço de restauração da JMF, numa apresentação e prova de novidades, orientada pelo Domingos Soares Franco, vice-presidente e responsável  pela enologia da JMF.
Foram apresentados/provados 9 vinhos da colheita de 2016 (6 brancos e 3 rosés), em condições que não seriam as ideais, pois, para além do ruído de fundo provocado pelos clientes da casa, estava de pé com um copo na mão e a caneta na outra (nestas situações faz-me sempre falta mais uma mão...).
Dos vinhos provados, aquele que mais me surpreendeu, pela positiva, foi o rosé Qtª de Camarate 2016 (com base nas castas Touriga Nacional (72 %) e Cabernet Sauvignon (28 %); austero, mas elegante e com alguma complexidade, fruta e acidez presentes; gastronómico, precisa de comida por perto). Nota 16,5+.
Seguiram-se (em linguagem telegráfica):
.DSF Verdelho (fresco, elegante e sofisticado). 16,5.
.Qtª Camarate Seco (com base nas castas Alvarinho e Verdelho; fresco e mineral, com notas tropicais e alguma complexidade). 16.
.DSF Moscatel Roxo rosé (fresco, muito floral, com notas apetroladas). 16.
.Avis Rara (com base nas castas Moscatel de Setúbal e Fernão Pires; uma agradável surpresa adocicada). 15,5+.
.Qtª Camarate Doce (com base nas castas Alvarinho e Loureiro; fresco com alguma untuosidade). 15,5.
.BSE, Periquita branco e Periquita rosé (vinhos de gama de entrada, todos simples e agradáveis). 15.
No final da prova foram servidas aos participantes, a maioria representantes da blogosfera, umas apetecíveis tábuas com queijos e enchidos de grande qualidade (vale a pena referir, mais uma vez, que a By the Wine tem o melhor prego de Lisboa).
Oferecida, ainda, uma embalagem com 2 garrafas. O meu obrigado, na parte que me toca, à JMF.
Finalmente, é justo dizer que a logística da By the Wine foi inexcedível, ao disponibilizar 1 copo para cada 1 dos vinhos provados. Um caso raro, não sendo necessário avinhar os copos.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Provar vinhos com a Adega Cooperativa da Vidigueira

1.Introdução
Por convite da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba & Alvito (ACV), tive a oportunidade de provar uma série de vinhos VDG (1 espumante e 7 brancos) e, ainda, 2 tintos e 1 licoroso, a maioria posta no mercado muito recentemente. A prova, seguida de almoço, decorreu no restaurante Espelho de Água, bem junto ao Tejo.
A ACV fez-se representar por uns tantos elementos da direcção e não só, tendo a prova sido orientada pelo enólogo da casa, Luis Leão de seu nome, já meu conhecido dos tempos da Herdade do Pinheiro, onde ele ainda colabora. Segundo percebi, de cada um dos monocastas apresentados foram produzidas 3333 garrafas, ao preço recomendado de venda ao público entre os 7 e os 8 €.
Quanto aos participantes, percebi que a blogosfera estava representada, bem como alguma imprensa especializada e generalista. Lamentavelmente, foi-me prometido que me enviariam a respectiva listagem, sem que o tivessem feito até esta data. Mas já me habituei a promessas não cumpridas.
Uma nota simpática: aos participantes foi-lhes oferecida 1 garrafa de Vidigueira Antão Vaz, acompanhada por uma manga e um saca-rolhas. Os meus agradecimentos.
2.A prova dos primeiros vinhos
Foram provados os primeiros VDG (1 espumante e 3 brancos) na varanda exterior ao restaurante, sem um mínimo de condições, debaixo de um calor insuportável que nem os chapéus de sol conseguiram amenizar. Era deveras complicado segurar o copo numa mão, a caneta e o caderno na outra, já não falando na necessidade de uma mão extra para pegar nos canapés que iam passando.
O espumante, fresco e com notas de pão cozido, era da colheita de 2015 e funcionou bem como bebida de boas vindas.
Seguiram-se os monocastas brancos de 2016, a saber: Vermentino (uma casta italiana, com uma desagradável componente vegetal que não traz nenhum valor acrescentado, antes pelo contário; nota 14,5), Verdelho (o branco vencedor deste primeiro confronto, muito equilibrado entre a fruta e a acidez, notas amanteigadas e um perfil deveras gastronómico; 16,5+) e Viognier (fresco com um toque tropical; 16).
3.O almoço e prova dos restantes vinhos
Com a entrada (salada de verduras e queijo fresco) foram provados:
.Antão Vaz - notas tropicais, fruta madura e algum vegetal, boa acidez, volume consistente e alguma persistência; gastronómico, ficaria melhor com o prato de peixe. Nota 16,5+.
.Alvarinho - presença de citrinos e fruta tropical, notas vegetais, volume e final de boca médios; também não traz nenhum valor acrescentado ao Alentejo, pois esta casta perde muito, se retirada do seu berço. Nota 15.
Com o prato de peixe (lombo de bacalhau com crosta de azeitona preta):
.Chardonnay - fruta madura, notas tropicais e amanteigadas, volume e final de boca apreciáveis. Gastronómico, ligou bem com o lombo de bacalhau. Nota 16,5.
.Arinto - presença de citrinos e notas vegetais, bela acidez, sofisticado e longevo, vai melhorar nos próximos 2/3 anos. Não ligou com o bacalhau, iria melhor com a salada. Nota 16,5+.
Com o prato de carne (entrecôte com esmagada de batata):
.Grande Escolha 2014 - com base nas castas Trincadeira e Alicante Bouschet, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano; aroma intenso, muita fruta vermelha, bela acidez, taninos presentes mas civilizados, algum volume e final de boca. Muito harmonioso, tem uma relação preço (7,50)/qualidade excepcional. Foi o vinho que mais me encantou. Nota 17,5.
.Reserva 2015 - com base na casta Syrah, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, muita fruta vermelha, acidez bem equilibrada, volume e final de boca médios, precisa de mais algum tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 tintos chegaram à mesa quentes, o que é indesculpável. Alertado o enólogo, as garrafas foram rapidamente refrigeradas. Não havia necessidade...
Com a sobremesa (creme de queijo e natas com compota de goiaba):
.Licoroso 2013 - com base nas castas Trincadeira e Tinta Grossa; presença de fruta preta, taninos redondos, doçura apreciável, volume e final médios. Nota 15,5.


terça-feira, 23 de maio de 2017

Pigmeu : uma original e agradável "porcaria"

Movido pela curiosidade fui conhecer o Pigmeu (Rua 4 de Infantaria, 68), um original espaço de restauração, exclusivamente dedicado ao porco, cuja ementa contempla 9 petiscos da estação, 4 sandes, 5 acompanhamentos e 4 de garfo e faca.
Nesta minha 1ª visita fiquei-me pelos petiscos, tendo escolhido "tibornas de porco com tomate", "croquetes de bochecha de porco bísaro" e "rabinhos de porco com molho agridoce". Tudo provado e aprovado.
A contrastar, a componente vínica é fraca. Sem lista de vinhos, referiram-me 2 ou 3 a copo, estando os tintos à temperatura ambiente. Uma desgraça!
Optei, então, pela cerveja artesanal "Lx Beer", modalidade "Rye Ipa" (uma das quatro existentes), a portar-se muito bem. Um desabafo: cada vez gosto mais das artesanais e menos das industriais.
Sempre que possível, marco o restaurante  através da plataforma The Fork. Assim vou acumulando pontos e, ao fim de 10 reservas, fico com um crédito de 10 € para descontar num dos diversos restaurantes aderentes.
Foi o caso do Pigmeu, onde constatei à chegada, agradavelmente surpreendido, ter a mesa marcada com o meu nome numa ardósia onde se podia ler "de tudo um porco...". A boa disposição e sentido de humor abunda por ali, podendo ler-se numa das paredes "Porco em construção".
Falta dizer que as mesas se limitam a toalhete e guardanapo de papel e a música, embora a meu gosto, estava demasiado alta. Quanto ao serviço, considero-o rápido, prestável e deveras simpático.
Aconselho o Pigmeu e tenciono voltar.

sábado, 20 de maio de 2017

Jantar Qtª do Noval

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, cabendo o protagonismo à Qtª do Noval, aqui representada pela Rute Monteiro, directora de marketing e comercial, relações públicas, enfim um pouco de tudo. Já era minha conhecida dos tempos das Coisas do Arco do Vinho e ficou-me registado na memória a forma como nos recebeu na Qtª do Noval quando a visitámos com um grupo de clientes e amigos. Também esteve presente o Nuno Quina, distribuidor da marca, também meu conhecido, e que nos acompanhou (a mim e á minha mulher) numa visita memorável àquela quinta. Momentos inesquecíveis!
Voltando a este evento, que teve lugar no Via Graça, após termos sido recebidos por um Porto Branco Extra Dry, a funcionar muito bem como bebida de boas vindas, desfilaram:
.Cedro do Noval 2015 branco - com base nas castas Gouveio e Viosinho; fresco e mineral, presença de citrinos, notas vegetais e florais, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio. Nota 16,5.
.Cedro do Noval 2013 tinto - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Syrah; nariz discreto, alguma fruta vermelha e acidez, taninos presentes ainda por domesticar, algum volume e final de boca assinalável. Nota 16,5+.
Estes 2 vinhos acompanharam uma massada de cogumelos selvagens com garoupa cozinhada em baixa temperatura, muito saborosa mas com massa a mais para o meu gosto. Preferível a ligação com o branco.
.Qtª do Noval 2008 - aroma intenso, ainda com fruta, acidez no ponto, especiado, taninos intensos mas civilizados, grande volume e final de boca persistente. Complexo e sofisticado, ainda em forma mais 7/8 anos. O Douro no seu melhor! Nota 18,5+.
.Qtª do Noval 2014 - com base maioritariamente na casta Touriga Nacional, a que se juntaram a Touriga Franca e Tinto Cão, estagiou cerca de 18 meses em cascos de carvalho francês; nariz algo contido, muita fruta vermelha e preta, acidez equilibrada, taninos presentes e redondos, volume e final de boca consideráveis. Ainda em construção, é melhor esperar por ele 5 a 7 anos, mas não estou crente que atinja o nível do 2008. Nota 17,5.
Estes tintos harmonizaram bem com um saboroso raspado de cabrito assado com chalotas e batatas.
.Qtª do Noval Colheita 2003 (engarrafado em 2017) - ainda com a cor muito carregada, notas de frutos secos, ginja e mel, volume médio, mas final de boca interminável. Nota 17,5+.
Servido com doce de amêndoa e ovos com espuma de canela.
.Qtª do Noval Vintage 2003 - incrivelmente jóvem, taninos bem presentes mas civilizados, doçura equilibrada, volume médio e final de boca persistente. Há que esperar por ele 10 a 12 anos. Nota 17,5 (provisória).
Acompanhou um queijo de Serpa.
Foi uma pena que estes 2 fortificados não tivessem sido servidos em simultâneo. Teria sido mais didáctico, para os participantes perceberem bem as suas diferenças.
Foi um grande jantar, embora se tivesse arrastado para o dia seguinte, com vinhos de qualidade apreciável (destaque para o Qtª do Noval 2008), bem acompanhados pelos pratos do João Bandeira e o serviço profissional a que nos habituaram.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Eatfish : uma experiência para esquecer

Motivado pelos elogios que fui lendo na Time Out e em comentários em algumas plataformas ligadas à restauração, fui conhecer este espaço situado na zona do Cais Sodré (Tv. São Paulo,11). Mais valia não ter ido, face à experiência desastrosa.
Senão, vejamos:
.música excessivamente alta
.mesas completamente despojadas com tampos de pedra, embora com guardanapo de pano (uma contradição)
.lista de vinhos reduzida, apenas com 2 vinhos brancos e tintos a copo, sem qualquer referência a anos de colheita
.os copos já vêm servidos, tendo-me sido mostrada a garrafa só depois de a ter solicitado
.o peixe está reduzido a 3 variedades (salmão, atum e corvina) que podem vir para a mesa nas versões carpaccio (nome incorrecto, fatiado é que seria certo), tártaro e ceviche (há também lombos dos mesmos peixes)
.serviço pouco atento
Escolhi meias doses de carpaccio de corvina (que só provei, depois de ter devolvido o fatiado de atum que não pedi) e tártaro de atum. O atum em qualidade e quantidade é aceitável, mas a corvina uma fraude, pois vem para a mesa uma quantidade irrisória.
Para acompanhar, optei por um copo do branco Vale da Poupa Moscatel Galego 2016 (4,90 €, um exagero) - aroma intenso, fresco, presença de citrinos, notas vegetais, boa acidez, volume médio. Gastronómico, harmonizou bem com a comida. Nota 16,5.
O vinho já vinha servido, como acima referi, em bom copo aferido a 15 cl. Só que o nível do líquido estava abaixo da marca. Foi distração ou é sempre assim? Indesculpável, em qualquer dos casos!
Concluindo, Eatfish nunca mais!

terça-feira, 16 de maio de 2017

Confronto de revistas de vinhos e a Fugas

1.Confronto de revistas de vinhos
Aí estão à venda a nova Revista de Vinhos (Revista de Vinhos - Essência do Vinho), saída em Abril, e a antiga (VINHO - Grandes Escolhas), acabada de chegar com o nº de Maio.
Enquanto que a nova RV tem 130 páginas, das quais 34 são de publicidade (26 % do total), a Vinho já vai nas 208, das quais 78 contêm publicidade (37,5 %). É bom para elas, mas cansativo para o leitor.
Uma curiosidade: se viradas ao contrário são rigorosamente iguais, pois em ambas as contracapas se encontra a mesma publicidade das Caves da Murganheira (bem com deus e com o diabo?).
A nova RV dedicou algumas páginas ao Dirk Niepoort, Bruno Prats, Murganheira/Raposeira e Bacalhôa (Moscatéis), enquanto que a Vinho se centrou no Esporão, Douro e suas sub-regiões, castas portuguesas no mundo, Bacalhôa (Enoturismo), Rosés e Porto Extravaganza (a nova RV, no nº de Maio, apenas se referiu a uma das 3 jornadas).
Quanto a painéis de prova, a nova RV ficou-se pelos vinhos de supermercado, ao passo que a VINHO se dedicou aos vinhos tintos até aos 10 €.
Mas a grande diferença, na minha óptica, centra-se nos leques de provadores no que diz respeito às Escolhas do Mês (nova RV) e aos Vinhos do Mês (VINHO). Enquanto que esta última conta com um sólido e prestigiado painel (Luis Lopes, João Paulo Martins, João Afonso e Nuno Garcia), a nova RV, perdido o Rui Falcão para outros voos, fica-se por uns tantos pouco ou nada conhecidos, dos quais ressalvo o Manuel Moreira, com provas dadas como escanção.
É claro, para mim, o resultado do confronto : VINHO - Grandes Escolhas,1 - Revista de Vinhos - Essência do Vinho,0. Ao apostar claramente na VINHO declaro-me insuspeito, até porque no passado tive algumas divergências com a antiga Revista de Vinhos e alguns dos seus colaboradores. Mas, apesar de tudo, é a minha gente!
Aguardo com expectativa os próximos encontros de Vinhos e Sabores, a terem lugar no Pavilhão de Congressos (nova RV em Novembro, curiosamente no espaço habitual da antiga RV) e na FIL (VINHO em Outubro). Por qual se decidirão os produtores? Ou vão a todas? A ver vamos...
2.A Fugas : uma pedrada no charco
Leio na última Fugas de 13 de Maio, um corajoso e desassombrado artigo do jornalista Pedro Garcias, crítico e também produtor de vinhos (Mapa, cujo Vinha dos Pais 2013 considero um dos grandes brancos portugueses), onde afirma, a propósito do Adega Mãe Terroir 2013 branco, classificado na nova RV com 14,5, depois de lhe terem sido atribuidos 18 valores na antiga RV e 91 pontos na Fugas, que esta disparidade tem a haver "(...) com o facto de o director da Revista de Vinhos (a nova, entenda-se) estar incompatibilizado com Anselmo Mendes, um dos dois enólogos que fazem o vinho.(...) Este caso é muito mais que uma guerrinha pessoal, pois sabe-se que o novo director da Revista de Vinhos avocou o poder de modificar as notas finais dos seus provadores (...)".
Assino por baixo e dou o meu apoio incondicional ao Pedro Garcias!

sábado, 13 de maio de 2017

Tapiscando...

Fui conhecer o tão badalado Tapisco (Rua D. Pedro V, 81), uma aposta do chefe Sá Pessoa nos petiscos e tapas ibéricas. A ementa contempla 12 Tapiscos, 5 Ovos, 5 Brasas e 5 Tachinhos, a preços nada meigos.
As mesas e os lugares ao balcão, onde me sentei com vista para a cozinha aberta, encontram-se despojados, apenas com toalhetes de papel onde se pode ler a ementa e guardanapos de pano, uma contradição. Ao todo, na sala e na cozinha, estavam 15 empregados, o que denota uma louvável preocupação com o serviço do cliente.
Quanto à componente vínica, inventariei na lista portuguesa 3 espumantes (1 a copo), 16 brancos (3), 18 tintos (4), 1 rosé (1), 4 Portos e 1 Madeira, enquanto que na espanhola constam 2 cavas (1), 6 brancos (1), 8 tintos (1), 1 rosé (1) e 5 Jerez, uma oferta mais que suficiente. Lamentavelmente os anos de colheita estavam omissos.
Optei por um copo do branco Nieva Verdejo 2014 - nariz austero, presença de citrinos e fruta madura, alguma acidez, gordura, volume e final de boca. Nota 16,5+.
Muito gastronómico, acompanhou bem a "Esqueixada de Bacalao" (com o bacalhau cru, tipo ceviche) e "La Bomba de Lisboa" (2 avantajados croquetes ligeiramente picantes, com puré de batata).
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar num belo copo Riedel (modelo Bordeaux) e servido em quantidade generosa.
Serviço rápido, eficiente e simpático.
Apesar das contradições apontadas, recomendo e tenciono voltar, até porque fiquei vidrado numa fabulosa posta de bacalhau Riberalves, que passou por mim enquanto eu comia.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Eventos a não perder

1.Festival do Vinho do Douro Superior (6ª edição)
Realiza-se no Centro de Exposições de Vila Nova de Foz Côa, de 19 a 21 de Maio, com o apoio da respectiva Câmara e coordenação da nova revista Vinho - Grandes Escolhas. Incluirá:
.Concurso de Vinhos do Douro Superior
.Mostra de Vinhos (69 produtores) e de Sabores (9 produtores)
.Provas Comentadas (vinhos brancos, tintos e Porto e, ainda, azeites)
A inauguração oficial será no dia 19, pelas 18 h.
2.Bairradão (4ª edição)
Organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, este evento terá lugar no Hotel Real Palácio no dia 27 de Maio. das 15 às 20 h, estando já confirmadas as presenças dos seguintes produtores:
.Bairrada (Adega de Cantanhede, Campolargo, Casa de Saima, Caves São Domingos, Caves São João, Qtª das Bageiras, Qtª do Encontro, Qtª do Valdoeiro e Sidónio de Sousa)
.Dão (Caminhos Cruzados, Casa da Passarella, Casa de Santar, Qtª de Cabriz, Qtª do Carvalhão Torto, Qtª do Cerrado, Qtª da Falorca, Qtª da Pellada, Qtª do Penedo, Qtª do Perdigão, Qtª da Ponte Pedrinha, Qtª dos Roques, São Matias, Vinha de Reis e Vinícola de Nelas).
Prevista, ainda, uma Prova Especial de vinhos Qtª Poço do lobo.
3.Hello Summer Wine Party
Organizada pela revista Paixão pelo Vinho, esta festa vínica decorrerá nos jardins do Lisbon Marriott Hotel, no dia 9 de Junho das 17 às 23 h, contando com 50 produtores e 3 provas especiais.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Vinhos em família (LXXIX) : um grande branco e um tinto de referência

Mais 5 vinhos (3 brancos, 1 tinto e 1 Madeira) provados em família, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
.Qtª do Síbio 2015 (Real Companhia Velha) - com base em vinhas velhas, presença de citrinos e fruta cozida, notas amanteigadas, volume e final de boca médios. Gastronómico pede entradas fortes ou comida de tacho. Nota 16,5.
.Mirabilis Grande Reserva 2015 (Qtª Nova N. Srª do Carmo) - fresco e mineral, notas de fruta madura, acidez equilibrada, alguma complexidade, volume e final médios. Esperava mais. Nota 16,5+.
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2015 - com base na casta Vital em vinhas velhas; nariz contido, presença de citrinos, melão e fruta cozida, excelente acidez, notas fumadas e amanteigadas, algum volume e final de boca. Complexo e cheio de personalidade. Um grande branco que pode ser guardado ainda alguns anos. Nota 18.
De referir que o João Paulo Martins lhe dedicou uma página na revista E do Expresso. Este vinho está na mesma linha da colheita 2013, que incluí no meu TOP 10 de brancos 2014 e referi na crónica "Grupo dos 3 : (...) 1 branco surpreendente", publicada em 27/1/2015.
.CARM CM 2007 (garrafa nº 2252/4658) - com base nas castas Touriga Nacional (predominante), Touriga Franca e Tinta Roriz, vinificou em lagares com pisa a pé e estagiou 18 meses em barrica e 30 em garrafa; ainda com alguma fruta vermelha, aromas terciários, boa acidez, notas especiadas, complexidade, taninos presentes, corpo envolvente e final de boca extenso. Nota 18,5.
.Borges Malvasia 15 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, casca de laranja, ligeira acidez, notas discretas de caril e brandy, algum caramelo, taninos civilizados, volume e final de boca médios. Boa relação preço/qualidade. Nota 17,5.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Jantar Campolargo

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, o 67º segundo percebi. O repasto decorreu na Casa do Bacalhau, que já nos habituou a uma boa gastronomia e a um serviço de 5 estrelas, com temperaturas controladas, bons copos e os vinhos a chegarem à mesa antes da comida. Esteve presente o produtor Carlos Campolargo, já nosso conhecido dos tempos das CAV. Estivemos a relembrar o nosso primeiro encontro, que se traduziu numa prova dos seus vinhos no restaurante conhecido por "Orelhas", no qual participou o saudoso David Lopes Ramos.
Depois da bebida de boas vindas, o espumante Campolargo 2013, com base nas castas Bical, Arinto e Cerceal, já sentados em mesas rectangulares para 10 pessoas, uma inovação que nos permitiu falar todos uns com os outros, desfilaram:
.Espumante Clarete 2013 - com base nas castas Baga e Alvarelhão, mas que não me convenceu.
Acompanhou pastéis e pataniscas de bacalhau (estas venceram a prova organizada no âmbito do Peixe em Lisboa, a cujo júri presidiu o gastrónomo Virgilio Gomes).
.Campolargo Bical Barrica 2015 - nariz discreto, fresco e mineral, notas vegetais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Maridou bem com meia desfeita de bacalhau.
.Campolargo Vinha das Cerejas 2013 tinto - uma incursão do Campolargo no Dão, com base nas castas Touriga Nacional (60 %), Alfrocheiro (20 %) e Tinta Roriz (20 %); alguma fruta vermelha, notas florais, acidez equilibrada, taninos presentes, algum volume e final algo persistente. Nota 17.
Acompanhou o pernil de porco com batata assada.
.Diga? 2009 (em magnum) - com base na casta Petit Verdot; muita fruta ainda presente, acidez no ponto, notas especiadas, taninos evidentes mas não agressivos, algum volume e acentuado final de boca. Complexo, sofisticado e ainda longe da reforma. Nota 18.
Casou com barriga de leitão confitado com puré de batata.
.Campolargo 2009 (apresentado como branco velho surpresa) - aromas terciários, notas florais, ligeira oxidação, acidez presente, volume e final de boca médios. Um branco gastronómico que evoluiu muito bem. Nota 17.
Acompanhou queijo curado com compota de abóbora.
Resumindo e concluindo, este jantar, no que se refere à componente vínica, ficou abaixo das minhas expectativas. Esperava mais.
A fechar, os meus parabéns ao João Bandeira pelo prémio das melhores pataniscas de Lisboa!