terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Rescaldo das Festas

As Festas de 2013 desenvolveram-se em 3 movimentos:
1º A Consoada
Teve lugar em casa de familiares, levando eu os vinhos da minha garrafeira. A escolha caíu em opções de boa relação preço/qualidade, partindo do pressuposto que, numa ocasião em que está presente um grupo pouco homogéneo, não vale a pena levar grandes bombas. A comida teve, como referência a tradição, mas sem seguir demasiado à letra. Desfilaram:
.Qtª do Romeu Reserva 2011 branco - com base nas castas Gouveio, Viosinho e Arinto, obtidas em parte de vinhas velhas em agricultura biológica; nariz contido, boa acidez, alguma gordura, estrutura e final médios; beber a 10/12º; madeira, finalmente, bem integrada (não tem nada a haver com outra garrafa provada há alguns meses). Nota 16,5+. 
Gastronómico, acompanhou bem uns pastelinhos de bacalhau e o polvo cozido com todos.
.H.O. 2010 (Horta Osório Wines) - já aqui descrito em "Vinhos em família (XLVI)", crónica publicada em 21/9/2013. Grande complexidade que, à partida, o preço acessível, não augurava. Nota 17,5+.
Maridou muito bem com um excelente bacalhau com broa, grelos de couve e cebola.
.Alambre 20 Anos (engarrafado em 2011) - este Moscatel de Setúbal nunca me deixou ficar mal; esta garrafa estava em grande forma e, para satisfação de alguns presentes, apresentou algumas características de um Frasqueira. Nota 18,5.
Fez boa companhia a um bolo real de excepção e outras sobremesas.

2º O almoço de Natal
Continuou em casa de familiares, embora o grupo fosse diferente do da véspera. Entraram uns, sairam outros. Em relação aos vinhos, a filosofia foi a mesma. Acabou-se com algumas sobras e avançou o
.Casa Burmester Reserva 2008 Magnum (levado pelo meu filho Bruno) - com base nas castas T.Nacional, T.Franca e Tinta Roriz; estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; nariz discreto, boca mais interessante, especiado, notas de couro, volume de boca médio e final longo. Nota 17,5.
Portou-se bem com as sobras do bacalhau e um frango do campo no forno.
 
3º A continuação
As Festas continuaram no Domingo seguinte, já na minha casa e com vinhos meus, para usufruto do borrego que ficou à espera de uma melhor oportunidade. Avançaram:
.João Portugal Ramos Alvarinho 2012 - já anotado na crónica "Os vinhos do João e os vinhos do José", publicada em 2/5/2013; evoluiu bem e ainda vai melhorar com mais uns meses de garrafa. Nota 16,5+.
Servido com diversos enchidos fatiados, serviu para preparar o palato para novos voos.
.Castelo d' Alba Vinhas Velhas Grande Reserva 2011 - vem com um selo de Troféu (o melhor vinho tinto do Douro, abaixo das 15 £), atribuído pela Decanter World Wine Awards 2013. Com enologia do Rui Reboredo Madeira, estagiou 18 meses em barricas novas e usadas de carvalho francês - nariz exuberante, muito frutado, notas especiadas e de chocolate preto, acidez no ponto, assinalável volume e bom final de boca. Nota 18. Este vinho é um autêntico achado e foi comprado no Continente, onde estava em promoção (!?).
Foi divinalmente com um borrego no forno com batatihas e castanhas (estava 5 estrelas!).
.Porto Vintage, de marca desconhecida, engarrafado especialmente para o 50º aniversário da Residencial Flora, em Vila Franca, onde se encontava o inesquecível restaurante do Pedro Miguel Gil, um grande senhor da gastronomia.
Este Porto, mais próximo dos LBV, vale pela componente afectiva que é enorme! Acompanhou uma mousse de chocolate e outras sobremesas.

4º A fechar
Convido/desafio os leitores do blogue a partilharem o que comeram e beberam nestas Festas. Valeu?

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sábado, 28 de dezembro de 2013

Grupo dos 3 (35ª sessão)

A responsabilidade desta 35ª sessão coube ao João Quintela que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês. Levou, da sua garrafeira, 1 branco alentejano, 2 tintos da Ribera del Duero e 2 Late Harvest.
Desfilaram:
.Telhas 2010 branco (Terras d' Alter) - com base na casta Viognier e enologia de Peter Bright; fruta madura, aroma muito presente, acidez no ponto, madeira discreta, alguma gordura, volume de boca, final adocicado que se foi atenuando. Uma grande surpresa vinda do Alentejo. Nota 17,5+.
Acompanhou muito bem uma entrada de cogumelos recheados com camarão, lagosta e mexilhão.
.Aalto 2011 - fruta presente, notas terrosas, acidez equilibrada, taninos polidos, volume de boca e final muito longo. Muito afinado, mas a precisar de mais tempo de garrafa. Nota 18.
.Aalto 2010 - nariz contido, notas florais, acidez q.b., boa estrutura e final de boca, embora abaixo do 2011. Nota 17,5.
Estes 2 vinhos são provenientes da casta Tinto Fino de vinhas velhas (mais de 40 anos) e estagiaram 20 meses em barricas de carvalho. É pena o teor alcoólico tão elevado (15% vol.).
Fizeram companhia a uma paletilha de cordeiro de leite com batata panadera.
.Lenz Moser Trockenbeerenauslese 2005 - um Late Harvest austriaco de prestígio; aroma exuberante, acidez positiva, untuoso, volume de boca e final extenso. Nota 18.
.Grandjó Late Harvest 2005 - nariz discreto, citrinos, acidez não muito evidente, volume e final médios. Ficou quase esmagado pelo Lenz Moser. Uma desilusão (já bebi pelo menos meia dúzia de garrafas deste vinho francamente melhores). Nota 15,5+.
Estes últimos vinhos maridaram bem com uns saborosos crepes suzette.
Mais uma boa sessão de convívio, comeres e beberes à altura. Obrigado João!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Crónicas em atraso (mais uma vez!)

Tendo como desculpa as festas de Natal, os correspondentes preparativos, etc e tal, estão ainda por publicar:

.Grupo dos 3 (35ª sessão)
.CAV : viveiro de enófilos
.Mexilhões em Lisboa
.O (novo) Mercado de Campo de Ourique
.Oito Dezoito revisitado
.Cogumelos em Lisboa
.Rescaldo das Festas

Os Prémios W 2013

Os Prémios W são uma iniciativa do Anibal Coutinho, jornalista e crítico de vinhos, entre outras coisas, que os atribuirá a 21 categorias no mundo do vinho e afins.
Um destes prémios refere-se ao "Melhor Blog de Vinho do Ano", a sair deste grupo de 10 nomeados (ordem alfabética), a maioria já presente no ano passado:
.adega dos leigos
.copo de 3 (o vencedor em 2012)
.enófilo militante
.enófilo principiante *
.e tudo o vinho levou *
.joão à mesa
.mesa marcada *
.os vinhos
.pingas no copo
.ricardo bernardo
* nomeados pela 1ª vez (os restantes são repetentes)
Outros, tão bons ou, alguns, mesmo melhores, ficaram de fora. Mas o critério é de quem teve a iniciativa e estes prémios, tal como os atribuídos por outras entidades, valem o que valem.
Mais informações em www.w-anibal.com.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Novo Formato+ (14ª sessão)

Esta última sessão deste grupo de amigos foi da responsabildade do Juca que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês. Levou 2 brancos, 4 tintos de 2006 e 1 Madeira, provados às cegas com excepção deste último.
Os brancos eram francamente cativantes, embora de estilos bem diferentes. Enquanto que o desconhecido Terroir Velho Mundo XII, proveniente de 2 "terroir" diferentes (Laura Regueiro, Douro e Qtª do Regueiro, Vinhos Verdes), era surpreendentemente fresco, aromático, mineral e equilibrado, o Morgado de Stª Catherina 2009, já aqui referido diversas vezes, mostrou fruta mais madura, alguma gordura e volume de boca. Mereceram-me a mesma nota (17,5+).
Acompanharam salgados e mil folhas de foi gras caramelizado. 
Quanto aos tintos de 2006, a dificuldade desta colheita reflectiu-se nos vinhos apresentados, a maior parte dos quais poucas semelhanças mostrou em relação a outras garrafas das mesmas referências, provadas noutras situações, algumas bem recentes. Ficaram, quase todos, uns furos abaixo. O perfil, às cegas, apontava para a Bairrada ou Dão. Vejamos, então, as notas dadas ao longo do tempo (entre parêntesis as notas de outras situações):
.Aneto Grande Reserva - demasiado discreto, embora com um final longo. Nota 17 (18,5/18,5).
.Carrocel  - ainda elegante e harmonioso. Nota 17,5 (17,5/18/18,5+).
.CV - o único que se manteve fiel ao seu perfil e qualidade. Nota 18 (17,5+/18).
.Poeira - o que mostrou a maior irregularidade - Nota 17,5 (18,5/16,5+/18/17,5/16,5).
Os tintos fizeram companhia ao prato de leitão com mil folhas de batata e cenoura.
Finalmente, o vinho da tarde, um Blandy Terrantez 1977 (engarrafado em 2004) - sempre fabuloso e já aqui referido, era a garrafa nº 1340 de 2000. Nota 18,5 (18/19).
Maridou bem com a sobremesa de banana e frutos silvestres.
Serviço eficiente e profissional, como sempre.
Apesar do 2006, mais uma boa jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado, Juca!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Sabores da Madeira

Abriu há pouco tempo, na Rua do Ouro, bem próximo do Rossio, este espaço de restauração inspirado nos
aromas e sabores madeirenses. A carta abrange 15 referências para comer/petiscar, lapas incluidas. Na minha visita escolhi sopa de trigo (algo desemchabida), carne em vinho e alhos no bolo do caco (a anos luz do que se faz na Madeira) e pudim de maracujá. Nada de verdadeiramente aliciante, mas se calhar fiz uma má escolha. Por tudo isto paguei 8,50, o que não é caro.
Quanto a vinhos, a lista é redutora, resumindo-se a 3 brancos e 3 tintos madeirenses, que se podem beber a copo (de 3 a 5 €) ou à garrafa (de 14 a 38 €) e nem todos estão datados. A lista inclui, ainda, Vinhos da Madeira com 3 e 5 anos, nas modalidades seco, meio seco, meio doce e doce (2 a 3,50 € o copo). Pode ser uma solução didáctica, para quem não os conheça, se iniciar neste tipo de vinhos. Mas, curiosamente, não vi um único cliente a provar Vinho da Madeira.
Bebi, a acompanhar a refeição, o Terras do Avô Verdelho 2012 - mineral, presença de citrinos, fresco e elegante, bom final de boca e gastronómico; vinho típico para a primavera e outono. Uma boa surpresa. Nota 16,5.
O serviço de vinhos foi inesperado, pois a garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, num bom copo com uma quantidade generosa, o que nem sempre acontece nos restaurantes credenciados pela ViniPortugal. Até o preço (3 €) foi simpático. Não foi testado o serviço de vinho tinto, ficará para uma próxima vez.
Quanto à restante prestação, enquanto o serviço na cozinha é quase relâmpago (ainda estava na sopa e já o bolo do caco estava na mesa) o serviço na sala é algo descuidado (já estava na sobremesa e o prato da sopa não fora retirado). Deficiências de fácil correcção.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Cartão amarelo à ViniPortugal

Recebi há cerca de 1 mês, via e-mail, uma comunicação que referia a "ViniPortugal premeia vinho a copo no Populi", esclarecendo que fora atribuído a este restaurante um certificado de "qualidade de atendimento e seviço de vinho a copo". Notícia esta que me encheu de curiosidade, até porque nas crónicas que publiquei neste blogue sempre critiquei a falta de qualidade do serviço de vinho a copo do Populi, chegando a atribuir-lhe um cartão vermelho: "À descoberta do novo Terreiro do Paço (I)" em 29/7/2012 e "O novo Terreiro do Paço revisitado" em 7/10/2012.
E foi esta curiosidade que me fez voltar ao Populi e constatar que o serviço de vinho a copo está na mesma, isto é, mau! O copo já vinha servido e a garrafa não foi dada a provar. E, mesmo assim, a ViniPortugal deu-lhe um certificado de qualidade! Francamente, isso não se faz, senhores da ViniPortugal, até porque induz em erro os clientes menos avisados.
E já que estou a falar da ViniPortugal, não se entende, de todo, a afirmação sobre o azeite, expressa num dos cartazes expostos: "(...) Consumir azeite produzido em cooperativas é consumir um produto de grande qualidade". Então, o azeite esgota-se nas cooperativas? E os outros, alguns com prémios internacionais?
Voltando ao Populi, faz-me pena pois este restaurante tem um potencial na área vínica que a maior parte dos espaços de restauração não tem: apreciável selecção de vinhos (apesar da omissão dos anos de colheita), bons copos e armários térmicos para que estas bebidas sejam servidas à temperatura adequada. Dão nozes a quem não tem dentes...
Voltando à minha última visita, escolhi entre 6 entradas e 5 petiscos, uma tábua com polenta frita e maionese de caril, tiras de choco em tempura e saladinha de favas com farinheira e alecrim, tudo por 12,50 €. Fiquei bem almoçado.
Acompanhei com 1 copo de tinto Qtª dos Carvalhais 2009 - notas florais, fresco e elegante, especiado, taninos presentes, alguma estrutura e final de boca médio. Nota 16,5+. Maridou bem com os petiscos.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Grupo dos 3 (34ª sessão)

E já vão 34 sessões com este núcleo duríssimo (Juca, João Quintela e eu). Com os vinhos da minha garrafeira foi a 12ª , sempre em espaços de restauração diferentes. O 1º foi em 18/3/2010, poucos dias depois de nos termos reformado das CAV (eu e o Juca), no Nariz de Vinho Tinto, entretanto já encerrado. Também já encerraram o Xico's e o Manifesto, enquanto a Casa da Comida mudou de nome e alterou a sua filosofia. Continuam a laborar A Commenda, Assinatura, Sem Dúvida, Bg Bar, Tapas e Wine Bar Tágide, Jacinto e Rubro Avenida.
Desta vez escolhi o Chefe Cordeiro, já aqui referido em "Almoço no Chefe Cordeiro", crónica publicada em 20/10/2013. Levei 3 vinhos Bairrada (1 branco desconhecido dos meus parceiros, 2 tintos da colheita de 2005) e 1 Moscatel da JMF. Desfilaram:
.Grande Follies Vinhas da Qtª da Aguieira 2009 (garrafa nº 524 de 2680) - nariz discreto, citrinos, notas florais, acidez equilibrada, alguma gordura, volume de boca; gastronómico. Uma boa surpresa, comprada em saldo, na loja da Aveleda, por a colheita já ser antiga!? Nota 17,5+.
Acompanhou tártaro de espadarte.
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2005 - (garrafa nº 2460 de 6755); com base nas castas Baga (80%) e T.Nacional (20%); aroma com alguma complexidade, acidez bem presente, especiado, taninos já domados, algum volume e final longo. No ponto para ser bebido, embora aguente mais 4/5 anos. Alguma irregularidade na sua evolução. Nota 17,5 (noutras situações 15/17/16,5/18,5/18+/17+).
Fez companhia a bacalhau confitado em cama de cogumelos e legumes.
.Kompassus Private Selection Baga 2005 - estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; grande complexidade de aromas e sabores, especiado, notas de chocolate preto, grande volume de boca e final longo. Este vinho é uma das minhas paixões e tem uma regularidade impressionante. Em forma mais meia dúzia de anos. Nota 18,5+ (noutras 18,5/18,5+/18,5/18/18,5+/18,5/18,5).
Maridou bem com cachaço de porco confitado com espuma de batata e grelos.
.Moscatel Superior 1962 - complexidade aromática, frutos secos, citrinos, notas de mel, acidez equilibrada, acentuado volume de boca e final muito longo. Nota 18,5+ (noutra também 18,5+).
Foi bem com papo d' anjo com recheio de doce e ovos, compota de laranja e gelado de baunilha.
Resumindo, mais uma grande sessão de convívio, com bons vinhos e gastronomia à altura. Serviço de vinhos profissional, sob a responsabilidade do Armindo Saraiva. Só uma nota negativa: as garrafas vieram à mesa embrulhadas, pois o restaurante não tem ainda decantadores. Ó chefe José Cordeiro, compre lá isso, é sempre um investimento!
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Aditamento ao Jantar Sandra T. Silva/Jorge S. Borges

Na crónica publicada em 5/12, lamentavelmente, ficou por dizer:
.O jantar organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas coincidiu com o seu 2º aniversário, o que foi lembrado na intervenção da Sara Quintela. Parabens à equipa e os meus votos para que  projecto se prolongue "ad aeternum"!
.O espumante rosé Qtª das Bageiras foi uma oferta do produtor Mário Sérgio Nuno, que assim se quiz associar à nossa homenagem. Mais uma vez esteve connosco. O nosso (do Juca e meu) muito obrigado!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Curtas (XX)

1.Casa da Mó
Já começou a temporada do cozido às quintas feiras, na modalidade bufete. Por 11 € pode comer-se até rebentar. Uma boa notícia: finalmente e depois de muitas insistências, o restaurante já permite que se leve vinho de casa. Serviço de rolha 5 €, o que é irrecusável.
2.O Talho
Continua a comer-se bem neste espaço talho/restaurante. O croquete de cozido à portuguesa, os escalopes à milanesa com batata brava e a sobremesa (baklava) estavam bons. Bom ambiente, mas cadeiras desconfortáveis.
 Em relação a visitas anteriores, o serviço de vinhos melhorou. Bebi, a copo, Papafigos 2012 - fruta exuberante, acidez equilibrada, taninos civilizados; um vinho descomplicado e apetecível para o dia a dia. Nota 16,5+. A garrafa veio à mesa, o vinho, em bom copo e a temperatura aceitável, foi dado a provar. A lista tem os vinhos todos datados, mas sem critério de preços que se perceba, pois alternam os preços acessíveis com outros excessivos.
3.Mercado da Praça da Figueira
Este espaço foi totalmente remodelado e, recentemente, incorporou uma garrafeira que é uma surpresa, devido especialmente à oferta de vinhos fortificados, alguns a preços muito amigáveis. Por exemplo, o Kopke Vintage 2011 (94 pontos atribuidos por Kim Marcus, crítico da Wine Spectator) custa 31,95 €.
A selecção de vinhos de mesa/consumo é curta , tem algumas boas referências, mas também por lá estão alguns, para mim, completamente desconhecidos, como é o caso do Malhadinha da Cooperativa Agrária de Távora, nome que pode provocar confusões. A propósito, estou a lembrar-me de outras semelhanças em nomes, como é o caso do Munda (Dão) e Mundus (Lisboa)  ou os alentejanos J (da JMF) e JJ (doutro produtor). O IVV não deveria intervir e evitar confusões?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Jantar Sandra T. Silva/Jorge S. Borges e o regresso às origens

Estive presente em mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas. Mas não foi mais um jantar de vinhos. Foi muito mais do que isso: o João Quintela quiz, muito simpaticamente, homenagear os antigos responsáveis pelas Coisas do Arco do Vinho (CAV), o Juca e eu próprio, tendo escolhido apropriadamente A Commenda, o restaurante do CCB. Este espaço tem para nós, uma carga emotiva muito forte, marcando presença nas nossas memórias, pois foi ali que organizámos largas dezenas de jantares, que tiveram a participação dos principais produtores e enólogos e onde foram apresentados os grandes vinhos nacionais.
A cereja em cima do bolo: associaram-se a esta homenagem os produtores/enólogos Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, o casal mais mediático do mundo do vinho, que tiveram a gentileza de oferecer a cada um de nós uma garrafa autografada de Pintas 2011. Já quando do 10º aniversário das CAV, na brochura comemorativa, disseram de nós: "Parabéns seria a palavra apropriada neste momento; no entanto achamos justo dizer obrigado...obrigado pela dedicação e energia que estes jovens senhores gastam na divulgação dos nossos vinhos; obrigado por terem trazido para o mercado dos vinhos tanta gente anónima; obrigado por apoiarem e acreditarem desde sempre nos projectos dos jovens enólogos. Ir às Coisas do Arco do Vinho significa encontrar dois amigos e dois profissionais...que mais podemos pedir? Até sempre!".
Antes do início do repasto e no âmbito da homenagem, falaram o João Quintela (o mentor da ideia), o Jorge S. Borges e a Paula Costa (enófila militante desde a 1ª hora). O nosso muito obrigado!
O jantar começou com os canapés servidos nas mesas, contra o que é habitual (lapso do restaurante?), acompanhados pelo espumante rosé Qtª das Bageiras. Seguiram-se:
.Passadouro 2012 branco - mineral, acidez no ponto, elegante e descomplicado. Nota 15,5.
Acompanhou uma entrada "flor do mar com com glacé balsâmico".
.Passadouro T. Nacional 2011 - nariz exuberante, notas florais, fresco e elegante, especiado, notas de pimenta e chocolate preto, bom volume e final de boca. Em forma mais 7/8 anos. Nota 18.
Maridou com "mil folhas de bacalhau e a sua broa".
.Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2011 -aroma complexo e afirmativo, acidez equilibrada, algumas notas químicas, couro e tabaco, especiado, assinalável volume de boca e final muito longo. É pedofilia bebê-lo agora. Aguenta bem mais 10/11 anos. Nota 18,5.
Fez uma boa parceria com um "naco de novilho em cama de espinafres envolto em sauce rouge"
.Pintas Vintage 2011 - ainda muito fechado, fruta presente, elegante e grande final de boca. Nota 17,5+.
Em resumo, mais um evento memorável, potenciado pela homenagem. Obrigado João pela iniciativa! Obrigado Sandra/Jorge pelo apoio! Obrigado a todos os participantes pela presença!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O Guia do João Paulo Martins (JPM) 2014: Prós e Contras

1.Prós
.Já se publica há 20 anos consecutivos, o que é de louvar. Pessoalmente, tenho-os todos (assim como os do José Salvador e os da Comporta). O JPM, tal como o Expresso, é uma instituição e obrigatória a consulta dos seus guias. Neste tempo, descontando o guia da Deco e o das compras da Revista de Vinhos (RV), o do JPM é o único no mercado. Os da concorrência foram ficando pelo caminho. Houve um ano em que se publicaram 10 guias! Recordo 9 (o 10º varreu-se-me da memória): JPM, João Afonso, RV, Rui Falcão, Pedro Gomes/Tiago Teles, Paulo Laureano/António Ventura, Manuel Moreira, António Saramago e Deco. É obra!
.Também é de louvar a referência que faz ao José A. Salvador "(...) com quem demos os primeiros passos nesta aventura dos vinhos, de quem sempre recebi o incentivo para ir em frente quando tínhamos quase só receios e poucas certezas (...)", apontamento mais que justo.
.Finalmente, retirou da contra-capa a polémica afirmação "Vinhos de Portugal, o mais antigo e prestigiado guia de vinhos do país (...)", substituindo-a por "Vinhos de Portugal, que agora chega ao vigésimo aniversário, é o mais respeitado guia de vinhos do país (...)". O seu a seu dono!
2.Contras
.O tamanho do guia, torna-o de difícil transporte e consulta. Já vai em 674 páginas e, em vez de encolher, esticou, ficando as gorduras por cortar.É imperioso "refundá-lo" (onde é que já ouvi isto?), o que só é possivel com medidas drásticas. Em crítica anterior, este blogue já tinha referido ser possível cortar 150 a 170 páginas, à custa da eliminação das notas de prova repetidas (contabilizei mais de 1000), das perguntas/respostas e das provas de vinhos velhos. Mas estes cortes não chegam. Porque não, eliminar as notas de prova dos vinhos abaixo de determinado patamar (limite de 16 para tintos e 15 para brancos e rosés, por exemplo)? Nestes casos, acho que bastaria a nota final, traduzindo-se apenas numa linha por vinho. Esta metodologia foi, aliás, no passado, utilizada pelo José Salvador e pelo Rui Falcão. À atenção do autor.
.A informação relativa aos espaços onde se pode comprar vinho, continua desactualizada. Quanto a Lisboa, estão encerradas a Lx Gourmet (já há alguns anos) e a Quinta do Saldanha, e estão abertas há um ror de anos as garrafeiras São João e Wine Company. Em futuras edições, podem ser incluídos os seguintes espaços, em Lisboa: Wine Spot, Hill's Bottled, Dom Pedro, Wine Room, Ruoao Wines, Garrafeira do Mercado da Praça da Figueira e Descobre (um restaurante/garrafeira que tem organizado jantares vínicos).
3.A finalizar
.Por tudo isto e apesar de tudo isto, continuarei fielmente a comprar os guias do JPM!
.Para quem tiver curiosidade pode encontrar aqui as crónicas dedicadas ao guia do JPM: "O Guia 2012 do JPM", publicada em 6,9 e 11/10/2011, e "O Guia 2013 do JPM", publicada em 15 e 17/11/2012.      

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Crónicas em atraso

Ainda não é desta que consigo manter o blogue em dia. Estão por fazer e publicar as seguintes crónicas:
.O Guia do JPM 2014 (já prometido, mas sempre adiado)
.Curtas (XX)
.Sabores da Madeira
.Grupo dos 3 (34ª sessão)
.Cartão amarelo à Viniportugal
.Jantar de vinhos Jorge Serôdio Borges/Sandra Tavares da Silva
.CAV: um viveiro de enófilos
.Novo Formato+ (14ª sessão, a realizar no próximo Sábado)
Fica a promessa...

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Almoço com Vinhos da Madeira (11ª sessão)

Esta última sessão deste grupo de enófilos apaixonados por Vinhos da Madeira, teve algumas diferenças em relação às anteriores:
.este memorável almoço foi oferecido pelo José Rosa que, para além de grande parte dos vinhos, também trouxe paio, a carne e um dos queijos, o que todos nós agradecemos;
.como convidados especiais, participaram o Jorge Serôdio Borges, figura de referência no mundo do vinho e que dispensa apresentações, e o João Rosa, filho do anfitrião, vindo expressamente de Londres, onde reside e trabalha, ambos particularmente interessados nos Madeiras.
O evento decorreu, mais uma vez, na Enoteca de Belém, onde contámos com o apoio profissional do Nelson na sala e do Ricardo na cozinha.
O vinho de boas vindas que acompanhou o amuse de bouche (incluiu umas lascas de paio da presa), foi o espumante rosé Vertice 2010, simpática oferta da casa, a desempenhar bem o seu papel. Seguiram-se 2 brancos, 2 tintos, 2 Porto Vintage e 3 Madeiras:
.Soalheiro Alvarinho 2010, já aqui referido em diversas situações. Mantém-se em forma e é uma das referências em brancos que nunca falha. Nota 17.
.Vinha Formal 2008 - austero, fruta madura, boa acidez, madeira bem integrada, alguma gordura, volume de boca e um belíssimo final. Nota 17,5+.
Estes brancos foram oferta do João Quintela e fizeram companhia a um saboroso tataki de atum com tártaro de verdes e emulsão de gengibre.
.Blandy Verdelho 1977 (engarrafado em 2009 e vindo da garrafeira do José Rosa) - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, volume de boca e final longo. Servido em copo grande (como aliás todos os vinhos ) que o potenciou. Nota 18,5+.
Uma raridade (garrafa nº 487 de 694!).
Servido entre o peixe e a carne, fez o corte no palato.
.Chambertin-Clos de Beze 2004 Grand Cru Domaine Drouhin-Laroze - é um Borgonha (Pinot Noir) - evoluido, côr diluida, aroma complexo, especiado, elegante, sofisticado e final longo. Nota 18.
.Charme 2004 - nariz contido, equilibrado e elegante, notas apimentadas, acidez presente, volume e final de boca médios. Nota 17.
Estes tintos foram trazidos pela família Rosa. Une-os, para além da subtileza e elegância, a ausência de contra-rótulo e irritante falta de informação. Acompanharam costoletas de lombo de vitela barrosã e uns excelentes bifes de lombinho de vitela mirandesa.
.Fonseca Vintage 1992 (oferta do Adelino Sousa) - nariz exuberante, ainda com muita fruta, taninos aveludados, apreciável volume e final de boca. Nota 18.
.Taylor's Vintage 1994 (oferta do Jorge S. Borges) - nariz fechado, grande potência de boca e final interminável; tem, ainda, muitos anos à sua frente. Nota 18,5.
Os Vintage acompanharam uma tábua de queijos (Castelo Branco, Vila Velha de Rodão, Ilha e Serra).
.FMA Bual 1964 (oferta do José Rosa) - um Madeira de excepção, aqui descrito na crónica "Novo Formato+ (13ª sessão)", editada em 18/10, classificado com a mesma nota 19. Para mim, o vinho da sessão.
.Adega do Torreão Terrantez 1870 (oferta do Adelino Sousa) - um vinho com quase 140 anos ainda mostra uma côr e frescura invejáveis; vinagrinho, notas de caril e iodo, final muito longo; a beber com todo o respeito. Nota 18,5+.
Os madeiras tiveram por companhia pão de ló, mousse de frutos silvestres e fruta tropical.
Grande e inesquecível sessão que vai ficar na memória de todos os participantes. O nosso obrigado à família Rosa, não esquecendo o contributo do Adelino e do João!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Encontro com os Vinhos e Sabores (EVS) 2013

À semelhança de anos anteriores marquei presença no EVS deste ano, mas só consegui estar na 2ª feira depois da hora de almoço. Foi um período muito curto, menos de 4 horas, tendo ficado pela prova de 37 vinhos (7 brancos, 26 tintos, 1 rosé e 3 fortificados), uma ínfima parcela do que lá se encontrava. Mas, mais importante, revi amigos, antigos clientes, produtores, enólogos e alguns distribuidores que frequentavam as Coisas do Arco do Vinho (CAV).
O EVS é, mais uma vez, o grande evento do ano: 11 Provas Especiais, 4 Provas de Harmonização, 200 stands de vinhos, 24 de sabores, 12 de acessórios e, ainda o concurso "A Escolha da Imprensa", é obra. Os meus parabens à Revista de Vinhos. É justo referir, com agrado, que o Nuno Garcia, um dos enófilos que pertenceu ao painel de prova das CAV e que agora integra a redacção da RV, participou em algumas das Provas Especiais e de Harmonização e, ainda, fez parte do juri do concurso "A Escolha da Imprensa". A propósito, em crónica futura, citarei alguns amantes do vinho que "cresceram" no âmbito das CAV, que há alguns anos atrás funcionou como uma espécie de viveiro de enófilos.
Quanto a vinhos provados, ficaram-me na memória os brancos Casal de Santa Maria Reserva 2010, Herdade Grande Reserva 2012, Malhadinha 2012 e Principal Reserva 2010; os tintos Vale Meão 2011 (perfeito!), Marquês de Borba Reserva 2011, Memórias Alves de Sousa (lote de vinhos de 1992 a 2012?), Qtª de Pinhanços Altitude 2007, Vallado Reserva 2011, Calda Bordaleza 2009, Três Bagos Grande Escolha 2008, Marquesa de Cadaval 2010, Qtª dos Roques Garrafeira 2008, Qtª Foz de Arouce Vinhas Velhas 2009, Qtª do Noval 2009, Palácio da Bacalhoa 2008 e Vale do Tua 2009; o rosé Tête de Cuvée 2010; e os fortificados Blandy Terrantez 1976 e Graham's 30 Anos (com grande frustação da minha parte, não cheguei a tempo de provar alguns enormes vinhos, nomeadamente o Bual 1920 da Blandy). De referir, com toda a justiça, a surpresa que foi provar o Parduço, um verde tinto elaborado pelo Anselmo Mendes, que nada tem a haver com os que se bebem na malguinha tradicional.
E, para o ano, há mais!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca - versão 2013 (II)

Continuando a crónica anterior:
4.Os convidados
Para memória futura, compareceram à chamada os blogues (ordem alfabética):
.A Minha Louca Paixão (Olga Magalhães Cardoso)
.Adegga (André Ribeirinho e Daniel Matos)
.Air Diogo num Copo (Diogo Rodrigues)
.Art Meets Bacchus (Rui Lourenço Pereira)
.Comer, Beber e Lazer (Carlos Janeiro)
.Copo de Salto Alto (Carla Reis)
.Copo de 3 (João Pedro Carvalho)
.E Tudo o Vinho Levou (Gustavo Fernandes)
.Enófilo Militante (eu próprio)
.Jójójoli (Jorge Nunes)
.Magna Casta (Ema Martins, Nuno Gonçalo Monteiro e Ricardo Oliveira)
.O Vinho é Efémero (Elias Macovela)
.O Vinho em Folha (Paulo Mendes)
.Os Vinhos (Pedro Rafael Barata)
.Pingas no Copo (Rui Miguel Massa)
.Saca a Rolha (Nuno Oliveira Garcia)
.Wine & Lifestyle (André Peres)
5.A fechar
Para além das provas e do almoço, a José Maria da Fonseca ofereceu o todos os participantes  1 garrafa do espumante Moscatel Roxo Rosé 2012 e 1 caixa com os 3 vinhos Super Premium bebidos ao almoço (José de Sousa Mayor 2011, J 2011 e Periquita Superyor 2009).
Em conclusão, foi um grande sessão de convívio, de comeres e beberes, com grandes tintos e um Moscatel Superior inesquecível..
Obrigado Domingos! Obrigado Sofia!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca - versão 2013 (I)

1.Preâmbulo
Não é demais referir a postura que a JMF tem tido com  o mundo da blogosfera. Para quem não se lembrar, remeto para "Evento Wine Bloggers na José Maria da Fonseca (JMF)", crónica publicada em 25/10/2011. Em 2 de Novembro, teve lugar mais uma visita, prova e almoço, exclusiva para bloguistas (desculpem-me lá, mas prefiro a palavra portuguesa), sendo de destacar e agradecer o envolvimento do Domingos Soares Franco (6ª geração) e da Sofia (7ª geração).
Só para provar o Moscatel 1975, em amostra de casco, valeu a pena a deslocação a Azeitão!
2.A prova
Orientada pelo Domingos, a prova incluiu 5 novos brancos da colheita de 2013, Verdelho, Verdejo, Sauvignon, Viosinho e Alvarinho. Confesso que tenho alguma dificuldade em provar vinhos acabados de fazer, pois parecem-me todos muito semelhantes e onde ainda é notória a presença de gás. Falta-lhes o tempo de garrafa indispensável ao seu crescimento e definição do que virá a ser a sua personalidade própria. Mesmo assim, talvez porque tivesse sido  o 1º a ser provado, ficou-me na memória o Verdelho.  Provámos, ainda, um espumante rosé da colecção privada DSF 2012, com base na casta Moscatel Roxo,  que mostrou bolha fina, frecura, leveza e ser óptima companhia para aperitivos e entradas leves. E  também um tinto com base em 152 castas (!), proveniente da vindima de 2012, protagonizada por um grupo de bloguistas convidados para tal feito.
3.O almoço
Foi o ponto mais alto do evento, onde foram provados (e bebidos,claro!) uns tantos vinhos de topo, alguns no patamar da excelência.
Começámos com creme de cenoura, acompanhado pelo Pasmados Branco 2009, que vai na linha do 2008, um branco contra a corrente e cheio de personalidade, que teria brilhado se servido no final com o queijo de Azeitão.
Com o prato principal, bacalhau verde com coentros, broa de milho, batatinhas e salada, foram servidos 3 soberbos tintos da linha super premium, José de Sousa Mayor 2011 (58% de Grand Noir), J 2011 (60% de Grand Noir) e Periquita Superyor 2009 (94% de Castelão Francês). Gostei dos 3, mas, para o meu gosto, elegi o Periquita, talvez porque tem 2 anos de vantagem sobre os outros.
Com uma torta de Azeitão, seguiu-se o Moscatel de Setúbal DSF 1999 (versão Armagnac), a portar-se bem, como habitual.
Mas, o vinho da tarde viria a seguir, o Moscatel Superior 1975 (em amostra de casco, a ser engarrafado daqui a uma série de anos) já na área da excelência. Já lá tem quase tudo (vinagrinho, frutos secos, caril, brandy...), mas o Domingos ainda quer mais!
 Em breve, farei um aditamento onde constará, para memória futura, quem esteve presente.

sábado, 16 de novembro de 2013

Provar vinhos no Chafariz com a Herdade das Servas

A convite da Herdade das Servas (H.S.), estive no Chafariz do Vinho (a enoteca de que o João Paulo Martins é sócio) a provar os seus últimos lançamentos. A H.S. estava em peso, com os produtores Carlos e Luis Mira, o enólogo Tiago Garcia e o comercial Artur Diogo, equipa que se mantém junta há uma série de anos, o que é um sinal fortemente positivo. O convite foi dirigido a jornalistas e críticos (estavam presentes a Revista de Vinhos, semanário Sol, jornais Público e I) e, em pé de igualdade, a bloguistas, o que mais uma vez se louva (já o tinha referido na crónica "A Herdade das Servas e a Blogosfera", publicada em 22/1/2011).
Em linguagem telegráfica, aqui ficam as minhas impressões dos vinhos que provei, mas sem as ter conseguido registar; ficando só o que a memória reteve (todos ostentam o nome Herdade das Servas, ou seja, pertencem à gama alta/média alta deste produtor) :
.Colheita Seleccionada 2012 branco - com base nas castas Alvarinho (50%), Roupeiro (25%) e Viognier (25%); precisa de mais tempo de garrafa para se mostrar. Nota 16,5+.
.Reserva Syrah/T.Nacional 2009 - estas castas fizeram um bom casamento; é o mais harmonioso e equilibrado dos 3 tintos apresentados. Nota 17,5.
.Reserva Alfrocheiro 2010 - para mim o menos interessante; prejudicado por um final excessivamente doce, para o meu gosto. Nota 16,5.
.Reserva Petit Verdot 2010 - correcto e muito afinado, com a casta a dar o melhor de si. Nota 16,5+.
.Reserva Vinhas Velhas 2009 - provado já fora do contexto; um belíssimo tinto alentejano, que tem evoluído muito bem. Nota 18.
Como conclusão, tiro o meu chapéu a este produtor que não teve a pressa, como faz a maioria, em pôr os seus vinhos no mercado, antes que os mesmos estivessem prontos. Os tintos estagiaram de 12 a 14 meses em barricas de carvalho francês (70 a 80%) e americano (30 a 20%). Mais ainda: depois do estágio em barrica, ainda ficaram a dormir 12 meses na garrafa. Só é pena que tenham um grau alcoólico tão elevado (14,5 % vol. o branco e 15 % vol. os tintos), embora não se note. Mas, ao 3º copo, é complicado se nos mandarem soprar no balão!
Quanto ao local da prova, o Chafariz é um espaço belíssimo que todos os enófilos deveriam conhecer. Ali se pode petiscar e degustar uma série de vinhos, a copo ou em garrafa e, para quem não saiba, o Museu da Água da EPAL organiza visitas guiadas à galeria do Loreto, um troço da Patriarcal (no Príncipe Real) a São Pedro de Alcântara, sempre por baixo do chão.
A terminar, o JPM lembrou o protocolo com a CML e a EPAL. Mas não disse que a assinatura do dito protocolo, que teve lugar no gabinete do Presidente da Câmara (na altura, o João Soares), se a memória não me atraiçoa, teve o apoio das Coisas do Arco Vinho com o Porto Churchill Dry White. Eu estive lá.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Curtas (XIX)

1.Rosa da Rua
Fica na Rua da Rosa, em pleno Bairro Alto, e é uma boa surpresa. Tem um serviço de bufete de qualidade, que custa 10 € de 2ª a 6ª feira, subindo para 12 € nos Sábados e feriados. Estes preços não incluem bebidas e sobremesa. Finalmente, esclareço que não tive a ocasião de testar o serviço de vinhos.
2.Brasserie de L'Entrecôte
Revisitei este espaço de restauração que fica na Praça de Touros do Campo Pequeno. O menú executivo, composto por couver, salada de alface, rúcula e nozes e, ainda entrecôte no prato acompanhado com batatas fritas, custa 12,90 €. Vale mesmo a pena ir lá para provar o saborosíssimo entrecôte.
Desta vez, estando a tomar antibiótico, não pude beber.
3.Thai Square
É um restaurante que fica na Rua da Junqueira, em Belém. Há outro em Cascais (Largo das Grutas, próximo do jardim Visconde da Luz), pertença da mesma gente. Servem comida tailandesa de qualidade, embora a preços puxadotes. Gostei francamente e tenciono voltar.
Bebi uma meia garrafa de vinho branco que não me ficou na memória. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Rescaldo da ida à Ericeira

1.Canastra
Quem quiser comer peixe fresquíssimo, quase acabado de pescar, vai à Canastra que fica na R. Capitão João Lopes (tel 261865367), na marginal, junto ao mar. Fui o que eu fiz num dia destes. Comi uma dourada 5 estrelas, acompanhada por uma deliciosa açorda de ovas, para além das habituais batatas, cenouras, etc.
Quanto a vinhos é que estamos mal, o que não se compreende, até porque os donos já exploraram uma garrafeira na Ericeira. A lista está muito rapada e sem anos de colheita, o que se lamenta. Vinho a copo só o da casa e meias garrafas de branco, apenas o Lello 2012 - frutado, fresco, com algum volume e muito equilibrado. Uma boa surpresa. Nota 16,5.
2.Vira-Latas
Um pouco acima do restaurante, dei com uma loja gourmet, cuja dona, Teresa Pinto, apostou forte nas conservas, que são mais de 150! Para além das conservas, a loja também tem um nicho de vinhos e serve petiscos, que podem ser acompanhados por vinho a copo ou cerveja artesanal. Uma boa surpresa que recomendo.
3.Vira Copos
Mais outra boa surpresa na Ericeira, a garrafeira Vira Copos ( situada na R.Caldeira,52 bem perto do centro), com uma componente de wine bar. Pareceu-me ter uma criteriosa escolha de vinhos e preços sensatos. Segundo informação do dono, Sérgio Nascimento, todas as 6ª feiras há prova de vinhos. Quando lá passei, em finais de Outubro, estava anunciada uma degustação com o Monte da Ravasqueira.
Só não percebi a relação destas 2 lojas, dada a parecença de ambos os nomes. Mistério...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Grupo dos 3 (33ª sessão)

Esta última sessão foi da responsabilidade do Juca, que escolheu o restaurante da Ordem dos Engenheiros, já nosso conhecido, com um diversificado bufete de entradas e sobremesas. O prato principal, que escolhi para mim, foram uns belíssimos salmonetes. Da garrafeira do Juca sairam 3 tintos (2 argentinos e 1 italiano) e 1 Madeira. Foi quase uma limpeza de garrafeira (tintos de 2002 e 2003), mas a sentir-se a falta de um branco para acompanhar as entradas.
Provados às cegas, como é hábito neste tipo de encontros, desfilaram:
.Fabre & Montmayou Grand Vin 2002 - com base em vinhas velhas, a notarem-se os 11 anos que já leva, notas vegetais, acidez equilibrada, algum volume e final de boca longo. Nota 16,5 (noutra situação 16).
.La Forra Reserva 2003 - é um Chianti Clássico com base na casta Sangiovese; muito evoluído, cor atijolada, aparentando ser mais velho do que o anterior, notas de cebola e lagar, volume e final de boca médios; o vinho menos interessante em prova. Nota 15,5 (17,5).
.Fabre & Montmayou Gran Reserva 2007 - enologia de Rui Reguinga e Hervé Fabre com base nas castas Malbec (70%) e Touriga Nacional (30%); fruta ainda presente, alguma complexidade, acidez q.b., taninos presentes mas domesticados, volume e bom final de boca. Nota 17,5 (18).
.Blandy Bual Colheita 1991 - frutos secos, vinagrinho, notas de iodo e brandy, elegância, equilibrio, volume de boca e um grande final. O vinho do almoço! Nota 18,5 (17,5/17,5+).
Mais uma boa sessão deste grupo de enófilos militantes. Obrigado Juca!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Aditamento a "Provar vinhos no Ritz..."

Na crónica referida em título, escrevi que dos 5 vinhos que mais me marcaram nesta prova, um foi o Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2011, cujos produtores e enólogos são o Jorge Serôdio Borges e a Sandra Tavares da Silva, cujo mérito tarda a ser reconhecido pela Revista de Vinhos (para quem ande distraido, nunca lhes foi atribuido o prémio do Enólogo do Ano). À semelhança do que aconteceu com o Francisco Albuquerque, eles já têm créditos a nível mundial, senhores!
Vem isto a propósito de o jornalista e crítico de vinhos Matt Kramer, já com apreciável obra publicada, no evento New York Wine Experience, organizado pela Wine Spectator de 24 a 26 de Outubro deste ano, ter escolhido 3 vinhos da Península Ibérica de vinhas velhas que mais o entusiasmaram, sendo 1 do Douro e 2 da Ribera Sacra. O único representante da Região Douro foi precisamente a versão anterior do Qtª da Manoella, o 2010!
Mais informações em www.winespectator.com/webfeature.

Provar vinhos no CCB com a Heritage Wines

Ainda com o palato não totalmente recuperado, após as provas no Ritz, participei no evento da Heritage. Esta distribuidora, embora sem a abrangência da Decante, tem referências nacionais de excepção, como é o caso dos vinhos da Qtª do Crasto, da Taylor's/Fonseca e Mouchão.
Ficaram-me na memória, nos vinhos de mesa/consumo, Qtª do Crasto T.Nacional 2004 (fabuloso!), Vinha da Ponte 1998 (sempre jóvem), Qtª do Crasto Reserva 1997, Mouchão 2005 e 2008. Ao contrário, o Maria Teresa 2006 desiludiu.
Quanto aos fortificados, nota alta para os Vintage 2011 à prova, nomeadamente Taylor's, Fonseca e Croft, enquanto o Eira Velha ficou abaixo do esperado. Nos tawnies de idade, registei a boa prestação do Taylor's 30 Anos e Fonseca 20 Anos, engarrafamentos de 2013.
A fechar, provei um sublime Colheita 1964, que exibia o rótulo da Taylor's, mas em boa verdade é um Krohn, para mim a melhor marca neste tipo de vinho do Porto. Mas negócios são negócios e a Taylor's, à conta da compra da Wiese & Krohn, vai empochar uma data de massa. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Provar vinhos no Ritz com a Decante

Tive a ocasião de participar em mais uma prova anual de vinhos, organizada pela distribuidora Decante, empresa que tem um rico, alargado e invejável portefólio. É sempre um prazer estar com eles.
Dos 40 vinhos provados, elegi 5 que mais me impressionaram (a ordem é a da prova): Qtª La Rosa Reserva 2010, Qtª da Manoella Vinhas Velhas 2011, Vinha Paz Reserva 2010, Zambujeiro 2009 e Aalto PS 2011. E logo a seguir os brancos Soalheiro Reserva 2012, Qtª do Ameal Escolha 2012, Qtª do Ameal Loureiro 2004, Qtª La Rosa Reserva 2012, Poeira Alvarinho 2012, Guru 2012, Primus 2011 e Nossa Calcário 2012. E quanto a tintos Poeira 2011, Pintas 2011, Crochet Sandra Tavares/Susana Esteban 2011, MOB 2011 (Moreira/Olazabal/Borges), Qtª Seara d'Ordens Reserva Vinhas Velhas 2010, Talentus Grande Escolha 2010, Carrocel 2010, Nossa Calcário 2011, Júlio B. Bastos Alicante Bouschet 2007, Aalto 2011 e San Roman 2009. E, para terminar com chave de ouro, o grande Moscatel do Douro, Secret Spot 40 Anos. Uma delícia!

sábado, 2 de novembro de 2013

Os vinhos do Celso Pereira

1.O jantar vínico
Mais uma iniciativa da Garrafeira Néctar das Avenidas, em parceria com o restaurante do Real Palácio Hotel. Contámos com a presença do produtor e enólogo Celso Pereira que nos trouxe 1 espumante, 2 brancos e 2 tintos e, ainda, 1 Moscatel de Favaios. 
O vinho de boas vindas e que acompanhou uns canapés foi o espumante Vértice Cuvée 2010 (dégorgement feito em 2013) que cumpriu bem a sua missão. Seguiram-se:
.Terra a Terra Reserva 2011 branco - com base nas castas Gouveio, Viosinho e Rabigato; nariz discreto, fruta madura, acidez e mineralidade, madeira ainda presente; precisa de tempo de garrafa para se harmonizar. Nota 16.
Acompanhou o amouse bouche, uma vieira braseada, com puré de ervilhas e presunto crocante.
.Terra a Terra Reserva 2010 tinto - com base nas castas T.Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; ainda com muita fruta, especiado, boa acidez, taninos redondos, algum volume e final de boca; em forma mais 2/3 anos. Nota 17.
Não gostei da ligação com a entrada, um duo de queijo de cabra. O branco anterior casou muito melhor.
.Quanta Terra Grande Reserva 2010 tinto - complexidade aromática, fruta, notas florais, acidez equilibrada, especiado, taninos firmes, apreciável volume  e final de boca. A consumir nos próximos 7/8 anos. Nota 18.
Maridou muito bem com alcatra de vitela, esmagada de cogumelos e batata e mil folhas de legumes.
.Quanta Terra Grande Reserva 2010 branco - nariz exuberante e complexo, notas florais, frescura e mineralidade, alguma gordura, volume e final de boca, gastronómico. Aguenta bem mais 3/4 anos. Nota 17,5.
Fez-lhe companhia tábua de queijos, torta da Ericeira e gelado de frutos vermelhos.
De referir que o chefe Ricardo Mourão, já elogiado anteriormente, não esteve.
2. A prova
Teve lugar no novo espaço da Néctar das Avenidas e ocorreu na véspera do jantar. O Celso vestiu outra camisola, a do Pinga Amores, na qualidade de enólogo e sócio da empresa produtora. Eu, aqui há alguns anos, tinha provado a 1ª versão do Pinga Amores que não me convenceu na altura. Mas agora fiquei completamente rendido, pois tanto o Colheita Seleccionada, como o Reserva e o Grande Reserva (todos alentejanos e de 2011), cada um no seu patamar, deram-me um grande prazer.
Fico é surpreendido com o nome, pois há um outro vinho (da Região Tejo) chamado Ping'Amor! Quem se inspirou em quem? 


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Crónicas em atraso

Por uma razão ou por outra, não consigo acompanhar o ritmo das provas, visitas e outras situações em que participei nos últimos dias, a um ritmo quase frenético. Mas prometo, logo que a minha vida acalme, que irei partilhar com os leitores deste blogue, os momentos por mim vividos. Para temas das próximas crónicas, prevejo:
.Jantar e prova com o Celso Pereira
.Provas com a Decante no Ritz
.Provas com a Hermitage no CCB
.Prova Herdade das Servas no Chafariz do Vinho
.Grupo dos 3 (33ª sessão)
.O Guia 2014 do João Paulo Martins
.Rescaldo da ida à Ericeira
.Curtas (XIX)
.José Maria da Fonseca revisitada (prevista para amanhã)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Vinhos em família (XLVII)

1.Da minha garrafeira
.Parcela Única Alvarinho 2009 - enologia do Anselmo Mendes, que também é o produtor; fruta madura, notas tropicais, excelente acidez, algo amanteigado, equilibrado e elegante, volume de boca e bom final; ainda cheio de vida, em forma mais 4/5 anos. Nota 18.
.Olho no Pé Grande Reserva 2011 - com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio de vinhas velhas; frementou em barrica e estagiou 12 meses sobre as borras finas; notas de melão e pera madura, acidez equilibrada, mineralidade, madeira discreta e bom final de boca. A beber nos próximos 2/3 anos. O perfil deste branco alterou radicalmente, passando dos 14/14,5 % vol. para os actuais 12,5% vol. Nota 17,5.
.Carrocel 2006 (Qtª da Pellada) - complexidade, acidez q.b., especiado, elegância, equilibrio e harmonia, grande volume de boca e final extenso; gastronómico. Em forma mais 7/8 anos, apesar do ano. Grande Dão! Nota 18,5+.
.Horácio Simões Bastardo 2009 - estagiou em barricas de carvalho francês; frutos secos, notas de tangerina, brandy, volume médio e final extenso. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5.
2.Levado por um amigo
.Vale dos Ares Reserva Alvarinho 2012 (bebido no restaurante 1º Direito) - produção de MQ Vinhos, Lugar do Mato, enologia de Gabriela Albuquerque; citrinos, notas tropicais discretas, acidez equilibrada, algum volume de boca e bom final; vai precisar de mais tempo de garrafa; gastronómico. Melhorou na prova quando a temperatura subiu para os 10/12º, embora no contra-rótulo o produtor aconselhe que se beba a 8/10º. Nota 16,5+.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Almoço no Café Lisboa: o bloco central do chefe José Avillez

Recentemente fui conhecer o Café Lisboa que, com o Cantinho do Avillez (ver crónica "Almoço no Cantinho do Avillez" de 10/9/2011, uma das mais lidas desde sempre, vá lá saber-se porquê), forma o bloco central dos espaços de restauração do conceituado José Avillez. Ficam por conhecer as 2 pontas, a Pizzaria Lisboa e o estrelado Belcanto. Com tanto projecto próprio, ainda se coligou com o H3 e entrou no mundo das empadas (ver "Empadaria do Chef: nem tudo o que parece, é...", crónica publicada em 28/12/2011).
O Café Lisboa é um espaço emblemático, ou não estivesse situado num hall do teatro de São Carlos, aberto para a restauração há já alguns anos, mas sempre sem grande brilho. Apesar das mesas despojadas, é acolhedor. Fiquei numa mesa praticamente por baixo de um grande caranguejo, revestido a crochet, com a assinatura da Joana Vasconcelos.
A ementa é simples, mas muito bem conseguida a avaliar pelo que comi. Optei por uma das especialidades, o Pastel Lisboa com arroz de grelos. De comer e chorar por mais, com a massa fina e tenríssima, a ligar muito bem com um delicioso arroz de grelos servido à parte.
Quanto a vinhos, inventariei 2 espumantes, 2 champanhes (todos a copo), 14 brancos (2 a copo), 12 tintos (apenas 1 a copo), 3 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel (todos a copo).
Escolhi o tinto da casa JA Projecto José Avillez e José Bento dos Santos 2008 (4 €) - muito frutado, especiado, notas achocolatadas, acidez equilibrada, taninos sedosos, alguma estrutura e bom final de boca; muito gastronómico. Nota 17,5. Como vinho da casa é uma boa surpresa, pois na maior parte da restauração costuma ser uma zurrapa.
O vinho estava acima da temperatura recomendada, mas a garrafa foi rapidamente substituída por uma correcta. Serviço profissional, tendo sido mostradas as garrafas, o vinho dado a provar e servido num bom copo Schott, embora a olho.
Em conclusão, bloco central aprovado (não extrapolar para outras matérias!).

sábado, 26 de outubro de 2013

Portugal Wine Ladies

Está a decorrer no Hotel Altis Belém a 1ª edição do Portugal Wine Ladies Tasting. Este grupo de mulheres representa 12 produtores (Adega Mayor, Herdade do Peso, Herdade de Rocim, João M. Barbosa Vinhos, Monte da Penha, Poças, Qtª da Bica, Qtª Chocapalha, Qtª Nova Nossa Sra do Carmo, Qtª da Pellada, Qtª do Pinto e Qtª Vale D. Maria) e pretende agir em bloco dentro e fora do país. Mulheres emblemáticas, como é o caso da Laura Regueiro (Qtª da Casa Amarela), Margarida Cabaço, Leonor Freitas, Olga Martins (Lavradores de Feitoria) ou Filipa Pato, pertencentes a 2 diferentes gerações, ficaram de fora, o que é pena.
Dos 60 vinhos em prova, tive a ocasião de provar dúzia e meia, entre brancos e tintos, ao invés do que se passou com os Vinhos do Alentejo, onde privilegiei os tintos.A qualidade geral dos brancos pareceu-me francamente boa, tendo ficado na minha memória o VZ 2012, Mirabilis Grande Reserva 2012, Alvaro de Castro Encruzado Reserva 2011, Ninfa Escolha Sauvignon 2012, Chocapalha Reserva 2012 e Poças Reserva 2012. Quanto a tintos, retive o Qtª Vale D. Maria 2011, Pape 2010, Siza 2009, Vale da Mata Reserva 2009, Vinha da Francisca 2011 e Reserva do Comendador 2009.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Vinhos do Alentejo

A íltima edição deste evento, que envolveu cerca de 70 produtores de vinhos alentejanos, teve lugar na tenda do CCB. Pareceu-me que a organização do evento melhorou claramente, se comparada com anos anteriores. Fui na tarde de 6ª feira e, como levava copo comigo, pouco esperei para entrar. Como é compreensível, limitei-me a provar 2 dezenas de vinhos, ou seja, uma ínfima parte do que lá estava.
 De qualquer modo, vale a pena registar o que mais me impressionou (esclareço que só provei tintos).
Em primeiro lugar, alguns vinhos já com alguns anos em cima, a desmentirem que os alentejanos não envelhecem da melhor maneira. Icon d' Azamor 2004, Monte dos Cabaços Reserva 2005 e Monte da Penha Grande Reserva 2005, ainda com alguns anos à sua frente, foram uma boa surpresa.
Em segundo, os vinhos mais recentes que mostraram uma grande qualidade, como é o caso do Procura 2011 da Susana Esteban, Solar dos Lobos Grande Escolha 2009 (também da responsabilidade desta enóloga), Vinha do Malhô 2009 e Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2008. Grandes vinhos!
E, logo a seguir, os clássicos Mouchão 2008, Qtª do Carmo Reserva 2009 e Esporão Reserva 2011 e, ainda, a novidade Grou Family Collection 2009, este com um preço de prateleira a roçar a loucura, como se vivessemos numa época de vacas gordas.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Lisboa Restaurant Week (LRW)

Nesta última edição fui experimentar o Flores do Bairro (restaurante do Bairro Alto Hotel) e o Assinatura. Já tinha estado no Flores em Março deste ano, tendo publicado as minhas impressões, francamente positivas, em "No rescaldo do Lisboa Restaurant Week". Só que desta vez, a realidade foi outra, pura desilusão. O que se teria passado, entretanto? Quanto ao Assinatura, o que me fez revisitá-lo, uma vez mais, foi a curiosidade de saber se o mesmo sobreviveu à saída do Henrique Mouro e entrada do João Sá, que já conhecia do GSpot. Fiquei com a impressão que mantém a qualidade de sempre.
Começando pelo Flores, comi "terrina de coelho e lombo enguitado com compota de maçã", "filetes de tamboril com camarões, mexilhões e citronela" e "tarte de frutos vermelhos". Os filetes vinham com um arroz, aliás delicioso, sem que o menú o mencionasse, enquanto os anunciados camarões e mexilhões, não se vislumbravam, embora o sabor lá estivesse. Num dos filetes, vinha uma tira de plástico! E na cozinha, surpreendentemente, não deram por nada!? Depois de inquirir, tive direito a uma desculpa algo atabalhoada. Francamente...Enfim, não cobraram os cafés.
Quanto a vinhos, depois da jornada da véspera (ver a crónica "Novo Formato+"), fiquei-me pela água. Mas observei o que se passava noutras mesas e percebi que o vinho a copo já vinha servido, sem a garrafa ser mostrada ao cliente, nem dada a provar. Mais: os tintos estavam à temperatura ambiente. Só desgraças!
Quanto à lista de vinhos, inventariei (entre parêntesis, a quantidade de referências a copo) 1 espumante (1), 5 champanhes (3), 17 brancos (12), 25 tintos (13), 2 rosés (1), 5 Portos, 2 Moscatéis e 1 Colheita Tardia (todos a copo). Uma boa oferta, embora com preços nada amigáveis.
No Assinatura, comi "croquetes de pato com chutney de marmelo", "porco bísaro e ameijoas" e " tarte de chocolate e figos". Tudo com muita qualidade, mas sem fazer subir aos céus.
Quanto a vinhos, o serviço foi de luxo, a antítese do Flores. A garrafa vai à mesa, o vinho dado a provar num bom copo Schott, mas a quantidade é a olho. A quantidade do tinto era generosa, mas já não posso dizer o mesmo da quantidade do branco. Penso que a dimensão dos copos pode justificar essa diferença. E, ainda, temperaturas correctas. 
Bebi Lavradores de Feitoria Sauvignon 2012 (5 €) - aromático, fresco e elegante é uma paixão imediata. Nota 16,5+. E, ainda, Meandro 2011 (5 €) - exuberante, fruta vermelha, especiado, boa acidez e volume de boca. Nota 17,5. 
Quanto à lista do Assinatura, inventariei 4 espumates (4), 4 champanhes (1), 20 brancos (10), 40 tintos (10) e 3 rosés (1). Na lista consultada, não constavam os fortificados, mas sei que eles existem. Uma boa oferta, com preços de acordo com o espaço.
A finalizar, nenhum dos restaurantes nos entregou os postais comprovativos, a justificar a oferta de 1 € a causas sociais. Podemos ficar na dúvida.
E, para o ano, há mais. Estejamos atentos.

domingo, 20 de outubro de 2013

Almoço no Chefe Cordeiro

O chefe Cordeiro instalou-se na área onde funcionou o antigo restaurante Terreiro do Paço, em tempos explorado pela saudosa Júlia Vinagre. Tenho uma inesquecível ligação afectiva àquele espaço, resultante da parceria das CAV com aquele restaurante, onde fui o responsável pela carta de vinhos, com quase total autonomia (a única imposição da Júlia Vinagre foi incluir, por motivos óbvios, vinhos da Herdade do Esporão).
O piso inferior, destinado a clientes com orçamentos mais apertados, é o que está a funcionar, prevendo-se que o piso superior, este dedicado a quem não tenha problemas orçamentais, venha a abrir até ao final do ano.
O espaço que está a funcionar, caracteriza-se pelo ambiente informal, mesas despojadas, música um tanto alta e serviço simpático e profissional. Aliás o responsável pela sala é o escanção Armindo Saraiva, já meu conhecido do Assinatura e do Aura. Uma mais valia para o restaurante.
A ementa é alargada e inclui uma boa oferta petisqueira (21 petiscos).Optei pelos petiscos (fava rica, cenoura à Algarvia, coelho de escabeche e salada de polvo com molho verde), o que foi mais do que suficiente para ficar bem almoçado.
Quanto a vinhos, tem uma boa e pujante selecção, com uma apreciável quantidade de vinhos a copo, preços acessíveis, mas lamentavelmente é omissa quanto a anos de colheita. Inventariei (entre parentesis as opções a copo) 5 espumantes (4), 5 champanhes (1), 42 brancos (14), 42 tintos (12), 5 rosés (1), 4 colheitas tardias (1), 17 Portos, 2 Madeiras, 4 Moscatéis e 2 licorosos (todos os fortificados a copo).
Bebi um copo do branco Confradeiro 2012 (4 €) - presença de citrinos, acidez equilibrada, notas amanteigadas, algum volume e muito gastronómico. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, num bom copo e uma quantidade generosa, servida a olho. Quem optar por tinto, pode ficar descansado, pois o restaurante possui armários térmicos.
Em conclusão, gostei, recomendo e tenciono voltar.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Novo Formato+ (13ª sessão)

Nesta última sessão deste grupo de convívio e prova de vinhos, a descodificação dos tintos deixou todos deveras surpreendidos. Na mesa estavam Barca Velha, Aalto e Qtª do Crasto T.Nacional, mas o vencedor foi um vinho do Dão, o Qtª da Falorca Garrafeira! Tiro-lhe o meu chapéu!
Esta sessão desenrolou-se na Enoteca de Belém, com vinhos da minha garrafeira: 2 Alvarinhos de 2010, 4 tintos de 2004, 1 Vintage e 1 Madeira, todos provados às cegas, como é nosso costume.
A bebida de boas vindas foi o espumante Vértice Cuvée 2009, com o "dégorgement" feito em 2012, simpática oferta da casa e que se portou muito bem. Acompanhou um entretém de boca, corneto com massa de tinta de choco, com queijo chevre e mel, simplesmente delicioso.
 Para além do convívio e dos vinhos, o almoço não podia ter corrido melhor. O serviço na sala, a cargo do escanção Nelson Guerreiro, e o menú, da responsabilidade do Ricardo, foram de grande qualidade. Recomendo vivamente este espaço. A Enoteca de Belém merece que os enófilos a conheçam.
Depois desta introdução, vamos aos comeres e beberes:
.Muros de Melgaço - muito exuberante, tropical, elegante, acidez equilibrada, estrutura média e final de boca longo; fácil de se gostar, é paixão imediata. A beber nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.
.Soalheiro Reserva - nariz discreto, mineral, acidez no ponto, volume de boca, todo ele muito contido, a precisar de mais tempo de garrafa. Tem potencial para aguentar mais 7/8 anos. Nota 17,5 (a rever daqui a 2/3 anos).
Ligaram muito bem com o tártaro de salmão fumado com puré de feijão preto.
.Qtª do Crasto T.Nacional - aroma intenso, ainda com fruta, especiado, notas de tabaco, taninos redondos, elegância, frescura, profundidade e persistência. Nota 18,5.
.Aalto - este vinho teve, no conceituado Guia Peñin mais 1 ponto que o Aalto PS do mesmo ano; esta garrafa tinha um aroma complicado, com uma componente vegetal muito pronunciada, tendo alguns dos presentes diagnosticado rolha, embora longínqua. Uma pena, porque tinha uma boca fabulosa. Nota 18, mesmo assim.
.Barca Velha - nariz contido, notas florais, especiado, belíssima acidez, elegante, harmonioso, volume de boca e final longo. Perfeito! Nota 18,5.
.Qtª da Falorca Garrafeira - nariz exuberante, ainda com fruta, notas florais, especiarias, algum chocolate preto, acidez presente, acentuado volume e final de boca. Um grande vinho e uma grande surpresa. Nota 18,5+.
Todos eles têm estrutura para estar em forma mais 6/7 anos e "maridaram" bem com uma deliciosa bochecha de porco com molho de morcela e gratinado de legumes.
.Graham's Malvedos Vintage 1995 - curiosamente esta minha garrafa, de grande valor estimativo, tinha as assinaturas de quase todos os presentes, pois foi uma oferta da Symington, quando da nossa visita à Qtª do Bonfim, em 17 a 19 de Maio 2002. Muito doce e frutado, taninos macios, estrutura média e final longo. Nota 17,5+.
.FMA Bual 1964 - grande complexidade, frutos secos, iodo, notas de brandy e caril, vinagrinho, acentuado volume de boca e final interminável. A fechar a refeição da melhor maneira! Nota 19.
Estes 2 fortificados acompanharam uma tábua de queijos, bolos e fruta laminada.
Mais uma grande sessão. Obrigado a todos os participantes e à Enoteca!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Taberna do Manelvina: um paraíso para os carníveros

Na povoação Cruzes, algures entre as Caldas da Rainha e a Benedita, situa-se este espaço especialmente dedicado aos carníveros (contactos 262870014/917221062). A sala está focada em dois motivos, touros e touradas por um lado, e, por outro, o vinho de qualidade, com uma parede forrada com tampas de caixas de madeira de diversas origens, todas referentes às gamas alta e média/alta.
  Eu, militante assumido de peixe, fiquei completamente rendido à excelência do que se come nesta taberna. Custa chegar à mesa, tal é a afluência de manducantes nas horas de ponta, mas depois de sentados, o ritmo do serviço é quase frenético.
Ignorada a ementa, entregamo-nos nas mãos do pessoal da taberna, que vão poisando na mesa pão e broa, ainda quentes, salada de tomate com orégãos (o único produto não carnívoro), enchidos (chouriço de carne, morcela de arroz e alheira), entremeada com batatas fritas caseiras, febras (muito macias e bem temperadas) e vitela (talvez a comida menos entusiasmente). No final do repasto, uma simpática oferta de Cascol (vinho abafado) e Agua do Luzo (aguardente).
Quanto ao sector vínico, a carta tem uma selecção surpreendente para este tipo de espaço, copos de qualidade (a pedido) e um armário térmico para tintos. Não bebi vinho. Os amigos que me convidaram não são apreciadores e escolheram uma sangria tinta. Os enófilos que me perdoem...
A concluir, a Taberna do Manelvina é um espaço altamente recomendável, especialmente para os militantes da carne. Só um aspecto menos simpático, é preciso levar dinheiro, pois o restaurante tem o Visa/Multibanco fora de serviço.

sábado, 12 de outubro de 2013

Curtas (XVIII)

1.Mercado de Vinhos de Campo Pequeno
Com o sub-título "Pequenos Produtores - Grandes Descobertas", os responsáveis do Campo Pequeno vão realizar, no fim de semana de 1 a 3 de Novembro, das 11h30 às 21h30, a 2ª edição do Mercado de Vinhos.
Esta feira não se esgota nos vinhos, que podem ser provados e comprados, incluindo uma apreciável oferta de produtos "gourmet".
Uma oportunidade única de se comprar directamente ao produtor.
2.Vinhos do Alentejo
Mais de 70 produtores vão pôr à prova os seus vinhos no Centro Cultural de Belém, nos próximos dias 18 (16h/21h) e 19 de Outubro (15h/21h).
A entrada é livre, mas o copo de prova custa 3 €.
3."Leitoando" em Lisboa (II)
Actualizando o que escrevi nas crónicas "Curtas (VIII) e "Leitoando em Lisboa", publicadas em 23/5/2013 e 20/12/2012, pode-se também comer leitão em:
.Tasca da República, que apesar de ter mudado de dono mantém o mesmo fornecedor de leitão à Bairrada (sempre à 5ª feira).
 .Bota Feijão, onde se come seguramente o melhor leitão em Lisboa. Fica na R.Conselheiro Lopo Vaz, nas bordas de Moscavide. Mas nem tudo são rosas neste restaurante, pois encerra Sábado e Domingo e não aceita cartões, o que se lamenta profundamente.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Grupo dos 3 (32ª sessão)

Após uma longa pausa no verão, recomeçaram as provas cegas deste núcleo duro. Os vinhos eram da garrafeira do João Quintela, que escolheu o restaurante principal do Corte Inglês, já nosso conhecido. Em alta estiveram uma belíssima cabeça de garoupa no forno e um serviço de vinhos exemplar.
Desfilaram:
.Terra a Terra Reserva 2011 branco - presença de citrinos, notas florais, fresco e mineral, um toque amanteigado e um bom final; todo ele muito equilibrado. Uma boa surpresa que serviu para aquecer os motores e acompanhar o couver. Nota 17.
.Aneto Grande Reserva 2006 - nariz exuberante, especiado, notas de chocolate preto e tabaco, acidez equilibrada a dar-lhe vida, taninos presentes, volume de boca e um grande final. Em forma mais 6/7 anos. Um vinho de excepção num ano complicado (talvez o melhor 2006 produzido em Portugal). Nota 18,5 (noutra situação também 18,5).
.Momentos 2006 - nariz contido, alguma fruta, notas florais, acidez no ponto, taninos domados, estrutura e bom final de boca; um belo vinho de um enólogo pouco badalado, o Luis Soares Duarte. A beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Moscatel de Setúbal 1979 José Maria da Fonseca - notas de laranja e limão, presença de frutos secos, iodo e caril, bom final de boca; um bom Moscatel, embora sem a complexidade dos grandes vinhos da JMF. Nota 17,5.
Mais uma boa jornada deste grupo de amigos. Obrigado João!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Jantar Casa de Santar

A Garrafeira Néctar das Avenidas organizou mais um jantar vínico, desta vez em parceria com o restaurante da Ordem dos Engenheiros. Foi o 28º, o que é obra! Curiosamente, coincidiu com o 17º aniversário das Coisas do Arco do Vinho, efeméride que o João Quintela, muito simpaticamente, fez o favor de lembrar.
O tema deste evento eram os vinhos da Casa de Santar, que foram apresentados pelo Osvaldo Amado, responsável pela enologia deste produtor. E isto, em plenas vindimas!
Dos vinhos apresentados, sobressairam o casal Condessa de Santar branco e o Conde de Santar tinto, dois belíssimos vinhos, com o branco a entrar para o meu Quadro de Honra e o tinto a ficar lá perto. A realeza portou-se bem!
Vamos, então, aos comeres e beberes:
.Espumante Condessa de Santar 2010 - cumpriu bem a sua missão, acompanhando uma série de canapés; não tive a oportunidade de anotar as minhas impressões. Nota 16,5+.
.Casa de Santar Reserva 2011 branco - com base nas castas Bical, Cerceal e Encruzado, fermentou em barricas de carvalho francês; simples, fresco, notas de citrinos, alguma gordura, madeira ainda presente; consumo imediato. Nota 15,5+.
Fez companhia a um creme de abóbora com lascas de presunto.
.Condessa de Santar 2011 -  a partir das castas Encruzado e Bical, estagiou cerca de 6 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e fruta madura, acidez equilibrada, notas fumadas, gordura mais acentuada, madeira muito fina, volume de boca e bom final; gastronòmico e claramente um vinho de outono/inverno; a consumir nos próximos 2/3 anos. Nota 17,5+.
Acompanhou bem um lombo de robalo com camarão e etc.
.Conde de Santar 2009 - com base nas castas T.Nacional, Alfrocheiro e Tinto Cão, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês; fruta ainda presente, notas florais, especiarias e chocolate preto, boa acidez, elegante e equilibrado, taninos bem presentes, acentuado volume de boca e persistência final; ainda vai crescer em garrafa; em forma mais 7/8 anos. Nota 18.
Óptima maridagem com um excelente lombinho de javali, arroz selvagem, cogumelos e castanhas.
.Outono de Santar Colheita Tardia 2011 - nariz discreto, muito fresco e elegante, mas a faltar-lhe alguma gordura. Nota 14,5.
Fez companhia a um pudim do Algarve com frutos secos, algo desinteressante.
Louve-se o esforço da equipa da O.E., mas falta-lhe alguma rodagem. De qualquer modo, mais uma boa jornada vínica.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Coisas do Arco do Vinho : 17 anos depois (II)

2.Gestação e preparação do projecto
A ideia nasceu no decorrer de um jantar vínico organizado pela Revista de Vinhos. Aí ficaram definidas as linhas mestras do que viria a ser a loja Coisas do Arco do Vinho. O conceito, inovador e pioneiro na altura, contemplava 4 áreas de negócio, a saber, vinhos, acessórios para o serviço do vinho, mercearia fina e livraria especializada. O jantar vínico teve lugar em Abril 1996 e as CAV abriram em Setembro do mesmo ano, em tempo recorde.
Cientes que não sabíamos tudo, conversámos com algumas pessoas já nossas conhecidas, o que de algum modo nos ajudou a clarificar o projecto. Para memória futura, fica registado que nos reunimos, em separado:
.em Lisboa, com o saudoso David Lopes Ramos, José Salvador, João Paulo Martins e José Quitério
.em Sangalhos, com o Luis Lopes
.no Porto, com Dirk Niepoort, Maria Emília Campos e Ricardo Nicolau Almeida
3.A primeira crónica
Ao longo dos 13 anos de vida em que estivémos à frente das CAV, praticamente todos os órgãos de comunicação social se referiram ao projecto, fizeram-nos entrevistas e aparecemos na maioria dos canais televisivos.
A realçar algum, parece-me de inteira justiça lembrar a 1ª crónica sobre as CAV, que foi publicada, em 6 de Outubro de 1996, na Pública (suplemento do Público) e assinada pelo David Lopes Ramos.
Eis o que o DLR escreveu na altura:
"(...) Chamaram-lhe Coisas do Arco do Vinho (...) e lá está um espaço muito bem decorado, bem arrumado e com uma selecção de vinhos - com destaque para os tintos e Porto - de se lhe tirar o chapéu. Além disso, ainda tem lugar para acessórios do vinho, nomeadamente copos, entre os quais os Riedel, (...)livros sobre gastronomia e vinhos e "delicatessen", por exemplo, doces conventuais bejenses(...)".

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Curtas (XVII)

1.Uma garrafeira em expansão...
A Garrafeira Néctar das Avenidas expandiu-se para o nº 31 da Av. Defensores de Chaves, mantendo-se na Luis Bivar. A inauguração do novo espaço, onde coexiste o vinho com brinquedos (pode-se dizer que é vocacionado para a faixa etária dos 8 meses aos 80 anos), teve lugar no passado sábado.
Felicidades para o novo projecto, são os meus votos.
2.E outra a nascer
Bem perto do Napoleão e da nova loja da Garrafeira Nacional, nasceu a Ruoao Wines, em plena Rua dos Fanqueiros. Feroz ou sã concorrência? Só o futuro o dirá.
Pela conversa com a dona, prejudicada por um fundo sonoro excessivamente alto, percebi que é gente já ligada ao vinho. Têm uma loja em Xangai, pasme-se!
3.Guia 2014 do João Paulo Martins
Acabou de chegar às livrarias o novo Vinhos de Portgal 2014, o 20º guia da autoria do JPM. É obra!
Em crónica futura, direi alguma coisa sobre este "pesadelo" com 674 páginas.
4.Lisboa Restaurant Week 2013
O LRW vai estar disponível no período de 10 a 20 de Outubro, com 49 restaurantes aderentes em Lisboa e arredores. É de aproveitar!
Mais informações em www.restaurantweek.pt.

domingo, 29 de setembro de 2013

Coisas do Arco do Vinho : 17 anos depois (I)

Vou relembrar um pouco da história das CAV. Na crónica de hoje vou referir-me à inauguração, ocorrida em 27 de Setembro de 1996 e que teve lugar no CCB. Para memória futura, adiante direi quem participou ou passou por lá, fossem figuras públicas ou ligadas ao vinho, como foi o caso de alguns produtores e enólogos ou críticos de vinhos. Numa próxima crónica, abordarei a gestação e preparação do projecto, finalizando com um extracto da primeira notícia que se publicou sobre as CAV.
1.A inauguração
Ainda hoje me surpreende como é que 2 enófilos, sem qualquer ligação institucional ou familiar ao mundo do vinho, encarados como "out-siders" ou nem sequer levados a sério, conseguiram quase o pleno na resposta aos convites formulados. Segundo o levantamento feito na altura, compareceram 72 convidados, número que inclui amigos e familiares.
Destaco os institucionais, como foi o caso de José Soeiro (Presidente do IVV), Diogo Tavares (vice-presidente do ICEP), José Pestana (chefe de gabinete do Presidente da CML, João Soares na altura) e o próprio CCB, com a presença de 2 Directores (um era a Teresa Leal Coelho, na altura a responsável pela área comercial).
Algumas figuras públicas ou influentes na sociedade também responderam à chamada, como foi o caso de Simonetta Luz Afonso (Presidente da Expo 98), Fernando Lopes (por ele e em representação da Maria João Seixas), Vasco Lourenço (Associação 25 de Abril), Jean Pierre Carrer (Presidente da Direcção Geral da Renult), Chaves Ferreira (da editora com o mesmo nome), Homem Cardoso (prestigiado fotógrafo).
Do mundo do vinho estiveram Maria Emília Campos (Churchill), Luis Pato, Virgílio Loureiro, Vasco Penha Garcia, Rui Moura Alves, José Bento dos Santos (embora, na altura, ainda não fosse produtor) e José Serôdio (Sogrape e Clube Unibanco).
Da imprensa especializada e, também, da generalista, compareceram Luis Lopes, João Paulo Martins, João Geirinhas (todos da Revista de Vinhos), o saudoso David Lopes Ramos (Fugas/Público), José Quitério (Expresso), Oliveira Figueiredo (Diário de Notícias, entretanto falecido) e Santos Mota (Escanção).
Esta data, 27 de Setembro, foi anualmente lembrada e festejada até 2009 (saímos em Março de 2010), atingido o pico em 2006, com as comemorações do 10º aniversário, objecto de 3 crónicas, sob o título "Lembrando o 10º aniversário das Coisas do Arco do Vinho", publicadas em 11, 14 e 15 de Outubro 2012. 


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Rotas do Vinho

Começa na próxima noite de sábado para domingo (00h15), no Canal SIC, a série Rotas do Vinho, que irá contemplar, penso eu, todas as Regiões Demarcadas. O programa será protagonizado pelo enólogo Helder Cunha (Monte Cascas) e pelo actor José Fidalgo. Espero que corresponda à nossa expectativa.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Curtas (XVI)

1.Rescaldo de Sesimbra
Nos primeiros dias deste mês, instalei-me no Hotel do Mar, em Sesimbra que, apesar de velhote, é muito simpático e tem uma situação invejável, mesmo junto à praia.
Os almoços eram feitos num restaurante em cima da praia, o Serafim, onde se pode comer sempre peixe fresco e umas ameijoas memoráveis, a preços decentes. Quanto a vinhos, a lista, pouco interessante, além de mal estruturada, omite os anos de colheita. Para além de umas imperiais, bebeu-se o Catarina 2012 - um pouco marcado pela madeira, déficite de fruta, notas amanteigadas e algum volume de boca. Boa relação preço/qualidade. Nota 15.
Os jantares decorriam no restaurante do hotel, cuja ementa não ficou na memória. A carta de vinhos é curta, pouco imaginativa, sem a modalidade a copo, preços não amigáveis e sem datações, o que num restaurante de hotel, é imperdoável. Bebeu-se o Prova Régia 2010 que é sempre o meu refúgio, em casos de aflição - fresco, limonado, elegante, acidez equilibrada. Nota 16+.
2.Cidadela de Cascais
Por sugestão de um casal amigo, que não conhecia este novo espaço, ocupado pela Pousada, rumámos à Cidadela de Cascais, com o objectivo de almoçarmos na Taberna da Praça, o wine bar onde se podem comer uma série de petiscos tradicionais.
Azar o nosso, era uma 5ª feira e a Taberna estava fehada (só serve jantares e almoços no fim de semana). Mas já que estávamos por ali, fomos conhecer o Maris Stella, o restaurante da Pousada.
A vista para a baía de Cascais é espectcular, mas o resto...Comemos caro, mas nada ficou na memória. A carta de vinhos tem algumas boas referências e uma razoável oferta de vinho a copo, mas os preços são, quase todos, proibitivos. Optei pelo mais acessível da lista, o Prova Régia 2012, a portar-se muito bem. O serviço foi correcto, pois a garrafa foi mostrada e o vinho dado a provar.
Mas, surrealismo puro, no decorrer do almoço, atravessou o restaurante um grupo de clientes da Pousada, vindos da piscina, em calção de banho e tronco nú, escorrendo água! E esta, hem?
3.O Instituto do Vinho... da Madeira (IVBAM) acordou
O IVBAM, isto é, o Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, acordou de uma longa letargia de décadas! Pudera, com um nome destes...
Um comunicado do IVBAM, difundido através da EV - Essência do Vinho, refere que 5 casas de Vinho da Madeira (Blandy, Henriques & Henriques, Justino's Madeira Wines, Pereira de Oliveira e Vinhos Barbeito) vão apresentar alguns dos seus néctares em Paris, Londres, Copenhaga e Haia, em provas orientadas pelo "(...) crítico de vinhos português de maior renome, Rui Falcão (...)".
Isto é bom para o Vinho da Madeira, mas palpita-me que alguém não vai gostar nada de ler este comunicado. Adivinhem lá quem será.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Dão à Prova: última participação


A minha última participação no Dão à Prova foi no restaurante Sessenta, já referido em "Almoço no Sessenta", crónica publicada em 1/6/2011. Diga-se, desde já, que o serviço de vinhos neste espaço é de qualidade, com o carrinho da CVRDão bem á vista, bons copos embora sem marcação da quantidade, temperaturas correctas, além de as garrafas serem mostradas e os vinhos dados a provar. Resultado: "serviço de qualidade", 2 (Viva Lisboa e Sessenta) - "mau serviço", 1 (Can the Can).
Provou-se, a copo:
.Pedra Cancela 2012 - com base nas castas Malvasia, Encruzado e Cerceal; nariz contido, muito fresco e elegante, belíssima acidez a prolongar-lhe a vida; ligou bem com uma salada de entrada. Nota 16,5.
.Casa de Santar 2011 - co base nas castas T.Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro; notas florais, fresco, elegante, equilibrado, volume de boca e bom final; maridou bem com um rolo de carne. Nota 17,5+.
No final, fora do âmbito do Dão à Prova, bebeu-se, em copo grande, Borges Verdelho 20 Anos (medalha de ouro no International Wine Challenge), um Madeira de eleição levado pelo João Quintela - acidez fabulosa, notas de iodo, caril e brandy, taninos presentes, assinalável volume de boca e grande final. Nota 18,5.

sábado, 21 de setembro de 2013

Vinhos em família (XLVI)

Esta 46ª prova não se limitou aos vinhos da minha garrafeira, alguns foram bebidos em restaurantes. E nem todos foram degustados exclusivamente em família. São 4 brancos, dos quais 2 Alvarinhos, e um surpreendente tinto, cuja marca desconhecia completamente.
.Anselmo Mendes Curtimenta 2011 - fermentou parcialmente com as películas e estagiou 9 meses em barricas usadas; presença de fruta madura (melão, pêssego, ameixa), acidez equilibrada, alguma gordura, volume de boca e gastronómico; só se mostra quando a temperatura sobe para os 10/12º. Nota 17.
.Anselmo Mendes Parcela Única Alvarinho 2011 - nariz exuberante, limonado, notas tropicais, boa acidez, toque amanteigado, madeira discreta, estrutura e final muito longo; também é gastronómico. Nota 17,5+.
.Qtª Bageiras Garrafeira 2010 (garrafa nº 2429 de 2743) - com base nas castas Maria Gomes e Bical de vinhas velhas, fermentou em tonel de madeira avinhado; austero no nariz, mineral, notas metálicas, alguma estrutura e final de boca. Nota 17.
.Almeida Garrett Chardonnay 2010 (bebido no Callum, restaurante do Hotel Santa Margarida, em Oleiros) - fermentou em madeira de carvalho francês; muito aromático, notas limonadas, acidez equilibrada, alguma gordura, estrutura e gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 16,5+.
.H.O. 2010 (bebido no restaurante 1ª Direito, oferta da casa) - um Douro desconhecido, produzido e engarrafado por Horta Osório Wines. Enologia do João Brito e Cunha, a partir das castas T.Nacional, Touriga Franca e Sousão de vinhas velhas; estagiou em barricas novas de carvalho francês e foi engarrafado em junho de 2012; nariz complexo, especiado, notas de tabaco, acidez equilibrada, volume de boca, final muito longo. Grande surpresa! A beber desde já ou nos próximos 3/4 anos. Nota 17,5+.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Almoço com Vinhos da Madeira (10ª sessão) : o regresso a S. Francisco da Serra

Mais uma edição memorável com este grupo de privilegiados militantes de Vinhos da Madeira, que decorreu da melhor maneira na casa da Lena e do Juca. Agradável e são convívio, 16 vinhos provados (2 espumantes, 7 brancos, 3 tintos e 4 Madeiras) e os anfitriões, inspirados, a brilharem na cozinha.
Vou apenas centrar-me nos Madeiras, referindo apenas os restantes 12, a saber: Murganheira Assemblage 98 e Rosé 06 (a cumprirem bem a sua função), Morgado Stª Catherina 09 (um dos melhores brancos nacionais, não me canso de o beber), Ervideira Invisível Aragonês 10 (um branco de tintas, apenas uma curiosidade), Esporão Reserva e Private Selection 06 (oxidados, mas mesmo assim o PS aguentou uma tarte de cebola e farinheira bem pesada), Duorum Vinhas Velhas 07 (para mim, o melhor dos tintos), Meruge 07 (o esperado), Qtª da Costa das Aguaneiras 07 (o mais fraco), Soalheiro Alvarinho 12, 1ª Vinhas 11 (em magnum) e Reserva 07 (estes 3 Soalheiros foram servidos no final do repasto e já não tive arcaboiço para os provar).
Mas vamos às "estrelas" da companhia, os 4 Madeiras, 2 de 79 a fazerem o corte do palato entre as entradas e o prato principal, e 2 de 77 a acompanhar as sobremesas:
.Borges Sercial 79 (trazido pelo J.Rosa) - nariz deveras complexo, frutos secos, notas e caril, vinagrinho, volume de boca e final longo. Uma boa surpresa vinda da Borges e um dos melhores Sercial que provei, até agora. Nota 18,5.
.Artur Barros e Sousa Terrantez 79 (da garrafeira do Adelino) - aroma exuberante, notas de iodo, redondo na boca e boa persistência final. Bom, mas sem esmagar. Nota 17,5.
.Borges Boal 77 (veio com o Alfredo) - apresentou-se muito turvo, nariz discreto, notas de caril, vinagrinho, final de boca muito longo. Mais uma boa surpresa da Borges, prejudicada pelo aspecto turvo. Nota 17,5+.
.Blandy Bual 77 (engarrafado em 2007, era pertença minha) - todo ele muito complexo, notas de iodo e brandy, vinagrinho, volume de boca assinalável e final interminável. Foi o vinho da sessão. Nota 19.
De salientar a confirmação do Blandy Bual 77, a surpresa que foi a qualidade dos vinhos da Borges e a tristeza que foi a notícia sobre o encerramento breve da Artur Barros e Sousa, a marca que me iniciou nestas andanças.
E quanto a comeres? O ponto alto foi o rabo de boi estufado, saído das mãos do anfitrião. Inesquecível!
Comeu-se, ainda, uma série de entradas (tomate com mozzarela, casquinha de sapateira, pimentos recheados e tarte de cebola e farinheira), lombinhos de porco preto com puré de maçã e umas tantas sobremesas (tábua de queijos, salpicão de Braga, tarte de maçã, bolo de chocolate e bolo de mel).
Mais uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. Os anfitriões esmeraram-se. Obrigado Lena e Juca! 

sábado, 14 de setembro de 2013

Dão à Prova, mais uma vez

Para confirmar ou desconfirmar a má impressão causada pela recente visita ao Can the Can, que valeu ao restaurante um cartão vermelho e à CVR um amarelo, fui experimentar um espaço de restauração completamente desconhecido para mim. Trata-se do Viva Lisboa, restaurante do novo Neya Lisboa Hotel, situado na Rua Dona Estefânia 71, que se reclama de cozinha de fusão com base mediterrânica. É um espaço moderno, arejado, ambiente simpático, mesas despojadas, mas com guardanapo de pano.
Mas vamos ao que interessa, isto é, qual o comportamento deste espaço no âmbito do Dão à Prova. Está nos antípodas do Can the Can, com um serviço discreto mas muito profissional. O empregado (não retive o nome, mas foi muito eficiente) trouxe à mesa um carrinho com o logo da CVRDão, onde estavam os vinhos do Dão à prova. As garrafas são mostradas ao cliente e o vinho dado a provar. Tudo como mandam as regras de um bom serviço de vinhos. Mais, o empregado foi abrir outra garrafa do tinto, uma vez que a temperatura da que estava no carrinho já tinha subido. Assim é que deve ser!
Quanto aos copos, o destinado ao branco é demasiado pequeno, o de tinto já é um bom copo, mas nenhum deles está marcado, de modo que a quantidade servida é sempre a olho.
Optei pelos vinhos da Casa da Passarela Oenólogo, o Encruzado 2012 e o tinto Vinhas Velhas 2009, que confirmaram o que escrevi na crónica "Novos vinhos da Casa da Passarela", publicada em 4/7/2013. Cada copo custou 3 €, um óptimo preço, aliás recomendado pela CVR.
Quanto à lista de vinhos do restaurante, a selecção não é nada ambiciosa e as datas de colheita não são mencionadas, o que se lamenta. Um aspecto a rever.
Resta dizer que, em tempo de crise, aproveitei a oportunidade de almoçar por 9,90 €, com direito a entrada (quiche Lorraine com sua salada), prato (atum à Brás) e sobremesa (ananás da Madeira flamejado, com gelado de baunilha). Comida correcta, mas sem entusiasmar.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Curtas (XV)

1.Ainda o Dão à Prova
Tive, hoje, a ocasião de constatar que a CVRDão disponibilizou, aos restaurantes aderentes, um carrinho onde se colocam os vinhos à prova que, assim, facilmente podem ser mostrados aos clientes. Só que o Can the Can não o utiliza. O que lhe teriam feito? Cartão vermelhíssimo!
Ó senhores da CVRDão, não podem excluir o Can the Can dos restaurantes aderentes? Os clientes agradecem. 
2.Portugal Wine Room
É o nome de mais uma garrafeira que abriu em Lisboa. Inaugurada no dia 10/9, situa-se na Rua Ricardo Jorge, 3 A (em Alvalade), bem próximo do Salsa & Coentros. Uma visita breve deu para perceber que tem uma selecção cuidada e a bons preços.
3.Honorato 2
Comparado com o primeiro Honorato, este, localizado na rua de Santa Marta, no espaço que pertenceu ao Luca, está identificado à entrada, é francamente mais desafogado, tem outro ambiente e outra clientela, de uma faixa etária mais elevada, mas, lamentavelmente, coincide na música aos berros. Mas está no "In" e quem vier depois das 13 h, arrisca-se a esperar um bom bocado.
A ementa também consta nas ardósias e o vinho, a copo, já vem servido, num recipiente a cumprir os mínimos. Este espaço merecia um serviço de vinhos bem melhor! O branco que provei, o Casa Santa Vitória Reserva, é o mesmo e mantém o preço simpático de 2,50 €.
Optei pelo hambúrguer Honorato (8,10 €), composto por, além da carne, maionese, milho, alface, tomate, bacon, ovo e queijo cheddar. Estava muito saboroso, mas veio sem tomate e queijo! Dois esquecimentos no mesmo produto é de mais. Mas não se esqueceram de cobrar na totalidade!
Ó senhores do Honorato 2, não podiam melhorar o serviço de vinhos? Os clientes agradecem.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Douro Film Harvest

Vai ter lugar, de 14 a 21 de Setembro, mais uma edição do Douro Film Harvest (DFH).
Segundo a organização "O Douro Film Harvest é um evento que se diferencia por combinar cinema, gastronomia e música de uma forma única. Prima por apresentar algumas das melhores colheitas de filmes no cenário soberbo do Douro e do Porto, ambos património da humanidade, contribuindo para a divulgação e desenvolvimento de uma região com características únicas e com um enorme potencial. Em plena época das vindimas, o DFH leva ao Douro alguns dos nomes mais conceituados da indústria cinematográfica, mediatizando o turismo nacional a nívem internacional."
Mais informações em www.dourofilmharvest.com.pt/programa.aspx.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cartão amarelo à CVR Dão

A Revista de Vinhos e alguns orgãos de comunicação social, publicaram um anúncio de página inteira, com o destaque "Dão à Prova", referindo "De 6 a 22 de Setembro, prove excelentes vinhos do Dão a copo por um preço especial. (...) Saiba mais em www.cvrdao.pt". Na lista de restaurantes aderentes, em Lisboa, aparecem Assinatura, Aviz, Can the Can, Cantina da Estrela, Casa da Dízima, Clara Jardim, Faz Figura, Jockey Club, La Paparrucha, Petra Rio, Sessenta, Varanda de Lisboa, Tagide, Volver by Chacall, Associação Naval de Lisboa e Viva Lisboa.
Uma boa ideia a explorar, partindo do princípio que a escolha da CVRDão tinha sido criteriosa e optado por espaços de restauração de referência ou conhecidos por terem um bom serviço de vinhos, embora tivesse estranhado a inclusão do Can the Can, ao qual eu já lhe atribuira um cartão amarelo no serviço de vinhos (ver "O novo Terreiro do Paço revisitado", crónica publicada em7/10/2012). Mas, apesar das minhas reticências, resolvi comprovar essa situação, partindo do princípio que o restaurante, ao ser um dos seleccionados, se comportaria de modo a merecê-lo.
Puro engano, as deficiências por mim apontadas continuam na mesma.
Dos 3 vinhos do Dão à prova, mandei vir:
.Qtª do Perdigão Encruzado 2012 - limonado, notas florais, fresco, madeira ainda presente a pedir tempo de garrafa, volume e bom final de boca. Nota 17.
.Casa da Passarela Oenólogo Vinhas Velhas 2009 - nem o cheguei a provar pois, apesar da minha recomendação prévia, o vinho vinha à temperatura ambiente, ou seja, quente! Mandei-o de volta e continuei com o branco.
De lamentar, ainda, que os copos já vêm servidos, sem direito a vislumbrar a garrafa, o que pode possibilitar que seja servido gato por lebre. O serviço é, de um modo geral lento, descoordenado e atrapalhado.
Como nem tudo são desgraças, os copos são muito aceitáveis e o preço (3 €) é de aplaudir.
Finalmente, atribuição de cartões:
.Amarelo à CVRDão, por não ter sido rigorosa na selecção dos restaurantes
.Vermelho ao Can the Can, por acumulação
Tenciono experimentar mais um ou outro restaurante seleccionado pela CVRDão, esperando não ter mais desilusões.

domingo, 8 de setembro de 2013

"Descobre", mais uma vez

Recentemente, fiz mais 2 incursões no "Descobre Restaurante Mercearia", já aqui referido anteriormente em "Petiscos em Lisboa (V)" e "Curtas (IX)", crónicas publicadas em 9/8/2012 e 5/6/2013. O Descobre é, para mim, o espaço de restauração, em Lisboa, onde se podem comer os mais variados e sofisticados petiscos. E também, onde o cliente pode beber vinho, a copo ou à garrafa, sem correr o risco de ser espoliado, como, lamentavelmente, acontece em muitos restaurantes. Basta ir à sala do lado (à mercearia), escolher uma garrafa e levá-la para a mesa. No fim, paga a garrafa ao preço da prateleira (com 13 % de IVA, se for vinho de mesa/consumo) acrescido de 20 % da taxa de rolha (com 23 % de IVA).
Nestas últimas visitas, bebeu-se à garrafa:
.Munda Encruzado 2010 (paguei 13,90 + 2,78 €) - enologia do Francisco Olazabal; aroma intenso, limonado, acidez bem presente, fresco e mineral, alguma gordura, volume de boca e final longo; muito gastronómico, acompanhou bem toda a refeição. Nota 17,5+.
.Esporão Reserva 2011 branco (paguei 14,50 + 2,90) - não houve ocasião para tomar notas de prova, mas também acompanhou bem todo o repasto. Nota 16,5.
Os vinhos foram dados a provar e servidos em bons copos. De referir que que os 30 vinhos que podem ser degustados a copo, são servidos em recipiente marcado com 15 cl, em vez de o serem a olho.
Para se fazer uma ideia do que se come por aqui, nestas 2 visitas optámos por:
.descobre os nossos camarões
.pica de lulinhas
.pica de polvo em Vinho do Porto
.pica de mexilhões em escabeche e em vinagreta
.pica de pato com laranja
.espetadinha de lombo à Madeirense
.filetes de sarda com ervas
.acompanhamentos diversos (abóbora com suas sementes, beterraba com maçã, batata doce salteada com sésamo, legumes grelhados e batata doce assada)
.sobremesas (doce de ovos com sorvet de limão, mousse de abacate e lima)
A fechar, a única crítica que faço e já fiz em crónica anterior, é quanto ao preço do couver para 1 ou 2 pessoas (5,80 €). No entanto, se forem mais convivas, o preço dilui-se, como foi o caso destas últimas visitas (ficou por 1,90 por cabeça).
De qualquer modo, é um espaço que gosto muito e recomendo vivamente aos enófilos e gastrónomos.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Visita à Adega Mãe (III)

5.A Fugas e a Adega Mãe
Curiosamente, no dia em que visitei a Adega Mãe, já em casa e entretido a ler o Público, fiquei deveras surpreendido ao encontrar na pág.29 da Fugas (separata do jornal de sábado), este sugestivo título "Um Alvarinho de Lisboa com a mesma frescura atlântica do Minho". Tratava-se da proposta da semana, com uma bela fotografia do vinho seleccionado. Nada menos que o Adegamãe Alvarinho 2012, que provara na manhã desse mesmo dia. Ele há cada coincidência...
A nota crítica é assinada pelo jornalista Pedro Garcias que dos 4 monocastas, por ele provados, destaca o Alvarinho e o Viosinho, deixando para segundo plano o Viognier que "ainda está muito marcado pela madeira"  (concordo em absoluto e já o afirmei na crónica anterior) e o Chardonnay o qual "mostra-se demasiado maduro, apesar da suculência da fruta e da excelente acidez que possui" (não concordo que esteja assim tão maduro, mas respeito a opinião).
A propósito, recomendo a leitura da Fugas, pois para além do crítico citado, as páginas dedicadas ao vinho contam, ainda, com o Manuel Carvalho e o Rui Falcão, jornalistas especializados nesta área já com provas dadas. Considero o Público o orgão de comunicação social generalista mais atento a assuntos vínicos e gastronómicos. Há sempre notícias, como a referida, que podem interessar aos enófilos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Visita à Adega Mãe (II)

3.A prova
Sob a orientação do enólogo residente, Diogo Lopes de seu nome, provámos 5 brancos (1 Dory e 4 monocastas Adegamãe, todos da colheita 2012) e 2 tintos. Diga-se desde já que, de um modo geral, todos os vinhos deste produtor têm uma relação preço/qualidade imbatível e que é de assinalar a frescura e a mineralidade de quase todos os brancos, abençoados pela proximidade do Atlântico. Para mim, a surpresa foi o branco Dory Colheita, cujo preço recomendado fica abaixo dos 4 €! E a desilusão, relativa, foi o monocasta Viognier, que ainda não conseguiu "digerir" o excesso de madeira que o penalisa.
Passemos aos vinhos, pela ordem em que foram provados, com notas de prova telegráficas e respectivas pontuações, exclusivamente da minha responsabilidade.
.Dory 2012 branco - com base nas castas Arinto, Viognier e Fernão Pires; nariz exuberante, notas tropicais, acidez, alguma mineralidade, volume e final de boca médios. Para consumir jovem e óptimo para acompanhar aperitivos e entradas leves. Foi a surpresa da prova. Nota 16. Fico a aguardar com alguma expectativa a saída do Reserva.
.Alvarinho - nariz discreto, muito fresco e mineral, bom volume de boca, equilibrado e elegante, a bater-se bem com alguns Alvarinhos de Monção e Melgaço. Vai crescer na garrafa nos próximos 4/5 anos e recomenda-se para acompanhar entradas, marisco e peixe grelhado. Foi também uma boa surpresa. Nota 16,5+. O preço recomendado para os monocastas é abaixo de 6 €, o que é uma excelente notícia.
.Viosinho - nariz intenso, fruta madura, notas amanteigadas, acidez equilibrada, estrutura média e bom final de boca. Interessante, mas sem arrasar. Acompanha bem entradas menos leves, peixe grelhado e carnes brancas. Nota 16+.
.Chardonnay - nariz bem presente, citrinos, notas florais, alguma gordura mas fresco, equilibrado e acentuado volume de boca. Aguenta entradas mais pesadas e pratos de bacalhau. Nota 16+.
.Viognier - estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês; aroma fumado em excesso, a tosta a sentir-se demasiado na boca, algo desequilibrado, com a acidez a fugir. Tenho alguma dificuldade em encontrar parceiro na comida. Nota 15.
.Dory 2011 tinto - com base nas castas Aragonês, Syrah e Caladoc; nariz discreto, alguma fruta e frescura, estrutura e final de boca médios; um pouco rústico. Pode acompanhar bem feijoadas e outros pratos mais ou menos pesados. A beber novo. Preço recomendado inferior a 4 €, um achado. Nota 15,5.
.Dory Reserva 2010 - com base na Touriga Nacional e Syrah, estagiou 12 meses em barricas novas de carvalho francês; aroma sofisticado, notas especiadas, tabaco, madeira discreta, acidez equilibrada, taninos presentes mas civilizados, bom volume e final de boca adocicado. Falta-lhe um pouco mais de acidez para dar o salto para outro patamar. Em forma mais 3/4 anos. Pede um cabrito no forno. Preço recomendado abaixo dos 10 €, uma pechincha! Nota 17.
De referir que este Reserva teve uma óptima prestação no painel dedicado aos vinhos de Lisboa (ver a Revista de Vinhos de Maio 2013).
A fehar este ponto, é de inteira justiça referir que a equipa de enologia é assessorada pelo Anselmo Mendes, também conhecido por "rei dos alvarinhos", que está neste projecto desde a sua génese.
4.O almoço
Foi uma boa sessão de convívio dos donos da casa com o grupo de bloguistas visitantes. O almoço incluiu, com não podia deixar de ser, depois de uns apetecíveis pastelinhos de bacalhau, acolitados por azeite e azeitonas da casa, uns lombos de bacalhau Riberalves memoráveis.
Os vinhos da prova estavam disponíveis e todos podiam ser testados com a comida.
Aceitei parcialmente o desafio e voltei a provar uns quantos, alguns a comportarem-se diferentemente.
Assim, o Dory branco portou-se bem com os pastelinhos, mas passou por baixo do bacalhau. O Alvarinho foi a estrela na maridagem com as entradas e aguentou-se com o prato principal. O Chardonnay foi o que teve a melhor prestação, entre os brancos, com o bacalhau, enquanto que o Viognier, curiosamente, se portou melhor na mesa do que na prova. O Viosinho e o Dory Colheita não foram postos à prova. O Dory Reserva foi o que me deu maior prazer no confronto com o bacalhau.
No final da visita, cada um de nós levou para casa os vinhos provados, com excepção do Viognier. Obrigado, Adega Mãe!
Numa próxima e última crónica, a propósito dos vinhos da Adega Mãe, falarei no Fugas (suplemento de sábado do jornal Público).

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Visita à Adega Mãe (I)

1.Preâmbulo
A convite dos responsáveis, visitei recentemente a Adega Mãe, um produtor de vinhos de tenra idade, cujas vinhas e adega se situam nas proximidades de Torres Vedras, a uma dúzia de quilómetros do Atlântico.
A Adega Mãe pertence ao grupo Riberalves e, em 2011, juntou-se ao negócio do bacalhau, da imobiliária e dos cafés. Em estilo moderno, está muito bem desenhada e inserida na paisagem, além de ter uma vista fabulosa para a área envolvente, através de rasgadas janelas.
Tem uma boa capacidade, ao dispor de 21 cubas para 18 toneladas de uvas cada. Quanto a barricas, quase todas de carvalho francês, conta com 150 para o Reserva tinto (10 % são de carvalho americano) e 25 para o Reserva branco.
De salientar, também, a sua preocupação pedagógica ao instalar, em vários pontos da visita, vídeos que contemplam algumas das etapas do ciclo de produção, desde a chegada das uvas ao produto final.
Apesar de neófitos, já conseguiram internacionalizar a marca com a presença de 2 dos seus vinhos (Dory Reserva 2010 tinto e Adegamãe Viosinho 2012) na Bienal de Veneza, integrados no Projecto Trafaria Praia da artista plástica Joana Vasconcelos. É obra!
2.A Adega Mãe e a blogosfera
De louvar a atitude deste produtor ao abrir as suas portas, pela 2ª vez segundo creio, a um grupo de bloguistas e afins.
Os convidados foram recebidos pelo próprio director geral, Bernardo Alves de seu nome.
Para memória futura tiveram presentes, por ordem alfabética:
.Adega dos Leigos (Nuno Ciríaco)
.Air Diogo num Copo (Diogo Rodrigues)
.Enófilo Militante (eu próprio)
.Jójójoli (Jorge Nunes)
.Reserva Recomendada (Rui Pereira)
.Wine & Lifestyle (André Peres)
Em próxima crónica falarei sobre os vinhos (na prova e no almoço).