quinta-feira, 26 de abril de 2018

25 de Abril, a Blogosfera e 25 de Novembro

1.25 de Abril 2018
À semelhança de anos anteriores, comemorei esta data histórica ao almoçar no restaurante da Associação 25 de Abril, da qual sou sócio desde a sua criação, com alguns camaradas e amigos, tendo depois, de cravo ao peito, descido a Avenida da Liberdade.
Este ano, infelizmente, não tive qualquer oportunidade de provar/beber um vinho de 1974, mas recordo aqui:
.Porta dos Cavaleiros Reserva Colheita Seleccionada 1974 branco, mencionado em "25 de Abril, sempre!", crónica publicada em 17/4/2014;
.Barros Colheita 1974, referido em "Novo Formato+ (21ª sessão) : um grande Colheita para comemorar Abril", crónica publicada em 30/4/2015.

2.Blogosfera
É com grande satisfação da minha parte que menciono aqui 2 crónicas publicadas no dia 25 de Abril, que podem ser lidas através dos links que tenho para aqueles blogues:
."Barros Colheita 1974", publicada pelo João Pedro Carvalho no "Copo de 3";
."44 do 25", publicada pelo tuguinho e pelo kroniketas, os diletantes revolucionários, em "Novas Krónicas Viníkolas".

3.25 de Novembro 1975
Não, não é um contraponto ao 25 de Abril. Refere-se ao livro "O 25 de Novembro e os media estatizados - Uma história por contar", lançado em finais do ano passado, da autoria do jornalista Ribeiro Cardoso que, em determinada altura, esclarece ao que vem, para que não haja dúvidas: "(...) Ao cair do pano daquele dia (obviamente o 25/11/1975), na execução de uma estratégia muito antes gizada por sectores político-militares, 152 trabalhadores da comunicação social estatizada de Lisboa foram afastados impiedosa e ilegalmente.(...)".São histórias de vida de alguns dos jornalistas injustiçados.
Este é um livro de leitura obrigatória.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Uma achega sobre o BOCA

O blogue Marca de Homem, da autoria do meu filho Bruno, publicou um artigo sobre o vinho BOCA que merece ser visto. Vamos a isto, então!

terça-feira, 24 de abril de 2018

Jantar Osvaldo Amado

O último jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas, em que estive presente, foi com o Osvaldo Amado, enólogo galardoado pela Revista de Vinhos (a antiga),  responsável há uma série de anos pelos vinhos da Global Wines (ex Dão Sul) e um senhor do vinho que eu muito prezo.
O evento decorreu no restaurante Refúgio (em Algés), dos mesmos donos do Frade dos Mares. É um espaço acolhedor e situado numa zona sossegada, mas nada vocacionado para este tipo de eventos. A comida tinha qualidade e vinha muito bem apresentada, os copos eram bons, mas o serviço de vinhos foi um desastre (troca de vinhos, esquecerem-se de servir alguns dos vinhos a todos os participantes,...). O ritmo foi bom até quase ao final, mas depois travou, com a sobremesa a ser servida já era Sábado...
Foram apresentados os seguintes néctares, a maioria esmagadora do Dão:
.Espumante Qtª de Cabriz Bruto 2013 em garrafa magnum - foi a bebida de boas vindas e cumpriu a sua missão, acompanhando uns tantos canapés.
.Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado 2014 - fresco, presença de citrinos e maçãs, notas florais e amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Nota 16,5.
Harmonizou com uma deliciosa dourada com arroz de bibalves.
.Paço dos Cunhas Vinha do Contador 2014 (garrafa nº 2925/4472) - mais mineral que o anterior, fruta cítrica, belíssima acidez, volume médio e final de boca longo. Fino e elegante. Nota 17.
Acompanhou coelho com puré de ervilhas.
.Casa de Santar Vinha dos Amores Touriga Nacional 2011 - aroma intenso, ainda com fruta vermelha, notas florais e especiadas, acidez equilibrada, taninos civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Um belíssimo Touriga de um ano excepcional. Boa relação preço/qualidade. A beber nos próximos 6/7 anos. Nota 18.
.Vinha do Contador Grande Júri 2011 (garrafa nº 1853/5200) * - com base nas castas Touriga Nacional, Aragonez e Alfrocheiro, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; submetido a um júri nacional e internacional obteve 95,3 pontos, ficando com direito a constar no rótulo a menção Grande Júri; nariz contido, ainda muito frutado, acidez q.b., taninos redondos, alguma complexidade, estruturado e final de boca persistente. A beber nos próximos 4/5 anos. Relação preço/qualidade desfavorável (custa praticamente 4 vezes mais que o Touriga). Nota 18.
Estes 2 tintos maridaram com rabo de boi e puré de batata.
.Encontro 1 2013 (Bairrada) - presença de citrinos e fruta madura, acidez no ponto, notas amanteigadas, complexidade, volume e final de boca notáveis para um branco. Nota 17,5+.
Acompanhou uma tábua de queijos. A  ligação perfeita!
.Outono de Santar Colheita Tardia 2012 - com base na casta Encruzado; notas de mel e passas, alguma acidez e gordura, bem estruturado e final de boca médio. Nota 16,5+.
Acompanhou leite creme de ouriço (confesso que não percebi esta do ouriço!).
* Este vinho não estava previsto ser provado neste jantar mas, por simpatia do Osvaldo Amado, algumas das 1000 garrafas que ficaram em Portugal vieram para a nossa mesa.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Um trio maravilha (2ª parte) : Prado e Enoteca de Belém

2.Prado (Tv. Pedras Negras,2 à Sé)
Este espaço é, seguramente, uma das grandes novidades em Lisboa. A criatividade do António Galapito, um jovem de 27 anos e ex braço direito do Nuno Mendes, chefe estrelado em Londres, é deveras surpreendente e é obrigatório conhecê-lo, mesmo aqueles que não sejam adeptos da cozinha de autor.
O Prado apresenta mesas despojadas, guardanapos de pano, cadeiras desconfortáveis, bons copos e armários térmicos para controlo de temperaturas. Na mesa pão de trigo barbela, fornecido pela Gleba, a padaria da moda (R. Prior do Crato), uma mais valia.
A ementa é curta, dela constando 9 pratos para partilhar, em doses um tanto reduzidas, e 3 individuais.
Escolhemos, para partilhar:
.berbigão, acelgas, coentros e pão frito
.tártaro de arouquesa e couve galega grelhada
.cavala, salsa e levístico
.tainha do mar, nabiças e nabos
.gelado de cogumelos, dulse e caramelo
Aposta ganha, estava tudo de 5 estrelas, fosse a apresentação, fossem os sabores.
Quanto à componente vínica, inventariei, entre vinhos nacionais e estrangeiros, 3 espumantes (1 a copo), 15 brancos (5) e 14 tintos (6).
Mas, para variar, optei pela belíssima cerveja artesanal Avenida Blonde Ale, da cervejeira Dois Corvos.
Serviço simpático, mas algo desatento.
Resumindo e concluindo, recomendo e tenciono voltar.

3.Enoteca de Belém
A Enoteca dispensa apresentações e continua com uma equipa de 5 estrelas na sala e uma cozinha de qualidade. Em Novembro 2017 foi considerada, pela Revista de Vinhos, o Restaurante com Melhor Serviço de Vinhos do Ano.
Recentemente, tive a oportunidade de comer:
.amuse bouche (tártaro de atum)
.bisque
.corvina braseada com arroz de berbigão
.crumble de abóbora
A conselho do escanção Nelson Guerreiro, tive a ocasião de provar o surpreendente branco Anselmo Mendes Beira Interior 2014 - com base na casta Síria em vinhas velhas, estagiou em barricas de carvalho francês; alguma oxidação nobre, acidez equilibrada, notas amanteigadas, boa estrutura e final de boca assinalável. Gastronómico e cheio de personalidade. Uma grande surpresa. Nota 17,5+.
A voltar, sempre! 

terça-feira, 17 de abril de 2018

Um trio maravilha (1ª parte) : Lugar Marcado

Esta e a próxima crónica são dedicadas a 3 espaços de restauração que me cativaram, dos quais um é a confirmação (Enoteca de Belém) e os outros dois (Prado e Lugar Marcado) surpresas apaixonantes.
Começo pelo
1.Lugar Marcado (Rua do Regedor,7 ao Largo do Caldas)
Este espaço, restaurante e garrafeira cuja proprietária, gestora e chefe de sala, é a Fátima Rodrigues (ex-sócia do Descobre) já aqui citada, é pequeno (apenas 25 lugares), muito confortável, bem decorado e não aderiu a modas, pois todas as mesas têm direito a toalhas e guardanapos de pano, o que é de louvar.
O conceito deste novo espaço tem alguma coisa a haver com o Descobre, nomeadamente quanto ao menú e à garrafeira disponível a clientes e a não clientes (mas no Lugar Marcado os preços são sempre os mesmos, quer se consuma a garrafa na altura ou se leve para casa).
Os copos são Schott, com a marca dos 15cl bem visível, e os vinhos são servidos à temperatura correcta, pois o restaurante dispõe de armários térmicos, uma mais valia. Mas nem tudo é perfeito, pois a lista dos vinhos a copo (2 espumantes, 5 brancos, 3 tintos, 2 rosés, 10 fortificados e 2 cervejas artesanais) é omissa quanto a anos de colheita. Um aspecto a corrigir.
Nas comidas é possível escolher entre 7 tábuas, 20 petiscos, 6 peixes, 5 carnes, 8 sobremesas, 11 acompanhamentos e 3 pratos vegetarianos, uma oferta mais que suficiente.
Escolhi empadinhas, berbigão à Bolhão Pato, petisco de alheira com maçã caramelizada, polvo marinado e gelado de alfarroba, tudo de grande qualidade e em doses generosas para partilhar.
Quanto a vinhos optei pelo Qtª Stº António Encruzado 2014 (4,50 € o copo) - nariz intenso, fresco e mineral, presença de citrinos e maçãs, acidez no ponto e notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Gastronómico. Uma boa surpresa. Nota 17.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar.
Resumindo e concluindo, foi uma bela jornada. Recomendo e tenciono voltar.
A 2ª parte desta crónica será dedicada ao Prado (novidade) e à Enoteca de Belém (confirmação).



quinta-feira, 12 de abril de 2018

Grupo dos 6 (9ª sessão) : fortificados raros e nunca vistos

Mais uma sessão deste grupo de enófilos da linha dura (embora desfalcado de um dos seus elementos) que decorreu no Magano, com a qualidade gastronómica e um serviço de vinhos que já nos habituaram, tendo-se batido com 2 brancos, 2 tintos e 2 fortificados.
Desfilaram:
.Villa Oliveira Vinha do Províncio 2012 (garrafa nº 798/1238, levada pelo Frederico) - estagiou 9 meses em barricas, tendo sido lançado em Outubro 2015; simultaneamente fresco e untuoso, bela acidez, grande complexidade, volume e final de boca assinaláveis. Ainda longe da reforma. Nota 18.
.Sidecar 2016 (garrafa nº 1434/1700, levada pelo J.Rosa) - Prémio Excelência 2017 da Revista de Vinhos; presença de citrinos e algum vegetal, acidez contida, volume e final de boca médios. Apagou-se ao lado do anterior. Com má relação preço/qualidade, precisa de tempo para se mostrar. Nota 16,5.
Estes 2 brancos acompanharam as entradas habituais e uma belíssima barriga de atum braseada com grelos.
.Qtª Leda 2009 (levado pelo João) - com base nas castas T. Nacional (50 %), T. Franca (40 %) e Tinta Roriz (10 %), estagiou 1 ano em barricas de carvalho (50 % novas); nariz discreto, ainda com alguma fruta vermelha, acidez equilibrada, algum especiado, taninos presentes civilizados, algum volume e final de boca extenso. a beber nos próximos 5/6 anos. Nota 18.
.Ferreirinha Reserva Especial 2009 (levado por mim) - aroma discreto, ainda com fruta, acidez fabulosa, especiado e complexo, taninos evidentes, grande estrutura e final de boca muito persistente.
A meio caminho entre a potência e a "finesse". A beber nos próximos 7/8 anos. Nota 18,5.
Estes 2 tintos maridaram com um  saboroso arroz de pombo bravo.
.Krohn Vintage 1931 (levado pelo Adelino) - nariz contido, frutos secos, notas de iodo e caril, acidez no ponto, fresco e complexo, taninos suaves, estrutura e final de boca interminável. Uma raridade com um perfil muito próximo de um tawny velho. Nota 18,5+.
.Artur Barros e Sousa Malvasia da Fajã 1934 (também levado pelo Adelino) - aromático, presença de frutos secos, citrinos, iodo e caril, vinagrinho e taninos evidentes, algum volume e final de boca muito persistente. Uma raridade, ainda longe da reforma. Nota 19.
Estes 2 fortificados harmonizaram com bolo de chocolate, sericaia e tarte de amêndoa.
Foi uma grande e irrepetível sessão, com 1 surpreendente branco ( o outro desiludiu), 2 tintos de respeito e 2 fortificados raros e (quase) nunca vistos!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Gourmet Experience (III) : o Atlántico de Pepe Solla e o Poke do Kiko

1.Atlántico
O chefe galego Pepe Solla, já agraciado pelo Guia Michelin pelo seu restaurante em Pontevedra, abriu um espaço no 7º piso do Corte Inglês, essencialmente dedicado ao peixe.
Na curtíssima ementa constam apenas 3 pratos "desde o mar até à mesa" e 2 "somos mais que o mar",  todos a preços altos, tendo eu optado por uma deslumbrante "merluza de Celeiro", o topo de gama da pescada a nivel mundial.
Quanto a vinhos, 8 brancos e 7 tintos a copo, mas sem indicação dos anos de colheita.
Escolhi o Dão Alvaro de Castro 2016 (4,50 €) - fresco, presença de citrinos, notas florais, acidez no ponto, volume e final de boca médios, ligou bem com a pescada. Nota 16.
Mesas despojadas, mas com o talher protegido dentro do guardanapo de papel, e serviço desatento.
A sobremesa foi um pampilho, comprado no balcão do Alcôa.

2.Poke
A moda do Poke veio do Havai e o chefe Kiko Martins já a adoptou.
A oferta não é muito alargada, mas entre uma dezena destes pratos, escolhi o Poke puro à base de atum, algas, sésamo e abacate. Uma explosão de sabores!
Quanto à componente vínica inventariei 1 espumante (também a copo), 1 champanhe, 8 brancos (1 a copo), 2 rosés, 4 tintos (1), 1 Porto e 1 Moscatel (estes fortificados a copo). A oferta a copo, como se constata, é demasiado curta.
Optei pelo branco A Cevicharia 2017 (uma parceria com a Qtª Monte d' Oiro, 4,80 €) - muito aromático, fresco e mineral, cítrico, fino e elegante, volume e final de boca médios. Ligou bem com o prato. Nota 16.
Fiquei ao balcão, onde se pode acompanhar o que se passa na cozinha.
Mesas despojadas, vinhos tintos à temperatura ambiente e serviço desatento.
Quanto à sobremesa, voltei ao Alcôa e marchou um belíssimo pastel de nata.

Resumindo e concluindo, boas apostas gastronómicas, preços altos e serviços desatentos.