terça-feira, 15 de agosto de 2017

Curtas (XC) :Foodies, Travel, La Rosa IPA e novos eventos

1.Foodies by Imperdíveis
O Imperdíveis do Porto Canal lançou há pouco tempo o "Foodies", programa exclusivamente dedicado à restauração. Os 3 críticos gastronómicos deste canal visitam regularmente restaurantes, uns mais badalados e outros fora do nosso radar. Em cada programa, com cerca de 15 minutos, são apresentados e criticados 3 restaurantes, sendo quase sempre 1 em Lisboa, 1 no Porto e o terceiro no norte do país. Os pratos vão sendo degustados e comentados, sendo no final atribuída ao restaurante uma nota. Pena é que a componente vínica não seja abordada. Mas vale a pena ver.
Este Foodies  passa em vários dias e horas, sendo mais prático pô-lo a gravar.
2.Enoturismo by Travel
Depois desta agência cultural ter organizado visitas enoturísticas ao Dão, Alentejo, Douro, Açores e Rioja, anunciou recentemente uma ida à Região Demarcada dos Vinhos Verdes, prevista para o fim de semana de 7 a 9 de Outubro.
Esta viagem incluirá a Casa da Calçada, Hotel Monverde (Qtª da Lixa), Qtª da Aveleda, Restaurante Ferrugem, Qtª do Ameal, Hotel Inlima, Palácio da Brejoeira e Qtª do Prazo. Imperdível!
Mais informações em tryvel.pt/tour/vinho-verde.
3.La Rosa IPA
La Rosa IPA é o nome da primeira cerveja artesanal elaborada por um produtor de vinho, a Qtª de La Rosa pois claro. O enólogo Jorge Moreira passou a acrescentar ao seu CV o título de cervejeiro!
Esta cerveja é um exclusivo da casa, sendo vendida na respectiva loja e podendo ser provada na Cozinha da Clara, o restaurante da quinta.
4.Bairrada Vinhos & Sabores
Previsto para 8 a 10 de Setembro no Velódramo Nacional em Sangalhos, este evento é promovido Comissão Vitivinícola da Bairrada, Município da Anadia e Turismo do Centro.
A organização estará a cargo da revista "Vinho grandes escolhas" e contará com Provas Comentadas e Jantares Temáticos.
5.Bye bye Summer Wine Party
Irá decorrer dia 8 de Setembro no jardim do Marriott Hotel. Organizado pela revista Paixão pelo Vinho, contará com cerca de 300 referências em prova, entre vinhos e cervejas artesanais, e incluirá 3 Provas Especiais.

domingo, 13 de agosto de 2017

Provar vinhos com a Real Companhia Velha (RCV)

Há cerca de 1 mês tive a oportunidade de participar na apresentação e prova de alguns vinhos da RCV, concretamente da Qtª de Cidrô, que teve lugar no espaço "Le Consulat" (Pç Luis de Camões,22 - 1º andar) e que contou com Pedro Silva Reis (o produtor), Jorge Moreira (o enólogo) e Rui Soares (o viticultor), uma equipa de luxo.
O grupo de participantes foi desdobrado em 2 turnos (16h e 18h), tendo-me calhado o primeiro. Como éramos poucos, a logística da prova correu muito bem, devido ao facto de estarmos sentados à mesa, o que é muito mais fácil se comparado com a prova em pé, situação em que faz sempre falta mais uma mão para pegar no copo, na caneta, no caderno, etc. Mais, os copos eram Riedel, uma mais valia.
Orientada pelo Jorge Moreira, a prova contemplou (por ordem cronológica):
.Alvarinho 2016 - fresco e floral, notas vegetais, acidez alta e perfil duriense muito contido. Nota 16.
.Sauvignon 2016 - fresco, presença de citrinos e espargos, acidez equilibrada, fino e persistente. Nota 16.
.Chardonnay 2016 - mais intenso que os anteriores, mantendo a componente vegetal, volume de boca considerável. Nota 17.
.Rosé 2016 - com base em castas nacionais, nariz preso, algo frutado, notas de alcatrão, gastronómico. Nota 15.
.Pinot Noir 2014 - aberto de cor, muito fino e elegante, fruta vermelha ainda presente, taninos suaves, volume e final de boca médios. Nota 16,5+.
.Touriga Nacional 2015 - nariz intenso, muito frutado, notas florais, acidez no ponto, especiado, taninos presentes mas civilizados, volume e final de boca assinaláveis. Foi o vinho da prova. Nota 18.
.Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 - ainda com a cor muito carregada e muita fruta, toque vegetal pronunciado, acidez equilibrada, taninos de veludo, algum volume e final de boca. Nota 17,5.
.Gewurztraminer 2016 - aroma intenso, muito floral, fresco e elegante, acidez q.b., subtis notas amanteigadas, final de boca persistente. Original e algo surpreendente. Nota 17,5.
Uma boa prova, mas que me deixa uma dúvida. Com tantas castas tradicionais no Douro, porque é que a RCV não aposta nelas? Dos 4 brancos apresentados, só um se baseou numa casta nacional que, ainda por cima, nada tem a haver com a região.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Pastel de bacalhau com queijo da Serra : oportunismo e ignorância

Há cerca de 2 anos assistiu-se a uma grande polémica na blogosfera, na sequência de uma declaração da gastrónoma Maria de Lourdes Modesto (MLM), grande defensora da cozinha tradicional portuguesa e com obra temática publicada. A polémica estalou após o blogue Mesa Marcada ter dado eco à indignação da MLM ao referir-se ao controverso pastel de bacalhau com queijo da Serra como  "(...) Duas das mais queridas e conseguidas espeficidades da nossa gastronomia numa pornográfica e ridícula figura (...)". Daqui resultou um incontrolável incêndio nas chamadas redes sociais, uns defendendo e outros atacando, quase sempre com um gritante déficite de argumentação.
Recentemente a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, "inventora" desta improvável e gritante ligação, acrescentou um terceiro elemento, o Vinho Madeira (servido em cálice de vidro acrílico, segundo me pareceu). Mas o que é que este fortificado tem a haver com o pastel de bacalhau? Que eu saiba, nada!
Só que se esqueceram de dar um mínimo de formação ao pessoal da linha da frente que atende o público. À minha questão "qual a idade deste vinho?", obtive como resposta que era de 1870! Perante o meu pasmo e mostrada a garrafa, percebi que o ano 1870 fora o da criação da Justino's como empresa familiar. Só então é que foram "lá dentro" perguntar, tendo-me sido dito que, afinal, o Vinho Madeira servido com o pastel de bacalhau e queijo da Serra, não era de facto do século XIX tendo apenas 3 anos de idade.
Mais, nos cartazes que estão expostos com fotografias de Vinho Madeira, aparecem garrafas antigas, uma referente a Malvasia 1904 e outra a Bual 1957, lançando a confusão nos clientes menos informados.  
Oportunismo e ignorância, pois!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Vinhos em família (LXXX) : 4 brancos e 1 Krohn Colheita

Mais uns tantos vinhos provados tranquilamente em família com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. E eles foram:
Qtª de Baixo Gonçalves Faria 2013 (garrafa nº 493/2006) - é um Vinho Regional Beira Atlântico, com base nas castas Bical e Maria Gomes em vinhas velhas; engarrafado em Junho 2015 com a chancela da Niepoort; muito fresco e mineral, presença de citrinos e algum floral, acidez muito pronunciada a pronunciar uma longa vida, volume e final de boca médios. Baixo teor alcoólico (10,5 % vol.). Nota 16,5+.
.Olho no Pé Vinhas Velhas Reserva 2014 - com base nas castas Viosinho, Rabigato e Gouveio em vinhas velhas, estagiou 12 meses nas borras finas; presença de citrinos e alguma fruta cozida, acidez equilibrada, notas vegetais e algum amanteigado, final de boca médio. Nota 16,5+.
.Morgado Stª Catherina Reserva 2015 - com base na casta Arinto (100 %) em vinhas velhas, estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês; presença de citrinos e alguma fruta madura, acidez no ponto, madeira bem casada, algum volume e final de boca médio. Teor alcoólico 14 % vol. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5.
.Qtª Monte d' Oiro Madrigal Viognier 2013 - 90 pontos na Wine Enthusiast; ligeira oxidação, presença de citrinos, notas de melão e fruta cozida, alguma acidez, notas balsâmicas, volumoso e gastronómico. Teor alcoólico 14 % vol. Nota 17+.
.Krohn Colheita 1976 (engarrafado em 1996) - presença de frutos secos, notas iodadas, algum floral, acidez equilibrada, volume notável e final de boca longo. Complexo, elegante e harmonioso. Mais um Krohn Colheita em grande estilo! Nota 18,5.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Novo Formato+ (27ª sessão) : um banquete em S.Francisco da Serra

Esta última sessão deste grupo denominado Novo Formato duplicou o nº de participantes, pois reuniu à mesa 16 pessoas em vez das 8 habituais. O repasto decorreu em S. Francisco da Serra, "chez" Lena/Juca, sendo a gastronomia e os vinhos da sua responsabilidade. Diga-se, desde já, que o Juca estava inspirado e que tudo o que saiu das suas mãos estava 5 estrelas. Promovo-o a "chefe"!
Quanto aos vinhos (1 espumante, 1 branco, 3 tintos, 1 Moscatel e 2 Madeiras), desta vez provados com os rótulos à vista, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Bruto 2015 - foi o vinho de boas vindas e cumpriu bem a sua função, acompanhando frutos secos, charcutaria, ovos de codorniz, tapas de queijo com tomate seco, etc...
.Soalheiro Alvarinho 2015 magnum - aroma intenso, frutado e algo tropical, acidez no ponto, notas amanteigadas, algum volume e final de boca.Gastronómico. Nota 17.
Maridou com uma saborosa sopa rica de peixe.
.Borges Verdelho 20 Anos - serviu para limpar o palato.
.Diga? 2009 magnum - com base na casta Petit Verdot; ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos presentes mas não agressivos, algum volume e acentuado final de boca. Ainda longe da reforma. Nota 17,5+.
Harmonizou com o tradicional rabo de boi com puré de batata. Belíssimo! Como é possivel não gostar deste prato?
.Aalto 2014 magnum - aroma afirmativo, muito frutado, acidez no ponto, taninos afirmativos mas civilizados, algum volume e final de boca; ainda demasiado jóvem, mas com grande potencial, precisa de uma meia dúzia de anos para se complexizar. Nota 18 (provisória).
.Pintas 2011 magnum - o vinho tinto português mais classificado na Wine Spectator (98 pontos); aroma fino, ainda com fruta vermelha e com nuances terciárias, acidez equilibrada, mas com um desagradável toque químico; taninos vigorosos, volumoso e final de boca longo; ainda pode esperar mais 7/8 anos. Nota 18 (também provisória).
Acompanhou uma tábua de queijos, com destaque para o Terrincho Velho.
.Moscatel Roxo 20 Anos José Maria da Fonseca (engarrafado em 1983) - presença de frutos secos e mel, notas iodadas, acidez nos mínimos, algum volume e final de boca muito doce. Nota 17,5.
Servido com uma série de doces e salada de frutas.
.Artur Barros e Sousa Verdelho Reserva Velha (engarrafado em 2007) - notas iodadas bem presentes, frutos secos, vinagrinho, taninos firmes, bom volume e final de boca interminável. Fino, elegante, harmonioso e complexo. A Madeira no seu melhor! Nota 19.
Foi uma grande jornada de convívio, comeres e beberes. Os anfitriões esmeraram-se. Obrigado Lena! Obrigado Juca!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lumni : o novo poiso do chefe Miguel Castro e Silva

O conceituado chefe Miguel Castro e Silva que trocou a Invicta pela Capital, fechou o Castro Flores (onde se instalou o Bem Haja, vindo da Rua de Campolide) e instalou-se no 5º piso do Hotel The Lumiares (R. Diário de Notícias, 142), onde gere o "Lumni restaurante & bar".
O restaurante desdobra-se numa aconchegada sala interior (onde se pode ver a cozinha, semi-aberta) e numa alargada esplanada com vistas para a cidade. Este espaço permite uma série de escolhas, desde o serviço à lista, até a um menú de degustação de 7 pratos (55 €). Mas o mais interessante, pareceu-me o menú de almoço com as suas 3 modalidades, todas ela incluindo o couvert e água:
.20 € - entrada/sopa + prato
.24 € - entrada/sopa + prato + sobremesa
.28 € - sopa + entrada + prato + sobremesa
A escolha incide entre 6 entradas/sopas, 6 pratos e 4 sobremesas, tendo eu optado por comer a sopa rica do mar (belíssima) e, ainda, lulas e camarão com puré de batata (tudo saboroso, mas com as lulas demasiado al dente).
Mesas despojadas, mas guardanapos de pano, bons copos Schott e armários térmicos para controlo de temperaturas.
Quanto à componente vínica, inventariei 3 espumantes (1 a copo), 1 champanhe, 24* brancos (3), 27 tintos (4), 2 rosés (1) e 9 fortificados (7 Portos, 1 Madeira e 1 Moscatel, todos a copo).
* 1 era colheita tardia
Escolhi o branco Qtª Ventozelo Viosinho 2014 - fresco e mineral, um toque vegetal, acidez equilibrada, notas amanteigadas, volume e final médios. Gastronómico, acompanhou bem toda a refeição. Nota 16,5+.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo, mas em quantidade nada generosa.
Serviço profissional e simpático.
Em conclusão, recomendo e tenciono voltar.


sábado, 22 de julho de 2017

O blogue vai de férias

Mais uma semana, a última até ao final do ano, sem computador.
Ficam por publicar as crónicas:
.Vinhos em família (LXXX)
.Lumni, o novo poiso do Miguel Castro e Silva
.As recentes novidades da Qtª de Cidrô
.Novo Formato (27ª sessão)
Boas pingas e até ao meu regresso.