quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Guia 2012 do João Paulo Martins (I)

Já está no mercado o guia "Vinhos de Portugal 2012" do JPM que se publica desde 1995, sem interrupções. É de facto, como se pode ler na capa, "o guia de vinhos de maior sucesso em Portugal". O JPM é uma instituição e a consulta deste guia obrigatória. Mas não é "o guia mais antigo do país", como consta na contra-capa e que pode induzir os leitores em erro. Deveriam ter acrescentado que é, sim, o mais antigo dos que ainda se publicam. O pioneiro foi o "Guia de Vinhos Portugueses 1990", mais conhecido por Guia da Comporta, saído para o mercado em 1989. Da responsabilidade de Ponte Fernandes e Nelson Heitor, publicou-se até à versão de 1994. Seguiu-se, um ano depois, o "Roteiro dos vinhos portugueses 1991" do José António Salvador (JAS), que se despediu dos seus leitores com o roteiro de 2003. Só em 1994 é que foi publicado o 1º guia do JPM, que chegou a colaborar com o JAS no "Jornal à Mesa", separata do saudoso semanário "O Jornal". Está feito o devido esclarecimento.
A ideia corrente de um guia é que deve ser de fácil de consulta e transportável no bolso ou debaixo do braço. Lembro-me de ver clientes das CAV que entravam na loja para fazer compras já com o guia do JPM na mão.
Mas, agora, o guia é um pesadelo. Nos últimos anos aumentou mais de 50%. Das 419 páginas do Guia 2010, passou para 636 neste Guia 2012, ou seja um aumento de cerca de 52% ! Para quem não se lembre ou ainda não se interessava por vinhos, os guias do JPM tiveram as seguintes páginas : 291 (Guia 95), 282 (96), 305 (97), 251 (98), 272 (99), 325 (00), 364 (01), 355 (02), 456 (03), 384 (04), 342 (05), 382 (06), 415 (07), 463 (08), 444 (09), 419 (10), 556 (11) e agora 636 (12).
Eu entendo que cada vez há mais vinhos que o JPM tem que provar, mas sendo assim tem que cortar noutros lados, sob pena de guias futuros se tornarem inconsultáveis. Manter as notas de prova de 2009 e anos anteriores não me parece fazer sentido. O capítulo "Perguntas e respostas sobre os vinhos" igualmente. Hoje em dia, quem compra o guia é suficientemente esclarecido e dispensa o "b a bá" para principiantes. Quanto á "Magia dos vinhos velhos", considerando, segundo o próprio autor :
a) "...interessa a pouca gente..."
b) "...são vinhos aparentemente fora do circuito comercial..."
c) "A variação de garrafa para garrafa aumenta com a idade..."
é perfeitamente dispensável, pois se tivermos alguns dos vinhos apreciados pelo JPM, a nossa garrafa será concerteza diferente.
Há que cortar as gorduras para precaver o futuro. Ó JPM chame os senhores do FMI, eles andam por aí!
Mas estes reparos não invalidam que eu continue a comprar o Guia e considere o JPM o crítico da Revista de Vinhos com quem mais me identifico.

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