terça-feira, 20 de setembro de 2016

Alfredo Penetra : mais um amigo enófilo que partiu...

O blogue está de luto, pois o nosso amigo Alfredo Penetra, enófilo militante de longa data, deixou-nos.
Conheci o Alfredo quando começou a frequentar as Coisas do Arco do Vinho (CAV) na qualidade de um dos responsáveis pela Casa do Pessoal do Banco de Portugal, onde chegou a organizar provas de vinhos.
Em simultâneo passou a participar em todos os nossos eventos vínicos, quer fossem jantares, provas ou visitas a produtores. Não falhava!
Também foi convidado a integrar o painel de prova cega das CAV, estando na fotografia alusiva a tal facto, publicada na brochura comemorativa do 10º aniversário das CAV.
Mais, passou a integrar os nossos grupos de prova "Novo Formato+" e o dos "Madeiras", posteriormente rebaptizado como "Vinhos Fortificados", alguns dos quais organizados na sua casa.
Irradiava boa disposição e simpatia contagiante. Bom copo e bom garfo, era fácil gostar dele e fazer amizades. A sua ausência vai ser muito difícil de preencher. O Alfredo vai ficar para sempre connosco, enquanto andarmos por cá.
Bebamos, então, à sua memória. Até sempre, amigo Alfredo!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Curtas (LXXIX) : as viagens da Tryvel e os programas na TV

1.Tryvel
A Tryvel é uma agência de viagens que, entre tantos destinos, vai dedicar aos enófilos 2 aliciantes passeios, sempre sob a orientação da jornalista e critica de vinhos Maria João Almeida (este blogue tem um link para ela):
.Dão (Paço dos Cunhas de Santar, Casa da Insua, Casa da Passarella, Qtª Madre d' Agua e Qtª de Lemos) - 30 de setembro, 1 e 2 de outubro
.Alentejo (Monte da Ravasqueira, Adega da Cartuxa, Herdade da Malhadinha, Herdade dos Grous, Herdade do Rocim e L' and Vineyards) - 2, 3 e 4 de dezembro
Imperdível, especialmente o 1º passeio.
Depois não digam que não foram avisados...
2.Visita Guiada na RTP2
Passou no dia 12 (última 2ª feira) o episódio nº 20, organizado pela Paula Moura Pinheiro, com a colaboração de Manuel Tomás, professor, jornalista e poeta natural do Pico, que foi integralmente dedicado às vinhas velhas daquela ilha, classificadas como Património da Humanidade pela UNESCO.
Este curioso e imperdível episódio ainda pode ser visto, pois repete no dia 20 pelas 13 h.
3.Outros programas
Para enófilos e gastrónomos interessados, recomendo:
.Imperdíveis, a passar no Porto Canal quase diariamente pelas 23h30, repetindo de madrugada (já tinha referido este programa em "Curtas (LXXVIII)"), crónica publicada em 11/8/2016.
.Essência, a ir para o ar  na RTP3 aos domingos, pelas 14h30.
.Boa Cama Boa Mesa, apresentado na SIC Notícias às sextas feiras, cerca das 9h45.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Cachorro à Portuguesa : os conselhos do chefe João Sá

Li, já há algumas semanas, uma notícia que me despertou a curiosidade. Tinha aberto um espaço gastronómico que dava pelo nome de Cachorro à Portuguesa À Nossa Maneira (Rua São Marçal, nº 111, mesmo junto à Rua da Escola Politécnica), que teve (tem?) como consultor o chefe João Sá (ex-G Spot e ex-Assinatura), responsável pela concepção dos recheios dos ditos cachorros.
São 16, à base de frango (3), vaca (4), porco (5), heróis do mar (2) e não é carne nem é peixe (2), havendo também umas tantas entradas com o sugestivo nome "enquanto espero".
Comecei por uma curiosa espécie de croquete de tremoço (!), seguido de um herói do mar que dava pelo nome de bacalhau com todos, o qual vinha acompanhado de salada de couve, ovo ralado, maionese de coentrada e batata doce frita, terminando num imaginativo pirolito (vodka com gelado de limão), servido num pequeno frasco e bebido com uma palhinha (!). Uma refeição deveras original, que poria os cabelos em pé dos indefectíveis da cozinha de autor.
Resta dizer que não apreciei particularmente o pão do cachorro. Já comi bem melhor. E andaram os donos 2 anos a provar pão!
Quanto a vinhos a copo, apenas 4 (2 brancos e 2 tintos) todos da marca Fiúza, com os tintos à temperatura ambiente, isto é, a vinte e muitos graus. Francamente, bem podiam ter pedido a ajuda de quem perceba alguma coisa de serviço de vinhos, à semelhança do que fizeram com a comida.
Optei por uma cerveja artesanal Saudade (Companhia das Caricas), ligeiramente turva e amarga, que veio numa caneca e entornou por fora logo que peguei nela. Mais uma originalidade, mas que não funciona. A meu pedido, foi substituida pelo clássico copo. Um desabafo: cada vez gosto mais das cervejas artesanais e cada vez menos das industriais!
Finalmente, mais uma nota curiosa e original: todos os lugares têm uma lâmpada acesa por cima, bastando fechá-la para chamar a empregada.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O blogue vai de férias

Mais uma semana e picos longe do computador.
Boas pingas e até ao meu regresso!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Almoçar em hotéis (IV) : comer super barato no Real Parque Hotel

Recentemente tive a ocasião de comer no Real Cantinho, um dos espaços do Real Parque Hotel, tendo optado pelo Menú Prato com direito à sugestão do dia (peixe, carne ou massa e, ainda, bebida e café). Tudo isto por 8,50 €, uma pechincha!
Comi robalinho grelhado com batata a murro e bebi um copo do branco da casa que já vinha servido! A componente vínica é o ponto fraco deste espaço. O que é que custava vir a garrafa à mesa e dado o vinho a provar? O branco, simples e correcto, cumpriu a sua função, isto é, empurrar o peixe, nada mais que isso.
Dada uma olhada à carta de vinhos, pareceu-me muito pouco ambiciosa, mas com preços aceitáveis e tudo datado (vá lá, vá lá...). Um copo do vinho da casa (Montaria branco e tinto e Conde Villar rosé) custa 2 €, para quem o consuma fora do menú.
Neste Real Cantinho ainda se pode almoçar mais barato, caso se opte pelo Menú Pão (sopa, sandwich/wrap, bebida e café) ou pelo Menú Salada (salada, bebida e café), os dois a 7 €.
Fiquei com curiosidade de experimentar o Bufete Bacalhau e o Bufete Cozido, ambos a 10 € ou a 12,50 €, se lhes acrescentarmos bebida e sobremesa, que são servidos noutro espaço, o Real Restaurante. Pode ser que aí, o serviço de vinhos seja melhor. Haja esperança...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Bairro do Avillez : o que ainda não foi dito

O chefe José Avillez continua de conquista em conquista, aumentando o seu império, tendo sido a última a abertura do Bairro do Avillez (Rua Nova da Trindade nº 18, praticamente ao lado da Trindade e em frente ao Faz Gostos). Já aqui me referi a quase todos os seus espaços, faltando a joia da coroa, o Belcanto que, por razões orçamentais, ainda não tive a oportunidade de visitar.
Para os mais curiosos, eis as crónicas dedicadas ao império Avillez:
."José Avillez ao quadrado" (Pizzaria Lisboa e Cantinho do Avillez), em 18/10/2014
."Almoço no Café Lisboa : o bloco central do chefe José Avillez", em 29/10/2013
."Empadaria do Chef : nem tudo o que parece, é...", em 28/12/2011
."Almoço no Cantinho do Avillez", em 10/9/2011
Voltando ao tema da crónica de hoje, muito se tem escrito sobre o Bairro do Avillez, nomeadamente na Fugas, na Evasões e, ainda, nos blogues Mesa Marcada e Mesa do Chef, para os quais tenho links, nomeadamente sobre o espaço e a componente gastronómica. Falta falar sobre a componente vínica e é o que pretendo fazer nesta crónica.
A carta de vinhos pareceu-me bem construida, com alguma originalidade, anos de colheita presentes, mas com uma série de vinhos a preços demenciais, como por exemplo o Soalheiro 1ª Vinhas 2015 (51 €), Qtª Carvalhais 2014 (48 €), Callabriga 2013 (54 €), Meandro 2013 (42 €) e Papa Figos (22 €)!
Inventariei 2 Espumantes (os 2 a copo), 22 Brancos (7), 1 Rosé (1), 24 Tintos (7), 4 Portos (3 a copo, incluindo 1 Vintage, o que não se entende). Quanto a Madeiras e Moscatéis, zero, o que também não se percebe.
Optei por um copo do branco Casa da Passarella à Descoberta 2015 (4 €) - nariz neutro, algo fresco e mineral, frutado, acidez equilibrada, volume e final médios. Simples, correcto e agradável. Nota 16.
A garrafa veio à mesa, o vinho dado a provar, servido num copo razoável, a olho, uma quantidade correcta. Não testei a temperatura dos tintos, mas informaram-me que os tinham em armários térmicos. Fica para uma próxima.
Para terminar:
.cheguei alguns minutos antes das 13h, mas quem chegue depois desta hora arrisca-se a ter que esperar por mesa, tal é a procura
.comi no espaço Taberna, umas desinteressantes"pipocas" de coirato picantes, uma surpreendente saladinha de "orelha de morcego", uns saborosos pezinhos de porco de coentrada e um sucolento prego do lombo com manteiga de mostarda
.as mesas, com tampo de pedra, estão 100 % despojadas, tendo apenas sido colocado o curioso "estojo ferramentas" (talheres e guardanapo de papel)
.serviço, de um modo geral, eficiente, mas com alguma descoordenação
.o WC dos homens não se fechava por dentro, o que me fez lembrar uma cena passada há alguns anos num restaurante de bairro, onde apanhei um polícia de trânsito fardado, sentado de sanita...
Pesando os prós e contras, é de conhecer este espaço, onde tenciono voltar.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Vinhos em família (LXXIV) : 4 brancos de 2013 e 1 tinto de 2011

Mais uma sessão de provas, no sossego do lar, com os rótulos à vista e sem a pressão de tentar perceber a origem dos mesmos, as castas ou os anos de colheita. E eles foram :
.Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho - aroma intenso, presença de citrinos e de fruta madura, notas florais, acidez equlibrada, alguma gordura e fumo, volume acentuado e bom final de boca. Ainda longe da reforma. Nota 17,5+.
.Qtª das Bageiras Pai Abel - nariz austero, citrinos, notas florais, acidez no ponto, sofisticado, alguma gordura, madeira ainda presente, algum volume e final de boca. Precisa de mais 2/3 anos para atingir um maior equilíbrio. Menos interessante que o 2012. Nota 17,5.
.Qtª das Bageiras Garrafeira (garrafa nº 2667/3008) - com base nas castas Maria Gomes e Bical, fermentou em tonéis de madeira avinhada; nariz austero, notas florais, algum vegetal, ainda muito marcado pela madeira, acidez equilibrada, alguma gordura e volume, Desiludiu. Nota 16.
.Vértice Grande Reserva - engarrafado em Novembro de 2015; aromático, presença de citrinos e fruta de caroço, fresco e mineral, acidez no ponto, madeira bem casada, algum volume e final de boca.Uma boa surpresa, em forma mais alguns anos. Nota 17,5+.
.Zom Grande Reserva (Barão de Vilar) - engarrafado em Novembro de 2013; enologia de Alvaro van Zeller, com base nas castas Touriga Nacional, Touriga Franca e, ainda, em vinhas velhas; retinto, ainda com muita fruta, notas de tabaco e chocolate, acidez equilibrada, taninos a imporem-se, grande volume e final longo. Só lhe falta um pouco mais de frescura para dar o salto para outro patamar. Pronto a beber, mas aguenta mais 4/5 anos. Nota 17,5+.