terça-feira, 1 de setembro de 2015

Barbatana : um restaurante de luxo num centro comercial

O grupo do Porto de Santa Maria resolveu replicar o seu restaurante do Guincho no C. C. Amoreiras, com base no peixe e marisco, e contando com a colaboração do chefe Miguel Laffant que desenhou a carta.
O Barbatana tem uma sala, a única com vistas para o exterior, em todo o centro comercial, onde pratica preços altos de um modo geral e demenciais nos vinhos. A título de exemplo, encontrei o Soalheiro Alvarinho 1ª Vinhas a 42 €, Anselmo Mendes Curtimenta a 67 €, MR Premium Rosé a 48 € e Herdade dos Grous 23 Barricas a 75 € (!!!). Ó senhores do Porto Santa Maria, francamente! A estes preços, nem os angolanos endinheirados lá chegarão, agora que o petróleo está em baixa! Não lhes auguro muito tempo de vida...
Além desta sala há um balcão com meia dúzia de lugares (bancos altos muito incómodos), onde se pode comer e beber a preços mais ou menos acessíveis. Foi ali que eu abanquei e degustei rissol de berbigão (3 unidades, 5,50 €) e camarão à la guilho (8,90 €).
Ao balcão há um menú do dia, este sim a um preço decente (entrada ou sopa, prato do dia, bebida e café a troco de 9,20 €). também se podendo optar pelas restantes ofertas (marisco, twist, saladas, torricados, tártaros, peticos do mar e noodles).
A oferta a copo está muito reduzida e desinteressante. Por deferência do empregado, pude optar por um vinho da sala principal, o branco Beyra 2014 - cítrico, muito fresco e mineral, elegante e equilibrado, maridou bem com a comida. Nota 16.
A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar num bom copo Schott. Simpaticamente, cobraram-me apenas 2,50 €, o preço da bebida da casa, se calhar para amenizar os meus protestos quanto aos preços imorais praticados no restaurante.
Enquanto os preços dos vinhos não forem revistos, desaconselho este Barbatana e não voltarei lá a pôr os pés.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Vinhos em família (LXIV) : lugar aos brancos

Mais 5 vinhos (4 brancos e 1 rosé) provados com o rótulo à vista, todos eles altamente credenciados e elogiados. Mas, paradoxalmente, nenhum deles me apaixonou. Devo ter o palato formatado para a casta Alvarinho que não está presente em nenhum destes vinhos agora provados.
1.Séries Terrantez do Pico by António Maçanita 2013 (garrafa nº 279 de 646, uma raridade!) -  nariz austero, fresco e mineral, alguma gordura e volume, bom final. Uma relativa desilusão e preço inflacionado, provocado pelos 91 pontos atribuidos pela Wine Advocate, a revista do famoso Parker. De qualquer modo, um trabalho notável do António Maçanita na recuperação desta casta, dada como perdida. Nota 16,5.
2.Dão António Madeira 2013 (Sub Região Serra da Estrela) - com base nas castas Síria (75 %), Fernão Pires e Bical; nariz complexo, presença de citrinos e alguma fruta madura, notas abaunilhadas, acidez no ponto e mineralidade, volume médio; gastronómico, precisa de comida por perto. Prevejo-lhe uma longevidade apreciável. O Dirk Niepoort apostou nele e esteve à venda no site Projectos Niepoort, mas esgotou rapidamente. Nota 17,5+.
O produtor e enólogo tem um blogue interessante (vinhotibicadas.blogspot.pt).
3.Esporão Verdelho 2014 - fermentou em cubas de inox; nariz exuberante, fresco e mineral, elegante, volume e final médios; muito agradável, mas falta-lhe a complexidade e estrutura dos brancos de eleição. Foi uma das 68 medalhas de ouro no Concurso Vinhos de Portugal 2015, tendo sido considerado na finalíssima que decorreu no Solar do Vinho do Dão, o melhor vinho em prova. Nota 16,5+.
4.Vallado Prima 2014 - com base na casta Moscatel Galego (100 %); nariz exuberante, casta bem presente, incrivelmente fresco e mineral, pode ser bebido a solo, embora tenha algum volume e final de boca. Foi o vencedor do painel da Fugas dedicado aos vinhos de verão, em prova a solo e com comida. Nota 17,5.
5.Qtª Poço do Lobo Reserva 2014 rosé - com base nas castas Baga e Pinot Noir, passou por madeira avinhada; côr rosa desmaiada, nariz austero, notas florais, belíssima acidez, algum volume e final seco; gastronómico. Se provado às cegas, não parece um rosé, antes um branco encorpado. Um rosé muito interessante, a perder apenas com o Barranco Longo, a minha referência. Nota 16,5+.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Lob : um espaço de restauração original

O Lob - Lobster & Secrets abriu há alguns meses na Rua São Filipe Neri, 21 (ao Rato) com um conceito deveras original. Trata-se de "take away", onde tanto se pode levar a comida para casa como, também, se pode abancar subindo uns 15 degraus de acesso à sala de refeiçoar, onde a clientela fica por sua conta e risco (não vi ninguém a levantar as mesas).
A ementa é fixa e à base de lavagante (em sopa, salada e até em sanduiche!), mas também apresenta caril de camarão e sanduiches de salmão e de porco assado.
Nas 2 visitas que fiz e abanquei no 1º andar, comi sanduiche de lavagante, bisque e caril de camarão. Tudo agradável, apesar do incómodo que é subir os tais 15 degraus com o tabuleiro na mão, sempre com o risco de tropeçar e deixar cair a refeição no meio do chão.
Quanto a vinhos, a situação não é brilhante. Há meia dúzia a copo, mas os tintos estão à temperatura ambiente. As garrafas estão à vista, mas o vinho não é dado a provar. Pior, ainda: os copos são inqualificáveis! Era melhor nem terem vinho, pois assim não faziam má figura.
Na 1ª visita, ainda sem me aperceber da situação, bebi um copo do Alvarinho Deu-la-Deu (2,50 €) que cumpriu a sua função, mas na 2ª fui para a cerveja artesanal minhota Letra A (4 €), a dar muito boa conta de si.
Se eu morasse para aqueles lados, levaria a comida para casa e beberia um branco de referência em copo Riedel. Sempre era outra coisa.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Curtas (LXIV) : a feira dos Douro Boys e mais esplanadas

1.Feira do Douro com os Douro Boys
Vai ser a 1ª feira de vinhos e sabores, organizada pelos Douro Boys, que decorrerá na Quinta do Vallado. Nos próximos anos, sempre na altura das vindimas, esta feira decorrerá nas restantes quintas, uma diferente em cada ano.
O evento realizar-se-há nos dias 19 (Sábado, das 15 às 20 h) e 20 de Setembro (Domingo, das 11 às 18 h). Por 10 €, com direito a um copo Riedel, vai poder provar-se vinhos dos Douro Boys (Quintas do Crasto, Vale D. Maria, Vale Meão e Vallado e, ainda, a Niepoort), além de produtos da terra e mercearia fina de cerca de 20 produtores regionais convidados para esta feira.
Imperdível! Lá estarei daqui a 1 mês.
2.A Horta
Fica no Páteo Alfacinha (Rua do Guarda Jóias,44 bem próximo do Palácio da Ajuda) e pertence ao restaurante Mercearia, que fecha no verão, enquanto que A Horta, toda ela uma irresistível esplanada com uma vista magnífica para o Tejo e ponte 25 de Abril, só abre nesta altura do ano.
Aposta nos grelhados e nos petiscos para partilhar (pica-pau do lombo e, também, de marisco, estupeta e lombo de atum, mini-preguinhos, etc). A comida não é de excelência, mas é bem agradável e as doses são generosas. Comi, nas 2 visitas que fiz, a estupeta de atum, o mini-preguinho do lombo e um delicioso arroz Calasparra de lingueirão. No final um gelado artesanal, que recomendo vivamente.
Quanto a vinhos, a lista é curta, mas com algumas referências interessantes, e apresenta 2 preços diferentes, um para comprar e levar para casa e outro, acrescido de 6 € (taxa de rolha) para consumo no local. Bebi, a copo, o vinho branco da casa, DFJ Arinto/Chardonnay 2013 (3 €), um bom casamento destas castas, simultaneamente fresco e com alguma gordura, gastronómico e bebível todo o ano. Nota 16. A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar. Copo aceitável.
Mas, só pela vista vale a pena a deslocação. E já agora, para quem não conheça, é obrigatória uma visita ao Palácio da Ajuda.
3.Café Portugal
O Hotel Story Rossio chamou ao seu restaurante Café Portugal, em homenagem a este clássico já desaparecido há algum tempo. Já me referi à sua esplanada em "Testando o serviço de vinhos (III)", crónica publicada em 16/6/2015.
A esplanada fica num dos largos passeios do Rossio e é óptima para quem goste de muito movimento, seja de peões, seja de carros. Desta vez não fui para o menú do dia, mas para a carta, tendo comido uns apetecíveis pastéis de bacalhau com um saboroso arroz de feijão. Os pastéis tinham mesmo bacalhau, mas também incluiam espinhas, o suficiente para chumbarem se fossem a concurso!
Bebi, a copo, o vinho da casa, o branco Rafeiro 2014 - nariz neutro, alguma acidez e volume, correcto, mas não mais do que isso. Nota 15. A garrafa veio à mesa, mas o vinho não foi dado a provar, servido num copo de ridícula dimensão e em quantidade manifestamente curta. Feita a reclamação puseram mais um pouco no copo, mas a olho não chegava aos 14/15 cl.
Embora se trate de uma esplanada, mas como é pertença de um hotel, estas incorreções deveriam ser rapidamente resolvidas. À atenção dos responsáveis.

domingo, 16 de agosto de 2015

Quadro de Honra de Moscateis

Esta é a última crónica dedicada à actualização anual dos meus QH.
1.Moscatel de Setúbal, incluindo o Bastardinho
.com 19,5 - 3 (1952, Superior 1955 e Roxo 1960)
.com 19 - 2 (Roxo 1900 e Trilogia)
.com 18,5+ - 5 (1967, 1973, Roxo Superior 1971, Superior 1962 e Roxo 20 Anos eng. em 2014)
.com 18,5 - 6 (1918, Superior 1975, 20 Anos eng. em 1986, Roxo, Alambre e Bastardinho todos 20 Anos)
2.Moscatel do Douro
.com 19 - 1 (Secret Spot +40 Anos)
3.Moscatel da Madeira
.com 19+ - 1 (Artur Barros e Sousa 1963)
.com 19 - 1 (Artur Barros e Sousa de ano desconhecido)
.com 18,5 - 1 (Artur Barros e Sousa 1890)
De referir o pleno da JMF nos Moscateis de Setúbal e da ABS nos Moscateis da Madeira.

sábado, 15 de agosto de 2015

Quadro de Honra de Vinhos da Madeira

1.Por casta
.Bual - 21
.Verdelho - 11
.Malvasia - 9
.Terrantez - 8
.Sercial - 6
.Bastardo - 1
Nota: a casta Moscatel será incluida no QH de Moscateis.
2.Por produtor/marca
.Madeira Wine - 34 (Blandy 26, Cossart Gordon 6, Leacock e Miles 1 de cada)
.Artur Barros e Sousa - 10
.Borges - 4
3.Por anos de colheita
.século XIX (1814, 1870, 1879, 1880, 1891 e 1900) - 6
.1ª metade do século XX (05, 19, 20, 34, 40 e 48) - 6
.década de 50 (58) - 1
.década de 60 (60, 63, 64, 66, 68 e 69) - 11
.década de 70 (71, 73, 74, 75, 77 e 79) - 11
.década de 80 (81, 86 e 88) - 3
.década de 90 (91 e 96) - 2
.20 Anos - 1
.40 Anos - 3
4.Os melhores entre os melhores
.com 19,5 - 6 (Adega do Torreão Terrantez 1905, Blandy Solera Bual 1891, Blandy Bual 1920, 48, 64 e Miles Bual 34)
.com 19+ - 2 (Blandy Bual 77 e Borges Verdelho 40 Anos)
.com 19 - 12 (Blandy Terrantez 69, 75, 77, Cossart Terrantez 77, Blandy Verdelho Solera, Blandy Bual 63, 68, 69, 71, Artur Barros e Sousa Bual Solera 19 e Borges Malvasia 40 Anos).
5.Resumindo e concluindo, é de destacar:
.a casta Bual (36,8 % do total dos Vinhos da Madeira seleccionados)
.a marca Blandy (45,6 %)
.as décadas de 60 e 70 (38,6 %).

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Quadro de Honra de Vinhos do Porto

1.Por tipo
.Vintage - 10
.Colheitas - 20
.Tawnies de Idade (30 e 40 Anos) - 10
.Brancos Velhos - 2
Em colisão com o gosto dos britânicos, estou mais virado para os tawnies (71,4 % dos Vinhos do Porto com 18,5 ou mais), nomeadamente os Colheitas.
2.Por produtor/marca
.Krohn - 8 (Colheita 60, 61, 66, 67, 68, 78, Branco 64 e o 30 Anos)
.Burmester - 6 (Colheita 20, 37, 44, 55, 81 e o Tordiz 40 Anos)
.Noval - 6 (Vintage 58, 94, Colheita 37, 64, 71 e o 40 Anos)
.Fonseca/Taylor's - 6 (Vintage Fonseca 2003, Fonseca Guimaraes 76, Taylor's 94, 2011, Taylor's Vintage 64 e o 40 Anos)
.Barros - 4 (Colheita 35, 74, 40 Anos e o Branco Muito Velho)
O meu grande aplauso para a marca Krohn, agora absorvida pela Taylor's, mas também tiro o meu chapéu ao Fonseca Guimaraes 1976, uma 2ª marca de eleição.
3.Os melhores entre os melhores
Classificados com 19 ou mais, por ordem alfabética:
.Barros Colheita 35
.Burmester Colheita 37,44, 55 e, ainda, o Novidade 1920 (este com 19+)
.Fonseca Guimaraes Vintage 76
.Krohn Colheita 61
.Noval Colheita 37 e 71