terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Rescaldo das Festas 2014

As Festas deste ano desenrolaram-se em 3 diferentes momentos, cujos participantes e locais de convívio não foram sempre os mesmos e os vinhos postos na mesa (eram praticamente todos da minha garrafeira; as excepções estão assinaladas com *) estavam de acordo com o respectivo universo.
Notícia abreviada sobre os comeres e beberes:
1.Consoada
Passou-se em casa de familiares, com um grupo alargado, tendo vindo para a mesa:
.Allo Alvarinho/Loureiro 2013 - aromático, acidez equilibrada e mineral, foi lindamente com uns pastelinhos de bacalhau e aguentou-se com o polvo cozido.
.Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada 2008 - fresco, especiado e algum volume de boca, casou muito bem com o bacalhau com broa e grelos. Uma boa surpresa e excelente relação preço/qualidade.
.Qtª Seara d' Ordens LBV 2009 - muito frutado, boca potente e doçura no ponto, fez um casamento com as sobremesas (bolo real, bolo rainha,...), com alguma turbulência.
2.Almoço de Natal
Decorreu em casa do meu filho mais velho, tendo o grupo de participantes encolhido um pouco:
.Adega Vila Real Grande Reserva 2011 * - não sendo um grande vinho, o facto de ser de uma colheita excepcional contribuiu para um feliz casamento com um prato de borrego no forno.
.Moscatel de Setúbal Bacalhôa 2011 *  - citrinos em evidência, fresco e envolvente, acompanhou bem as sobremesas que sobraram da véspera.
* comprados pelo dono da casa.
3.Almoço de domingo
Finalmente "chez moi", foi o prolongamento dos festejos natalícios, tendo participado apenas o núcleo duro da família (mulher, filhos e noras) :
.Parcela Única Alvarinho 2011 - frescura, complexidade e algum volume, maridou bem com alguma conservas compradas no mercado mensal do CCB, que se realiza no 1º domingo (coelho vilão, cogumelos, azeitonas esmagadas e cebola confitada).
.Charme 2007 - fresco, elegante e harmonioso, fez jus ao seu nome e ligou muito bem com arroz de pato, o que não teria acontecido se tivesse escolhido outro mais taninoso.
.Borges Malvasia 30 Anos - frutos secos, brandy e algum vinagrinho, bateu-se bem com uma mousse de chocolate.
4.Nota final
Esta foi a minha última crónica deste ano. Em Janeiro, como é habitual, recomeçarei com o balanço do ano, com o Top 10 de brancos, tintos, fortificados, restaurantes, crónicas mais lidas e eventos.
Até lá tenham um bom ano, com votos que seja melhor do que este 2014 de má memória.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Curtas (XLVII) : o estado de alma do MEC e as dicas do JAS

1.O estado de alma do MEC
O Miguel Esteves Cardoso (MEC) dedicou, recentemente, uma página inteira do Fugas ao restaurante Adega das Azenhas, cuja cozinheira, dona Lurdes de seu nome, foi posta nos píncaros da lua. Foi lá que o MEC encontrou o melhor peixe do mundo, os melhores pasteis de bacalhau, a melhor maçã assada, as melhores pêras bêbedas, etc.
Todos estes elogios despertaram-me a curiosidade e provocaram a ida a esta Adega das Azenhas, que já conhecera há alguns anos atrás e não me tinha deixado memórias gastronómicas. Não é que se coma mal, longe disso, mas aquele espaço, tipo cantina universitária ou refeitório da tropa, é deveras desconfortável e o serviço confuso e pouco eficiente.
Numa coisa estamos, o MEC e eu, de acordo: este restaurante é super barato. Quanto aos beijinhos que o MEC recebe da dona Lordes, eu dispenso-os, mas respeito o seu estado de alma.
2.As dicas do JAS
Li na visão.sapo.pt a selecção feita pelo José António Salvador (JAS), intitulada "Vinhos excepcionais para este Natal". Mas como o Natal já lá vai, considerem-se estas dicas para a passagem do ano:
.Espumante Soalheiro Alvarinho 2013
.Hexagon 2013 branco
.Qtª do Monte Xisto 2012 (da família Nicolau de Almeida)
.Qtª do Noval Vintage 2012
.Moscatel de Setúbal JMF 2004
Nada contra. Mas o que me despertou a curiosidade foi a fotografia que ilustrava a notícia. Nada menos que uma visão dos expositores de vinhos que existiam nas Coisas do Arco do Vinho (já não existem na actual versão) que, pelos vistos, continuam no arquivo da Visão. Foi uma espécie de matar saudades.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Prémios W 2014 (Aditamento)

Em relação à crónica anterior, faltou dizer: quem quiser saber mais informações, nomeadamente quanto aos nomeados (Top 10 de cada categoria), entre em w-anibal.com/media/pdf/PremiosW.

Prémios W 2014 (5ª edição)

O Anibal Coutinho nomeou, uma vez mais, o Top 10 em 21 categorias, onde incluiu, desde 2012, o Blog do Ano. Os outros universos abrangem Regiões Vitivinícolas, Produtores, Enólogos, Acontecimentos, Personalidades, Vinhos (brancos, rosés, tintos e fortificados), Enoturismo, Garrafeiras, Restaurantes (serviço de vinhos) e Wine Bares.
Nesta edição, o Top 10 dos Blogues contemplou :
.adega dos leigos
.air diogo num copo *
.bebes ponto comes *
.comer, beber, lazer *
.copo de 3 (vencedor em 2012)
.enófilo militante
.grão duque sambrasense *
.joão à mesa
.mesa marcada
.os vinhos
De destacar o facto de 5 destes blogues (adega dos leigos, copo de 3, enófilo militante, joão à mesa e os vinhos) constarem nas 3 edições que incluiram a blogosfera.
No meu caso, fico satisfeito. É sempre um incentivo para continuar e marcar a diferença.
De estranhar a inclusão do blogue vencedor em 2012, quando o de 2013 (e tudo o vinho levou) não foi incluido.
De referir a entrada de 4 novos blogues, a ocupar o espaço de alguns consagrados presentes em anos anteriores.
Mas os critérios são do Anibal Coutinho. Embora não concordando com tudo (a omissão do blogue joli wine & food, um dos meus preferidos, é uma injustiça), temos de aceitar.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Verdade do Vinho na Madeira

Na última 3ª feira, o programa Verdade do Vinho foi integralmente dedicado ao Vinho da Madeira. Os jornalistas da RTP, Sónia Araujo e Luis Baila, visitaram as principais casas produtoras deste néctar dos deuses e foi-lhes dado a provar autênticas raridades, ficando eu na dúvida que os tivessem apreciado devidamente. Numa situação destas, é costume dizer-se que dão nozes a quem não tem dentes...
E eu, confesso, fiquei cheio de inveja. Vejam só: entre outros, foram provados:
.Henriques & Henriques - Solera Malvasia 1900
.Barbeito - Malvasia 1880
.Instituto do Vinho da Madeira (IVM) - Bual 1954
.D' Oliveiras - Sercial 1937, Verdelho 1912, Boal 1908, Malvazia 1895 e Terrantez 1880
.Blandy - Bual 1969
Destas relíquias, apenas tenho provado o Blandy's Bual 1969, aliás excelente. Os outros, nem cheiro!
Vale a pena apreciar o programa, sendo ainda possível visioná-lo até 3ª feira. Indispensável a quem aprecie verdadeiramente o Vinho da Madeira!

.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vinhos em família (LVIII)

Mais uns tantos vinhos (3 tintos e 2 brancos), provados em família ou com amigos, com o rótulo à vista, a portarem-se bem. Desta vez não houve decepções.
.Muros de Magma Verdelho 2011 (Açores) - produzido pela Adega Cooperativa dos Biscoitos e proveniente das respectivas "Curraletas"; nariz discreto, acidez, mineralidade, notas amanteigadas e algum volume; uma boa surpresa vinda das Ilhas. Nota 17.
.Morgado Stª Catherina Reserva 2012 - estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, presença de citrinos, boa acidez, alguma gordura e volume, final de boca mediano; madeira ainda evidente, o que o prejudica nesta fase. Nota 16,5+.
.Vallado Reserva 2007 - 17 meses em meias pipas de carvalho francês; nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos impressionantes mas sem agressividade, volume considerável e final muito longo; um grande Douro que não me canso de beber. Um aspecto menos simpático: a rolha desfez-se totalmente. Nota 18,5.
.Reserva Especial 2007 - ainda na força da juventude, fruta presente, acidez no ponto, especiado, taninos evidentes sem arestas, volume considerável e final muito longo. Provado em 2 momentos, só se evidenciando 48 horas após a abertura da garrafa. Nota 18.
.Grandes Quintas Reserva 2008 - produzido pela Casa de Arrochela no Douro Superior, com enologia do Luis Soares Duarte; estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês; nariz fechado, acidez equilibrada, especiado, notas fumadas, taninos domesticados, algum volume e final longo; excelente relação preço/qualidade. Obteve uma medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2011. Nota 17,5+.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Grupo dos 3 (42ª sessão) : um Robustus em grande forma

A responsabilidade desta sessão vínica, coube ao Juca que trouxe da sua garrafeira 1 branco, 2 tintos e 1 fortificado, todos a portarem-se bem, sobressaindo o Robustus 2005, em excelente forma. Comparando com as notas atribuidas por mim, em situações anteriores, verifica-se alguma irregularidade na prestação dos vinhos, com especial incidência no percurso errático do Utopia. Por vezes a culpa é da garrafa, noutras vezes é o provador, cujo estado de espírito na ocasião pode originar alguma nota atribuida não muito correcta. Ficamos pela dúvida...
Quanto ao restaurante, remeto as minhas apreciações para a crónica "Grupo dos 3 (23ª sessão)", publicada em 30/5/2012, continuando a recomendá-lo.
Mas vamos aos vinhos provados:
.Redoma Reserva 2008 - nariz contido, presença de citrinos, acidez e vivacidade, madeira discreta, algum volume, mas final curto. Nota 16,5+ (noutras situações 17,5/17+/17,5).
Acompanhou uma entrada de cogumelos e enchidos.
.Utopia 2001 (ainda do tempo do saudoso José Mendonça) - côr algo evoluída, notas vegetais, taninos ainda presentes, algum volume e final longo; elegante. Nota 17,5 (noutras 17,5/17/16/15/16,5/16/16).
Ligou bem com o bacalhau à lagareiro.
.Robustus 2005 - nariz exuberante, fruta vermelha ainda presente, notas florais, boa acidez e frescura, especiado, um toque de chocolate preto, volume apreciável e final extenso. Excelente evolução. Nota 18,5 (noutras 17,5+/17,5).
Maridou bem com uma posta barrosã.
.Moscatel Setúbal Superior JMS 1993 (enologia de António Saramago que o dedicou ao seu pai) - frutos secos, citrinos, alguma acidez, gordura, taninos presentes, algum volume e final longo. Nota 18 (noutra 17,5+).
Casou bem com um quarteto de sobremesas (Serra, sopa de morangos, doce de abóbora e mousse de chocolate).
Mais uma boa sessão de comeres e beberes. Obrigado, Juca!


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Curtas (XLVI) : Sabores d' Itália e livros para o Natal

1.Sabores d'Itália
Já aqui referido por diversas vezes em "Sabores d' Itália, sempre!", Páscoa na Bairrada (II)" e "Sabores d' Itália revisitado", crónicas publicadas em 9/3/2011, 10/4/2012 e 14/5/2013, este restaurante, radicado nas Caldas da Rainha, é para mim o nº 1, vindo a ocupar o lugar do saudoso Flora, em Vila Franca de Xira. Tudo neste espaço é de muita qualidade, seja a gastronomia, a carta de vinhos, o serviço eficiente e profissional, o ambiente requintado e a simpatia dos donos, o Norberto na sala e a Maria João na cozinha.
É por tudo isto, que eu ao votar no melhor restaurante em Portugal, no âmbito da iniciativa anual do blogue Mesa Marcada, tenha sempre escolhido o Sabores d' Itália. Eles merecem!
Em recente visita voltei a escolher a sopa rica de peixe, o risotto de sapateira e a sopa de amoras com gelado, Tudo no patamar da excelência!
Por sugestão do dono, bebi um copo do branco Casa das Gaeiras Resrrva Vinhas Velhas 2013 (DOC Óbidos) - com base na casta Vital; aromático, fruta madura, excelente acidez, alguma gordura, complexidade, notável volume e final longo. Desconhecia este vinho, um grande branco e um dos melhores provados em 2014. Nota 18.
2.Livros para o Natal
Com o Natal à porta, não faltam sugestões para uma boa prenda, relacionada com o mundo do vinho, especialmente se dirigida a enófilos, militantes ou não:
.Douro - Rio, Gente e Vinho, de António Barreto (Ed. Relógio d' Agua)
.Guia do Enoturismo Portugal, de Maria João Almeida (Ed. Zest), em português e inglês
.Cada Garrafa Conta uma História, de Ana Sofia Fonseca (Ed. A Esfera dos Livros)
.Celebrar - o Melhor Vinho para cada Data Especial do Ano, de Vasco d' Avillez (Ed. Livros Horizonte)
.Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, de Manuel Pintão e Carlos Cabral (Porto Editora)
Não há fome que não dê em fartura...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Regresso aos cogumelos em Lisboa

Ao restaurante Santa Clara dos Cogumelos, que revisitei recentemente, já dediquei a crónica "Cogumelos em Lisboa", publicada em 12/1/2014. A qualidade da cozinha mantem-se em alta, mas o serviço de vinhos precisa de ser afinado.
Nesta última visita, o menú oferecia 7 petiscos (5 a 8 €), 7 pratos (14 a 17 €) e 4 sobremesas (5 a 5,50 €). Não é barato, mas tudo o que ali se come vale bem o preço facturado.
Optei por Shitake à Bulhão Pato, Spaguetti alla Chitarra com lepiotas e taleggio e, ainda, merengue com cogumelos secos e framboesas. Tudo 5 estrelas.
Quanto a vinhos, inventariei 10 brancos (11 a 22 €) e 9 tintos (11 a 18 €). Destes,apenas 1 branco e 1 tinto a copo, o que é manifestamente insuficiente. Preços mais que comedidos para um restaurante.
Escolhi o branco Opta 2012, a copo (3 €) - frutado e aromático, citrinos presentes, boa acidez, simples, mas elegante e equilibrado. Nota 16.
O copo, de qualidade aceitável e quantidade generosa, já vinha servido e a garrafa nem sequer foi mostrada. No melhor pano cai a nódoa. Francamente...
Finalmente, a música estava muito alta (negativo) e o chefe Luigi Pintarelli, que também é o dono, veio à mesa mais que 1 vez (positivo).
Tenciono voltar, com uma ténue esperança de encontrar corrigidos os aspectos negativos aqui focados.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O 3º aniversário da Adega Mãe

Pelos vistos estamos em maré de aniversários. Recentemente referi-me ao 3º aniversário da Garrafeira Néctar das Avenidas; hoje é a vez da Adega Mãe, já objecto da crónica "Visita à Adega Mãe", publicada em 3 partes, 4, 5 e 6/9/2013.
Desta vez o grupo de visitantes era mais alargado pois, além dos blogues Air Diogo num Copo (Diogo Rodrigues), Comer, Beber e Lazer (Carlos Janeiro), Enófilo Militante (eu próprio), E Tudo o Vinho Levou (Celma Carreira), Joli Wine & Food (Jorge Nunes) e O Vinho é Efémero (Elias Macovela), incluiu a Revista de Vinhos (Nuno Garcia) e representantes de diversos órgãos de comunicação social (Epicur, jornal I, Sol, Jornal de Vinhos, Revista Grande Consumo, Revista New in Town e The Wine Agency).
Fomos recebidos pelo Diogo Lopes, enólogo residente e a alma do projecto, pois o produtor, Bernardo Alves de seu nome, encontrava-se doente e o Anselmo Mendes, enólogo consultor, algures em parte incerta.
Após uma visita à adega (para mim, uma revisita), o Diogo orientou uma prova de vinhos, que incluiu uma vertical do Dory branco (2011, 2012 e 2013), o tinto Dory 2012 e os monocastas Petit Verdot, Merlot e Cabernet Sauvignon, todos de 2012, prontos para irem para o mercado.
Os vinhos deste produtor, quer os brancos, quer os tintos, têm alguns pontos comuns, por um lado são frescos e elegantes, em resultado da proximidade do Atlântico e, por outro lado, uma relação preço/qualidade exemplar.
Durante o almoço, onde foram servidos pastelinhos de bacalhau e 2 pratos do mesmo, lascado com açorda e lombo no forno, qualquer deles excelente, tivemos a oportunidade de os podermos confrontar com todos os vinhos provados anteriormente e, ainda com os Dory Reserva branco 2013 e tinto 2012.
Obviamente não tive a oportunidade para confrontar todos os vinhos à nossa disposição com os pratos de bacalhau, mas experimentei alguns. Maridaram bem com o bacalhau lascado os brancos Dory Reserva e o Chardonnay, e com o lombo os tintos Dory Reserva e o Merlot, que foi o monocasta que mais apreciei. Deste último, anotei : nariz intenso, muito fresco e elegante, acidez equilibrada, especiado, taninos redondos, volume de boca e um final extenso. Nota 17.
Quanto à sobremesa, é que não foi possível estabelecer qualquer boa ligação com os vinhos presentes. Fica aqui um desafio aos responsáveis da Adega Mãe: ou fazem um colheita tardia ou compram uma quinta no Douro (à conta do bacalhau Riberalves) para poderem produzir Vinho do Porto!
À saida, fomos obsequiados com os 3 monocastas (Petit Verdot, Merlot e Cabernet) e o Dory tinto.
Obrigado, pela parte que me toca!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Curtas (XLV) : Concurso de Vinhos e Companhia das Quintas

1.1º Concurso de Vinhos do Crédito Agrícola
Fui convidado pelo Rodolfo Tristão, presidente da Associação de Escanções de Portugal (AEP) e autor do Blogue Poetas do Vinho, para fazer parte de uma das 5 mesas de provadores, no âmbito do concurso acima referido, organizado pela AEP, em parceria com o Crédito Agrícola e no âmbito da Portugal AGRO.
Estiveram à prova 172 vinhos, provenientes de produtores e cooperativas, de Norte a Sul, tendo calhado à mesa onde me encontrava (2 escanções, 1 enóloga, 1 representante do Crédito Agrícola e eu, na qualidade de bloguista) 23 amostras, estando em causa a atribuição de Tambuladeiras dos Escanções de Portugal. Destes 23 vinhos provados, apenas 3 vieram ao encontro do meu gosto, mas nenhum me apaixonou. Ossos do ofício...
2.Companhia das Quintas
Tropecei, por mero acaso, numa garrafeira com vinhos, exclusivamente, da Companhia das Quintas (Qtª do Cardo, Qtª da Fronteira, Qtª de Pancas e Herdade da Farizoa). Está num dos espaços do Atrium Saldanha (Piso 2, Loja 84), mas só até ao final do ano. Até lá têm uma forte campanha, oferecendo 1 garrafa de vinho de gama de entrada, por cada garrafa comprada nas outras gamas (Grande Escolha, Reserva ou Selecção do Enólogo). Em 2015 estará noutro lado.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Jantar Sandra Tavares da Silva

Este jantar vínico, com vinhos e presença da enóloga e produtora Sandra T. Silva, o 39º organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, coincidiu com o 3º aniversário desta loja. Parabéns ao João e à Sara Quintela e votos de muitos mais anos de vida!
O evento decorreu, mais uma vez, no Hotel Real Palácio. A ementa manteve, talvez com a excepção da entrada, a qualidade habitual. O serviço de vinhos fez milagres, com mais de 200 copos Schott modelo bordalês a rodarem pelas mesas ao longo do repasto, o que não é nada fácil.
Desfilaram:
.Chocapalha Arinto 2013 - fresco e mineral, precisa de mais tempo de garrafa para dar o salto, O copo em que foi servido também não ajudou. Nota 15,5+.
Fez companhia a uma série de canapés.
.Guru 2013 em magnum (feito a meias com o Jorge S. Borges) -  fruta madura, caruma de pinheiro, boa acidez, madeira ainda presente, volume de boca; gastronómico e cheio de personalidade. Como dizia o Fernando Pessoa, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Nota 17,5.
Acompanhou uma entrada de massa fresca, cogumelos porcini e natas. Era um prato pesado com a massa a sobrepor-se e alguma dificuldade de encontrar os cogumelos.
.Crochet 2012 (a meias com a Susana Esteban) - aromático,fruta vermelha presente, acidez e vivacidade, taninos vigorosos mas elegantes, volume e final longo; ptrecisa de tempo de garrafa para se mostrar plenamente. Nota 18.
.CH by Chocapalha 2011 - nariz inicialmente contido, a abrir ao longo do jantar, fresco, boa acidez, notas florais, taninos civilizados, volume médio e final extenso e adocicado. Nota 17,5+.
Estes tintos maridaram com um excelente lombo de bacalhau com açorda de camarão.
.Chocapalha Reserva 2012 branco - aromático, presença de citrinos e notas florais, boa acidez, alguma gordura e volume, Nota 16,5+.
Ligou bem com a tábua de queijos.
O evento acabou com o bolo de aniversário , acompanhado pelo Porto 10 Anos da Wine & Soul, demasiado simples para o patamar a que já estamos habituados.
Mais uma boa jornada, apesar de demasiado extensa, de convívio, comeres e beberes.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Mercado da Ribeira : o Expresso, o Sea Me, etc

1.Expresso: distração ou miopia?
Leio na Revista do último Expresso (Sábado 29/11) e não quero acreditar. Na reportagem dedicada aos Mercados de Campo de Ourique e da Ribeira (página 80 e seguintes), a jornalista Carolina Reis escreveu "(...) o novo Mercado da Ribeira abriu com 30 bancas, quatro delas da responsabilidade de conhecidos chefes nacionais: Alexandre Silva, da Bica do Sapato, Marlene Vieira, do Avenue, Vitor Claro, do Claro, e Henrique Sá Pessoa, do Alma. (...)".
 Então, e o consagrado chefe Miguel Castro e Silva? Não é um chefe nacional, como os outros 4? Não tem um espaço exactamente igual aos outros 4? A jornalista estava distraida ou é miope?
Francamente...
2.Sea Me: sopa de peixe rica ou pobre?
Já aqui referi o Sea Me por 2 vezes, a primeira crónica "Almoço no Sea Me", publicada em 20/8/2011, e a 2ª "Mercado da Ribeira : 4 em 1", editada recentemente em 16/11/2014.
Nesta última, dava conta que a sopa rica de peixe que me serviram, só era rica no nome. Como desculpa, disseram-me que era do fundo da panela. Conclusão, não a deveriam ter servido.
Recentemente, voltei a este espaço no Mercado da Ribeira, para comprovar se a culpa era mesmo do fundo da panela. Não era, a panela estava cheia, mas o que veio parar ao prato foram uns farrapos de peixe. Nem um camarão, nem um mexilhão, nada!
É preciso descaramento, chamarem àquela sopa rica. Deveriam corrigir o nome para sopa pobre de peixe! Aliás, o cartaz que a publicita refere que é elaborada "com aquilo que o mar nos traz". Pelos vistos, traz pouca coisa...
Francamente...
Mas nem tudo é mau. O torricado de atum (6 €), que vem praticamente cru, é muito saboroso e recomenda-se.
3.Cozinha da Felicidade (Petiscos à Portuguesa)
Também comi neste espaço, embora noutro dia, um saborosíssimo atum dos Açores braseado com batata doce (9 €), Uma delícia.
Em qualquer uma destas visitas não bebi vinho, tendo-me ficado pela água. Há que dissolver em água os vinhos que tenho provado/bebido nestes últimos dias:
.6ª feira - jantar de Vinhos Sandra T. Silva
.Sábado - visita à Adega Mãe, com almoço
.Domingo - em família, com Soalheiro e Reserva Especial 2007
Oportunamente publicarei as respectivas crónicas.  

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Novo Formato+ (19ª sessão) : 1 branco que desiludiu e 1 tinto que apaixonou...

Mais uma sessão de convívio, comeres e beberes, que decorreu "chez" Alfredo/Ana Maria, sendo os vinhos (1 espumante, 3 brancos, 2 tintos e 1 fortificado) e a gastronomia da responsabilidade deste casal.
O início do repasto foi com o espumante Murganheira Super Reserva 2008, a bebida de boas vindas que se portou bem na sua função. Missão cumprida!
No decorrer do convívio, desfilaram:
.Chateau Rabaud-Promis Premier Grand Cru Classé 2010, um Sauterne - nariz contido, presença de citrinos, alguma acidez e gordura, muito doce, volume e final médio. Nota 16,5.
Não ligou com as entradas (queijo fresco, salmão e enchidos de qualidade). Brilharia com patés.
.Redoma Reserva 2010 - demasiado discreto, mineral, boa acidez, volume médio e bom final de boca; alguma desilusão nesta garrafa que não mostrou a complexidade de outras provadas noutras situações. Nota 16.
Ligou bem com as entradas e com uma saborosa sopa rica do mar.
.Amor de Perdição 2009 (Dão Sul) - com base nas castas T.Nacional e Alfrocheiro; aroma complexo, alguma fruta, notas florais, acidez equilibrada, presença de pimenta e tabaco, taninos vigorosos, mas elegantes, volume e final longo. Era a garrafa nº 89 de 3102. Nota 18.
.Cinquenta A. S. 2009 - com base na casta Castelão, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; vinho comemorativo dos 50 anos de actividade profissional do António Saramago, produtor e enólogo; aroma exuberante, acidez equilibrada, especiado, notas de chocolate e tabaco, taninos ainda não domados completamente, volume notável e final longo. Um bom exemplar da casta Castelão. Nota 18,5.
Os tintos acompanharam bem um delicioso prato de bacalhau no forno.
.Qtª da Sequeira Grande Reserva 2011 - nariz intenso e complexo, notas tropicais, acidez no ponto, gordura, volume notável e bom final de boca. Nota 18.
Deve ser consumido à volta de 12º e não cerca de 9º, conforme consta no contra rótulo. Ó senhores da Qtª da Sequeira, não podem corrigir esse lapso? Assim induzem o consumidor em erro.
Maridou magistralmente com a tábua de queijos (Manchego, S.Jorge, Serra amanteigado e Niza).
.Niepoort Colheita 1952 (engarrafado em 1973) - aroma retraído, frutos secos, acidez nos mínimos, doçura evidente, volume médio e final longo. Esperava mais. Nota 17+.
Fez boa companhia a uma tarte de côco.
Grande jornada. Obrigado Ana Maria, obrigado Alfredo!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Curtas (XLIV) : Wine Spectator, Fugas e provas pagas

1.Wine Spectator
A lista dos melhores vinhos do ano, publicada pela Wine Spectator, provocou, entre nós, um anormal frenesim mediático. Não houve televisão, rádio ou jornal que não tivesse embandeirado em arco, com a notícia que Portugal ocupava 3 lugares entre os 10 melhores: Dow's Vintage, Chryseia e Qtª Vale Meão, todos de 2011.
Mas, que eu saiba, nenhum referiu que o Pintas 2011, embora não tivesse sido incluido nesse Top 10, por mero critério burocrático, obteve a nota mais alta, dada pela mesma Wine Spectator, a um vinho português não fortificado: 98 pontos, isto é, mais 1 que o Chryseia e o Vale Meão.
Quanto à referida pontuação, atribuida em 22 de Janeiro, mais pormenores podem ser lidos em "Pintas 2011 : será desta  vez?", crónica publicada em 28/1/2014, tendo como pano de fundo a não atribuição do prémio enólogos do ano ao casal Sandra T. Silva/Jorge S. Borges, por parte da Revista de Vinhos.
2.Fugas
A Fugas, separata do jornal Público de 22 de Novembro (Sábado passado), toda dedicada ao mundo do vinho (60 páginas!), é de leitura obrigatória por parte de todos os enófilos, militantes ou não.
Entre outros artigos, destaco "O vinho português anda à procura de um perfil mais elegante" (Manuel Carvalho), "Estará a Touriga Franca a destronar a Touriga Nacional?" (Pedro Garcias) e a entrevista com António Barreto, uma figura muito ligada ao Douro, frequentador assíduo das CAV (quando o Juca e eu éramos os responsáveis) e autor de uma intervenção de fundo na brochura comemorativa do 10º aniversário daquela loja.
Disse ele na entrevista "(...) Passei anos em que praticamente só bebia Vintage (...). Depois gradualmente comecei a dosear e descobri os 10, 20, 30, 40 anos, e depois os colheitas com data, que se são bem feitos, caramba, é muito bom. (...)". Assino por baixo!
3.Provas pagas
Recebi há dias um email da Empor Spirits & Wine, anunciando uma prova de vinhos Vanzellers & Co e Qtª Vale D. Maria, a ter lugar na garrafeira da Rua Castilho, amanhã 26 de Novembro, com a presença do Cristiano van Zeller, um dos Douro Boys.
Um programa aliciante, não fora a indicação que a entrada irá custar 5 € (!?), embora dedutíveis em compras, mas apenas dos produtos em prova e no próprio dia da dita.
Nunca, em mais de 13 anos de provas nas CAV, cobrámos um chavo! Nem em qualquer espaço que organize provas, com a excepção mais que justa dos grandes encontros vinícolas, como é o caso da Revista de Vinhos ou da Wine.

domingo, 23 de novembro de 2014

Grupo dos 3 (41ª sessão) : Poejo d' Algures no Via Graça

Mais uma sessão deste trio de enófilos da linha dura. Desta vez a responsabilidade foi do João, que trouxe os vinhos (1 branco, 2 tintos e 1 fortificado) e escolheu o restaurante. A escolha incidiu no Via Graça, sobre o qual já comentei em "Grupo dos 3 (38ª sessão) : um banquete no Via Graça", crónica publicada em 8/4/2014. Mas não é demais referir a qualidade da gastronomia e do serviço de vinhos e, ainda, a vista sobre o Tejo, a Ponte 25 de Abril, o Cristo Rei e o casario da Lisboa antiga. O único senão é a dificuldade de estacionar o carro. É preciso muita paciência, embora o pessoal do restaurante ajude a contornar este problema.
Os vinhos, provados todos às cegas, foram:
.Qtª de Bageiras Garrafeira 2012 branco - explosão aromática inicial que depois se atenua, notas tropicais, excelente acidez, alguma gordura e volume, bom final de boca. Nota 17,5.
Acompanhou bem uma série de bons petiscos (pataniscas, croquetes, presunto e patés).
Os 2 tintos eram da linha Poejo d' Algures, uma selecção de Pedro Garcia e João Quintela, produzidos por Jorge Lourenço, com enologia de Virgílio Loureiro. Há ainda um branco de 2013, produção de Margarida Cabaço e enologia de Susana Esteban, que não foi provado.
.Reserva 2011 - com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; aroma discreto, presença de fruta vermelha, acidez equilibrada, taninos vigorosos, algum volume de boca, final adocicado e persistente. Muito boa relação preço/qualidade. Nota 17,5+.
Ligou bem com um excelente tornedó de novilho.
.Sousão Grande Reserva 2011 - 100 % varietal, vinificado em lagares de granito, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; aroma mais visível, notas vegetais e algum metálico, taninos vigorosos, volume e final de boca; algo agressivo e pouco harmonioso (a harmonia chegará com o tempo?). Abaixo do esperado. Nota 17.
Maridou com perna de cabrito no forno.
.Moscatel Roxo J P 1987 - nariz exuberante, presença de citrinos e frutos secos, belíssima acidez, notas de mel, volume e bom final de boca. O vinho da tarde. Nota 18.
Casamento feliz com um creme rico queimado.
Mais uma boa sessão de convívio (o chefe João Bandeira veio à mesa e ficou conosco até ao final da refeição), comeres e beberes. Obrigado João!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Almoço com Vinhos da Madeira (16ª sessão) : tintos de 2009 e 2 Madeiras Borges de luxo

Mais uma grande sessão com este grupo de sortudos, onde os Vinhos da Madeira constituem o seu ponto mais alto. O evento decorreu na Enoteca de Belém, onde foi servido um belíssimo almoço, quase um banquete, apoiado por um serviço de vinhos de 5 *. O convite partiu do casal José Rosa/Marieta que, para além de terem suportado os custos do evento, ainda trouxeram uns aperitivos, os vinhos brancos e um Madeira de excepção. Os nossos sinceros agradecimentos!
1.Os comeres
Com o chefe Ricardo de folga, a cozinha ficou a cargo do nº 2, que desempenhou muito bem o seu papel. Do início ao fim do almoço, tudo o que veio para a mesa estava irrepreensível, a saber:
.bolo do caco com manteiga de salsa
.sopa de castanhas, cogumelos salteados e presunto crocante
.lombo de bacalhau escalfado sobre braz e azeite de salsa
.empadão de pato com salada
.doce de maçã e queijo com infusão de coentros
.selecção de queijos
.fruta tropical
2.Os beberes
Foram provados/bebidos 10 vinhos trazidos pelo grupo (2 brancos, 4 tintos, 1 Porto Vintage e 3 Vinhos da Madeira) e, ainda 1 espumante (Monte Cascas 2010, da região Távora/Varosa), simpática oferta da casa, a funcionar como bebida de boas vindas.
Os brancos (Soalheiro Alvarinho 2011 em garrafa magnum e Mirabilis 2012) de qualidade apreciável, mas com estilos diferentes, com o Soalheiro a ligar melhor com os aperitivos e o Mirabilis com a sopa. Nota 17,5 para ambos.
Os tintos eram todos de 2009, com o Chryseia (oferta do Modesto) e o Qtª da Viçosa ST (Alfredo) a acompanhar o bacalhau, e o Poeira (Juca) e o Blog (eu) a maridarem com o pato. Douro e Alentejo lado a lado, com o Blog a aguentar o embate e o Qtª da Viçosa a passar por baixo.
As minhas impressões, em linguagem telegráfica:
.Chryseia - intensidade aromática, fruta, elegância, especiado, bom volume e final de boca. Nota 18.
.Qtª da Viçosa Syrah/Trincadeira - menos complexo e aromático que o anterior, notas de lagar e algum animal, volume e final médios. Nota 16,5.
.Poeira - especiado, acidez equilibrada, taninos vigorosos mas sem bicos, volume e final longo, potência e elegância de mãos dadas. Nota 18,5.
,Blog (1º prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo) - fruta, boa acidez, notas de couro e algum lagar, taninos de veludo, estrutura e persistência. Nota 18.
Com os queijos, foi servido o Passadouro Vintage 1995 - nariz discreto, álcool em evidência, volume e final médios. Nota 16,5.
Quanto aos Madeiras, entre entradas e os pratos, para limpeza de palato, foi servido:
.Borges Sercial 1979 (oferta do J.Rosa,sem data de engarrafamento visível) - frutos secos, maracujá, notas de iodo, vinagrinho, complexidade, taninos finos, volume e final longo; secura não agressiva e grande harmonia. Nota 19.
Com as sobremesas, mais 2 Madeiras (da garrafeira do Adelino):
.Borges Verdelho 1940 (também sem data de engarrafamento) - aromático, frutos secos, vinagrinho acentuado, notas de brandy e caril, elegante, volume assinalável e final interminável. Nota 19+.
.Bual (?) um vinho centenário do produtor particular Frederico de Freitas - menos complexo e intenso que o anterior, frutos secos, caril, notas salgadas, vinaginho contido, algum volume e bom final de boca. Nota 17,5.
3.A logística
Dificilmente qualquer um outro espaço de restauração conseguirá ter a logística da Enoteca de Belém. Os copos, com excepção dos flutes para o espumante, foram todos Riedel modelo bordalês. Os fortificados agradeceram.  Foram utilizados neste repasto 130 (cento e trinta) destes copos! É obra...
4.Os finalmentes
Mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes, onde a marca Borges, ainda pouco mediática, marcou pontos e chegou ao nível da Madeira Wine, o melhor elogio que lhe posso fazer.
E não é de mais agradecer ao casal que funcionou como anfitriões na Enoteca. Obrigado Marieta! Obrigado José Rosa!


domingo, 16 de novembro de 2014

Mercado da Ribeira : 4 em 1

O Mercado da Ribeira, a par do Mercado de Campo de Ourique, num plano mais modesto, deve ser o único espaço de restauração em que se pode comer uma refeição completa, a partir de vários locais, consoante aquilo que nos está a apetecer no momento.
Na minha última visita a este viciante espaço, apeteceu-me:
.comer a "sopa rica do mar" no Sea Me (2,50 €) - estava saborosa, mas só era rica em legumes; do mar estava pouca coisa, o que só se descobre quase no final da degustação; resposta da empregada depois do meu desabafo : era o final da panela e podia ter dito. Conclusão: não deveria ter é sido servida!
.degustar umas saborosas e subtis "vieiras marinadas com manga e lima" na Marlene Vieira (7 €) - nota alta para o melhor da refeição.
.provar a gulodice "crumble de morangos e amêndoa com gelado de iogurte grego" (4 €) no Henrique Sá Pessoa - agradável ao palato.
.provar um copo de Prova Régia Reserva 2014 (2,50 €) no Bar da Odete - mostrada a garrafa, dado a provar e servida uma uma quantidade generosa; muito frutado e aromático, predominância de citrinos, fresco, belíssima acidez, notas amanteigadas e bom final de boca; gastronómico, ligou bem com as vieiras. Nota 16,5+.
O Mercado da Ribeira tem, agora, mais uns tantos espaços, a saber: Aromas e Especiarias, Bery Typical (escabeches), Caco o original (bolo do caco), Creme de la Créme (sopas), Leitão da Ribeira (100 % bísaro), Mercado do Gin Tónico, Quinta do Arneiro (produtos da terra), Sabores Santa Clara (mimos de Portalegre), Somersby (Sidra) e Yonest (iogurte grego).
Sempre a inovar!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Encontro com o Vinho e Sabores (EVS) 2014

Regressado de um fim de semana em Tavira, rumei ao EVS logo que despachado de um almoço rápido, tendo ali permanecido pouco mais de 3 horas,  tempo manifestamente insuficiente para provar a quantidade de vinhos a que me habituei em anos transactos.
Desde que iniciei este blogue em 2010, tenho publicado anualmente uma crónica contemplando as minhas impressões sobre o EVS, iniciativa da Revista de Vinhos. Fi-lo em 2010, 2011, 2012 e 2013. Em qualquer delas considerei o EVS como o acontecimento vínico do ano. É, para mim, uma ocasião única para reencontrar amigos, antigos clientes das CAV, produtores, enólogos e outros agentes do vinho.
Este EVS 2014 não foge à regra, antes pelo contrário, pois espraiou-se por 3 pavilhões, onde couberam 211 stands de vinhos, 31 de sabores e 10 de acessórios. Organizou, ainda, 10 Provas Especiais, 1 concurso de Vinhos e outro de Queijos. É obra e tiro o meu chapéu à organização!
Nos anos anteriores, comecei pelos vinhos tranquilos, tintos e brancos, esgotando-me nessa área. Quando chegava aos stands, onde estavam à prova algumas irrecusáveis referências de Porto, Madeira e Moscatel, já estava com a boca e nariz completamente neutralizados.
Este ano, até porque não dispunha de muito tempo, resolvi alterar radicalmente a metologia das provas. Ignorei os vinhos tranquilos, espumantes e correlativos, tendo-me concentrado nos fortificados.
Entre outros, causaram-me forte impressão a excelência do Burmester Colheita 1981, Barros 40 Anos e Dow's Colheita 1974, logo seguidos do Vista Alegre 40 Anos (amostra de casco), Kopke 40 Anos e Colheita 1974, Barros Colheita 1982 e Alambre 20 Anos, todos engarrafados este ano . Fora deste contexto, refiro  o Tokay Classic 2002 (6 Puttonyos). Mas, acima de todos, o sublime e viciante Blandy Bual 1969 (engarrafado em 2012), uma joia da Madeira!
E, para o ano, há mais...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Curtas (XLIII) : Descobre, Sem Dúvida e etc...

1.Descobre (R.Bartolomeu Dias, 65/69)
Já aqui referido umas tantas vezes, destaco a crónica publicada em 8/9/2014 "Descobre, mais uma vez". Nesta última visita, que calhou a uma 2ª feira, comi o prato do dia, um cabito no forno (13,50 €) de 5 estrelas. Também a sobremesa, figos em vinho tinto e gelado de baunilha (4 €), mereceu nota alta. Como aspecto menos simpático, o preço do couver (pão,azeite, manteiga e pasta de azeitonas) a chegar quase aos 5 € (4,90).
A conselho de uma das donas, bebi um copo de Qtª da Foz 2009 (4 €) - aroma complexo, especiado, notas de chocolate preto e tabaco, boa acidez, taninos domesticados e volume de boca; muito harmonioso e equilibrado. Uma boa "descoberta"! Nota 17,5+. Serviço de vinhos impecável, com a garrafa a vir à mesa e o vinho dado a provar num bom copo aferido a 15 cl.
Não me canso de o revisitar e, na primeira oportunidade, irei provar o cozido das 5ª feiras.
2.Sem Dúvida (R.Elias Garcia, 1)
Também já meu conhecido e objecto da crónica "O grupo dos 3 (16ª sessão)", publicada em 27/9/2011. Continua igual a si mesmo, muito clássico, apostando na cozinha tradicional, sem arriscar, com bom ambiente, serviço profissional (a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar), uma carta de vinhos extensa e com uma oferta a copo deveras alargada. Nesta última visita, inventariei 2 espumantes, 1 champanhe, 24 brancos, 24 tintos, 2 rosés, 3 colheitas tardias, 10 Portos e 4 Moscatéis, embora nem todos estivessem disponíveis. De qualquer modo, uma oferta a copo equiparada só a restaurantes de topo. Tiro-lhes o meu chapéu!
Bebi o tinto do Dão Qtª do Mondego (4,30 €) - frutos vermelhos, acidez equilibrada, especiado com notas de pimenta bem presentes, taninos redondos, volume de boca e final muito longo. Um perfil pouco Dão e mais internacional. Nota 17,5+.
Em resumo, um restaurante que aconselho aos enófilos.
3.Portas do Mar (Sítio Quatro Águas, Tavira)
Na minha última ida a Tavira, poisei no restaurante Portas do Mar, onde já não ia há muitos, muitos anos. É um clássico com boa e genuína cozinha tradicional algarvia, mas sem arriscar.
Surpreendeu-me a carta de vinhos, com algumas boas referências e vinhos da moda, constando o ano de colheita em todas as referências, o que é raro em restaurantes deste tipo. Lamentavelmente não apostaram no vinho a copo, limitando-se ao vinho da casa. Não tive a oportunidade de testar o serviço de vinhos.
Serviço na sala simpático, mas na cozinha uma lentidão exasperante. Quem estiver com alguma pressa, é melhor procurar outro.  

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Vinhos em família (LVII) : o rei vai nu...

Mais alguns vinhos da minha garrafeira (1 branco, 3 tintos e 1 Madeira) provados, na maioria, calmamente em casa. A excepção foi o Poeira, degustado com amigos no restaurante da Ordem dos Engenheiros.
.Artur Barros e Sousa Sercial 86 (engarrafado em 2008) - frutos secos, citrinos, vinagrinho não muito acentuado, notas de brandy, algum volume e final longo; muito seco. Um bom Sercial, mas sem esmagar. Nota 17,5.
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2011 -  com base em vinhas velhas com mais de 30 anos; côr doirada e brilhante, nariz exuberante, frutado, tropical discreto, elegante e harmonioso, boa acidez e alguma gordura, final de boca extenso; ainda longe da reforma, 3 anos de garrafa fizeram-lhe muito bem. Nota 18 (noutras situações 17,5+/17,5/17,5).
.Poeira 2007 - nariz austero, alguma fruta, notas apimentadas, acidez fabulosa, taninos civilizados, volume e final longo; elegante e harmonioso; a beber nos próximos 7/8 anos. Nota 17,5+.
.Qtª da Touriga Chã 2008 - 3000 unidades engarrafadas em 2010 - côr ainda carregada, muita fruta, nariz complexo, especiado, notas de couro e algum chocolate preto, volume apreciável e final longo. A consumir nos próximos 5/6 anos. Um grande Douro que, apesar das notas altas da crítica, ainda não é considerado uma referência pelos consumidores. Nota 18 (noutra 17,5+).
.Qtª de Pancas Grande Escolha 2008 - com base nas castas T.Nacional, Cabernet e Petit Verdot, estagiou em barricas de carvalho (o contra rótulo é omisso quanto ao tempo de estágio); nariz e boca extremamente agressivos, fumado com notas de cinza, vegetais e químicas, taninos musculados; total falta de harmonia e equilibrio. A despachar rapidamente, enquanto não bate no fundo. Nota 13 (noutras 17,5/13).
É curioso lembrar as notas que obteve quando saiu para o mercado:
.93 pontos na Wine Enthusiast
.um dos melhores vinhos em 2011 (Revista de Vinhos)
.17,5 no Guia do João Paulo Martins
.13 no Guia do Rui Falcão (o único que não gostou deste vinho)
É caso para afirmar que o "rei vai nu"!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Mexilhões em Lisboa (II)

Abriu há pouco tempo, em Lisboa (na Lx Factory) mais um restaurante dedicado, praticamente em exclusividade, aos mexilhões. Este último pertence ao grupo Moules & Co., cujo primeiro espaço, Moules & Gin, abriu em Cascais, e o segundo, Moules & Beer, em Campo de Ourique, já objecto da crónica "Mexilhões em Lisboa", publicada em 11/1/2014.
A sala situa-se num 1º andar, as mesas e bancos são em aglomerado de madeira e completamente desconfortáveis. Ambiente demasiado descontraido, naturalmente a pensar na clientela da noite. Paradoxalmente, a música de fundo não estava aos gritos.
A ementa apresenta 2 entradas (5 € cada), 10 pratos de mexilhões, servidos com batatas fritas (8,50 a 10 €) e 2 de carne (13 e 15 €).
Optei pela tábua com tártaro de salmão, tártaro de atum e vinagrete de mexilhões, como entrada, moules com gengibre e lúcia lima, como prato principal e tarte de limão merengada, como sobremesa. Tudo com qualidade. O serviço de mesa, a cargo da Inês, foi sempre deveras eficiente e de uma extrema simpatia, a que já não estamos habituados.
Quanto a vinhos, aqui é que a porca torce o rabo. Inventariei 15 brancos, 13 tintos e 3 rosés, com algumas referências que não aparecem na maior parte da restauração. O vinho da casa é o Monte da Penha, mas que só se vende à garrafa (18 € o branco e 16 € o tinto). A copo só o modesto Terras d'Alter branco e tinto. Que isto se passe nos outros 2 restaurantes (com acento tónico no gin ou na cerveja) eu entendo, mas que este espaço, dedicado ao vinho, o faça, não entendo de todo.
Ó senhores gerentes, pensem lá nisso. Disponibilizem mais algumas referências a copo, até porque os brancos não correm risco nenhum!  Assim como está, não faz qualquer sentido.
Bebi um copo do branco 2013 - muito frutado, presença de citrinos, fresco, agradável, correcto e descomplicado. Nota 15.
O vinho já vinha servido, em bom copo e em quantidade ajustada, mas a garrafa nem sequer foi mostrada. Mais uma vez, isto não faz qualquer sentido, num espaço com o acento tónico no vinho.
Ó senhores gerentes, tenham lá paciência, mas esta omissão também deveria ser um aspecto a corrigir!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Curtas (XLII) : Herdade das Servas e etc...

1.Aditamento à crónica "Herdade das Servas Revisitada"
Informaram-me há dias que os preços dos vinhos praticados no restaurante foram revistos. Este problema dos preços, referido na minha crónica, já era uma preocupação do produtor. Agora já se pode usufruir dos vinhos, no restaurante, ao preço da loja, acrescidos da respectiva taxa de serviço (5 € para a gama Monte das Servas e 6 € para a gama Herdade das Servas). Foi uma boa decisão e fico satisfeito por isso ter acontecido.
2.Cozido na Casa da Mó
Um aviso aos indefectíveis do cozido na Casa da Mó ( já aqui referido por diversas vezes), na modalidade de bufete: mudou da habitual 5ª feira para a 4ª feira. Mantém-se o preço habitual de 11 €, mas se forem 2 pagam 20 €, o que fica mais barato.
3.Verdade do Vinho
Continua a correr bem esta série dedicada ao vinho. Depois de 2 episódios dedicados ao Douro, seguiram-se a Região dos Vinhos Verdes,  Dão e Bairrada. Neste último o jornalista Luis Baila fez uma afirmação deveras surpreendente, a propósito da definição de "terroir", em resposta à pergunta da jornalista Sónia Araújo. Na sua definição de "terroir" começava por "são as pessoas...". Olhe que não, olhe que não!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Vinhos Contemporal no Vestigius

A convite do Continente, participei numa prova de vinhos Contemporal, seguida de almoço de degustação e harmonização, no Vestigius Wine Bar (ao Cais Sodré), conduzida pelo polivalente Aníbal Coutinho. A assistência pareceu-me demasiado heterogénea, não se vislumbrando o critério seguido. Blogues na área do vinho, apenas 3 ou 4!
Analisemos, então, o que bebemos e comemos:
.Loureiro 2013 (2,45 €) - fresco, bela acidez, presença de gás carbónico, para o meu gosto, para além do expectável.
Foi servido com aperitivos e funcionou como vinho de boas vindas.
.Alvarinho 2013 (2,98)- nariz discreto, presença de citrinos e algum tropical, gás carbónico praticamente ausente, gastronómico; fabulosa relação preço/qualidade.
Maridou bem com ostras.
Ambos os brancos são produzidos nas Quintas de Melgaço.
.Douro 2013 branco (1,99) - exuberante com a casta Moscatel a sobrepor-se e impor-se; algo desequilibrado e pouco gastronómico, mas pelo preço não se pode exigir mais.
Fez companhia a um trio do mar (rolo de salmão fumado, gamba marinada em laranja e carpaccio de espadarte com ovas de salmão); harmonização desequlibrada.
.Douro Reserva 2012 tinto (3,99) - nariz exuberante, frutos vermelhos (ginja?), muito concentrado e enjoativamente doce;
Servido com magret de pato, mas a harmonizar muito mal.
Os vinhos do Douro vieram da Qtª do Castelinho.
.Alentejo, produção de Rui Reguinga (ano? preço?) - mais equilibrado que o anterior, boa acidez, elegante e harmonioso, taninos presentes domesticados, algum volume de boca.
Casou bem com o magret de pato.
.Porto 20 Anos (com a chancela da Taylor's) - servido a uma temperatura excessiva, com o álcool a sobrepor-se a tudo e todos; ficou altamente prejudicado, uma pena!
Acompanhou tiramisú.
Em conclusão, alguns vinhos desequilibrados, excelentes relações preço/qualidade, gastronomia de bom nível, harmonizações nem sempre as mais felizes e serviço de vinhos com algumas falhas. 

 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Os comeres no Mercado da Ribeira : Miguel Castro e Silva (MCS)

1.Depois de ter andado pelas bancas da Marlene Vieira (crónica publicada em 8/6/2014), Vitor Claro (1/7/2014), Sá Pessoa (1678/2014) e Alexandre Silva (25/9/2014), chegou a vez do chefe Miguel Castro e Silva, a trabalhar no restaurante Largo e proprietário do deCastro (à Praça das Flores), já aqui referido em "Almoço no deCastro", crónica publicada em 7/3/2014.
A aposta do MCS é na cozinha tradicional portuguesa, com uma ou outra inovação. O menú apresenta, além de pratos de peixe e carne, meia dúzia de emblemáticos petiscos (de 4 a 5,90 €), 2 francesinhas (a puxa-carroça 9,80 € e a com hamburga e linguiça 9,50 €)  e os pratos do dia. Numa das visitas eram bacalhau no forno (8,90 €), salada de bacalhau fumado (6,50) e ameijoas com feijão manteiga (11,50).
Optei por este último prato, um ex-libris do MCS, que se apresentou saborosíssimo, mas com o feijão a esmagar as delicadas ameijoas, o que é pena. Noutra visita comi um curioso e agradabelíssimo prego com cogumelos e queijo da Ilha (7,80).
Quanto a vinhos, inventariei a copo (2 a 3,75 €) e à garrafa (9 a 16 €), 1 espumante, 4 brancos, 3 tintos, 4 Porto (a copo 2 a 4,50 € e garrafa 16 a 44 €) e 1 Madeira (4 € o copo e 42 € a garrafa). Muito bons preços!
Provei:
.Cassa Lote MCS tinto (ano?) - frutado, alguma acidez, correcto e descomplicado, volume e final de boca médios; gastronómico. Nota 15,5.
.Cassa Lote MCS 2011 branco - côr doirada, presença de citrinos e maçãs, fresco, excelente acidez, alguma gordura e volume; uma boa surpresa, uns furos acima do tinto; ainda longe da reforma. Nota 17.
A garrafa foi mostrada e aberta na altura, mas não dada a provar. Não custava nada...
2.Verifiquei, com algum espanto da minha parte, que as bancas de vinhos João Portugal Ramos e Herdade do Esporão sairam do Mercado. Os respectivos espaços foram ocupados por "Licor Beirão" e "Russian Standar Vodka" !? O que teria acontecido? O negócio não era rentável?
Lamento a decisão, eles fazem falta!


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Herdade das Servas revisitada

A convite do produtor, fui revisitar a Herdade das Servas (H.S.), já aqui referida diversas vezes, nomeadamente em "A Herdade das Servas e a Blogosfera", em 2 partes, crónicas publicadas em 22 e 23/1/2011, e, ainda, "Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas", publicada em 16/11/2013. Aí sublinhei todo o meu apreço pelos irmãos Mira (Luis e Carlos), proprietários da H.S., pelo Tiago Garcia, enólogo da casa, e pelo comercial Artur Diogo. Fazem uma boa equipa, com a qual sempre tive excelentes relações institucionais e pessoais, no meu tempo das CAV e, também, depois.
O tema desta recente visita, era a apresentação de novos vinhos e do restaurante, agora diariamente aberto ao público (excepto 3ª feira), que tem na sala o Paulo Baía, arrendatário do espaço, e na cozinha Maria da Fé Baía, sua irmã, ambos vindos do restaurante São Rosas, uma garantia de qualidade.
O grupo visitante incluia, uma vez mais, representantes da blogosfera, imprensa especializada e alguma generalista, todos tratados de igual modo, desde a Revista de Vinhos ao mais modesto dos blogues. Tiro o meu chapéu ao produtor!
Chega de introdução e vamos aos vinhos, iguarias e respectiva harmonização (ou falta dela):
.Colheita Seleccionada 2013, dado a provar antes da visita e do almoço - presença de citrinos, acidez equilibrada, alguma mineralidade e frescura, notas químicas, agradável e correcto, mas sem esmagar. Nota 16.
.Alicante Bouschet Reserva 2011 - estagiou em barricas de carvalho francês (80 %) e americano (20 %); ainda com muita fruta, boa acidez, notas de couro e pimenta, apreciável volume de boca e final persistente. Prejudicado pela temperatura de serviço, um pouco acima do recomendado. Nota 17.
Acompanhou uma sopa de tomate à alentejana (com linguiça, farinheira e toucinho laminado), com a acidez do tomate a brigar com o vinho.
.Reserva 2011 - com base nas castas Alicante Bouschet (40 %), T.Nacional, Aragonês e Petit Verdot (todas com 20 %), estagiou 14 meses em barricas de carvalho francês (70 %) e americano (30 %); aroma exuberante, boa acidez, especiado, notas de tabaco e chocolate preto, taninos presentes de veludo, bom volume de boca e final longo. Foi servido decantado e a uma temperatura correcta. Grande alentejano! Nota 18.
Maridou razoavelmente com cação de coentrada  e brilhou com um excelente e inesquecível borrego assado no forno. Casamento para a vida!
.Sousão/Vinhão 2011 - retinto, muito frutado, acidez excessiva, pouco harmonioso e um perfil nada alentejano. Apenas uma curiosidade e não lhe atribuo classificação.
Brigou com o bolinho de chocolate. Violência doméstica e divórcio à vista!
Um apelo ao produtor: façam um colheita tardia ou comprem uma quinta no Douro, para poderem ter um Porto a acompanhar as sobremesas!
Em relação ao restaurante, a cozinha é segura, o serviço de vinhos competente ( foram decantados e servidos antes da comida chegar ao prato, para poderem ser cheirados sem intromissão dos cozinhados; as temperaturas de serviço, com a excepção do 1º vinho, foram as correctas). Mais: copos Ridel, um luxo que os clientes agradecem!
O balanço é francamente bom, mas seria ainda melhor se os preços dos vinhos no restaurante, sejam a copo sejam à garrafa, fossem mais acessíveis. Afinal a marca Herdade das Servas é exclusiva e, francamente, não percebo tais preços que podem afastar potenciais clientes. Não faz sentido, para mim, o Reserva 2011 custar 18 € na loja, passar a porta e chegar ao restaurante a 30 € (o copo a 7,50 €)! Para reflexão dos meus amigos proprietários e do arrendatário...
Em conclusão, uma grande jornada vinícola e gastronómica. Obrigado, irmãos Mira!

sábado, 18 de outubro de 2014

José Avillez ao quadrado

Sobre os espaços de restauração do chefe José Avillez já publiquei algumas crónicas, sendo a primeira "Almoço no Cantinho do Avillez" em 10/9/2011 e a última "Almoço no Café Lisboa : o bloco central do Chefe Avillez" em 29/10/2013.
Recentemente fui conhecer a Pizzaria Lisboa e revisitar o Cantinho do Avillez. Eis as minhas impressões:
1.Pizzaria Lisboa
Este projecto tem, como sub-título, Zé Avillez, a confirmar o ar descontraído deste espaço, a que se juntam a eficiência e o serviço simpático.
Experimentei o Menú Executivo, disponível ao almoço, de 2ª a 6ª feira. Por 12,50 € tem-se direito ao cover (manteiga, paté, azeite, azeitonas, grissinos e fatias da pizza base), um prato a escolher entre 10 pizzas, 5 pastas, 2 risottos e 3 saladas, e ainda uma bebida (concretamente água, ficando de fora a cerveja ou um copo de vinho da casa, o que não se entende de todo). Escolhi a Pizza Fado (tomate, mozzarella, courgette, beringela, pasta de azeitona, alho e parmesão), muito fina e estaladiça. Sinceramente, gostei.
Mas, nem tudo o que luz, é oiro. Depois de me ter sido indicadas as mesas em que me podia sentar (a sala estava praticamente vazia), sentei-me numa que afinal estava reservada, sem que tal parecesse, para uma conhecida colunista do Expresso. Ó chefe Avillez, não podia investir numas sinaléticas a dizer RESERVADO? Esta "cena" poderia ter sido evitada.
2.Cantinho do Avillez
Escrevi na minha 1ª crónica, acima referida, "O serviço, com algumas falhas, ainda não está ao nível da cozinha. O tempo o afinará, creio.". Passaram-se 3 anos e, afinal, não afinou! Dois exemplos, a mesa estava francamente suja da véspera, sem que ninguém tivesse tido a maçada de a limpar; a música estava demasiado alta, para a hora de almoço, e só ao segundo pedido é que se dignaram baixá-la um pouco!
Fiquei-me por 2 entradas, ceviche de vieiras com abacate (excelente) e os emblemáticos ovos à professor século XXI (fiquei algo desiludido; se calhar, pus a fasquia muito alta).
Bebemos o branco Meandro 2013 (23 € a garrafa), uma novidade para mim - presença de citrinos, fresco, mineral, algum volume de boca, gastronómico, acompanhou muito bem as vieiras. Nota 16,5.
Serviço de vinhos correcto. Quanto às deficiências acima referidas, faço votos para que o tempo, mais uma vez, as afine!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Curtas (XLI) : Eventos e etc

1.Próximos eventos em Lisboa
.Azeites e Vinhos do Alentejo no CCB (17 e 18 Outubro)
.Restaurant Week (16 a 26 Outubro)
.Mercado de Vinhos no Campo Pequeno (31 Outubro, 1 e 2 Novembro)
2.Revista Evasões
Está no mercado o nº 198 Outubro 2014 (embora no interior se leia Setembro) da Evasões (4,90 €), número totalmente dedicada ao vinho.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cogumelos no Assinatura

É a minha 2ª visita ao Assinatura neste tempo d.h.m. (depois do Henrique Mouro). Da 1ª resultou a crónica "O 4º aniversário do Assinatura", publicada em 21/6/2014.
O tema, cogumelos silvestres, era aliciante. E a este, juntou-se a minha curiosidade em saber como o chefe Vitor Areias o iria tratar. O resultado foi francamente animador e o chefe merece nota alta.
O almoço constava de 1 entrada (Amanitas Caesarea com laranja e vinho do Porto), 2 pratos ("Bife" de Boletus com esparregado de chagas e lombo de novilho com marmelada de Boletus)  e 1 sobremesa (cherovia com gelado da mesma), a menos interessante. Tudo isto a troco de 27 €, um preço especial para "assinantes".
Com a entrada e o 1º prato, bebi um copo de Qtª do Perdigão Encruzado 2013 (5,50 €) - frutado, fresco e mineral, alguma gordura e complexidade. Gastronómico, ligou muito bem com a entrada e aguentou-se com o 1º prato. Nota 16,5.
Com o 2º prato, avançou um copo do tinto Pó de Poeira 2011 (não tomei nota do preço, pois a casa, muito simpaticamente, não cobrou) - fruta presente, acidez equilibrada, notas especiadas,  algo complexo, potente e elegante em simultâneo. Um bom exemplar do ano 2011 e de um vinho a preço acessível. Acompanhou muito bem o lombo de novilho. Nota 17,5.
Serviço geral e, especificamente, o de vinhos, impecáveis. Profissionalismo e simpatia. Apenas uma nota: a temperatura do tinto poderia estar ligeiramente mais baixa.
Conclusão: gostei francamente e recomendo!

domingo, 12 de outubro de 2014

Novo Formato+ (18ª sessão) : tintos 2005 em prova

Esta última sessão foi da minha inteira responsabilidade, pois levei vinhos da minha garrafeira e escolhi o restaurante. Mais uma vez a Enoteca de Belém esteve à altura do evento, com o chefe Ricardo inspirado e o serviço de vinhos 5 *, a cargo do Nelson. Talvez tivesse sido a minha melhor refeição ali feita.
A bebida de boas vindas foi o espumante Kompassus Blanc des Noirs, simpática oferta da casa, a portar-se muito bem. A seguir, desfilaram os meus vinhos (2 brancos Bairrada 2012 que a RV pontuou, recentemente, com 18 pontos, 4 tintos Douro 2005, provados às cegas 2 a 2, e um Solera da saudosa casa Artur Barros e Sousa):
.Pai Abel - nariz muito afirmativo, presença de citrinos, bela acidez, mineralidade, alguma gordura, equilibrado e harmonioso, algum volume e final de boca extenso. Um dos melhores brancos portugueses. Nota 18.
.Aliás - um branco totalmente desconhecido, com base na casta Bical e 11,5 % vol.; nariz contido, notas fumadas, madeira ainda presente, acidez e gordura; assinalável volume de boca; nitidamente um branco de Outono/Inverno, gastronómico, mas a precisar de mais uns meses de garrafa. Nota 17,5.
Estes brancos acompanharam uma série de pequenas entradas (mexilhão escalfado em vinagrete, tártaro de salmão e um surpreendente figo com queijo de cabra). Melhor a ligação do Pai Abel com o salmão e a do Aliás com o figo.
.Qtª Vale Meão - aroma austero, especiado, notas de tabaco e chocolate, muito elegante e harmonioso, excelente acidez, taninos domados, volume e final interminável. Em excelente forma. Nota 18,5.
.Terrus - funcionou como joker, uma vez que era muito mais barato do que qualquer um dos outros vinhos (chegou a ser o tinto do Douro mais vendido nas CAV); nariz contido, belíssima acidez, elegante, algum volume e final longo. Portou-se bem e está para durar. Nota 17,5+.
Estes 2 primeiros tintos maridaram com um prato de polvo, batata doce e grelos.
.Pintas - ainda com fruta, acidez equilibrada, especiado e complexo, taninos ainda por domesticar, assinalável volume e final de boca. Muito longe da reforma. Nota 18,5.
.Robustus - alguma fruta e acidez, pouco harmonioso, bom volume e final de boca; falta-lhe complexidade; abaixo do esperado e muito longe da versão 2004. Uma decepção. Nota 17.
Fizeram companhia a um excelente borrego com cogumelos e puré de couve flor.
.ABS Bual Solera 1963 - frutos secos, iodo, alguma acidez, especiado, acentuado volume de boca e final muito longo. A beber com todo o respeito. Nota 18,5.
Acompanhou uma tábua de queijos, sericaia e fruta laminada.
Foi mais uma grande sessão de convívio, comeres e beberes.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A CVR Tejo e o meu dia azarado

Informaram-me e confirmei na página da CVR Tejo, em grande destaque, a quinzena de harmonização de vinhos Tejo com a gastronomia ribatejana. Lê-se : "Tejo Gourmet - V Concurso de Vinhos e Iguarias do Tejo decorre entre 4 e 19 de Outubro". Foram escolhidos uns tantos espaços de restauração espalhados pelo país, ficando Lisboa, inexplicadamente, reduzida apenas a 2: a Gondola (um  restaurante que parou no tempo) e a Taberna da Rua das Flores.
Dirigi-me a este último, precisamente na 3ª feira dia 7 (portanto, 3 dias após o início do Tejo Goumet) e, qual foi o meu espanto, quando o empregado que me atendeu disse não saber de tal coisa! Perante a minha insistência, telefonou para o gerente a saber o que se passava. Na sequência do telefonema, foi-me dito que o gerente estava fora, mas mal regressasse iria organizar o menú de harmonização. Que sentido das responsabilidades, por parte da Taberna! Que má escolha, por parte da CVR Tejo! Cartão amarelo para ambos!
Mas o meu dia azarado não se esgotou aqui. Inviabilizado este almoço, dirigi-me ao espaço Santa Gula, uma petisqueira situada na Rua do Alecrim, que tinha interesse em conhecer. Bati com o nariz na porta, já devia passar das 13 horas. Estava fechada, embora no horário de funcionamento, ali afixado, constasse a abertura às 12 h, de 3ª feira a Domingo!
Moral da história: um azar nunca vem só!  

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Vinhos em família (LVI) : brancos em alta, um deles surpreendente

Mais uma série de vinhos, provados com o rótulo à vista e sem a pressão da prova cega. Foram 3 brancos (1 deles surpreendente) e 2 tintos :
.100 Hectares 2012 - um branco duriense, com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio; enologia de Francisco Montenegro (Aneto, Terrus, entre outros); presença de citrinos, acidez, mineralidade, alguma gordura, equilibrado, volume de boca e final médios; gastronómico, acompanhou bem um prato de bacalhau. Uma boa surpresa. Nota 17,5.
.Qtª da Murta Clássico 2007 - fermentou em barricas de carvalho francês e americano; côr dourada, fruta madura, ligeira oxidação, notas fumadas, acidez fabulosa, alguma gordura, assinalável volume e final de boca; nobre, complexo e harmonioso. Um surpreendente branco, já com 7 anos, muito gastronómico, que me apaixonou. Ainda pode ser encontrado no mercado. Nota 17,5+.
.Morgado de Stª Catherina 2012 - estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; nariz contido, fruta madura, madeira ainda presente a precisar de tempo na garrafa, belíssima acidez, alguma gordura, volume de boca; perfil algo diferente das versões 2008 (a melhor de todas) e 2009. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17.
.CARM Reserva 2010 - com base nas castas T.Nacional, Tinta Roriz, T.Franca e Tinta Francisca, estagiou 18 meses em barricas de carvalho americano e francês; ainda com fruta, alguma frescura e acidez, rusticidade, volume e final de boca medianos; alguma desilusão em relação a colheitas anteriores, ficando à espera do 2011, um ano excepcional. A consumir de imediato. Nota 15.
.Poliphonia Signature 2008 - com base nas castas Alicante Bouschet e Syrah, estagiou 18 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz complexo, acidez equilibrada, especiado, notas de pimenta, chocolate e couro, volume acentuado e final longo. Em forma mais 3/4 anos. Não é o melhor do mundo, como saloiamente foi propalado aos quatro ventos, há alguns anos,  mas é muito bom. Nota 18.

sábado, 4 de outubro de 2014

Curtas (XL)

1.Vinhos e Gastronomia na TV
Na minha última Curtas (XXXIX), publicada em 25/9, tinha alertado os seguidores deste blogue para os programas Verdade do Vinho (RTP2, 3ª feira 22h45) e Guerra dos Pratos (Fox Life, 5ª feira 21h45).
Quanto ao primeiro, que conta com o apoio da ViniPortugal, não podia ter começado da melhor maneira, precisamente com os nossos amigos Douro Boys (Cristiano van Zeller, Dirk Niepoort, Francisco Ferreira, Francisco Olazabal e Tomás Roquete), presença constante nas provas e jantares vínicos organizados pelas CAV e em cujas quintas fomos recebidos principescamente.
Dali para o DOC, onde os apresentadores Sónia Araújo e Luis Baila (este jornalista dá indicações de quem percebe de vinhos) estiveram com o chefe Rui Paula, que abordou as harmonizações da comida com o vinho.
Seguiu-se a visita à Quinta da Gaivosa, onde o veterano Domingos Alves de Sousa e o jóvem Tiago, seu filho e enólogo da casa, também eles presentes em eventos nas CAV, conduziram uma vertical com as colheitas 1995, 2000 e 2005.
Terminou este 1º episódio, que ainda pode ser visto pelos utentes da antiga Zon, numa das quintas da Sogrape, onde tiveram a companhia de Manuel Guedes, Director do Clube 1500.
Quanto ao segundo programa, Guerra dos Pratos, o seu interesse é nulo ou quase!
2.Novas garrafeiras e lojas gourmet
Há alguns meses, abriram:
.Spirits & Wine (R. Castilho,201 D), pertencente a uma distribuidora. A responsável da loja é a Eugénia Vasconcelos, vinda da Wine O' Clock e uma das fundadoras da garrafeira VinoDivino, a quem chamávamos, carinhosamente, as "Meninas da Lapa";
.Douro Meu, o Gourmet Duriense (Saldanha, junto ao C.C. Monumental). Aposta no Douro, como o nome sugere, mas confinada a um espaço ínfimo, quase um vão de escada.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Bastardo : um rol de irreverências

Não, neste caso Bastardo não é nome de casta. Trata-se de um espaço de restauração pertencente ao Internacional Design Hotel, situado na Rua da Betesga,3 - 1º, com vistas para o Rossio e Rua Augusta.
As irreverências são mais que muitas:
1ª - o nome;
2ª - logo à entrada depara-se-nos 2 quadros, com uma das figuras a dizer "Vai à merda" e a outra a responder "Vai tu";
3ª - a sala muito informal, onde as mesas e as cadeiras são feitas de restos de madeiras; nos toalhetes de papel pode ler-se "On this magic placement calories don't count.You´re welcome. Enjoy.";
4ª - a ementa, onde consta Partida (7 entradas), Largada (8 pratos) e Fugida (6 sobremesas);
5ª - a carta de vinhos, nada óbvia, elaborada com base em vinhos de quinta, quase todos desconhecidos; está dividida em 2 partes,  oferecendo a primeira 2 espumantes, 7 champanhes, 8 brancos, 9 tintos e 2 rosés, que podem ser consumidos à garrafa ou a copo (12 cl, o que é manifestamente curto), enquanto que na segunda parte aparecem 6 vinhos Mediáticos e 3 Históricos e Biológicos (!?).
Quanto à minha visita, optei pelo Tacho do Dia (disponível de 2ª a 6ª feira), que contempla o couver (pão quente para molhar no azeite transmontano Meirinho, com 0,2 de acidez), sopa, prato, sobremesa, bebida e café. Tudo isto a troco de 15 €. Para um restaurante de hotel, é barato.
A intenção é boa, mas a gastronomia deixa muito a desejar: sopa deslavada, pato estufado (mais me pareceu frango) com arroz de caracóis (!?) e, ainda, pera bêbeda (estava bem sóbria, pois era muito verde e o vinho não conseguiu embebedá-la!).
A bebida foi o vinho da casa, o branco Poço do Canto 2013, em bag in box, servido num jarrinho e dado a provar - fruta madura oxidada, ligeira acidez, gastronómico mas pesado, desaparece rápido da boca. Bebe-se uma vez, por engano. Nota 12.
Os tintos estavam à temperatura ambiente, logo quentes. Um dos vários aspectos a corrigir.
Serviço na sala profissional, cozinha muito demorada e música demasiado alta.
Em conclusão, é um espaço a frequentar por quem goste das irreverências citadas e a evitar por quem não as aprecie.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Grupo dos 3 (40ª sessão) : Quinta dos Carvalhais em prova

Depois de um longo intervalo de 4 meses (!), este núcleo duríssimo dos 3 (Juca, João e eu) voltou a reunir-se em mais um almoço para provar vinhos às cegas, vindos da minha garrafeira (2 brancos e 1 tinto, todos da Qtª de Carvalhais e, ainda, 1 ice wine austríaco. Este regresso não podia ter sido melhor : o repasto decorreu no restaurante Avenue, com um menú criado pela  Marlene Vieira, uma chefe em ascensão que eu já referi neste blogue por diversas ocasiões. Acresceu um serviço de vinhos de luxo, a cargo do Giscard Müller e Manuel Moreira, escanção já consagrado e colaborador da revista Wine, já nossos conhecidos do GSpot, em Sintra.
Ainda antes da prova, vieram para a mesa o azeite transmontano Distintus, dois patés e uns deliciosos peixinhos da horta crocantes. Começada a degustação, desfilaram:
.Encruzado 2012 - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, presença de citrinos e maçãs, fresco e mineral, boa acidez, equilibrado, elegante e harmonioso. Nota 16,5+ (noutras situações 17/17/16/16,5).
Ligou muito bem com cavala marinada e puré de cenoura.
.Branco Especial - resultante de um lote com as colheitas 2004, 2005 e 2006, estagiou um longo período em barricas usadas de carvalho francês (foi engarrafado em Dezembro de 2013); aroma exuberante, presença de fruta madura, notas de frutos secos, alguma gordura, complexidade, madeira muito bem integrada, volume assinalável e final longo. A harmonia que lhe faltava, quando o provei há 3 meses aí está em pleno. Grande branco! Nota 18 (noutra 17,5).
Gastronómico, maridou muito bem com choquinhos em sua tinta e arroz dos mesmos.
.Reserva 2007 - estagiou 1 ano em barricas novas de carvalho francês; nariz afirmativo, notas florais, acidez q.b., elegante, taninos domados, algum volume e final de boca. Esperava maior complexidade. Nota 17 (noutras 17,5/18,5).
Fez companhia a leitão assado e puré de aipo, mas sem brilhar.
.Kracher Grand Cuvée Trockenbeeren Auslese 2004 (10,5 % vol.!) - nariz exuberante, boca complexa, presença de citrinos, frutos secos, acidez equlibrada, notas meladas, volume e final acentuados. Nota 18 (95 pontos no Robert Parker).
Boa harmonia com uma sobremesa de papo d'anjo e gelado caseiro.
Grande "rentré", neste belíssimo espaço, com  gastronomia e serviço de vinhos 5 *!
.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Curtas (XXXIX) : Vinhos e Gastronomia na TV

1.Verdade do Vinho
Com o apoio da ViniPortugal, vai passar na RTP2, pelas 22h50, a partir de 30/9, uma série de 13 episódios dedicados ao vinho. O 1º é dedicado ao Douro, seguindo-se as restantes regiões vitivinícolas, com excepção do Algarve, esquecida dos organizadores do programa.
2.Guerra dos Pratos
Começa hoje pelas 21h45, no canal Fox Life, com o apoio das Pousadas de Portugal, uma série dedicada à cozinha tradicional portuguesa. Terá a supervisão do chefe Alexandre Silva, por coincidência objecto da minha crónica de hoje.

Os comeres no Mercado da Ribeira : Alexandre Silva

Depois de ter falado das bancas dos chefes Marlene Vieira, Vitor Claro e Henrique Sá Pessoa, hoje é a vez do Alexandre Silva, actualmente o chefe da Bica do Sapato. O respectivo cardápio refere 5 referências para picar, 5 entradas (5 a 6 €), 5 pratos principais (8 a 10 €) e 5 sobremesas (4 a 4,50 €).
Nas entradas pode optar-se por sardinha marinada, farinheira de porco alentejano, gaspacho de tomate, ceviche de bacalhau fresco e cardume de joaquinzinhos, enquanto que nos pratos a oferta passa por hamburguer de boi, peixe do dia, barriga de porco confitada, bochecha de vitela e risoto negro com vieiras salteadas.
Em 2 visitas, experimentei a sardinha marinada, a barriga de porco confitada com puré de ervilhas (duas interessantes apostas) e o risoto negro com vieiras (fabuloso!).
Quanto a vinhos, a oferta a copo tem algumas sugestões interessantes e preços simpáticos. A garrafa é mostrada, mas o vinho é servido, sem ser dado a provar. Numa das visitas não resisti ao rosé Barranco Longo 2013 (3,50 €) - nariz exuberante, fruta, acidez, alguma gordura e volume; muito gastronómico e polivalente. É o meu rosé. Nota 17+. Na outra servi-me na banca do Esporão o branco Reserva 2013 (4 €) - fresco, mineral, potência de boca em simultâneo, muito equilibrado e gastronómico. É dos brancos alentejanos mais interessantes que conheço. Nota 17,5+.
O Mercado da Ribeira já não tem as enchentes e a confusão dos primeiros dias, geradas pela novidade. Está-se muito mais à vontade. Continuarei a ir, até porque me falta frequentar a banca do chefe Miguel Castro e Silva.
O serviço de limpeza continua eficiente, mas agora também fazem um apelo, com algum sentido de humor, aos clientes daquele espaço, com a introdução de carros para recepção de tabuleiros. Em letras grandes, num deles lia-se "PSTTT!!!" e no outro "OH LINDINHA", seguido de "Ponha aqui o seu tabuleiro. Obrigado."

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Evento "Wine Bloggers" na Adega José de Sousa

1.Preâmbulo
A convite da José Maria da Fonseca (JMF), mais uma vez, 12 bloguistas visitaram a centenária Adega José de Sousa, adquirida pela família Soares Franco em 1986. A JMF tem estado muito atenta ao mundo da blogosfera e organizado uma série de eventos com a nossa participação, não é demais lembrá-lo. Deste aspecto já me tinha referido em crónica anterior "Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca - versão 2013", publicada em 19/11/2013. Tiro-lhes o meu chapéu!
Fomos recebidos pelo Domingos Soares Franco e pela Sofia, que nos acompanhou desde Lisboa.
2. A Adega
A Adega José de Sousa foi fundada por José de Sousa Faria e Mello, tio avô de José de Sousa Rosado Fernandes, ainda no século XIX. É detentora de um apreciável património histórico, onde se inclui um menir (!), cerca de 100 talhas e uma quantidade de peças não identificadas. Ainda há ali muito trabalho de arqueologia a fazer.
É claro que também possui um núcleo moderno com mais de 40 tanques de inox, para vinificação dos brancos e tintos que produz, mas o que mais impressiona é o núcleo histórico. De destacar uma ampliação do rótulo do 1º vinho que se conhece:
José de Sousa Faria e Mello
Vinho Tinto
Reguengos
1878
3.A prova
Orientada pelo Domingos, provámos  os vinhos de 2011 (José de Sousa, José de Sousa Mayor e o J), muito bons no seu respectivo patamar, com os quais eu já travara conhecimento noutras provas. Antes dos 2011, avançaram os Montado 2013, branco e tinto e, ainda, umas amostras de Trincadeira 2012, vinificada separadamente em inox, lagar e potes (talhas), que valeu pela curiosidade.
A grande surpresa, para mim, foi o Montado branco - muita fruta fresca, belíssima acidez, equilibrado, elegante e harmonioso. Teria maridado bem com o gaspacho. Com um PVP abaixo dos 3 € é um achado!
4.O almoço
Em mesa posta entre as talhas e com o menir à vista, decorreu o almoço regado pelos vinhos de 2011, provados anteriormente. O colheita a conflituar com o gaspacho (desta vez a sopa de ervilhas à Domingos Soares Franco não apareceu, pois está confinada a Azeitão), mas o Mayor e o J em grande harmonização com carne de porco à alentejana com migas clássicas e de tomate (melhores as primeiras). Com a mousse de chocolate e o abacaxi avançou o belíssimo Moscatel Alambre 20 Anos (engarrafado em 2013). Foi a cereja em cima do bolo!
Mas a grande surpresa veio já quase no final do repasto: foram abertas e provadas 2 garrafas de 1940, em cujos rótulos se podia ler:
o vinho da Casa Agricola José Rosado Fernandes
Reguengos de Monsaraz
Alentejo
telefone 5224
É puro surrealismo esta referência, em pleno rótulo, ao telefone da empresa. Mas nenhuma indicação quanto ao teor alcoólico!
Estas 2 garrafas, com a proveta idade de 74 anos, mostraram-se muito diferentes, mas de perfeita saúde. Uma delas, para mim a mais interessante, fez-me lembrar, tanto no nariz como na boca, um tawny velho. Não se aguentando com a carne de porco, ligou perfeitamente com a mousse. O apaixonante mundo do vinho não para de me surpreeder!
5.Os sortudos
Para memória futura, participaram neste evento:
.Adegga (André Cid, André Ribeirinho e Daniel Matos)
.Comer, Beber, Lazer (Carlos Janeiro)
.Copo de 3 (João Carvalho)
.Enófilo Militante (eu próprio)
.Joli Wine & Food (Jorge Nunes)
.Magna Casta (Ricardo Oliveira)
.O Vinho é Efémero (Elias Macovela)
.O Vinho em Folha (Paulo Mendes)
.Os Vinhos (Pedro Barata)
.Reserva Recomendada (Rui Pereira)
6.A fechar
Cada um de nós levou para casa 2 garrafas de José de Sousa 2011 (o colheita e o Mayor), oferta simpática dos anfitriões. Obrigado Domingos! Obrigado Sofia!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Curtas (XXXVIII)

1.Comer e beber em Centros Comerciais
É quase sempre um suplício, para mim, comer e beber em Centros Comerciais (C.C.), à base de tabuleiro na mão, paga na caixa e desaparece para a vala comum. Normalmente acompanho o "fast food" com cerveja, pois serviço de vinhos é coisa que não existe.
Esta afirmação era verdadeira até há pouco tempo. Recentemente, abriu no C.C.Allegro Alfragide um espaço de restauração que veio contrariar as ideias feitas, quanto a comer e beber nos C.C.. Este novo espaço dá pelo nome de Serra da Estrela - Allegro, mas não tem qualquer ligação com o Serra da Estrela do C.C. Amoreiras, segundo me disseram.
É um restaurante, perfeitamente delimitado, com um simpático atendimento à chegada. Pode beber-se vinho à garrafa ou a copo (só o da casa), tendo eu constatado que o serviço cumpre as regras básicas e está muitos furos acima da maioria dos restaurantes em Lisboa. A garrafa vem à mesa e o vinho é dado a provar, antes de ir para o copo.
Bebi, a copo (aceitável, mas podia ser melhor), o branco Encostas da Estrela 2012, um Dão da Adega Cooperativa de Tazém. Frutado, fresco e descomplicado, sem outras pretensões que não sejam fazer boa companhia à comida. Por 1,75 € (!), não se pode exigir mais.
A gastronomia ainda não encontrou o seu caminho (já comi bons pratos e outros para esquecer) e quanto aos guardanapos, o papel é tão rasca que se rasga logo que se limpa a boca. Ó senhores do Serra da Estrela, se não querem pôr guardanapos de pano (mas aí marcavam bem a diferença), ao menos invistam num papel mais resistente!
2.Restaurantes revisitados
.Descobre (R.Bartolomeu Dias) - é sempre um prazer voltar a este espaço (restaurante e mercearia): ementa original, muitas referências para picar e a possibilidade de se ir buscar o vinho à sala do lado (preços de garrafeira) e pagar mais 20 % da taxa de rolha. Bom serviço de vinhos.
.Este Oeste (CCB) - já zurzi fortemente o serviço deste simpático espaço, mas na última visita as coisas correram melhor, excepto a espera que foi demorada; a comida seja italiana ou japonesa tem tido sempre qualidade e a esplanada, com vista para o Tejo, é uma mais valia.
.Crôa (Praia Grande) - é um restaurante de praia, onde o peixe tem a melhor relação preço/qualidade que eu conheço; também tem comida de tacho, que não conheço mas quero experimentar no inverno; vistas para o mar, são também uma mais valia.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O Mercado de Sabores do Continente


No último Sábado estive, a convite da organização, no Meo Arena, onde decorreu o Mercado de Sabores, organizado pelo Continente.
Auto intitulado de o 1º grande evento de "street food" em Portugal, contou com a participação de 5 mediáticos chefes (Hélio Loureiro, Sá Pessoa, Kiko Martins, Justa Nobre e Luis Baena) em "showcookings" abertos.
Para além disto, estavam presentes mais de 60 bancas com produtos da terra, enchidos, queijos, doçaria, etc, alguns dos quais em prova. À conta destas degustações, muito boa gente ficou almoçada.
Quanto a vinhos, podiam ser provados nas bancas de algumas dezenas de produtores que trabalham com o Continente, os quais se limitaram a trazer as suas gamas de entrada e um ou outro vinho de gama média. Fora do contexto, estava o belíssimo Morgado de Stª Catherina 2012 que provei e voltei a provar, apagando a má impressão deixada pela colheita de 2010. Custa menos de 10 € e é, para mim, a melhor relação preço/qualidade em brancos portugueses. Uma falha: não detectei qualquer ponto de lavagem de copos. À atenção da organização.
Também estavam em prova os vinhos Contemporal, marca exclusiva do Continente, dos quais, por curiosidade, degustei um Madeira Doce 3 Anos. Parecia que tinha posto na boca borracha queimada! Como é possível vender-se um Madeira com este perfil? Afugenta qualquer principiante!
A fechar, almocei uma muito boa e enorme sandes de paio do cachaço (4 €) numa das poucas bancas do Pátio dos Petiscos. Acompanhei com uma imperial, pois naquele espaço não havia ninguém a vender vinho a copo, o que não faz sentido.  

domingo, 14 de setembro de 2014

Perplexidades (X)

A crónica de hoje é mais uma achega para a história das Coisas do Arco do Vinho, respeitante ao período Setembro 1996/Março 2010, quando a gestão (do Juca e minha) era da nossa responsabilidade. A 1ª foi publicada em 8/5/2011 e a última em 15/5/2013, onde, quem tiver curiosidade, pode aceder às outras 8 crónicas (há um "link" para cada uma delas). São histórias insólitas, todas presenciadas por mim, envolvendo figuras públicas ou com responsabilidades no mundo do vinho.
A perplexidade que hoje conto diz respeito a uma figura que teve responsabildades institucionais no mundo do vinho, mas que não as soube separar dos seus interesses pessoais. A história conta-se em 5 actos:
1.Antecedentes
A pedido dessa entidade as CAV apoiaram, durante algum tempo, um determinado espaço, fornecendo uma série de acessórios para o serviço do vinho, copos, decantadores, etc.
As relações institucionais e pessoais eram as melhores.
2.Onde entram os interesses pessoais
Num dos contactos com as CAV, a personagem em causa, levou algumas amostras de vinhos da família, com a esperança que passassem a fazer parte do portefólio das CAV.
3.O nosso painel de prova
À semelhança do que se passava com todas as amostras enviadas para a Loja, estes vinhos foram provados às cegas pelo nosso painel de prova, por onde passaram, entre outros, o Rui Falcão, Pedro Gomes, João Quintela e Nuno Garcia. Azar dos azares, os vinhos não ficaram nos 3 primeiros lugares, logo foram rejeitados.
4.A vingança
Quando a personagem em causa lançou uma revista institucional, uma ou mais das suas páginas era dedicada a garrafeiras ou lojas da especialidade. A nossa Loja, na altura a mais badalada de Lisboa, foi completamente ignorada. Só podia ter sido por vingança.
5.A nossa reacção
A nossa reacção foi imediata, tendo inquirido a personagem em causa se teria esquecido o nosso apoio, sem o qual o seu espaço não teria tido o mesmo significado.
Encostada à parede, a personagem em causa não teve outro remédio senão enviar a Lisboa um jornalista para nos entrevistar, com vista à publicação na revista respectiva, o que veio a acontecer.
6.Moral da história
Os interesses pessoais não se devem sobrepor aos institucionais!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Almoço com Vinhos da Madeira (15ª sessão) : tintos 2008 em alta e 2 fortificados para a História

Mais uma grande sessão com este grupo de 14 enófilomadeirenses, embora apenas 1 seja genuino! Desta vez, o evento decorreu em S. Francisco da Serra, "chez" casal Juca e Lena, que se responsabilizaram praticamente por todos os comeres. Já em crónicas anteriores referi os seus dotes culinários e, por isso, não me vou repetir. Mas não resisto a afirmar que o rabo de boi, mais uma vez, estava de 5 *.
Foram provados e bebidos 9 vinhos (o espumante e os brancos foram oferta do anfitrião):
.como bebida de boas vindas, o espumante Qtª Poço do Lobo 2009 (porta-se sempre bem e tem uma relação preço/qualidade invejável. Nota 16,5);
.com as entradas (queijo fresco com tomate seco, picadinho de tomate, cebola e pimentos e, ainda, salada de bacalhau e grão), um branco de Marlborough (Nova Zelândia) o Ribbonwood Pinot Gris 2012, com tampa de roscar, que cumpriu bem a sua missão mas sem suscitar paixões (16);
.a limpar o palato, um Madeira Borges Sercial 15 anos, sem data de engarrafamento (?), trazido pelo João, que se portou bem, mas sem a complexidade dos Madeiras mais velhos que estão noutro patamar (17);
.com os pratos (o já badalado rabo de boi com puré de batata e bacalhau no forno, que não cheguei a provar) 3 tintos de 2008 que se portaram a grande altura: Antónia Adelaide Ferreira (18,5) da garrafeira do J.Rosa, Qtª do Noval (17,5+) levado por mim e Qtª da Touriga Chã (17,5+) oferta do Alfredo;
.com os queijos (Serra, Terrincho da Qtª da Veiguinha e outros): Soalheiro Alvarinho Reserva 2010, a seguir o caminho do 2007 e a ligar muito bem com o Serra (18) e o grande Vintage Fonseca 1994, da garrafeira do Adelino, a ligar muito bem com o Terrincho e a entrar agora na sua melhor fase, ainda com muita fruta e juventude, complexidade, óptima acidez, volume e final longo; equilibrio e harmonia (18,5+);
.com as sobremesas o Madeira Blandy Bual 1969 (engarrafado em 2012; nº 481 de 1542, uma raridade), oferta do Modesto, a mostrar grande complexidade, frutos secos, vinagrinho, notas de caril e brandy, potência de boca e final interminável (19).
Resumindo, grande convívio, beberes (quase todos) e comeres de excepção. Obrigado, anfitriões!


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Curtas (XXXVII)

1.Regressado de férias
Após 1 semana de férias, passada em Berlim e Dresden, o blogue está de regresso.
Como balanço, na área vínica, posso dizer:
.Depois de ter começado com a cerveja, nos primeiros dias, fiz agulha para os brancos, de um modo geral, com alguma qualidade.
.Em qualquer dos espaços de restauração frequentados, incluindo os restaurantes dos hotéis de 4 *, o serviço de vinhos deixa muito a desejar. O copo já vem servido e a garrafa só é mostrada a pedido.
.Os copos são, de um modo geral, de qualidade (Schott Zwiesel, Spiegelau, etc) e as quantidades tanto podem ser 10 cl como 20 cl (!).
.Os preços oscilam entre os 4,20 e os 6 €, o que não é caro, atendendo à quantidade servida (no caso dos 20 cl).
.A TAP serve, a acompanhar as inenarráveis refeições, o Esteva 2013 e o branco Paulo Laureano Clássico 2013. Com copos de plástico, estes vinhos de gama de entrada servem perfeitamente.
2.Gosto de Portugal
Tive a pachorra de ver os 30 episódios desta série. O apresentador, Rodrigo Meneses de seu nome, tem uma postura um tanto desleixada, comendo e falando ao mesmo tempo. "Fantástico", diz ele a propósito ou a despropósito de quase tudo. Muitas vezes, ficamos sem saber quem são os interlocutores ou os espaços onde a acção se desenrola. Legendas, precisam-se!
Embora tivesse dedicado alguns episódios ao vinho (Qtª de Santana, Barranco Longo, Qtª da Lapa, João Portugal Ramos, Taylor's, Adega da Cartuxa, Susana Esteban, Filipa Pato e Symington, por ordem cronológica), por vezes parecia não saber pegar no copo! 
O Miguel Pires, autor dos conteúdos, merecia melhor.  

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Vinhos em família (LV) : algumas desilusões

Mais uma série de vinhos, provados com o rótulo à vista, calmamente em família. Desta vez foram todos brancos, 2 Alvarinhos (um genuino, o outro não), 1 Arinto de Bucelas e 2 Reservas, com algumas desilusões pelo meio.
.Vale dos Ares Alvarinho 2013 - produzido por MQ Vinhos, Lugar do mato (Monção), com enologia de Gabriela Albuquerque; presença de citrinos, notas florais, mineral, volume e final de boca médios; um branco certinho, agradável e descomplicado, próprio para esta estação. Falta-lhe alguma complexidade para dar o salto para outro patamar. Nota 16,5.
.Adega Mãe Alvarinho 2012 - austero, sem a exuberância da casta, fruta fresca, acentuadamente mineral, acidez equilibrada, elegante e harmonioso. A casta Alvarinho a dar-se bem em Torres Vedras. Nota 16,5+ (noutra situação, a mesma nota).
.Morgado Stª Catherina 2010 - défice de acidez, pesado na boca; uma grande desilusão esta garrafa de um dos brancos que mais gosto. Fico na dúvida, azar com a garrafa ou esta colheita já foi? Nota 14 (noutras 17,5+/17,5/17,5+).
.Dory Reserva 2012 - produzido pela Adega Mãe, com base nas castas Viosinho, Chardonnay e Viognier, fermentou em barricas de carvalho francês e fez "batonnage" durante 6 meses; fruta madura, acidez muito equilibrada, alguma gordura, notas fumadas, madeira bem casada, volume de boca evidente. A única crítica: os 14% de álcool, um exagero. Nota 16,5+.
.Qtª dos Carvalhais Reserva 2010 - lançado agora pelo Clube 1500 da Sogrape, com base nas castas Encruzado e Verdelho, após 3 anos em barricas de carvalho, uma violência; complexidade aromática, fruta madura, excesso de madeira, alguma acidez mas insuficiente, gordura. É um branco muito pesado, mesmo na época mais fria. Muito abaixo das  expectativas criadas. Nota 14,5. Fico curioso em saber que apreciações irá ter, da parte da crítica consagrada.
.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Quadro de Honra de Moscateis

Termino o balanço dos QH com os Moscateis e afins (aqui incluo a casta Bastardo). Em relação a 2013, elegi mais 4, dos quais 2 são da Madeira, passando o nº de eleitos para 19, o que corresponde 5,7 % do total e 17,6 % dos fortificados.
Em pormenor:
1.Moscatel de Setúbal, incluindo o Bastardinho (todos da José Maria da Fonseca)
.com 19,5 - 3 (1952, Superior 1955 e Roxo 1960)
.com 19 - 2 (Roxo 1900 e Trilogia)
.com 18,5+ - 5 (1967, 1973, Roxo Superior 1971, Superior 1962 e Roxo 20 Anos engarrafado em 2014)
.com 18,5 - 3 (1918, Superior 1975 e 20 Anos engarrafado em 1986)
.com 18 - 3 (Roxo 20 Anos, Alambre 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)
2.Moscatel do Douro
.com 19 - 1 (Secret Spot +40 Anos)
3.Moscatel da Madeira
.com 19 - 1 (Artur Barros e Sousa de ano desconhecido e engarrafado em 1997)
.com 18,5 - 1 (Artur Barros e Sousa 1890)
A sublinhar: o pleno da JMF nos Moscateis de Setúbal e a entrada da ABS neste QH.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quadro de Honra de Vinhos da Madeira

1.Por casta
Já são 52 os eleitos (mais 11, em relação a 2013), ou seja, 15,6 % do total do QH e 48,1 % dos fortificados. Desagregando:
.Bual - 19
.Verdelho - 10
.Malvasia - 9
.Terrantez - 8
.Sercial - 6
Destaque para a casta Bual, a minha preferida, que representa mais de 1/3 (precisamente 36,5 %) do total dos Madeiras.
2.Por produtor/marca
.Madeira Wine - 34 (Blandy 26, Cossart Gordon 6, Leacock e Miles 1 de cada)
.Artur Barros e Sousa - 9
.Borges - 3
.FEM, FMA e Adega do Torreão - 2 de cada
.desconhecido - 1
De realçar a marca Blandy, com metade dos eleitos e a entrada da Borges para este QH.
3.Por anos de colheita
.século XIX - 4 (1814, 1870, 1879 e 1891)
.até à década de 50 do século XX - 6 (1905, 1919, 1920, 1934, 1948 e 1958)
.década de 60 - 10 (60, 63, 64, 66, 68 e 69)
.década de 70 - 11 (71, 73, 74, 75, 76, 77 e 79)
.década de 80 - 3 (81, 86 e 88)
.década de 90 - 2 (91 e 96)
.20 Anos - 1
.40 Anos - 3
De salientar a concentração nas décadas de 60 e 70, com 21 eleitos, ou seja 40,4 % dos eleitos).
4.Os melhores entre os melhores
.com 19,5 - 6 (Adega do Torreão Terrantez  1905, Blandy Solera Bual 1891, Blandy Bual 1920, 1948, 1964 e Miles Bual 1934)
.com 19+ - 1 (Blandy Bual 77)
.com 19 - 12 (Blandy Terrantez 69, 75 e 77, Cossart Terrantez 77, Blandy Verdelho Solera, Blandy Bual 63, 68, 69 e 71, Artur Barros e Sousa Bual Solera 1919 e Borges Malvasia +40 Anos).
Cofirma-se o favoritismo da casta Bual com 11 em 19 (57,9 %) e da marca Blandy com 13 (68,4 %)!
Em conclusão: Vinho da Madeira, uma paixão!

sábado, 16 de agosto de 2014

Os comeres no Mercado da Ribeira : Henrique Sá Pessoa

Depois de ter dedicado as 2 primeiras crónicas aos chefes Marlene Vieira e Vitor Claro, hoje é a vez do mediático Henrique Sá Pessoa, o dono do restaurante Alma e presença constante nas nossas televisões. A ementa é simples, com 4 referências em cada secção (saladas, sandes de comer à mão, peixe, carne e sobremesas). Aparentemente, nada de muito requintado, mas tudo o que comi tinha qualidade. Numa 1ª visita optei por uma salada de couscous com requeijão de Seia (5 €) e o bacalhau com puré de grão (8 €); numa 2ª fiquei-me pelas bochechas de porco com puré de batata e couve lombarda (9 €).
De salientar que o serviço nesta banca  está muito bem organizado. No acto do pagamento entregam-nos uma espécie de disco que apita para avisar o cliente que está tudo pronto. Genial! Será por isso que é, das bancas de chefes, a que mais procura tem? Tavez...
Quanto a vinhos a copo, esta banca tem um wine cooler, com capacidade para 8 garrafas, para manter a temperatura adequada ds garrafas em serviço, o que é de louvar. Inventarirei 1 espumante, 4 brancos, 4 tintos, 1 Moscatel de setúbal e 1 Porto Ruby, mas sem nada que chame muito a atenção. Pelo contrário, tem pelo menos 1 referência, francamente mais cara, que também existe na banca do Esporão. Isto não faz sentido, pois não deveria haver concorrência aos vinhos que estão nas bancas do João Portugal Ramos e do Esporão.
Optei, pois, por ir buscar vinhos a copo a estas últimas bancas:
.na João Portugal Ramos, o branco Tons de Duorum 2013 (2,50 €) - fresco, frutado, notas minerais, , algum volume e final de boca; uma boa surpresa e excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+.
Esteve muito bem com a salada, mas não aguentou o bacalhau.
.no Esporão, o tinto Reserva versão magnum (5 €) - muita fruta, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos macios, volume de boca e final longo. Gastronómico, a ligar bem com a bochecha. Nota 17.
Ambos os vinhos foram servidos em bons copos numa quantidade generosa, a temperaturas aceitáveis.
A terminar :
.constatei em qualquer das visitas, que o serviço de limpeza continua muito eficaz e sempre em cima do acontecimento. Oxalá continuem assim.
.não me canso de levar para o meu jantar, os croquetes da Croqueteria (1,50 € cada): muito bom o tradicional e excelente o de alheira de caça com grelos. Recomendo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Quadro de Honra de Vinhos do Porto

1.Por tipo
Em 31 de Julho estavam contabilizados 38 Portos com 18,5 ou mais, o que corresponde a 11,4 % do total dos vinhos eleitos e 35,2 % dos fortificados. Desdobrando estes 38:
.Tawnies - 26, sendo 18 Colheitas e 8 de idade (30 ou 40 anos).
.Vintage - 10
.Brancos Velhos - 2
Esta acentuada diferença, a favor dos tawnies, explica-se pelo meu gosto pessoal e pelo facto de o Vintage não ser tão fiável. É uma lotaria, tanto pode sair uma coisa muito boa, como um vinho para temperar maçãs assadas. Os ingleses que me perdoem.
2.Por produtor/marca e ano
a.Tawnies e Brancos Velhos
.Krohn - 8 (60, 61, 64 Branco, 66, 67, 68, 78 e 30 Anos)
.Burmester - 5 (20, 37, 44, 55 e Tordiz 40 Anos)
.Noval - 4 (37, 64, 71 e 40 Anos)
.Dalva - 2 (85 e 30 Anos)
.Kopke - 2 (41 e 60)
.Barros - 2 (35 e Branco Muito Velho)
.Taylor's - 2 (Colheita 64 e 40 Anos)
Seguem-se mais 5 Casas com 1 referência, cada.
De realçar a extinta marca Krohn, maioritária nesta selecção. Até o Colheita 64, comercializado agora debaixo da marca Taylor´s, tem origem naquela marca.
b.Vintage
.Fonseca - 2 (03 e 76)
.Noval - 2 (58 e 94)
.Taylor's - 2 (94 e 11)
Seguem-se mais 4 Casas co 1 referência, cada
O meu aplauso para o Fonseca Guimaraes 1976, uma 2ª marca!
3.Os melhores entre os melhores
Com 19 pontos ou mais, por ordem alfabética:
.Barros Colheita 35
.Burmester Colheita 37, 44, 55 e, ainda, o Novidade 1920 (este com 19+)
.Fonseca Guimaraes Vintage 76
.Krohn Colheita 61
.Noval Colheita 37 e 71
 Tiro o meu chapéu à Burmester que quase fazia o pleno!
.
 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Curtas (XXXVI)

1.Comer barato em Cascais
É no restaurante 100 Vícios (Tv. Alfarrobeira,2 - 4º), com uma boa panorâmica para o casario e baía de Cascais. A cozinha não me apaixonou, mas uma refeição completa por 8 € (inclui couver, entrada, prato, sobremesa, bebida e café!), num sítio janota e em Cascais, é um achado. Um aviso: este excelente preço é só para almoços, durante a semana. Jantar e fim de semana, sobe para 13 €.
A lista de vinhos é abrangente, embora sem grandes referências nem anos de colheita, mas com algumas propostas imperdíveis, como é o caso do excelente Morgado Stª Catherina a 11,60 € (praticamente preço de garrafeira)! Inventariei 9 espumantes, 3 champanhes, 25 brancos, 32 tintos, 2 rosés, 13 Portos, 1 Madeira e 2 Moscatéis. A copo, apenas disponibilizam 2 brancos e 2 tintos, o que é manifestamente insuficiente. Já todos os fortificados podem ser bebidos a copo.
Escolhi o branco Tavedo 2013, servido na mesa, num bom copo e em quantidade generosa. Fresco e descomplicado, cumpriu a sua função.
2.Novas Garrafeiras/Lojas de Vinhos
Recentemente, abriram:
.Wineguest Belém (Lg dos Jerónimos,6A). É a irmã mais nova da Wineguest Alfama (Rua dos Remédios,38).
.Why Not Gourmet (Rua Drª Iracy Doyle,9 Cascais). Além das componentes garrafeira e gourmet, tem um espaço exclusivo de cigarros electrónicos.
Para contrariar esta tendência de abrir novas lojas, fechou as portas a Garrafeira/Wine Bar Wine Spot (no Chiado), que eu considerei o espaço, dedicado ao vinho, mais bonito de Lisboa. Paz à sua alma...
3.Avenue revisitado
Visitei, uma vez mais, este restaurante situado num 1º andar (Av. Liberdade,129), onde pontifica a Marlene Vieira, à qual teci, por diversas vezes, os maiores elogios, mais que merecidos, a propósito deste espaço, mas também do Mercado da Ribeira e da sua actuação no Peixe em Lisboa.
Aproveito a oportunidade para corrigir um lapso, constante nas primeiras crónicas sobre o Avenue: "Curtas (VII)" e "Petiscos em Lisboa (VIII)", publicadas em 7/5/2013 e 4/11/2012, respectivamente. Nelas escrevi que o restaurante estava integrado num hotel, o que não é verdade (está encostado ao Ad-Lib e daí a confusão). Só estranho que nenhum dos seguidores deste blogue tenha dado pela gafe!
Nesta última incursão apostei no menú executivo, que inclui couver, amuse bouche (peixinhos da horta), entrada (creme leve de marisco), prato (veja dos Açores com salada de batata e espargos) e, ainda, sobremesa (pêssego grelhado com gelado de iogurte). Qualidade indiscutível!  Isto tudo por 20 €, um bom preço, atendendo ao espaço e à cozinha.
Mais: o Avenue foi reforçado com parte da equipa do ex-Gspot (o restaurante do Manuel Moreira, em Sintra). Uma mais valia, portanto, traduzida num serviço de vinhos profissional e de muita qualidade. Optei por um copo do surpreendente branco Qtª de Carrafouchas 2012 (4 €), cujo responsável pela enologia é um colega bloguista (TWA), Hugo Mendes de seu nome. Finalmente, foi-me dado a provar um curioso e desconcertante Alboroque 2012, autoria do Tomás Vieira da Cruz, ao estilo andaluz.

sábado, 9 de agosto de 2014

Quadro de Honra de Vinhos Tintos

Comparado com o ponto de situação feito há 1 ano, agora temos mais 7 tintos, passando dos 123 de 2013 para os actuais 130, ou seja, um acréscimo de 5,4 %, muito inferior ao dos brancos. Desagregando:
1.Por Região
.Douro - 91 (70 % dos tintos)
.Dão - 6
.Douro/Dão - 1
.Bairrada/Beiras - 11
.Estremadura/Lisboa - 1
.Península de Setúbal - 1
.Alentejo - 10
.Estrangeiros - 9 (8 da Ribera del Duero)
Em conclusão, os vinhos tintos do Douro são, claramente, os meus preferidos. Mas seria injusto não referir também as Beiras (Dão e Bairrada) e o Alentejo.
2.Por ano de colheita
.década de 80 - 1
.década de 90 - 7
.2000 - 8
.2001 - 10
.2002 - 3
.2004 - 28 (21,5 % dos eleitos)
.2005 - 22 (16,9 %)
.2006 - 7
.2007 - 19 (14,6 %)
.2008 - 7
.2009 - 4
.2010 - 1
.2011 - 2
De referir que 2004 continua a ser o meu ano da década, o duo 2004/2005 pesa quase 40 % (38,4 %) e o trio 2004/2005/2007 é mais de metade do total (53 %).
Quanto ao ano 2011, considerado excepcional, considero pedofilia bebê-lo agora. Há que esperar, pelo menos, mais 2 anos.
3.Por produtor/marca
Com 4 referências ou mais, destacam-se:
.Qtª do Crasto - 16 (Vinha da Ponte 5, Maria Teresa 4, T.Nacional 5, Vinhas Velhas e Xisto 1 de cada)
.Niepoort - 11 e meio (Batuta 6, Charme 4, Robustus 1 e Doda 0,5)
.Qtª Vale Meão - 9
.Casa Ferreirinha - 8 (Barca Velha 3, Reserva Especial 3, Vinhas Velhas e Antónia Adelaide Ferreira 1 de cada)
.Qtª do Vallado - 7 (Reserva 4, Adelaide 2 e T.Nacional 1)
.Wine & Soul - 7 (Pintas 5 e Qtª da Manoella 2)
.Aalto - 7 (PS 4 e Colheita 3)
.Lavradores de Feitoria - 5  (Três Bagos Grande Escolha)
.Jorge Moreira - 4 (Poeira)
.Domingos Alves de Sousa - 4 (Abandonado 2, Vinha do Lordelo e Qtª da Gaivosa 1)
Seguem-se mais 25 produtores com 1, 2 ou 3 referências.
De salientar que 90 % dos produtores eleitos são do Douro e 40 % pertencem ao mediático grupo dos Douro Boys. Finalmente, tiro o meu chapéu à Qtª do Vale Meão, um dos raros produtores só com 1 referência.
4.Os melhores entre os melhores
Mantém-se a lista de 2013, com os tintos classificados com 19 pontos (ordem alfabética):
.Aalto PS 2001
.Barca Velha 1995, 1999 e 2004
.Pintas 2001
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 1998 e 2003 e T.Nacional 2001
.Qtª Vale Meão 2004
.Robustus 2004
.Três Bagos Grande Escolha 2004
Mantem-se o empate técnico entre a Casa Ferreirinha e a Qtª do Crasto. Quanto aos anos de colheita, o 2004 continua com a camisola amarela, logo seguido pelo 2001.