quinta-feira, 16 de abril de 2015

Jantar Susana Esteban : Procuras e Aventuras...

Mais uma iniciativa da Garrafeira Nectar das Avenidas, desta vez com os vinhos e presença da enóloga e produtora Susana Esteban. Foi o 42º evento desta garrafeira. É obra!
O evento desenrolou-se no restaurante Sem Dúvida, já aqui referido e elogiado em "O grupo dos 3 (16ª sessão)", crónica publicada em 27/9/2011. Devo dizer que este foi, para mim, o jantar vínico mais equilibrado de todos os organizados pela Nectar das Avenidas, em que participei. De facto, o ritmo foi muito bom, não havendo praticamente tempos mortos entre os pratos, a gastronomia mostrou qualidade, as doses eram as certas, nem diminutas nem excessivas, o serviço era profissional e o repasto terminou a horas decentes. Oxalá fosse sempre assim...
Quanto aos beberes e comeres, desfilaram:
.Aventura 2013 branco - a partir de vinha velha na Serra de S. Mamede, tendo passado apenas por inox; produzidas 4000 garrafas; aromático, frutado, fresco, boa acidez, volume e final médios. Agradável e correcto, mas sem exaltar os sentidos. Nota 15,5.
Ligou bem com queijo fresco, ervas e azeite virgem.
.Procura 2013 branco - estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês; produzidas 1700 garrafas; acidez equilibrada, elegância, alguma gordura e complexidade, notas fumadas, volume e final apreciável; muito harmonioso, vai evoluir bem em garrafa. Nota 17,5.
Fez uma maridagem perfeita com a garoupa estaladiça e palha de alho francês.
.Aventura 2013 - a partir das castas Aragonês e T.Nacional, em vinha na região de Portalegre; 12000 garrafas produzidas; fruta preta, acidez correcta, mas pouco harmonioso, volume e final médios. Precisa de tempo para se harmonizar. Nota 16.
Não ligou minimamente com a trouxa de cogumelos.
.Procura 2012 - a partir da casta Alicante Bouschet, fermentou em lagar e estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês; produzidas 5100 garrafas; fruta presente, acidez no ponto, especiado, notas evidentes de cacau, taninos evidentes mas civilizados, volume e final de boca apreciáveis. Sofisticado e harmonioso. Já está bebível, mas vai melhorar com mais 4/5 anos de garrafa. Nota 18.
Casamento feliz com um lombo de borrego e gratin de batata.
A harmonização das sobremesas ficou ao nosso critério. Pela minha parte, acompanhei a degustação de queijos com o Procura branco (ligou bem) e a delícia de chocolate com o Procura tinto (não ligou tão bem).
Finalmente, para o que estamos habituados, um jantar com apenas 4 vinhos é curto. Faltou aqui um vinho fortificado. Penso que teria sido fácil, para a distribuidora dos vinhos da Susana Esteban, ter arranjado um produtor de vinhos fortificados que pudesse ter feito uma parceria para este evento.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

As novidades da Madeira Wine

Quem goste de Vinhos da Madeira não pode faltar à apresentação das últimas novidades da Madeira Wine (Blandy Verdelho 1973 e Blandy Bual Colheita 2002), a cargo do conceituado enólogo Francisco Albuquerque.
Este evento terá lugar no Hotel Porto Bay Liberdade (Rua Rosa Araújo,8) no próximo dia 22 de Abril (4ª feira), pelas 17 h.
A bem do Vinho da Madeira!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Rescaldo das férias (Monte Real, São Pedro de Moel, Nazaré...)

1.Monte Real
O Palace Hotel Monte Real é um deslumbrante hotel de 4 *, que nem sequer é caro (nesta altura do ano, claro). Óptimo para carregar baterias, pôr as leituras em dia, namorar ou fazer tratamentos termais. Renovado e ampliado recentemente, disponibiliza quartos espaçosos e modernos, pequeno almoço de luxo e amplo espaço envolvente.
O restaurante é sofisticado, a cozinha é de autor e o serviço profissional e simpático. Em contrapartida, a lista de vinhos é desinteressante, os anos de colheita não constam e a oferta de vinhos a copo é diminuta.
No jantar do dia de chegada, após um almoço miserável numa das estações à beira da A8, comi um belíssimo tamboril em marinada de citrinos com risoto de manjericão e legumes. Acompanhou um agradável copo do branco Qtª do Carmo 2013 (nota 16,5). A garrafa veio à mesa e o vinho dado a provar. No entanto, reparei que os tintos estavam à temperatura ambiente. Um hotel desta classe merecia dar mais atenção e estes pequenos, mas importantes, pormenores.
A povoação é um susto. Incaracterística e feia, parece ter parado no tempo, a ajuizar pelos nomes de algumas ruas: Doutor Oliveira Salazar, Marechal Carmona e 28 de Maio!
2.São Pedro de Moel
Fiz o trabalho de casa e levava a indicação de 2 restaurantes, o Estrela do Mar e o Brisamar. Duplo azar: o primeiro estava fechado e, no segundo, o contacto prévio correu tão mal (não precisarão de clientes, nesta altura do ano?) que fizemos agulha para o Hotel Mar e Sol, cujo restaurante abriu simpaticamente para nós (não havia mais nenhum cliente).
Comemos um saborosíssimo e avantajado arroz de cherne, camarão e berbigão. A  lista de vinhos era igualmente desinteressante, os anos de colheita também omissos e, a copo, apenas o da casa. Escolhi uma meia garrafa de branco Monte Velho 2013 (nota 15,5), fresco, correcto e agradável, cumpriu bem a sua missão.
A garrafa foi mostrada e o vinho dado a provar. Serviço simpático, a cumprir os mínimos.
3.Nazaré
Na marginal desta terra, mesmo junto à praia, está instalada a Taverna do 8 ó 80, restaurante/winebar/tapas/ginspot, cujo dono, Abel Santos de seu nome, também é proprietário da conhecida Taberna da Adélia.
Numa das pareder é exibido um diploma da Revista de Vinhos, o "1º Prémio da Melhor Carta de Vinhos a Copo 2013".
Este espaço é uma agradável surpresa mas, simultaneamente, com algumas contradições.
A lista de vinhos é monumental, são 50 páginas A4, traduzindo-se nalgumas centenas de vinhos! Os preços são muito cordatos, nomeadamente os mais categorizados, apenas um pouco mais que o seu custo em garrafeiras.
A copo, uma aposta forte da casa, inventariei 21 brancos, 4 rosés, 20 tintos, 27 Portos e 4 Moscateis. A lacuna é nos Madeiras. Apenas têm o Alvada, embora não conste da lista. É ainda possível provar vinhos a copo de qualquer uma outra referência abaixo dos 20 €, sendo debitado 25 % do preço da garrafa.
Aqui vale a pena comer tapas/entradas/petiscos para partilhar. Assim vieram para a mesa, em doses generosas:
.tabua com diversos produtos (pataniscas, feijão frade e mini pizza) à base de carapau seco
.pimentos padron
.wrap de cavala
.ovos rotos com bacalhau
.cogumelos recheados com farinheira
.batatas bravas com polvo ou bacalhau
A acompanhar, avançaram 2 copos, um de branco e outro de tinto:
.Anselmo Mendes Curtimenta Alvarinho 2014 (3,50 €) - nariz intenso, frutado, notas tropicais, acidez q.b., alguma gordura, gastronómico. Vai melhorar com mais algum tempo de garrafa. Nota 16,5.
.Manoella 2012 (6 €) - fruta vermelha presente, acidez equilibrada, taninos evidentes, alguma rusticidade, volume e final de boca assinaláveis. Também precisa de mais uns anos para se mostrar plenamente. Nota 17+.
Curiosidades:
.apesar da existência de vários armários térmicos,os tintos estão à temperatura ambiente, embora corrijam na hora (disseram-me que são os clientes que querem assim!)
.o copo do branco tinha gravada a marca Nostalgia, o tinto Andreza, a manga Casa Cadaval e o drop-stop Noval, uma miscelânia...
.no fim do repasto, ainda me ofereceram uma garrafa de branco Vale da Mata 2013!
Apesar das contradições apontadas, recomendo vivamente este espaço. Grande oferta de vinhos, gastronomia petisqueira de qualidade, serviço profissional e simpatia a rodos.
À atenção dos enófilos!

sábado, 11 de abril de 2015

Short Master em Cultura do Vinho e Enoturismo

O Short Master em título é um curso de especialização em Cultura do Vinho e Enoturismo, orientado pela Universidade Portucalense.
Será ministrado em horário post-laboral (6ª feiras 18h/22h30 e Sábados 9h/13h30), com início em 2 de Maio.
Aconselhado para quem queira saber mais ou mudar de profissão...
Mais informações em www.upt.pt ou contactando a Prof. Josefina Salvado (josefinas@upt.pt).
A bem do vinho!


domingo, 5 de abril de 2015

Curtas (LVI) : férias, enganos e etc...

1.Férias
O blogue vai de férias, logo não vai haver crónicas para ninguém, na próxima semana. É a chamada Páscoa retardada...
2.Enganos
Suscitou-me curiosidade uma notícia que li na "evasoes" (a nova separata do DN de 6ª feira que, insolitamente, coloca o "~" (til) por debaixo do "o"), confirmada pela Fugas. Nada menos que o European Street Food Festival, instalado até dia 12 de Abril nos jardins do Casino do Estoril. Uma espécie de evento de comida de rua.
Lá fui eu, então. Mas o resultado foi uma verdadeira frustação, pois era obrigatório ir para uma bicha comprar fichas e, depois, ir para outra bicha trocar as fichas por comida! Se tivesse alinhado e caso tivessem sobrado fichas, teria que ir para uma outra bicha para as trocar por dinheiro. Ou ficava com elas, se não as aceitassem. Este esquema, para mim, não faz nenhum sentido. Desisti, portanto...
3.Esplanada Furnas
Já comi por diversas vezes neste espaço de restauração, que dá pelo sugestivo nome de Esplanada Furnas e fica na Ericeira, mesmo em cima do mar, não tendo daqui resultado qualquer notícia da minha parte. É uma injustiça, pois se come sempre peixe fresquíssimo e de muita qualidade.
Nesta última visita, tanto as ameijoas, gordas e saborosíssimas, como o goraz grelhado, estavam de 5 estrelas. Quanto a vinhos, a lista é curta mas contém algumas propostas interessantes. Lamentavelmente, a copo apenas o vinho da casa. Optei, mais uma vez, por uma meia garrafa do Planalto Reserva 2013, que se porta sempre bem.
4.Há vida para lá do vinho
Fui recentemente ouvir uma sinfonia de Gustav Mahler na Gulbenkian, onde o respectivo Coro teve uma curta, mas brilhante actuação. Só menciono isto, porque no Coro actuou o conhecido e multifacetado Aníbal Coutinho.

sábado, 4 de abril de 2015

Grupo dos 3 (44ª sessão) : Bairrada sim, Bairrada não...

Mais um encontro deste núcleo duríssimo, cabendo ao João Quintela trazer os vinhos para a prova e a escolha do restaurante. Regressámos ao As Colunas e provámos/bebemos 1 branco, 2 tintos (todos os 3 da Bairrada) e 1 Madeira.
Desfilaram:
.Qtª das Bageiras Garrafeira 2004 (garrafa nº 205/2338) - com base nas castas Maria Gomes e Bical; brilhante na cor, complexo no aroma, notas de oxidação nobre, acidez evidente, alguma gordura, volume assinalável e bom final de boca. Um grande branco com mais de 10 anos de idade, que cresceu com o tempo. Nota 18 (noutras situações 17/16,5+/17/17,5+).
Ligou muito bem com uma excelente barriga de atum braseada com açorda de ovas de sável.
.Aliás 2013 - ainda demasiado jovem, aroma contido, notas florais, acidez excessiva, alguma agressividade, falta de harmonia, volume médio e final longo. Precisa de tempo para se mostrar. Nota 16,5.
.Vinha Barrosa 2011 - aroma mais exuberante, notas de fruta preta, acidez equilibrada, harmonioso, especiado, taninos civilizados, volume evidente e final longo. O Luis Pato no seu melhor. Nota 18.
Os 2 tintos acompanharam bem um pato mudo no forno com puré de batata.
.Artur Barros e Sousa Reserva Velha Seco (engarrafado em 2002) - nariz preso, notas metálicas, acidez no ponto, excessivamente seco, a lembrar um Xerez. taninos evidentes, volume e final médios. Algo desequilibrado, desiludiu um pouco. Nota 16,5+.
Não ligou minimamente com a sobremesa (arroz doce, aliás muito saboroso).
Mais uma sessão de bom convívio com um branco e um tinto bairradinos de eleição. Obrigado João.

terça-feira, 31 de março de 2015

Curtas (LV) : Peixe em Lisboa e algumas revisitas

1.Peixe em Lisboa
Mais uma edição deste evento, a decorrer no Pátio da Galé, de 9 a 19 de Abril. Estarão presentes: Arola, José Avillez, Kiko Martins, Las Ficheras, O Nobre, Pap' Açorda, Ribamar, Sushi Café, Taberna Rua das Flores/Flores Bairro Alto Hotel e Vitor Sobral. Para escolher as diversas ofertas piscícolas, acompanhadas com vinhos da José Maria da Fonseca.
Para além destes espaços de restauração, há que visitar uma série de produtores com vinhos, queijos, enchidos, doces, conservas, etc, e até uma banca com peixe fresco.
Mais uma vez, não vou faltar.
2.Mar do Inferno
Um espaço obrigatório para quem se movimente na zona Cascais/Guincho e goste de peixe e/ou marisco. A esplanada é imperdível, mas convém proceder a marcação prévia.
Lamentavelmente, quanto a vinhos, a oferta a copo é praticamente inexistente, resumindo-se ao vinho da casa.
Nesta última revisita, para acompanhar uns belíssimos filetes de peixe galo com arroz de lingueirão, optei por uma meia garrafa de Planalto Reserva 2013 (7,70 €), muito frutado, fresco, correcto e descomplicado. Nota 15,5.
3.Ribamar
Este badalado restaurante, situado em Sesimbra, ainda não me conseguiu convencer. Numa visita recente, as ameijoas não eram frescas, o espadarte estava seco e a oferta de vinhos a copo estava reduzida ao da casa. Salvaram-se as ostras do Sado, frescas e sucolentas.
Tanta fama e afinal...
4.Block House
Já aqui referido, mantém o serviço alto ao nível da qualidade e da simpatia das empregadas. No entanto, a eficiência é em excesso, pois ainda estamos a comer a entrada (agradável salada Block) e já está o prato (espetada de vitela com batata frita, com pedaços desiguais) em cima da mesa. Não havia necessidade...
Televisão acesa, música de fundo demasiado alta (posteriormente apagada), lista de vinhos curta sem datações e tintos à temperatura ambiente.
Bebi um copo do tinto .Beb 2012 do Tiago Cabaço (3,90 €) - nariz fechado, frutos vermelhos, pouca acidez, algo pesado, volume e final médios. Esperava mais. Nota 14,5.
A garrafa veio à mesa, o vinho não foi dado a provar e foi servido num copo Stölze marcado a 0,20 cl, que ficou praticamente cheio, não dando qualquer hipótese de o rodar.
A simpatia, às vezes, não chega.