sábado, 28 de maio de 2016

Vinhos em família (LXXII) : continuando com a colheita 2008

Mais 4 vinhos (2 brancos 2013 e 2 tintos 2008) degustados sossegadamente em casa, com os rótulos à vista e sem a pressão da prova cega. Dois confirmaram a expectativa que tinha sobre eles e os outros dois ficaram aquém do esperado. Ei-los:
.Inspirações Reserva 2013 - lançado para comemorar os 25 anos do Clube 1500 da Sogrape, com base nas castas Arinto (60 %) e Viosinho (40 %); estagiou 12 meses em barricas e mais de 1 ano em garrafa; aroma austero, alguma acidez e secura a fazer lembrar alguns brancos da Andaluzia, notas de fruta de caroço, madeira ainda por casar, volume considerável, mas pouco equilibrado de momento. Esperava mais. Nota 16.
.Morgado Stª Catherina Reserva 2013 (91 pontos na Wine Enthusiast) - um festival de aromas de citrinos e algum tropical, acidez própria da casta Arinto, notas amanteigadas, madeira bem casada, volume e final de boca consideráveis. Excelente relação preço/qualidade. Nota 17,5+.
.Charme 2008 - nariz contido, fresco e elegante, taninos suaves, volume e final de boca médios. Muito ao estilo borgonhês e longe do nosso palato, a beber nos próximos 6/7 anos. Omisso quanto a castas utilizadas e tempo de estágio em barrica e na garrafa (não tem contra-rótulo, uma mania do Dirk que não se entende). Nota 17.
.DODA 2008 - classificado como vinho de mesa (burocracias do IVV que, também, não entendo); nariz presente, frutado e especiado, acidez no ponto, fino e elegante, taninos sedosos, volume e final de boca apreciáveis. Em forma mais 6/7 anos. Nota 18.
Vale a pena ver o rótulo e o que dizem do vinho os seus autores Álvaro de Castro ("fino, expressivo e complexo") e Dirk van Niepoort ("encorpado, rico e taninoso").
De notar que à excepção do Morgado (com 14 % vol de álccol), todos os outros se ficaram pelos 13,5 % vol de álcool, o que é de louvar.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Pap' açorda : do Bairro Alto para o Mercado da Ribeira

Fui recentemente "descobrir" o novo Pap' açorda que se instalou no 1º piso do Mercado da Ribeira. Quando se entra, directamente para a sala dos não fumadores, depois de se ter de fazer alguma força para a grande porta se abrir, é-se agredido pela música de fundo, o que só apetece voltar para trás. Manteve-se assim, mesmo depois de ter solicitado para a baixarem, durante algum tempo, só acalmando já eu ia a meio do almoço. Francamente!
Este restaurante tem uma ementa alargada, mantendo-se parte dos pratos do Bairro Alto e avançando com algumas novidades. Fixei-me nos petiscos, tendo pedido um pastel de massa tenra (2,50 €), um croquete de vitela (2 €), pezinhos de coentrada (5,50 €) e torricado de enchidos (4,50 €), antecedidos de um bom couver (3 tipos de pão, azeitonas e 1 mini pastel de massa tenra, tudo por 2,50 €). Nota alta para os pastéis e, sobretudo, para os pezinhos que estavam uma delícia.
Quanto a vinhos, o Pap' açorda apostou forte num espaço climatizado  para cerca de 500 garrafas (!), bons copos e uma selecção criteriosa, com especial incidência no Douro e Alentejo.
Inventariei  3 espumantes (2 a copo), 8 champanhes (3), 32 brancos (12), 4 rosés (2) e 37 tintos (8). Os vinhos verdes estão separados dos brancos, o que não se entende. Mais: os fortificados não constam na lista, tendo sido desterrados para a carta do bar a qual também inclui colheitas tardias.
A ignorância dos empregados no que toca a vinhos é gritante, pois não me souberam responder a perguntas tais como a capacidade e a que temperatura estava o espaço térmico. Lá me empurraram para um senhor que sabia essas coisas mas, quando o questionei quanto à omissão dos vinhos fortificados, fez um ar espantado, perguntando-me o que era isso. Fiquei esclarecido!
Optei pelo tinto Assobio 2014 (4,90 €, uma exorbitância, mas barato se comparado com os outros vinhos a copo!) - muito frutado, alguma acidez, muita juventude e alguma agressividade, volume e final de boca médios. Pouco interessante. Nota 15.
 A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num copo sofrível (que trocaram pelo bom copo que estava na mesa. Temperatura e quantidade correctas.
Serviço, além de ignorante no que toca a vinhos, distante e impessoal. Estamos conversados...e não tenciono voltar.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Jantar Malhadinha & CARM

Mais um jantar vínico organizado pela Garrafeira Néctar das Avenidas que escolheu o restaurante Faz Gostos, cujas responsáveis são mãe (Elisabete Pires, na cozinha) e filha (Ana Pestana, na sala). Apresentaram os vinhos a Filipa Silva (Malhadinha) e o João Paulo Reboredo (CARM), tendo ainda participado o Celso Madeira, o expoente máximo da CARM.
A gastronomia, exceptuando o polvo (as batatas não ajudaram), estava francamente boa e o serviço de vinhos, com um copo para cada néctar e temperaturas adequadas, esteve à altura dos acontecimentos. Pena foi que repasto se tivesse prolongado para além do razoável, por ventura consequência do número reduzido de pessoas envolvidas no serviço.
Na mesa o excelente azeite CARM Grande Escolha Bio. Quanto aos vinhos provados, desfilaram:
.Monte da Peceguina 2015 Rosé - com base nas castas Touriga Nacional e Aragonês e 12,5 % vol de álcool; muito frutado e aromático, acidez equilibrada, final de boca ligeiramente adocicado. Nota 15+.
Cumpriu a sua função de bebida de boas vindas e harmonizou bem com os rissóis de berbigão (excelentes, por sinal).
.Verdelho da Peceguina 2015 Branco - 13 % vol de álcool; nariz austero, presença de citrinos, notas vegetais acentuadas, alguma acidez e final de boca amargo. Abaixo das expectativas. Nota 15.
Acompanhou uma bela sopa de ameijoas.
.CARM Maria de Lourdes 2011 Branco - com base em uvas biológicas e 13 % vol de álcool; aromático, citrinos e fruta madura (melão e pêssego), muito fresco e mineral, alguma gordura e volume, final de boca extenso. Se provado às cegas, não teria acertado com o ano de colheita. Uma boa surpresa! Nota 17,5+.
Maridou com um polvo de Santa Luzia com batata doce, que não esteve à altura muito por culpa das batatas meio enresinadas.
.Malhadinha 2013 - com 14,5 % vol de álcool, foi vinificado em lagares com pisa a pé e estagiou 14 meses em barricas novas de carvalho francês; muito frutado e vinoso, acidez equilibrada, taninos vigorosos mas civilizados, algum volume e final de boca adocicado; perfil muito alentejano, vai melhorar com a idade. Nota 17.
Harmonizou bem com uma excelente perna de cordeiro assada.
.CARM Maria de Lourdes 2011 - com base nas castas T. Nacional (70 %) e T. Franca (30 %) e 15 % vol de álcool (algo excessivo); aroma intenso, fruta ainda presente, notas de esteva, tabaco e couro, acidez nos mínimos, taninos afirmativos, bom volume e final de boca persistente. Nota 18.
Ligação arriscada com um queijo de ovelha amanteigado, passou no exame.
.Malhadinha Colheita Tardia 2012 -  com 11,5 % vol; nariz austero, notas de laranja, déficite de acidez, volume assinalável mas algo pastoso. Perfil muito afastado da maioria dos colheitas tardias que conheço, foi uma desilusão. Péssima relação preço/qualidade. Nota 14,5.
Fez companhia a um bolo fofo de chocolate com nozes.
Resumindo e concluindo, foi um bom evento vínico sendo de destacar os dois Maria de Lourdes 2011, o branco e o tinto. Teria sido mesmo excelente, não fora o evento ter acabado já no dia seguinte...

sábado, 21 de maio de 2016

Curtas (LXXVI) : de tudo um pouco

1.Fugas
O Fugas de hoje é integralmente dedicado ao vinho. Ao longo das suas 64 páginas, a par de outros artigos, desfilam figuras emblemáticas do mundo do vinho, tais como Francisco Olazabal, Rogério de Castro, Manuel Vieira, Miguel Louro  e  Margarida Cabaço.
Indesculpável não comprar o Público!
2.Rota de Tapas
Começou no dia 18 de Maio e terminará em 5 de Junho, a 7ª edição da Rota de Tapas.  Aderiram 57 espaços de restauração de Lisboa, que disponibilizam, por 3 €, uma tapa e uma cerveja Estrella Damm.
É de aproveitar!
3.Sem Dúvida revisitado
Já aqui referido por diversas vezes, entre outras em "Curtas (XLIII) ...", crónica publicada em 11/11/2014. Não me canso de elogiar, a sua componente vínica, apresentando uma carta de vinhos do melhor que conheço em Portugal, a par da oferta gastronómica. Ainda recentemente comi umas fabulosas lascas de bacalhau, acompanhadas por uma garrafa do gastronómico branco Castello d' Alba Grande Reserva Vinhas Velhas 2014, uma excelente relação preço/qualidade.
Obrigatório conhecer!


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Almoço com Quintas de Melgaço

1.Introdução
A convite do produtor Quintas de Melgaço (uma espécie de cooperativa, onde a Câmara Municipal de Melgaço tem 60 % do capital), participei num almoço que decorreu no afamado Solar dos Presuntos, tendo o Director Geral (Pedro Soares) e a enóloga residente (Virgínia Rainho) feito a apresentação de alguns vinhos do respectivo portefólio (2 espumantes e 2 vinhos tranquilos).
O universo de participantes contemplava diversos órgãos de comunicação social, nomeadamente a Revista de Vinhos (representada pelo João Paulo Martins), Enovitis Oleavitis, Escanção (Maria João Almeida), Paixão pelo Vinho, Epicur, TVI, Diário Económico, GQ Magazine, Boa Cama Boa Mesa, Hiper Super, Distribuição Hoje, Grande Consumo e o free lancer Miguel Dentinho. Quanto à blogosfera, apenas os responsáveis por 4 blogues (Avinhar, Comer Beber Lazer, Enófilo Militante e João à Mesa), uma ínfima parte deste universo, tendo ficado de fora alguns cuja leitura é obrigatória.
2.Os vinhos e os comeres
Foram apresentados os seguintes vinhos QM, todos com base na casta Alvarinho, a melhor casta branca portuguesa e que se está a espalhar por esse mundo fora:
.Espumante QM Super Reserva 2012 - bolha persistente, notas de pão cozido, acidez equilibrada, excesso de gás no primeiro embate, mas que se vai atenuando ao longo da prova. Nota 15.
Serviu de vinho de boas vindas, mas também acompanhou uma série de entradas (queijos da Ilha e Azeitão, paio, presunto, lampreia de escabeche, ameijoas e polvo à galega). Tudo com nota alta, à excepção do presunto (mal cortado) e da lampreia (com excesso de vinagre).
.QM Vinhas Velhas 2015 - nariz contido, presença de citrinos, notas vegetais, acidez equilibrada, volume médio e final curto. Acabado de engarrafar, é pura pedofilia bebê-lo agora. Nota 15,5 (a rever daqui a 2/3 anos).
Também acompanhou as entradas e fez a ponte para o prato principal.
.QM Homenagem 2014 - aroma mais presente, citrinos, notas florais, bela acidez, madeira discreta, algum volume e final de boca. Gastronómico, ainda vai melhorar com mais 3/4 anos. Um ano a mais que o vinho anterior, fez toda a diferença. Nota 17.
Maridagem perfeita com o excelente arroz de lavagante, um ex-libris da casa.
.Espumante QM Velha Reserva 2011 - aroma complexo, gás inicialmente excessivo, notas de pão a sair do forno, acidez no ponto e alguma estrutura. Nota 16.
Não harmonizou com a sobremesa (pão de ló, queijo da Ilha e fruta). Gostava de o experimentar com outro tipo de comida.
Foi pena não termos provado o QM Vindima Tardia 2014. Teria ligado bem melhor com a sobremesa, é o meu palpite.
Vale a pena navegar no site do produtor, bem concebido e atractivo. Pena que sejam pouco ambiciosos quanto à longevidade dos seus alvarinhos (2 a 4 anos para o Vinhas Velhas e 3 a 5 anos para o Homenagem, é manifestamente modesto).
3.O restaurante
Muito badalado e caro, este espaço de restauração, que começou ao nível da rua, já se espalhou por mais 2 pisos. No dia do evento, as 3 salas estavam todas lotadas. A crise não passou por aqui!
Numa mesa atrás da minha estava um grupo ruidoso, onde estava o famoso treinador Jorge Jesus, palpitando-me que estaria a comemorar, por antecipação, um campeonato que afinal não viria a ganhar.
Quanto ao serviço, o "timing" foi sistematicamente incorrecto, chegando sempre à mesa primeiro a comida, antes de os vinhos serem servidos, quando deveria ter sido precisamente o contrário. Os copos eram correctos, mas tivemos que os avinhar, pois não puseram na mesa a quantidade necessária aos 4 vinhos apresentados.
Finalmente, a sala onde almoçámos, também era para fumadores, o que não é correcto.
4.Conclusão
Apesar das falhas indicadas, valeu a pena conhecer o projecto QM.
No final do repasto, os convidados foram obsequiados com 3 vinhos do produtor (Espumante QM Super Reserva, QM Vinhas Velhas  e Astronauta Arinto). Obrigado QM, pela parte que me toca!

terça-feira, 17 de maio de 2016

Grupo dos 3 (50ª sessão) : os brancos alentejanos continuam a surpreender

Esta última sessão deste grupo de militantes da linha dura decorreu no Guarda Real, restaurante do Hotel Real Palácio, já aqui referido por diversas vezes. O espaço foi escolhido pelo João Quintela que trouxe 4 vinhos da sua garrafeira (2 brancos, 1 tinto e 1 fortificado), os quais foram provados às cegas. Gastronomia correcta, bons copos Schott e serviço de vinhos profissional.
Desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Granit 2015 - nariz exuberante, presença de citrinos, notas tropicais atenuadas, fresco e mineral, acidez vibrante, algum volume e final de boca acentuado. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
Acompanhou uma série de entradas (carpaccio de novilho, choco frito e torricado de bacalhau).
.Telhas 2010 - com base na casta Viognier; ligeira oxidação, fruta madura, acidez muito presente, alguma gordura e volume, final muito longo. Equilibrado e acentuadamente gastronómico, requer entradas consistentes ou queijo de meia cura. Este branco alentejano já me tinha surpreendido em 2013 e agora é a grande confirmação. Nota 18 (17,5+ na prova referida).
Maridou muito bem com um estaladiço com queijo de cabra e com o prato principal.
.Casa de Saima Garrafeira Baga 2000 - ainda com fruta, acidez equilibrada, fresco e elegante, notas especiadas, taninos presentes mas não agressivos, algum volume e final persistente. Nota 17,5+.
Acompanhou um naco de vitela com risotto de cogumelos e gratin de legumes.
.Moscatel JP 1988 - nariz austero, presença de citrinos, acidez nos mínimos, taninos afirmativos e final de boca extenso. Algo desequilibrado. Nota 17.
Fez companhia a uns belíssimos pastéis de nata.
Nota final: os brancos (alguns, claro) continuam a surpreender-me, como foi o caso recente do Esporão Reserva 2008 e do Pera Manca 2012 e, agora, o Telhas 2010. Excepções ou talvez não?
Obrigado João!

sábado, 14 de maio de 2016

Próximos eventos à volta do vinho

1. 5º Festival do Douro Superior
Com o apoio da Revista de Vinhos e da Câmara Municipal de Vila Nova Foz Coa, vai ter lugar em Foz Coa, de 20 a 22 de Maio, este evento que contará com colóquios, provas comentadas, concurso de vinhos do Douro superior e, ainda, um concerto ao vivo com os cantautores Sérgio Godinho e Jorge Palma. A não perder!
Mais informações em:
www.revistadevinhos.pt
www.cm-fozcoa.pt
2. 2ª Edição do Alvarinho Wine Fest Monção Melgaço
Com o apoio da Cofina Eventos, este evento de correrá dias 3 a 5 de Junho no Pátio da Galé, em Lisboa, durante o qual se poderá participar em provas comentadas e sessões showcooking. A não perder!
Mais informações em:
www.vozdemelgaco.pt
www.cm-moncao.pt (lamentavelmente esta página situa o evento no local da 1ª edição)
3. 2ª Feira do Douro
Este evento enogastronómico, realizado e animado pelos Douro Boys (Niepoort e Quintas do Crasto, Vale D. Maria,Vale Meão e Vallado), terá lugar na Qtª de Nápoles (Niepoort) nos dias 25 e 26 de Junho. Conta com 27 produtores locais, podendo-se provar e comprar os respectivos produtos. Os Douro Boys estarão presentes e orientarão as provas dos seus vinhos. Mais, foram estabelecidas parcerias com hotéis e restaurantes que farão preços especiais aos participantes. A não perder!
Mais informações em:
www.douroboys.com (em inglês)