quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Café de São Bento no Mercado da Ribeira

Já ando há mais de 3 anos a blogar sobre o Mercado da Ribeira, suas bancas e seus chefes. Senão, vejamos:
.08/06/2014 - Marlene Vieira
.01/07/2014 - Vitor Claro
.16/08/2014 - Henrique Sá Pessoa
.28/09/2014 - Alexandre Silva
.23/10/2014 - Miguel Castro e Silva
.12/12/2014 - Sea Me
.31/01/2015 - Cozinha da Felicidade
.24/02/2015 - Monte Mar
.21/05/2015 - Miguel Laffan
.03/03/2016 - O Prego da Peixaria
.26/05/2016 - Pap' Açorda
.12/07/2016 - Academia Time Out
.19/07/2016 - Balcão da Esquina
.15/01/2017 - Time Out Bar
.11/07/2017 - Surf & Turf
Chegou agora a vez do Café de São Bento (o melhor bife de Lisboa, segundo a Time Out), com lugares ao balcão e situado na ala esquerda do mercado, sem aquela confusão do bloco central, ocupado, quase em exclusivo, pelos turistas que se apaixonaram por Lisboa.
Tudo o que comi estava francamente delicioso:
.Camarões Al Ajillo (com um molho fabuloso)
.Prego Mediterrânico em pão chapata (embora, erradamente, lhe chamem baguete): bife do lombo grelhado, pesto de manjericão, rúcula, tomate seco e lascas de parmesão
Comi-o médio/mal passado e considero-o ao nível do prego servido no By the Wine, o melhor de Lisboa, segundo a minha bitola.
Tencionava acompanhá-lo com uma cerveja artesanal, inexistente neste balcão. Aconselharam-me a ir à banca da cerveja, o que fiz. Só que teria que a beber em copo de plástico! Francamente...
É claro que não aceitei e optei por beber um copo do branco Três Bagos 2016 (2,90 €) - fresco e cítrico, notas vegetais, simples mas agradável, volume e final de boca médio/curto. Nota 15.
A garrafa foi-me mostrada, o vinho dado a provar num bom copo e servida uma quantidade bem generosa.
Serviço atencioso e eficiente. Uma boa surpresa este balcão.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Melhor blogue do ano (2017) : o enófilo militante no Top 10 pela 6ª vez consecutiva

Estão a ser publicados os nomeados para os Prémios W 2017, louvável iniciativa do crítico (entre outras profissões) Aníbal Coutinho, que contempla 31 categorias, sendo a lista dos blogues eleitos a seguinte (por ordem alfabética, ficando entre parêntesis o nº de presenças e assinalando com * os estreantes):
.Clube de Vinhos Portugueses (3)
.Comer Beber Lazer (4)
.Contra Rótulo (2)
.Drinked In *
.Enófilo Militante (6)
.Grão Duque Sambrasense (2)
.Os Vinhos (6)
.O Vinho em Folha (2)
.Pingas no Copo (5)
.Vinho Porto Vintage *
De registar:
.continua a haver 2 totalistas no Top 10 de 2012 a 2017: Os Vinhos (Pedro Barata) e Enófilo Militante (eu próprio)
.os vencedores dos anos anteriores não foram incluidos, estando alguns em actividade (Copo de 3, Bebes.Comes e Avinhar) e outros parados (E Tudo o Vinho Levou e Air Diogo num Copo)
.a injusta não inclusão do blogue Joli.
Pela minha parte fico satisfeito e honrado por ter sido incluído, pela 6ª vez consecutiva, na lista dos nomeados. Um incentivo para continuar!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Almoço com Vinhos Fortificados (26ª sessão) : o regresso a Porto Covo

Passados 2 anos (ver crónica "Almoço com Vinhos Fortificados (19ª sessão) ...", publicada em 28/7/2015) este grupo de enófilos militantes, também conhecido pelo Grupo dos Madeiras, voltou a Porto Covo, "chez" Natalina (nos tachos)/Modesto (nos vinhos, todos da sua garrafeira).
A bebida de boas vindas foi o espumante Qtª Poço do Lobo 2013, muito polivalente, pois tanto pode ser servido a solo, como a acompanhar comida. Neste caso, foi acompanhado por alguns aperitivos e tapas (frutos secos, melão com presunto, cogumelos recheados, chamuças,...). Fresco e com algum volume esteve à  altura das ciscunstâncias.
Já com o grupo instalado à mesa, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas 2015 (em magnum) - nariz exuberante, presença de citrinos, fresco e complexo, bela acidez, notas amanteigadas, algum volume e final de boca persistente. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
Harmonizou com a já tradicional sopa de garoupa e ameijoas.
.Qtª Monte d' Oiro Reserva 2012 - aromático, ainda com muita fruta vermelha, acidez equilibrada, especiado, grande volume e final de boca notável. Elegante e complexo. Um grande vinho que ainda irá crescer nos próximos 4/5 anos. Óptimo para acompanhar pratos de forno. Nota 18,5.
.Incógnito 2001 - cor desmaiada, aromas terciários, belíssima acidez, taninos ainda presentes mas civilizados, volume e final de boca médios. Fino e elegante. Pede pratos não muito fortes. Na fase descendente, mas uma boa surpresa para um vinho alentejano com mais de 15 anos. Nota 17,5+.
Estes 2 tintos maridaram com uma saborosa lebre com grão (ainda foi aberta uma garrafa de Qtª Mouro Rótulo Dourado 2007, mas que não cheguei a provar).
.Qtª Crasto Vinha da Ponte 2004 - com base em vinhas velhas com mais de 90 anos, estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês; aromas terciários, fruta preta ainda presente, acidez no ponto, especiado, taninos ainda presentes, volume assinalável e final de boca interminável. Um monstro de complexidade. No ponto óptimo de consumo, mas ainda em forma mais 6/7 anos. Nota 19+ (noutras situações 16,5/17/18/18,5+; tem vindo sempre a crescer e bebe-lo jóvem é pura pedofilia).
Foi acompanhado por uma tábua de queijos.
.FMA Bual 1964 - notas de frutos secos, iodo, brandy e caril, vinagrinho presente, grande volume e final de boca. Complexidade e sofisticação. A Madeira no seu melhor. Nota 19 (esta foi a 19ª garrafa por mim provada e a 5ª a merecer esta nota).
Acompanhou uma tarte de maçã e salada de frutas tropical.
Grande sessão de convívio, comeres e beberes (mais uma). Obrigado Natalina! Obrigado Modesto!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Taberna Criativa : uma surpresa em Sintra

Este espaço de restauração, com pouco mais de 1 ano, situa-se em Sintra (Av. Heliodoro Salgado,26) e tem como proprietário e responsável pelos tachos o chefe Vitor Rocha (ex-Hotel Costa da Caparica, Eleven, Panorama e Monte Rei Golf).
No menú, apenas disponível ao jantar constam 6 petiscos criativos/entradas, 5 pratos principais e 5 sobremesas. Para quem não tiver problemas de orçamento, pode desfrutar o Menú Degustação (48 €).
Ao almoço apenas o Menú Executivo (12 €), com direito a couver, sopa/entrada, prato, sobremesa, bebida e café, um bom preço considerando a qualidade da comida, o espaço e a presença do chefe.
Comi creme de ervilhas com presunto crocante, bacalhau fresco com brás de legumes e bolo de bolacha.
Quando o chefe foi à nossa mesa, o que é de aplaudir, manifestei-lhe a minha frustação em não poder provar a sobremesa "Tributo ao pastel de nata com gelado de caramelo e nuances de canela", da qual me tinham tecido os maiores elogios. Como resposta, percebi que só estaria disponível ao jantar.
Mas o chefe fez-nos a grande surpresa de nos servir com o café, já depois de comida a sobremesa do menú, o tal tributo ao pastel de nata, simplesmente divinal.
Louve-se a sua atitude. É assim que se conquistam os clientes!
Quanto à componente vínica, inventariei 1 espumante, 1 champanhe, 25 brancos (2 eram colheita tardia), 20 tintos, 3 rosés e 6 Porto. Lamentavelmente, os anos de colheita estão omissos na carta que contém algumas incorrecções.
O vinho do menú era Castelo d' Alba Reserva, tendo optado pelo branco da colheita 2016, agradável mas sem grandes rasgos. A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar em copo aceitável.
Cozinha semi aberta, ambiente acolhedor e serviço profissional e simpático.
Uma grande surpresa em Sintra, a repetir com toda a certeza. Recomendo!

domingo, 10 de setembro de 2017

Curtas (XCI) : Qtª La Rosa, enólogos/enófilos e Vinhos do Alentejo

1.Qtª La Rosa no Boa Cama Boa Mesa
O apontamento semanal do Boa Cama Boa Mesa (SIC Notícias, 6ª feira 9h45) foi dedicado à Qtª La Rosa nas suas vertentes alojamento, restaurante e adega, incluindo uma entrevista à produtora Sophia Bergqvist.
Este programa ainda pode ser visto até à próxima 5ª feira.
2.Enólogos e enófilos: a confusão da Time Out
Pode ler-se na última Time Out (página 35, patrocinada pela Uber), a propósito do Chafariz do Vinho, "(...) O milagre da transformação da água em vinho deu-se em 1998, e a ideia partiu da Câmara Municipal de Lisboa e da EPAL, que desafiaram um grupo de enólogos a ocupar o chafariz.".
Afinal os enólogos eram enófilos (o João Paulo Martins e associados)! A confusão entre enólogos e enófilos só pode ser por ignorância (da Time Out? da Uber?). Podiam ter feito o trabalho de casa...
A propósito, eu estive na cerimónia de posse (na qualidade de responsável pela área dos vinhos da saudosa Coisas do Arco do Vinho, a convite do João Paulo Martins, tendo levado para o efeito um Porto Branco da Churchill, muito balado na altura), presidida pelo João Soares, o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
3.Vinhos do Alentejo
Já foi anunciada o próximo evento "Vinhos do Alentejo", que irá decorrer, uma vez mais no CCB, nos dias 13 (das 16 às 21h) e 14 de Outubro (das 15 às 21h). A não perder.
Mais informações em www.vinhosdoalentejo.pt.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Infame : uma mais valia no Intendente

O Infame é o nome do restaurante do 1908 Lisboa Hotel, situado no Intendente, um local mal frequentado no passado, mas que agora está na moda. Pratica uma cozinha de fusão imaginativa e de qualidade, debaixo da batuta do chefe Nuno Bandeira de Lima, num espaço moderno e acolhedor. Mesas mais ou menos despojadas, mas com os irritantes guardanapos de papel.
Para além da lista, ao almoço está disponível um menú executivo (12,50 €) com direito a entrada, prato, sobremesa, bebida e café. Optei pela apelativa lista, tendo degustado o bife tártaro como entrada e o Sol Nascente (bacalhau com xerém de camarão, algas e ovas tobiko) como prato principal. Pratos de grande qualidade e primorosamente apresentados.
Quanto à componente vínica inventariei 3 espumantes (1 a copo), 5 champanhes, 34 brancos (5), 40 tintos (2) e 9 rosés (1). E, ainda, 11 fortificados (8 Portos, 1 Madeira e 2 Moscatéis), todos a copo.
Boas escolhas de um modo geral, mas sem os anos de colheita e com alguns preços demenciais. Os brancos da Região Vinhos Verdes estavam separados dos restantes, um erro comum à maioria dos restaurantes. Mais: na carta de vinhos aparece um 1908 Vintage mas, quando vi a garrafa, afinal estava-se na presença de um 20 Anos! Por simpatia do empregado, provei este Porto tawny cujo perfil apontava para um simples 10 Anos. Ignorância ou oportunismo?
Bebi uma Musa IPA, uma belíssima cerveja artesanal, uma bebida que "descobri" há pouco tempo, mas que me tem apaixonado.
Serviço eficiente e super simpático.
Recomendo e tenciono voltar, fazendo votos para que as imprecisões e inverdades da lista de vinhos sejam corrigidas.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vinhos em família (LXXXI) : lugar aos brancos

Mais 4 vinhos brancos provados descontraidamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega.
E eles foram:
.Kompassus Reserva 2013 (13 % vol.) - valeu 18 na antiga RV; enologia de Anselmo Mendes, com base nas castas Arinto e Bical, estagiou em barricas de carvalho francês; nariz exuberante, muito fresco e frutado, acidez fabulosa, notas amanteigadas, algum volume e final de boca. Grande surpresa e excepcional relação qualidade/preço. Nota 17,5+.
.Qtª Bageiras Garrafeira 2014 (13,5 % vol.) - a antiga RV atribui-lhe 17,5 valores; garrafa nº 310/3115, com base nas castas Maria Gomes e Bical; alguma fruta, componente floral a impor-se, fresco, mas com notas gordas, volume e final de boca médios. Nota 16,5.
.Qtª Ameal Loreiro 2015 (11,5 %) - 94 pontos no Parker!; com base nas castas Loureiro (90 %) e Arinto (10 %); nariz exuberante, muito fresco e cítrico, acidez equilibrada (sem os excessos da maioria dos vinhos verdes), elegante e harmonioso, volume e final de boca médios. Um belo branco que, por acaso, é da Região Vinhos Verdes. Nota 17.
.Casal Santa Maria Malvasia 2015 (12 % vol.) - com base na casta Malvasia (100 %) em chão rijo de Colares ( no contra-rótulo afirma-se que as uvas eram provenientes da "exploração vitivinícola mais ocidental da Europa, perto do Cabo da Roca"); aromático, muito fresco, cítrico e mineral, acidez no ponto, algum volume e final de boca médio. Nota 17.