quinta-feira, 26 de maio de 2011

Jantar de Vinhos Secret Spot no Rubro

Confesso que fui um bocado a medo para este jantar, embora soubesse que os vinhos produzidos e criados pelo Rui Cunha, que esteve presente, eram uma garantia de qualidade. No entanto não tinha qualquer referência, positiva ou negativa, deste restaurante que dá pelo nome de Rubro. A experiência que tive no passado com o seu antecessor, o Vino Tinto, não fora nada famosa e, daí, o meu receio. De qualquer modo, este jantar excedeu as minhas expecttivas pela positiva. Um menú de degustação bem concebido e com produtos de muita qualidade, vinhos bem tratados com temperaturas correctas e copos adequados, foram uma mais valia. O serviço inicialmente ressentiu-se (a casa estava cheia,coincidindo com um espectáculo marcado para o Campo Pequeno), mas depois melhorou. Mais uma vez o ex-núcleo duro das CAV marcou presença. Éramos 8 em 25, ou seja, cerca de 1/3!
O evento começou no exterior, onde puseram uma mesa repleta de excelentes tapas, a que chamaram tábuas de "pulgas" ibéricas, e ainda queijo manchego. A ideia era simpática, mas teve os seus riscos, pois alguns passantes, que nada tinham a haver com o jantar, meteram a mão nas tapas e andaram. Acompanharam 1 branco (2010) e 1 tinto (09) Vale da Poupa, marca que veio ocupar o espaço da Rhéa que foi descontinuada (pessoalmente prefiro a imagem antiga). Vinhos simpáticos que, especialmente o branco, ligaram bem com as tapas.
O menú de degustação, já com os participantes sentados no andar de cima, iniciou-se com 3 "amouse de bouche", shot de sopa de melão, tártaro de atum com manga e foie com maçã. Acompanhou o branco Crooked Vines 09, uma grande surpresa e para mim, o vinho da noite. Fruta madura, gordo na boca, fumado, excelente acidez a equilibrar o conjunto, madeira integrada, boa estrutura; melhorou quando a temperatura subiu para os 12º. Nota 17,5+.
Seguiu-se a entrada, salada de roast beef, com o tinto Crooked Vines 06. Não acho que tivesse sido uma ligação feliz. Complexidade aromática, notas de tabaco e chocolate, acidez q.b., alguma profundidade e bom final. Nota 17. Com o prato principal, um delicioso choletón, avançou o Secret Spot 05, a jóia da corôa. Já na fase adulta, ainda com fruta, especiado, excelente acidez, encorpado, final longo. Ligou muito bem com a carne. Nota 17,5+. A fechar, com uma surpreendente sobremesa, "brulé" de pera, muito pouco doce, foi servido o Moscatel do Douro Secret Spot, com mais de 40 anos. Austero no nariz,alguns citrinos e frutos secos, muito doce, a mostrar deficit de complexidade e acidez. Uma desilusão, para quem aprecia os grandes Moscatéis de Setúbal. Nota 14,5.
Em conclusão, nota alta para os vinhos de mesa do Rui Cunha e para a gastronomia do restaurante Rubro. Recomendo e tenciono voltar.
Uma achega: teria sido simpático, por parte do restaurante, que tivessem colocado em cada lugar a ementa e os vinhos servidos (a meu pedido enviaram-me por e-mail).

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