sábado, 23 de julho de 2016

Novo Formato+ (24ª sessão) : um madeira polémico, um alentejano e um moscatel excepcionais

Mais uma sessão deste grupo de enófilos, desta vez "chez" Lena/Juca, em pleno Alentejo, debaixo de um calor tórrido e depois do sofrimento que é passar a Ponte 25 de Abril nesta altura do ano.
À chegada, fomos recebidos com o espumante Soalheiro Alvarinho 2014, a mostrar uma boa acidez e bolha fina e a cumprir da melhor maneira a sua função de bebida de boas vindas.
Seguiram-se:
.Qtª de Cidrô Alvarinho 2013 - nariz contido, fruta madura, acidez nos mínimos, alguma gordura e volume. Agradável, mas sem a complexidade dos alvarinhos nascidos em seu sítio (Monção/Melgaço). Nota 16,5.
Acompanhou uma série de pequenas entradas (queijo com tomate seco, ovos de codorniz, pimentos padrón e enchidos).
.Henriques e Henriques Sercial - frutos secos, iodo, brandy, acidez nos mínimos, alguma doçura, volume assinalável e final muito longo. Este Madeira não foi nada consensual pois, não sendo nada seco, o perfil apontava mais para a casta Bual (meio doce). Abstraindo do problema da identidade da casta, gostei deste Madeira. Nota 18.
Brigou com um ceviche de tamboril (uma experiência falhada), o que também o prejudicou. Se tivesse sido servido no final com as sobremesas, outro galo cantaria.
.Qtª do Mouro Rótulo Dourado 2007 (em magnum) - nariz exuberante, ainda com muita fruta, notas vegetais, boa acidez, especiado, algum chocolate, volume e bom final de boca; grande complexidade e perfil pouco alentejano. Ainda tem pernas para andar mais 3/4 anos. Nota 18,5.
Maridou bem com um saboroso coelho estufado e puré de batata.
.Moscatel Secret Spot 40 Anos - presença de citrinos e frutos secos, notas de mel, alguma acidez, volume e final de boca notáveis. Um excelente Moscatel do Douro (o melhor, para mim) a bater-se bem com os clássicos de Setúbal. Nota 18,5.
Bem acompanhado por uma tábua de queijos, doçaria variada e salada de frutas.
No final do repasto, para limpar o palato, marchou um Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2013, a portar-se bem, como sempre.
Grande jornada de convívio, comeres e beberes. Obrigado Juca! Obrigado Lena!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Jantar Maritávora

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, desta vez no restaurante Casa da Dízima que apresentou uma ementa à altura dos acontecimentos e um serviço de vinhos, sob a batuta do Pedro Batista, de 5 estrelas.
Mas a maior surpresa, para mim, foi a alta qualidade dos vinhos brancos Maritávora, apresentados pelo produtor Manuel Gomes Mota e pelo enólogo Jorge Serôdio Borges, quando na minha memória apenas estavam presentes os tintos. Foram apresentados 5 brancos, tendo o único tinto ficado entalado entre eles. Poderia ter sido um evento exclusivamente de brancos, pois do tinto não rezará muito a história. Acrescente-se que, a partir de 2012, a produção passou a ser considerada biológica.
E eles foram:
.Branco 2014 - com base nas castas tradicionais do Douro, complementadas com a Alvarinho; muito fresco e aromático, notas tropicais e uma bela acidez. Excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+.
Foi o vinho de boas vindas e acompanhou algumas tapas, servidas na imperdível esplanada, onde também se pode refeiçoar.
.Grande Reserva Branco 2013 (previamente decantado) - com base nas castas Códega do Larinho, Rabigato e Viosinho de uma vinha velha com mais de 100 anos e a 500 metros de altitude, estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês; nariz austero, acidez e mineralidade, notas salgadas, alguma gordura e volume. Nota 17,5.
Foi acompanhado por pastéis de caranguejo real e sapateira.
.Reserva Branco 2009 - muito fresco e floral, belíssima acidez e complexidade, notas apetroladas, alguma gordura e volume, final muito longo. Foi, para mim, o branco da noite e só não é um Grande Reserva porque, até 2010, não se usava tal terminologia. Nota 18.
.Grande Reserva Branco 2010 - em tudo semelhante ao anterior, embora com menos complexidade; também me pareceu que o álcool anunciado (12,5 % vol , em todos os brancos) não correspondia à realidade. Nota 17,5+.
Estes 2 brancos maridaram muito bem com polvo corado, puré de batata doce e grelos.
.Reserva Tinto 2012 (decantado previamente) - com base nas castas T. Nacional, Tinta Roriz e T. Franca, foi vinificado com pisa a pé e estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; aroma exuberante, ainda com muita fruta, alguma acidez, taninos domesticados, volume e final de boca médios. Há que esperar por ele mais 3/4 anos. Nota 17.
Harmonizou com lombinho de porco, batata gratinada e legumes salteados.
.Reserva Branco 2008 - nariz neutro, acidez incrível, ainda com muita juventude, mas sem a complexidade do 2009 nem a do 2010, algum volume mas desaparece rápido da boca. Nota 17+.
Acompanhou um queijo amanteigado de Fornos de Algodres com figo pingo de mel.
Uma grande jornada gastronómica com excelentes brancos, mas que se arrastou demasiado.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Balcão da Esquina : novidade no Mercado da Ribeira

O chefe Vitor Sobral abriu mais uma Esquina em Lisboa. Depois da Tasca da Esquina e da Cervejaria da Esquina (agora Peixaria da Esquina), temos o Balcão da Esquina que ocupou o espaço da Alôma, no Mercado da Ribeira.
Quando lá fui, recentemente, contabilizei mais pessoal do que clientes, pois estavam 1 gerente, 5 cozinheiros/empregados de mesa e 2 empregadas de apoio à esplanada. Pelo menos, por aqui, há uma política anti desemprego.
De um modo geral, os pratos aqui são caros, claramente acima dos preços praticados pelos outros chefes. Joguei à defesa e comi uma chamuça de carne (2 €) e o famoso prego de atum com mostarda (9,50 €), que me pareceu uns furos abaixo do original, servido na antiga Cervejaria da Esquina.
Quanto a vinhos, a lista não indicava os anos de colheita e apresentava alguma faltas. Inventariei 2 espumantes, 6 brancos, 5 tintos, 3 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel, todos bebíveis a copo.
Optei pelo branco Paulo Laureano Vinhas Velhas, mas que afinal não tinham e substituiram pelo Premium 2010 (4 €), sem qualquer aviso prévio. Francamente!
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar - mostrou-se oxidado, no limite do suportável, aroma fechado, alguma acidez e volume, gastronómico mas demasiado pesado. Nota 13.
Uma nota simpática, depois de alguns pormenores criticáveis: o copo de vinho não foi cobrado, tendo-me sido garantido que aquele vinho iria ser retirado da carta.
Só espero que quem lá for, tenha uma experiência melhor que a minha...

domingo, 17 de julho de 2016

Vinhos em família (LXXIII) : um pouco de tudo

Mais uns tantos vinhos provados em família, despreocupadamente com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Foi um pouco de tudo: 2 brancos, 1 rosé, 1 tinto e 1 fortificado. Um dos brancos e o rosé foram oferta da Sogrape, uma excepção ao princípio de não aceitar amostras para prova. E eles foram:
.Druída Encruzado Reserva 2013 (produzido e engarrafado por C20, Lda !?) - a partir de uma vinha situada a 500 metros de altitude; presença de citrinos, algum tropical, fresco e mineral, notas amanteigadas, volume e final médios. Uma boa e intrigante surpresa. Nota 17,5.
.Herdade do Peso Sossego 2015 branco - enologia de Luis Cabral de Almeida, com base nas castas Arinto, Roupeiro e Antão Vaz; muito fresco e frutado, boa acidez, volume e final médios; gastronómico e excelente relação preço/qualidade. Nota 16+.
.Herdade do Peso Sossego 2015 rosé - enologia de Luis Cabral de Almeida, com base na Touriga Nacional; presença de morangos no aroma e na boca, acidez nos mínimos, desaparece rápido. Não acrescenta nada ao portefólio da Sogrape. Nota 14.
.Casa de Santar Reserva 2012 - estagiou em barricas de carvalho francês; alguma fruta e notas florais, acidez perfeita, especiado, madeira bem casada, taninos elegantes, algum volume e bom final de boca. Boa relação preço/qualidade. Nota 17,5+.
.Moscatel Alambre 20 Anos (engarrafado em 2011) - presença de citrinos (tangerina) e frutos secos, boa acidez, notas de iodo a lembrar alguns Madeiras, algum volume e final de boca acentuadamente longo. Este 20 Anos tem mais idade do que a anunciada e é, sempre, uma boa aposta. Excelente relação preço/qualidade. Nota 18,5.

terça-feira, 12 de julho de 2016

A Academia Time Out

A Academia Time Out, sediada no Mercado da Ribeira, é um espaço dedicado a aulas de cozinha, tendo como principal animador o "foodie" Rodrigo Meneses, mas que também funciona como restaurante de vez em quando, embora nunca se saiba quando se pode lá refeiçoar, o que é uma menos valia.
Já passei por esta experiência e quando almocei era o único presente, estando vagos os restantes 21 lugares (entrou um casal já eu ia nos finalmentes), o que é uma grande frustação para quem lá trabalhe. A mais valia é poder acompanhar a elaboração dos pratos, mesmo à nossa frente.
Por 12,50 € faz-se uma refeição com direito a couver (pão e azeite), prato, sobremesa e um copo de vinho. Calhou-me como prato "camarões crocantes com salada de courgettes" (muito agradável) e como sobremesa "mousse de chocolate com flor de sal e pimenta rosa" (sublime).
Quanto ao vinho a copo, a garrafa veio à mesa, mas não foi dado a provar, um erro crasso, até porque a garrafa foi aberta na altura e poderia ter algum problema. Perante a minha observação, foi corrigido no serviço de um segundo copo.
O vinho era o branco Santos da Casa Fazem Milagres no Douro 2014 - enologia de Helder Cunha (Monte Cascas); presença de citrinos, fresco e mineral, acidez equilibrada, algum volume e final de boca, a ligar bem com o prato. Nota 16,5.
Para memória futura, a refeição, na ausência do Rodrigo, foi elaborada e orientada pelo Miguel Mesquita, vindo de Londres e já com experiência, e pela neófita Teresa Cameiro.
Foi uma interessante experiência, a repetir, mas necessita de maior divulgação, não só no respectivo site, como também in loco.  À atenção da Time Out.

domingo, 10 de julho de 2016

Saber pegar no copo : o novo PR passou no exame

Tenho dedicado algumas crónicas a este tema, dando nota positiva aos colunáveis que fazem boa figura de copo na mão e zurzindo sem piedade aqueles que não a fazem, onde incluí o antigo inquilino de Belém. Quem tiver curiosidade pode ler esta: "Saber ou não saber...pegar no copo", publicada em 14/2/2015.
Recentemente, o jornalista Manuel Carvalho, que muito prezo, publicou no Público do dia 5 deste mês uma peça com o sugestivo título "O outro nariz do Presidente", em que refere uma prova de vinhos em Vila Real, em que participaram os ex-alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Jorge Serôdio Borges, Jorge Moreira, Francisco Olazabal e Francisco Ferreira, os quais chegaram à conclusão "(...) primeiro, o Presidente sabe provar; segundo, o Presidente gosta de vinho. (...)".
Mais, no Expresso de ontem pode ver-se uma fotografia com o Presidente na referida prova, a cheirar um Porto, pegando correctamente no copo. "Habemus" Presidente?

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Dois livros obrigatórios sobre Lisboa : cultura e gastronomia de mãos dadas (II)

continuação...
2.Caminhar por Lisboa
O autor deste livro, Anísio Franco de seu nome, é um conceituado historiador de arte, conservador no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e com provas dadas em Portugal e no estrangeiro.
Escreveu ele nas páginas de apresentação deste guia cultural "(...) Os sete percursos que aqui sugiro ao caminhante resultam dessa experiência feita de afectos, de memórias, de histórias que se cruzaram e cruzam na minha vida. (...)".
Estes 7 percursos escolhidos pelo autor são:
.Do Castelo de S. Jorge ao Intendente
.Do Marquês de Pombal ao Cais do Sodré
.Da Torre de Belém ao Museu de Eletricidade
.Da Ribeira das Naus ao Parque das Nações
.Do Parque Mayer ao Rossio
.Do  MNAA a São Paulo
.Do Chafariz d' El Rei à Senhora do Monte
Para cada percurso, onde inclui uma apelativa planta, indica e justifica os pontos de passagem obrigatória, sejam monumentos, estátuas, ruas ou simples becos. Acrescenta, ainda, os contactos, o grau de dificuldade e a distância a percorrer, apenas faltando a duração aproximada de cada itinerário.
É, de facto, um livro de consulta obrigatória para quem visite Lisboa, mas também para os residentes.
Para uma 2ª edição, há que rever as referências onde se pode comer e/ou beber em cada um dos 7 percursos, para evitar lapsos como a indicação do restaurante do CCB, "A Commenda", fechada há anos.
Boa leitura e boas experiências culturais!
E termino como comecei, apelando a ambos os autores que vejam/leiam o livro um do outro, para melhorar os vossos em eventuais segundas edições.