terça-feira, 23 de agosto de 2016

Almoçar em hotéis (III) : a descoberta do Akla

Depois de 2 experiências um tanto desastrosas que deram origem a duas crónicas "Almoçar em hotéis : a grande (des)ilusão", sendo a (II) dedicada ao Hotel Zenit Lisboa e a (I) ao Hotel Aviz, não resisti ir conhecer o Akla (refeição, em árabe), o restaurante do Hotel Intercontinental (Rua Castilho, 149), após ter lido uma crónica muito positiva no site do Virgílio Gomes, para o qual tenho um link.
De 2ª a 6ª feira, pode-se almoçar por 14,50 €, com direito a prato (a escolher entre peixe e carne), sobremesa, bebida, café e, ainda, um ambiente de luxo e um serviço profissional  e simpático, o que é barato atendendo a este requintado espaço. De notar que a ementa muda diariamente.
Optei pelo prato de carne (uma receita árabe de borrego que não me convenceu), seguido de uma excelente sobremesa (torta de amêndoa com sorbet de manga).
Quanto a vinhos, verifiquei que a lista era alargada e criteriosa, mas de um modo geral a preços demenciais. Pedi um copo do tinto biológico alentejano Outeiros Altos Talha 2013 - com base nas castas Alfrocheiro, Aragonês e Trincadeira, em partes iguais; frutado, alguma acidez, algo rústico, volume e final médios. Nota 15,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bonito copo Schott. Mas no melhor pano cai a nódoa, pois o vinho vinha quente e foi devolvido. Lá veio outra garrafa, esta aceitável mas com uma temperatura acima do recomendável.
Vale a pena conhecer este luxuoso espaço, mas sempre com o pé a trás quanto à componente vínica.

domingo, 21 de agosto de 2016

Quadro de Honra (QH) de Moscatéis

Este balanço, dedicado maioritariamente aos Moscatéis (Setúbal, Douro e Madeira), inclui os fortificados com base na casta Bastardo. Comparando com o balanço feito há 1 ano, apenas entrou o Bastardinho 30 Anos, atinjindo-se o nº de 20 eleitos (16,1 % dos fortificados e 5,1 do total).
1.Moscatel de Setúbal
.com 19,5 - 3 (1952, Superior 1955 e Roxo 1960)
.com 19 - 2 (Roxo 1900 e Trilogia)
.com 18,5+ - 5 (1967, 1973, Roxo Superior 1971, Superior 1962 e Roxo 20 Anos)
.com 18,5 - 6 (1918, Superior 1975, Bastardinho 30 Anos, JMF, Alambre e Bastardinho, todos 20 Anos)
De referir o pleno da José Maria da Fonseca.
2.Moscatel do Douro
.com 19 - 1 (Secret Spot 40 Anos)
De louvar este Moscatel do Douro, a bater-se de igual para igual com os melhores de Setúbal.
3.Moscatel da Madeira
.com 19+ - 1 (ABS 1963)
.com 19 - 1 (ABS de ano desconhecido)
.com 18,5 - 1 (ABS 1890)
De notar que todos estes eleitos são do antigo produtor Artur Barros e Sousa.

sábado, 20 de agosto de 2016

Quadro de Honra (QH) de Vinhos da Madeira

1.Por casta
Em relação ao último balanço, há um acréscimo de 4 entradas neste QH (Blandy's Verdelho 79, Terrantez 77 e Bual 66 e, ainda, Artur Barros e Sousa Boal 58), passando a 62 eleitos (50 % dos fortificados e 15,7 % do total), distribuindo-se assim:
.Bual - 23
.Verdelho - 12
.Terrantez - 9
.Malvasia - 9
.Sercial - 6
.Bastardo - 1
Nota: a casta Moscatel será incluída no QH dos Moscatéis.
De referir o posicionamento da casta Bual com 37,1 % dos eleitos.
2.Por produtor/marca (não incluídas marcas há muito desaparecidas ou colheitas particulares)
.Blandy - 29
.Artur Barros e Sousa - 11
.Cossart Gordon - 6
.Borges - 4
.Leacock - 1
.Miles - 1
De sublinhar a consistência da marca Blandy com 46,8 % dos vinhos deste QH
3.Por anos de colheita (não incluídas algumas garrafas que não foi possível identificar o ano)
.século XIX (1814, 1870, 1879, 1880, 1891 e 1900) - 6
.1ª metade do século XX (05, 19, 20, 34, 40 e 48) - 7
.década de 50 (58) - 2
.década de 60 (60, 63, 64, 66, 68 e 69) - 12
.década de 70 (71, 73, 74, 75, 77 e 79) - 13
.década de 80 (81, 86 e 88) - 3
.década de 90 (91 e 96) - 2
.20 Anos - 1
.40 Anos - 2
4.Os melhores entre os melhores
4.1.Com 19,5
.Adega do Torreão Terrantez 1905
.Blandy Solera Bual 1891
.Blandy Bual 1920, 1948 e 1964
.Miles Bual 1934
4.2.Com 19+
.Blandy Bual 1977
.Borges Verdelho 1940*
* nota - no balanço de há 1 ano, por lapso meu, apareceu aqui como 40 Anos, o que não existe
4.3.Com 19
.Blandy Verdelho Solera
.Blandy Terrantez 1969, 1975 e 1977
.Blandy Bual 1963, 1968, 1969 e 1971
.Cossart Gordon Terrantez 1977
.Artur Barros e Sousa Bual Solera
.Borges Malvasia 40 Anos

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Quadro de Honra (QH) de Vinhos do Porto

1.Por tipo
Em relação ao levantamento feito há 1 ano, este QH apenas foi acrescentado de 1 Porto Tawny de Idade (Ramos Pinto 30 Anos), passando a conter 43 eleitos (34,7 % dos fortificados e 10,9 do total), distribuindo-se do seguinte modo:
.Vintage - 10
.Colheitas - 20
.Tawnies de Idade (30 e 40 Anos) - 11
.Brancos Velhos - 2
O Porto Vintage está claramente em desvantagem, não só porque não tenho tido muitas ocasiões para os provar, como também o meu palato está mais virado para os tawnies (de Idade e Colheitas).
Aliás, nesse sentido, em 12/5/2015 publiquei a crónica "Porto Colheita versus Porto Vintage".
2.Por produtor/marca (com o mínimo de 4 referências)
.Krohn - 8 (Colheita 60, 61, 66, 67, 68, 78, Branco 64 e, ainda, o 30 Anos)
.Burmester - 6 (Colheita 20, 37, 44, 55, 81 e o Tordiz 40 Anos)
.Noval - 6 (Vintage 58 e 94, Colheita 37, 64, 71 e, ainda, o 40 Anos)
.Fonseca/Taylor's - 6 (Vintage Fonseca 2003, Fonseca Guimaraes 76, Taylor's 64, 94 e 2011 e, ainda, o 40 Anos)
.Barros - 4 (Colheita 35 e 74, 40 Anos e, ainda, o Branco Muito Velho)
De referir a marca Krohn, a melhor no estilo tawny, mas absorvida há já algum tempo pela Taylor's.
3.Os melhores entre os melhores
3.a. Com 19+
.Burmester Novidade 1920
3.b. Com 19
.Barros Colheita 35
.Burmester Colheita 37, 44 e 55
.Fonseca Guimaraes Vintage 76
.Krohn Colheita 61
.Noval Colheita 37 e 71
Neste ponto há que elogiar a Burmester, com 1/3 das referências, e o Vintage Fonseca Guimaraes, uma 2ª marca a ultrapassar as clássicas.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Quadro de Honra (QH) de Vinhos Tintos

1.Por Região
Em relação ao levantamento feito há 1 ano, entraram no QH mais 7 tintos, alcançando a quantidade de 144 (36,5 % do total, um valor inferior aos 38 % do ano passado e aos 38,9 % de há 2 anos) e distribuindo-se do seguinte modo:
.Douro - 101
.Dão - 8
.Douro/Dão (legalmente vinho de mesa) - 1
.Bairrada/Beiras - 11
.Lisboa/Estremadura - 1
.Península de Setúbal - 3
.Alentejo - 10
.Estrangeiros - 9 (8 de Ribera del Duero)
A Região do Douro é a grande vencedora, com 70 % dos tintos eleitos, não só porque são os vinhos que mais provo (a solo ou integrado em grupos de prova), mas também porque apresentam um perfil que se encaixa perfeitamente no meu gosto. Mas, por outro lado, também reconheço que há grandes vinhos noutras regiões e que deveria fazer um esforço para os provar.
2.Por ano de colheita
.década de 80 - 1
.década de 90 - 7
.2000 - 8
.2001 - 10
.2002 - 3
.2003 - 11
.2004 - 28 (19,4 % dos tintos eleitos)
.2005 - 23 (16 %)
.2006 - 7
.2007 - 22 (15,3 %)
.2008 - 9
.2009 - 7
.2010 - 2
.2011 - 5
.2012 - 1
Os anos 2004 (o melhor de todos, até agora), 2005 e 2007 representam mais de metade dos eleitos (50,7 %). O 2008, outro grande ano, tem sido prejudicado, por uma razão ou outra, eu não os ter provado com regularidade.
Quanto às colheitas de 2011 (considerada excepcional) e 2012, ainda não chegou a altura de os provar. Talvez daqui a 1 ano ou 2.
3.Por produtor/marca (mínimo 5 referências eleitas)
.Qtª do Crasto - 16 (Vinha da Ponte 5, Maria Teresa 4, T. Nacional 5, Vinhas Velhas e Xisto 1 de cada)
.Niepoort - 13 (Batuta 6, Charme 4, Robustus 2 e Doda 1)
.Casa Ferreirinha - 11 (Barca Velha 3, Reserva Especial 4, Legado 2, Vinhas Velhas e Antónia Adelaide Ferreira 1 de cada)
.Qtª Vale Meão - 9
.Wine & Soul - 8 (Pintas 6 e Qtª Manoella 2)
.Qtª do Vallado - 7 (Reserva 4, Adelaide 2 e T. Nacional 1)
.Aalto - 7 (PS 4 e colheita 3)
.Jorge Moreira - 6 (Poeira)
.Lavradores de Feitoria - 5 (Três Bagos Grande Escolha)
4.Os melhores entre os melhores
4.a. Com 18,5+
.Batuta 2001
.Casa Ferreirinha Reserva Especial 2001 e Vinhas Velhas 2007
.Kompassus Private Seleccion Baga 2005
.Kopke Vinhas Velhas 2008
.Qtª Crasto Vinha da Ponte 2004 e T. Nacional 2005
.Qtª da Falorca Garrafeira 2004
.Qtª da Pellada Carrocel 2006
.Qtª Vale Meão 2000 e 2001
.Qtª do Vallado Reserva 2011
.Três Bagos Grande Escolha 2007
De registar que, entre estes 13 quase magníficos, se encontram 2 do Dão e 1 Bairrada, sendo os 10 restantes do Douro.
4.b. Com 19
.Aalto PS 2001
.Barca Velha 1995, 1999 e 2004
.Legado 2008
.Pintas 2001
.Qtª do Crasto T. Nacional 2001
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 1998 e 2003
.Qtª Vale Meão 2004
.Robustus 2004
.Três Bagos Grande Escolha 2004
Estes 12 magníficos, à excepção do Aalto são todos do Douro, cabendo à colheita de 2004 um terço deles.

domingo, 14 de agosto de 2016

Quadro de Honra (QH) de Vinhos Brancos

1.Introdução
À semelhança dos anos anteriores, aproveito a calmia de Agosto para actualizar os meus QH, começando pelos brancos. Em próximas crónicas, farei a actualização dos meus QH de tintos, Porto, Madeira e Moscatéis.
No balanço anual, feito nos primeiros dias deste mês, registei um acréscimo global de 34 vinhos, passando dos 360 eleitos para os actuais 394.
Os brancos, com direito ao QH, já somam 126, o que representa um acréscimo de 21 em relação há um ano atrás. Têm vindo a subir e já representam 32 % do total dos eleitos e acima dos 29,2 % de há 1 ano e 28,7 % de há 2 anos. Estes números refletem não só o facto de eu os beber durante todo o ano, como também resultam do aumento da qualidade dos vinhos brancos, que se vem consolidando, ano após ano.
2.Por Região (de Norte para Sul)
.Vinhos Verdes - 27 (24 da casta Alvarinho e 3 da Loureiro)
.Douro - 36 (4 são colheita tardia)
.Dão - 19
.Bairrada/Beiras - 10
.Tejo/Ribatejo - 1
.Lisboa/Estremadura - 15 (inclui 7 Bucelas e 1 Colares)
.Península de Setúbal - 3
.Alentejo - 11
.Estrangeiros - 4 (3 são late harvest)
As Regiões mais a Norte (V. Verdes e Douro) dominam este QH com 63 vinhos (50 % do total de brancos), seguido da grande Beira (Dão e Bairrada/Beiras) com 29 (23 %). De referir, ainda, o posicionamento de Lisboa/Estremadura com 15 vinhos, mais do 1 que todo o Sul (Setúbal e Alentejo).
3.Os melhores entre os melhores (por ordem alfabética)
a.Com 18,5
.Qtª dos Carvalhais Branco Especial (lote 2005 e 2006)* (Dão)
.Soalheiro Reserva Alvarinho 2007 (V. Verdes)
b.Com 18
.Buçaco Reservado 2007
.Carvalhas 2011 (Douro)
.Casa das Gaeiras Reserva Vinhas Velhas 2013 (Lisboa)
.Condessa de Santar 2009 (Dão)
.Madrigal Viognier 2009 (Lisboa)
.Mapa Vinha dos Pais 2013* (Douro)
.Maritávora Reserva 2008 e 2009* (Douro)
.Morgado Stª Catherina 2008 e 2011* (Bucelas)
.Muros de Melgaço Alvarinho 2008 e 2009 (V. Verdes)
.Parcela Única Alvarinho 2009 (V. Verdes)
.Porta dos Cavaleiros Colheita Seleccionada 1974 e 1979 (Dão)
.Primus 2010 (Dão)
.Projectos Niepoort Chardonnay e Riesling, ambos de 2004 (V.R.Duriense)
.Qtª BageirasGarrafeira 2007 e Pai Abel 2009, 2010 e 2012 (Bairrada)
.Qtª dos Carvalhais Branco Especial (Dão), um lote diferente do indicado em 3.a.
.Qtª da Sequeira Grande Reserva 2011 (Douro)
.Redoma Reserva 2000, 2005 e 2009 (Douro)
.Secretum 2012* (Douro)
.Soalheiro Reserva Alvarinho 2008, 2012* e 2014*, 1ª Vinhas 2006 e 2007 e, ainda Colheita 2001 (V. Verdes)
.Vinha Saturno 2010 (Alentejo)
Nota - os vinhos assinalados com * entram pela 1ª vez nesta selecção.
De salientar:
.os 2 brancos da minha vida que classifiquei com 18,5
.a excelência e longevidade dos brancos das Caves São João seleccionados, um com mais de 40 anos e o outro lá perto
.a postura da casta Alvarinho (a minha preferida) e a presença da marca Soalheiro
.o posicionamento da Qtª das Bageiras
.a inclusão da Casa das Gaeiras, um ilustre desconhecido


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Curtas (LXXVIII) : Porto Canal, Sabores d' Itália e Mercado da Ribeira

1.Porto Canal
Finalmente a Meo e a Nós chegaram a acordo, o que resultou eu passar a ter acesso ao Porto Canal e ao programa Imperdíveis, que passa praticamente duas vezes por dia e com uma duração aproximada de 30'. Ao contrário do que é normal e prático para os tele espectadores, a estes Imperdíveis não é atribuído o nº de episódio, nem sequer refere o tema de cada programa, isto é, só se sabe o que se vai ver em cima do acontecimento. Resumindo, um mau serviço que o Porto Canal presta aos utentes.
Mas, apesar deste inconveniente, recomendo estes Imperdíveis a todos os enófilos. Nesta última semana, tive a oportunidade de ver episódios dedicados a Lavradores de Feitoria, Soalheiro, Ribafreixo (com o Paulo Laureano), Qtª de La Rosa, Qtª dos Carvalhais, Casa da Passarella e Qtª da Casa Amarela. É mesmo imperdível!
2.Sabores d' Itália
Em recente revisita constatei que este espaço nas Caldas da Rainha se mantém em grande forma, com os donos sempre presentes, o Norberto na sala e a Maria João na cozinha.
Comi "vitello tonnato" (finas fatias de vitela assada com creme de atum), "risotto de sapateira" em 2 versões (com e sem limão, tendo eu preferido a clássica sem limão) e, ainda, "bagas de logan" com gelado de baunilha e molho de framboesa. Imperdível!
Para beber, a copo, na ausência do surpreendente branco Casa de Gaeiras Vinhas Velhas, foi-me sugerido um enigmático Qtª do Lagar Novo 2014, produzido em Alenquer, com base nas castas Arinto, Chardonnay, Viognier e Marsanne, que primeiro se estranha e depois se entranha, mas que não apaga a memória do primeiro. Nota 16,5.
3.Mercado da Ribeira
Mais uma revisita ao Mercado da Ribeira, com a expressa finalidade de conhecer a nova ementa do balcão da Marlene Vieira, o(a) único(a) chefe presente e a trabalhar na cozinha.
Os novos pratos do dia, passaram a ser:
.2ª - polvo à lagareiro em novas texturas
.3ª - choco frito com arroz negro
.4ª - barriga de porco crocante à alentejana
.5ª - brandade de bacalhau
.6ª - rosbife de novilho à mirandesa
.Sábado - arroz de marisco
.Domingo - vitela assada à moda de Lafões
Este espaço, disponibiliza o menú do dia (prato, sobremesa e bebida) por 12,50 €, um preço muito interessante, tendo em atenção a qualidade da refeição (choco frito com arroz negro, mil folhas de pastel de nata e um copo do branco José Maria da Fonseca, uma entrada de gama pouco interessante).
Isto poderia ser imperdível não fosse o sofrimento, que foi andar de tabuleiro na mão, à procura de um espaço livre onde pudesse usufruir do almoço. Bem mais de 90 % dos presentes são turistas, com famílias inteiras a ocupar as mesas, muitos apenas a descansar ou a beber uma água ou um copo de vinho.
A Time Out tem que rever as regras do jogo, pois a clientela inicial (100 % "tuga") deixou de aparecer!