terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Melhor blogue do ano : o enófilo militante está, mais uma vez, no Top 10

Já são conhecidos os nomeados para os prémios W 2015, iniciativa do crítico Anibal Coutinho que contempla 23 categorias, desde regiões vitivinícolas a enoturismo, vinhos, produtores, enólogos, garrafeiras, wine bares, serviço de vinhos e blogues. Mais informações em:
 w-anibal.com/media/pdf/nomeados2015.
Quanto ao Top 10 dos blogues, os nomeados em 2015 foram (por ordem alfabética) e assinalando com * os que entram pela 1ª vez:
.air diogo num copo (vencedor em 2014)
.avinhar *
.bebes ponto comes
.clube vinhos portugueses *
.comer beber lazer
.copo de 3 (vencedor em 2012)
.enófilo militante
.joli *
.os vinhos
.pingas no copo
De registar:
.há apenas 3 totalistas (presença em 2012, 2013, 2014 e 2015): "copo de 3" do João Pedro Carvalho, "enófilo militante" o meu e "os vinhos"  do Pedro Barata.
.a ausência do blogue "e tudo o vinho levou", vencedor em 2013.
No que me diz respeito, mais a mais próximo dos 1000 escritos (entre notícias, crónicas e croniquetas),  é sempre um incentivo para continuar a "cronicar" sobre as provas em que participo, o serviço de vinhos dos restaurantes que frequento, os livros sobre o vinho que vou lendo ou as histórias passadas comigo nos velhos tempos das Coisas do Arco do Vinho.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Vinhos em família (LXVII) : tintos 2008 versus 2009

Mais 5 vinhos bebidos com a família, sem a pressão da prova cega. Foram todos tintos,  sendo 2 da colheita de 2008 e 3 de 2009, mas bebidos separadamente.
.Poeira 2008 - notas florais, fresco e elegante, bela acidez, especiado, taninos de veludo, algum volume e bom final de boca; em forma mais 5/6 anos. Nota 18.
.Carrocel 2008 - também muito fresco e elegante, mas mais complexo e especiado, notas apimentadas e de chocolate, taninos suaves, bem estruturado e final longo; aguenta bem mais 7/8 anos. Nota 18,5.
.Qtª Vale D.Maria 2009 (engarrafado em Julho 2011) - nariz contido, alguma fruta vermelha, notas especiadas com a pimenta muito presente, acidez no ponto, elegante, taninos civilizados, algum volume e final persistente. A  consumir nos próximos 3/4 anos. Nota 18.
.Herdade Grande Colheita Seleccionada 15 Vindimas 2009 - com base nas castas Cabernet, Alicante, Syrah e Aragonês, estagiou 12 meses em barricas de carvalho (francês, português e americano) e outros 12 em garrafa; frutado, fresco, acidez equilibrada, notas de couro e tabaco, taninos presentes e civilizados, algum volume e final de boca. Pode esperar mais 2/3 anos para atingir o seu ponto máximo. Nota 17,5+.
.Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada 2009 - notas balsâmicas e especiadas, acidez equilibrada, elegante, volume médio e final longo. Excelente relação preço/qualidade, no ponto óptimo para ser consumido. Nota 17,5.
Conclusão: vantagem da colheita de 2008, em relação à de 2009, pelo menos em relação a estes vinhos agora provados.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Sommelier : uma mão cheia de contradições

O Sommelier (Rua do Telhal,59) é um espaço de restauração com uma componente de wine bar, apostando fortemente na área dos vinhos, tendo para isso investido numa série de armários térmicos Enomatic.
Cada um dos vinhos expostos tem 3 preços, garrafa, prova (25 ml) e copo (125 ml). Embora estejam 80 à vista, na carta constam 77 vinhos, ou seja, 24 brancos (de 3,20 a 19,40 € cada copo), 28 tintos (de 3,80 a 104 €), 2 rosés, 4 espumantes, 6 champanhes, 5 Portos, 3 Moscatéis, 2 Madeiras, 2 Carcavelos e 1 Tokay. É uma oferta monumental, difícil de encontrar noutros espaços similares, seja em Lisboa, seja no resto do país.
Mas aqui começam as contradições, pois a capacidade normal do vinho a copo na maior parte da restauração é de 15 cl ou, por vezes, de 14 cl ou, ainda, em casos extremos de 20 cl, como constatei em Berlim. Além de não serem baratos, os vinhos aqui encarecem se considerarmos o preço do litro. Outra contradição: segundo informação do empregado, o copo que escolhi vinha a 18º, o que é demasiado, pois logo que passe para o copo aumenta logo 1 ou 2º, atingindo rapidamente os 20º, o que é uma temperatura excessiva para tintos.
O  Sommelier é um espaço requintado e mesmo algo luxuoso, os guardanapos são de pano, mas as mesas despojadas, as cadeiras ou, melhor, os cadeirões, são enormes e pouco cómodos. Mas os clientes motorizados não foram esquecidos, pois têm à sua disposição uma garagem (no outro lado da rua, no nº 70A). Mais: a música estava demasiado alta, o que dificulta qualquer conversa à mesa.
Quanto ao serviço do vinho, o empregado pode trazê-lo à mesa ou o próprio cliente pode servir-se directamente do armário térmico. Os copos são excelentes, exibindo o logo da Zwiesel, que eu não conhecia (topo de gama da Schott?).
Optei por um copo do tinto Meandro 2013 (5,40 €, uma exorbitância) - aroma intenso, muita fruta preta, acidez no ponto, ligeiramente especiado, volume médio e bom final de boca. Nota 17.
Acompanhou bem uma saborosa feijoada de chocos que era o prato do dia (12 €). Antes tinha vindo para a mesa o couvert (3 variedades de pão, 3 patés e azeite).
Serviço eficiente e simpático.
Apesar das contradições, tenciono voltar e aconselho este espaço aos enófilos que estejam disponíveis para gastar algum dinheiro.  

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Curtas (LXX) : ignorâncias, hamburgueres e novo espaço

1.Mais ignorantes a pegar no copo
Vejo na página 10 do Expresso  de 19 de Dezembro, uma fotografia cuja legenda dizia "Carlos César, António Costa e Ferro Rodrigues: a tríade socialista no Conselho de Estado brinda ao futuro". O actual 1º ministro, honra lhe seja feita, é o único que pega correctamente no copo. Os outros 2, evidenciando uma ignorância crassa nesta área de conhecimento, agarram o copo com a mão inteira, não fosse o recipiente fugir-lhes.
Já anteriormente (ver "Saber ou não saber...pegar no copo", crónica publicada em 14/2/2015, que remete para outras mais antigas) critiquei algumas figuras públicas, ou por não saberem pegar no copo [o ainda actual inquilino de Belém, mas também o Francisco Assis, Armando Vara e Manuel Vicente (presidente da Sonangol) ou, mais grave ainda, por serem uns boçais a beberem espumante directamente da garrafa (os euro deputados Nuno Melo e Paulo Rangel)].
2.O melhor hamburguer de Lisboa?
Li, já há algum tempo, na Time Out, que o melhor hamburguer de Lisboa era no Ground Burger (Av. António Augusto de Aguiar, 148A, bem próximo do Corte Inglês, nas antigas instalações da livraria Babel).
É mais uma boa hamburgueria a servir carne 100 % black angus, mas daí a ser a melhor vai algum exagero. Mas o que realmente marca a diferença é o pão, feito na casa e que vem parcialmente torrado. Uma delícia.
Acompanhei o hamburguer com um copo do branco Serros da Mina Viognier 2013, a 2ª marca do vinho Herdade das Barras (3,90 €) - aroma contido, algum citrino, gordo na boca, acidez nos mínimos, volume considerável e final médio. Nota 16,5.
Este branco, tipicamente de outouno/inverno, aguentou-se muito bem com a carne (teria preferido o tinto se estivesse com a temperatura controlada, o que não era o caso). O vinho já vinha servido num bom copo C & S e em quantidade generosa.
3.Um novo espaço em Belém
Abriu recentemente o Baco's Wine Lovers (Rua da Junqueira, 406-408), uma garrafeira wine bar. É um espaço agradável e muito bem decorado, sem cozinha (só servem tapas) e com uma oferta muito centrada no Alentejo e Setúbal (o dono é de Azeitão), estando o Douro pouco representado.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Lisboeta : um restaurante perto do Tejo

Não confundir com o Lisboète, já aqui referido por diversas vezes. O Lisboeta é o restaurante da Pousada de Lisboa, situada no Terreiro do Paço, a sala de visitas da capital. É um espaço espectacular, dispondo de uma esplanada interior coberta mas com o tecto amovível. Além da sala principal, tem ainda um bar/cafetaria, à entrada da Pousada, onde se podem fazer refeições ligeiras.
Vale a pena a visita, até para apreciar a magnífica recuperação deste antigo espaço do Ministério da Administração Interna. Música de fundo demasiado alta, mas que baixaram a pedido.
De 2ª a 6ª feira pode-se almoçar sem ficar com a carteira vazia. Há um menú do dia que consiste em couvert (pasta de azeitona e manteiga dos Açores), prato principal (infelizmente não há opção, é único; faria mais sentido se se pudesse optar entre um prato de peixe e um de carne), bebida e café. Tudo isto por 15 €, o que é um preço muito simpático para uma Pousada.
Comemos, além do couvert, um papillote com bochechas, puré de batata trufado e legumes, um prato muito saboroso e bem apresentado. Com o café veio um mini pastel de nata, oferta da casa. O responsável pela cozinha é o jóvem chefe Tiago Bonito, ex-Hotel Vila Lara, um nome a reter.
Quanto à componente vínica, a carta, em reestruturação, tem uma boa selecção, a preços puxados e sem as datas de colheita, o que se lamenta, sendo também omissa quanto a fortificados que apenas constam na lista do bar, o que não faz sentido.
Melhor a carta de vinhos a copo, onde os anos de colheita não foram esquecidos. Inventariei 1 champanhe, 2 espumantes, 4 brancos, 3 tintos e 1 rosé, o que considero uma oferta muito aceitável.
Bebi 1 copo do vinho incluido no menú do dia, o tinto Terras de Azeitão Escolha do Enólogo 2014 -  simples e algo rústico, mostrou a agressividade de um vinho acabado de engarrafar; deverá melhorar com mais algum tempo de garrafa. Nota 14.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, servida uma boa quantidade a olho, com a temperatura correcta.
Serviço profissional e simpático. Recomendo e tenciono voltar, esperando encontrar já operacional a nova carta de vinhos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

678 anos de vinhos fortificados ou o Francisco, o Jorge e a Sandra jantaram connosco

1.Introdução
Por iniciativa do nosso amigo Adelino de Sousa que fez os contactos, trouxe vinhos (2 Porto Vintage, 1 Moscatel e 1 Madeira) e aperitivos/sobremesas (manteiga de ovelha, enchidos fatiados, queijo da serra, frutos secos e bolo de mel madeirense), decorreu recentemente um jantar de excepção (para mim, o repasto da década) no restaurante Casa da Dízima. A gastronomia esteve à altura dos acontecimentos e o serviço, sob a batuta do Pedro Batista, gerente deste espaço, foi de 5 estrelas.
2.Os convidados e os privilegiados
Para memória futura, que fique registado o que se segue.
Como nossos convidados de honra, estiveram presentes o Francisco Albuquerque (aqui lhe agradeço publicamente o comentário que fez à minha crónica "A Madeira em Lisboa", publicada em 8/12, o Jorge Serôdio Borges e a Sandra Tavares da Silva, nossos amigos desde há anos, todos mais que conhecidos, dentro e fora do país, e cujo reconhecimento em Portugal apenas pecou por tardio. Fizeram boa companhia e trouxeram vinhos com eles. Sentimo-nos honrados com a sua presença.
Participaram 10 privilegiados, com base no nosso grupo de prova de vinhos fortificados (Adelino de Sousa, casais Juca/Lena e Modesto/Natalina, João Quintela, Paula Costa, Alfredo Penetra, José Rosa e eu próprio). Esteve, ainda, o João Rosa, militante destas coisas, vindo expressamente de Londres para o efeito.
3.Os vinhos e a gastronomia
Nota - as minhas impressões sobre os vinhos provados, serão obviamente pessoais e telegráficas:
,Gurú 2008 em magnum (trazido pelo casal Jorge/Sandra) - belíssima acidez, volumoso e consistente, melhorou claramente com estes anos de garrafa. Pedofilia bebê-lo ainda jóvem. Nota 18.
.Casal Santa Maria Sauvignon Blanc 2014 em magnum (trazido pelo João) - espargos amargos a dominarem o conjunto, no entanto mais bebível do que uma outra provada há pouco tempo e que detestei. Nota 16.
Os 2 brancos foram acompanhados pelos aperitivos, amuse bouche (à base de foigras fresco) e entrada (um belíssimo creme de santola).
.FEM (as iniciais do avô do Francisco) Verdelho Muito Velho (da garrafeira do José Rosa) - nariz intenso, vinagrinho, iodo, elegante, volume envolvente e final interminável. Já leva mais de 100 anos! Nota 18,5+.
Este Madeira serviu para limpar o palato entre a entrada e o prato principal.
.Domaine Chantal Louis Remy Clos de la Roche Grand Cru 2004 (trazido pelo João Rosa) - um borgonhês credenciado que, confesso humildemente, não o entendi de todo (se fosse português diria que tinha defeito...). Sem nota.
.Passadouro Reserva 2004 em magnum (veio com o Jorge) - muito pujante, ainda com os taninos algo agressivos, está longe da reforma. Nota 17,5.
.Qtª da Pellada Baga 2000 (da garrafeira do Juca) - fresco e elegante, ainda tem muito para dar; uma bela surpresa. Nota 18.
.Pintas 2002 em magnum (veio com o casal Jorge/Sandra) - rolha! (azar o nosso); foi rapidamente substituído por uma garrafa de
.Pintas 2005 (empréstimo do restaurante) - muito complexo e especiado, volume e final de boca consideráveis. Nota 18,5.
Estes 4 tintos harmonizaram bem com um excelente naco de vitela com puré de batata.
.Noval Vintage 1958 (engarrafado na Grã Bretanha por Whitwham & Co) e
.Taylor's Vintage 1960 (também engarrafado na Grã Bretanha) - têm ambos um perfil que os aproxima dos Colheitas, tanto na côr, como no nariz e na boca; são ambos elegantes, sofisticados e com uma boa acidez. No entanto, o Noval impõe-se pelo seu volume e estrutura, estando o Taylor's mais "soft". Notas 18 e 17+, respectivamente.
Os 2 Vintage, vindos da garrafeira do Adelino, casaram bem com um queijo Fornos de Algodres, de meia cura.
.Moscatel de Setúbal Superior 1918 (também trazido pelo Adelino) - notas de mel e citrinos, boa acidez, muito equilibrado, com tudo no seu sítio; fácil de gostar, apesar da sua complexidade. Nota 18+.
.Família Serôdio Borges Porto Colheita 1918 (da garrafeira do Jorge, produzido pelo seu avô) - ainda muito jóvem apesar dos seus quase 100 anos, taninos ainda não totalmente domados; volume e potência de boca. Para homens de barba rija! Nota 18.
Estes 2 fortificados, com perfis completamente opostos, ligaram bem com as sobremesas.
.Henriques & Henriques Terrantez 1825 ou 1827 (da garrafeira do Adelino) - engarrafado em 1939, muito subtil e de grande complexidade, tem uma boca arrasadora, apesar de já estar próximo dos 200 anos de idade. Uma autêntica relíquia, provada com todo o respeito e um corpo espectacular que um crítico comparou à Scarlett Johansson, atribuindo-lhe 98 pontos em 100! Nota 19.
.Campanário Bual 1933 (trazido pelo Francisco) - aroma algo estranho (ou seria eu que já tinha o nariz baralhado?), muito seco e algo desequilibrado. Nota 16,5.
Estes 2 Madeiras foram acompanhados apenas por frutos secos e as habituais pinhoadas de Santiago de Cacém, oferecidas pela Natalina.
4.Conclusão
Foi uma grande jornada, dificilmente repetível, até porque estavam em cima da mesa qualquer coisa como 678 anos, só de vinhos fortificados!
Mais, uma palavra de apreço à Casa da Dízima, que resolveu e bem, o problema logístico. Passaram pela mesa nada menos, nada mais que cerca de 200 copos para vinho, não contando com os da água!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Curtas (LXIX) : matar saudades...

1.Primo dos Caracóis
Já tenho referido, mais de uma vez, este simpático espaço de restauração à entrada de Olhão, para quem vem de Tavira.
A carta de vinhos foi reformulada, constando agora uns tantos néctares, impensáveis num restaurante à beira da estrada (EN125). A título de exemplo, encontrei numa visita recente alguns vinhos de referência, a preços mais que sensatos: Barca Velha 2004 (259 €, quando nas garrafeiras já ultrapassou, desde há muito, os 300 €), Ferreirinha Reserva Especial 1992 (60 €), Qtª da Leda (49,50 €), Poeira (45 €) e Vallado Reserva (44 €).
As datas de colheita, porém, não constam na carta de vinhos, mas também não se pode exigir mais a um restaurante deste tipo.
2.Mercado da Ribeira
Estive lá há pouco tempo para matar saudades, tendo abancado no Alexandre Silva, e escolhido o saborosíssimo risotto negro com vieiras (10 €), um dos ex-libris deste chefe. O vinho fui buscá-lo à banca da Odete e a minha opção caiu no tinto Qtª da Fata 2011 (4 €) - fresco, notas florais, boa acidez, taninos susves, volume médio e bom final de boca. Harmonizou bem com o risotto. Nota 17.
Para terminar, na banca da Arcádia comi um bom-bom de chocolate negro e bebi um café (1,50 € por tudo).
3.Santa Clara dos Cogumelos
Já lá não ia há quase 1 ano a este espaço obrigatório (ver crónica "Regresso aos cogumelos em Lisboa", publicada em 9/12/2014) para quem goste de cogumelos, como é o meu caso. Éramos 3, cada um escolheu 2 petiscos/entradas, de modo que deu para provar um pouco dos 6 pratos que vieram para a mesa, todos muito bem servidos:
.acemilaria melea com polenta frita, gorgonzola e compota de cebola
.boletus aereus panados com molho holandês
.pica-pau de sanchas
.shitake à Bulhão Pato
.ceviche de cogumelos
.croquetes de alheira e portobello
Quanto a vinhos, optei pelo branco Opta 2014 (3 €) - muito frutado,simples e correcto, a dar boa conta de si, a acompanhar bem alguns destes pratos e não se aguentando com os outros. Nota 15,5.
Nota final: não deixem de ir ao WC. Vale mesmo a pena!
Como conclusão, a gastronomia continua de grande qualidade e o serviço de vinhos mau.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Vinhos em família (LXVII) : mais Madeiras em prova

Mais 5 vinhos (2 Alvarinhos, 1 Porto Vintage e 2 Madeiras) provados serenamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão das provas cegas. Ei-los:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2013 - nariz discreto, fruta fresca (citrinos) e madura (melão), belíssima acidez e alguma gordura; elegância e volume quanto baste; melhor daqui a 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Soalheiro Alvarinho Terramatter 2014 - acidez vibrante, muito floral, notas abaunilhadas e final curto. Um Soalheiro de produção biológica, mas que não acrescenta nada ao portefólio desta marca. Uma (relativa) desilusão. Nota 16,5.
.Qtª Vale Meão Porto Vintage 2001 - aroma discreto, fruta preta, relativa acidez, taninos domesticados mas alguma rusticidade, volume médio e bom final de boca. A beber nos próximos 4 /5 anos. Nota 17,5.
.Borges Verdelho 20 Anos (4ª garrafa provada) - frutos secos, presença de citrinos, vinagrinho, notas de iodo, algum volume e final de boca elegante. Foi-lhe atribuida um medalha de ouro no concurso Wine International Challenge. Nota 17,5.
.FMA Bual 1964 (16ª garrafa provada) - aroma intenso, frutos secos, notas de iodo e caril, acidez vibrante, bem arquitectado, final de boca muito longo e seco. Estará, nesta fase, muito próximo da casta Verdelho. Nota 18,5.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A Madeira em Lisboa

Como já tinha anunciado, a Madeira (Wine) veio até Lisboa apresentar as últimas novidades da Blandy, 1 Colheita que não convenceu e 5 Frasqueiras que deslumbraram. O evento decorreu numa das salas do Hotel Porto Bay Liberdade, tendo a "embaixada" sido presidida pelo respectivo CEO Christopher Blandy e orientada pelo seu enólogo Francisco Albuquerque, credenciado mundialmente e que dispensa apresentações.
Para além da distribuidora Portfólio, alguns pontos de venda (poucos) e de algum enófilo mais atrevido, o nosso núcleo duro dos Madeiras estava em força (8 presenças). Todos os vinhos apresentados foram acompanhados de belíssimos canapés, concebidos pelo chefe residente, de nome João Espírito Santo. As harmonizações estavam perfeitas, diga-se.
Depois deste intróito, vamos às novidades da Blandy, apresentadas pelo enólogo da casa:
.Colheita Malmsey 1999 - frutos secos, alguma acidez, notas de brandy, aguardente ainda muito presente a dominar o conjunto, volume e final médios. No ponto para enófilos não muito exigentes, era o de preço mais acessível. Nota 17.
.Bual 30 Anos - nariz intenso, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, algum volume e final longo. Elegante e muito equilibrado. Nota 18.
.Bual 1966 - aroma de média intensidade, frutos secos, acidez vibrante, notas de caril, boa arquitectura e final interminável. Engarrafado agora, com praticamente 40 anos, era o de preço mais elevado. Nota 18,5.
.Sercial 1975 - nariz contido, frutos secos, forte presença de iodo, acidez equilibrada, notas de brandy, taninos evidentes, volume e final longo e seco. Nota 18+.
.Terrantez 1977 - aroma intenso, frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e caril, potência de boca e final longo; muito complexo, é um vinho impressionante que eu levaria para a tal ilha deserta! Nota 19.
.Verdelho 1979 - nariz exuberante, frutos secos, acidez vibrante, notas de iodo e caril, volume e final muito longo. Perfeito e muito versátil, podendo ser bebido no início ou no final da refeição. Nota 18,5+.
Mais uma grande sessão com vinhos da Madeira, a minha paixão. Obrigado, Francisco Albuquerque!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sala de Corte : mais um paraíso para os carnívoros

Depois de ter aconselhado o "Atalho Real : um paraíso para os carnívoros", em crónica publicada em 20/6/2015, tenho hoje mais uma sugestão para os indefectíveis da carne, a "Sala de Corte" (R.Ribeira Nova, 28 ao Cais do Sodré, praticamente nas traseiras do Mercado da Ribeira).
Como apostas da casa, aponto: cozinha aberta, mesas despojadas mas com guardanapos de pano e carnes servidas nas tradicioais tábuas de corte.
Após a degustação de um amuse bouche, simpática oferta deste espaço de restauração, comi um belíssimo bife da vazia (13,50 €), acompanhado por legumes grelhados pagos à parte (3,50 €), o que encarece desde logo a refeição (11,50 € no Atalho, com acompanhamentos incluídos).
Mas é no sector vínico que a Sala de Corte é imbatível, pois a carta de vinhos foi desenhada pelo escanção Rodolfo Tristão, logo a escolha tinha que ser mesmo boa. Os anos de colheita foram incluídos, mas os preços não são nada amigáveis, alguns mesmo demenciais (por exemplo, Pai Abel branco 85 €, Cartuxa Reserva 90 € e Duas Quintas Reserva 120 €!), mas isto não é culpa dele.
Inventariei 5 espumantes (1 a copo), 1 champanhe, 20 brancos (3), 3 rosés (1) e 63 tintos (5).
Optei pelo tinto Vale da Mata 2010 (5 €) - ainda com fruta, boa acidez, consistente e encorpado, notas especiadas, mas algo rústico. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott, devidamente graduado com 15 cl e servido à temperatura correcta.
Resumindo e concluindo, gostei da componente vínica (apesar dos preços), mas quando me apetecer carne, vou ao Atalho.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Almoço com vinhos fortificados (22ª sessão) : quando 1 Porto ultrapassa 2 Madeiras...

Este grupo militante de Madeiras e outros fortificados participou, a convite do casal José Rosa/Marieta que trouxe todos os vinhos (2 brancos, 2 tintos, 2 Madeiras e 1 Porto) e arcou com as despesas, em mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes. O repasto decorreu no restaurante Casa da Dízima que nos proporcionou uma gastronomia de qualidade e um serviço de 5 estrelas.
Desfilaram:
.Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho 2011 (garrafa de 3 litros) - presença de citrinos, fresco e mineral, notas tropicais, belíssima acidez, estruturado e bom final de boca. Nota 17,5+ (noutras situações 17,5+/17,5+/17,5).
Muito gastronómico maridou bem uma série de "miminhos" trazidos pelo J.Rosa e outros oferecidos pela casa e, ainda, um amuse bouche (corneto mascarponi com camarão e manga).
Acompanhou, ainda, a entrada (à escolha entre filete de cavala braseado sobre tosta de tomate seco e crocante de alheira com cogumelos e espargos selvagens). Eu, que já tinha provado ambos, optei pela cavala que fez a grande ligação com o alvarinho.
.Artur Barros e Sousa Sercial 1980 (engarrafado em 2003) - limpido e brilhante, frutos secos, iodo, notas de brandy, acidez nos mínimos, volume apreciável e final muito longo. Mais doce do que o esperado (se tivesse sido às cegas, nunca diria que estava em presença da casta Sercial). Nota 18.
Servido entre a entrada e o prato principal, teve como finalidade limpar o palato.
.Sesti Phenomena Reserva 2006 (magnum) - um Brunello di Montalcino com base na casta Sangiovese; aberto de côr, aromas florais, acidez equilibrada, taninos firmes nada agressivos, volume médio e final longo; fino e elegante, no ponto para ser consumido. Nota 18,5.
.Qtª do Vesúvio 2008 - com base nas castas Touriga Franca, T.Nacional e Tinta Amarela, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; ainda com muita fruta, acidez no ponto, notas especiadas, boa estrutura e final de boca; ainda jóvem vai melhorar nos próximos anos. A beber até daqui a 7/8 anos. Nota 18.
Estes 2 tintos foram acompanhados por um belíssimo naco de vitela, puré de trufa negra e legumes assados.
.Borges Bual 1977 - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo, taninos presentes, alguma estrutura e final de boca; falta-lhe a complexidade de outros vinhos do mesmo ano. Nota 17,5 (noutras 17,5/16,5/17,5).
.Ramos-Pinto 30 Anos (sem data de engarrafamento) - frutos secos, notas de brandy, belíssima acidez, alguma gordura, taninos impressivos, volume notável e final longo. A grande surpresa da jornada ao "eclipsar" os 2 Madeiras. Nota 18,5 (noutra 17,5).
Teve por companhia  terrina de chocolate negro, cornetos estaladiços de pastel de nata com gelado de canela e fruta laminada.
Obrigado Marieta e obrigado José Rosa pela vossa generosidade!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Jantar de Vinhos Herdade das Servas : a qualidade em duplicado (vinhos e comida)

Foi o 45º jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas e decorreu no restaurante Via Graça. Depois do "desastre" do último jantar (crónica de 5/11/2015), este não podia ter corrido melhor. Vinhos, gastronomia e harmonizações a merecerem nota alta. Parabéns aos organizadores (João e Sara Quintela), mas também ao João Bandeira (proprietário e responsável pela cozinha) e ao Fernando Zacarias (serviço de vinhos). O Via Graça tem, ainda, outras mais valias: uma vista de arrasar (para a baixa pombalina e ponte 25 de Abril) e copos Riedel para todos os vinhos.
A parceria foi com a Herdade das Servas (representada pelo seu enólogo, Tiago Garcia de seu nome), com a qual sempre tive as melhores relações institucionais e pessoais, mesmo depois de me ter reformado das CAV. Deste produtor e dos seus vinhos já aqui falei nas crónicas "A Herdade das Servas e a Blogosfera" em 22 e 23/1/2011, "Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas" em 16/11/2013 e "Herdade das Servas revisitada" em 21/10/2014.
Como vinho de boas vindas, a acompanhar croquetes e tostas com paté de sapateira, foi servido o rosé Monte das Servas Escolha 2014, correcto, nem adocicado nem muito seco, cumpriu bem a sua missão. Seguiram-se:
.Herdade das Servas Colheita Seleccionada 2014 branco - com base nas castas Roupeiro, Alvarinho, Viognier e Sauvignon; nariz contido, notas de citrinos e fruta madura, acidez no ponto, fresco e gastronómico (apesar dos seus 14,5 % vol.), pode ser bebido durante todo o ano. Nota 16,5.
Acompanhou pataniscas e pastéis de bacalhau sobre rúcula.
.Herdade das Servas Touriga Nacional Reserva 2013 (15,5 % vol.)- estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês e americano; aroma intenso, muito floral, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos civilizados, ainda jóvem e fechado, precisa de tempo de garrafa. Melhor daqui a 3/4 anos, Nota 17,5+.
Ligou bem com o bacalhau à Margarida da Praça.
.Herdade das Servas Vinhas Velhas Reserva 2012 (15,5 % vol.) - com base nas castas Alicante Bouschet (45%), Aragonês, Alfrocheiro e Petit Verdot, fermentou em lagares de inox e estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês (80 %) e americano (20 %); nariz vibrante, frutos pretos, acidez no ponto, notas de tabaco e chocolate, apimentado, taninos vigorosos, estrutura considerável e final de boca persistente. Melhor daqui a 5/6 anos. Nota 18.
Fez uma boa maridagem com o prato de arroz de caça.
.Porto Dona Matide Colheita 2004 (engarrafado em 2013) - frutos secos, notas de brandy e caril, espaciado, acidez no ponto, algum volume e final longo. Mais próximo da complexidade de um 20 anos. Boa surpresa! Nota 17,5+.
Bem acompanhado por crocante de maçã, mel e gelado de maçã.
Concluindo, volto ao título desta crónica, mas acrescentando-lhe um item: a qualidade em triplicado (vinho, comida e serviço)!


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Curtas (LXVIII) : mais provas e confirmações

1.Concurso de Vinhos do Crédito Agrícola
Depois de ter andado a provar umas dezenas largas de vinhos (EVS 2015, Vinhos do Alentejo, DistriWine, Decante e Tourigas) e de ter participado no painel "Escolha da Imprensa", fiz parte do juri deste 2º Concurso (também estive no 1º, em 2014), a convite do Rodolfo Tristão, presidente da Associação dos Escanções de Portugal, aberto à participação dos produtores associados e clientes do Crédito Agrícola.
Em prova, na minha mesa, estiveram 16 vinhos (na Escolha da Imprensa era o dobro), mas desta vez nenhum me apaixonou. Ossos do ofício...
2.Rota de Tapas
Decorreu em Lisboa de 15 de Outubro a 1 de Novembro, com o patrocínio da cerveja Estrella Damm, mais uma edição desta Rota de Tapas.
Optei por comer a tapa do Lateral (Travessa dos Remolares,41 ao Cais do Sodré) que consistiu numas saborosíssimas bolinhas de alheira de caça com mostarda, mel e tomate seco que me custou 3 €, com direito a uma cerveja Estrella. Para completar, avançou um prego de atum com batatas fritas.
Foi a 1ª vez que participei na Rota, mas fiquei cliente.
3.Lisboète
Tenho referido em diversas crónicas (a última a propósito do Restaurant Lisboa Week) este espaço de restauração que muito me agrada, não só a gastronomia como o serviço.
Foi, pois, com muita satisfação que li a crítica do Fortunato da Câmara, publicada na separata E do Expresso (14 de Novembro), intitulada "A França em mesa lisboeta". Termina assim o escrito do crítico: "(...) A belíssima cozinha francesa que serve neste Lisboète fez-nos feliz sem termos de ir a Paris". Assino por baixo!
4.O 1º Direito
Também já referi este agradável e sossegado espaço situado nas bordas de Monsanto e em cima do campo de râguebi de Direito. A comida é apresentada em bufete e há sempre boas ofertas. Quanto a vinhos, a oferta é fraca. Ou bebo água ou levo alguma garrafa da minha garrafeira.
Mas, numa visita recente, apercebi-me da existência de um vinho que me despertou a curiosidade e não resisti prová-lo (e bebê-lo, claro):
.Palpite David J. Booth & António Maçanita Reserva 2013 (V.R.Alentejano) - com base nas castas Arinto (60%), Antâo Vaz (20%) e Verdelho (20%), estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, notas minerais, acidez incrível, simultaneamente fresco e com acentuado volume de boca, final longo. Uma boa surpresa que gostaria de voltar a provar daqui a 5/6 anos. Nota 17,5+.

Lançamento de vinhos da Blandy

Com a orientação do enólogo Francisco Albuquerque e a presença do CEO da Madeira Wine, serão lançados no dia 30 de Novembro, pelas 17h30, no Hotel Porto Bay Liberdade, em Lisboa, os seguintes vinhos da Blandy:
.Colheita Malmsey 1999
.Bual 1966
.Sercial 1975
.Terrantez 1977
.Verdelho 1979
.Bual 30 Anos
Mais uma sessão imperdível para os militantes do Vinho da Madeira. Lá estarei!

domingo, 22 de novembro de 2015

Grupo dos 3 (47ª sessão) : Robustus e Bastardinho em alta

Passados uns longos 5 meses, este núcleo duro (Juca, João Quintela e eu) voltou a reunir-se para mais um almoço com provas às cegas. O responsável por esta sessão foi o João que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês e levou os vinhos (2 brancos, 1 tinto e 1 fortificado).
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 2000 - côr carregada, nariz neutro, boa acidez, alguma gordura e volume; vinho polémico e nitidamente oxidado, colidiu com a gastronomia, mas ligou bem com frutos secos. Poucos brancos portugueses, com esta idade, estarão bebíveis (excepção feita aos fabulosos vinhos das Caves São João). Nota 17.
.Qtª Monte d' Oiro Madrigal 2013 -  nariz mais afirmativo, presença de citrinos, acidez no ponto, fresco e mineral, final persistente, gastronómico, ligou muito bem com as entradas (salada de lagosta com fruta tropical e atum braseado com puré de batata). Nota 17,5.
.Robustus 2005 - aroma exuberante, ainda muito frutado apesar dos seus 10 anos de idade, fresco e elegante, especiado, taninos civilizados, bom volume e final muito longo. Ainda londe da reforma, pode ser bebido nos próximos 5/6 anos. A robustês dos primeiros anos, transformou-se em complexidade e "finesse". Nota 18,5+ (noutras situações 17,5+/17,5/18,5).
Harmonizou muito bem com o prato principal (burras de porco estufadas, com favas e puré das mesmas).
.Bastardinho 30 Anos - frutos secos, notas de brandy e caril, algum vinagrinho, volume assinalável e final interminável. Autêntico perfil de um Madeira, só que não era, para nossa surpresa. Nota 18,5.
Maridou com um crepe suzete.
Resumindo: gastronomia à altura e serviço de vinhos muito profissional (bons copos, temperaturas adequadas, etc).
Mais uma boa sessão deste Grupo dos 3. Obrigado João!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Vinhos em família (LXVI) : repetições e (des)confirmações

Mais 6 vinhos (2 brancos, 3 tintos e 1 fortificado) provados no sossego do lar, com os rótulos à vista. Três deles são repetentes, isto é, tive curiosidade de provar mais outra garrafa e os resultados não são rigorosamente iguais.
Séries RCV Arinto 2012 (mais 1 das 1150 garrafas produzidas) - nariz discreto, presença de citrinos e fruta cozida, boa acidez, ligeira oxidação, alguma gordura, volume assinalável. Nota 17,5 (noutras situações 16,5/17).
.Séries RCV Samarrinho 2013 (1 das 858 engarrafadas, uma autêntica raridade) - provado em paralelo com o Arinto; aroma mais exuberante e original, citrinos e notas florais, fresco e mineral, alguma gordura, volume médio e apreciável final de boca. Nota 17,5+ (noutra a mesma nota).
.Qtª do Cidrô Cabernet/T.Nacional 2007 - ainda com muita fruta, especiado, notas de couro, acidez equilibrada, taninos civilizados, algum volume e final persistente. Em forma mais 2/3 anos. Nota 17,5+ (noutra 18).
.Callabriga 2009 - fruta preta, algo especiado, acidez no ponto, taninos redondos, algum volume e final médio. Provado alguns dias depois, manteve o mesmo nível de qualidade. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17+.
.Periquita Superyor 2009 - com base na casta Castelão Francês, estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês; fruta vermelha, acidez q.b., concentrado, alguma estrutura e final de boca. Provado, igualmente, uns dias depois, mostrou-se menos interessante. Está no ponto óptimo de consumo. Nota 17 (noutras 18/17,5+).
.Graham's 20 Anos (engarrafado em 2014) - nariz neutro, presença de citrinos e frutos secos, alguma acidez e volume, final persistente, mas a faltar-lhe complexidade. Uma (relativa) desilusão. Nota 17.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Curtas (LXVII) : mais provas de vinhos e o By the Wine revisitado

1.Vinhos de Lisboa e Setúbal
Cerca de 30 produtores de Lisboa e de Setúbal vão ter, nos dias 28 (15/22 h) e 29 (14/19 h) deste mês, os seus vinhos à prova no Pátio da Galé, no mesmo local do evento Peixe em Lisboa.
A organização é, também, da Essência do Vinho.
2.Provar vinhos com a Tourigas
Estive recentemente, a convite da distribuidora Tourigas, a provar vinhos no Centro de Artes Culinárias (antigo mercado de Santa Clara).
A Tourigas é uma pequena distribuidora, mas com um considerável portefólio. Entre outros, representa os vinhos Campolargo, Rui Reguinga, Paulo Laureano, Olho no Pé, Qtª do Perdigão e Casa Santa Eufémia.
Tive a ocasião de provar 25 vinhos (12 brancos, 12 tintos e 1 fortificado), tendo-me ficado na memória os brancos Campolargo 2013, Regueiro Primitivo Alvarinho 2014, Olho no Pé Reserva Vinhas Velhas 2013 e Olho no Pé Colheita Tardia 2011, os tintos Calda Bordaleza 2008, Terrassus Reserva Vinhas Velhas 2012, Compota T.Nacional Grande Reserva 2010 e Qtª do Perdigão T.Nacional 2009 e, ainda, o Casa Santa Eufémia 40 Anos.
3.By the Wine revisitado
Já tinha referido este "viciante" espaço em "By The Wine : a JMF em Lisboa", crónica publicada em 4/7/2015, onde se pode provar, a copo, a maior parte dos vinhos da JMF, comprar para levar para casa (embora os preços não sejam amigáveis), comer ostras do Sado ou o melhor prego do lombo que se faz em Lisboa e arredores.
Acompanhei-o com o tinto Pasmados 2012 (4 €) - nariz contido, frutos vermelhos, acidez equilibrada, taninos suaves, volume e final médios. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo apropriado e numa boa quantidade. Contudo e apesar de estar num armário térmico com a temperatura controlada, esta veio um pouco acima do recomendável. Conclusão: ou a garrafa estava fora da cave ou o termostato funciona menos bem.

sábado, 14 de novembro de 2015

Lisboa Restaurant Week (III) : Estória, a surpresa

A última visita no âmbito do LRW 2015, coube ao restaurante Estória, recentemente aberto no Palácio do Marquês de Pombal (R.Sacadura Cabral,54 na Cruz Quebrada). A cozinha e a gestão do espaço estão a cargo do chefe Vitor Areias que foi o último responsável pelos tachos do Assinatura, tendo ainda passado pela Bica do Sapato, 100 Maneiras, Manifesto de Luis Baena e Taberna 2780 Oeiras.
Tanto a ementa como a lista de vinhos, são demasiado curtas e escritas em ardósias. Uma situação a rever. Tem, ainda, um menu do chefe com 5 pratos (37 €).
Quanto ao menu LRW, escolhi:
.lingueirão com espuma de alho e ovo
.lombo de bacalhau à moda de Conde da Guarda
.pudim à moda de abade de Priscos
Tudo o que veio para a mesa estava num patamar alto de qualidade, a roçar a excelência. O chefe é muito criativo e estava inspirado naquele dia, reinventando as receitas tradicionais. Cinco estrelas!
No entanto, o serviço revelou-se algo inexperiente, obrigando o chefe ir às mesas levar ou levantar pratos. Mais um ponto a rever, pois a boa vontade não chega.
Quanto a vinhos, apenas 3 brancos e 3 tintos (à temperatura ambiente), com 2 a copo em ambos, o que é manifestamente insuficiente.
Escolhi o tinto Qtª das Brolhas 2012 (3,50 €) - aroma neutro, notas de fruta preta, acidez no ponto, volume e final médios, correcto e descomplexado. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo sofrível. A garrafa voltou para trás e foi colocado num recipiente com água e gelo, para descer a temperatura alguns graus.
Em conclusão, a cozinha foi uma grande surpresa. Confesso que não esperava tanto da criatividade do Vitor Areias. Gostava de lá voltar, mas só se me autorizar a levar de casa o vinho e os copos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Encontro com o Vinho e Sabores (EVS) 2015

O EVS, organizado pela Revista de Vinhos (RV), tem sido, ao longo destes anos, o evento do ano. Em 2015 voltou a sê-lo. 8 Provas Especiais, 260 Stands com produtores de vinho, 20 com sabores e 7 de acessórios. E, ainda, 3 concursos (A Escolha da Imprensa, na qual participei, Carta de Vinhos e Queijos de Portugal). É obra! Tiro o meu chapéu à RV!
Para além de ter provado 52 vinhos tintos e 6 fortificados, aproveitei para matar saudades com alguns dos produtores e enólogos presentes e outros agentes do vinho, com os quais tive relações pessoais e profissionais. Também encontrei alguns amigos e antigos clientes das CAV.
Dos tintos provados destaco, em primeiríssimo lugar, o Grandes Quintas Vinhas do Cerval 2011 (soberbo, a grande surpresa da jornada) e o Três Bagos Grande Escolha 2009 (sempre no meu coração).
 Logo a seguir, também na área da excelência, alguns consagrados, mas também algumas surpresas: Zambujeiro 2012, Couteiro-Mor Memórias Reserva 2008, Palácio dos Távoras Edição Limitada 2012, Vale Meão 2013, Herdade dos Coelheiros Garrafeira 2011, Kopke Vinhas Velhas 2010, Qtª da Gaivosa Vinha do Lordelo 2011, Vallegre Vinhas Velhas Reserva Especial 2012, Kompassus Private Selection 2011, Mouchão Colheitas Antigas 2002, 2221 Terroir Cantanhede 2011 e Qtª de Lemos Dona Louise 2005.
Também me ficaram na memória: H.O. Grande Escolha 2012, Pedra Cancela Amplitude 2013, Avô Fausto 2012, Qtª das Marias Garrafeira 2010, CH by Chocapalha 2011, Horácio Simões Grande Reserva 2013, Qtª Fonte do Ouro T.Nacional 2011, Vale de Ancho Reserva 2011, DuValley Grande Reserva 2011, Batuta 2013, Qtª do Grifo Grande Reserva 2009, Qtª do Crasto Vinhas Velhas 2012, Qtª Sant'Ana Homenagem 2010 e Qtª Monte d'Oiro Reserva 2011.
De salientar que destes 28 tintos salientados por mim, 10 são da grande colheita de 2011, ou seja, mais de 1/3 (35,7 %)!
Quanto a fortificados, provei uma ínfima parte e nem sequer cheirei os vinhos da minha paixão, os Madeiras. Dos provados, grande destaque para: Barros Colheita 1974 (o vinho e o ano, claro!), Vasques de Carvalho 40 Anos e Vista Alegre 40 Anos. E, a seguir: Ramos-Pinto 30 Anos e Graham's 40 Anos.
E, para o ano, há mais!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Lisboa Restaurant Week (II) : Panorama, a decepção

O meu 2º almoço, no âmbito desta edição LRW 2015, foi no Panorama, um dos restaurantes do Guincho mais badalados.
O menu consistiu em:
.santola recheada (uma boa dose)
.arroz de garoupa com gambas (sensaborão, uma desilusão)
.bolo de chocolate (o melhor do menu)
Para além da relativa decepção quanto à gastronomia, o mais grave foi o serviço, o que não se admite num espaço destes que está (ou esteve) ligado ao Porto de Santa Maria.
Para começar, ao meu pedido para poder levar a folha do menu, como tenho feito com todos os restaurantes frequentados no âmbito do LRW, a resposta insolente do empregado foi não, não pode, enquanto durasse o LRW. Mas, se quisesse, poderia lá voltar quando terminasse esta edição do LRW e levar a folha da ementa! Mas passado algum tempo, ou porque o chefe de sala o tenha chamado à razão ou porque se acendeu uma luzinha no seu cérebro, o dito empregado trouxe-me uma fotocópia da ementa. Mas o mal estava feito...
Mais:
.o pão torrado, supostamente para acompanhar a santola recheada, só veio para a mesa já a entrada tinha sido comida
.os pratos sujos ficaram esquecidos demasiado tempo na mesa
.quando a conta veio, faltava cobrar a garrafa de vinho
.etc...
Quanto a vinhos, a lista continha uma boa escolha a preços razoáveis, mas os anos de colheita estavam omissos, o que é de lamentar.
A oferta de vinho a copo é de saudar, pois contém 1 espumante, 1 champanhe, 7 brancos e 7 tintos.
Como éramos 4, escolhi uma garrafa de Morgado Stª Catherina 2012 - 10 meses de estágio em barricas de carvalho francês; presença de citrinos, fresco e mineral, acidez equilibrada, madeira bem casada, volume e final médios. Falta-lhe a complexidade de outras colheitas (2007, 2008 e 2009, por exemplo). Nota 17 (noutras situações 17/16,5+).
Resumindo e concluindo: Panorama, nunca mais!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Jantar de Vinhos João Brito e Cunha

Mais uma parceria da Garrafeira Néctar das Avenidas com o Hotel Real Palácio, sendo o convidado o enólogo João Brito e Cunha (JBC) que apresentou alguns dos vinhos da Qtª de São José (da qual é, também, o produtor) e da Qtª do Couquinho. No início da apresentação, o JBC referiu-se muito simpáticamente ao antigo projecto das Coisas do Arco do Vinho e seus mentores (o Juca e eu, que estávamos presentes). Muito obrigado pela parte que me toca!
Como bebida de boas vindas, foi servido o branco Flor de São José 2014, muito fresco, mineral e agradável, a cumprir da melhor maneira a sua missão. Seguiram-se:
.Qtª do Couquinho Superior 2013 - um branco com base na casta Gouveio; presença de citrinos, boa acidez, alguma gordura e volume; final médio e muito gastronómico. Nota 16,5+.
Acompanhou uma série de canapés, alguns dos quais já com os participantes sentados à mesa.
.Qtª do Couquinho 2012 - aroma frutado bem presente, ainda muito jóvem, acidez no ponto, notas florais e algum vegetal, ligeiramente especiado, taninos suaves, volume e final médios. Nota 17.
Não ligou com a entrada (Brás de legumes).
.Qtª de São José Reserva 2013, previamente decantado - Aroma contido, acidez equilibrada, complexo e especiado, taninos musculados mas sem agressividade, volume considerável e bom final de boca; ainda muito jovém, vai melhorar nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
Fez companhia a umas bochechas de porco demasiado secas e um excelente risotto de cogumelos e espargos, que salvaram o prato.
.Flor de São José Reserva 2013 branco - fresco e mineral, presença de citrinos e notas florais, alguma gordura, bem estruturado e apreciável final de boca. É um notável branco de inverno. Nota 17,5+.
Devia acompanhar uma tábua de queijos, mas acabou de chegar à mesa já com os queijos degustados.
Finalmente, a fechar o jantar e já a uma hora tardia, chegou à mesa o melhor do menu, uma sobremesa apelidada de texturas de chocolate (brownie, mousse com fruta fresca e gelado do mesmo). Excelente!
Acompanhou com um Porto Vintage 2012.
Resumindo e concluindo: um belo lote de vinhos, mas que, desta vez, saiu prejudicado pelas falhas apontadas.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Lisboa Restaurant Week (I) : Lisboète, a confirmação

Comecei esta última edição do LRW no Lisboéte, um espaço de restauração já aqui referido por diversas vezes, nomeadamente em "Almoçar no Lisboète" e "Grupo dos 3 (46ª sessão)...", crónicas publicadas em 1/3/2015 e 19/5/2015.
O menu, com a assinatura do chefe Walter Blazevic, consistiu em:
.Torricato de de alcachofra e cavala em escabeche e mesclum de ervas
.Bacalhau fresco com puré de feijão branco, lulas e chouriço
.Arroz doce cremoso, ameixa bêbeda e crocante de creme brullée
Quanto ao sector vínico, a carta foi reformulada, prevendo-se que o seja mensalmente. A oferta é original e inclui alguns vinhos a copo. Só precisava de incluir 2 ou 3 nomes sonantes, para satisfazer determinado tipo de clientes.
Bebi 1 copo de Casal Stª Maria Sauvignon Blanc 2014, que apresentou um aroma complicado, com uma forte e exagerada componente de espargos. Foi preciso agitar energicamente o copo, para suavizar o aroma. Mesmo assim, fiquei na dúvida se era defeito ou feitio...
Concluindo, mais uma vez o Lisboète apresentou uma gastronomia de excelência e um serviço de 5 estrelas. A voltar, sempre!

Crónicas em atraso

Depois do marasmo dos meses de Agosto e de Setembro, os eventos de Outubro foram muitos e para todos os gostos. Alguns deram origem a crónicas já publicadas, mas outros ainda não.
Estão em falta:
.Lisboa Restaurante Week (serão 3 crónicas, mas a 1ª sairá ainda hoje)
.Jantar Vínico João Brito e Cunha~
.EVS 2015
.Almoço no espaço Sala de Corte
.3 ou 4 apontamentos, reunidos em Curtas

sábado, 31 de outubro de 2015

TAP : um almoço, 48 anos e meio depois...

Está patente no MUDE - Museu do Design e da Moda (R.Augusta, 24), cuja directora é Bárbara Coutinho que chegou a participar nalguns dos jantares vínicos organizados pelas Coisas do Arco do Vinho, a exposição "TAP Portugal: a imagem de um povo" que ainda pode ser vista (encerra em 15 de Novembro).
Na visita feita já há algum tempo, achei curiosa uma notícia sobre um almoço oferecido aos convidados do voo inaugural a jacto Recife - Lisboa, no Hotel Santa Luzia em Viana do Castelo, dia 28/5/1967, cuja ementa (comida e vinhos) não resisto a divulgar.
Começando pelos comes:
.Caldo Verde à Minhota
.Lagosta Suada à moda de Peniche com arroz crioulo
.Peru assado à Provençal
.Molho Pirenaico (!?)
.Bolo TAP
.Mil Folhas de Viana
.Ananás dos Açores com Vinho da Madeira
Seguindo-se os bebes:
.Gatão Verde branco
.Gamba Verde branco
.Dão Real Vinícola
.Espumante Constantino
.Porto Roncão doce aloirado
.Brandy Borges Reserva dos Fundadores
.Licor do Mosteiro de SingeVerga
.Anis Dómuz
.Tríplice Ancora
.Café do Ultramar
Os meus comentários:
.omissão dos anos de colheita (a tradição mantem-se)
.os brancos são exclusivamente vinhos verdes
.os tintos reduzem-se a um Dão
.excesso de licores/bebidas espirituosas
Nota final - qualquer semelhança entre esta ementa e as que nos são servidas a bordo, é pura coincidência!

Lisboa Restaurant Week (LRW)

Tive a oportunidade de, uma vez mais, aproveitar este programa que terminará amanhã, dia 1 de Novembro.
Nesta edição, frequentei o Lisboète (a confirmação), o Panorama (a decepção) e o Estória (a surpresa).
Em próximas crónicas direi o que gostei e o que não gostei nestes 3 espaços de restauração.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Lagar do Cais : uma aposta fracassada nos vinhos

Aberto em Abril deste ano, este Lagar do Cais Bar & Restaurante de Tapas, situado na Rua de São Paulo, 27 (mesmo em frente à Casa de Pasto), apostou fortemente na componente vínica. Parte de uma das paredes está forrada com tampas de caixas de madeira, parecendo-me que eram todas de vinhos da Herdade do Esporão (parceiros no negócio?) e, na separação do restaurante propriamente dito com o wine bar, gravado em vidro, pode ler-se "Os melhores vinhos são aqueles que são divididos com os amigos".
Por outro lado, a carta de vinhos é confusa e desarrumada, omitindo os anos de colheita. A copo disponibilizam 6 brancos, 6 tintos, 1 espumante e 3 champanhes, a preços acessíveis. Comecei por pedir um tinto, mas, logo que me apercebi que estava à temperatura da sala, fiz o desvio para um branco. Francamente, num espaço que aposta nos vinhos é obrigatório ter armários térmicos para controlo da temperatura e humidade dos tintos. Senão, é mais um restaurante igual a tantos outros. Francamente!
Mas o Lagar também tem coisas boas, começando logo pelo espaço, repleto de abóbodas à base de tijolo burro, agradável e confortável, guardanapos de pano e música de fundo a meu gosto, embora demasiado alta.
Ao almoço, de 3ª a 6ª feira têm um menú do dia. Por 11 €, tem-se direito ao couvert (2 ou 3 variedades de pão ainda morno, paté de chouriço e azeite misturado com azeitonas e tremoços (!?)), sopa (era gaspacho), prato (polvo à Lagareiro, em dose abundante), vinho a copo e café. Baratíssimo, para uma refeição completa.
Depois de gorada a escolha do tinto, avançou o branco (à escolha entre 2) Assobio 2014 - nariz discreto, muito frutado, boa acidez, volume e final médios. Muito agradável, acompanhou bem o gaspacho, mas não aguentou o polvo. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo razoável e servida uma boa quantidade.
Em conclusão, O Lagar do Cais é um espaço muito agradável, mas que, infelizmente, não posso aconselhar aos enófilos.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Provar vinhos com a Decante

Este mês de Outubro tem sido pródigo em provas de vinhos, tendo degustado mais de uma centena em pouco tempo. Comecei com a DistriWine (crónica do dia 10), continuei com os Vinhos do Alentejo (crónica em 23) à qual se seguiu a Decante Vinhos (crónica de hoje).
Entretanto, a convite da Revista de Vinhos, fiz parte do painel "A Escolha da Imprensa 2015", tendo provado mais de uma quarentena de vinhos. E ainda faltam as provas no próximo Encontro de Vinhos e Sabores. Uma fartura.
Quanto à prova com a Decante (empresa distribuidora possuidora de um invejável portefólio, com a qual sempre mantive as melhores relações pessoais e institucionais), decorreu uma vez mais no Hotel Ritz. Nesta versão de 2015 tive a oportunidade de rever alguns amigos e conhecidos do mundo do vinho e degustar 40 referências (13 brancos, 23 tintos e 4 fortificados).
Comecei pelos brancos, tendo-me ficado na memória o Qtª do Ameal Loureiro 2005 (impressionante a frescura deste vinho já passados 10 anos), Qtª do Ameal Escolha 2014, Soalheiro Alvarinho Reserva 2014, Soalheiro Alvarinho Terra Matter 2014 (uma novidade que desconhecia) e o Primus 2013. E, logo a seguir: o Qtª Seara d' Ordens Reserva 2014, Gurú 2014, Dão Calcário 2014 e o Secret Spot Lacrau 2013 (que raio de nome!).
Quanto aos tintos, o Passagem Reserva 2012, Poeira 2012, Carrocel Late Release 2011 e Zambujeiro 2011 foram os que mais me impressionaram nesta fase das respectivas vidas. Seguiram-se, alguns prejudicados por serem ainda demasiado jóvens: Qtª La Rosa Reserva 2013, Passadouro Reserva 2013, Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2013, Pintas 2013, Vinha Paz Reserva 2012, Pape 2011, Nossa Calcário Baga 2013 e Chocapalha Vinha Mãe 2011.
A terminar, alguns dos fortificados (sem direito a cuspir...), começando pelos belíssimos Moscateis Horácio Simões Roxo Superior 2005 (em Armagnac) e Excellent Roxo, e fechando da melhor maneira com os Madeiras de excepção Borges Sercial 1979 (já aqui referido por diversas vezes) e Borges Verdelho 20 Anos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Provando Vinhos do Alentejo

Precisamente há uma semana estive no evento "Azeites e Vinhos do Alentejo", patrocinado pela CVRA e Casa do Azeite, que decorreu no CCB (tenda exterior). Pareceu-me bem organizado, com espaço suficiente para a multidão de visitantes poder circular entre as 76 bancas de produtores alentejanos, sem atropelos de maior.
Estavam à prova centenas de vinhos, dos quais apenas consegui degustar uma ínfima parte, precisamente 29 referências, todas tintos. Dos vinhos por mim provados, pouco mais de metade (51,7 %) era de colheitas mais recentes, ou seja, de 2012 e 2013. Confesso que não estava nada à espera de ir provar vinhos já com alguns anos em cima, sendo 8 de 2011 (27,6 % do total), 3 de 2009 e 1 de 2007, 2008 e 2010, o que seria impensável aqui há alguns anos atrás. Tiro o meu chapéu aos produtores que aguentaram os seus vinhos nas respectivas adegas, resistindo à tentação de os porem logo no mercado e realizarem a correspondente quantia.
O vinho que mais me surpreendeu, em primeiro lugar, foi o Nunes Barata Grande Reserva 2011 (projecto que já não é do meu tempo nas Coisas do Arco do Vinho). Grande vinho! Também me ficaram na memória, no mesmo patamar: Monte dos Cabaços Reserva 2008, Telhas 2011 e Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2010. E, logo a seguir: Tiago Cabaço Vinhas Velhas 2013, Blog 2011, Pedra Basta 2011, Terrenus Reserva Vinhas Velhas 2012, Malhadinha T.Nacional 2013, Palpite Grande Reserva 2012, Procura 2013, Mouchão 2009, Herdade das Servas Reserva Vinhas Velhas 2012, Qtª da Viçosa Aragonês/Petit Verdot 2012, Cartuxa Reserva 2012, Pinga Amores Reserva 2012 e Lima Mayer Petit Verdot 2011.
Por último, gostei de reviver memórias passadas com o Richard Mayson, produtor de vinhos (sócio do Rui Reguinga no projecto Sonho Lusitano Vinhos) e autor de diversos livros (Port and the Douro e The Wines and Vineyards of Portugal, entre outros), que chegámos a vender nas CAV.
E, para o ano, há mais...

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Mesa do Bairro : restaurante e garrafeira

Há cerca de 2 meses abriu, no antigo mercado do Arco do Cego (R. Luis Gomes), o Mesa do Bairro, que é simultâneamente restaurante (no 1º piso) e garrafeira (ao nível da rua). Tem ainda uma invejável esplanada, com capacidade para 45 pessoas, do melhor que conheço em Lisboa e onde almocei.
Confesso que fui lá, mais movido pela curiosidade, depois de ter lido nalguma imprensa e blogosfera, que este projecto era da autoria do Luis Baena (um chefe criativo que admiro particularmente), regressado de Londres para esse efeito. Afinal não será bem assim. O Luis Baena tem uma parceria com os donos, sendo a componente gastronómica da sua responsabilidade, mas em parceria com a chefe residente Regina Levy.
O menú oferece uma série de entradinhas, mas também pratos de peixe e carne. Os acompanhamentos são à parte. Curioso o conceito que também se encontra no restaurante Descobre, já aqui referido por diversas vezes. Mais, ambos incluem uma garrafeira, onde se comprar vinho para levar para casa ou para consumir no restaurante. A diferença está no custo. Na Mesa do Bairro a taxa de rolha é fixa (6 € por garrafa consumida), enquanto que no Descobre é variável (20 % do preço de garrafeira).
Nesta minha 1ª visita fiquei-me pelo couvert (pão, azeitonas e manteiga de chouriço) e pelas entradinhas, tendo degustado rissois de camarão (2 unidades dos ditos), peixinhos da horta com maionese de coentros (crocantes, com uma pitada de flor de sal) e umas finíssimas pataniscas de bacalhau. Tudo francamente recomendável. Como sobremesa, avançou um belíssimo pastel de nata (reconstruido) com gelado de canela.
Quanto à componente vínica, inventariei 40 brancos (2 a copo), 86 tintos (2 a copo) e 3 rosés, oferta mais que suficiente. Também têm fortificados, mas não constam na lista. É uma boa selecção que inclui os anos de colheita, centrada no Douro e com preços sensatos. Como menos valias, a Bairrada está ausente (os donos não gostam?), o Dão fica-se pelos mínimos e a quantidade de vinhos a copo é insignificante, o que não faz sentido.
Optei por um copo do branco D.Graça 2013 (2,75 €) - frutado, acidez equilibrada, alguma gordura, volume e final de boca médios. Simples e correcto ligou bem com as entradinhas. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo aceitável e uma quantidade servida a olho e pouco generosa. Segundo me informaram, os tintos estão com temperatura controlada.
Serviço eficiente e profissional. Já na garrafeira, há por ali falta de experiência.
Como conclusão, gostei francamente desta minha 1ª visita e tenciono voltar, fazendo votos para que sejam corrigidos as falhas apontadas.

sábado, 17 de outubro de 2015

Almoço com vinhos fortificados (21ª sessão) : um confronto entre dois 40 Anos

Esta última sessão com vinhos fortificados decorreu "chez" Ana Maria/Alfredo e teve, como pano de fundo, a inauguração da nova casa deste casal. Ficou tudo por conta deles, isto é, os comeres e os beberes (2 espumantes, 1 branco, 2 tintos e 2 fortificados).
Como bebida de boas vindas, avançaram 2 espumantes, o Beyra 2012 (mais fresco e sem precisar de companhia) e o Borga 2008 (mais consistente e a exigir comida por perto), que se fizeram acompanhar de uma série de aperitivos. De seguida, já com os 14 participantes à mesa, desfilaram:
.Esporão Private Selection 2014 - com base na casta Sémillon; aroma preso, madeira ainda presente a precisar de mais tempo de garrafa, alguma gordura, volume apreciável e final de boca médio. Nota 17.
Foi acompanhado por uma quiche de espinafres, cogumelos e camarão e, ainda, por um excepcional presunto.
.Companhia das Lezírias 1836 Grande Reserva 2012 - com base na casta Alicante Bouschet em vinhas velhas, enologia de Bernardo Cabral; muito carregado na côr, alguma fruta e acidez, concentrado e rústico, taninos ainda algo agressivos, volume e final de boca evidentes. É pedofilia bebê-lo nesta fase. Esperar por ele ainda 3 ou 4 anos. Nota 17,5.
Por coincidência, a Revista de Vinhos de Setembro inclui um painel de prova de vinhos Tejo, no qual este 1836, a par da Marquesa de Cadaval Reserva 2012, ficou em primeiro lugar, também com 17,5.
.Ferreira Reserva Especial 2007 - nariz exuberante, ainda com alguma fruta, belíssima acidez, especiado e complexo, taninos civilizados, volume apreciável e final muito longo. Tem evoluido muito bem e ainda está longe da reforma. Nota 18,5 (noutras situações 18/18).
Estes 2 tintos maridaram muito bem com um bacalhau no forno.
.Graham's 40 Anos (engarrafado em 2014) - notas de citrinos e frutos secos, acidez equilibrada, algum volume e final longo; um belíssimo tawny, mas que não aguentou o embate com o Madeira. Nota 17,5
.Borges Malvasia + 40 Anos (garrafa nº 821 de 1000) - complexidade aromática, frutos secos, vinagrinho evidente, notas de caril e brandy, volumoso e final interminável. Uma raridade preciosa a não dar protagonismo ao tawny. Nota 18,5 (noutras 18+/19).
Estes 2 forfificados foram acompanhados por uma tábua de queijos (que não cheguei a provar), bolo São Marcos e fruta.
Mais uma grande jornada de convívio, acompanhada pelos comeres da Ana Maria e os vinhos do Alfredo. Obrigado anfitriões e parabéns pela casa nova!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Uma chuva de eventos para todos os gostos

Não há fome que não dê em fartura. Vejam só:
1.Azeites e Vinhos do Alentejo
Com o apoio da CVRAlentejo e da Casa do Azeite, arranca hoje no CCB, às 16 h, mais uma Grande Prova Mediterrânica que termina às 21 h. Continua amanhã das 15 às 21 h.
2.Rota de Tapas
Começou dia 15 deste mês, prolongando-se até dia 1 de Novembro, mais uma Rota de Tapas, à qual aderiram 50 restaurantes, tascas e tasquinhas. Em cada um destes espaços, a troco de 3 €, pode-se comer a tapa da casa e beber uma cerveja Estrella.
3.Restaurant Week 2015
Também ontem se iniciou mais uma edição do Restaurant Week, a que aderiram algumas dezenas de espaços de restauração. O periodo de 15 a 21 é exclusivo para clientes Millennium, ficando os dias 22 de Outubro até 1 de Novembro para os restantes mortais.
4.Mercado de Vinhos do Campo Pequeno
Mais uma edição deste evento, a decorrer de 23 a 25 de Outubro. Os meus amigos da Néctar das Avenidas irão lá estar com os vinhos Poejo d' Algures em prova.
5.Encontro com o Vinho e Sabores 2015
Mais uma edição do EVS organizado pela Revista de Vinhos. Será, seguramente, o grande evento do ano, que decorrerá no Centro de Congressos de Lisboa, de 30 de Outubro a 2 de Novembro, sendo este último dia reservado a profissionais.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Curtas (LXVI) : ainda a DistriWine, o Mercado da Ribeira e o Dr. Wine

1.Provar vinhos com a DistriWine (aditamento)
Ao reler o que publiquei sobre esta prova, apercebi-me que tinha ficado no "tinteiro" uma referência a um verde tinto também ali provado. Trata-se do Pardusco by Anselmo Mendes Escolha 2013, uma surpreendente excepção no panorama dos verdes tintos. Fossem todos assim...
2.O regresso ao Mercado da Ribeira
O Mercado da Ribeira é um espaço que poderia frequentar nos 365 dias do ano, sem o risco de repetir a ementa. Pelo contrário, consegue-se sempre comer algo diferente.
Desta vez fui à banca da Marlene Vieira que ainda está de baixa de parto. Mas a qualidade gastronómica mantem-se, pois no seu lugar está o marido (chefe João Sá) que eu já conhecia dos extintos GSpot e Assinatura e dele falei por diversas vezes.
Aproveitei a Semana dos Açores (que já deve ir num mês...) e comi um belíssimo bife de novilho com molho de cogumelos (não eram de lata, esclareça-se) e queijo de S. Miguel. Uma delícia!
Acompanhou um copo do tinto Domini 2012 (4 €) - muito frutado, alguma acidez e volume, taninos civilizados e bom final de boca. Um vinho correcto e com alguma complexidade. Nota 17.
Foi servida uma quantidade generosa e à temperatura correcta.
3.Dr. Wine
Este novo espaço na baixa de Lisboa (concretamente na Rua da Assunção, 82) tem como sub-título Wine Bar, Tapas & Restaurant apostou forte na componente vínica. É possuidor de uma carta de vinhos bem elaborada, com alguma referências originais e uma dúzia a copo. No entanto os tintos estão à temperatura ambiente, o que se lamenta.

domingo, 11 de outubro de 2015

Provar vinhos com a DistriWine

Gente amiga ofereceu-me um convite para o II Encontro Vínico 2015, organizado pela distribuidora DistriWine e que decorreu nos dias 27 e 28 de Setembro, numa ampla sala do Epic Sana Lisboa Hotel, sem os atropelos habituais neste tipo de provas.
A DistriWine é detentora de um apreciável portefólio, promovendo e distribuindo vinhos Anselmo Mendes, Valle do Nídeo, Qtª do Mouro, Aneto, Paço do Conde, Júlia Kemper, Ervideira, Companhia das Quintas, Qtª das Marias, Pêra-Grave, Kompassus, Adegamãe, Dalva, Dona Berta, Niepoort, Qtª do Pinto, Lua Cheia em Vinhas Velhas e mais 2 ou 3, cujos nomes não fixei.
No primeiro dia dediquei-me em exclusivo aos brancos, tendo provado 23 vinhos. Na memória ficaram, à cabeça, Secretum 2012*, Expressões 2014, Dão António Madeira Vinhas Velhas 2013* e Qtª de Baixo Vinhas Velhas 2013 (uma aposta do Dirk na Bairrada). Seguiram-se Buçaco Reservado 2013, Druída 2013, Dona Berta Vinha Centenária Reserva 2011, Redoma Reserva 2014, Qtª das Marias Barricas 2012, Conde Ervideira 2014, Qtª Ventozelo 2014 e Aneto Reserva 2014.
No 2º dia, a minha atenção foi para os tintos, dos quais provei 24. Destes destaco, em 1º lugar, Buçaco Reservado 2011, Dalva Grande Reserva 2011, Robustus 2009 e Conde Ervideira Private Seleccion 2011, com a colheita 2011 a impor-se. Seguiram-se  Paço do Conde Winemakers Selection 2011*, Doda 2011, Dão António Madeira Vinhas Velhas 2012, Júlia Kemper Touriga Nacional 2010 e Herdade Farizoa Grande Reserva 2012.
Os vinhos assinalados com * já tinham sido provados por mim, noutras situações, e referidos em crónicas publicadas neste blogue.
Para fechar com chave de ouro, as minhas provas encerraram com o Porto Dalva Branco Colheita 1971. Excelente!
Resumindo e concluindo, foram 2 dias intensos de provas, num espaço bem organizado, embora lamente não ter conseguido provar alguns vinhos de referência, por ausência dos responsáveis nas respectivas bancas (alguns nos 2 dias). Uma pena...

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Vinhos em família (LXV) : mais um branco surpreendente e um tinto de paixão

Mais 3 brancos e 1 tinto bebidos em família, com o rótulo à vista e sem a pressão da prova às cegas. Todos num patamar de muita qualidade, a saber:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2011 - nariz discreto, belíssima acidez, alguma gordura, madeira bem casada, notas abaunilhadas, volume assinalável e bom final de boca. Nota 17,5+ (noutras situações 17+/17,5+/17,5+/17,5).
Um bom Soalheiro Reserva, a par do 2009, mas sem atingir o patamar de excelência do 2007 (o melhor branco português da minha vida), 2008, 2010 e 2012.
.Carvalhas 2011 - fruta madura, acidez acentuada, ligeira oxidação, madeira equilibrada, volume notável, muito gastronómico, a pedir um prato forte (peixe no forno, por exemplo). Nota 17,5+ (noutra 18).
Foi o meu branco preferido na prova vertical feita quando da nossa visita à Real Companhia Velha.
.Mapa - Vinha dos Pais 2013 - com base nas castas Rabigato, Viosinho, Arinto e Gouveio, estagiou 12 meses em barricas de 500 l; aroma exuberante, muito fresco e mineral, presença de citrinos, madeira muito bem casada, bom volume e final longo; muito equilibrado e elegante. Nota 18.
Uma das 1000 garrafas produzidas pelo Pedro Garcias (crítico que escreve na Fugas, separata do Público de sábado) e, talvez, o melhor dos brancos por mim provados nos últimos tempos. Um branco surpreendente!
.Três Bagos Grande Escolha 2005 Estágio Prolongado (oferecido pela Olga Martins, CEO dos Lavradores de Feitoria) - especiado, notas balsâmicas, presença de chocolate preto e tabaco, boa acidez, taninos civilizados, algum volume e final longo; elegância e personalidade, embora não traga valor acrescentado ao Grande Escolha 2005, ainda sem o estágio prolongado. Nota 18 (noutras situações com este último 18/17,5/18,5/18,5/17,5/18,5+/18,5+).
Os Grande Escolha dos Lavradores de Feitoria são sempre uma paixão. Desde o início, nos tempos das Coisas do Arco do Vinho, que acreditámos neste original projecto, ao invés da maioria das garrafeiras que o olharam com alguma desconfiança.
Inesquecíveis o 2000 (o 1º), 2001, 2003, 2004 (para mim, o melhor de todos), 2005, 2007 e 2008.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Curtas (LXV) : revisitas e novos espaços

1.Noélia (Cabanas)
Já aqui referida em diversas crónicas, continua a praticar uma cozinha genuinamente algarvia e de alta qualidade.
No entanto e como no melhor pano cai a nódoa:
.o serviço deixa muito a desejar e não está à altura da gastronomia, embora numa revisita recente tivesse constatado que a postura de um novo empregado estava francamente acima do que era normal na Noélia;
.a carta de vinhos melhorou francamente, mas continua sem os anos de colheita;
.a copo só o da casa, o que é muito redutor;
.o couvert, reduzido aos mínimos, ou seja, uma quantidade para 1 ou, no máximo, 2 pessoas, foi-nos cobrado a 5,20 € (!?), isto é, 1,30 € vezes 4 pessoas (éramos 3 adultos e 3 crianças); que grande confusão!
2.In comum by Luis Santos (Sintra)
Esta aposta do ex-chefe do restaurante Tágide, é uma aposta ganha. Está normalmente lotado e convém marcar, até porque os turistas já o descobriram.
Por 9,50 €, tem-se direito a uma refeição completa (couvert, sopa/salada, peixe/carne, sobremesa e bebida). Dificilmente se encontra uma oferta melhor e com a garantia de qualidade gastronómica de um chefe já com provas dadas.
No entanto:
.a lista de vinhos é omissa quanto a anos de colheita;
.os vinhos tintos estão à temperatura ambiente, ou seja, nesta altura do ano, quentes;
.não se entende que um restaurante com qualidade e ambições, com 3 salas e capacidade para algumas dezenas de manducantes, tenha apenas 1 WC (como é que a Câmara autoriza uma coisa destas?).
3.Novos espaços (wine bares/restaurantes)
.Garrett 47 (R. Garrett, 47 - 1º andar)
Abriu há cerca de 1 mês, em pleno Chiado e com a parceria da Sogrape nos vinhos. Como curiosidade tem 3 menús regionais, a que chamam rotas, cada um deles composto por entrada, prato e sobremesa, com a sugestão de 3 vinhos da mesma região. De momento, estão contempladas as regiões Douro, Estremadura (embora com um vinho do Dão à mistura) e Alentejo.
Tenciono lá ir, na primeira oportunidade, até porque trabalha lá um filho de um meu amigo.
.Lagar do Cais (R. São Paulo, 27 ao Cais Sodré)
Aberto em Abril deste ano, veio reforçar a oferta de espaços de restauração nesta zona de Lisboa.
Tenho alguma curiosidade em avaliar a componente vínica (oferta a copo, temperaturas, copos, preços etc).

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Rescaldo da ida ao Douro (V) : a Quinta Madre de Água, a fechar com chave de ouro

Na 5ª e última etapa, já de regresso a casa, desviámos para Gouveia e daí para Vinhó, onde se localiza o surpreendente Hotel Rural Quinta Madre de Água (QMA), já aqui elogiado em "Rescaldo das férias (I)", crónica publicada em 24/7/2014.
Fomos almoçar neste aprazível e inigualável restaurante, onde decorria o Música com Gosto, resultante de uma parceria da Revista de Vinhos com a M80 Rádio, cujo menú foi criado pelo promissor chefe António Batista e estará disponível até ao dia 18 de Outubro.
Foi uma das melhores refeições que fiz no corrente ano. Os críticos da nossa praça andam mesmo distraídos. À atenção do Fortunato da Câmara (Expresso), José Augusto Moreira (Público), Fernando Melo (Evasões-Diário de Notícias), Miguel Pires e Duarte Calvão (Blogue Mesa Marcada), Luis Antunes (Revista de Vinhos) e outros...
Quanto aos comeres e beberes, o menú (30 €, com direito a 3 vinhos QMA) rezava assim :
.Entrada - folhado de queijo QMA, salada fresca da nossa horta, frutos secos e redução de balsâmico, acompanhada pelo Encruzado 2013 - frutado, citrinos evidentes, acidez equilibrada, mineralidade, alguma gordura e volume, final médio. Nota 16,5+.
.Prato principal - cabrito e batata no forno, em cama de grelos, servido em xisto, harmonizado com o Touriga Nacional 2012 - frutado, algum floral, acidez no ponto, especiado, notas fortes de pimenta, taninos presentes, algum volume e final de boca longo; é pena que ainda se note algum pico na língua, a exigir decantação. Nota 17.
Por simpatia das empregadas, foi-me dado a provar o Touriga Nacional 2011, com um perfil diferente e maior complexidade, que me apaixonou (resultado: comprei 2 garrafitas que oportunamente apreciarei condignamente).
.Sobremesa - 5 texturas de produtos QMA (leite creme, pudim de azeite, petit gateau, gelado artesanal de frutos vermelhos e idem de limão), mas que não ligaram minimamente com o Rosé 2014 - simples, embora correcto, mas sem o perfil e estrutura indispensáveis à respectiva maridagem. Nota 13.
Fica aqui o desafio para que os responsáveis pela QMA ponderem, seriamente, a produção de um colheita tardia!
Não estava no menú, mas foi servido um belíssimo couvert, constituído por produtos QMA (manteiga de ovelha com ervas da horta do chefe, queijo de ovelha curado, azeite e azeitonas).
Serviço eficiente e excepcionalmente simpático. Para ser perfeito, faltou terem dado a provar os vinhos servidos. Não custava nada...
De registar e aplaudir que este imperdível restaurante possui uma carta de vinhos muito bem elaborada, apesar de curta, com indicação dos anos de colheita, centrada no Dão, como seria de esperar, e incluindo alguma preciosidades a preços sensatos (Barca Velha, Pera Manca, Vale Meão e Carrocel, entre outros).
Este restaurante tem uma localização única, pois da minha mesa, podia ver a vinha num lado (situada a 580 metros de altitude, sublinhe-se) e os cavalos noutro.
Concluindo: este almoço fechou com chave de ouro, esta visita ao Douro. Obrigatório conhecer a QMA!


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Rescaldo da ida ao Douro (IV) : a Régua e os Douro Boys

1.Castas e Pratos
A 4ª etapa levou-me à Régua, onde não ia desde 2011, altura em que visitei a exposição comemorativa dos 200 anos de nascimento da Ferreirinha, patente no Museu do Douro. Daí resultou a crónica "Rescaldo da ida ao Douro (IV) : os 200 anos da Dona Antónia", publicada em 21/7/2011.
Desta vez, o que me levou à Régua foi almoçar no Castas e Pratos, já aqui referido em "Rescaldo da ida ao Douro (II) : e os outros", crónica publicada em 16/7/2011, antes de rumar à Quinta do Vallado para participar na Feira do Douro, organizada pelos Douro Boys.
A lista de vinhos continua monumental, as referências encontram-se todas datadas e inclui uns tantos a copo. Os recipientes são adequados, contemplando as marcas Riedel e Schott. No 1º andar, onde se situa o restaurante propriamente dito, as temperaturas são as correctas, mas no piso de baixo, onde se está a imensa enoteca, o cuidado no serviço pareceu-me não ser idêntico, pois reparei que as garrafas saiam directamente das prateleiras para a mesa, à temperatura ambiente. No melhor pano cai a nódoa...
Comi ensopado de perdiz com boletos e um apetitoso polvo grelhado com açorda de grelos e ovo.
Bebi, a copo, o branco Redoma (6,80 €, um preço excessivo) - presença de citrinos, notas de fruta cozida, boa acidez, alguma gordura, volume e final de boca seco. Nota 17,5.
De notar que nesta cidade, para além desta enoteca, se podem adquirir vinhos Douro em mais 2 espaços francamente recomendáveis, a loja do Museu do Douro e a Garrafeira Gato Preto (ambas na Av. João Franco).
2.Feira do Douro
Esta 1ª Feira do Douro, organizada pelos Douro Boys, decorreu no fim de semana 19/20 de Setembro na Quinta do Vallado, sendo intenção dos organizadores que a mesma vá percorrendo as quintas dos restantes Boys.
E foi este evento que me fez percorrer algumas centenas de quilómetros, para matar saudades e dar um abraço muito especial ao Cristiano van Zeller, Francisco Ferreira, Francisco Olazabal, Tomás Roquete e ao José Teles, na ausência do Dirk Niepoort, com quem tivemos sempre as melhores relações pessoais e institucionais, no tempo das Coisas do Arco do Vinho.
Para além das 3 bancas dos Douro Boys (brancos, tintos e Porto), estavam presentes uma série de produtores de sabores regionais (queijos, enchidos, compotas, bôlas e até fruta). Aproveitámos para fazer algumas compras, até porque os sacos com o logo dos Douro Boys eram uma oportunidade única.
O evento foi organizado no espaço à volta da piscina, do que resultou algum excesso de concentração dos participantes junto às 3 bancas dos Douro Boys. É um problema a resolver futuramente. No mínimo cada Boy deveria ter 2 bancas para os seus vinhos, passando assim das 3 para 10 bancas. À consideração dos organizadores. Também estava um calor infernal (para cima de 30º!), mas disso eles não têm culpa.
Provei a maior parte dos vinhos expostos, tendo-me ficado na memória os brancos VZ 2014 e Redoma Reserva 2014, e os tintos Vinha da Francisca 2012, Vale Meão 2013, Charme 2013 e, logo a seguir, o Qtª Crasto Vinhas Velhas 2012 e o Vallado Reserva Field Blend 2013.
(continua...)

domingo, 27 de setembro de 2015

Rescaldo da ida ao Douro (III) : em Lamego

A 3ª paragem foi em Lamego, onde tinha estado em 2011, numa das minhas viagens ao Douro.
Almoçámos no Vindouro, restaurante largamente badalado nas publicações Boa Cama Boa Mesa, com a indicação de Serviço de Qualidade a Copo 2013, Evasões, Revista Expresso, Time Out, Caras e Nova Gente.
A comida estava francamente agradável, começando com a entrada Triologia Encostas do Douro (bruchetas de tomate, queijo e fumeiro) e acabando com o lombinho de porco bísaro com puré de castanhas.
Quanto a vinhos, a aposta forte deste espaço de restauração, a lista centrava-se no Douro, como era de esperar, incluindo uma série de referências de pequenos produtores, longe das luzes da ribalta, umas com o ano de colheita, mas outras não.
Questionado quem nos atendeu (pareceu-me ser o próprio dono) sobre a temperatura a que estavam os tintos a copo, a resposta foi "a 16º". Óptimo, disse. Venha ele.
A garrafa veio à mesa e dado a provar num aceitável copo Dume (desconhecia esta marca), mas o vinho estava quente, no mínimo a 20º! Francamente, ou o senhor me estava a tentar enganar ou tem o armário térmico avariado. Imperdoável para quem exibe o diploma "Serviço de Qualidade Vinho a Copo, avaliado em 2014"! Lá teve que trazer um balde com água e gelo...
Bebi o Torre da Vigia 2010 - nariz neutro, acidez mais ou menos, taninos agressivos, demasiado rústico e desinteressante, volume e final médios. Nota 13.
De referir que em Lamego a presença de espaços que apostam no vinho, não se esgota no Vindouro. Perto da Sé, podemos encontrar a Sé Gourmet (R. Macário de Castro,38) já aqui referida, e o Douro a world of excellence (Largo da Vitória), uma garrafeira wine bar.
No Hotel Lamego, onde ficámos alojados, uma vez que na Régua e arredores, todos os espaços de hotelaria estavam completamente lotados, constatei que a lista de vinhos estava bem construida e seleccionada, com todas as referências datadas, vinhos a copo e preços cordatos, mas:
.na quantidade para vinho a copo consta 8 cl (!?), feita a observação disseram que era gralha (porque não corrigem?)
.o Crasto Vinhas Velhas 2012 custava 33 € (um preço imbatível, mais a mais num hotel), mas o 2011 saltava para 99 €! (não era gralha, mas sabe o ano 2011 foi excepcional, de modo que...)
.indicação de Bruno Prats como um dos enólogos do Porto Dow's (!?), e eu a pensar que só metia as mãos no Chryseia...
(continua...)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Rescaldo da ida ao Douro (II) : Manjar do Marquês e B & W

A 1ª paragem foi no Manjar do Marquês, já aqui referido por diversas vezes, a última das quais em "No rescaldo da visita à Real Companhia Velha (I) : o Manjar do Marquês", crónica publicada em 14/7/2015.
Com uma manifesta falta de imaginação, repetimos a ementa, ou seja, uns imbatíveis filetes de pescada e pasteis de bacalhau. Como sobremesa o doce da D. Lourdes.
Tinha pedido, para acompanhar o vinhos da semana, mas o Paulo Graça, simpaticamente e uma vez mais, trouxe à mesa um verdadeiro mimo, o Carrocel 2011 (2º engarrafamento) - complexidade aromática, especiado, notas balsâmicas, chocolate preto e couro, acidez no ponto, taninos finos, volume assinalável e persistência final. Um grande Dão, servido em copo Riedel. 85 pontos no Parker. Nota 18,5.
Um belo almoço e barato. Começámos bem esta ida ao Douro.
Na 2ª paragem ficámos no B & W, um hotel rural de 4 estrelas, sediado em Pombeiro da Beira, oferecendo aos passantes quartos e comodidades inesperadas e espectaculares. Embora não muito afastado de Arganil, nasceu num sítio que não lembra a ninguém.
A sala de jantar, onde fizémos uma refeição leve, tem janelas e portas envidraçadas a toda a volta. Os pratos são Vista Alegre e os copos Luigi Bormioli, uma marca italiana. Uma boa surpresa.
A carta de vinhos é pouco arrojada e os anos de colheita foram omitidos. Mas, em contrapartida, todos podem ser provados a copo e à temperatura correcta.
(continua...)

Rescaldo da ida ao Douro (I)

Mais uma ida ao Douro, de qual não me canso. Desta vez o móbil foi participar na 1ª Feira do Douro, organizada pelos Douro Boys e tendo como palco a Quinta do Vallado. Matar saudades e provar vinhos era a finalidade.
Esta viagem foi um bom pretexto para almoçar no Manjar do Marquês em Pombal, rever o Pratos e Castas no Peso da Régua e descobrir o Vindouro em Lamego.
Mas a cereja em cima do bolo foi o menú criado pelo chefe António Batista do restaurante Quinta Madre de Água, no âmbito da parceria da revista de Vinhos com a M80 Rádio.
Em próximas crónicas serão abordados estes temas e relatada a minha experiência e opinião.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Almoço com vinhos fortificados (20ª sessão) : Soalheiro, mais uma vez

Passado praticamente 1 ano (ver crónica "Almoço com Vinhos da Madeira (15ª sessão) : (...)"), publicada em 9/9/2014, tivemos a oportunidade de voltar a S. Francisco da Serra, chez Juca/Lena que nos disponibilizaram todas as bebidas (2 espumantes, 3 brancos, 2 tintos, 1 Madeira e 1 Porto) e comidas.
Antes de falar nos vinhos bebidos ao longo do repasto, não é demais referir a excelência dos comes servidos, nomeadamente o bacalhau à Juca e, mais uma vez, um rabo de boi de 5 estrelas. Souberam-me divinalmente, até porque regressava do estrangeiro, onde andei a comer coisas assim assim.
Entrando nos vinhos, fomos recebidos com 2 espumantes, Luis Costa e Qtª Poço do Lobo, ambos de 2013 e a cumprirem a sua função. De seguida, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 2014 - nariz contido, presença de citrinos e algum tropical, acidez equilibrada, alguma estrutura e final de boca. Ainda está muito novo neste momento, melhorará nos próximos 2/3 anos. Nota 17 (noutra situação, também 17).
Acompanhou uma série de pequenas entradas.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2013 magnum - nariz mais sofisticado, maior complexidade, acidez e mineralidade, alguma gordura e volume, bom final de boca. Também vai melhorar com a idade. Nota 17,5+.
Acompanhou o bacalhau.
Entre esta entrada e o prato principal, foi servido um agradável limpa palatos, à base de maracujá. Nota: apesar de ter funcionado bem, não substitui o habitual Madeira.
.Castelo d' Alba Reserva 2012 magnum - com base nas castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, estagiou em barricas de carvalho francês e americano; nariz afirmativo, muito frutado e fresco, acidez correcta, estrutura média e final adocicado. Nota 17.
.CARM Maria de Lourdes 2008 - aroma sofisticado, acidez no ponto, notas fumadas, algum chocolate e tabaco, volume assinalável e final longo. Um belo Douro. Nota 18 (noutra, também 18).
Estes 2 tintos maridaram com o rabo de boi, acima referido.
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2011 - presença de citrinos e alguma fruta madura, acidez no ponto, volume e média persistência. Nota 17,5 (noutras 17+/17,5+/17,5+).
Esteve bem com a excelente e variada tábua de queijos (Serpa, Graciosa-Açores, Niza, Serra e Castelo Branco curado), servida com o imbatível pão da D. Ercília da Brunheira de V. N. Mil Fontes.
.Cossart Gordon Bual 1969 (sem data de engarrafamento) - nariz exuberante, notas de iodo, brandy e frutos secos, vinagrinho presente, álcool demasiado evidente (pareceu-me) e final muito longo. Nota 18 (noutra 18,5+).
Acompanhou um bolo rançoso.
.Vista Alegre 40 Anos (engarrafado em 2001) - não cheguei a provar, pois já tinha a minha conta de álcool...
Foi mais uma grande sessão de convívio, beberes e comeres, com o Juca inspiradíssimo nos tachos.
Obrigado anfitriões e até para o ano!

sábado, 5 de setembro de 2015

O blogue vai de férias

Enquanto a maioria dos portugueses regressa de férias, estou eu de partida, ficando cerca de 2 semanas longe do computador.
Neste interregno, vou estar na 1ª Feira do Douro (vinhos e sabores), com os Douro Boys na Quinta do Vallado, e participarei em mais uma jornada com o grupo dos Vinhos Fortificados, a ocorrer em S. Francisco da Serra.
Oportunamente, serão publicadas as respectivas crónicas.
Até breve...

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mercado de Algés : o Peixe ó Balcão

Há cerca de 2 semanas estreei-me no Mercado de Algés, abancando no Peixe ó Balcão. O responsável por este espaço é o chefe Rodrigo Castelo (estava presente no dia da minha visita) que também tem um restaurante, já muito badalado, em Santarém, apesar de só ter aberto em finais de 2013. Para os interessados, vai estar presente entre 15 e 27 deste mês no restaurante Terraço (Hotel Tivoli Lisboa).
Comi sopa fria de marisco (óptima) e picadinho de fataça, ao estilo céviche (bom, mas com excesso de pimentos verdes, para o meu gosto). Provei, ainda, do prato da minha companheira, sopa de peixe (boa), pica-pau de atum (com pouco sabor) e choco frito (uma boa surpresa).
Fotografias destes pratos e de outros podem ser vistas no blogue "joli wine & food", para o qual tenho um link.
Contrariamente ao Mercado da Ribeira, em que só chamam quando está tudo pronto, aqui vão chamando à medida em que os pedidos são confeccionados, sempre através do disco electrónico.
Quanto a bebidas, os vinhos a copo (cerca de meia dúzia) podem ser pedidos no balcão das ditas bebidas ou a um dos empregados que por ali andam.
Bebi o Fiuza Chardonnay 2013 (?) (3 €) - alguma acidez e gordura, notas amanteigadas, volume considerável e muito gastronómico (não aconselho que seja bebido a solo). Nota 16,5+.
Também provei o Fiuza Sauvignon 2013 (?) (3,50 €) - mais fresco e mineral, não é tão gastronómico e pode ser bebido a solo.
Embora tivesse avistado as garrafas, devido à proximidade geográfica, as ditas não foram mostradas e o vinho não foi dado a provar. Os copos são bons e a quantidade servida foi generosa.
Comemos na esplanada coberta que é insuportável quando está muito calor. Por outro lado, as cadeiras são demasiado largas e não encaixam nas mesas. É o que se pode chamar uma compra feita com os pés!
Resumindo e concluindo, este Mercado de Algés é francamente agradável, mas não tem o "charme" do Mercado da Ribeira.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Barbatana : um restaurante de luxo num centro comercial

O grupo do Porto de Santa Maria resolveu replicar o seu restaurante do Guincho no C. C. Amoreiras, com base no peixe e marisco, e contando com a colaboração do chefe Miguel Laffant que desenhou a carta.
O Barbatana tem uma sala, a única com vistas para o exterior, em todo o centro comercial, onde pratica preços altos de um modo geral e demenciais nos vinhos. A título de exemplo, encontrei o Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas a 42 €, Anselmo Mendes Curtimenta a 67 €, MR Premium Rosé a 48 € e Herdade dos Grous 23 Barricas a 75 € (!!!). Ó senhores do Porto Santa Maria, francamente! A estes preços, nem os angolanos endinheirados lá chegarão, agora que o petróleo está em baixa! Não lhes auguro muito tempo de vida...
Além desta sala há um balcão com meia dúzia de lugares (bancos altos muito incómodos), onde se pode comer e beber a preços mais ou menos acessíveis. Foi ali que eu abanquei e degustei rissol de berbigão (3 unidades, 5,50 €) e camarão à la guilho (8,90 €).
Ao balcão há um menú do dia, este sim a um preço decente (entrada ou sopa, prato do dia, bebida e café a troco de 9,20 €). também se podendo optar pelas restantes ofertas (marisco, twist, saladas, torricados, tártaros, peticos do mar e noodles).
A oferta a copo está muito reduzida e desinteressante. Por deferência do empregado, pude optar por um vinho da sala principal, o branco Beyra 2014 - cítrico, muito fresco e mineral, elegante e equilibrado, maridou bem com a comida. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott. Simpaticamente, cobraram-me apenas 2,50 €, o preço da bebida da casa, se calhar para amenizar os meus protestos quanto aos preços imorais praticados no restaurante.
Enquanto os preços dos vinhos não forem revistos, desaconselho este Barbatana e não voltarei lá a pôr os pés.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Vinhos em família (LXIV) : lugar aos brancos

Mais 5 vinhos (4 brancos e 1 rosé) provados com o rótulo à vista, todos eles altamente credenciados e elogiados. Mas, paradoxalmente, nenhum deles me apaixonou. Devo ter o palato formatado para a casta Alvarinho que não está presente em nenhum destes vinhos agora provados.
1.Séries Terrantez do Pico by António Maçanita 2013 (garrafa nº 279 de 646, uma raridade!) -  nariz austero, fresco e mineral, alguma gordura e volume, bom final. Uma relativa desilusão e preço inflacionado, provocado pelos 91 pontos atribuidos pela Wine Advocate, a revista do famoso Parker. De qualquer modo, um trabalho notável do António Maçanita na recuperação desta casta, dada como perdida. Nota 16,5.
2.Dão António Madeira 2013 (Sub Região Serra da Estrela) - com base nas castas Síria (75 %), Fernão Pires e Bical; nariz complexo, presença de citrinos e alguma fruta madura, notas abaunilhadas, acidez no ponto e mineralidade, volume médio; gastronómico, precisa de comida por perto. Prevejo-lhe uma longevidade apreciável. O Dirk Niepoort apostou nele e esteve à venda no site Projectos Niepoort, mas esgotou rapidamente. Nota 17,5+.
O produtor e enólogo tem um blogue interessante (vinhotibicadas.blogspot.pt).
3.Esporão Verdelho 2014 - fermentou em cubas de inox; nariz exuberante, fresco e mineral, elegante, volume e final médios; muito agradável, mas falta-lhe a complexidade e estrutura dos brancos de eleição. Foi uma das 68 medalhas de ouro no Concurso Vinhos de Portugal 2015, tendo sido considerado na finalíssima que decorreu no Solar do Vinho do Dão, o melhor vinho em prova. Nota 16,5+.
4.Vallado Prima 2014 - com base na casta Moscatel Galego (100 %); nariz exuberante, casta bem presente, incrivelmente fresco e mineral, pode ser bebido a solo, embora tenha algum volume e final de boca. Foi o vencedor do painel da Fugas dedicado aos vinhos de verão, em prova a solo e com comida. Nota 17,5.
5.Qtª Poço do Lobo Reserva 2014 rosé - com base nas castas Baga e Pinot Noir, passou por madeira avinhada; côr rosa desmaiada, nariz austero, notas florais, belíssima acidez, algum volume e final seco; gastronómico. Se provado às cegas, não parece um rosé, antes um branco encorpado. Um rosé muito interessante, a perder apenas com o Barranco Longo, a minha referência. Nota 16,5+.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Lob : um espaço de restauração original

O Lob - Lobster & Secrets abriu há alguns meses na Rua São Filipe Neri, 21 (ao Rato) com um conceito deveras original. Trata-se de "take away", onde tanto se pode levar a comida para casa como, também, se pode abancar subindo uns 15 degraus de acesso à sala de refeiçoar, onde a clientela fica por sua conta e risco (não vi ninguém a levantar as mesas).
A ementa é fixa e à base de lavagante (em sopa, salada e até em sanduiche!), mas também apresenta caril de camarão e sanduiches de salmão e de porco assado.
Nas 2 visitas que fiz e abanquei no 1º andar, comi sanduiche de lavagante, bisque e caril de camarão. Tudo agradável, apesar do incómodo que é subir os tais 15 degraus com o tabuleiro na mão, sempre com o risco de tropeçar e deixar cair a refeição no meio do chão.
Quanto a vinhos, a situação não é brilhante. Há meia dúzia a copo, mas os tintos estão à temperatura ambiente. As garrafas estão à vista, mas o vinho não é dado a provar. Pior, ainda: os copos são inqualificáveis! Era melhor nem terem vinho, pois assim não faziam má figura.
Na 1ª visita, ainda sem me aperceber da situação, bebi um copo do Alvarinho Deu-la-Deu (2,50 €) que cumpriu a sua função, mas na 2ª fui para a cerveja artesanal minhota Letra A (4 €), a dar muito boa conta de si.
Se eu morasse para aqueles lados, levaria a comida para casa e beberia um branco de referência em copo Riedel. Sempre era outra coisa.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Curtas (LXIV) : a feira dos Douro Boys e mais esplanadas

1.Feira do Douro com os Douro Boys
Vai ser a 1ª feira de vinhos e sabores, organizada pelos Douro Boys, que decorrerá na Quinta do Vallado. Nos próximos anos, sempre na altura das vindimas, esta feira decorrerá nas restantes quintas, uma diferente em cada ano.
O evento realizar-se-há nos dias 19 (Sábado, das 15 às 20 h) e 20 de Setembro (Domingo, das 11 às 18 h). Por 10 €, com direito a um copo Riedel, vai poder provar-se vinhos dos Douro Boys (Quintas do Crasto, Vale D. Maria, Vale Meão e Vallado e, ainda, a Niepoort), além de produtos da terra e mercearia fina de cerca de 20 produtores regionais convidados para esta feira.
Imperdível! Lá estarei daqui a 1 mês.
2.A Horta
Fica no Páteo Alfacinha (Rua do Guarda Jóias,44 bem próximo do Palácio da Ajuda) e pertence ao restaurante Mercearia, que fecha no verão, enquanto que A Horta, toda ela uma irresistível esplanada com uma vista magnífica para o Tejo e ponte 25 de Abril, só abre nesta altura do ano.
Aposta nos grelhados e nos petiscos para partilhar (pica-pau do lombo e, também, de marisco, estupeta e lombo de atum, mini-preguinhos, etc). A comida não é de excelência, mas é bem agradável e as doses são generosas. Comi, nas 2 visitas que fiz, a estupeta de atum, o mini-preguinho do lombo e um delicioso arroz Calasparra de lingueirão. No final um gelado artesanal, que recomendo vivamente.
Quanto a vinhos, a lista é curta, mas com algumas referências interessantes, e apresenta 2 preços diferentes, um para comprar e levar para casa e outro, acrescido de 6 € (taxa de rolha) para consumo no local. Bebi, a copo, o vinho branco da casa, DFJ Arinto/Chardonnay 2013 (3 €), um bom casamento destas castas, simultaneamente fresco e com alguma gordura, gastronómico e bebível todo o ano. Nota 16. A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. Copo aceitável.
Mas, só pela vista vale a pena a deslocação. E já agora, para quem não conheça, é obrigatória uma visita ao Palácio da Ajuda.
3.Café Portugal
O Hotel Story Rossio chamou ao seu restaurante Café Portugal, em homenagem a este clássico já desaparecido há algum tempo. Já me referi à sua esplanada em "Testando o serviço de vinhos (III)", crónica publicada em 16/6/2015.
A esplanada fica num dos largos passeios do Rossio e é óptima para quem goste de muito movimento, seja de peões, seja de carros. Desta vez não fui para o menú do dia, mas para a carta, tendo comido uns apetecíveis pastéis de bacalhau com um saboroso arroz de feijão. Os pastéis tinham mesmo bacalhau, mas também incluiam espinhas, o suficiente para chumbarem se fossem a concurso!
Bebi, a copo, o vinho da casa, o branco Rafeiro 2014 - nariz neutro, alguma acidez e volume, correcto, mas não mais do que isso. Nota 15. A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar, servido num copo de ridícula dimensão e em quantidade manifestamente curta. Feita a reclamação puseram mais um pouco no copo, mas a olho não chegava aos 14/15 cl.
Embora se trate de uma esplanada, mas como é pertença de um hotel, estas incorreções deveriam ser rapidamente resolvidas. À atenção dos responsáveis.

domingo, 16 de agosto de 2015

Quadro de Honra de Moscateis

Esta é a última crónica dedicada à actualização anual dos meus QH.
1.Moscatel de Setúbal, incluindo o Bastardinho
.com 19,5 - 3 (1952, Superior 1955 e Roxo 1960)
.com 19 - 2 (Roxo 1900 e Trilogia)
.com 18,5+ - 5 (1967, 1973, Roxo Superior 1971, Superior 1962 e Roxo 20 Anos eng. em 2014)
.com 18,5 - 6 (1918, Superior 1975, 20 Anos eng. em 1986, Roxo, Alambre e Bastardinho todos 20 Anos)
2.Moscatel do Douro
.com 19 - 1 (Secret Spot +40 Anos)
3.Moscatel da Madeira
.com 19+ - 1 (Artur Barros e Sousa 1963)
.com 19 - 1 (Artur Barros e Sousa de ano desconhecido)
.com 18,5 - 1 (Artur Barros e Sousa 1890)
De referir o pleno da JMF nos Moscateis de Setúbal e da ABS nos Moscateis da Madeira.

sábado, 15 de agosto de 2015

Quadro de Honra de Vinhos da Madeira

1.Por casta
.Bual - 21
.Verdelho - 11
.Malvasia - 9
.Terrantez - 8
.Sercial - 6
.Bastardo - 1
Nota: a casta Moscatel será incluida no QH de Moscateis.
2.Por produtor/marca
.Madeira Wine - 34 (Blandy 26, Cossart Gordon 6, Leacock e Miles 1 de cada)
.Artur Barros e Sousa - 10
.Borges - 4
3.Por anos de colheita
.século XIX (1814, 1870, 1879, 1880, 1891 e 1900) - 6
.1ª metade do século XX (05, 19, 20, 34, 40 e 48) - 6
.década de 50 (58) - 1
.década de 60 (60, 63, 64, 66, 68 e 69) - 11
.década de 70 (71, 73, 74, 75, 77 e 79) - 11
.década de 80 (81, 86 e 88) - 3
.década de 90 (91 e 96) - 2
.20 Anos - 1
.40 Anos - 3
4.Os melhores entre os melhores
.com 19,5 - 6 (Adega do Torreão Terrantez 1905, Blandy Solera Bual 1891, Blandy Bual 1920, 48, 64 e Miles Bual 34)
.com 19+ - 2 (Blandy Bual 77 e Borges Verdelho 40 Anos)
.com 19 - 12 (Blandy Terrantez 69, 75, 77, Cossart Terrantez 77, Blandy Verdelho Solera, Blandy Bual 63, 68, 69, 71, Artur Barros e Sousa Bual Solera 19 e Borges Malvasia 40 Anos).
5.Resumindo e concluindo, é de destacar:
.a casta Bual (36,8 % do total dos Vinhos da Madeira seleccionados)
.a marca Blandy (45,6 %)
.as décadas de 60 e 70 (38,6 %).

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Quadro de Honra de Vinhos do Porto

1.Por tipo
.Vintage - 10
.Colheitas - 20
.Tawnies de Idade (30 e 40 Anos) - 10
.Brancos Velhos - 2
Em colisão com o gosto dos britânicos, estou mais virado para os tawnies (71,4 % dos Vinhos do Porto com 18,5 ou mais), nomeadamente os Colheitas.
2.Por produtor/marca
.Krohn - 8 (Colheita 60, 61, 66, 67, 68, 78, Branco 64 e o 30 Anos)
.Burmester - 6 (Colheita 20, 37, 44, 55, 81 e o Tordiz 40 Anos)
.Noval - 6 (Vintage 58, 94, Colheita 37, 64, 71 e o 40 Anos)
.Fonseca/Taylor's - 6 (Vintage Fonseca 2003, Fonseca Guimaraes 76, Taylor's 94, 2011, Taylor's Vintage 64 e o 40 Anos)
.Barros - 4 (Colheita 35, 74, 40 Anos e o Branco Muito Velho)
O meu grande aplauso para a marca Krohn, agora absorvida pela Taylor's, mas também tiro o meu chapéu ao Fonseca Guimaraes 1976, uma 2ª marca de eleição.
3.Os melhores entre os melhores
Classificados com 19 ou mais, por ordem alfabética:
.Barros Colheita 35
.Burmester Colheita 37,44, 55 e, ainda, o Novidade 1920 (este com 19+)
.Fonseca Guimaraes Vintage 76
.Krohn Colheita 61
.Noval Colheita 37 e 71

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Quadro de Honra de Vinhos Tintos

1.Por Região
.Douro - 96 (70,1 % dos tintos)
.Dão - 6
.Douro/Dão - 1
.Bairrada/Beiras - 11
.Lisboa/Estremadura - 1
.Península de Setúbal - 3
.Alentejo - 10
.Estrangeiros - 9 (8 Ribera del Duero)
O meu gosto está claramente definido: Douro, Douro e mais Douro! Até nos estrangeiros, me fico pela Ribera del Duero, um prolongamento do Douro...
2.Por ano de colheita
.década de 80 - 1
.década de 90 - 7
.2000 - 8
.2001 - 10
.2002 - 3
.2003 - 11
.2004 - 28 (20,4 % dos tintos eleitos)
.2005 - 23 (16,8 %)
.2006 - 7
.2007 - 21 (15,3 %)
.2008 - 8
.2009 - 6
.2010 - 1
.2011 - 2
.2012 - 1
O ano 2004 continua a ser, para mim, o melhor da década, logo seguido pelo 2005 e 2007. Só estes 3 anos de eleição são mais de metade dos tintos eleitos (52,6 %).
Quanto às colheitas mais recentes, 2011 e 2012, consideradas excelentes, ainda é cedo para as consumir. Há que aguardar mais 2/3 anos.
3.Por produtor/marca
Com 5 referências ou mais:
.Qtª do Crasto - 16 (Vinha da Ponte 5, Maria Teresa 4, T.Nacional 5, Vinhas Velhas e Xisto 1 de cada)
.Niepoort - 13 (Batuta 6, Charme 4, Robustus 2 e Doda 1)
.Qtª Vale Meão - 9
.Casa Ferreirinha - 8 (Barca Velha 3, Reserva Especial 3, Vinhas Velhas e Antónia Adelaide Ferreira 1 de cada)
.Wine & Soul - 8 (Pintas 6 e Qtª da Moanoella 2)
.Qtª do Vallado - 7 (Reserva 4, Adelaide 2 e T.Nacional 1)
.Aalto - 7 (PS 4 e Colheita 3)
.Jorge Moreira - 6 (Poeira)
.Lavradores de Feitoria - 5 (Três Bagos Grande Escolha)
4.Os melhores entre os melhores
Não houve mais nenhum tinto a que tivesse atribuído 19 ou mais, mantendo-se a listagem de 2013 (por ordem alfabética). Com excepção do Aalto são todos do Douro:
.Aalto PS 2001 (Ribera del Duero)
.Barca Velha 1995, 1999 e 2004
.Pintas 2001
.Qtª do Crasto T.Nacional 2001
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 1998 e 2003
.Qtª Vale Meão 2004
.Robustus 2004
.Três Bagos Grande Escolha 2004