segunda-feira, 29 de junho de 2015

Última hora : o Assinatura vai encerrar

1.Ontem, quando andava pelas quintas da Real Companhia Velha, fui apanhado de surpresa com a triste notícia sobre o encerramento do Assinatura no final deste mês.
Hoje 29 e amanhã 30 são os derradeiros dias para nos despedirmos do Assinatura, especialmente nos jantares a que chamaram "o grande banquete".
As reservas podem ser feitas em reservas@assinatura.com.pt.
Cliente e divulgador deste projecto desde a 1ª hora, estive presente nos jantares comemorativos das respectivas efemérides. Para quem tiver curiosidade, pode ler o que escrevi na altura:
."2 Anos de Assinatura" (I) e (II), crónicas publicadas em 1 e 2/7/2012
."O 4º aniversário do Assinatura", em 21/6/2014
Refiro, ainda, que nos Balanços do Ano, referentes aos anos de 2010 a 2014, incluí o Assinatura no Top dos 10 melhores espaços de restauração, segundo os meus gostos e critérios.
Desejo à actual equipa os maiores êxitos profissionais em futuros projectos.
2.Aproveito para referir que tenho em atraso, mas tenciono publicar crónicas sobre:
.By the Wine, da José Maria da Fonseca
.Le Chat, um dos restaurantes-esplanada da moda
.Apresentação de vinhos da Herdade Paço do Conde, no Eleven
.Rescaldo da ida às quintas da Real Companhia Velha, antecedida do almoço no Manjar do Marquês, estadia na Pousada de Viseu e visita à Casa da Ínsua.
Mas não sei é quando, pois vou estar longe do computador na próxima semana. Haja paciência...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Vinhos em família (LXIII) : um Crasto Vinhas Velhas aristocrata e outros

Mais alguns vinhos da minha garrafeira provados em família e com o rótulo à vista: 2 Alvarinhos e 2 Douro 2008.
.Expressões Anselmo Mendes 2013 - aposta forte no "terroir", com a inclusão no rótulo de "Monção & Melgaço", desaparecendo a referência à casta Alvarinho; nariz austero, citrinos, notas vegetais e fumadas, acidez correcta, alguma gordura, bom volume e final de boca; precisa de mais tempo em garrafa, a fim de evidenciar todas as suas potencialidades. Nota 17,5 (por enquanto).
.Soalheiro Alvarinho 2013 - muito frutado, presença de citrinos e fruta tropical, notas florais, fresco e mineral, algum volume e final médio. Melhor se bebido daqui a 2/3 anos. Nota 17.
.Vallado Reserva 2008 - ainda com muita fruta, acidez equilibrada, algo especiado, rusticidade,  taninos espigados, algum volume e final persistente. A beber nos próximos 4/5 anos. Nota 17,5+.
.Crasto Vinhas Velhas 2008 - com base em vinhas com cerca de 70 anos, estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês e americano; aroma complexo, especiado, notas de tabaco e chocolate negro, acidez no ponto, fino e elegante, taninos domesticados, volume e final de boca assinaláveis. Um Douro aristocrata, a beber até mais 6/7 anos. Nota 18,5.

sábado, 20 de junho de 2015

Atalho Real : um paraíso para os carníveros

Este Atalho que fica no edifício Embaixada (Principe Real) é o irmão mais novo do Atalho do Mercado (Mercado Campo de Ourique). Além das salas no interior do edifício, tem uma invejável esplanada no exterior, no meio do jardim do palácio, com entrada pela Calçada do Patriarcal, embora com algumas mesas ao sol, problema que os proprietários deviam resolver urgentemente.
A comida é um paraíso para os carníveros. Eu, que sou mais para o peixe, fiquei conquistado. Belíssima matéria prima, bem trabalhada, temperada e apresentada. Obrigatório provar!
Comi maminha (da raça Black Angus) no prato (também há no pão), com direito a 2 acompanhamentos (escolhi salada mista e rodelas de batata gratinadas), a troco de 11,50 €, um bom preço para a qualidade apresentada. Mas há mais para experimentar em próximas oportunidades: picanha da Escócia, vazia, lombo, entrecôte maturada e chuletón.
Quanto a vinhos, a lista refere meia dúzia a copo, com os tintos a uma temperatura controlada (o empregado referiu-me que estavam a 12º, mas pareceu-me mais próximo dos 16/17º).
Optei pelo Papa Figos 2013 - muito frutado, alguma acidez e volume, simples e correcto, algo rústico, taninos presentes e final de boca médio. Ligou bem com o prato. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar, num copo de boa dimensão, servido a olho.
Serviço profissional, eficiente e simpático. Recomendo vivamente!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Uma volta por Campo de Ourique (III) : Coelho da Rocha e novas garrafeiras

A crónica de hoje vem na sequência de outras tantas já publicadas anteriormente, como é o caso de:
."Uma volta por Campo de Ourique (I)" e (II), publicadas em 17 e 18/1/2012
."Mexilhões em Lisboa", em 11/1/2014
." O novo Mercado Campo de Ourique" e "Mercado Campo de Ourique revisitado", em 19/1/2014 e 8/5/2014
1.Coelho da Rocha (no nº 104 da rua com o mesmo nome)
Este clássico restaurante de bairro abriu há pouco tempo com uma nova equipa, sendo os proprietários os mesmos do Magano, também em Campo de Ourique.
Bem decorado e confortável, com guardanapos de pano, para além dos pratos tradicionais, apostou forte numa lista alargada de petiscos. E foi na petiscaria que apostei em visita recente, tendo escolhido peixinhos da horta, pimentos Padrón, prego de atum e favinhas com enchidos, que me souberam muito bem. As doses são avantajadas, o que eu desconhecia, mas as sobras deram para jantar em casa noutro dia.
Lista de vinhos bem concebida mas, lamentavelmente, omissa quanto a anos de colheita. A copo, a oferta é reduzida, com a agravante de os tintos estarem à temperatura ambiente.
Optei por um copo de Adega Mãe Viosinho 2012 - nariz austero, fresco e mineral, boa acidez e algum volume; gastronómico. Nota 16,5.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo (com o logo de um produtor!?).
Serviço eficiente e simpático.
2.Novas garrafeiras em Campo de Ourique
.Garrafeira do Mercado
Está instalada no Mercado Campo de Ourique, com entrada pela Rua Padre Francisco e pertence ao grupo Empor que já tinha uma loja na Rua Castilho, a Empor Spirits & Wine.
.La Pétillante
Fica na Rua Infantaria 16, 89 e só comercializa produtos franceses (champanhes, vinhos tranquilos e mercearia fina).
.Oficina do Vinho
Com morada na Rua Correia Teles, 22A está nitidamente inspirada no vinho a granel, para além de outros produtos que comercializa.




terça-feira, 16 de junho de 2015

Testando o serviço de vinhos... (III)

Mais alguns espaços de restauração, em Lisboa, avaliados essencialmente pela sua componente serviço de vinhos:
1.Servejaria (Praça dos Restauradores,64)
Optei pelo prato do dia (uma sofrível massa com tamboril e camarão) com direito a uma bebida, o qual ficou em 7,50 €, um preço bastante razoável, até porque o preço do vinho constava na carta a 3,80 €.
O vinho foi o branco Castelo d' Alba 2014 - muito frutado, fresco, correcto e descomplicado. Nota 15.
Apesar deste espaço ter um chefe de sala vestido a rigor, o serviço de vinhos parece ser da iniciativa de cada um dos empregados. No meu caso, o copo já veio servido e só me mostraram a garrafa a meu pedido. Já na mesa do lado, reparei que a garrafa veio à mesa. Não custava nada uniformizar o serviço de vinhos, penso eu.
2.Café Portugal (Rossio)
Este espaço pertence ao Hotel Story Rossio (há mais um outro na Baixa), com o restaurante propriamente dito no 1º andar e a esplanada, onde almocei, na rua.
Têm um menú do dia (12,50 €), com direito a couvert, sopa ou entrada, prato principal e uma bebida. Estava tudo com qualidade e o serviço foi eficiente e simpático, de tal modo que pude escolher o prato da carta, em vez do do dia, sem qualquer acréscimo no preço.
A única nota negativa foi a péssima qualidade do guardanapo de papel (no restaurante são de pano). O proprietário deve ter andado à procura do mais baratinho que havia no mercado!
Bebi, a copo, o vinho do menú, o branco Vinha do Monte 2014 - alguma fruta, acidez nos mínimos, simples e correcto, a cumprir a sua função. Nota 14,5+.
A garrafa foi mostrada e o vinho dado a provar, embora num copo manhoso (segundo me afirmaram, os copos no restaurante são melhores). Servido por 2 vezes, para não aquecer no copo, acabei por beber uma quantidade bem generosa.
3.A Commenda (Centro Cultural de Belém)
Podia ser a grande sala de visitas de Lisboa, mas não é. Já foi, no passado, um restaurante de referência. Uma pena, até porque, no tempo das Coisas do Arco do Vinho, vivemos lá grandes momentos. Ficaram os laços afectivos e as saudades de outros tempos.
Só têm 1 prato do dia (9,50 €?), nem sempre apetecível. Fomos para a carta e escolhemos pasteis de bacalhau e filetes de peixe, pratos razoáveis e bem apresentados.
Quanto a vinhos, a lista não é de grandes rasgos, as datas de colheita estão omissas e, a copo, só os da casa. Bebi um branco Portada 2013 (Regional Lisboa) que, embora correcto, não me ficou na memória.

sábado, 13 de junho de 2015

Vinhos em família (LXII) : a moda das séries e ...

Mais uns tantos vinhos provados em família, com o rótulo à vista e sem a pressão da prova cega (3 brancos, 1 tinto e 1 fortificado). Curiosamente os 3 brancos foram incluídos num novo conceito, as séries, sendo 2 da Real Companhia Velha (RCV) e 1 da Fitapreta (com adega na Igrejinha e escritórios no Instituto Superior de Agronomia!?). Mostraram todos uma boa acidez. Quer parecer-me que a moda das séries pegou.
.RCV Séries Samarrinho 2013 (apenas 858 garrafas!) - nariz exuberante, notas florais, frescura e mineralidade, personalidade e originalidade, algum volume e final de boca. Uma raridade a marcar pontos pela diferença. Nota 17,5+.
.RCV Séries Arinto 2012 (1150 garrafas) - estagiou 1 ano em garrafa, antes de ser posto no mercado; presença de citrinos e maçã, fresco a mostrar muita vivacidade, alguma gordura, elegante e equilibrado, volume e final médios. Menos interessante que o Samarrinho. Nota 16,5.
.Signature Séries Arinto dos Açores by António Maçanita 2013 (DO Pico) - presença de citrinos, algum floral, fresco e mineral, notas amanteigadas, algum volume e final médio. A Wine Advogate (a revista do Parker) atribuiu-lhe, recentemente, 89 pontos, menos 2 obtidos pelo Terrantez do Pico 2013, com o mesmo conceito e que já custa mais de 40 €!
.Qtª da Gricha 2007 - ainda com frutos vermelhos, alguma rusticidade, acidez no ponto, taninos firmes, algum volume e final longo; beber daqui a 7/8 anos. Precisa de um prato forte por perto. Nota 17,5+ (noutra situação 17,5).
.Niepoort Colheita 1976 (engarrafado em 1989) - nariz neutro, presença de frutos secos, déficite de acidez, notas de brandy e caril, volume e final médios. Tem mostrado uma grande irregularidade ao longo dos anos e com datas de engarrafamento diferentes. Nota 16 (noutras 17,5/17+/15,5/17).

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Novo Formato+ (sessão especial) : um almoço memorável nas Caldas da Rainha

Mais uma sessão deste grupo de enófilos (4 casais) que se deslocou propositadamente às Caldas da Rainha (Praça 5 de Outubro,40), para almoçar no meu restaurante preferido, o Sabores d' Itália ( em abono da verdade, a ideia foi do João Quintela).
Foi um almoço memorável num restaurante requintado, com a Maria João, em grande forma, à volta dos tachos e o Norberto, na sala, a responsabilizar-se por um serviço de vinhos exemplar (temperaturas correctas, copos Schott e Spiegelau e, ainda, aparatosos decantadores Riedel). Um luxo!
Começámos bem com um amuse bouche (crepe de gorgonzola com parmesão), acompanhado por um Messias Extra Dry, uma simpática oferta dos donos da casa. A seguir, desfilaram:
.Soalheiro Alvarinho Reserva 2007 magnum (da garrafeira do João) - já aqui referido por diversas vezes, é sem dúvida o melhor branco português provado na minha vida. Servido em copo largo de vinho tinto, mostrou toda a sua nobreza, estando ainda longe da reforma. Nota 18,5 (mais uma vez).
Curiosamente, na Revista de Vinhos de Maio, o Luis Lopes refere este Soalheiro 2007 como "(...) um grande vinho, ainda a crescer na garrafa, capaz de se bater de igual para igual com brancos de topo das mais prestigiadas regiões do mundo." Assino por baixo.
Acompanhou uma deliciosa sopa de peixe e marisco à Sabores d' Itália (apesar de as lulas estarem demasiado "al dente") e um belíssimo risotto de sapateira com coentros. Ligações perfeitas.
.BOCA 2004 (trazido pelo Juca) - também já aqui comentado por diversas vezes, ainda longe da reforma, continua elegante e possuidor de uma invejável e equilibrada acidez. Nota 18.
.Poeira 2007 (também da garrafeira do Juca) - ainda com muita fruta preta, elegante, fresco, harmonioso, algum volume e final longo; a acidez perfeita, vai mantê-lo em forma mais 7/8 anos. Nota 18,5.
.Antónia Adelaide Ferreira 2009 (trazido pelo Alfredo) - nariz exuberante, muito frutado, acidez equilibrada, grande volume e final guloso; um vinho mais ao estilo internacional; a beber nos próximos 4/5 anos. Nota 18.
Estes 3 tintos acompanharam um bom medalhão de lombo de novilho Wellington, molho de Porto com trufa, batata roesti, espargos grelhados e beringela panada.
.Artur Barros e Sousa Moscatel 1963 (da minha garrafeira) - frutos secos, notas de mel, citrinos, caril e brandy, acidez q.b., volume assinalável e final interminável. Uma raridade e um hino à extinta Artur Barros e Sousa. Bebido com todo o respeito, não sobrou uma gota! Nota 19+.
Fez uma feliz maridagem com uma sinfonia de doces sabores (sopa de amoras com gelado de requeijão, framboesas gratinadas com sorvete de limão, panna cotta de baunilha e especiarias, sinfonia de pera rocha e, ainda, tiramisu).
Grande e inesquecível jornada. O restaurante e os participantes estão de parabéns. Obrigado a todos!