terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Vinhos em família (LV) : algumas desilusões

Mais uma série de vinhos, provados com o rótulo à vista, calmamente em família. Desta vez foram todos brancos, 2 Alvarinhos (um genuino, o outro não), 1 Arinto de Bucelas e 2 Reservas, com algumas desilusões pelo meio.
.Vale dos Ares Alvarinho 2013 - produzido por MQ Vinhos, Lugar do mato (Monção), com enologia de Gabriela Albuquerque; presença de citrinos, notas florais, mineral, volume e final de boca médios; um branco certinho, agradável e descomplicado, próprio para esta estação. Falta-lhe alguma complexidade para dar o salto para outro patamar. Nota 16,5.
.Adega Mãe Alvarinho 2012 - austero, sem a exuberância da casta, fruta fresca, acentuadamente mineral, acidez equilibrada, elegante e harmonioso. A casta Alvarinho a dar-se bem em Torres Vedras. Nota 16,5+ (noutra situação, a mesma nota).
.Morgado Stª Catherina 2010 - défice de acidez, pesado na boca; uma grande desilusão esta garrafa de um dos brancos que mais gosto. Fico na dúvida, azar com a garrafa ou esta colheita já foi? Nota 14 (noutras 17,5+/17,5/17,5+).
.Dory Reserva 2012 - produzido pela Adega Mãe, com base nas castas Viosinho, Chardonnay e Viognier, fermentou em barricas de carvalho francês e fez "batonnage" durante 6 meses; fruta madura, acidez muito equilibrada, alguma gordura, notas fumadas, madeira bem casada, volume de boca evidente. A única crítica: os 14% de álcool, um exagero. Nota 16,5+.
.Qtª dos Carvalhais Reserva 2010 - lançado agora pelo Clube 1500 da Sogrape, com base nas castas Encruzado e Verdelho, após 3 anos em barricas de carvalho, uma violência; complexidade aromática, fruta madura, excesso de madeira, alguma acidez mas insuficiente, gordura. É um branco muito pesado, mesmo na época mais fria. Muito abaixo das  expectativas criadas. Nota 14,5. Fico curioso em saber que apreciações irá ter, da parte da crítica consagrada.
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quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Quadro de Honra de Moscateis

Termino o balanço dos QH com os Moscateis e afins (aqui incluo a casta Bastardo). Em relação a 2013, elegi mais 4, dos quais 2 são da Madeira, passando o nº de eleitos para 19, o que corresponde 5,7 % do total e 17,6 % dos fortificados.
Em pormenor:
1.Moscatel de Setúbal, incluindo o Bastardinho (todos da José Maria da Fonseca)
.com 19,5 - 3 (1952, Superior 1955 e Roxo 1960)
.com 19 - 2 (Roxo 1900 e Trilogia)
.com 18,5+ - 5 (1967, 1973, Roxo Superior 1971, Superior 1962 e Roxo 20 Anos engarrafado em 2014)
.com 18,5 - 3 (1918, Superior 1975 e 20 Anos engarrafado em 1986)
.com 18 - 3 (Roxo 20 Anos, Alambre 20 Anos e Bastardinho 30 Anos)
2.Moscatel do Douro
.com 19 - 1 (Secret Spot +40 Anos)
3.Moscatel da Madeira
.com 19 - 1 (Artur Barros e Sousa de ano desconhecido e engarrafado em 1997)
.com 18,5 - 1 (Artur Barros e Sousa 1890)
A sublinhar: o pleno da JMF nos Moscateis de Setúbal e a entrada da ABS neste QH.

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Quadro de Honra de Vinhos da Madeira

1.Por casta
Já são 52 os eleitos (mais 11, em relação a 2013), ou seja, 15,6 % do total do QH e 48,1 % dos fortificados. Desagregando:
.Bual - 19
.Verdelho - 10
.Malvasia - 9
.Terrantez - 8
.Sercial - 6
Destaque para a casta Bual, a minha preferida, que representa mais de 1/3 (precisamente 36,5 %) do total dos Madeiras.
2.Por produtor/marca
.Madeira Wine - 34 (Blandy 26, Cossart Gordon 6, Leacock e Miles 1 de cada)
.Artur Barros e Sousa - 9
.Borges - 3
.FEM, FMA e Adega do Torreão - 2 de cada
.desconhecido - 1
De realçar a marca Blandy, com metade dos eleitos e a entrada da Borges para este QH.
3.Por anos de colheita
.século XIX - 4 (1814, 1870, 1879 e 1891)
.até à década de 50 do século XX - 6 (1905, 1919, 1920, 1934, 1948 e 1958)
.década de 60 - 10 (60, 63, 64, 66, 68 e 69)
.década de 70 - 11 (71, 73, 74, 75, 76, 77 e 79)
.década de 80 - 3 (81, 86 e 88)
.década de 90 - 2 (91 e 96)
.20 Anos - 1
.40 Anos - 3
De salientar a concentração nas décadas de 60 e 70, com 21 eleitos, ou seja 40,4 % dos eleitos).
4.Os melhores entre os melhores
.com 19,5 - 6 (Adega do Torreão Terrantez  1905, Blandy Solera Bual 1891, Blandy Bual 1920, 1948, 1964 e Miles Bual 1934)
.com 19+ - 1 (Blandy Bual 77)
.com 19 - 12 (Blandy Terrantez 69, 75 e 77, Cossart Terrantez 77, Blandy Verdelho Solera, Blandy Bual 63, 68, 69 e 71, Artur Barros e Sousa Bual Solera 1919 e Borges Malvasia +40 Anos).
Cofirma-se o favoritismo da casta Bual com 11 em 19 (57,9 %) e da marca Blandy com 13 (68,4 %)!
Em conclusão: Vinho da Madeira, uma paixão!

sábado, 16 de Agosto de 2014

Os comeres no Mercado da Ribeira : Henrique Sá Pessoa

Depois de ter dedicado as 2 primeiras crónicas aos chefes Marlene Vieira e Vitor Claro, hoje é a vez do mediático Henrique Sá Pessoa, o dono do restaurante Alma e presença constante nas nossas televisões. A ementa é simples, com 4 referências em cada secção (saladas, sandes de comer à mão, peixe, carne e sobremesas). Aparentemente, nada de muito requintado, mas tudo o que comi tinha qualidade. Numa 1ª visita optei por uma salada de couscous com requeijão de Seia (5 €) e o bacalhau com puré de grão (8 €); numa 2ª fiquei-me pelas bochechas de porco com puré de batata e couve lombarda (9 €).
De salientar que o serviço nesta banca  está muito bem organizado. No acto do pagamento entregam-nos uma espécie de disco que apita para avisar o cliente que está tudo pronto. Genial! Será por isso que é, das bancas de chefes, a que mais procura tem? Tavez...
Quanto a vinhos a copo, esta banca tem um wine cooler, com capacidade para 8 garrafas, para manter a temperatura adequada ds garrafas em serviço, o que é de louvar. Inventarirei 1 espumante, 4 brancos, 4 tintos, 1 Moscatel de setúbal e 1 Porto Ruby, mas sem nada que chame muito a atenção. Pelo contrário, tem pelo menos 1 referência, francamente mais cara, que também existe na banca do Esporão. Isto não faz sentido, pois não deveria haver concorrência aos vinhos que estão nas bancas do João Portugal Ramos e do Esporão.
Optei, pois, por ir buscar vinhos a copo a estas últimas bancas:
.na João Portugal Ramos, o branco Tons de Duorum 2013 (2,50 €) - fresco, frutado, notas minerais, , algum volume e final de boca; uma boa surpresa e excelente relação preço/qualidade. Nota 16,5+.
Esteve muito bem com a salada, mas não aguentou o bacalhau.
.no Esporão, o tinto Reserva versão magnum (5 €) - muita fruta, acidez equilibrada, notas especiadas, taninos macios, volume de boca e final longo. Gastronómico, a ligar bem com a bochecha. Nota 17.
Ambos os vinhos foram servidos em bons copos numa quantidade generosa, a temperaturas aceitáveis.
A terminar :
.constatei em qualquer das visitas, que o serviço de limpeza continua muito eficaz e sempre em cima do acontecimento. Oxalá continuem assim.
.não me canso de levar para o meu jantar, os croquetes da Croqueteria (1,50 € cada): muito bom o tradicional e excelente o de alheira de caça com grelos. Recomendo.

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Quadro de Honra de Vinhos do Porto

1.Por tipo
Em 31 de Julho estavam contabilizados 38 Portos com 18,5 ou mais, o que corresponde a 11,4 % do total dos vinhos eleitos e 35,2 % dos fortificados. Desdobrando estes 38:
.Tawnies - 26, sendo 18 Colheitas e 8 de idade (30 ou 40 anos).
.Vintage - 10
.Brancos Velhos - 2
Esta acentuada diferença, a favor dos tawnies, explica-se pelo meu gosto pessoal e pelo facto de o Vintage não ser tão fiável. É uma lotaria, tanto pode sair uma coisa muito boa, como um vinho para temperar maçãs assadas. Os ingleses que me perdoem.
2.Por produtor/marca e ano
a.Tawnies e Brancos Velhos
.Krohn - 8 (60, 61, 64 Branco, 66, 67, 68, 78 e 30 Anos)
.Burmester - 5 (20, 37, 44, 55 e Tordiz 40 Anos)
.Noval - 4 (37, 64, 71 e 40 Anos)
.Dalva - 2 (85 e 30 Anos)
.Kopke - 2 (41 e 60)
.Barros - 2 (35 e Branco Muito Velho)
.Taylor's - 2 (Colheita 64 e 40 Anos)
Seguem-se mais 5 Casas com 1 referência, cada.
De realçar a extinta marca Krohn, maioritária nesta selecção. Até o Colheita 64, comercializado agora debaixo da marca Taylor´s, tem origem naquela marca.
b.Vintage
.Fonseca - 2 (03 e 76)
.Noval - 2 (58 e 94)
.Taylor's - 2 (94 e 11)
Seguem-se mais 4 Casas co 1 referência, cada
O meu aplauso para o Fonseca Guimaraes 1976, uma 2ª marca!
3.Os melhores entre os melhores
Com 19 pontos ou mais, por ordem alfabética:
.Barros Colheita 35
.Burmester Colheita 37, 44, 55 e, ainda, o Novidade 1920 (este com 19+)
.Fonseca Guimaraes Vintage 76
.Krohn Colheita 61
.Noval Colheita 37 e 71
 Tiro o meu chapéu à Burmester que quase fazia o pleno!
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segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Curtas (XXXVI)

1.Comer barato em Cascais
É no restaurante 100 Vícios (Tv. Alfarrobeira,2 - 4º), com uma boa panorâmica para o casario e baía de Cascais. A cozinha não me apaixonou, mas uma refeição completa por 8 € (inclui couver, entrada, prato, sobremesa, bebida e café!), num sítio janota e em Cascais, é um achado. Um aviso: este excelente preço é só para almoços, durante a semana. Jantar e fim de semana, sobe para 13 €.
A lista de vinhos é abrangente, embora sem grandes referências nem anos de colheita, mas com algumas propostas imperdíveis, como é o caso do excelente Morgado Stª Catherina a 11,60 € (praticamente preço de garrafeira)! Inventariei 9 espumantes, 3 champanhes, 25 brancos, 32 tintos, 2 rosés, 13 Portos, 1 Madeira e 2 Moscatéis. A copo, apenas disponibilizam 2 brancos e 2 tintos, o que é manifestamente insuficiente. Já todos os fortificados podem ser bebidos a copo.
Escolhi o branco Tavedo 2013, servido na mesa, num bom copo e em quantidade generosa. Fresco e descomplicado, cumpriu a sua função.
2.Novas Garrafeiras/Lojas de Vinhos
Recentemente, abriram:
.Wineguest Belém (Lg dos Jerónimos,6A). É a irmã mais nova da Wineguest Alfama (Rua dos Remédios,38).
.Why Not Gourmet (Rua Drª Iracy Doyle,9 Cascais). Além das componentes garrafeira e gourmet, tem um espaço exclusivo de cigarros electrónicos.
Para contrariar esta tendência de abrir novas lojas, fechou as portas a Garrafeira/Wine Bar Wine Spot (no Chiado), que eu considerei o espaço, dedicado ao vinho, mais bonito de Lisboa. Paz à sua alma...
3.Avenue revisitado
Visitei, uma vez mais, este restaurante situado num 1º andar (Av. Liberdade,129), onde pontifica a Marlene Vieira, à qual teci, por diversas vezes, os maiores elogios, mais que merecidos, a propósito deste espaço, mas também do Mercado da Ribeira e da sua actuação no Peixe em Lisboa.
Aproveito a oportunidade para corrigir um lapso, constante nas primeiras crónicas sobre o Avenue: "Curtas (VII)" e "Petiscos em Lisboa (VIII)", publicadas em 7/5/2013 e 4/11/2012, respectivamente. Nelas escrevi que o restaurante estava integrado num hotel, o que não é verdade (está encostado ao Ad-Lib e daí a confusão). Só estranho que nenhum dos seguidores deste blogue tenha dado pela gafe!
Nesta última incursão apostei no menú executivo, que inclui couver, amuse bouche (peixinhos da horta), entrada (creme leve de marisco), prato (veja dos Açores com salada de batata e espargos) e, ainda, sobremesa (pêssego grelhado com gelado de iogurte). Qualidade indiscutível!  Isto tudo por 20 €, um bom preço, atendendo ao espaço e à cozinha.
Mais: o Avenue foi reforçado com parte da equipa do ex-Gspot (o restaurante do Manuel Moreira, em Sintra). Uma mais valia, portanto, traduzida num serviço de vinhos profissional e de muita qualidade. Optei por um copo do surpreendente branco Qtª de Carrafouchas 2012 (4 €), cujo responsável pela enologia é um colega bloguista (TWA), Hugo Mendes de seu nome. Finalmente, foi-me dado a provar um curioso e desconcertante Alboroque 2012, autoria do Tomás Vieira da Cruz, ao estilo andaluz.

sábado, 9 de Agosto de 2014

Quadro de Honra de Vinhos Tintos

Comparado com o ponto de situação feito há 1 ano, agora temos mais 7 tintos, passando dos 123 de 2013 para os actuais 130, ou seja, um acréscimo de 5,4 %, muito inferior ao dos brancos. Desagregando:
1.Por Região
.Douro - 91 (70 % dos tintos)
.Dão - 6
.Douro/Dão - 1
.Bairrada/Beiras - 11
.Estremadura/Lisboa - 1
.Península de Setúbal - 1
.Alentejo - 10
.Estrangeiros - 9 (8 da Ribera del Duero)
Em conclusão, os vinhos tintos do Douro são, claramente, os meus preferidos. Mas seria injusto não referir também as Beiras (Dão e Bairrada) e o Alentejo.
2.Por ano de colheita
.década de 80 - 1
.década de 90 - 7
.2000 - 8
.2001 - 10
.2002 - 3
.2004 - 28 (21,5 % dos eleitos)
.2005 - 22 (16,9 %)
.2006 - 7
.2007 - 19 (14,6 %)
.2008 - 7
.2009 - 4
.2010 - 1
.2011 - 2
De referir que 2004 continua a ser o meu ano da década, o duo 2004/2005 pesa quase 40 % (38,4 %) e o trio 2004/2005/2007 é mais de metade do total (53 %).
Quanto ao ano 2011, considerado excepcional, considero pedofilia bebê-lo agora. Há que esperar, pelo menos, mais 2 anos.
3.Por produtor/marca
Com 4 referências ou mais, destacam-se:
.Qtª do Crasto - 16 (Vinha da Ponte 5, Maria Teresa 4, T.Nacional 5, Vinhas Velhas e Xisto 1 de cada)
.Niepoort - 11 e meio (Batuta 6, Charme 4, Robustus 1 e Doda 0,5)
.Qtª Vale Meão - 9
.Casa Ferreirinha - 8 (Barca Velha 3, Reserva Especial 3, Vinhas Velhas e Antónia Adelaide Ferreira 1 de cada)
.Qtª do Vallado - 7 (Reserva 4, Adelaide 2 e T.Nacional 1)
.Wine & Soul - 7 (Pintas 5 e Qtª da Manoella 2)
.Aalto - 7 (PS 4 e Colheita 3)
.Lavradores de Feitoria - 5  (Três Bagos Grande Escolha)
.Jorge Moreira - 4 (Poeira)
.Domingos Alves de Sousa - 4 (Abandonado 2, Vinha do Lordelo e Qtª da Gaivosa 1)
Seguem-se mais 25 produtores com 1, 2 ou 3 referências.
De salientar que 90 % dos produtores eleitos são do Douro e 40 % pertencem ao mediático grupo dos Douro Boys. Finalmente, tiro o meu chapéu à Qtª do Vale Meão, um dos raros produtores só com 1 referência.
4.Os melhores entre os melhores
Mantém-se a lista de 2013, com os tintos classificados com 19 pontos (ordem alfabética):
.Aalto PS 2001
.Barca Velha 1995, 1999 e 2004
.Pintas 2001
.Qtª do Crasto Vinha da Ponte 1998 e 2003 e T.Nacional 2001
.Qtª Vale Meão 2004
.Robustus 2004
.Três Bagos Grande Escolha 2004
Mantem-se o empate técnico entre a Casa Ferreirinha e a Qtª do Crasto. Quanto aos anos de colheita, o 2004 continua com a camisola amarela, logo seguido pelo 2001.